<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:foaf="http://xmlns.com/foaf/0.1/" xmlns:rdfs="http://www.w3.org/2000/01/rdf-schema#" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xml:base="https://www.nationalgeographicbrasil.com/api/rss/latest_contents.xml"><channel><title>National Geographic</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/api/rss/latest_contents.xml</link><description>The latest news from National Geographic in National Geographic</description><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Fri, 27 Mar 2026 18:25:00 GMT</lastBuildDate><ttl>3600</ttl><atom:link href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/api/rss/latest_contents.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>Os anjos já tiveram uma imagem aterrorizante? Veja como eles eram retratados nos mitos antigos</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/os-anjos-ja-tiveram-uma-imagem-aterrorizante-veja-como-eles-eram-retratados-nos-mitos-antigos</link><description><![CDATA[Os anjos estão entre as figuras religiosas mais reconfortantes do imaginário moderno, representadas por seres alados e radiantes que pairam pacificamente sobre os presépios a cada dezembro e no imaginário mundial. De fato, sua presença na história cristã é essencial para o desenrolar dos acontecimentos. No Evangelho de Lucas, o anjo Gabriel anuncia tanto o nascimento de João Batista a seu pai,...]]></description><category>História</category><pubDate>Fri, 27 Mar 2026 18:25:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/os-anjos-ja-tiveram-uma-imagem-aterrorizante-veja-como-eles-eram-retratados-nos-mitos-antigos</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/bal9195264.jpg?w=1600" length="1999207" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/02/quem-e-o-cupido-de-acordo-com-a-mitologia-e-por-que-ele-esta-associado-ao-dia-de-sao-valentim"><strong>Os anjos</strong></a> estão entre as&nbsp;<strong>figuras religiosas</strong> mais&nbsp;<strong>reconfortantes</strong> do&nbsp;<strong>imaginário moderno</strong>, representadas por&nbsp;<strong>seres alados e radiantes</strong> que&nbsp;<strong>pairam pacificamente</strong> sobre os presépios a cada dezembro e no imaginário mundial. De fato, sua&nbsp;<strong>presença na história cristã é essencial&nbsp;</strong>para o desenrolar dos acontecimentos.&nbsp;</p><p dir="ltr">No Evangelho de Lucas,&nbsp;<strong>o anjo Gabriel anuncia</strong> tanto o&nbsp;<strong>nascimento de João Batista</strong> a seu pai, Zacarias, como&nbsp;<strong>também ele anuncia</strong> o&nbsp;<strong>nascimento milagroso de Jesus a sua&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/12/quem-foi-a-verdadeira-virgem-maria-a-mae-de-jesus-no-cristianismo"><strong>mãe, Maria</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr">São&nbsp;<strong>os anjos que proclamam as “boas novas de grande alegria”</strong> aos pastores sob o céu noturno. E, crucialmente, é um&nbsp;<strong>anjo que visita José&nbsp;</strong>em sonho para explicar a natureza da gravidez, de outra forma escandalosa, de sua noiva e, em seguida, instrui-o a&nbsp;<strong>levar a criança para o Egito para evitar a ira de Herodes</strong>. Sem a intervenção angelical, Jesus não teria chegado à idade adulta.</p><p dir="ltr">Porém, os&nbsp;<strong>anjos no mundo antigo eram muito mais estranhos</strong>, mais variados e, muitas vezes,&nbsp;<strong>mais intimidantes</strong> do que a história do Natal e as representações modernas sugerem. E&nbsp;<strong>até mesmo Gabriel</strong>, o anjo do Natal, tinha<strong> um lado punitivo</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre História e Cultura, leia também:&nbsp;&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/em-busca-do-local-de-um-dos-grandes-milagres-do-cristianismo"><em>Em busca do local de um dos grandes milagres do Cristianismo</em></a>)</p><h2 dir="ltr"  id="header_3114578_0"><strong>Mensageiros, guerreiros e seres de fogo</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>A palavra anjo</strong> (do grego&nbsp;<em>angelos</em>, tradução do hebraico&nbsp;<em>malak</em>)&nbsp;<strong>significa “mensageiro”</strong>. Essa é uma descrição precisa do que os&nbsp;<strong>primeiros anjos da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/11/por-dentro-do-misterioso-mundo-dos-cacadores-da-biblia"><strong>Bíblia</strong></a> fazem: eles carregam mensagens de Deus e aparecem inesperadamente em assuntos humanos. Em<strong> Gênesis</strong>,&nbsp;<strong>três anjos chegam para anunciar o nascimento de Isaque</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Outros anjos</strong>, mais tarde,&nbsp;<strong>conduzem Ló para fora da cidade</strong> condenada de&nbsp;<strong>Sodoma</strong>. Christy Cobb, professora associada de Cristianismo na Universidade de Denver (Estados Unidos), afirma que “<strong>na Bíblia, os anjos guardam o Jardim do Éden</strong>, trazem uma mensagem a Abraão, permanecem ao lado do Senhor no Céu,&nbsp;<strong>anunciam nascimentos milagrosos e até lutam contra&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/12/a-verdadeira-historia-do-krampus-a-criatura-nataliana-meio-bode-meio-demonio"><strong>Satanás</strong></a>”. Esses anjos são inegavelmente&nbsp;<strong>antropomórficos</strong>: eles&nbsp;<strong>falam, andam e até comem</strong>.</p><p dir="ltr">Esses papéis, explica Cobb, se desenvolvem ao longo do tempo. L<strong>ivros posteriores da Bíblia Hebraica</strong> introduzem figuras com nomes específicos que desempenham funções particulares. O livro de Daniel se refere a&nbsp;<strong>duas figuras</strong> que se tornaram centrais na tradição posterior&nbsp;<strong>como arcanjos</strong>:<strong> Gabriel, um intérprete celestial de visões</strong>, e&nbsp;<strong>Miguel</strong>, um&nbsp;<strong>comandante militar que luta em nome de Israel</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Nesse período, os anjos haviam se tornado&nbsp;<strong>mais do que mensageiros</strong>; eles eram&nbsp;<strong>administradores</strong> de um complexo&nbsp;<strong>reino celestial</strong>. No século 2 a.C., os anjos atuavam como agentes na burocracia celestial, mantendo&nbsp;<strong>registros dos atos humanos para o Dia do Juízo Final</strong>.</p><p dir="ltr">Outros textos bíblicos descrevem&nbsp;<strong>seres celestiais que ultrapassam os limites da imaginação humana</strong>. O profeta Isaías descreveu uma visão do céu na qual Deus está sentado em um trono rodeado por serafins.&nbsp;<strong>Os serafins tinham rostos</strong>, mas também&nbsp;<strong>três pares de asas</strong>. Escrevendo vários séculos depois,&nbsp;<strong>Ezequiel descreve seres angelicais "vivos"</strong> (<em>ḥayyot</em>) com&nbsp;<strong>quatro rostos</strong>,&nbsp;<strong>quatro asas e corpos humanos</strong>. Acompanhando-os estão os enigmáticos&nbsp;<strong>ofanim</strong>, dentro de&nbsp;<strong>rodas feitas de fogo e cobertas de olhos</strong>.</p><p dir="ltr">Apesar de suas<strong> variadas aparências</strong>, a reação humana aos seres celestiais na Bíblia é consistente. Quase todos os&nbsp;<strong>humanos que encontram um anjo ficam aterrorizados</strong>. Por exemplo, quando&nbsp;<strong>Gabriel aparece a Zacarias e Maria</strong>, as primeiras palavras que ouvem são "<strong>não tenham medo</strong>". No entanto, o medo daqueles que os encontram é bem fundamentado.&nbsp;</p><p dir="ltr">Na&nbsp;<strong>Bíblia Hebraica</strong>, o&nbsp;<strong>anjo do Senhor mata 185 mil soldados</strong> assírios em uma única noite durante o&nbsp;<strong>cerco de Jerusalém</strong>. Zacarias experimenta um vislumbre dessa disciplina angelical: quando duvida que ele e sua esposa idosa conceberiam um filho, Gabriel o pune deixando-o mudo até o nascimento de João.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/12/os-4-dados-sobre-maria-a-mae-de-jesus-segundo-o-cristianismo"><em>Os 4 dados sobre Maria, a mãe de Jesus segundo o cristianismo</em></a>)</p><h2 dir="ltr"  id="header_3114578_1"><strong>Escribas e 'Vigilantes' no judaísmo antigo</strong></h2><p dir="ltr"><br>Fora do cânone bíblico, os&nbsp;<strong>anjos assumem identidades e histórias ainda mais elaboradas</strong>.&nbsp;<strong>Textos judaicos antigos</strong>, como 1 Enoque, descrevem vastas fileiras de&nbsp;<strong>anjos governando</strong> tudo, desde os ciclos cósmicos até o destino humano.&nbsp;</p><p dir="ltr">Alguns anjos, como os&nbsp;<strong>Vigilantes caídos,</strong> que se envolveram em&nbsp;<strong>relações sexuais com mulheres&nbsp;</strong>e revelaram segredos tecnológicos à humanidade, tornam-se exemplos de advertência sobre seres divinos que&nbsp;<strong>ultrapassam limites proibidos</strong>. Outros<strong> anjos desse período</strong> servem como&nbsp;<strong>escribas celestiais</strong>, registrando os feitos humanos, ou como guias que acompanham as almas entre os reinos.</p><p dir="ltr">No&nbsp;<strong>Evangelho de Pseudo-Mateus</strong>, do início da&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/09/pandemias-medievais-despertavam-medo-sobre-a-existencia-de-mortos-vivos"><strong>Idade Média</strong></a>, diz Cobb, os&nbsp;<strong>anjos</strong> assumem um papel de&nbsp;<strong>apoio durante a gravidez de Maria</strong>: falam diariamente com ela e&nbsp;<strong>protegem Jesus&nbsp;</strong>durante o seu nascimento. Em outros textos, desempenham um papel mais ativo na concepção de Jesus.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>cristãos da Antiguidade Tardia</strong> acreditavam que, na&nbsp;<strong>anunciação</strong>, Maria concebeu Jesus simplesmente por&nbsp;<strong>ouvir Gabriel</strong>. "<strong>Através de seu ouvido</strong>", escreve Efrém, o Sírio, "a Palavra do Pai divino entrou e habitou secretamente em seu ventre".</p><p dir="ltr">Em sua obra "Anjos no Cristianismo da Antiguidade Tardia", a historiadora Ellen Muehlberger argumenta que os&nbsp;<strong>primeiros cristãos viam os anjos</strong> como participantes&nbsp;<strong>essenciais no funcionamento do mundo</strong>. Os anjos permeavam o cosmos da Antiguidade Tardia, criando o que ela chama de "<strong>cosmovisão angélica</strong>" — a noção de que o universo estava&nbsp;<strong>repleto de seres invisíveis</strong> cujas ações afetavam todos os aspectos da vida.</p><h2 dir="ltr"  id="header_3114578_2"><strong>A evolução dos 'anjos da guarda'</strong></h2><p dir="ltr"><br>Na&nbsp;<strong>Idade Média</strong>, os&nbsp;<strong>anjos adquiriram hierarquias definidas</strong>, em parte graças aos influentes escritos atribuídos a&nbsp;<strong>Pseudo-Dionísi</strong>o, o Areopagita, que os<strong> dividiu em nove coros: de serafins e querubins</strong> a anjos comuns.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Teólogos medievais</strong> elaboraram sobre suas habilidades, natureza e deveres, imaginando os anjos como intelectos puros capazes de transitar rapidamente entre o céu e a terra. O teólogo do século 13,&nbsp;<strong>Tomás de Aquino</strong>, argumentou que “<strong>cada homem tem um anjo da guarda designado para si</strong>”.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/cientistas-testam-o-dna-de-leonardo-da-vinci-e-podem-estar-a-um-passo-de-decifrar-o-verdadeiro-codigo-da-vinci"><strong>pintores da Renascença</strong></a>&nbsp;<strong>humanizaram ainda mais os anjos</strong>, suavizando seus traços e adicionando vestes esvoaçantes, instrumentos musicais e expressões serenas. Os&nbsp;<strong>querubins — bebês alados</strong> e rechonchudos artisticamente inspirados em&nbsp;<strong>Cupido</strong> — surgiram de uma mistura de<strong> linguagem bíblica, imagens clássicas e fantasia artística</strong>. No Iluminismo, os anjos tornaram-se símbolos morais tanto quanto seres teológicos, personificando virtude e sentimentalismo.</p><p dir="ltr">No entanto, os&nbsp;<strong>anjos de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/12/qual-e-a-origem-do-natal-segundo-a-historia"><strong>Natal</strong></a><strong>&nbsp;</strong>que muitas pessoas imaginam hoje devem tanto à estética vitoriana e à cultura popular quanto à tradição religiosa. A arte e a<strong> literatura natalinas do século 19 colocavam os anjos no centro dos presépios</strong>, frequentemente como presenças radiantes e reconfortantes, em vez de mensageiros aterrorizantes do poder divino. Na&nbsp;<strong>mídia moderna</strong>, os<strong> anjos</strong> aparecem em formas que enfatizam a&nbsp;<strong>gentileza, a orientação e a proteção pessoal</strong>.</p><p dir="ltr">Apesar de sua&nbsp;<strong>evolução de seres flamejantes</strong> e compostos para&nbsp;<strong>guardiões alados e gentis</strong>, os anjos permanecem<strong> símbolos poderosos&nbsp;</strong>da conexão&nbsp;<strong>entre o humano e o divino</strong>. Para os antigos judeus e cristãos, os anjos explicavam como um Deus todo-poderoso interagia com o mundo; para os crentes posteriores, eles ofereciam conforto, proteção e beleza.&nbsp;</p><p><strong>Hoje, os anjos continuam a aparecer em diversas&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/02/a-religiao-pode-fazer-uma-pessoa-feliz-os-cientistas-devem-descobrir-isso-em-breve"><strong>tradições religiosas</strong></a>, na cultura popular e na espiritualidade pessoal, refletindo tanto ideias antigas quanto anseios contemporâneos — um desejo profundamente humano de&nbsp;<strong>compreender as forças invisíveis&nbsp;</strong>que moldam o mundo.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Cachorros e humanos: uma convivência que existe há muito mais tempo do que imaginávamos</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/cachorros-e-humanos-uma-convivencia-que-existe-ha-muito-mais-tempo-do-que-imaginavamos</link><description><![CDATA[Embora os cientistas soubessem que os cachorros foram o primeiro contato dos seres humanos, antes mesmo do surgimento da agricultura, a origem exata dessa amizade foi recentemente revelada em mais alguns milhares de anos.Dois novos artigos, publicados em 25 de março de 2026 na revista científica Nature, compararam a genética de caninos encontrados em sítios arqueológicos humanos na Europa e...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Fri, 27 Mar 2026 13:33:54 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/cachorros-e-humanos-uma-convivencia-que-existe-ha-muito-mais-tempo-do-que-imaginavamos</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/nationalgeographic1457064.jpg?w=1600" length="903143" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Embora os cientistas soubessem que os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/no-egito-antigo-os-cachorros-eram-considerados-divinos-os-vira-latas-de-hoje-podem-recuperar-a-antiga-gloria"><strong>cachorros</strong></a> foram o&nbsp;<strong>primeiro contato dos seres humanos</strong>,&nbsp;<strong>antes</strong> mesmo do surgimento da&nbsp;<strong>agricultura</strong>, a&nbsp;<strong>origem exata dessa amizade</strong> foi recentemente revelada em mais alguns milhares de anos.</p><p dir="ltr">Dois&nbsp;<strong>novos artigos</strong>, publicados em 25 de março de 2026 na revista científica&nbsp;<em>Nature</em>,&nbsp;<strong>compararam a genética de caninos&nbsp;</strong>encontrados em&nbsp;<strong>sítios arqueológicos humanos na Europa</strong> e mostraram que<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/09/como-se-calcula-a-idade-dos-cachorros-entenda-como-os-caes-envelhecem"><strong>os cães</strong></a><strong> eram geneticamente distintos dos lobos</strong> — e muito próximos dos humanos —&nbsp;<strong>há mais de 14 mil anos</strong>. Mesmo antes da agricultura, os&nbsp;<strong>cachorros eram comuns em muitas culturas antigas</strong>, possivelmente auxiliando na&nbsp;<strong>guarda, na caça e em rituais</strong>.</p><p dir="ltr">“Uma vez que os cães se estabelecem, eles s<strong>e vinculam às populações humanas</strong> ao longo do tempo”, afirma&nbsp;<strong>Lachie Scarsbrook</strong>, paleogeneticista da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, na Alemanha. “Nós os chamamos de cachorros do exército suíço. Eles conseguem&nbsp;<strong>se adaptar a todos esses papéis culturais</strong> que associamos aos cães hoje em dia.”</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Animais, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/por-que-as-gaivotas-roubam-comida-cientistas-fizeram-um-experimento-com-batatas-fritas-para-descobrir"><em>Por que as gaivotas roubam comida? Cientistas fizeram um experimento com batatas fritas para descobrir</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114573_0"><strong>Ossos velhos, truques novos</strong></h2><p dir="ltr"><br>Arqueólogos descobriram&nbsp;<strong>caninos enterrados ao lado de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/06/os-cachorros-dependem-mesmo-dos-humanos-o-que-diz-a-surpreendente-historia-de-resistencia-de-um-cao-salsicha"><strong>humanos</strong></a>, datados de<strong> 34 mil anos atrás</strong>. Mas o simples fato de algo semelhante a um cachorro estar enterrado ao lado de um humano não significa que seja um cachorro domesticado, explica Scarsbrook. “Enterrar um animal junto a humanos é&nbsp;<strong>uma estratégia arriscada para identificar algo como doméstico</strong>. Sabemos que, há milênios, as pessoas enterram animais selvagens junto a humanos”, afirma.</p><p dir="ltr"><strong>Esqueletos de cães e lobos</strong> também podem ser extraordinariamente&nbsp;<strong>semelhantes</strong> — especialmente quando se tem apenas parte de um crânio ou um único dente como referência. “Muitos supostos cães muito antigos, quando&nbsp;<strong>analisados ​​por meio de DNA</strong>, na verdade&nbsp;<strong>revelam-se lobos</strong>”, diz William Marsh, paleogeneticista do Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra. Estudos anteriores dataram&nbsp;<strong>o cão mais antigo</strong>, com certeza, em&nbsp;<strong>cerca de 10.900 anos atrás</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Nessa época</strong>, diz Marsh, os “cachorros já eram&nbsp;<strong>geneticamente muito, muito diferentes dos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/05/os-4-principais-mitos-sobre-os-lobos-desfeitos-por-especialistas"><strong>lobos</strong></a>”. Isso significa que os cães já deviam estar presentes, tornando-se mais caninos, milhares de anos&nbsp;<strong>antes do Paleolítico Superior, entre 12 mil e 50 mil anos atrás</strong>.</p><p dir="ltr">“Imaginamos que, se os cães estavam na Europa tão cedo, então haveria mais deles”, comenta Anders Bergström, geneticista evolucionista da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. “Então, embarcamos nessa&nbsp;<strong>grande busca por cães primitivos na Europa</strong> e tentamos coletar amostras da forma mais abrangente possível.”</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114573_1"><strong>Prova de cachorro</strong></h2><p dir="ltr"><br>Bergström e seus colegas coletaram amostras dos&nbsp;<strong>restos mortais de 216 canídeos enterrados perto de humanos&nbsp;</strong>ao longo de milhares de anos, desde um<strong> sítio arqueológico de 46 mil anos chamado Goye</strong>t, na&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2021/12/leuven-belgica-lemaitre-ciencia-cidade-belga-teoria-do-big-bang"><strong>Bélgica</strong></a>, até esqueletos de&nbsp;<strong>5 mil anos da Escócia</strong>. Eles compararam o que conseguiram&nbsp;<strong>reconstruir o DNA</strong> desses animais, buscando&nbsp;<strong>distinguir cachorros de lobos</strong>. A&nbsp;<strong>amostra mais antiga&nbsp;</strong>identificada como sendo de um cão tinha&nbsp;<strong>14.200 anos</strong> e foi encontrada em um&nbsp;<strong>sítio arqueológico na Suíça</strong>.</p><p dir="ltr">Enquanto isso, Scarsbrook,&nbsp;<strong>Marsh e seus colegas</strong> coletaram amostras de<strong> oito restos mortais de canídeos provenientes da Turquia, Irã, Sérvia e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2024/08/qual-e-a-diferenca-entre-reino-unido-gra-bretanha-e-inglaterra"><strong>Inglaterra</strong></a>. Esses ossos datam de&nbsp;<strong>15.800 a 8.900 anos&nbsp;</strong>atrás. Eles examinaram os&nbsp;<strong>vestígios de DNA no núcleo celular</strong>, bem como o DNA em suas mitocôndrias, transmitido apenas pela mãe.</p><p dir="ltr">Scarsbrook e Marsh demonstraram que&nbsp;<strong>seis de suas amostras eram de cães</strong>, todos bastante&nbsp;<strong>semelhantes entre si</strong> — indicando que a Europa possuía uma&nbsp;<strong>linhagem consistente</strong> de cachorros em todo o continente<strong> há 14.300 anos</strong>.</p><p dir="ltr">Embora os&nbsp;<strong>estudos não possam oferecer informações sobre a aparência&nbsp;</strong>desses filhotes primitivos, os animais analisados&nbsp;<strong>​​provavelmente não eram poodles</strong> fofinhos. "Suspeitamos que eles se&nbsp;<strong>assemelhavam a lobos menores</strong>", afirma Scarsbrook. Mas os genes desses cães persistiram, diz ele, "e acabaram em muitas das raças de cães modernas que conhecemos e amamos hoje, como o&nbsp;<strong>Pastor Alemão e o São Bernardo</strong>".</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/um-parente-do-camelo-em-plena-america-do-sul-os-4-dados-sobre-o-guanaco-um-animal-ancestral-da-patagonia"><em>Um parente do camelo em plena América do Sul: os 4 dados sobre o guanaco, um animal ancestral da Patagônia</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114570_0"><strong>Pessoas diferentes, mesmos cachorros</strong></h2><p dir="ltr"><br>Embora os grupos tenham encontrado&nbsp;<strong>cronologias semelhantes</strong>, eles investigaram detalhes ligeiramente diferentes. Com seu extenso conjunto de dados genéticos, o&nbsp;<strong>grupo de Bergström</strong> conseguiu examinar como o&nbsp;<strong>DNA canino mudou após o surgimento da agricultura</strong>. A agricultura surgiu no&nbsp;<strong>Crescente Fértil, no&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/06/quais-paises-formam-o-oriente-medio"><strong>Oriente Médio</strong></a>, há cerca de 12 mil anos. Mas então, “pessoas&nbsp;<strong>migraram para a Europa em larga escala</strong>, trazendo consigo animais domesticados, plantações e assim por diante”, explica Bergström.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essa&nbsp;<strong>não foi uma imigração pacífica</strong>. “Eles substituíram algo em torno de 80 a 90% da ancestralidade genética dos humanos na Europa”, afirma. Essa “substituição” humana foi&nbsp;<strong>drástica e possivelmente violenta</strong>.</p><p dir="ltr">Mas, com sua análise de DNA, Bergström e seus colegas mostraram que&nbsp;<strong>os agricultores não substituíram completamente os cães antigos</strong>. “Na verdade, eles os incorporaram às suas próprias populações caninas”, diz Bergström.</p><p dir="ltr">Em vez de analisar as mudanças genéticas ao longo do tempo, Marsh, Scarsbrook e seus colegas&nbsp;<strong>examinaram a genética no espaço e em três culturas diferentes</strong>. A&nbsp;<strong>cultura Magdaleniana ocupou a Europa&nbsp;</strong>Ocidental, da França e Espanha até o Reino Unido, há cerca de 14 mil anos, enquanto a&nbsp;<strong>cultura Epigravetiana</strong> se concentrava mais a leste, em direção à<strong> Alemanha e Itália</strong>. Os&nbsp;<strong>caçadores-coletores</strong> da Anatólia estavam estabelecidos no que hoje é a&nbsp;<strong>Turquia</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Todas essas culturas tinham&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/10/cachorro-caramelo-qual-e-a-origem-do-cao-mais-popular-e-querido-do-brasil"><strong>cachorros</strong></a><strong> semelhantes</strong>. Cães pelos quais cuidavam. Como muitas culturas modernas, os povos da Anatólia enterravam seus mortos — e junto com eles, também enterravam seus filhotes, "sugerindo que eles tinham uma espécie de&nbsp;<strong>personalidade semelhante</strong>", diz Scarsbrook.</p><p dir="ltr">A cultura Magdaleniana, por outro lado, respeitava seus mortos com o canibalismo funerário. Restos humanos desse período tinham crânios moldados em forma de taça, eram desmembrados e deixavam marcas nos ossos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Da mesma forma, os&nbsp;<strong>crânios de seus cães apresentavam buracos e outras modificações&nbsp;</strong>que indicavam o desmembramento após a morte. "Todos eles parecem&nbsp;<strong>tratar esses cães de uma maneira&nbsp;</strong>muito,&nbsp;<strong>muito simbólica</strong>, semelhante a como tratamos os nossos", diz Marsh.</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114570_1"><strong>Nossos filhotes, nós mesmos</strong></h2><p dir="ltr"><br>Os artigos são “<strong>trabalhos incríveis de filogeografia e genômica populacional</strong>”, afirma Emily Puckett, filogeógrafa da Universidade de Memphis, no Tennessee, Estados Unidos. Mas eles também “nos dizem&nbsp;<strong>algo claro sobre os humanos&nbsp;</strong>com essa abordagem em camadas”.</p><p dir="ltr">Embora os resultados mostrem que&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/09/como-se-calcula-a-idade-dos-cachorros-entenda-como-os-caes-envelhecem"><strong>cães domésticos</strong></a><strong> estavam por toda a Europa há 14 mil anos</strong>, isso&nbsp;<strong>não significa que foi nessa época que eles foram domesticados</strong>, o que provavelmente aconteceu muito antes fora da Europa, diz Krishna Veeramah, geneticista populacional da Universidade Stony Brook, em Nova York.&nbsp;</p><p dir="ltr">Afinal, os cães nesses estudos puderam ser distinguidos dos lobos. Os&nbsp;<strong>primeiros cães (e cadelas) muito dóceis</strong> seriam muito mais&nbsp;<strong>próximos de seus ancestrais lobos</strong>. Isso porque a&nbsp;<strong>domesticação é “um processo longo</strong>”, diz ele. “É algo que se desenrola ao longo de várias gerações. Não acontece de repente.”</p><p dir="ltr">Até que os cientistas descubram ossos ainda mais antigos para rastrear quando cães e lobos divergiram,&nbsp;<strong>o momento exato da domesticação permanecerá um mistério</strong>, que deixa muitas perguntas sem resposta sobre o nascimento do primeiro cão.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Dá para imaginar que isso abre uma nova parte do nosso cérebro”, comenta Scarsbrook. “Temos esses cães com os quais antes estávamos em conflito. Agora temos essa espécie que agora está, de certa forma, em conluio conosco, e&nbsp;<strong>isso é fascinante</strong>.”</p>]]></content:encoded></item><item><title>Em busca do local de um dos grandes milagres do Cristianismo</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/em-busca-do-local-de-um-dos-grandes-milagres-do-cristianismo</link><description><![CDATA[Exatamente nove meses antes do Natal, os cristãos celebram a Anunciação, em honra ao dia em que acreditam que um anjo apareceu a uma virgem chamada Maria e anunciou que ela estava milagrosamente grávida de Jesus. Estudiosos bíblicos datam esses eventos por volta de 6 a.C.A Anunciação mostra aos cristãos “que o nascimento de Jesus faz parte do plano divino e que ele é humano, nascido de uma...]]></description><category>História</category><pubDate>Thu, 26 Mar 2026 12:15:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/em-busca-do-local-de-um-dos-grandes-milagres-do-cristianismo</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/annunciation-19501.jpg?w=1600" length="223296" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Exatamente&nbsp;<strong>nove meses antes do Natal</strong>,&nbsp;<strong>os cristãos celebram a Anunciação</strong>, em honra ao dia em que acreditam que um<strong> anjo apareceu&nbsp;</strong>a uma&nbsp;<strong>virgem chamada Maria</strong> e anunciou que ela estava&nbsp;<strong>milagrosamente grávida de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/03/quem-foi-jesus-segundo-os-evangelhos-cristaos"><strong>Jesus</strong></a>. Estudiosos bíblicos datam esses eventos por volta de&nbsp;<strong>6 a.C.</strong></p><p dir="ltr">A Anunciação mostra aos cristãos “<strong>que o nascimento de Jesus faz parte do plano divino</strong> e que ele<strong> é humano, nascido de uma mulher</strong>, mas também divino”, afirma&nbsp;<strong>Joan E. Taylor</strong>, professora emérita do&nbsp;<em>King’s College London</em>, na Inglaterra, e autora do livro “<em>Boy Jesus: Growing up Judean in Turbulent Times</em>” (em tradução livre: “Menino Jesus: Crescendo Judeu em Tempos Turbulentos”).</p><p dir="ltr">Apesar da<strong> importância da Anunciação na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/o-que-distingue-o-cristianismo-do-catolicismo"><strong>fé cristã</strong></a>, os primeiros textos cristãos fornecem “<strong>poucos detalhes concretos sobre o local&nbsp;</strong>onde o evento ocorreu”, afirma James D. Tabor, professor aposentado de estudos religiosos/origens cristãs da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, nos Estados Unidos, e autor de "A Maria Perdida: Redescobrindo a Mãe de Jesus".</p><p dir="ltr">No entanto,&nbsp;<strong>gerações de peregrinos visitam há muito tempo dois locais diferentes em Nazaré</strong>, cidade ao norte onde hoje é&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/10/como-foi-criado-o-estado-de-israel">Israel</a>, onde acreditam que&nbsp;<strong>a Anunciação aconteceu</strong>:&nbsp;<strong>uma gruta onde Maria supostamente viveu</strong> e&nbsp;<strong>um poço que ela provavelmente usou</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Arqueólogos bíblicos</strong>, por sua vez, examinaram esses locais na&nbsp;<strong>esperança de encontrar evidências&nbsp;</strong>que datem da época da Anunciação, abrindo a&nbsp;<strong>possibilidade de que Maria tenha estado lá</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essas escavações proporcionaram aos pesquisadores uma compreensão&nbsp;<strong>mais profunda da Nazaré antiga</strong>, de como os&nbsp;<strong>primeiros cristãos veneravam Maria</strong> e das experiências religiosas dos peregrinos — ainda que&nbsp;<strong>não tenham fornecido uma resposta definitiva sobre o local&nbsp;</strong>onde a Anunciação teria ocorrido.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre História, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/assassinato-motim-escravidao-o-pior-naufragio-do-mundo-foi-mais-sangrento-do-que-pensavamos"><em>Assassinato, motim, escravidão: o "pior naufrágio do mundo" foi mais sangrento do que pensávamos</em></a>)</p><h2 dir="ltr"      id="header_3114563_0"><strong>Os locais da Anunciação segundo o Evangelho de Lucas</strong></h2><p dir="ltr"><br>Quatro&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/12/como-a-infancia-de-jesus-influenciou-o-evangelho"><strong>evangelhos</strong></a><strong> compõem o Novo Testamento</strong>, mas a história da&nbsp;<strong>anunciação de Maria está presente apenas em um deles</strong>: o&nbsp;<strong>Evangelho de Lucas</strong>, que os estudiosos acreditam ter sido escrito no&nbsp;<strong>final do século 1 d.C.</strong> Isso significa várias&nbsp;<strong>décadas depois</strong> da suposta ocorrência da anunciação.</p><p dir="ltr">De acordo com o evangelho, “<strong>o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré</strong>”, onde visitou Maria e anunciou seu destino divino.</p><p dir="ltr">Localizada no norte de Israel,&nbsp;<strong>perto do Mar da Galileia, Nazaré ainda existe hoje&nbsp;</strong>– é uma das<strong> maiores cidades árabes palestinas</strong> do país – mas<strong> sua história remonta à antiguidade</strong>, quando os evangelhos a identificaram como&nbsp;<strong>a cidade natal de Jesus</strong>. Na época, Nazaré estava&nbsp;<strong>sob o controle do</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/10/os-5-fatos-curiosos-sobre-o-imperio-romano-que-vao-te-surpreender"><strong> Império Romano</strong></a>.</p><p dir="ltr">“A vila [antiga] ficava nas encostas mais baixas, a oeste e acima do uádi [ou vale]”, conta a arqueóloga Yardenna Alexandre, da Autoridade de Antiguidades de Israel. “<strong>As casas foram construídas sobre o leito rochoso bastante inclinado</strong>.”</p><p dir="ltr">Enquanto a<strong> Nazaré de hoje abriga cerca de 80 mil pessoas, a vila antiga era “uma pequena vila agrícola com casas modestas</strong>”, diz Tabor; um lugar onde “as famílias viviam próximas umas das outras, e a&nbsp;<strong>vida diária girava em torno das tarefas domésticas, da agricultura&nbsp;</strong>e de recursos comunitários, como&nbsp;<strong>poços e nascentes</strong>”.</p><p dir="ltr">À medida que sua religião se espalhava,<strong> os primeiros cristãos começaram a fazer peregrinações a locais sagrados da região</strong>,&nbsp;<strong>incluindo Nazaré</strong>. Essas peregrinações os levavam a&nbsp;<strong>lugares associados a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/revista/2017/12/em-busca-do-jesus-real"><strong>Jesus</strong></a>, sua família e seu ministério, para nutrir sua espiritualidade e transcender o mundo material. Eles o<strong>ravam, recebiam bênçãos, deixavam oferendas</strong> e levavam para casa lembranças e objetos religiosos.</p><p dir="ltr">Taylor afirma que essas&nbsp;<strong>peregrinações a Nazaré “começaram de fato no século 4</strong>” e&nbsp;<strong>incluíam a gruta e o poço</strong> que ainda hoje são&nbsp;<strong>associados a Maria</strong>.</p><p dir="ltr">Mas<strong> não há como saber exatamente por que esses dois locais se tornaram venerados</strong>, afirma o arqueólogo Kenneth Dark, autor de Arqueologia da Nazaré de Jesus e professor do St. Edmund’s College, da Universidade de Cambridge. “<strong>Simplesmente não sabemos o que foi dito a esses primeiros peregrinos e por quem</strong>.”</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/12/os-4-dados-sobre-maria-a-mae-de-jesus-segundo-o-cristianismo"><em>Os 4 dados sobre Maria, a mãe de Jesus segundo o cristianismo</em></a>)</p><h2 dir="ltr"      id="header_3114563_1"><strong>A Igreja da Anunciação de Nazaré fica no topo de uma gruta associada a Maria</strong></h2><p dir="ltr"><br>Uma das peregrinas era&nbsp;<strong>Egéria</strong>, uma<strong> mulher espanhola cuja carta sobre suas viagens à Terra Santa</strong> menciona sua visita a&nbsp;<strong>Nazaré por volta de 383 d.C.</strong> Ela escreveu que&nbsp;<strong>acreditava que Maria</strong> havia vivido em “<strong>uma grande e esplêndida gruta</strong>”, sobre a qual um altar havia sido erguido.</p><p dir="ltr">Esse altar provavelmente fazia parte de uma&nbsp;<strong>sucessão de estruturas religiosas construídas&nbsp;</strong>no que os&nbsp;<strong>peregrinos acreditavam ser o local da Anunciação</strong>.<strong> Igrejas&nbsp;</strong>foram construídas e destruídas durante os<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/01/as-7-curiosidades-sobre-o-imperio-bizantino-um-dos-mais-poderosos-da-historia"><strong>períodos bizantino</strong></a><strong> e das Cruzadas</strong>, antes que outras fossem erguidas e ampliadas nos séculos subsequentes.</p><p dir="ltr">Em<strong> 1954</strong>, o antigo prédio da igreja foi demolido para dar lugar à&nbsp;<strong>Igreja da Anunciação, que permanece de pé até hoje</strong>. A&nbsp;<strong>demolição da antiga igreja</strong> proporcionou aos pesquisadores a rara oportunidade de escavar seus alicerces.</p><p dir="ltr"><strong>De 1955 a 1966</strong>,<strong> Bellarmino Bagatti</strong>, um arqueólogo italiano e padre franciscano,<strong> descobriu cavernas, fossos e túneis</strong> que os antigos nazarenos teriam usado para armazenamento, oficinas e até mesmo residências. Essas descobertas apenas&nbsp;<strong>reforçaram a crença dos peregrinos de que Maria vivia na caverna</strong> ou em suas proximidades.</p><p dir="ltr">Dark afirma que<strong> instalações semelhantes</strong> em outros sítios próximos foram usadas como&nbsp;<strong>esconderijos durante a Revolta Judaica por volta de 70 d.C.</strong>, quando os judeus da Judeia&nbsp;<strong>se rebelaram contra a Roma Imperial</strong> em busca de independência.&nbsp;</p><p dir="ltr">Como as cavernas precisavam ter&nbsp;<strong>existido antes da revolta</strong>, Dark diz que a cronologia&nbsp;<strong>coincide com a história da anunciação</strong>. "<strong>Não há nada arqueologicamente refutável sobre a Caverna da Anunciação</strong> ser a caverna bíblica", diz ele, embora também não haja nada que possa ser comprovado.</p><p dir="ltr">As escavações também confirmaram que&nbsp;<strong>peregrinos cristãos viajavam para a caverna</strong> desde pelo menos o final do período romano, quando Egéria visitou Nazaré. Dark afirma haver evidências de uma "<strong>igreja ricamente decorada</strong>"&nbsp;<strong>que data do século 5&nbsp;</strong>sob os&nbsp;<strong>alicerces da Igreja da Anunciação</strong>. Escavações também revelaram lâmpadas sob o piso de mosaico do edifício, sugerindo que&nbsp;<strong>peregrinos visitavam a gruta muito antes</strong> da construção do final do período romano.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/12/quem-foi-a-verdadeira-virgem-maria-a-mae-de-jesus-no-cristianismo"><em>Quem foi a verdadeira Virgem Maria, a mãe de Jesus no cristianismo?</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114565_0"><strong>A anunciação ocorreu em um poço público?</strong></h2><p dir="ltr"><br>A menos de um quilômetro e meio da Igreja da Anunciação fica&nbsp;<strong>a Igreja Ortodoxa Grega de São Gabriel</strong>. Ela está localizada&nbsp;<strong>perto do poço&nbsp;</strong>onde, segundo&nbsp;<strong>outra versão da história</strong> da anunciação, o anjo contatou&nbsp;<strong>Maria pela primeira vez</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Essa história aparece no Protoevangelho de Tiago</strong>, um evangelho apócrifo do&nbsp;<strong>século 2</strong> que foi popular, influente e traduzido para pelo menos nove idiomas. O texto se concentra no&nbsp;<strong>nascimento, na vida e na virgindade perpétua de Maria</strong>.</p><p dir="ltr">De acordo com o texto, Maria&nbsp;<strong>“pegou o cântaro e saiu para enchê-lo de água</strong>” antes de ouvir&nbsp;<strong>uma voz: “Salve, você que recebeu a graça</strong>; o Senhor está com você;&nbsp;<strong>bendita é você entre as mulheres!</strong>”. Alarmada, Maria voltou para casa, onde foi recebida por um anjo que&nbsp;<strong>anunciou que ela daria à luz&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/04/quem-foram-os-apostolos-de-jesus-segundo-o-cristianismo"><strong>Jesus</strong></a>.</p><p dir="ltr">“<strong>Não há “nada [no texto] sobre ela estar em Nazaré</strong>”, destaca Taylor. No entanto, no século 4,&nbsp;<strong>o poço já estava associado à vila</strong>, e os peregrinos atribuíam o local da história da anunciação do Protoevangelho a um lugar chamado “<strong>Poço de Maria</strong>”. Entre 1997 e 1998, Alexandre e sua equipe escavaram o Poço de Maria. Entre as descobertas, estavam&nbsp;<strong>moedas com as efígies do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographic.pt/historia/rei-herodes-o-tumulo-vilao-biblico-esteve-perdido-durante-seculos_3510" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><strong>Rei Herodes</strong></a><strong> e de Cláudio</strong>, e uma lâmpada que sugere que os habitantes de Nazaré eram judeus.</p><p dir="ltr">O trabalho deles também comprovou que<strong> o poço era usado na época da anunciação</strong>, já que “seus vestígios do&nbsp;<strong>final do período helenístico e do início do período romano</strong> indicam que a nascente abastecia a vila nesses períodos”, explica Alexandre.</p><p dir="ltr">Tabor acrescenta que o<strong> poço “teria sido um ponto de encontro diário&nbsp;</strong>onde as mulheres vinham buscar água. Em uma pequena vila como Nazaré, esse teria sido um dos principais espaços comunitários”.</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114565_1"><strong>Nossa compreensão mais profunda do mundo de Maria</strong></h2><p dir="ltr"><br>Especialistas afirmam que,&nbsp;<strong>de uma perspectiva histórica e arqueológica</strong>, um local não é necessariamente mais ou menos provável que o outro.&nbsp;<strong>Ambos apresentam evidências de atividade durante o período</strong> em que a Anunciação teria ocorrido. E alguns estudiosos acreditam que<strong> tentar determinar a localização exata</strong> do evento é focar na&nbsp;<strong>questão errada</strong>.</p><p>“A arqueologia não pode confirmar que a anunciação ocorreu, nem pode verificar os aspectos sobrenaturais da história”, explica Tabor. “O que ela pode fazer é<strong> reconstruir o contexto histórico em que a tradição surgiu</strong>.”</p>]]></content:encoded></item><item><title> Por que as gaivotas roubam comida? Cientistas fizeram um experimento com batatas fritas para descobrir</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/por-que-as-gaivotas-roubam-comida-cientistas-fizeram-um-experimento-com-batatas-fritas-para-descobrir</link><description><![CDATA[A ecologista animal britânica Laura Kelley começou a estudar gaivotas porque tinha um bebê de seis meses. A criança não a incentivou exatamente, mas quando ela assumiu um cargo de professora no campus da Cornualha da Universidade de Exeter, na Inglaterra, fazer seu trabalho de campo habitual com aves-jardineiras na Austrália não era viável. Gaivotas, porém, estavam por toda parte.É difícil...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Wed, 25 Mar 2026 12:05:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/por-que-as-gaivotas-roubam-comida-cientistas-fizeram-um-experimento-com-batatas-fritas-para-descobrir</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/naturepl01530946.jpg?w=1600" length="1581312" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A ecologista animal britânica&nbsp;<strong>Laura Kelley</strong> começou a&nbsp;<strong>estudar&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2018/02/se-passaros-deixassem-pegadas-no-ceu-elas-seriam-assim"><strong>gaivotas</strong></a> porque tinha um bebê de seis meses. A criança não a incentivou exatamente, mas quando ela assumiu um cargo de professora no campus da Cornualha da Universidade de Exeter, na Inglaterra, fazer seu<strong> trabalho de campo habitual com aves-jardineiras</strong> na Austrália não era viável.&nbsp;<strong>Gaivotas, porém, estavam por toda parte</strong>.</p><p dir="ltr">É difícil ignorar&nbsp;<strong>as gaivotas na Cornualha</strong>, no&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2024/08/qual-e-a-diferenca-entre-reino-unido-gra-bretanha-e-inglaterra"><strong>Reino Unido</strong></a>. Elas são&nbsp;<strong>onipresentes e barulhentas</strong>, fazendo ninhos nos telhados das casas e sobrevoando as ruas.<strong> Como</strong>&nbsp;<strong>em muitos lugares costeiros pelo mundo</strong>, as pessoas têm&nbsp;<strong>opiniões muito diferentes</strong> sobre as gaivotas, desde&nbsp;<strong>amá-las como símbolos do mar até chamá-las de "ratos com asas"</strong>. Isso porque essas&nbsp;<strong>aves incomodam os banhistas e roubam batatas fritas&nbsp;</strong>dos bancos dos parques.</p><p dir="ltr">As gaivotas, portanto, têm um pequeno problema de imagem — elas&nbsp;<strong>podem ser mais invasivas</strong> do que muitos de nós gostaríamos, especialmente ao consolar uma criança que segura um sorvete vazio depois de uma gaivota ter mergulhado em sua direção.<strong> Os excrementos nos carros e bancos da cidade&nbsp;</strong>podem ser difíceis de suportar. E a maioria de nós até erra os nomes deles.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Animais, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/um-parente-do-camelo-em-plena-america-do-sul-os-4-dados-sobre-o-guanaco-um-animal-ancestral-da-patagonia"><em>Um parente do camelo em plena América do Sul: os 4 dados sobre o guanaco, um animal ancestral da Patagônia</em></a>)</p><p dir="ltr">Com o objetivo de&nbsp;<strong>entender se as gaivotas realmente merecem a má reputação</strong>, Kelley uniu-se à sua colega da Universidade de Exeter,&nbsp;<strong>Neeltje J. Boogert</strong>, que também tinha uma família jovem e buscava&nbsp;<strong>pesquisas locais sobre comportamento animal</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Como ecóloga comportamental, me interessei pelos esforços delas enquanto trabalhava em um livro sobre animais "forasteiros", ou espécies, incluindo&nbsp;<strong>gaivotas, que são frequentemente vistas como intrusas em nosso cotidiano</strong>.</p><p dir="ltr">"Precisamos&nbsp;<strong>compartilhar nosso ambiente com esses animais</strong>. Eles estavam aqui primeiro", argumenta Kelley. "Então, se pudermos encontrar uma maneira de&nbsp;<strong>coexistir</strong>, melhor ainda."</p><p dir="ltr">As pesquisas recentes delas — e de outros na área — têm oferecido às gaivotas&nbsp;<strong>uma redenção de sua reputação de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2020/04/como-cientistas-reconstruiram-o-maior-predador-que-ja-viveu"><strong>predadoras</strong></a>. Também abriram uma janela para o funcionamento da mente animal, para entendermos por que uma gaivota é diferente da outra e para aprendermos a conviver com a vida selvagem urbana.</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114555_0"><strong>Algumas gaivotas roubam sua comida, mas nem todas</strong></h2><p dir="ltr"><br>A primeira coisa que você precisa saber<strong> sobre gaivotas é que a maioria das pessoas erra o nome</strong> — é simplesmente gaivota, ponto final. Essa terminologia reflete a&nbsp;<strong>distribuição cosmopolita dessas aves</strong> — muitas espécies passam a maior parte do tempo longe do oceano, e muitas também se sentem&nbsp;<strong>igualmente à vontade em cidades e penhascos remotos.</strong> Existem&nbsp;<strong>mais de 50 espécies</strong>, encontradas em<strong> todos os continentes, incluindo a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/08/a-antartida-ja-foi-verde-e-possui-lagos-de-lava-descubra-6-curiosidades-surpreendentes-sobre-o-continente-gelado"><strong>Antártida</strong></a>.</p><p dir="ltr">Mas voltando à questão das<strong> gaivotas roubando sua comida</strong>. Quer queiramos ou não, roubar comida de outras espécies é uma característica marcante das gaivotas. Muitas gaivotas são o que chamamos de&nbsp;<strong>cleptoparasitas</strong>, animais que&nbsp;<strong>roubam comida de outros indivíduos</strong>, sejam da mesma espécie ou de espécies diferentes.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essa técnica de forrageamento&nbsp;<strong>também é praticada por outras aves marinhas</strong>, como os skuas, e até mesmo por&nbsp;<strong>águias-carecas</strong>, mas tendemos a não notar as outras, já que elas não atuam tão perto de nós.</p><p dir="ltr">Quando&nbsp;<strong>as aves roubam comida de outras aves, elas voam atrás da presa</strong>, mergulhando sobre ela até que, eventualmente, pelo menos em algumas ocasiões, ela a solte. Então, a gaivota ou o skua a captura e voa para longe. Esse&nbsp;<strong>comportamento exige habilidades bem diferentes&nbsp;</strong>daquelas necessárias para roubar um sanduíche de um banhista desavisado. Kelley e outros cientistas examinaram os detalhes de como e&nbsp;<strong>quando as gaivotas obtêm comida de pessoas e o que poderia fazê-las parar</strong>.</p><p dir="ltr">Primeiro, eles investigaram&nbsp;<strong>se as gaivotas reagiam à presença humana quando tentavam pegar comida</strong>. Os pesquisadores sentaram-se na praia e&nbsp;<strong>colocaram um saco plástico com&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/11/comer-batatas-fritas-pode-aumentar-os-riscos-de-ter-diabetes-saiba-aqui-o-que-diz-a-ciencia"><strong>batatas fritas</strong></a> a cerca de um metro e meio de distância. O saco estava pesado, de forma que uma gaivota não conseguisse pegar as batatas e fugir, mas os cientistas podiam&nbsp;<strong>observar a reação das aves</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Assim que uma gaivota se aproximava,&nbsp;<strong>os cientistas faziam uma de duas coisas</strong>:&nbsp;<strong>ou encaravam a ave diretamente</strong> enquanto ela avançava em direção ao petisco,<strong> ou desviavam o olhar atentamente</strong> até que o farfalhar característico do pacote indicasse que a gaivota estava prestes a pegar as batatas fritas.</p><p dir="ltr"><strong>Das 74 gaivotas que participaram involuntariamente</strong> do experimento,&nbsp;<strong>apenas 27</strong>, ou pouco mais de um terço,&nbsp;<strong>se aproximaram da comida, e somente 19 foram até o fim</strong>, por assim dizer, e tentaram pegá-la. E as gaivotas&nbsp;<strong>prestaram atenção se estavam sendo observadas ou não</strong>, com mais delas tentando pegar as batatas fritas quando o pesquisador estava olhando para o outro lado do que quando estava encarando.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/2018/06/aves-marinhas-extincao-ano-das-aves-revista"><em>Sozinhas no mar: as aves-marinhas que você não vê estão desaparecendo</em></a>)</p><p dir="ltr">Os pesquisadores apontam que&nbsp;<strong>a pequena proporção de gaivotas que tentam pegar as batatas fritas</strong> sugere que essas&nbsp;<strong>aves têm mais medo de humanos&nbsp;</strong>do que se costuma imaginar e, além disso, que a sensibilidade a comportamentos como a direção do olhar pode indicar uma&nbsp;<strong>capacidade cognitiva bastante sofisticada</strong> por parte das gaivotas.&nbsp;</p><p dir="ltr">Na minha opinião, a variação entre os indivíduos é a parte mais intrigante do estudo.<strong> O que leva algumas gaivotas, e não outras, a se dedicarem a uma “vida criminosa”?</strong></p><p dir="ltr"><strong>Outro estudo&nbsp;</strong>tornou essa variação ainda mais clara. O&nbsp;<strong>biólogo Paul Graham</strong>, da Universidade de Sussex, e as alunas Franziska Feist e Kiera Smith já haviam observado<strong> gaivotas sincronizando sua alimentação</strong> para aparecerem quando&nbsp;<strong>crianças em idade escolar estavam prestes a descartar restos de comida</strong>. Eles se perguntaram se as aves seriam capazes de distinguir se objetos em seu ambiente haviam sido manuseados por uma pessoa, o que presumivelmente indicaria sua atratividade.</p><p dir="ltr"><strong>Os cientistas usaram batatas fritas novamente</strong>, em suas&nbsp;<strong>embalagens originais, azuis ou verdes</strong>. A pessoa que conduzia o teste colocava pacotes de batatas fritas de ambas as cores&nbsp;<strong>na praia</strong> e segurava outro pacote na mão.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Das gaivotas que bicavam um dos pacotes</strong>, praticamente todas experimentaram o<strong> pacote da mesma cor que estava sendo segurado</strong> pelo experimentador. As gaivotas, portanto, são observadoras notavelmente astutas, o que significa que tentar desencorajá-las de pegar nossos lanches pode envolver garantir que elas não nos vejam comendo nada.</p><p dir="ltr">No entanto, mais uma vez, apenas cerca de&nbsp;<strong>um quinto das gaivotas testadas pegou um pacote de</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/04/dia-da-terra-como-um-saco-de-batatas-fritas-jogado-numa-trilha-pode-afetar-todo-um-ecossistema"><strong> batatas fritas</strong></a>. E não foi porque elas não estavam prestando atenção. Algumas das<strong> gaivotas que não pegaram as batatas fritas foram para o local&nbsp;</strong>onde o experimentador estava sentado depois que o teste terminou e a pessoa se afastou, o que sugere que elas se lembravam do que havia acontecido. Talvez&nbsp;<strong>alguns indivíduos se especializem em capturar comida humana,</strong> enquanto<strong> outros seguem uma dieta mais convencional&nbsp;</strong>de peixes ou moluscos.</p><p dir="ltr"><strong>Cães e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/cavalos-podem-sentir-o-cheiro-do-medo-dos-humanos-segundo-um-novo-estudo"><strong>cavalos</strong></a><strong> também prestam atenção a sinais humanos sobre onde há comida&nbsp;</strong>ou o que é comestível, mas muitas vezes pensamos que sua sensibilidade às nossas reações reflete uma<strong> história evolutiva de domesticação</strong>. É obviamente benéfico para nossos animais de estimação ou animais de trabalho perceberem o que fazemos, mas esse comportamento parece mais inesperado em gaivotas.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>As gaivotas não evoluíram com os humanos</strong>, muito menos com batatas fritas, então&nbsp;<strong>sua capacidade de compreender a diferença</strong> entre o que os humanos preferem comer e o que não preferem sugere que sua&nbsp;<strong>cognição pode estar no mesmo nível de animais</strong> geralmente considerados&nbsp;<strong>excepcionalmente inteligentes, como os&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/07/como-jogadores-de-xadrez-alguns-corvos-podem-planejar-varios-passos-a-frente"><strong>corvos</strong></a>.</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114555_1"><strong>Como impedir que uma gaivota roube sua comida</strong></h2><p dir="ltr"><br>Então,&nbsp;<strong>se encarar gaivotas pode ajudar a afastá-las</strong>, existem outras<strong> estratégias que você poderia usar?&nbsp;</strong>Embora gritar com uma gaivota tentando pegar seu sanduíche possa parecer catártico, Kelley e seus colegas se perguntaram&nbsp;<strong>se gritar é mais eficaz</strong> do que simplesmente falar com a ave em tom severo.</p><p dir="ltr">Para descobrir a resposta, eles&nbsp;<strong>colocaram algumas batatas fritas em uma caixa transparente</strong> e começaram a procurar gaivotas. Quando localizavam uma, colocavam a caixa no chão e esperavam que a ave a notasse.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em seguida, reproduziam uma de três gravações: o canto de um pisco-de-peito-ruivo, um homem dizendo: “<strong>Não! Fique longe! Essa é a minha comida</strong>, esse é o meu pastel!” em&nbsp;<strong>tom de voz estridente</strong>, ou o mesmo homem dizendo as&nbsp;<strong>mesmas palavras em tom de voz neutro</strong>.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/10/dia-mundial-da-saude-mental-o-canto-dos-passaros-realmente-acalma-o-cerebro-a-ciencia-explica-o-motivo"><strong>canto dos pássaros</strong></a><strong> recebeu pouca atenção</strong>, mas as&nbsp;<strong>gaivotas reagiram às vozes humanas</strong> estremecendo e&nbsp;<strong>interrompendo sua investida contra o lanche</strong>. Elas também eram mais propensas a voar para longe dos gritos do que da voz falada, sugerindo uma&nbsp;<strong>capacidade de discriminação bastante sofisticada</strong>.</p><p dir="ltr">Como toda boa pesquisa, o trabalho com as gaivotas levanta muitas questões novas. Assim como eu, Kelley está particularmente interessada em saber&nbsp;<strong>por que a maioria das gaivotas não se importa em deixar você e seu piquenique em paz</strong>, e se pergunta se a<strong>ves mais velhas ou experientes se comportam de maneira diferente</strong>. Ela também gostaria de saber se as aves conseguem reconhecer pessoas individualmente, algo que começou a investigar antes da pandemia, mas nunca retomou.</p><p dir="ltr">Além disso, Kelley observou&nbsp;<strong>mudanças no comportamento das gaivotas</strong>&nbsp;<strong>na cidade vizinha de St. Ives</strong>, também no Reino Unido,quando ela chegou há 10 anos, as gaivotas costumavam atacar as pessoas em busca de comida, mas em Exeter, isso não acontecia. Agora, acontece. O que aconteceu? Ninguém sabe.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ela e seus colegas descobriram que as&nbsp;<strong>aves que atacam com sucesso vêm por trás e geralmente são adultas</strong>, o que sugere que aprendem com o tempo. Para&nbsp;<strong>evitar que sua comida seja roubada</strong>, Laura sugere&nbsp;<strong>sentar-se de costas para uma parede ou outra estrutura</strong>, e talvez sob um guarda-chuva.</p><p dir="ltr">Como acontece com muitos animais que consideramos inofensivos ou descartamos como pragas, as gaivotas são muito mais do que aparentam. Kelley não gostava muito de gaivotas no início, mas agora, ela diz: "Eu as acho encantadoras".</p><p dir="ltr">Para mim,&nbsp;<strong>as gaivotas são os escoteiros das aves — são leais, amigáveis, alegres, corajosas e limpas</strong>, e embora não pareçam particularmente reverentes ou obedientes, isso é muito para se pedir de um menino, quanto mais de um pássaro.</p><p dir="ltr">**&nbsp;<em><strong>Marlene Zuk</strong></em>&nbsp;<em>é Exploradora da&nbsp;</em>National Geographic<em>, bióloga evolucionista e escritora da Universidade de Minnesota, com interesse em comportamento animal. Seu livro mais recente, "</em>Outsider Animals: How the Creatures at the Margins of Our Lives Have the Most to Teach Us<em>" (Animais Marginalizados: Como as Criaturas à Margem de Nossas Vidas Têm Mais a Nos Ensinar), concentra-se em animais frequentemente subestimados, incluindo gaivotas.</em></p><p>&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title>Assassinato, motim, escravidão: o "pior naufrágio do mundo" foi mais sangrento do que pensávamos</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/assassinato-motim-escravidao-o-pior-naufragio-do-mundo-foi-mais-sangrento-do-que-pensavamos</link><description><![CDATA[A costa da Austrália Ocidental está repleta de naufrágios com histórias aterradoras, mas nenhum talvez seja tão horripilante quanto o do navio Batavia. Motim, assassinatos e escravidão entre os sobreviventes duraram meses após a viagem inaugural do navio terminar tragicamente em 1629, e a história se tornou um marco na história da Austrália.Agora, arqueólogos divulgaram um novo estudo sobre as...]]></description><category>História</category><pubDate>Tue, 24 Mar 2026 15:30:42 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/assassinato-motim-escravidao-o-pior-naufragio-do-mundo-foi-mais-sangrento-do-que-pensavamos</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/toneddsc3367-ambika-flavel-uni-of-west-australia.jpg?w=1600" length="962239" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A<strong> costa da Austrália Ocidental</strong> está&nbsp;<strong>repleta de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/07/alem-do-titanic-conheca-3-navios-naufragados-que-marcaram-a-historia"><strong>naufrágios</strong></a> com&nbsp;<strong>histórias aterradoras</strong>, mas nenhum talvez seja tão horripilante quanto o do&nbsp;<strong>navio Batavia</strong>.&nbsp;<strong>Motim, assassinatos e escravidão</strong> entre os sobreviventes duraram&nbsp;<strong>meses após a viagem inaugural&nbsp;</strong>do navio terminar tragicamente em&nbsp;<strong>1629</strong>, e a história se tornou um marco na&nbsp;<strong>história da Austrália</strong>.</p><p dir="ltr">Agora, arqueólogos divulgaram um&nbsp;<strong>novo estudo sobre as consequências do naufrágio</strong> que corrobora a história do Batavia, mas também fornece "<strong>informações materiais</strong> que não seriam possíveis de obter de outra forma", afirma Alistair Paterson, arqueólogo da Universidade da Austrália Ocidental e principal autor do estudo. "<strong>A arqueologia complementa os relatos históricos</strong>."</p><p dir="ltr">Entre as descobertas: um&nbsp;<strong>cemitério daqueles que morreram de sede ou doença</strong> logo após o naufrágio; evidências de que muitos&nbsp;<strong>sobreviventes foram assassinados posteriormente</strong>; sinais de&nbsp;<strong>resistência desesperada</strong>, incluindo&nbsp;<strong>um forte de pedra</strong> e&nbsp;<strong>armas improvisadas</strong>; e&nbsp;<strong>a forca</strong> onde os perpetradores do terror foram finalmente enforcados.</p><p dir="ltr">“Pode ser&nbsp;<strong>o naufrágio mais notável da história australiana</strong>”, diz o arqueólogo marítimo Kieran Hosty, curador do Museu Marítimo Nacional da&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/07/misterio-por-que-os-famosos-lagos-cor-de-rosa-da-australia-estao-desaparecendo"><strong>Austrália</strong></a>, que não participou do estudo mais recente. “É uma&nbsp;<strong>história incrível de derramamento de sangue</strong>.”</p><p dir="ltr">(<em>Sobre História, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/a-real-historia-por-tras-dos-julgamentos-de-nuremberg-e-as-acusacoes-contra-o-nazista-hermann-goring"><em>A real história por trás dos Julgamentos de Nuremberg e as acusações contra o nazista Hermann Göring</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114545_0"><strong>A ‘viagem infeliz’</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Em 1629</strong>, o&nbsp;<strong>Batavia, um navio à vela de três mastros c</strong>om destino às Índias Orientais Holandesas,&nbsp;<strong>encalhou em um&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/10/o-que-causa-o-branqueamento-dos-corais-sua-extincao-em-massa-ja-comecou-e-afeta-a-vida-humana"><strong>recife de coral</strong></a><strong>&nbsp;</strong>nas áridas Ilhas Houtman Abrolhos, ao largo da&nbsp;<strong>costa oeste da Austrália</strong>, então<strong> desabitadas por europeus</strong>.</p><p dir="ltr">Cerca de&nbsp;<strong>300 sobreviventes conseguiram chegar a uma pequena ilha</strong>, hoje chamada&nbsp;<strong>Ilha do Farol&nbsp;</strong>(<em><strong>Beacon Island</strong></em>), a aproximadamente um quilômetro e meio de distância; alguns dias depois, o&nbsp;<strong>comandante do navio e uma pequena equipe</strong>, preocupados com a falta de água,&nbsp;<strong>partiram em um pequeno barco</strong> em direção às&nbsp;<strong>Índias Orientais em busca de ajud</strong>a.</p><p dir="ltr">Enquanto isso, muitos&nbsp;<strong>tripulantes permaneceram a bordo do navio&nbsp;</strong>naufragado,&nbsp;<strong>entregando-se à embriaguez</strong>. Eles eram liderados por&nbsp;<strong>Jeronimus Cornelisz</strong>, terceiro em comando do Batavia, que havia planejado&nbsp;<strong>um motim</strong> antes do naufrágio. Quando a embarcação partiu cerca de uma semana depois, os&nbsp;<strong>homens de Cornelisz seguiram para a Ilha do Farol</strong>. Beacon Island.</p><p dir="ltr">Cornelisz logo descobriu que<strong> os demais sobreviventes estavam cientes de seus planos de motim</strong> e que certamente seriam punidos quando o comandante de Batávia retornasse. Cornelisz ordenou que&nbsp;<strong>todas as armas dos sobreviventes fossem confiscadas</strong> e muitos foram banidos para ilhas próximas.<strong> Mais de 100 dos homens, mulheres e crianças restantes foram massacrados ou escravizados</strong>.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>reinado despótico de Cornelisz e seus cúmplices durou cinco meses</strong>, até que foram&nbsp;<strong>capturados pela tripulação de um navio de resgate&nbsp;</strong>das Índias Orientais Holandesas.&nbsp;<strong>Cornelisz e seis</strong> de seus homens foram&nbsp;<strong>enforcados na ilha vizinha de Long Island</strong> em outubro de 1629 — as primeiras execuções conhecidas na Austrália.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/09/esses-sao-os-6-maiores-tesouros-de-naufragio-ja-encontrados"><em>Esses são os 6 maiores tesouros de naufrágio já encontrados</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114547_0"><strong>Sede, doenças e violência</strong></h2><p dir="ltr"><br>O&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/09/saiba-qual-o-naufragio-de-navio-mais-profundo-do-mundo-spoiler-nao-e-o-titanic"><strong>naufrágio</strong></a><strong> do Batavia foi descoberto em 1963</strong> e&nbsp;<strong>escavações&nbsp;</strong>subaquáticas foram realizadas na&nbsp;<strong>década de 1970</strong>; eventualmente,&nbsp;<strong>parte do casco foi içada e exposta&nbsp;</strong>no Museu Marítimo da Austrália Ocidental, em Fremantle. Vários sítios nas ilhas associadas ao naufrágio também foram escavados nas décadas seguintes.&nbsp;</p><p dir="ltr">As&nbsp;<strong>descobertas mais recentes são resultado de pesquisas arqueológicas&nbsp;</strong>realizadas por&nbsp;<strong>Paterson e seus colegas entre 2014 e 2019</strong>. Elas incluem os<strong> túmulos de uma dúzia de pessoas na Ilha Beacon</strong>, que provavelmente morreram de<strong> sede ou doença&nbsp;</strong>antes que os amotinados tomassem o controle.</p><p dir="ltr"><strong>Escavações anteriores revelaram claros indícios de mortes violentas</strong>, com os restos mortais enterrados às pressas em covas rasas. Mas essas covas parecem organizadas e sem sinais de trauma. Alguns dos&nbsp;<strong>mortos foram enterrados com pertences pessoais</strong>: uma colher de estanho, um pente, algumas contas de âmbar. Paterson disse que&nbsp;<strong>análises isotópicas e outros testes serão realizados</strong> nos restos mortais para descobrir mais sobre as pessoas ali enterradas.</p><p dir="ltr"><strong>Muitas das vítimas foram primeiro exiladas pelos amotinados</strong> para Long Island, a menos de um quilômetro e meio de Beacon Island,&nbsp;<strong>antes de serem assassinada</strong>s — às vezes uma dúzia de cada vez, de acordo com relatos de sobreviventes.&nbsp;<strong>Seus corpos foram jogados ao mar para encobrir os assassinatos em massa</strong>: "Houve uma tentativa de manter tudo em segredo", afirma Paterson.</p><h2 dir="ltr"  id="header_3114549_0"><strong>Resistência desesperada</strong></h2><p dir="ltr"><br>Os arqueólogos também criaram<strong> um modelo fotogramétrico 3D de um edifício de pedra</strong> na&nbsp;<strong>ilha de Wallabi Ocidental</strong> — os restos de uma improvável resistência contra os amotinados. Um grupo de cerca de&nbsp;<strong>20 soldados de Batávia havia sido desarmado e banido</strong> por Cornelisz para Wallabi Ocidental, a maior ilha do arquipélago de Houtman Abrolhos.</p><p dir="ltr"><strong>Os soldados tiveram a sorte de encontrar água e comida</strong> (na forma de&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/10/os-cangurus-sao-canhotos-veja-o-curioso-caso-destes-marsupiais-que-intrigam-a-ciencia"><strong>cangurus</strong></a><strong>-de-tammar</strong>, os primeiros marsupiais encontrados pelos europeus) e, mais tarde, atraíram sobreviventes que fugiam da Ilha Beacon, a cerca de oito quilômetros de distância. Os moradores de West Wallabi&nbsp;<strong>repeliram com sucesso dois ataques</strong> dos homens de Cornelisz.</p><p dir="ltr">De acordo com o comandante do navio, os soldados haviam “saído para se defender caso [os amotinados] viessem lutar contra eles e&nbsp;<strong>fizeram armas com aros e pregos, que foram amarrados a varas</strong>”.</p><p dir="ltr">Arqueólogos encontraram<strong> uma arma improvisada semelhante</strong> na vizinha Long Island:&nbsp;<strong>um porrete ou maça feita de chumbo dobrado</strong>, com furos para pregos salientes.</p><p dir="ltr">Outra descoberta feita em Long Island são&nbsp;<strong>os restos da forca onde Cornelisz e seus cúmplices foram enforcados</strong>. Segundo o relato do comandante,&nbsp;<strong>primeiro tiveram as mãos cortadas</strong> — uma punição comum na Holanda da época, relata Paterson.</p><p dir="ltr"><strong>Outros dois amotinados</strong>, considerados menos culpados, foram&nbsp;<strong>abandonados no continente australiano</strong>. Eles foram&nbsp;<strong>os primeiros europeus a se estabelecerem permanentemente na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/09/saiba-por-que-os-cangurus-so-vivem-na-australia"><strong>Austrália</strong></a>, mas o que aconteceu com eles é desconhecido.</p><p dir="ltr"><strong>A brutal história de Batávia é hoje reconhecida</strong> como um&nbsp;<strong>momento importante na história colonial inicial da Austrália</strong> e é até tema de uma ópera.</p><p dir="ltr">Hosty, do museu nacional, afirma que a história tem sido frequentemente defendida pelos australianos ocidentais, às vezes como&nbsp;<strong>uma alternativa às histórias das primeiras colônias penais&nbsp;</strong>no leste do vasto país.</p><p dir="ltr">Paterson acrescenta que isso demonstra que<strong> a história dos primeiros europeus na Austrália vai muito além das explorações do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/02/quem-realmente-descobriu-a-antartida-depende-para-quem-voce-pergunta"><strong>Capitão Cook&nbsp;</strong></a><strong>na década de 1770</strong>. "Isso nos lembra que outras partes da história também são relevantes para a Austrália", afirma.</p><p><a target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"></a></p>]]></content:encoded></item><item><title>A real história por trás dos Julgamentos de Nuremberg e as acusações contra o nazista Hermann Göring</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/a-real-historia-por-tras-dos-julgamentos-de-nuremberg-e-as-acusacoes-contra-o-nazista-hermann-goring</link><description><![CDATA[Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os Aliados (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e União Soviética) uniram forças para processar oficiais nazistas por crimes contra a paz, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e conspiração para cometê-los ao longo da guerra.Os Julgamentos de Nuremberg ocorreram na cidade alemã de Nuremberg, entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946, e...]]></description><category>História</category><pubDate>Mon, 23 Mar 2026 12:00:01 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/a-real-historia-por-tras-dos-julgamentos-de-nuremberg-e-as-acusacoes-contra-o-nazista-hermann-goring</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/german_war_crimes_trials._nuernberg_-_dachau_-_nara_-_292601.jpg?w=1600" length="1634961" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Após o fim da&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/como-terminou-a-segunda-guerra-mundial"><strong>Segunda Guerra Mundial</strong></a>, os&nbsp;<strong>Aliados</strong> (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e União Soviética) uniram forças para&nbsp;<strong>processar oficiais nazistas</strong> por<strong> crimes contra a paz</strong>, crimes&nbsp;<strong>de guerra</strong>, crimes&nbsp;<strong>contra a humanidade e conspiração</strong> para cometê-los ao longo da guerra.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>Julgamentos de Nuremberg</strong> ocorreram na&nbsp;<strong>cidade alemã de Nuremberg</strong>, entre&nbsp;<strong>20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946</strong>, e resultaram em veredictos contra os réus. Veja aqui tudo o que você precisa saber sobre este<strong> julgamento histórico</strong>.</p><p>(<em>Sobre História, veja também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/cientistas-testam-o-dna-de-leonardo-da-vinci-e-podem-estar-a-um-passo-de-decifrar-o-verdadeiro-codigo-da-vinci"><em>Cientistas testam o DNA de Leonardo Da Vinci e podem estar a um passo de decifrar o verdadeiro código da Vinci</em></a>)</p><h2 dir="ltr"          id="header_3114518_0"><strong>A importância dos Julgamentos de Nuremberg</strong></h2><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>julgamentos de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/04/campo-nazista-esquecido-em-solo-britanico-revelado-por-arqueologos"><strong>nazistas</strong></a><strong> continuaram na Alemanha</strong> e&nbsp;<strong>em outros países</strong>, conforme explica a Enciclopédia do Holocausto. Foi o caso, por exemplo, de&nbsp;<strong>Adolf Eichmann</strong>,&nbsp;<strong>um dos principais organizadores do Holocausto</strong>, que foi<strong> localizado na Argentina em 1960</strong> e extraditado para Israel, onde foi considerado&nbsp;<strong>culpado e executado em 1962</strong>.</p><p dir="ltr">Como explica o Museu Memorial do Holocausto, “<strong>O Tribunal de Nuremberg foi o primeiro de muitos julgamentos</strong> por crimes de guerra realizados<strong> na Europa e na Ásia após a Segunda Guerra Mundial</strong>, mas a&nbsp;<strong>proeminência dos réus alemães</strong> e a participação de todos os principais Aliados fizeram dele<strong> um evento sem precedentes no Direito Internacional</strong>”.</p><p dir="ltr">Um ponto fundamental é que&nbsp;<strong>o Tribunal de Nuremberg foi o primeiro a usar tratados internacionais</strong> entre Estados para processar indivíduos, de acordo com o Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial.</p><p dir="ltr">Além disso, a instituição conclui: “<strong>o primeiro Tribunal Internacional&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/por-que-as-vitimas-do-holocausto-sao-lembradas-em-27-de-janeiro"><strong>de crimes de guerra da história&nbsp;</strong>revelou a verdadeira&nbsp;<strong>extensão das atrocidades do regime nazista</strong></a><strong>&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>responsabilizou alguns dos nazistas mais proeminentes por seus crimes</strong>”.</p><h2 dir="ltr"          id="header_3114516_0"><strong>O que foram os Julgamentos de Nuremberg?</strong></h2><p dir="ltr">Os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/nuremberg-as-fitas-perdidas-da-national-geographic-expoe-a-natureza-criminosa-do-terceiro-reich"><strong>Julgamentos de Nuremberg&nbsp;</strong></a>foram&nbsp;<strong>uma série de julgamentos realizados entre 1945 e 1946</strong>, nos quais um<strong> Tribunal Militar Internaciona</strong>l acusou e julgou&nbsp;<strong>líderes nazistas como criminosos de guerra</strong>, explica a&nbsp;<em>Encyclopædia Britannica</em> (plataforma de conhecimento do Reino Unido).</p><p dir="ltr">Durante os processos, juízes das potências aliadas presidiram as&nbsp;<strong>audiências de 22 importantes criminosos de guerra nazistas</strong>, como acrescenta a Enciclopédia do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM).</p><p dir="ltr">Como explica a instituição,&nbsp;<strong>alguns dos réus admitiram ter cometido os crimes</strong> de que foram acusados, “embora a&nbsp;<strong>maioria tenha declarado</strong> que estava simplesmente&nbsp;<strong>cumprindo ordens&nbsp;</strong>de uma autoridade superior”.</p><p>(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/06/o-que-ha-sob-o-esconderijo-de-guerra-de-hitler-os-exploradores-acabaram-de-descobrir"><em>O que há sob o esconderijo de guerra de Hitler? Os exploradores acabaram de descobrir</em></a>)</p><h2 dir="ltr"          id="header_3114517_0"><strong>Quais foram as acusações contra os oficiais nazistas</strong></h2><p dir="ltr"><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/07/como-hitler-foi-derrotado-na-segunda-guerra-mundial"><strong>Adolf Hitler</strong></a>, o<strong> líder nazista</strong> considerado o<strong> principal responsável pelo Holocausto</strong>, cometeu&nbsp;<strong>suicídio</strong> nos últimos dias da guerra, assim como alguns de seus colaboradores, conforme explica a Enciclopédia do Museu Memorial do Holocausto. Além disso, “<strong>outros perpetradores nunca foram levados a julgamento</strong>”, e&nbsp;<strong>alguns fugiram</strong> para outros países e nunca foram julgados. No entanto, muitos outros&nbsp;<strong>líderes nazistas foram condenados</strong>.</p><p dir="ltr">De acordo com a&nbsp;<em>Britannica</em>, nos Julgamentos de Nuremberg a&nbsp;<strong>acusação continha quatro itens</strong>: “<strong>Crimes contra a paz</strong> (isto é, o planejamento, a iniciação e a condução de guerras de agressão em violação de tratados e acordos internacionais),&nbsp;<strong>crimes contra a Humanidade&nbsp;</strong>(extermínio, deportações e genocídio),&nbsp;<strong>crimes de guerra&nbsp;</strong>(violações das leis da guerra) e ‘um plano comum ou&nbsp;<strong>conspiração para cometer’ os atos criminosos</strong> listados nos três primeiros itens”.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/08/como-hitler-morreu-o-que-diz-a-historia-sobre-a-morte-de-lider-nazista"><em>Como Hitler morreu? O que diz a história sobre a morte de líder nazista</em></a>)</p><h2 dir="ltr"          id="header_3114517_1"><strong>Quem foi Hermann Göring e por que ele estava nos Julgamentos de Nuremberg?</strong></h2><p dir="ltr">Após&nbsp;<strong>216 sessões judiciais</strong>, no dia&nbsp;<strong>1º de outubro de 1946</strong>,&nbsp;<strong>o veredicto&nbsp;</strong>foi proferido em relação a&nbsp;<strong>22 dos 24 réus originais</strong> (de acordo com a&nbsp;<em>Britannica</em>,&nbsp;<strong>Robert Ley cometeu suicídio</strong> na prisão e o&nbsp;<strong>estado mental e físico de Gustav Krupp von Bohlen und Halbach</strong> o&nbsp;<strong>impediu de ser julgado</strong>).</p><p dir="ltr">Dos 24 réus,&nbsp;<strong>o Tribunal condenou 19 e absolveu três pessoas</strong> (Hans Fritzsche, Franz von Papen e Hjalmar Schacht), segundo a&nbsp;<em>Britannica</em> e o Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial (um museu localizado em Nova Orleans, nos estados Unidos). Dos condenados,&nbsp;<strong>12 foram sentenciados à morte</strong>: Hans Frank, Wilhelm Frick, Julius Streicher, Alfred Rosenberg, Ernst Kaltenbrunner, Joachim von Ribbentrop, Fritz Sauckel, Alfred Jodl, Wilhelm Keitel, Arthur Seyss-Inquart, Martin Bormann (que foi julgado e condenado à morte à revelia).&nbsp;</p><p dir="ltr">Além de<strong> Hermann Göring</strong>, um&nbsp;<strong>alto&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/video/tv/o-apocalipse-nazista-quem-foram-os-nazistas-0"><strong>oficial nazista</strong></a> considerado o braço direito de Hitler, que<strong> foi condenado à morte</strong> por forca, porém&nbsp;<strong>cometeu suicídio&nbsp;</strong>antes de sua execução. Ele&nbsp;<strong>foi acusado dos quatro principais crimes</strong> relacionados nos julgamentos, justamente por ser&nbsp;<strong>o fundador da Gestapo&nbsp;</strong>(a polícia secreta dos nazistas),&nbsp;ser o responsável pelo<strong> "Plano de Quatro Anos" para rearmar a Alemanha</strong> e preparar a economia para a guerra e ser o&nbsp;<strong>ex-comandante da Força Aérea Alemã</strong>.</p><p dir="ltr">Além disso,&nbsp;<strong>três réus foram condenados à prisão perpétua&nbsp;</strong>(Rudolf Hess, Walther Funk e Erich Raeder)<strong> e quatro a penas de prisão entre 10 e 20 anos&nbsp;</strong>(Karl Dönitz, Baldur von Schirach, Albert Speer e Konstantin von Neurath).</p><p dir="ltr">(<em>Veja também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/01/o-mapa-do-holocausto-redesenhado-uma-investigacao-revelou-mais-de-42-mil-campos-e-guetos-nazistas"><em>O mapa do Holocausto redesenhado: uma investigação revelou mais de 42 mil campos e guetos nazistas</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114529_0"><strong>A importância dos Julgamentos de Nuremberg</strong></h2><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>julgamentos de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/04/campo-nazista-esquecido-em-solo-britanico-revelado-por-arqueologos"><strong>nazistas</strong></a><strong> continuaram na Alemanha</strong> e&nbsp;<strong>em outros países</strong>, conforme explica a Enciclopédia do Holocausto. Foi o caso, por exemplo, de&nbsp;<strong>Adolf Eichmann</strong>,&nbsp;<strong>um dos principais organizadores do Holocausto</strong>, que foi<strong> localizado na Argentina em 1960</strong> e extraditado para Israel, onde foi considerado&nbsp;<strong>culpado e executado em 1962</strong>.</p><p dir="ltr">Como explica o Museu Memorial do Holocausto, “<strong>O Tribunal de Nuremberg foi o primeiro de muitos julgamentos</strong> por crimes de guerra realizados<strong> na Europa e na Ásia após a Segunda Guerra Mundial</strong>, mas a&nbsp;<strong>proeminência dos réus alemães</strong> e a participação de todos os principais Aliados fizeram dele<strong> um evento sem precedentes no Direito Internacional</strong>”.</p><p dir="ltr">Um ponto fundamental é que&nbsp;<strong>o Tribunal de Nuremberg foi o primeiro a usar tratados internacionais</strong> entre Estados para processar indivíduos, de acordo com o Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial.</p><p>Além disso, a instituição conclui: “<strong>o primeiro Tribunal Internacional&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/por-que-as-vitimas-do-holocausto-sao-lembradas-em-27-de-janeiro"><strong>de crimes de guerra da história&nbsp;</strong>revelou a verdadeira&nbsp;<strong>extensão das atrocidades do regime nazista</strong></a><strong>&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>responsabilizou alguns dos nazistas mais proeminentes por seus crimes</strong>”.</p>]]></content:encoded></item><item><title> A curiosa relação entre o canto dos sapos para acasalar e a previsão do tempo</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/a-curiosa-relacao-entre-o-canto-dos-sapos-para-acasalar-e-a-previsao-do-tempo</link><description><![CDATA[Quando o gelo e a neve começam a derreter nas águas de alta altitude da Califórnia, os sapos machos entram em ação. Saindo da hibernação, eles se dirigem a lagos e lagoas espalhados pela região e começam a coaxar para atrair as fêmeas. Eles têm pouco tempo para acasalar antes que a água congele novamente.“Há janelas de tempo muito curtas em que os animais precisam realizar muita coisa”, comenta a...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Thu, 19 Mar 2026 12:20:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/a-curiosa-relacao-entre-o-canto-dos-sapos-para-acasalar-e-a-previsao-do-tempo</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/naturepl01542280.jpg?w=1600" length="935600" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Quando<strong> o gelo e a neve</strong> começam a&nbsp;<strong>derreter</strong> nas águas de alta&nbsp;<strong>altitude da Califórnia</strong>,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/03/dia-mundial-dos-sapos-especies-ameacadas-de-extincao-em-porto-rico-receberam-uma-ajudinha-do-cantor-bad-bunny"><strong>os sapos</strong></a><strong> machos entram em ação</strong>. Saindo da hibernação, eles se dirigem a lagos e lagoas espalhados pela região e&nbsp;<strong>começam a coaxar para atrair as fêmeas</strong>. Eles têm&nbsp;<strong>pouco tempo para acasalar</strong> antes que a água congele novamente.</p><p dir="ltr">“Há&nbsp;<strong>janelas de tempo muito curtas</strong> em que os animais precisam realizar muita coisa”, comenta a ecologista de&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/10/mudanca-climatica-o-que-e-como-e-causada-e-o-que-voce-pode-fazer-para-reverte-la"><strong>mudanças climáticas</strong></a><strong> Julianne Pekny</strong>, diretora de ciência da conservação da&nbsp;<em>Amphibian and Reptile Conservancy</em>. Alguns corpos d'água ficam livres de gelo e neve por apenas alguns meses.</p><p dir="ltr">Quando os<strong> sapos-arborícolas machos&nbsp;</strong>chegam ao local, por exemplo,&nbsp;<strong>seus coaxares&nbsp;</strong>são distintamente&nbsp;<strong>mais lentos e menos frequentes</strong>&nbsp;<strong>do que</strong> mais tarde na estação,&nbsp;<strong>quando está mais quente</strong>, relatam Pekny e seus colegas em um estudo recente publicado na revista acadêmica&nbsp;<em>Frontiers in Ecology and the Environment</em>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Com base em&nbsp;<strong>dados coletados</strong> quando Pekny era estudante de pós-graduação na Universidade da Califórnia, em Davis, os&nbsp;<strong>cientistas argumentam que&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/08/o-que-voce-nao-sabia-sobre-a-ra-mais-venenosa-do-mundo"><strong>as rãs</strong></a><strong> fêmeas</strong>&nbsp;<strong>também percebem a mudança</strong>&nbsp;<strong>na cadência dos chamados de acasalamento</strong> e usam essas pistas para ajudá-las a decidir em&nbsp;<strong>quais águas a temperatura é ideal</strong> para depositar os<strong> ovos</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Animais, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/e-possivel-clonar-seu-animal-de-estimacao-sera-que-ele-tera-a-mesma-personalidade-a-ciencia-ja-sabe-a-resposta"><em>É possível clonar seu animal de estimação? Será que ele terá a mesma personalidade? A ciência já sabe a resposta</em></a>)</p><h2 dir="ltr"        id="header_3114441_0"><strong>O acasalamento dos sapos está ligado ao clima</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>temperatura correta para depositar os ovos</strong> é uma informação particularmente<strong> importante</strong> em&nbsp;<strong>locais com um curto período</strong> para a&nbsp;<strong>postura de ovos</strong> das fêmeas. E, à medida que as estações mudam em&nbsp;<strong>resposta às&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/02/mudancas-climaticas-como-o-aquecimento-global-afeta-a-vida-no-brasil"><strong>alterações climáticas</strong></a>, essa espécie de&nbsp;<strong>“aplicativo meteorológico”&nbsp;</strong>de acordo com&nbsp;<strong>o canto dos machos</strong>,&nbsp; poderia ajudar as fêmeas desses anfíbios a<strong> ajustar suas decisões de acasalamento</strong> de acordo.</p><p dir="ltr">Pekny, que também é diretora de análise de dados ecológicos da&nbsp;<em>Tangled Bank Conservation</em>, nos Estados Unidos, afirma que&nbsp;<strong>os ecologistas presumiam antes que os cantos de sapos</strong> apenas transmitiam&nbsp;<strong>informações</strong> relacionadas à&nbsp;<strong>atratividade</strong> e à&nbsp;<strong>competição</strong> por parceiras.&nbsp;</p><p dir="ltr"><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/01/o-que-torna-os-sapos-de-vidro-transparentes"><strong>Os sapos</strong></a><strong> machos usam seus coaxares para anunciar sua localização&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>disponibilidade para as fêmeas</strong> solteiras na área, com&nbsp;<strong>coaxares mais profundos e robustos</strong> geralmente emanados de&nbsp;<strong>sapos maiores</strong>. Por sua vez, esses coaxares — e os sapos que os emitem — são&nbsp;<strong>mais atraentes para as fêmeas</strong>.</p><p dir="ltr">As fêmeas também são&nbsp;<strong>mais atraídas por coaxares mais rápidos</strong> e&nbsp;<strong>frequentes</strong>. Pekny acredita que isso ocorre em parte porque as fêmeas&nbsp;<strong>monitoram as mudanças ambientais por meio desses coaxares</strong>, e&nbsp;<strong>não apenas por sinais de acasalamento</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Enquanto usualmente os<strong> sapos machos correm para a água</strong> assim que&nbsp;<strong>o clima esquenta</strong>, as&nbsp;<strong>fêmeas ficam para trás</strong>. Isso significa que, embora elas e os machos experimentem temperaturas do ar semelhantes, são&nbsp;<strong>os machos que sabem</strong>&nbsp;<strong>o quão frios são os habitats&nbsp;</strong>de reprodução.</p><p dir="ltr">O estudo descreve "uma&nbsp;<strong>nova maneira de pensar sobre os cantos dos sapos</strong>&nbsp;<strong>como um sistema de dupla informação</strong>", afirma Adam Leaché, herpetólogo do Museu Burke de História Natural e Cultura e da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, que não participou deste estudo. "É interessante pensar nos&nbsp;<strong>cantos de acasalamento como sinais sexuais e sinais ecológicos ao mesmo tempo</strong>."</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/09/quais-sao-as-diferencas-entre-sapo-ra-e-perereca"><em>Quais são as diferenças entre sapo, rã e perereca?</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114442_0"><strong>Águas quentes x águas frias</strong></h2><p dir="ltr"><br>A<strong> ideia para a teoria de Pekny</strong> surgiu enquanto ela fazia&nbsp;<strong>trabalho de campo no norte da Califórnia</strong> e conseguia ouvir&nbsp;<strong>a diferença nos coros dos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/02/sapo-perereca-ra-ameacados-extincao-anfibios-brasileiros-brasil-projeto-dots"><strong>sapos</strong></a><strong>&nbsp;</strong>ao longo das estações do ano. Ela decidiu coletar&nbsp;<strong>35 sapos na Reserva Ecológica de&nbsp;</strong><em><strong>Quail Ridge</strong></em>, no Condado de Napa, e testar&nbsp;<strong>como seus coaxares reagiam às mudanças de temperatura</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ela&nbsp;<strong>colocou os sapos machos em aquários com diferentes temperaturas da água</strong> e, com um pequeno microfone na mão, gravou a&nbsp;<strong>frequência e a duração de seus coaxares</strong>. Em seguida, ela transferiu as rãs para&nbsp;<strong>novos aquários</strong> para ver como elas reagiriam às diferentes temperaturas.</p><p dir="ltr">Descobriu-se que&nbsp;<strong>a água mais fria realmente tornava o canto dos sapos mais lento</strong>, enquanto a&nbsp;<strong>água mais quente o animava</strong>. Essa descoberta também foi sugerida para&nbsp;<strong>outras espécies de sapos</strong>.</p><p dir="ltr">Pekny também descobriu que&nbsp;<strong>a literatura existente sobre coros de sapos</strong> tendia a<strong> atribuir a atração das fêmeas</strong>&nbsp;<strong>por cantos mais rápidos&nbsp;</strong>à seleção de parceiros. Mas usar os&nbsp;<strong>sapos machos como pequenos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/qual-a-diferenca-entre-climatologia-e-meteorologia"><strong>meteorologistas</strong></a><strong> anfíbios</strong> também faz sentido, especialmente em um local com lagos e lagoas formados pelo derretimento da neve, diz ela. É do interesse da fêmea evitar chegar à água muito cedo, porque os machos se aproximam para acasalar logo após sua chegada.</p><p dir="ltr">"<strong>Há muita agressividade por parte dos machos</strong>", diz Pekny. "Há até&nbsp;<strong>risco de mortalidade para a fêmea</strong>, devido a essa agressividade." A<strong> temperatura da água também pode variar</strong> de acordo com a&nbsp;<strong>altitude</strong>, então seria interessante e útil para as&nbsp;<strong>fêmeas saberem quais áreas são ideais</strong> para a postura de ovos.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/03/qual-e-a-diferenca-entre-tempo-e-clima"><em>Qual é a diferença entre tempo e clima?</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114442_1"><strong>Questões mais amplas sobre as mudanças no clima e a reprodução dos sapos</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Luke Larter,</strong> um ecologista comportamental da Universidade Brown, nos Estados Unidos, que não participou deste estudo,&nbsp;<strong>não tem tanta certeza</strong> de que as&nbsp;<strong>fêmeas estejam obtendo essas informações a partir dos cantos dos machos</strong> — somente experimentos adicionais revelarão se esse é o caso. Mas ele afirma que o estudo ainda apresenta&nbsp;<strong>uma ideia importante</strong>.</p><p dir="ltr">“Não temos uma visão completa de toda a dinâmica envolvida... É por isso que ideias como essa são valiosas”, comenta ele. Pekny concorda que&nbsp;<strong>mais pesquisas são necessárias</strong>, em particular para separar o ambiente da fêmea e a paisagem acústica à qual ela está exposta. Se a teoria dela for verdadeira para as rãs-arborícolas da Serra Nevada, também&nbsp;<strong>poderá ser aplicável a</strong>&nbsp;<strong>outras espécies de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/09/como-salvar-os-sapos-arlequim-este-grupo-usa-pesquisa-educacao-e-arte"><strong>sapos</strong></a><strong> de clima temperado&nbsp;</strong>que têm&nbsp;<strong>períodos de acasalamento curtos</strong>, diz Leaché.</p><p dir="ltr">Dado que&nbsp;<strong>os&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/03/galeria-fotos-sapos-anfibios-animais-exploradores-dia-mundial-sapo"><strong>anfíbios</strong></a><strong> são o grupo animal mais ameaçado globalmente</strong> — cerca de&nbsp;<strong>41%&nbsp;</strong>estão em perigo de extinção — os cientistas estão particularmente interessados ​​em compreender suas&nbsp;<strong>interações e relações com seus habitats</strong>. De modo geral, parece que muitos anfíbios, incluindo sapos e rãs, estão a<strong>daptando seus comportamentos</strong> para acompanhar o ritmo das<strong> mudanças climáticas</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Uma consequência grave disso pode ser uma&nbsp;<strong>discrepância temporal entre o acasalamento dos sapos e o de suas presas</strong>. Se elas acabarem acasalando mais cedo devido à chegada precoce da primavera, seus girinos podem emergir antes que haja alimento suficiente disponível. E, posteriormente, as rãs adultas podem estar se movimentando antes de suas presas.</p><p dir="ltr">“<strong>O clima está realmente afetando toda a vida selvagem de forma geral</strong>”, diz Pekny. “Os impactos reais são mais difíceis de entender porque [as rãs] estão muito interligadas a outros animais.”abitats&nbsp;are.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Quando Pompeia foi realmente destruída por uma erupção vulcânica? Especialistas não chegam a um consenso</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/quando-pompeia-foi-realmente-destruida-por-uma-erupcao-vulcanica-especialistas-nao-chegam-a-um-consenso</link><description><![CDATA[Em 24 de agosto de 79 d.C., um adolescente romano testemunhou uma visão terrível: uma nuvem reveladora de uma enorme explosão subindo do Monte Vesúvio, o vulcão. Ou será que não?Os estudiosos divergem sobre se a grande erupção do vulcão Vesúvio (onde hoje é a Itália) — e o desastroso soterramento e incineração da antiga cidade romana de Pompeia — ocorreu realmente no verão ou no outono. Confira a...]]></description><category>História</category><pubDate>Wed, 18 Mar 2026 12:15:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/quando-pompeia-foi-realmente-destruida-por-uma-erupcao-vulcanica-especialistas-nao-chegam-a-um-consenso</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/gettyimages-1402562791.jpg?w=1600" length="1530742" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Em&nbsp;<strong>24 de agosto de 79 d.C.</strong>, um<strong> adolescente romano</strong> testemunhou&nbsp;<strong>uma visão terrível</strong>: uma nuvem reveladora de uma&nbsp;<strong>enorme explosão</strong> subindo&nbsp;<strong>do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/10/o-vulcao-vesuvio-vaporizou-suas-vitimas-entenda-os-fatos-0"><strong>Monte Vesúvio</strong></a>, o vulcão.&nbsp;<strong>Ou será que não?</strong></p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>estudiosos divergem</strong> sobre se a grande&nbsp;<strong>erupção do vulcão Vesúvio&nbsp;</strong>(onde hoje é a Itália) — e o desastroso&nbsp;<strong>soterramento e incineração</strong> da&nbsp;<strong>antiga cidade romana de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/01/a-erupcao-do-vesuvio-assou-pessoas-ate-a-morte-e-transformou-um-cerebro-em-vidro"><strong>Pompeia</strong></a> — ocorreu realmente&nbsp;<strong>no verão ou no outono</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Confira a seguir&nbsp;<strong>por que alguns acreditam</strong> que a erupção ocorreu em&nbsp;<strong>outubro, e não em agosto</strong> — e os motivos por que o debate talvez nunca chegue a uma conclusão definitiva.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre História, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/seriam-os-homens-de-neandertal-os-romeus-do-mundo-pre-historico-veja-a-analise-dos-cientistas"><em>Seriam os homens de Neandertal os "Romeus" do mundo pré-histórico? Veja a análise dos cientistas</em></a>)</p><h2 dir="ltr"      id="header_3114347_0"><strong>Testemunha ocular de um vulcão</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>A data de 24 de agosto&nbsp;</strong>para a erupção do Monte Vesúvio provém do&nbsp;<strong>único relato de testemunha ocular</strong> conhecido&nbsp;<strong>que sobreviveu&nbsp;</strong>aos tempos antigos: são as&nbsp;<strong>memórias de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/05/alguem-sobreviveu-a-erupcao-vulcanica-em-pompeia-saiba-mais-sobre-esse-misterio-que-atravessa-seculos"><strong>Plínio, o Jovem</strong></a>, um estadista romano que&nbsp;<strong>presenciou a erupção</strong> quando ainda era apenas um&nbsp;<strong>adolescente</strong>.</p><p dir="ltr">Ele&nbsp;<strong>narrou a erupção anos mais tarde</strong>, em duas cartas ao&nbsp;<em>historiador Tácito</em>. Escritas por volta de<strong> 108 d.C</strong>.,&nbsp;<strong>quase 30 anos após a erupção</strong>, acredita-se que seus relatos sejam a&nbsp;<strong>primeira descrição</strong> existente&nbsp;<strong>de uma&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/04/as-7-erupcoes-vulcanicas-mais-mortais-do-mundo"><strong>erupção vulcânica</strong></a>. Essa erupção resultou na<strong> morte do tio de Plínio, Plínio, o Velho</strong>, um ávido&nbsp;<strong>naturalista que se dirigiu a Pompeia</strong> para observar as consequências da erupção.</p><p dir="ltr">A<strong> fumaça intimidante que o jovem recordou</strong> como sua primeira&nbsp;<strong>visão de um Vesúvio em erupção</strong> foi um&nbsp;<strong>presságio</strong> de desastres futuros. Durante&nbsp;<strong>dois dias, gases tóxicos, cinzas&nbsp;</strong>e até mesmo um tsunami atingiram a área ao redor da cidade romana de Pompeia.</p><p dir="ltr">Nas cartas, Plínio conta a Tácito que os homens de seu tio acompanharam o cientista em sua&nbsp;<strong>viagem de barco rumo à erupção</strong>, parando a cerca de 8 Km ao sul de Pompeia. Plínio afirma que os sobreviventes lhe contaram que o&nbsp;<strong>Plínio mais velho</strong> parou na casa de um amigo em Estábias e, em seguida,&nbsp;<strong>saiu para observar&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/06/erupcoes-vulcanicas-descubra-as-4-principais-consequencias-desse-evento-da-natureza"><strong>o vulcão&nbsp;</strong></a><strong>e suas chamas mais de perto</strong>, em meio a uma chuva de pedra-pomes, com apenas um travesseiro para proteger a cabeça.&nbsp;</p><p dir="ltr">O<strong> aventureiro tio de Plínio acabou sufocado pelos gases vulcânicos</strong>, relatou Plínio a Tácito. Em sua segunda carta, Plínio, o Jovem, também descreve&nbsp;<strong>suas próprias experiências após a erupção</strong>, relatando "coisas extraordinárias e alarmantes", como um&nbsp;<strong>tsunami provocado pela explosão</strong> e uma terrível nuvem negra que cobriu toda a paisagem.</p><p dir="ltr">"Só me mantive firme graças à consolação de que&nbsp;<strong>o mundo inteiro estava perecendo comigo</strong>", recordou Plínio, o Jovem.</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114349_0"><strong>Será que os escribas traduziram erroneamente o relato de Plínio?</strong></h2><p dir="ltr"><br>O&nbsp;<strong>relato de Plínio sobre os eventos&nbsp;</strong>que cercaram a erupção é um dos&nbsp;<strong>mais famosos da história da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/11/veja-8-mitos-sobre-a-roma-antiga-e-descubra-algumas-verdades"><strong>Roma Antiga</strong></a>. Mas, como a&nbsp;<strong>carta original não existe mais</strong>, não é possível verificar seu conteúdo diretamente. Em vez disso, manuscritos antigos foram&nbsp;<strong>transmitidos de escriba para escriba</strong> ao longo dos séculos, um processo conhecido por&nbsp;<strong>erros de digitação</strong>,&nbsp;<strong>traduções incorretas</strong> e outros equívocos.</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>tradução mais aceita&nbsp;</strong>da carta apresenta a data como equivalente a&nbsp;<strong>24 de agosto</strong>. No entanto, “o texto de Plínio poderia se reverir&nbsp;<strong>possivelmente ser 30 de outubro, 1º de novembro ou 23 de novembro</strong>”, escreve o historiador Stephen P. Kershaw.</p><p dir="ltr"><strong>Traduções conflitantes complicaram ainda mais a questão</strong>: alguns dos manuscritos sobreviventes que reimprimem as cartas usam o&nbsp;<strong>termo&nbsp;</strong><em><strong>Novembres</strong></em>, o que apontaria para&nbsp;<strong>uma data de erupção em outubro</strong>, com base no&nbsp;<strong>calendário romano da época</strong>. E ainda outro historiador romano,<strong> Cássio Dio</strong>, referiu-se ao evento como tendo&nbsp;<strong>ocorrido no outono</strong>, embora tenha escrito sobre ele centenas de anos depois.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/08/o-que-aconteceu-em-pompeia-local-de-uma-das-erupcoes-vulcanicas-mais-tragicas-da-historia"><em>O que aconteceu em Pompeia, local de uma das erupções vulcânicas mais trágicas da história</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114349_1"><strong>Evidências arqueológicas da erupção</strong></h2><p dir="ltr"><br>Algumas&nbsp;<strong>pistas de estudos arqueológicos de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/05/cavalos-pompeia-fugir-erupcao-vesuvio-vulcao-fuga-historia-italia-video"><strong>Pompeia</strong></a> reforçam a&nbsp;<strong>teoria de outubro</strong>: algumas evidências de&nbsp;<strong>frutas típicas do outono</strong>, como romãs, figos e nozes,<strong> desenterradas em Pompeia</strong>, podem sugerir uma erupção em outubro.&nbsp;</p><p dir="ltr">No entanto,&nbsp;<strong>pode haver uma explicação alternativa</strong> para a presença dessas frutas, já que&nbsp;<strong>os arqueólogos agora acreditam</strong> que a&nbsp;<strong>cidade foi brevemente reocupada</strong> por um grupo de&nbsp;<strong>sobreviventes&nbsp;</strong>desesperados que buscaram abrigo em Pompeia&nbsp;<strong>após 79 d.C.&nbsp;</strong></p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>restos mortais dessas pessoas</strong> — incluindo os alimentos que consumiram —<strong> podem ter sido deixados para trás</strong>,&nbsp;<strong>complicando a interpretação do sítio arqueológico</strong>, antes considerado como contendo apenas os restos mortais preservados no tempo daqueles que pereceram na erupção.</p><p dir="ltr">Outra&nbsp;<strong>pista intrigante</strong>: algumas&nbsp;<strong>moedas</strong> que se acredita terem sido&nbsp;<strong>cunhadas em julho ou agosto de 79 dC</strong> foram desenterradas em uma&nbsp;<strong>casa em&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/07/vitima-decapitada-pompeia-esmagada-morte-erupcao-vesuvio-vulcao-italia"><strong>Pompeia</strong></a><strong> durante a década de 1970</strong>. A existência dessas moedas&nbsp;<strong>não prova definitivamente&nbsp;</strong>que a erupção ocorreu depois de setembro, concluiu o numismata do Museu Britânico, Richard Abdy.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas, “<strong>se a data de 24 de agosto estiver correta</strong>,<strong> é notável</strong> que ambas as moedas tenham levado&nbsp;<strong>apenas dois meses após a cunhagem para entrar em circulação e chegar a Pompeia antes do desastre</strong>”, escreveu ele em 2013 no&nbsp;<em>Numismatic Chronicle</em>.</p><p dir="ltr">Então,&nbsp;<strong>em 2018, arqueólogos desenterraram outra pista</strong> de que a erupção poderia ter ocorrido em&nbsp;<strong>outubro</strong>:<strong> uma inscrição em carvão&nbsp;</strong>claro em uma casa que parece ter passado por uma reforma na época. A inscrição&nbsp;<strong>se refere a uma data de outubro</strong>.</p><p dir="ltr">“Como foi feito com&nbsp;<strong>carvão frágil e efêmero, que não poderia ter durado muito tempo,</strong> é altamente provável que possa ser datado de&nbsp;<strong>outubro de 79 d.C.</strong>, e mais precisamente de uma semana antes da grande catástrofe”,&nbsp;<strong>disseram os arqueólogos&nbsp;</strong>em um comunicado na época.</p><p dir="ltr"><strong>Posteriormente, eles mudaram de opinião</strong> após testes que comprovaram que a escrita em carvão não era tão frágil quanto se pensava. Esses resultados — e um livro de 2022 do especialista em Pompeia,&nbsp;<strong>Pedar Voss</strong>, que&nbsp;<strong>refuta a teoria&nbsp;</strong>de que as cartas de Plínio se referiam a uma<strong> erupção em&nbsp;</strong><em><strong>Novembres</strong></em> — levaram o parque a rejeitar a data de outubro.&nbsp;</p><p dir="ltr">Segundo Voss,&nbsp;<strong>houve não uma, mas duas traduções errôneas&nbsp;</strong>históricas que resultaram na confusão sobre&nbsp;<em>Novembres</em>. “Todas as datas&nbsp;<strong>fora de 24 de agosto são pura invenção</strong>”, afirma agora em seu site.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114351_0"><strong>O que sabemos sobre a explosão</strong></h2><p dir="ltr"><br>Na&nbsp;<strong>ausência de outras evidências bombásticas</strong> no local, é&nbsp;<strong>improvável que a verdade completa seja algum dia conhecida</strong>. E para um cientista, a questão importante não é quando&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/07/qual-e-o-vulcao-mais-perigoso-do-mundo"><strong>o vulcão</strong></a> entrou em erupção, mas sim como.</p><p dir="ltr">“De uma&nbsp;<strong>perspectiva vulcanológica</strong>, o mês em si faz pouca diferença”, afirma&nbsp;<strong>Claudio Scarpati, vulcanólogo</strong> da Universidade de Nápoles Federico II, na Itália. Ferramentas de datação absoluta podem ajudar a precisar o ano, diz ele, mas não o dia ou o mês.</p><p dir="ltr">Assim,&nbsp;<strong>Scarpati e sua equipe abordaram a cronologia de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2025/08/as-7-maravilhas-das-civilizacoes-antigas-lugares-que-contam-a-historia-da-humanidade-e-podem-ser-visitados"><strong>Pompeia</strong></a> por outro ângulo. Em dois estudos publicados no&nbsp;<em>Journal of the Geological Society</em> em&nbsp;<strong>2024 e 2025</strong>, Scarpati e seus colegas utilizaram&nbsp;<strong>centenas de amostras das camadas de pedra-pomes e cinzas&nbsp;</strong>que se depositaram sobre a área ao redor do vulcão para reconstruir o que chamam de&nbsp;<strong>erupção “dinâmica”</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Após mais de 32 horas de inferno</strong>, concluem os pesquisadores, o vulcão provavelmente&nbsp;<strong>criou uma coluna de cinzas que chegou a atingir quase 6 metros de altura</strong> em alguns momentos, com uma transição gradual para uma&nbsp;<strong>chuva de pedra-pomes cinza</strong> que começou por volta das 19h. O estudo de 2025 sugere que a&nbsp;<strong>precipitação radioativa só terminou um dia e meio depois</strong>, quando um<strong> fluxo de magma</strong> "subestimado" sepultou Pompeia.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/12/vulcoes-em-erupcao-como-se-formam-e-quais-tipos-existem"><em>Vulcões em erupção: como se formam e quais tipos existem</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114351_1"><strong>Um vulcão ainda mais devastador</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>erupção foi “mais complexa e devastadora</strong> do que se pensava anteriormente”, afirma Scarpati. Ele agora acredita que&nbsp;<strong>a parte mais danosa da erupção</strong> ocorreu devido à<strong> corrente piroclástica final de magma e gás&nbsp;</strong>que emanou da encosta da montanha do&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2020/07/vulcoes-vida-impacto-asteroide-dinossauros-extincao-cretaceo-chicxulub-terra"><strong>vulcão</strong></a> pouco depois das 7h da manhã do&nbsp;<strong>segundo dia</strong> da erupção, explica.</p><p dir="ltr">“A&nbsp;<strong>maioria das vítimas morreu asfixiada pelas cinzas e foi soterrada&nbsp;</strong>nessa camada”, diz ele. “Nenhum resto humano foi encontrado acima dela, o que sugere que&nbsp;<strong>a devastação daquela manhã não deixou sobreviventes</strong>.” Foi “um crescendo de violência que<strong> sepultou Pompeia&nbsp;</strong>sob metros de cinzas e pedra-pomes”, afirma — e permanece&nbsp;<strong>envolta em mistérios que ainda intrigam os pesquisadores&nbsp;</strong>modernos.</p><p dir="ltr">Enquanto outros&nbsp;<strong>vulcanólogos continuam a analisar e reinterpretar</strong> as evidências científicas deixadas pelo Vesúvio, Scarpati continuará seu trabalho em&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/video/tv/veja-cavalos-congelados-no-tempo-apos-erupcao-do-vulcao-em-pompeia"><strong>Pompeia</strong></a>, conclui. Em Pompeia, a devastação foi longe de ser uniforme, e os<strong> habitantes morreram por causas diferentes em momentos distintos</strong>, separados por muitas horas. Essas descobertas são inestimáveis, pois nos ajudam a&nbsp;<strong>avaliar o impacto desse tipo de erupção</strong> e a usar esse conhecimento para prever os efeitos de eventos futuros.</p><p>Agora podemos saber mais sobre como foi vivenciar a explosão. Mas será que&nbsp;<strong>a discussão sobre a data entre agosto e outubro será algum dia esclarecida?</strong> Sem evidências mais conclusivas, a arqueologia na sombra do Monte Vesúvio sempre carregará uma&nbsp;<strong>sombra de dúvida&nbsp;</strong>sobre a verdadeira data da erupção.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Vida de cientista: ela descobriu uma água-viva gigante e já mergulhou quase 5 mil metros nos mares do Alasca</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/vida-de-cientista-ela-descobriu-uma-agua-viva-gigante-e-ja-mergulhou-quase-5-mil-metros-nos-mares-do-alasca</link><description><![CDATA[O oceano cobre 70% do planeta, tem uma superfície de aproximadamente 360 milhões de quilômetros quadrados e abriga mais vida do que qualquer outro lugar da Terra. Apesar disso, apenas uma pequena parte do mar é conhecida, razão pela qual o trabalho de pesquisadores como a argentina María Emilia Bravo é fundamental. María Emilia é bióloga marinha, pesquisadora científica no Instituto de...]]></description><category>Ciência</category><pubDate>Tue, 17 Mar 2026 20:01:09 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/vida-de-cientista-ela-descobriu-uma-agua-viva-gigante-e-ja-mergulhou-quase-5-mil-metros-nos-mares-do-alasca</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/fkt251206-20251230-bravo_scarrone-mainlab-vallejoprut-8249.JPG?w=1600" length="6691845" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/06/quantos-oceanos-existem-na-terra-descubra-o-nome-de-cada-um-deles"><strong>oceano</strong></a><strong> cobre 70% do planeta</strong>, tem uma superfície de aproximadamente&nbsp;<strong>360 milhões de quilômetros quadrados&nbsp;</strong>e<strong> abriga mais vida</strong> do que&nbsp;<strong>qualquer outro lugar da Terra</strong>. Apesar disso,<strong> apenas uma pequena parte do mar é conhecida</strong>, razão pela qual o trabalho de pesquisadores como a&nbsp;<strong>argentina María Emilia Bravo</strong> é fundamental.</p><p dir="ltr">&nbsp;<strong>María Emilia é</strong>&nbsp;<strong>bióloga marinha</strong>, pesquisadora científica no Instituto de Geociências Básicas, Aplicadas e Ambientais de Buenos Aires (Igeba), na Argentina, e também no Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet), instituição governamental argentina&nbsp; dedicada à ciência e à tecnologia; e na Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires (Fcen-UBA). Ela também é&nbsp;<strong>pioneira nas descobertas de ecossistemas quimiossintéticos nos oceanos&nbsp;</strong>(ambientes nos quais<strong> as formas de vida obtêm energia de maneira alternativa à energia solar</strong>), na Argentina, e uma incansável exploradora do fundo do mar.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em 2024, no âmbito do projeto científico&nbsp;<em>Methanosphaera</em>,&nbsp;<strong>María</strong>&nbsp;<strong>Emilia mergulhou 4.907 metros no oceano durante 12 horas no Alasca</strong>.<strong>&nbsp;</strong>Para se ter uma ideia da magnitude da façanha, apenas&nbsp;<strong>a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/04/qual-animal-tem-o-maior-cerebro-do-mundo-spoiler-ele-vive-no-mar"><strong>baleia cachalote</strong></a><strong>,</strong> considerada&nbsp;<strong>uma das melhores mergulhadoras do reino animal</strong>,&nbsp;<strong>pode atingir profundidades</strong> de cerca de&nbsp;<strong>2 mil metros</strong>. Juntamente com outro pesquisador e um piloto, ela embarcou no&nbsp;<strong>Alvin</strong> (um&nbsp;<strong>submersível tripulado</strong> que&nbsp;<strong>explorou os destroços do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/04/conheca-7-fatos-sobre-o-naufragio-do-titanic"><strong>Titanic</strong></a>) para estudar ecossistemas quimiossintéticos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Posteriormente, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, ela liderou a pesquisa “<strong>Vida em Extremos</strong>”, uma expedição que percorreu o mar perto da Argentina a bordo do navio Falkor e que permitiu&nbsp;<strong>observar</strong>,<strong> ao vivo e por&nbsp;</strong><em><strong>streaming</strong></em>,&nbsp;<strong>ecossistemas quimiossintéticos&nbsp;</strong>da encosta continental.&nbsp;</p><p dir="ltr">A campanha foi realizada por meio de uma colaboração entre o&nbsp;<em>Schmidt Ocean Institute</em> e a Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da UBA e documentou<strong> uma rara água-viva fantasma de águas profundas do tamanho de um ônibus escolar</strong>, além do&nbsp;<strong>maior recife de coral de&nbsp;</strong><em><strong>Bathelia candida</strong></em>&nbsp;<strong>conhecido</strong> – com um tamanho próximo ao da&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2023/01/qual-e-o-menor-pais-do-mundo-e-por-que-ele-e-tao-importante"><strong>Cidade do Vaticano</strong></a> – e&nbsp;<strong>28 supostas novas espécies</strong>, conforme informado pela equipe científica por meio do&nbsp;<em>Schmidt Ocean Institute</em>.</p><p dir="ltr">A&nbsp;<em><strong>National Geographic&nbsp;</strong></em>conversou com María Emília Bravo para saber mais sobre&nbsp;<strong>sua experiência no estudo do oceano</strong> e para compreender como a pesquisa que lidera contribui para&nbsp;<strong>o conhecimento das profundezas do oceano</strong>.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/um-parente-do-camelo-em-plena-america-do-sul-os-4-dados-sobre-o-guanaco-um-animal-ancestral-da-patagonia"><em>Um parente do camelo em plena América do Sul: os 4 dados sobre o guanaco, um animal ancestral da Patagônia</em></a>)</p><h2      id="header_3114499_0"><strong>Como é a vida de uma cientista que investiga o oceano profundo (e desconhecido)&nbsp;</strong></h2><p dir="ltr"><strong>National Geographic: O que são exatamente os ecossistemas quimiossintéticos?</strong><br><strong>María Emilia Bravo:</strong> Nos ecossistemas quimiossintéticos (aqueles nos quais as formas de vida obtêm energia de uma maneira alternativa à energia solar)&nbsp;<strong>os animais se alimentam principalmente de compostos químicos</strong> que<strong> emanam do fundo do mar</strong> e&nbsp;<strong>são metabolizados por microrganismos</strong> que podem viver livremente ou ser simbiontes (aqueles que mantêm interações estreitas e, muitas vezes, prolongadas com outras espécies). Essa é uma fonte de alimento muito importante em ambientes como o fundo do mar, onde<strong> a fonte de energia primária proveniente da superfície por meio da fotossíntese pode ser escassa</strong>. Esse&nbsp;<strong>tipo de alimentação</strong> também é<strong> encontrado em ambientes costeiros</strong>. Eles&nbsp;<strong>não recebem tanta atenção</strong> quanto os ambientes do mar profundo porque, às vezes, na zona costeira, a quantidade de alimento disponível por meio da fotossíntese é alta o suficiente para que os animais dominantes na comunidade dependam energeticamente desse tipo de alimentação.</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo: Por que você decidiu dedicar sua carreira à pesquisa desses espaços naturais?&nbsp;</strong><br><strong>MB:&nbsp;</strong>Eu acho esses ecossistemas tão interessantes… Eles&nbsp;<strong>são ambientes muito complexos</strong>, nos quais&nbsp;<strong>as formas de vida estão relacionadas a uma série de fatores,</strong> e quero saber por que c<strong>ertas espécies estão presentes e outras não</strong>; como elas vivem, como toleram essas condições e como estão interagindo com a crescente pressão ambiental que nós, seres humanos, estamos exercendo. Me preocupa especialmente&nbsp;<strong>saber identificar onde elas estão</strong>,&nbsp;<strong>como as mudanças ambientais podem afetá-las</strong> e tentar comunicar esse tipo de informação aos tomadores de decisão para poder ajudar a conservá-las.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/06/tragedia-no-fundo-do-mar-o-que-podemos-aprender-com-o-submarino-da-expedicao-ao-titanic"><em>Tragédia no fundo do mar: o que podemos aprender com o submarino da expedição ao Titanic?</em></a>)</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo: Em 2024, você mergulhou a 4.907 metros no Alasca para explorar o fundo do mar. Que sensações essa missão lhe provocou e como você conseguiu superar o medo?&nbsp;</strong><br><strong>MB:&nbsp;</strong>Para mim, o mergulho representava a possibilidade de&nbsp;<strong>ver com meus próprios olhos esse mundo fascinante&nbsp;</strong>que é quase surreal. Desta forma,&nbsp;<strong>pude observar o fundo do mar de dentro</strong> e&nbsp;<strong>estive entre espécies quimiossintéticas</strong> e outras espécies que, até então,&nbsp;<strong>eu só via em artigos</strong>. Com esta experiência&nbsp;<strong>pude ver os animais em seu estado natural ao fazer o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/05/existe-vulcao-no-alasca-sim-e-ele-pode-entrar-em-erupcao-em-breve"><strong>mergulho no Alasca</strong></a>. Foi alucinante! Quando me lembro do mergulho e de ter visto aquelas paisagens e aquela fauna, continuo me surpreendendo!</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo: O que vocês esperavam encontrar nessa área tão remota do oceano?</strong><br><strong>MB:</strong> Trata-se de um projeto chamado&nbsp;<em>Methanosphaera</em>, e&nbsp;<strong>a proposta era compreender o papel do gás metano na biodiversidade</strong> e nas&nbsp;<strong>funções ecológicas dos ecossistemas</strong>. Também foi feita uma abordagem interdisciplinar, tentando&nbsp;<strong>rastrear boa parte do processo do gás metano em sua entrada no ambiente marinho</strong> e os efeitos nos ecossistemas, integrando aspectos químicos, alimentares e as relações simbióticas entre animais e microrganismos. Em resumo,&nbsp;<strong>a missão abrangia desde a escala microscópica</strong>, na qual se observam os microrganismos que estão transferindo a energia desses gases para o animal que os hospeda, até a biodiversidade de toda a comunidade.</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo: Considerando que se trata de uma zona extrema, com falta de luz solar e grande pressão da água. Quais desafios a missão apresentava?</strong><br><strong>MB:</strong> No estudo desse tipo de ambiente, a limitação de poder chegar até o fundo implica um&nbsp;<strong>desafio tecnológico&nbsp;</strong>que, felizmente, vem sendo superado há vários anos com<strong> o uso de submersíveis capazes de tolerar essas pressões esmagadoras&nbsp;</strong>e operar visando especificamente os objetivos da pesquisa e selecionando onde realizar as amostragens. No caso dessa campanha, o aspecto positivo foi que já haviam sido realizadas algumas pesquisas prévias; assim, sabia-se, pelo menos em linhas gerais, quais eram os locais de maior interesse para a coleta de amostras.</p><p>Além disso,&nbsp;<strong>o uso de outro tipo de submersível</strong>, os veículos submersíveis autônomos (os AUVs, que seguem uma rota previamente definida e obtêm uma grande quantidade de informações sozinhos por meio de sensores, imagens e outros recursos, retornando ao navio com todas essas informações),&nbsp;<strong>permitiu mapear rapidamente uma extensa área desses habitats em alta resolução</strong>. Esses mapeamentos com o AUV ajudaram a superar a limitação de encontrar mais vazamentos de metano em uma área muito ampla.</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo: Quais foram as principais descobertas dessa missão?</strong><br><strong>MB:&nbsp;</strong>No estudo feito no Alasca, liderado pela professora Lisa Levin,&nbsp;<strong>encontramos uma série de ecossistemas quimiossintéticos</strong> com diferentes configurações de biodiversidade — em escala de paisagem.&nbsp;<strong>Os tipos de animais e suas associações variavam em função da profundidade</strong>, da&nbsp;<strong>quantidade de gás que emanava</strong>, do<strong> tipo de fundo e da quantidade de oxigênio</strong>. Isso foi algo interessante. Também ficou evidente uma grande&nbsp;<strong>complexidade de interações entre animais, metano e microrganismos em escalas menores</strong>, que ainda são objeto de estudo e pesquisa por parte dos grupos envolvidos. Tive a sorte de colaborar com o grupo de ecologia e com o&nbsp;<em>Scripps Institution of Oceanography</em>, e continuamos investigando essas descobertas.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo: Em relação à expedição “Vida nos Extremos”: o que vocês descobriram e qual é o valor dessas descobertas?</strong><br><strong>MB:&nbsp;</strong>Um dos principais valores, em termos gerais, é termos&nbsp;<strong>identificado a heterogeneidade das paisagens encontradas em nosso mar profundo</strong>. No mar profundo da Argentina, temos uma grande diversidade de ambientes e formas de vida. Os ecossistemas que encontramos são considerados, em muitos casos e com base em diretrizes globais, como<strong> ecossistemas marinhos vulneráveis</strong>.&nbsp;<strong>Os ecossistemas quimiossintéticos e os recifes de corais de águas frias têm um papel muito importante na preservação da biodiversidade</strong> e das funções ecológicas do mar profundo. Também pudemos realizar estudos multidisciplinares para avançar no desenvolvimento de um entendimento sobre&nbsp;<strong>as interações entre as formas de vida e as características ambientais</strong>, desses locais, com o objetivo de informar os tomadores de decisão sobre o uso desses ambientes.</p><p><strong>NatGeo: A que profundidade se encontram esses ambientes que vocês estudaram?</strong><br><strong>MB:</strong> Investigamos&nbsp;<strong>áreas que vão de 500 metros até 4.200 metros&nbsp;</strong>na zona mais setentrional. Em geral, considera-se mar profundo a partir de 200 metros, e tentamos abranger esse tipo de intervalo batimétrico e compará-lo em um gradiente latitudinal, de acordo com os padrões internacionais.</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo: Durante essa campanha, vocês descobriram um recife de coral do tamanho do Vaticano; isso é enorme e surpreendente. Você poderia falar sobre isso?</strong><br><strong>MB:&nbsp;</strong>No caso dos recifes, as descobertas que fizemos a partir dessa campanha em dezembro e janeiro nos ajudaram a observar a formação do recife por essas espécies que possuem uma estrutura calcária.&nbsp;<strong>Esses “novos”&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/06/o-que-sao-os-recifes-de-coral-e-como-eles-se-formam"><strong>recifes de corais</strong></a><strong> encontrados abrigam várias espécies de peixes</strong>. É importante&nbsp;<strong>compreender um pouco melhor essas espécies</strong>, saber onde elas estão e&nbsp;<strong>tentar planejar o uso desses ambientes para não alterá-los</strong>, pois uma das atividades que mais pode impactá-los é&nbsp;<strong>o uso de redes de arrasto</strong>, que podem&nbsp;<strong>gerar um “efeito de arado”</strong>, no qual se perde a tridimensionalidade desses recifes e, consequentemente, seu papel ecológico de sustentação de outras espécies.</p><p dir="ltr">Também conseguimos constatar que esse sistema de recifes não é um recife contínuo, mas&nbsp;<strong>está associado a determinados locais do fundo marinho e às características das massas de água</strong>. Conhecer as características ambientais preferidas por essa espécie nos ajuda a prever sua distribuição de maneira mais precisa no fundo do mar argentino. Vimos que&nbsp;<strong>o sistema de recifes se estende até 600 km mais ao sul do que havia sido documentado&nbsp;</strong>anteriormente.</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo: Para encerrar, você poderia citar algumas referências que a inspiraram em sua carreira?</strong><br><strong>MB:</strong>&nbsp;<strong>Lisa Levin&nbsp;</strong>é uma das minhas&nbsp;<strong>maiores inspirações</strong>. Ela é uma mulher que cresceu em Los Angeles (Estados Unidos), é bióloga e professora emérita do Instituto Scripps de Oceanografia (da sigla SIO), da Universidade da Califórnia, em San Diego. Acho que ela é um exemplo de dedicação e determinação na construção de uma carreira científica e da enorme contribuição que deu para&nbsp;<strong>a compreensão dos ecossistemas marinhos</strong>. Mas, além disso, admiro seu esforço para criar uma comunidade, ajudar outras mulheres a ter voz não apenas em fóruns científicos, mas também em<strong> fóruns de discussão sobre políticas ambientais</strong>. Lisa Levin lutou incansavelmente para incluir o mar profundo nas tomadas de decisão e nas agendas internacionais de conservação e mudanças climáticas.</p><p>(<em>Mais sobre o tema:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/10/qual-e-o-lugar-mais-profundo-dos-oceanos-ele-se-parece-com-a-superficie-da-lua"><em>Qual é o lugar mais profundo dos oceanos? Ele se parece com a superfície da Lua</em></a>)</p><h2      id="header_3114503_0"><strong>Quanto dos oceanos os cientistas já conhecem?&nbsp;</strong></h2><p dir="ltr">Até junho de 2025, apenas&nbsp;<strong>27,3% do fundo marinho global havia sido mapeado&nbsp;</strong>com<strong> tecnologia moderna de alta resolução</strong>, que permite uma visualização mais detalhada, segundo o Escritório de Exploração e Pesquisa Oceânica da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) dos Estados Unidos. De fato, a Nasa (a agência espacial estadunidense) afirma que “<strong>existem mapas melhores da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2020/10/a-agua-na-superficie-da-lua-pode-ser-mais-abundante-do-que-imaginavamos"><strong>superfície lunar</strong></a><strong> do que do fundo oceânico na Terra</strong>”.</p><p dir="ltr">“<strong>Como mais de 90% do oceano é profundo</strong> (ou seja, tem&nbsp;<strong>mais de 200 metros de profundidade</strong>), grande p<strong>arte dele ainda precisa ser explorada</strong>”, reconhece a Noaa. Até o momento,&nbsp;<strong>os exploradores viram menos de 0,001% do fundo do mar</strong> profundo, continua a fonte.</p><p>Se considerarmos que&nbsp;<strong>uma parte enorme do oceano continua inexplorada&nbsp;</strong>e que&nbsp;<strong>a porcentagem de mulheres cientistas é baixa&nbsp;</strong>em todo o mundo,&nbsp;<strong>o trabalho de María Emília Bravo se torna ainda mais relevante</strong>. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres estão sub-representadas na pesquisa científica em nível global.<strong> Em 2022, apenas 31,1% dos pesquisadores eram mulheres</strong> e, segundo a Unesco, apenas 1 em cada 10 líderes em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês) é mulher.&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title>É possível usar IA para prever a queda de lama vulcânica mortal? Cientistas buscam alternativas para evitar tragédias</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/e-possivel-usar-ia-para-prever-a-queda-de-lama-vulcanica-mortal-cientistas-buscam-alternativas-para-evitar-tragedias</link><description><![CDATA[Empoleirado nas encostas instáveis ​​do Vulcão de Fogo, no oeste da Guatemala, o geólogo Gustavo Béjar López ouvia o pulsar de uma das montanhas mais inquietas do mundo enquanto cavava buracos para instalar sismógrafos. O Vulcão de Fogo, situado a uma altitude de mais de 3.600 metros, entra em erupção consistentemente a cada 15 a 20 minutos, lançando cinzas e partículas incandescentes no ar e...]]></description><category>Ciência</category><pubDate>Tue, 17 Mar 2026 10:25:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/e-possivel-usar-ia-para-prever-a-queda-de-lama-vulcanica-mortal-cientistas-buscam-alternativas-para-evitar-tragedias</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/ngma-42.jpg?w=1600" length="855221" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Empoleirado nas&nbsp;<strong>encostas instáveis ​​do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/video/tv/por-que-o-vulcao-da-guatemala-e-mais-mortal-que-o-do-havai"><strong>Vulcão de Fogo</strong></a>, no oeste da&nbsp;<strong>Guatemala</strong>, o&nbsp;<strong>geólogo Gustavo Béjar Lópe</strong>z ouvia o pulsar de uma das&nbsp;<strong>montanhas mais inquietas do mundo</strong> enquanto cavava buracos para instalar sismógrafos. O Vulcão de Fogo, situado a uma&nbsp;<strong>altitude de mais de 3.600 metros</strong>, entra em<strong> erupção consistentemente a cada 15 a 20 minutos</strong>, lançando cinzas e partículas incandescentes no ar e&nbsp;<strong>devastando a floresta tropical</strong> que cobre suas encostas íngremes.</p><p dir="ltr">“É difícil compreender a<strong> energia necessária</strong> para um<strong> vulcão continuar expelindo lava a cada 15 a 20 minutos</strong>”, comenta Béjar, que também é um&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/explorador-national-geographic-society-bootcamp-america-latina-brasil-colombia"><strong>Explorador&nbsp;</strong></a><strong>da&nbsp;</strong><em><strong>National Geographic</strong></em>. “Às vezes, você&nbsp;<strong>não consegue ver a cratera, mas ouve a explosão</strong> do vulcão, sente-a no peito e, em seguida, ouve rochas caindo.”</p><p dir="ltr">Embora suas&nbsp;<strong>explosões de baixa magnitude</strong> no dia a dia atraiam os excursionistas para o vulcão adormecido vizinho, Acatenango,<strong> o Vulcão de Fogo</strong> também é&nbsp;<strong>capaz de uma violência repentina e cataclísmica</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em junho de&nbsp;<strong>2018</strong>, por exemplo, uma&nbsp;<strong>erupção massiva lançou avalanches escaldantes de gás quente e lava</strong>, tão forte que&nbsp;<strong>devastou a cidade de San Miguel Los Lotes</strong> e ceifou centenas de vidas. Mas a&nbsp;<strong>ameaça imediata de erupções</strong> não foi o que levou Béjar às encostas do vulcão Fuego em 2021. Em vez disso, ele estava focado em&nbsp;<strong>outro perigo vulcânico mortal</strong> e pouco compreendido:&nbsp;<strong>os&nbsp;</strong><em><strong>lahares</strong></em>.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<em>lahares</em> são poderosos&nbsp;<strong>fluxos de lama, misturas de cinzas, detritos e água&nbsp;</strong>com a consistência de concreto molhado, que&nbsp;<strong>descem a encosta</strong> dos vulcões,&nbsp;<strong>escavando novos canais&nbsp;</strong>e transformando leitos de rios secos em condutos para<strong> fluxos de lama</strong> destrutivos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Agora,&nbsp;<strong>Béjar se uniu a cientistas locais na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2018/08/exploradores-sistema-vulcanico-guatemala-geologia-vulcao-domo-lava"><strong>Guatemala</strong></a> para&nbsp;<strong>pesquisar o uso de inteligência artificial</strong> na tentativa de&nbsp;<strong>detectar melhor os&nbsp;</strong><em><strong>lahares</strong></em><strong> — e salvar vidas</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Ciência, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/um-cranio-que-cabe-na-ponta-do-dedo-fossil-de-95-mm-achado-no-brasil-e-o-menor-da-america-do-sul"><em>Um crânio que cabe na ponta do dedo: fóssil de 9,5 mm achado no Brasil é o menor da América do Sul</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114431_0"><strong>Detecção de ameaças vulcânicas perigosas</strong></h2><p dir="ltr"><br>Embora<strong> menos conhecidos</strong> em comparação com as&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/06/erupcoes-vulcanicas-descubra-as-4-principais-consequencias-desse-evento-da-natureza"><strong>erupções vulcânicas</strong></a>, os&nbsp;<em><strong>lahares</strong></em><strong> são excepcionalmente perigosos</strong>. Uma&nbsp;<strong>erupção explosiva do vulcão Nevado del Ruiz</strong>, na<strong> Colômbia</strong>, em&nbsp;<strong>1985</strong>, ejetou dióxido de enxofre quente e rochas vulcânicas que derreteram as geleiras da montanha, desencadeando uma&nbsp;<strong>cascata de quatro grandes&nbsp;</strong><em><strong>lahares</strong></em>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Descendo as encostas a 48 Km/h</strong>, os enormes deslizamentos de lama rapidamente&nbsp;<strong>engoliram a vila de Armero</strong>, que ficava a 60 quilômetros de distância. É&nbsp;<strong>considerado o desastre vulcânico</strong> causado&nbsp;<strong>por lahar mais mortal da história</strong> registrada, matando pelo menos 20 mil pessoas.</p><p dir="ltr">Mas os<em>&nbsp;<strong>lahares</strong></em><strong> não precisam de uma erupção para acontecer</strong>. Em vez disso,&nbsp;<strong>o gatilho</strong> geralmente é&nbsp;<strong>uma forte chuva ou o derretimento da neve</strong>, agravado por uma&nbsp;<strong>inclinação acentuada</strong> e pequenos fragmentos de detritos soltos, tornando esses<strong> fluxos de lama uma ameaça</strong> significativa durante a estação chuvosa nos trópicos.&nbsp;</p><p dir="ltr">"<strong>Pode haver lahares acontecendo 200 anos após a última&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2024/06/erupcoes-vulcanicas-6-imagens-impressionantes-que-mostram-os-efeitos-desse-evento-da-natureza"><strong>erupção de um vulcão</strong></a>", explica Béjar, que cresceu no Equador. “Elas podem ser&nbsp;<strong>desencadeadas pelas mudanças climáticas</strong>, por meio do&nbsp;<strong>aumento das chuvas e até mesmo de furacões</strong>, como já aconteceu na Guatemala no passado.”</p><p dir="ltr">Esses&nbsp;<strong>deslizamentos de lama vulcânica</strong> têm sido&nbsp;<strong>objeto de estudo de Béjar</strong> desde que ele era estudante de doutorado na&nbsp;<em>Michigan Tech</em>, nos Estados Unidos. Ele queria resolver um problema crítico:&nbsp;<strong>os&nbsp;</strong><em><strong>lahares&nbsp;</strong></em><strong>são notoriamente difíceis de detectar em tempo real</strong>. Durante o&nbsp;<strong>pico da estação</strong> chuvosa na&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/02/exclusivo-megalopole-maia-e-revelada-sob-floresta-da-guatemala-por-varredura-de-laser"><strong>Guatemala</strong></a>, de maio a outubro, os<strong>&nbsp;</strong><em><strong>lahares&nbsp;</strong></em><strong>do Vulcão de Fogo podem ocorrer diariamente</strong>, mas apenas os muito grandes são relatados.</p><p dir="ltr">Historicamente, a&nbsp;<strong>detecção de&nbsp;</strong><em><strong>lahares</strong></em><strong> na montanha</strong> tem se baseado em uma combinação de&nbsp;<strong>monitoramento sísmico manual</strong> e raras&nbsp;<strong>confirmações visuais</strong> de observadores locais. Embora o Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia da Guatemala forneça avisos técnicos, o processo é frequentemente<strong> dificultado pela visibilidade limitada e pelo alto custo&nbsp;</strong>de equipamentos especializados.&nbsp;</p><p dir="ltr">"Isso significa que&nbsp;<strong>os</strong><em><strong> lahares</strong></em><strong> podem passar despercebidos&nbsp;</strong>ou podem ser detectados e verificados principalmente quando se aproximam de comunidades", explica Béjar.</p><p dir="ltr">Com&nbsp;<strong>financiamento da Fundação Nacional de Ciência e da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/fotografia/2025/12/as-melhores-fotos-do-ano-national-geographic-elege-as-imagens-de-2025-e-traz-cliques-de-brasileiros-na-lista"><em><strong>National Geographic Society</strong></em></a>, ele e sua equipe&nbsp;<strong>instalaram cinco estações sísmicas</strong> e utilizaram outras quatro já existentes em diferentes altitudes&nbsp;<strong>no vulcão Fuego</strong>. A&nbsp;<strong>escalada foi desafiadora</strong>, com o peso das baterias de carro para alimentar as estações e outros equipamentos, o que tornava a subida ainda mais difícil.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em cada estação, precisavam cavar um buraco de um metro de profundidade para colocar o pesado sensor cilíndrico. “Começávamos com uma pequena pá e, em certo ponto, passamos a usar apenas as mãos, o que era muito incômodo, pois&nbsp;<strong>o solo ali é cheio de cinzas, areia e troncos grandes</strong>.”</p><p dir="ltr"><strong>Os sismômetros</strong>, diz Béjar, “<strong>são como microfones para o solo</strong>”. Eles&nbsp;<strong>detectam vibrações não apenas provenientes do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/07/qual-e-o-vulcao-mais-perigoso-do-mundo"><strong>vulcão</strong></a>, mas também da vegetação superficial que se move com o vento, ruídos mecânicos gerados nas proximidades e até mesmo os passos de pessoas caminhando.&nbsp;<strong>No caso de&nbsp;</strong><em><strong>lahares</strong></em>, os sismômetros&nbsp;<strong>detectam a energia&nbsp;</strong>gerada quando um<strong> fluxo de lama interage com o caminho</strong> que percorre.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/12/vulcoes-em-erupcao-como-se-formam-e-quais-tipos-existem"><em>Vulcões em erupção: como se formam e quais tipos existem</em></a>)</p><p dir="ltr">Esses&nbsp;<strong>sinais forneceram a Béjar registros digitais do tamanho, velocidade e concentração de sedimentos dos fluxos</strong>. Ele&nbsp;<strong>otimizou e adaptou um algoritmo</strong> de aprendizado de máquina chamado&nbsp;<em>K-Nearest Neighbors&nbsp;</em>(KNN) para comparar os novos pontos de&nbsp;<strong>dados sísmicos com um conjunto de dados</strong> de treinamento selecionado de eventos previamente classificados como "lahar" e "não-lahar".</p><p dir="ltr"><strong>O vulcão Fuego é um bom campo de treinamento para um&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/a-ficcao-cientifica-alertava-que-a-ia-poderia-acabar-com-a-humanidade-em-breve-descobriremos-se-isso-e-possivel"><strong>algoritmo</strong></a><strong>&nbsp;</strong>porque as características sísmicas dos<em> lahars</em> nessa montanha permaneceram relativamente&nbsp;<strong>estáveis ​​ao longo de vários anos</strong>. Anteriormente, os pesquisadores acreditavam que a relação entre a frequência do sinal e o tipo de&nbsp;<em>lahar</em> era definida principalmente pela&nbsp;<strong>concentração de sedimentos, tamanho dos grãos e forma como flui</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>O estudo de Béjar</strong>, publicado recentemente,&nbsp;<strong>corrobora essa ideia</strong>. Vibrações de baixa frequência, por exemplo, estão associadas a fluxos com&nbsp;<strong>grande quantidade de sedimentos</strong>, que se movem mais lentamente e carregam blocos maiores ao longo do caminho da avalanche.</p><p dir="ltr">“Quando os&nbsp;<em><strong>lahares</strong></em> são significativamente&nbsp;<strong>grandes, o sinal pode ser detectado até 20 minutos antes</strong> do deslizamento de lama atingir a estação de monitoramento”, afirma Béjar. Ele alerta que tudo&nbsp;<strong>isso depende da capacidade da IA ​​de distinguir corretamente um&nbsp;</strong><em><strong>lahar</strong></em> de outro tipo de evento vulcânico gerado dentro da montanha. Até então, o algoritmo foi muito&nbsp;<strong>bom em sinalizar lahares de médio e grande porte</strong>, mas ainda teve dificuldades para identificar os menores.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/04/as-7-erupcoes-vulcanicas-mais-mortais-do-mundo"><em>As 7 erupções vulcânicas mais mortais do mundo</em></a>)</p><h2 dir="ltr"  id="header_3114438_0"><strong>Os&nbsp;</strong><em><strong>lahares</strong></em><strong> representam ameaças que vão além da Guatemala</strong></h2><p dir="ltr"><br>O&nbsp;<strong>KNN é fácil de usar</strong>, requer poder de&nbsp;<strong>processamento mínimo</strong> e pode ser implementado em computadores de baixo custo utilizando redes de monitoramento sísmico já existentes. Isso o torna uma<strong> solução ideal para regiões com recursos limitados</strong>, como a Guatemala. Béjar afirma que&nbsp;<strong>o instituto guatemalteco planeja incorporar o algoritmo&nbsp;</strong>ao seu sistema de monitoramento ainda este ano.&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>A ideia é que o trabalho que realizamos na Guatemala possa beneficiá-los diretamente&nbsp;</strong>como parceiros do projeto.”</p><p dir="ltr">Mas suas&nbsp;<strong>implicações vão muito além&nbsp;</strong>das encostas do Vulcão de Fogo.&nbsp;<strong>Vulcões candidatos para o uso de IA&nbsp;</strong>incluem o&nbsp;<strong>Monte Rainier</strong>, próximo a Seattle, nos Estados Unidos,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/08/os-4-vulcoes-da-america-latina-que-voce-precisa-conhecer"><strong>e o Cotopaxi</strong></a>, perto de Quito, no&nbsp;<strong>Equador</strong>, pois&nbsp;<strong>ambos compartilham</strong> o mesmo potencial para a formação de<strong> fluxos de lama perigosos</strong>. Béjar espera um dia colaborar com outros geólogos e testar seu sistema baseado em IA nesses e em outros vulcões.</p><p dir="ltr">E Béjar, que atualmente é<strong> professor visitante no&nbsp;</strong><em><strong>Albion College</strong></em>, em Michigan, Estados Unidos,&nbsp;<strong>não é o único a trabalhar com inteligência artificial em&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/02/ela-se-apaixonou-pelos-vulcoes-e-mudou-a-forma-de-como-eles-sao-encarados-pela-ciencia"><strong>vulcanologia</strong></a>, embora acredite ser o&nbsp;<strong>primeiro a fazê-lo com os&nbsp;</strong><em><strong>lahares</strong></em> do Vulcão de Fogo.</p><p dir="ltr">A<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/03/quem-inventou-a-inteligencia-artificial-veja-como-nasceu-uma-das-sensacoes-da-ciencia"><strong>inteligência artificial</strong></a><strong> está sendo cada vez mais utilizada&nbsp;</strong>como&nbsp;<strong>ferramenta automatizada no estudo de vulcões</strong> — desde o uso de aprendizado profundo no reconhecimento de padrões até a exploração de&nbsp;<strong>sistemas de alerta precoce</strong>, modelagem preditiva,&nbsp;<strong>monitoramento espacial</strong> e compreensão do funcionamento interno dessas montanhas.</p><p dir="ltr">Para Béjar, é uma forma de continuar visitando vulcões, enquanto realiza&nbsp;<strong>um trabalho benéfico e significativo</strong>. “Minha aspiração é conectar-me com outros cientistas e organizações para&nbsp;<strong>trabalharmos juntos</strong> e&nbsp;<strong>modernizarmos essas ferramentas de prevenção de riscos</strong>, não apenas para os&nbsp;<em>lahares</em>, mas para a infinidade de outras&nbsp;<strong>ameaças vulcânicas às quais a sociedade está exposta hoje</strong>.”</p><p>** A<em><strong> National Geographic Society</strong></em>, uma organização sem fins lucrativos dedicada a revelar e proteger as maravilhas do nosso mundo, financiou o trabalho do Explorador Gustavo Béjar López.</p>]]></content:encoded></item><item><title>O que os irlandeses realmente comem no St. Patrick's Day? Pois nem só a cerveja faz parte da tradição desta festa</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2026/03/o-que-os-irlandeses-realmente-comem-no-st-patricks-day-pois-nem-so-a-cerveja-faz-parte-da-tradicao-desta-festa</link><description><![CDATA[Prontos para mais uma rodada de cerveja verde e carne cozida com repolho? Pois é, o Dia de São Patrício (ou St. Patrick’s Day, seu nome em inglês mais conhecido mundialmente) não precisa ser uma data só “recheada” de comida para turistas. Na verdade, a qualidade da culinária irlandesa de verdade vai além dos clichês e cada vez mais pessoas podem descobrir que a ilha tem muito mais a oferecer em...]]></description><category>Cultura</category><pubDate>Mon, 16 Mar 2026 17:02:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2026/03/o-que-os-irlandeses-realmente-comem-no-st-patricks-day-pois-nem-so-a-cerveja-faz-parte-da-tradicao-desta-festa</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/st-patricks-day-celebrations-in-dublin-2.jpg?w=1600" length="1201299" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Prontos para mais uma&nbsp;<strong>rodada de cerveja verde</strong> e&nbsp;<strong>carne cozida</strong> com repolho? Pois é, o&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/quem-foi-sao-patricio-e-por-que-seu-dia-e-comemorado"><strong>Dia de São Patrício</strong>&nbsp;</a>(ou&nbsp;<em><strong>St. Patrick’s Day</strong></em>, seu nome em inglês mais conhecido mundialmente) não precisa ser uma data só “recheada” de&nbsp;<strong>comida para turistas</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Na verdade, a qualidade da&nbsp;<strong>culinária irlandesa</strong> de verdade vai&nbsp;<strong>além dos clichês</strong> e cada vez mais pessoas podem descobrir que a ilha tem muito&nbsp;<strong>mais a oferecer em sabor&nbsp;</strong>para comemorar&nbsp;<strong>sua festividade mais famosa</strong> no mundo todo.</p><p dir="ltr">Durante séculos,&nbsp;<strong>na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2021/05/seguindo-o-rastro-da-lendaria-rainha-pirata-da-irlanda"><strong>Irlanda</strong></a>, o feriado de&nbsp;<strong>17 de março</strong>, que&nbsp;<strong>celebra o santo padroeiro do país</strong>, era uma ocasião bastante sóbria, conta&nbsp;<strong>Darina Allen</strong>, autora de livros de culinária, chef e&nbsp;<strong>proprietária da Escola de Culinária Ballymaloe&nbsp;</strong>em Shanagarry, no Condado de&nbsp;<strong>Cork, Irlanda</strong>.</p><p dir="ltr">“<strong>Era muito mais uma festa religiosa</strong>. Antes as pessoas comemoravam mais tranquilamente,&nbsp;<strong>iam à missa</strong>, usavam um&nbsp;<strong>trevo de quatro folhas</strong>, havia também a&nbsp;<strong>dança irlandesa</strong> e, às vezes, um&nbsp;<strong>desfile</strong>”, explica ela ao antigo blog da&nbsp;<em>NatGeo</em>,&nbsp;<em>The Plate</em>.</p><p dir="ltr">(Leia também:&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/a-origem-da-salada-caesar-nada-tem-a-ver-com-o-imperio-romano-mas-envolve-uma-disputa-entre-irmaos"><em>A origem da salada Caesar nada tem a ver com o Império Romano, mas envolve uma disputa entre irmãos</em></a>)</p><h2 dir="ltr"      id="header_3114413_0"><strong>A comida típica irlandesa do Dia de São Patrício</strong></h2><p dir="ltr"><br>Na verdade, até poucos anos atrás, poucos restaurantes na Irlanda ofereciam&nbsp;<strong>menus especiais para o</strong>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/conheca-quatro-curiosidades-sobre-o-dia-de-sao-patricio"><strong>St. Patrick’s Day</strong></a>. "Infelizmente, muitas vezes&nbsp;<strong>era uma decepção para quem vinha à Irlanda comemorar</strong>", comenta a chef de cozinha.</p><p dir="ltr">Foram&nbsp;<strong>os próprios irlandeses que imigraram</strong> para os Estados Unidos que&nbsp;<strong>transformaram o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/de-duendes-a-cerveja-verde-conheca-cinco-simbolos-do-dia-de-sao-patricio"><strong>Dia de São Patrício</strong></a><strong> em um grande feriado</strong>, preparando em casa o que antes era&nbsp;<strong>um prato caro</strong> — a<strong> carne cozida com repolho</strong> — e, eventualmente, expandindo a celebração para diversos&nbsp;<strong>festivais, gravatas verdes</strong>, muita cerveja e pelo menos&nbsp;<strong>um rio tingido de esmeralda</strong> (comumente, em Chicago).</p><p dir="ltr">Mas os&nbsp;<strong>promotores de turismo irlandeses&nbsp;</strong>começaram a perceber que&nbsp;<strong>celebrar o St. Patrick’s Day</strong> poderia ajudá-los a&nbsp;<strong>contar a história do país</strong>, diz Allen.<strong> A Irlanda está por trás dos planos</strong> para a iluminação verde-esmeralda de&nbsp;<strong>160 pontos turísticos</strong> mundiais. "Há alguns anos, seria uma ostentação demais. Mas hoje em dia, as pessoas estão entrando na&nbsp;<strong>parte divertida da coisa</strong>", afirma.</p><p dir="ltr"><strong>Os irlandeses estão abraçando o espírito do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/03/st-patrick-realmente-expulsou-as-cobras-da-irlanda"><strong>Dia de São Patrício</strong></a>, mas não espere que eles façam concessões na comida.</p><p dir="ltr">"<strong>Carne cozida enlatada com repolho não reflete</strong> em nada o que está acontecendo na&nbsp;<strong>culinária irlandesa atualmente</strong>", explica a chef Allen. Sua<strong> escola de culinária</strong> está organiza um&nbsp;<strong>jantar de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/conheca-quatro-curiosidades-sobre-o-dia-de-sao-patricio"><strong>Dia de São Patrício</strong></a>, com pratos criativos como "dedos" de barriga de<strong> cordeiro irlandês&nbsp;</strong>fritos e&nbsp;<strong>frango orgânico cozido</strong> lentamente com estragão,&nbsp;<em>colcannon</em> (purê de batatas com couve), cenouras assadas e&nbsp;<strong>croquete de cheddar irlandês com ervas</strong>.</p><p dir="ltr">"Agora que&nbsp;<strong>as pessoas viajam mais</strong>, elas conhecem nossa comida, principalmente&nbsp;<strong>buscam pelos produtos frescos</strong>, por causa da nossa estação de cultivo e da abundância de chuvas. As pessoas dizem: '<strong>Uma cenoura tem gosto de cenoura</strong>!'"</p><p dir="ltr">Deixando de lado a apreciação pelos produtos frescos,&nbsp;<strong>ela discorda do que os estadunidenses chamam de pão de soda irlandês</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">"O pão de soda de vocês&nbsp;<strong>não é o que reconhecemos como o autêntico irlandês</strong>", afirma Allen. Isso porque a versão norte-americana é incrementada com passas e sementes de alcaravia.</p><p dir="ltr">"<strong>É delicioso, mas não é</strong> “<em><strong>Irish soda bread</strong></em>”. Aqui, chamamos isso de '<em>spotted dog</em>'", explica. Allen compartilha, a seguir,&nbsp;<strong>sua receita de pão de soda autêntico</strong>&nbsp;<strong>irlandês</strong>, caso você esteja se sentindo com sorte e queira celebrar o St. Patrick’s Day desse ano de forma mais tradicional.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/03/st-patricks-day-como-o-duende-leprechaun-e-o-folclore-irlandes-representam-a-data"><em>St. Patrick's Day: como o duende Leprechaun e o folclore irlandês representam a data</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114422_0"><strong>Os pães tradicionais do Dia de São Patrício:&nbsp;</strong><em><strong>Irish soda bread</strong></em><strong> e&nbsp;</strong><em><strong>scones</strong></em></h2><p dir="ltr"><br>O&nbsp;<em><strong>Irish soda bread</strong></em> (pão de soda irlandês) leva apenas<strong> 2 ou 3 minutos para preparar</strong> e depois, cerca de&nbsp;<strong>30 a 40</strong> minutos para assar.</p><p dir="ltr">Ingredientes:&nbsp;</p><p dir="ltr">450 g de farinha de trigo branca,</p><p dir="ltr">1 colher de chá rasa de sal,</p><p dir="ltr">1 colher de chá rasa de bicarbonato de sódio,</p><p dir="ltr">Leite azedo para misturar, com aproximadamente 350-400 ml de bicarbonato de sódio,</p><p dir="ltr">Pré-aqueça o forno a 230ºC.</p><p dir="ltr">Modo de Fazer:&nbsp;</p><p dir="ltr">Peneire os ingredientes secos e faça um buraco no centro da mistura. Despeje a maior parte do leite de uma só vez. Com uma das mãos, misture a farinha das laterais da tigela, adicionando mais leite se necessário. A massa deve ficar macia, não muito úmida e pegajosa. Quando estiver homogênea, transfira para uma superfície enfarinhada.</p><p dir="ltr">Depois, com as mãos lavadas e secas, ajeite a massa e vire-a delicadamente. Achate a massa formando um círculo com cerca de 2,5 cm de altura e faça um corte em cruz no meio. Certifique-se de que os cortes ultrapassem as laterais do pão.&nbsp;</p><p dir="ltr">Asse em forno quente, a 230ºC por 15 minutos. Em seguida, reduza a temperatura do forno para 200ºC e asse por cerca de 40 minutos ou até que o pão esteja suficientemente assado. Na dúvida, bata na parte de baixo do pão: se estiver cozido, o som deve ser oco.</p><h2 class="h3"   id="header_3114422_1"><strong>Scones de Soda Branca</strong></h2><p dir="ltr">Prepare a massa da mesma forma como indicada acima, mas após a mistura ficar pronta, achate-a em um círculo com aproximadamente 2,5 cm de altura. Corte em formato de&nbsp;<em>scones</em>. Asse-os por cerca de 20 minutos em forno quente (veja acima).</p><h2 class="h3"   id="header_3114422_2"><strong>Pão de Soda Integral</strong></h2><p dir="ltr">Substitua metade da farinha branca da receita acima por farinha integral e siga as instruções da mesma forma.</p><p>**&nbsp;<em><strong>April Fulton</strong></em> era a blogueira sênior do<em> The Plate</em>.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Aranhas podem usar vaga-lumes machos como isca viva, imitando um “chamado de acasalamento” mortal</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/aranhas-podem-usar-vaga-lumes-machos-como-isca-viva-imitando-um-chamado-de-acasalamento-mortal</link><description><![CDATA[As aranhas desenvolveram uma impressionante variedade de técnicas de caça — desde prender suas presas com saliva até construir teias fortes o suficiente para capturar cobras. Agora, pesquisadores descobriram uma tática particularmente maliciosa que algumas aranhas tecelãs podem usar para atrair vaga-lumes para suas teias.Um novo estudo publicado na revista científica “Current Biology” descobriu...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Mon, 16 Mar 2026 14:18:30 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/aranhas-podem-usar-vaga-lumes-machos-como-isca-viva-imitando-um-chamado-de-acasalamento-mortal</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/araneusventricosus.jpg?w=1600" length="284535" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">As&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/01/conheca-mitos-e-verdades-sobre-aranhas-segundo-especialistas"><strong>aranhas</strong></a><strong> desenvolveram&nbsp;</strong>uma<strong> impressionante variedade de técnicas de caça</strong> — desde&nbsp;<strong>prender suas presas com saliva&nbsp;</strong>até&nbsp;<strong>construir teias fortes&nbsp;</strong>o suficiente para&nbsp;<strong>capturar cobras</strong>. Agora, pesquisadores descobriram&nbsp;<strong>uma tática particularmente maliciosa&nbsp;</strong>que algumas&nbsp;<strong>aranhas tecelãs podem usar&nbsp;</strong>para&nbsp;<strong>atrair vaga-lumes&nbsp;</strong>para suas teias.</p><p dir="ltr">Um novo estudo publicado na revista científica&nbsp;<em>“Current Biology”</em>&nbsp;<strong>descobriu que algumas aranhas parecem manipular os sinais luminosos dos vaga-lumes machos&nbsp;</strong>que&nbsp;<strong>capturaram&nbsp;</strong>em suas teias&nbsp;<strong>para imitar os sinais das fêmeas</strong>. Esse&nbsp;<strong>brilhante&nbsp;</strong>“<strong>chamado de amor</strong>”, por assim dizer,&nbsp;<strong>atrai outros vaga-lumes machos para a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/01/o-que-as-teias-de-aranha-mais-estranhas-da-terra-estao-ensinando-aos-cientistas"><strong>teia da aranha</strong></a>, assim&nbsp;<strong>como o canto das sereias atrai os marinheiros</strong> para a morte.</p><p dir="ltr">A ideia de que&nbsp;<strong>as aranhas adiam uma refeição para usar suas presas como isca&nbsp;</strong>é, por si só,&nbsp;<strong>intrigante</strong>, diz Dinesh Rao, pesquisador da Universidade Veracruzana que revisou o artigo, mas não participou do estudo. “As aranhas estão sempre com fome, certo? Então, dizer ‘Ok, não vou comer este vaga-lume agora e vou esperar pelo próximo’ é [...] muito interessante.”</p><p dir="ltr">Mas, embora Rao e outros especialistas concordem que&nbsp;<strong>algo está mudando os padrões de flash dos machos em cativeiro</strong>, eles afirmam que&nbsp;<strong>são necessárias mais pesquisas</strong> para determinar&nbsp;<strong>se as aranhas estão realmente por trás disso&nbsp;</strong>— e como elas conseguiriam fazê-lo.</p><p>(<em>Você pode se interessar por: Os X datos sobre el Guanaco, el camelideo más antíguo de América del Sur, que vive en la Patagonia</em>)</p><h2      id="header_3114401_0"><strong>Quando as aranhas emitem “um chamado de amor mortal”</strong></h2><p dir="ltr">Enquanto o<strong>bservava teias de aranha&nbsp;</strong>em campo em 2004 durante sua pesquisa de doutorado, Xinhua Fu, pesquisador de vaga-lumes da Universidade Agrícola de Huazhong, na China, e principal autor do estudo, notou algo peculiar:&nbsp;<strong>apenas vaga-lumes machos eram capturados nas armadilhas mortais das aranhas</strong>. Ainda mais estranho,&nbsp;<strong>alguns machos presos emitiam sinais luminosos semelhantes aos das fêmeas</strong>.</p><p dir="ltr">As aranhas tinham algo a ver com esse fenômeno?</p><p dir="ltr">Para investigar, Fu e sua equipe partiram para uma vila perto de Wuhan, na China, em uma área de terras agrícolas pontilhada por arrozais e lagoas. Lá, eles decidiram&nbsp;<strong>estudar a&nbsp;</strong><em><strong>Araneus ventricosus</strong></em><strong>, uma espécie comum de aranha tecelã&nbsp;</strong>que&nbsp;<strong>tece uma nova teia todas as noites</strong>, quando&nbsp;<strong>os vaga-lumes também se tornam ativos</strong>.</p><p dir="ltr">A equipe capturou vaga-lumes machos com redes e os colocou nas teias de aranha usando pinças finas.&nbsp;<strong>Usando câmeras de vídeo, os pesquisadores observaram o que acontecia nas teias em diferentes cenários</strong>.</p><p dir="ltr">Quando um vaga-lume macho era preso na teia,&nbsp;<strong>a aranha primeiro o envolvia e depois o mordia no tórax</strong>,<strong> injetando uma pequena quantidade de veneno</strong>, explicou Fu à&nbsp;<em>National Geographic&nbsp;</em>em um e-mail. Depois disso,&nbsp;<strong>a aranha deixava o vaga-lume macho no meio da teia</strong> e&nbsp;<strong>se escondia na margem</strong>.</p><p dir="ltr">Logo,&nbsp;<strong>o vaga-lume preso começou a produzir sinais luminosos semelhantes aos das fêmeas&nbsp;</strong>— que consistem em&nbsp;<strong>flashes de pulso único</strong> —&nbsp;<strong>atraindo outros vaga-lumes&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/01/armas-dancas-e-assassinatos-entre-no-mundo-selvagem-dos-insetos-e-seus-namoros"><strong>machos</strong>&nbsp;<strong>em busca de uma parceira</strong></a> para a teia. Quando o vaga-lume parou de piscar, a aranha repetiu a operação. Fu diz que&nbsp;<strong>todo o processo geralmente durava duas horas</strong>,&nbsp;<strong>após as quais a aranha começava a se banquetear com sua presa</strong>.</p><p dir="ltr">Fu diz que&nbsp;<strong>a equipe ficou surpresa com o comportamento</strong>, já que&nbsp;<strong>as aranhas são conhecidas por terem uma visão deficiente</strong>. Apesar disso, ele diz, parece que elas “ainda conseguem detectar diferentes padrões e intensidades de flash”.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/02/aranhas-mortais-as-5-especies-mais-perigosas-desses-aracnideos-do-mundo"><em>Aranhas mortais: as 5 espécies mais perigosas desses aracnídeos do mundo</em></a>)</p><h2      id="header_3114402_0"><strong>Pesquisadores buscam mais evidências para explicar o comportamento das aranhas&nbsp;</strong></h2><p dir="ltr">Mas&nbsp;<strong>o que realmente causou a mudança nos sinais luminosos dos vaga-lumes</strong>? Fu e sua equipe de pesquisadores levantaram&nbsp;<strong>a hipótese de que as aranhas estavam manipulando os sinais luminosos dos vaga-lumes&nbsp;</strong>de alguma forma — talvez, especulam eles, por meio de seu veneno.</p><p dir="ltr">Mas&nbsp;<strong>são necessárias mais evidências&nbsp;</strong>para apoiar essa hipótese.</p><p dir="ltr">“No geral, o artigo é muito interessante”, diz Rao. “A única coisa que não me convence totalmente é se a aranha está realmente fazendo algo para alterar o piscar dos vaga-lumes machos.” Ele observa que<strong> seria necessário um estudo neurobiológico para entender</strong> “o que exatamente está causando a mudança”.</p><p dir="ltr">Kathryn M. Nagel, candidata a doutorado especializada em comportamento de aranhas na Universidade da Califórnia, em Berkeley, concorda. “<strong>Parece que algo está alterando os sinais</strong>, mas&nbsp;<strong>as evidências fornecidas neste estudo não são suficientes para identificar o que especificamente está causando as mudanças</strong>”, escreve ela em um e-mail, acrescentando que&nbsp;<strong>“são necessárias mais pesquisas para determinar se as ações da aranha</strong> [...] estão manipulando diretamente o comportamento de sinalização”.</p><p dir="ltr"><em>(Leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/05/escorpioes-tubaroes-e-ate-esquilos-por-que-tantos-animais-brilham-na-luz-uv"><em>Escorpiões, tubarões e até esquilos: por que tantos animais "brilham" na luz UV?</em></a><em>)</em></p><p dir="ltr">Como próximo passo, Fu diz que&nbsp;<strong>ele e sua equipe gostariam de estudar</strong> “<strong>como o veneno da aranha afeta o controle do piscar dos vaga-lumes</strong>”.</p><p dir="ltr">As&nbsp;<strong>aranhas são conhecidas por usar mimetismo e sinais enganosos para capturar presas</strong>.&nbsp;Algumas espécies de aranhas que caçam outras aranhas, por exemplo, manipulam “sinais da teia para imitar presas capturadas, a fim de atrair a aranha presa para elas”, diz Nagel.</p><p>“Muitas vezes,&nbsp;<strong>os artrópodes são considerados organismos ‘simples’</strong>, sem comportamentos sofisticados,&nbsp;<strong>mas isso não é verdade</strong>”, afirma Nagel. “Este estudo, assim como outros semelhantes, destaca como organismos anteriormente menosprezados são capazes de comportamentos complexos e como&nbsp;<strong>ainda temos muito a aprender sobre o comportamento das aranhas</strong>.”</p>]]></content:encoded></item><item><title>Além de Machu Picchu: descubra as 5 maravilhas menos conhecidas no Peru</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/03/alem-de-machu-picchu-descubra-as-5-maravilhas-menos-conhecidas-no-peru</link><description><![CDATA[A maioria dos viajantes que visitam o Peru pela primeira vez segue direto para a Trilha Inca, Vale Sagrado e Machu Picchu, talvez fazendo uma pausa na bela capital Lima, para saborear um bom ceviche fresco, mas raramente se aventuram além. No entanto, para além dos caminhos mais famosos internacionalmente, existe uma grande variedade de cidades e paisagens ainda pouco conhecidas no Peru — uma...]]></description><category>Viagem</category><pubDate>Fri, 13 Mar 2026 20:01:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/03/alem-de-machu-picchu-descubra-as-5-maravilhas-menos-conhecidas-no-peru</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/amanecer_en_el_lago_titicaca_peru.jpg?w=1600" length="978267" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A maioria dos&nbsp;<strong>viajantes que visitam o Peru pela primeira vez&nbsp;</strong>segue direto para a&nbsp;<strong>Trilha Inca, Vale Sagrado e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/07/os-4-fatos-curiosos-por-tras-de-machu-picchu-um-dos-lugares-mais-emblematicos-do-peru"><strong>Machu Picchu</strong></a>, talvez fazendo uma&nbsp;<strong>pausa na bela capital Lima</strong>, para saborear um bom&nbsp;<strong>ceviche fresco</strong>, mas raramente se aventuram além.&nbsp;</p><p dir="ltr">No entanto,&nbsp;<strong>para além dos caminhos mais famosos&nbsp;</strong>internacionalmente, existe uma grande<strong> variedade de cidades e paisagens&nbsp;</strong>ainda<strong> pouco conhecidas no&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/11/misterio-inca-por-que-eles-cavaram-milhares-de-buracos-em-uma-montanha-do-peru-ha-mil-anos"><strong>Peru</strong></a> — uma riqueza de belezas naturais e históricas, que vai de<strong> vulcões nevados</strong> e&nbsp;<strong>cânions escarpados</strong> a<strong> ilhas flutuantes</strong> e também, o&nbsp;<strong>lago navegável mais alto do mundo</strong>.</p><p dir="ltr">“Como peruano, acredito que&nbsp;<strong>a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem-e-aventura/2017/10/conheca-a-cordilheira-branca-o-himalaia-peruano"><strong>magia do Peru</strong></a> reside não apenas em seus locais icônicos, mas também em cidades menores e&nbsp;<strong>paisagens remotas onde as tradições prosperam</strong> e ainda moldam o cotidiano. Onde os viajantes podem<strong> ir além dos roteiros tradicionais</strong>, explorando o&nbsp;<strong>patrimônio histórico</strong>, a cultura rural e as&nbsp;<strong>práticas agrícolas seculares</strong> que permanecem vivas”, afirma<strong> Lorenzo Masías</strong>, diretor comercial da&nbsp;<em>Andean</em>, uma empresa familiar de turismo especializada em&nbsp;<strong>viagens imersivas pelo Peru</strong>.</p><p dir="ltr">Conheça,a seguir,&nbsp;<strong>cinco destinos</strong> que não apenas oferecem encontros autênticos,&nbsp;<strong>experiências sustentáveis</strong> ​​e uma&nbsp;<strong>conexão mais profunda&nbsp;</strong>com o país, como também ajudam a combater o&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2024/07/o-que-e-turismo-de-massa-ou-turismo-em-excesso-e-quais-problemas-ele-vem-causando-pelo-mundo"><strong>turismo excessivo</strong></a> (de massa) no&nbsp;<strong>Peru</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Viagens, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/as-14-praias-iconicas-para-visitar-pelo-menos-uma-vez-na-vida-eleitas-pela-national-geographic"><em>As 14 praias icônicas para visitar pelo menos uma vez na vida, eleitas pela National Geographic</em></a>)</p><h2 dir="ltr"              id="header_3114407_0"><strong>1. Arequipa, a bela “Cidade Branca” do Peru</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>segunda maior cidade do Peru</strong>,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/12/qual-e-o-vulcao-ativo-mais-alto-do-mundo-e-onde-ele-fica"><strong>Arequipa</strong></a><strong> é cercada por</strong>&nbsp;<strong>cinco vulcões</strong>, com o cone nevado de&nbsp;<strong>El Misti&nbsp;</strong>dominando a paisagem. A luz do sol reflete na<strong> pedra&nbsp;</strong><em><strong>sillar</strong></em><strong> branca</strong> (um tipo de&nbsp;<strong>rocha vulcânica)</strong>&nbsp;<strong>que define a arquitetura&nbsp;</strong>colonial da cidade, conferindo-lhe o&nbsp;<strong>título de "Cidade Branca"</strong> e o reconhecimento como&nbsp;<strong>Patrimônio Mundial da Unesco</strong> (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).</p><p dir="ltr">Em seu&nbsp;<strong>centro</strong>, a pitoresca&nbsp;<strong>Plaza de Armas</strong>, uma praça pública, é emoldurada por<strong> palmeiras e elegantes varandas&nbsp;</strong>com arcadas. Em sua extremidade norte ergue-se&nbsp;<strong>a Basílica Catedral</strong>, uma&nbsp;<strong>obra-prima neoclássica</strong> que é toda esculpida em&nbsp;<strong>pedra sillar</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Também no centro de Arequipa, se encontra a<strong> Igreja de La Compañía de Jesús</strong>, datada de&nbsp;<strong>1590</strong>, é adornada com intrincadas&nbsp;<strong>esculturas barrocas mestiça</strong>s — uma&nbsp;<strong>fusão da arte europeia e indígena</strong> que se estende por toda a sua fachada.</p><p dir="ltr">Percorra<strong> as ruas estreitas&nbsp;</strong>e calcetadas, pintadas em&nbsp;<strong>vibrantes tons de cobalto, terracota e açafrão</strong>, passando por conjuntos de celas de freiras,&nbsp;<strong>claustros e pátios floridos no Mosteiro de Santa Catalina</strong>, uma extensa cidadela murada frequentemente descrita como uma&nbsp;<strong>cidade dentro de outra cidade</strong>. Já o&nbsp;<strong>convento de Santa Teresa</strong>, ainda em funcionamento, funciona também como&nbsp;<strong>um museu vivo</strong>, exibindo séculos de<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2023/08/os-10-museus-no-brasil-para-aprender-mais-sobre-historia-e-arte"><strong>arte sacra</strong></a> e, ao mesmo tempo, mantendo o ritmo da vida monástica.</p><p dir="ltr">Faça uma v<strong>iagem no tempo no claustro do século 16</strong> transformado no hotel&nbsp;<em>CIRQA Relais &amp; Châteaux</em>, com suas paredes de&nbsp;<strong>pedra vulcânica, tetos abobadados e lustres de ferro</strong> forjado. O aroma de palo santo perfuma os corredores. O terraço na cobertura, sombreado por toldos brancos, oferece&nbsp;<strong>vistas deslumbrantes</strong> do horizonte histórico e dos&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/12/vulcoes-em-erupcao-como-se-formam-e-quais-tipos-existem"><strong>vulcões&nbsp;</strong></a><strong>ao redor</strong>, que brilham ao entardecer.</p><p dir="ltr">Nas proximidades, o&nbsp;<strong>Mercado San Camilo captura o ritmo da vida&nbsp;</strong>cotidiana. Seus corredores transbordam de<strong> tecidos de alpaca feitos à mão</strong>, chapéus de&nbsp;<strong>palha do sul do Peru</strong> e estatuetas de&nbsp;<strong>Ekeko, o deus andino</strong> da abundância, que carrega mercadorias em miniatura simbolizando prosperidade. As barracas estão repletas de produtos locais: pirâmides de&nbsp;<strong>frutas amazônicas</strong>, feixes de&nbsp;<strong>ervas medicinais</strong> e uma variedade impressionante das&nbsp;<strong>4 mil variedades de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/09/comer-batata-ja-foi-proibido-a-historia-de-como-ela-passou-de-banida-a-adorada-no-mundo"><strong>batata</strong></a><strong> do Peru</strong>.</p><p dir="ltr">As&nbsp;<strong>tradições culinárias de Arequipa</strong> refletem a riqueza da cidade. Entre os&nbsp;<strong>pratos clássicos</strong> estão o<em><strong> rocoto relleno</strong></em>, um pimentão vermelho picante recheado com carne e queijo; os&nbsp;<em><strong>camarones al estilo arequipeño</strong></em>, lagostins de rio preparados em ensopados substanciosos ou ceviche quente; e a&nbsp;<strong>sobremesa favorita da cidade</strong>, o&nbsp;<em><strong>queso helado</strong></em>, um doce gelado de queijo aromatizado com canela e coco, batido à mão em barris de madeira e&nbsp;<strong>servido nas praças</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2024/06/bem-perto-de-cusco-no-peru-conheca-o-vale-sagrado-dos-incas"><em>Bem perto de Cusco, no Peru: conheça o Vale Sagrado dos Incas</em></a>)</p><h2 dir="ltr"           id="header_3114363_0"><strong>2. Yanque, cidade escondida entre as montanhas andinas</strong></h2><p dir="ltr"><br>Chegar à&nbsp;<strong>cidade&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/02/como-salvar-as-alpacas-das-mudancas-climaticas-na-altitude-peruana"><strong>andina</strong></a><strong> de Yanque</strong> exige uma<strong> longa viagem</strong> de carro ou ônibus pela&nbsp;<strong>Rodovia Pan-Americana</strong>, estrada que serpenteia pelas&nbsp;<strong>montanhas das Cordilheiras dos Andes</strong> e sobe por rotas que ultrapassam os&nbsp;<strong>4.800 metros de altitude</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">A estrada se desdobra em&nbsp;<strong>trilhas em ziguezague que atravessam vilarejos remotos</strong>, passando por antigo terraços esculpidos pelos&nbsp;<strong>Incas</strong>, cultivados com&nbsp;<strong>batatas, quinoa e milho</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em&nbsp;<strong>1934</strong>, o geologista e&nbsp;<strong>Explorador da&nbsp;</strong><em><strong>National Geographic</strong></em>,&nbsp;<strong>Robert Shippee</strong>, descreveu&nbsp;<strong>Yanque</strong> como uma “<strong>cidade quase esquecida no mundo</strong>”, e a descrição ainda se mantém verdadeira: uma praça tranquila, algumas lojas e o silêncio quebrado apenas pelo vento que sopra pelo vale.</p><p dir="ltr">Sua&nbsp;<strong>joia da coroa é o Cânion do Colca</strong> — um dos&nbsp;<strong>desfiladeiros mais profundos do mundo</strong>, moldado por penhascos esculpidos pelo vento e pela chuva, terra marcada e picos nevados distantes.</p><p dir="ltr">Ao amanhecer, siga para&nbsp;<strong>os mirantes próximos a Cruz del Cóndor</strong> para observar um dos espetáculos mais icônicos do Peru:&nbsp;<strong>o voo do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/07/dia-mundial-do-condor-3-fatos-sobre-uma-das-maiores-aves-do-mundo"><strong>condor andino</strong></a>,&nbsp;<strong>ave reverenciada</strong> por seu significado espiritual, servindo como mensageira entre a terra e o céu. Essas aves imensas, com&nbsp;<strong>envergadura de até 3,2 metros</strong>, planam em correntes térmicas e deslizam silenciosamente entre as paredes do cânion.</p><p dir="ltr">Embora a maioria dos viajantes parta ao meio-dia,&nbsp;<strong>pernoitar revela os ritmos mais profundos do Vale do Colca</strong>. Nos arredores da cidade, o&nbsp;<em><strong>Puqio</strong></em>, o primeiro&nbsp;<strong>acampamento de luxo com tendas</strong> do Peru, combina&nbsp;<strong>charme rústico com design andino</strong>. Tendas de lona feitas com materiais locais se abrem para vistas deslumbrantes do rio e do vale.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os interiores contam com&nbsp;<strong>banheiras de folhas de eucalipto</strong> para aliviar os músculos cansados ​​da altitude,&nbsp;<strong>lareiras para as noites frescas&nbsp;</strong>da montanha e<strong> refeições à base de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/08/saiba-qual-e-a-ultima-moda-da-alimentacao-saudavel"><strong>quinoa vermelha</strong></a> cultivada a poucos passos de distância. O<strong> pôr do sol&nbsp;</strong>banha as paredes do cânion em tons mutáveis ​​de&nbsp;<strong>âmbar e violeta</strong>, enquanto os picos de&nbsp;<strong>Ampato e Sabancaya&nbsp;</strong>vigiam no horizonte.</p><p dir="ltr"><strong>Yanque</strong> continua sendo um<strong> lugar onde o tempo se estende</strong>, onde os&nbsp;<strong>condores planam</strong> livremente sobre vales em terraços e onde o&nbsp;<strong>silêncio da natureza</strong> parece tão imponente quanto os próprios picos.</p><h2 dir="ltr"          id="header_3114365_0"><strong>3. Ayaviri: tradição e natureza única nos cânions do altiplano peruano</strong></h2><p dir="ltr"><br>Aninhado nos&nbsp;<strong>altos planaltos do altiplano</strong>,&nbsp;<strong>perto da cidade Ayaviri</strong>, o&nbsp;<strong>Cânion Tinajani</strong> revela uma&nbsp;<strong>paisagem surreal</strong> entre os grandes destinos do&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/01/cerveja-com-alucinogenos-pode-ter-selado-relacoes-politicas-no-peru-antigo"><strong>Peru</strong></a>. Aqui, imponentes&nbsp;<strong>formações de arenito vermelho</strong>, com&nbsp;<strong>75 mil anos</strong> de idade, erguem-se dramaticamente contra o vasto céu andino.&nbsp;</p><p dir="ltr">A<strong> mais de 4 mil metros acima do nível do mar</strong>, o&nbsp;<strong>cânion</strong> abriga raros<strong> bosques de&nbsp;</strong><em><strong>Puya raimondii</strong></em>, a&nbsp;<strong>maior bromélia do mundo</strong>, que floresce apenas uma vez por século antes de morrer.</p><p dir="ltr">Durante séculos,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2020/02/cerimonias-com-ayahuasca-levam-xamanismo-indigena-metropole"><strong>xamãs</strong></a><strong> viajaram até Ayaviri para realizar cerimônias</strong>, aproveitando a poderosa&nbsp;<strong>energia do cânion</strong>. Hoje, seus anfiteatros naturais convidam à&nbsp;<strong>meditação, à prática de yoga e a banhos&nbsp;</strong>de tranquilidade na&nbsp;<strong>floresta</strong>, cercados por&nbsp;<strong>penhascos</strong> que brilham em tons carmim ao pôr-do-sol e vales que se dissolvem em<strong> céus estrelados</strong> à noite.</p><p dir="ltr">Situada em uma&nbsp;<strong>reserva natural privada</strong> de 50 hectares ao longo da&nbsp;<strong>rota que liga Cusco, Puno e o Vale do Colca</strong>, o hotel&nbsp;<strong>Tinajani</strong> é uma&nbsp;<strong>fazenda histórica</strong> adornada com relíquias de família e complementada por<strong> luxuosos alojamentos em tendas</strong> que oferecem conforto moderno.&nbsp;</p><p dir="ltr">Telhados de lona protegem pisos de madeira e lareiras, enquanto as&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2019/08/aventuras-de-gordon-ramsay-no-vale-sagrado-do-peru"><strong>refeições tradicionais peruanas</strong></a><strong> que incluem produtos locais, assados ​​e ensopados típicos</strong> da fazenda. Os dias se desenrolam com caminhadas guiadas pelo cânion, <strong>passeios panorâmicos pelo Altiplano</strong> ou simplesmente contemplando as sombras em constante movimento.</p><h2 dir="ltr"         id="header_3114410_0"><strong>4. Lago Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo</strong></h2><p dir="ltr"><br>Para&nbsp;<strong>além da agitação da cidade de Puno</strong>, estende-se a&nbsp;<strong>imensidão&nbsp;</strong>do&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem-e-aventura/2019/12/explore-ruinas-incas-da-maior-ilha-do-lago-titicaca"><strong>Lago Titicaca</strong></a> —&nbsp;<strong>o lago navegável mais alto do mundo</strong>, e também enorme, com&nbsp;<strong>8.300 Km²</strong>, aproximadamente o tamanho da cidade de Porto Rico. Suas&nbsp;<strong>águas profundas e turquesas&nbsp;</strong>cintilam sob os<strong> picos nevados dos Andes ao fundo</strong>, enquanto&nbsp;<strong>os juncos&nbsp;</strong>balançam ao longo da margem, proporcionando habitat e sustento.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>lago abriga as ilhas flutuantes de Uros</strong>, mais de<strong> 130 plataformas artificiais</strong> construídas inteiramente com camadas de junco totora.&nbsp;<strong>Visite famílias indígenas</strong> que se sustentam há séculos e observe-as tecer&nbsp;<strong>suas casas, barcos e seu cotidiano</strong> com as gramíneas que crescem nas águas rasas.</p><p dir="ltr">Um curto&nbsp;<strong>passeio de barco até a Ilha de Taquile</strong>, uma paisagem cultural&nbsp;<strong>reconhecida pela Unesco</strong>, revela&nbsp;<strong>caminhos de pedra</strong> que levam a plantações em terraços onde se cultivam batatas e quinoa. Os moradores, com&nbsp;<strong>seus trajes ricamente bordados</strong>, mantêm vivas as&nbsp;<strong>tradições</strong> transmitidas de geração em geração.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Chapéus e xales de tecido</strong> diferenciado revelam status social, papéis na comunidade e até intenções matrimoniais, tornando&nbsp;<strong>os têxteis uma linguagem viva de identidade</strong>. Do alto das colinas,&nbsp;<strong>vistas panorâmicas</strong> se estendem pelos jardins de flores de trombeta até a&nbsp;<strong>luminosa imensidão do lago</strong>.</p><p dir="ltr">No hotel&nbsp;<em>Titilaka</em>,&nbsp;<strong>quartos elegantes</strong> oferecem uma vista tranquila que&nbsp;<strong>contrasta com a energia de Puno</strong>. Passe os dias&nbsp;<strong>praticando caiaque no&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2019/04/vestigios-religiao-misterio-lago-mais-alto-do-mundo-artefato-sagrado-titicaca-ouro-sacrificio-bolivia"><strong>Lago Titicaca</strong></a><strong>&nbsp;</strong>em enseadas rodeadas de juncos,<strong> caminhando por trilhas</strong> para observação de pássaros ou&nbsp;<strong>nadando nas águas cristalinas e revigorantes</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">À noite, uma boa opção é participar de um<strong> drinque ao pôr do sol</strong> no gramado, desfrute de um<strong>&nbsp;</strong>jantar requintado com vista para o lago e faça uma o<strong>bservação guiada das estrelas</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/08/encontrada-oferenda-inca-centenaria-em-lago-sagrado-titicaca-imperio-bolivia-peru"><em>Encontrada oferenda inca centenária em lago sagrado</em></a>)</p><h2 dir="ltr"         id="header_3114410_1"><strong>5. Nauta: o coração da selva, onde nasce o rio Amazonas</strong></h2><p dir="ltr"><br>No coração da<strong> selva do norte do Peru</strong>, encontra-se&nbsp;<strong>Nauta,</strong> uma&nbsp;<strong>pequena cidade ribeirinha na região de Loreto</strong> que serve como porta de<strong> entrada para a Amazônia</strong>, com ares de cidade fronteiriça – é&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/10/onde-nasce-o-rio-amazonas"><strong>onde nasce o rio Amazonas</strong></a> e faz fronteira com o Brasil.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Casas de madeira coloridas</strong> alinham-se em ruas estreitas, mototáxis zumbem em frente a&nbsp;<strong>mercados a céu aberto</strong> e a vida gira em torno da água.Nos arredores da cidade,&nbsp;<strong>os rios Marañón e Ucayali se encontram</strong> para&nbsp;<strong>formar o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/08/rio-amazonas-os-6-animais-surpreendentes-que-habitam-o-maior-rio-do-mundo"><strong>Amazonas</strong></a>, um ponto de encontro impressionante que marca&nbsp;<strong>o berço simbólico do maior sistema fluvial do mundo</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Do&nbsp;<em>Malecón&nbsp;</em>(calçadão à beira-rio) de&nbsp;<strong>Nauta</strong>, observe os barcos de pesca deslizando pelas correntes e<strong> embarque nos cruzeiros da&nbsp;</strong><em><strong>Delfin Amazon Cruises</strong></em>, uma das operadoras de cruzeiros de luxo do Peru que trabalha em&nbsp;<strong>parceria com comunidades isoladas</strong> para ajudar a&nbsp;<strong>preservar tradições</strong> e construir meios de subsistência sustentáveis.</p><p dir="ltr">“Nossa resposta natural foi criar&nbsp;<strong>um mecanismo de mudança&nbsp;</strong>— o que agora chamamos de<strong> Programa BioRest</strong> (Restauração Biocultural) — para<strong> restaurar a biodiversidade</strong>,&nbsp;<strong>proteger os recursos nativos</strong> para as futuras gerações e incorporar o conhecimento ancestral à “conservação moderna”.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Queremos que&nbsp;<strong>cada viajante que se junte a nós participe de um ciclo vivo de conservação e cultura</strong>, onde os meios de subsistência permaneçam em&nbsp;<strong>harmonia com a floresta e seus habitantes</strong>, e onde esperamos continuar inspirando colaborações extraordinárias”, afirma&nbsp;<strong>Aldo Macchiavello</strong>, fundador da&nbsp;<em>Delfin</em>.</p><p dir="ltr">Seus&nbsp;<strong>barcos-boutique&nbsp;</strong>são projetados com&nbsp;<strong>janelas panorâmicas e decks abertos</strong>, oferecendo vistas deslumbrantes da<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/12/em-que-paises-esta-a-floresta-amazonica"><strong>selva amazônica</strong></a> enquanto se aventuram pelas profundezas da&nbsp;<strong>Reserva Nacional Pacaya-Samiria</strong>, uma área protegida de&nbsp;<strong>8.030 Km²</strong> conhecida como a “selva dos espelhos” por suas lagoas de água negra cristalina que refletem a copa das árvores.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os<strong> cruzeiros de três e quatro noites</strong> incluem excursões para&nbsp;<strong>observar&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/09/que-animal-e-o-boto-cor-de-rosa-veja-4-fatos-sobre-essa-especie-tipica-da-amazonia"><strong>botos-cor-de-rosa</strong></a>,&nbsp;<strong>caminhadas guiadas</strong> por florestas alagadas repletas de macacos e araras, e&nbsp;<strong>safáris noturnos&nbsp;</strong>para ouvir o coro de rãs e insetos sob um céu estrelado. A&nbsp;<strong>experiência combina conforto com exploração</strong>, oferecendo acesso privilegiado a um dos cantos mais biodiversos do planeta.</p><p dir="ltr"><strong>Saia dos roteiros turísticos tradicionais do Peru</strong> e explore&nbsp;<strong>cidades e paisagens pouco conhecidas</strong> para uma experiência enriquecedora que deixará uma&nbsp;<strong>marca memorável</strong> em você e, potencialmente, nos<strong> lugares e pessoas</strong> que você visitar ao longo do caminho.</p><p dir="ltr">** <em><strong>Sucheta Rawal</strong></em> é escritora de gastronomia e viagens, palestrante, fundadora da <em>Go Eat Give</em> e autora de uma série de livros infantis sobre viagens.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Um parente do camelo em plena América do Sul: os 4 dados sobre o guanaco, um animal ancestral da Patagônia</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/um-parente-do-camelo-em-plena-america-do-sul-os-4-dados-sobre-o-guanaco-um-animal-ancestral-da-patagonia</link><description><![CDATA[Talvez você nunca tenha ouvido falar que a América do Sul tem seus próprios camelideos – espécies de uma família que abrange camelos e dromedários. Mas povoando uma longa parte da Patagônia chilena e argentina, e se misturando com a paisagem de vegetação ocre, está o guanaco (Lama guanicoe guanicoe), o maior animal ungulado sul-americano, diz a Wildlife Conservation Society (WCS), uma organização...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Fri, 13 Mar 2026 11:01:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/um-parente-do-camelo-em-plena-america-do-sul-os-4-dados-sobre-o-guanaco-um-animal-ancestral-da-patagonia</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/guanaco_inaturalist_edit.jpg?w=1600" length="2574750" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Talvez você nunca tenha ouvido falar que&nbsp;<strong>a América do Sul tem seus próprios&nbsp;</strong><em><strong>camelideos</strong></em> – espécies de uma&nbsp;<strong>família que abrange camelos e dromedários</strong>. Mas<strong> povoando uma longa parte da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/01/a-patagonia-depois-do-fogo-os-cinco-desafios-para-ressuscitar-a-floresta-afetada-por-incendios-na-argentina"><strong>Patagônia</strong></a> chilena e argentina, e se misturando com a paisagem de vegetação ocre,&nbsp;<strong>está o guanaco&nbsp;</strong><em>(Lama guanicoe guanicoe)</em>,<strong> o maior animal ungulado sul-americano</strong>, diz a&nbsp;<em>Wildlife Conservation Society&nbsp;</em>(WCS), uma organização internacional sem fins lucrativos fundada em 1895 e baseada no Zoológico do Bronx, que se dedica a salvar a vida selvagem e habitats naturais em todo o mundo.</p><p dir="ltr">Os outros camelídeos desta parte sul do continente americano são a&nbsp;<strong>vicunha</strong><em> (Vicugna vicugna)</em>, a&nbsp;<strong>lhama</strong>&nbsp;<em>(Lama glama)&nbsp;</em>e a&nbsp;<strong>alpaca&nbsp;</strong><em>(V. paca)</em> – como informa o&nbsp;<em>Animal Diversity Web&nbsp;</em>(ADW), banco de dados online com informações da biodiversidade do planeta. Mas acredita-se que&nbsp;<strong>o guanaco seja o mais ancestral</strong>, e que&nbsp;<strong>as llamas possam ter sido criadas a partir dele</strong> “como animais de carga há cerca de 6.500 anos”, como informa a&nbsp;<em>Encyclopedia Britannica&nbsp;</em>(plataforma de conhecimentos gerais online baseada no Reino Unido).</p><p dir="ltr">“Ainda que&nbsp;<strong>a maioria das taxonomias separa guanacos e lhamas em espécies distintas</strong>, enquanto outras autoridades classificam ambos os animais como subespécies de&nbsp;<em>L. glama”</em>, diz a plataforma online.</p><p dir="ltr">Atualmente, a&nbsp;<em>Britannica</em> informa que “<strong>as populações de guanaco somam mais de um milhão de adultos</strong>" – o que faz deles animais essenciais&nbsp;<strong>para o bioma local</strong> e um símbolo da biodiversidade sul-americana. A seguir, saiba mais sobre os guanacos.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/cavalos-podem-sentir-o-cheiro-do-medo-dos-humanos-segundo-um-novo-estudo"><em>Cavalos podem sentir o cheiro do medo dos humanos, segundo um novo estudo</em></a>)</p><h2           id="header_3114479_0"><strong>1. Os guanacos vivem espalhados pelas planícies amareladas da Patagônia</strong></h2><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>guanacos</strong> costumam&nbsp;<strong>viver cerca de 28 anos&nbsp;</strong>e são encontrados&nbsp;<strong>em pequenos grupos de fêmeas&nbsp;</strong>geralmente&nbsp;<strong>liderados por um macho</strong>, como explica a&nbsp;<em>Encyclopedia Britannica</em>..</p><p dir="ltr">“Os guanacos são encontrados na América do Sul&nbsp;<strong>desde o norte do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/11/misterio-inca-por-que-eles-cavaram-milhares-de-buracos-em-uma-montanha-do-peru-ha-mil-anos"><strong>Peru</strong></a><strong> até o sul do continente</strong>. Sua&nbsp;<strong>distribuição&nbsp;</strong>inclui também<strong>&nbsp;</strong>o&nbsp;<strong>oeste da Bolívia</strong>, a<strong> Argentina</strong>,<strong> o Chile</strong>,<strong>&nbsp;</strong>incluindo a<strong> Ilha Navarino, além da região da Terra do Fogo”</strong>, como explica o ADW.&nbsp;</p><p>Ainda segundo a ADW,&nbsp;<strong>as populações de guanaco na parte norte&nbsp;</strong>de sua distribuição, “<strong>entre o norte do Peru e o norte do Chile</strong>”, são atribuídas à subespécie&nbsp;<em><strong>Lama guanicoe cacsilensis</strong></em>; enquanto o restante da<strong> população pertence à subespécie&nbsp;</strong><em><strong>Lama guanicoe guanicoe</strong>,&nbsp;</em>completa a fonte. Também é preciso notar que esses animais foram introduzidos até mesmo em uma das&nbsp;<strong>Ilhas Malvinas</strong>, a Ilha Staats,<strong> na Argentina,&nbsp;</strong>na década de 1930, e segundo a&nbsp;<em>ADW</em> eles ainda permanecem vivendo lá até hoje.&nbsp;</p><h2           id="header_3114480_0"><strong>2. Os pumas são os principais predadores dos guanacos, de quem escapam usando o grito</strong></h2><p dir="ltr">Um&nbsp;<strong>guanaco adulto mede</strong> cerca de&nbsp;<strong>110 centímetros de altura</strong> e&nbsp;<strong>pesa em torno de 90 quilos</strong>, continua a informar a&nbsp;<em>Britannica</em>. Ou seja,&nbsp;<strong>são um banquete e tanto para&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/08/conheca-3-curiosidades-surpreendentes-sobre-os-felinos"><strong>os pumas patagônicos</strong>,&nbsp;<strong>felinos</strong></a><strong> que vivem na região</strong>, entre as montanhas andinas, e que costumam predar os guanacos mais jovens ou que se desgarram do bando.&nbsp;</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>Parque Nacional da Patagônia</strong>, no Chile,<strong>&nbsp;</strong>é&nbsp;<strong>um dos lugares onde o&nbsp;</strong><em><strong>camelídeo</strong></em><strong> é predominante</strong>. O local fica no&nbsp;<strong>Valle Chacabuco</strong>, região mais remota e preservada da província de Aysén, e&nbsp;<strong>abriga cerca de 3 mil guanacos</strong>, que vivem com predação controlada pelos pumas, detalha a&nbsp;<em>Rewilding Chile</em> (uma fundação sem fins lucrativos dedicada à conservação da biodiversidade da Patagônia chilena). “<strong>Os guanacos também fornecem carniça para várias espécies necrófagas</strong>, incluindo&nbsp;<strong>condores andinos</strong>,&nbsp;<strong>caranchos&nbsp;</strong>(ou caracaras, uma espécie de aves de rapina), além de&nbsp;<strong>raposas e tatus</strong>”, complementa a fonte.</p><p dir="ltr">Uma&nbsp;<strong>curiosidade</strong> sobre estes animais está na maneira como eles&nbsp;<strong>tentam escapar dos ataques dos pumas</strong>. De acordo com o&nbsp;<em>ADW</em>, “os guanacos geralmente exibem uma resposta de ‘<strong>ver e fugir</strong>’ quando encontram predadores em potencial”.</p><p dir="ltr">A fonte detalha que&nbsp;<strong>um indivíduo do bando mantém contato visual com o predador&nbsp;</strong>“<strong>até que ele se aproxime demais</strong>” e, então,&nbsp;<strong>o animal que vigia</strong> “<strong>dá um grito de alarme&nbsp;</strong>para alertar o resto do grupo” – fugindo na sequência. “<strong>Essa estratégia tende a ser eficaz contra os pumas</strong>, que&nbsp;<strong>não perseguem suas presas por longas distâncias</strong>", enfatiza o<em> ADW</em>.&nbsp;</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/os-cavalos-selvagens-de-pelo-encaracolado-da-patagonia-sao-um-enigma-que-escapou-ate-a-darwin"><em>Os cavalos selvagens de pelo encaracolado da Patagônia são um enigma que escapou até a Darwin</em></a>)</p><h2           id="header_3114481_0"><strong>3. Os guanacos enfrentam muito bem as temperaturas baixas da Patagônia e seus ventos fortíssimos</strong></h2><p dir="ltr">Dotados de&nbsp;<strong>uma coloração marrom-clara</strong>&nbsp;<strong>na parte superior</strong> do corpo e<strong> branca na inferior</strong>, como detalha a&nbsp;<em>Britannica</em>, os guanacos possuem nessa pelagem uma proteção bastante eficiente contra&nbsp;<strong>as temperaturas frias do bioma patagônico</strong>, incluindo em&nbsp;<strong>regiões de ventos fortes</strong>, que podem passar dos 60km/h.&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>O guanaco é coberto por uma pelagem densa</strong> de&nbsp;<strong>duas camadas&nbsp;</strong>que o protege de altas e baixas temperaturas, bem como do vento e da precipitação”, explica um artigo do&nbsp;<em>Wildlife Conservation Society</em>. Nos invernos patagônicos, as temperaturas podem chegar a graus negativos, como foi ocorreu em julho de 2024,<strong> quando uma&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/06/o-que-e-uma-onda-de-frio-e-quais-sao-suas-principais-caracteristicas"><strong>onda de frio</strong></a><strong> polar extremamente forte&nbsp;</strong>deixou&nbsp;<strong>regiões com os termômetros marcando -20ºC</strong>, como registrou uma notícia da CNN brasileira.</p><p dir="ltr">Nos filhotes, por exemplo, também chamados de “<strong>guanaquitos</strong>”,&nbsp;<strong>&nbsp;</strong>essa&nbsp;<strong>cobertura macia e felpuda</strong> “<strong>constitui cerca de 10 a 20 por cento da lã</strong>” – material que, no mercado têxtil, é considerado um artigo de luxo, diz a fonte do Reino Unido.&nbsp;</p><p dir="ltr">Vale ressaltar ainda que&nbsp;<strong>os guanacos são uma espécie migratória</strong>, mudando de lugar no inverno e no verão (e caminhando algo em torno de 150 quilômetros). Por isso, “<strong>dependem de&nbsp;</strong><em><strong>habitats</strong></em><strong> extensos e conectados</strong> para se alimentar, reproduzir e evitar predadores”, diz a&nbsp;<em>Rewilding Chile</em>.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Seus&nbsp;<strong>movimentos promovem a integridade do ecossistema</strong>, enquanto sua anatomia e hábitos alimentares contribuem para a&nbsp;<strong>regeneração das pastagens&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>ajudam os solos a armazenar carbono</strong>, desempenhando&nbsp;<strong>um papel fundamental&nbsp;</strong>na mitigação e&nbsp;<strong>adaptação às mudanças climáticas</strong>", completa a fonte.&nbsp;&nbsp;</p><p>(<em>Leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/um-dinossauro-do-tamanho-de-uma-galinha-foi-encontrado-na-patagonia-e-mudou-o-que-se-sabia-sobre-sua-evolucao"><em>Um dinossauro do tamanho de uma galinha foi encontrado na Patagônia – e mudou o que se sabia sobre sua evolução</em></a>)</p><h2           id="header_3114482_0"><strong>4. O guanaco já foi considerado extinto e hoje segue ameaçado, inclusive pela caça</strong></h2><p dir="ltr">Apesar de contar com&nbsp;<strong>milhões de indivíduos</strong> vivendo de forma selvagem na natureza, o guanaco foi considerado perto da extinção.&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>Nos últimos 200 anos, a população de guanacos diminuiu&nbsp;</strong>de cerca&nbsp;<strong>de 20 milhões</strong> de indivíduos para aproximadamente&nbsp;<strong>2,5 milhões</strong>”, diz o<em> WCS</em>. “Atualmente,&nbsp;<strong>seu status de conservação varia de país para país</strong> e entre regiões dentro da Argentina. Ao mesmo tempo, sua área de distribuição encolheu para 40% da área que a espécie ocupava no passado”, completa a fonte.</p><p dir="ltr">“Perseguidos por&nbsp;<strong>competirem com o gado</strong>,&nbsp;<strong>os guanacos são em grande parte relegados a terras mais secas</strong> e confinados por cercas e&nbsp;<strong>caça ilegal</strong>”, informa, por sua vez, a instituição de conservação do Chile.</p><p dir="ltr">"Embora&nbsp;<strong>o guanaco seja classificado como espécie de menor preocupação&nbsp;</strong>pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN),&nbsp;<strong>as populações na parte norte&nbsp;</strong>da área de distribuição do animal<strong> diminuíram substancialmente&nbsp;</strong>como resultado da&nbsp;<strong>perda de&nbsp;</strong><em><strong>habitat</strong></em><strong>&nbsp;</strong>e da competição com outros animais herbívoros”, alerta a&nbsp;<em>Britannica</em>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Por isso mesmo, os governos do Peru, Paraguai e Bolívia&nbsp;<strong>consideram este&nbsp;</strong><em><strong>camelídeo</strong></em><strong> uma espécie ameaçada de extinção</strong>; mas<strong> já em Chile e Argentina, a caça do guanaco é liberada</strong> – ainda que seguindo regras estritas – inclusive para fins comerciais, já que&nbsp;<strong>sua carne pode ser vendida</strong>, informa um artigo do Conicet (Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas), principal órgão de promoção da promoção da ciência e tecnologia na Argentina.</p><p dir="ltr">Os guanacos também&nbsp;<strong>acabam morrendo vítimas de acidentes com carros e motos&nbsp;</strong>nas estradas que cortam a Patagônia. Esses encontros mortais são&nbsp;<strong>um verdadeiro risco para motoristas e para os próprios animais</strong>, já que em muitas partes da região costumam se alimentar justamente do pasto que fica à beira das rodovias.&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p dir="ltr"><em>Por Luciana Borges, editora sênior de National Geographic Brasil e Latam.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title>Onde realmente vive o peixe-remo, o misterioso "peixe do fim do mundo"?</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/onde-realmente-vive-o-peixe-remo-o-misterioso-peixe-do-fim-do-mundo</link><description><![CDATA[O peixe-remo, ou arenque-rei (Regalecus glesne), habita águas profundas e raramente é visto por humanos. Por esse motivo, o recente aparecimento de dois exemplares em uma praia de Cabo San Lucas, no México, chamou a atenção e despertou o interesse em saber exatamente onde esse animal vive e por que aparece apenas ocasionalmente.Segundo o jornal mexicano “La Razón”, os peixes foram avistados por...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Thu, 12 Mar 2026 19:03:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/onde-realmente-vive-o-peixe-remo-o-misterioso-peixe-do-fim-do-mundo</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/original.jpg?w=1600" length="454795" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/06/peixe-remo-ou-peixe-do-fim-do-mundo-veja-as-5-curiosidades-sobre-o-animal-ligado-ao-mito-do-apocalipse"><strong>peixe-remo</strong></a>, ou&nbsp;<strong>arenque-rei</strong> (<em><strong>Regalecus glesne</strong></em>),&nbsp;<strong>habita águas profundas e raramente é visto</strong> por humanos. Por esse motivo, o recente&nbsp;<strong>aparecimento de dois</strong> exemplares em uma&nbsp;<strong>praia de Cabo San Lucas</strong>, no&nbsp;<strong>México</strong>, chamou a atenção e&nbsp;<strong>despertou o interesse</strong> em saber exatamente onde esse animal vive e por que aparece apenas ocasionalmente.</p><p dir="ltr">Segundo o jornal mexicano&nbsp;<em>“La Razón”</em>,&nbsp;<strong>os peixes foram avistados por turistas</strong> que caminhavam pela praia no último dia 10 de março. Eles encontraram primeiro&nbsp;<strong>um peixe grande e prateado</strong> parcialmente&nbsp;<strong>encalhado na areia&nbsp;</strong>e, ao tentarem ajudá-lo, notaram outro.</p><p>(<em>Sobre Animais, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/e-possivel-clonar-seu-animal-de-estimacao-sera-que-ele-tera-a-mesma-personalidade-a-ciencia-ja-sabe-a-resposta"><em>É possível clonar seu animal de estimação? Será que ele terá a mesma personalidade? A ciência já sabe a resposta</em></a>)</p><h2 dir="ltr"      id="header_3114466_0"><strong>Por que o peixe-remo é conhecido como “peixe do fim do mundo”?</strong></h2><p dir="ltr">O animal também é&nbsp;<strong>conhecido como o&nbsp;</strong>"<strong>peixe do fim do mundo</strong>" porque&nbsp;<strong>às vezes aparece no litoral após tempestades</strong> e foi avistado antes do<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/01/qual-foi-o-terremoto-mais-forte-do-japao-na-historia"><strong>terremoto e tsunami de 2011 no Japão</strong></a>, de acordo com um artigo de 2024 da&nbsp;<em>National Geographic</em>.</p><p dir="ltr">Esses&nbsp;<strong>raros avistamentos</strong> e o<strong> formato alongado&nbsp;</strong>de seu corpo (o rei dos arenques&nbsp;<strong>pode atingir 11 metros</strong> de comprimento, sendo&nbsp;<strong>o peixe ósseo mais longo do mundo</strong>) podem ter dado<strong>&nbsp;</strong>origem a&nbsp;<strong>histórias lendárias&nbsp;</strong>de avistamentos de que eram “<strong>grandes serpentes marinhas</strong>” na antiguidade, como observa o Museu de História Natural da Flórida (Estados Unidos).</p><p dir="ltr">Embora&nbsp;<strong>hoje seja melhor compreendido</strong> e reconhecido como uma espécie da&nbsp;<strong>família&nbsp;</strong><em><strong>Regalecidae</strong></em> (que inclui quatro espécies em dois gêneros), os encontros com o&nbsp;<strong>peixe-remo vivo são muito raros</strong>, e muito ainda precisa ser aprendido sobre ele.</p><p>(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/07/os-peixes-dormem-as-descobertas-dos-cientistas-que-vigiam-o-sono-dos-peixes-usando-microscopios"><em>Os peixes dormem? As descobertas dos cientistas que vigiam o sono dos peixes usando microscópios</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114467_0"><strong>O peixe-remo tem ampla distribuição geográfica, mas raramente é visto na superfície</strong></h2><p dir="ltr">Segundo o Museu de História Natural da Flórida, nos Estados Unidos, o&nbsp;<strong>peixe-remo</strong>, caracterizado por seu<strong> corpo longo, cônico e prateado</strong>, é considerado uma espécie cosmopolita, ou seja, possui&nbsp;<strong>distribuição geográfica mundial</strong>,&nbsp;<strong>com exceção dos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/03/cientistas-descobrem-o-recorde-da-temperatura-oceanica-mais-fria-na-historia-da-terra"><strong>mares polares</strong></a>. Com base em observações humanas, ele é “amplamente&nbsp;<strong>distribuído no Oceano Atlântico e no Mar Mediterrâneo</strong>, desde Topanga Beach, no sul da Califórnia (Estados Unidos), até o Chile, no&nbsp;<strong>leste do Oceano Pacífico</strong>”, continua a fonte.</p><p dir="ltr">A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) concorda com a<strong> presença global da espécie</strong> e acrescenta que o&nbsp;<em>Regalecus glesne</em> é&nbsp;<strong>encontrado entre 15 e 1 mil metros de profundidade</strong>,&nbsp;<strong>nas zonas epipelágica</strong> (a camada superficial do oceano, que se estende da superfície até 200 metros)&nbsp;<strong>e mesopelágic</strong>a (que se estende de 200 a 1000 metros) de&nbsp;<strong>mares tropicais e temperados</strong>. O museu da Flórida esclarece que, embora seja encontrado em grandes profundidades,&nbsp;<strong>o animal é mais tipicamente avistado em torno de 200 metros</strong>.</p><p dir="ltr">As fontes concordam que&nbsp;<strong>alguns espécimes são ocasionalmente observados perto da superfície</strong> ou&nbsp;<strong>encalhados na costa</strong> após tempestades. Mas, como habitam principalmente as profundezas do mar,&nbsp;<strong>avistar um peixe-remo perto da superfície</strong> “geralmente&nbsp;<strong>indica que o animal está doente, morrendo</strong> ou, pelo menos, desorientado”, explica a Ocean Conservancy, uma organização internacional para a conservação dos oceanos e da vida marinha.</p><p dir="ltr">A organização acrescenta que&nbsp;<strong>o fato de o</strong>&nbsp;<em><strong>Regalecus glesne</strong></em> viver em<strong> uma das áreas mais inexploradas do ocean</strong>o explica por que o&nbsp;<strong>conhecimento atual</strong> sobre seu comportamento e estado de conservação é&nbsp;<strong>limitado</strong>.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Cavalos podem sentir o cheiro do medo dos humanos, segundo um novo estudo</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/cavalos-podem-sentir-o-cheiro-do-medo-dos-humanos-segundo-um-novo-estudo</link><description><![CDATA[Belos e fortes, os cavalos se apresentam como animais imponentes, mas muitas pessoas nem imaginam que eles também possuem uma grande sensibilidade. Sim, os cavalos possuem um nível de percepção bem específico, como comprova um estudo científico recente, publicado em janeiro de 2026 na revista “PLOS One”. A investigação mostra que os cavalos são capazes de sentir o cheiro do medo humano e isso...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Thu, 12 Mar 2026 14:41:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/cavalos-podem-sentir-o-cheiro-do-medo-dos-humanos-segundo-um-novo-estudo</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/dancing_with_horses.jpg?w=1600" length="1160821" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><strong>Belos e fortes</strong>,<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2021/11/misteriosa-origem-dos-cavalos-domesticos-pode-ser-finalmente-revelada"><strong>os cavalos</strong></a> se apresentam como&nbsp;<strong>animais imponentes</strong>, mas muitas pessoas nem imaginam que eles também possuem uma&nbsp;<strong>grande sensibilidade</strong>. Sim, os&nbsp;<strong>cavalos possuem</strong> um&nbsp;<strong>nível de percepção</strong> bem específico, como comprova um&nbsp;<strong>estudo científico&nbsp;</strong>recente, publicado em<strong> janeiro de 2026</strong> na revista “<em>PLOS One”</em>. A investigação mostra que os cavalos&nbsp;<strong>são capazes de sentir&nbsp;</strong>o<strong> cheiro do medo humano</strong> e isso altera seu próprio comportamento.&nbsp;</p><p dir="ltr">A pesquisa, conduzida pela&nbsp;<strong>Dra. Plotine Jardat&nbsp;</strong>(pesquisadora PhD em comportamento e bem-estar equino) e sua equipe no Instituto Francês de Equitação,&nbsp;<strong>foi além de estudos anteriores</strong> que já mostravam que os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/01/o-retorno-dos-ultimos-cavalos-selvagens-registrado-em-fotos-de-national-geographic-no-cazaquistao"><strong>cavalos</strong></a><strong> respondem a expressões faciais e tom de voz</strong>, focando especificamente&nbsp;<strong>no olfato</strong>. A seguir,&nbsp;<em><strong>National Geographic Brasil</strong></em> detalha&nbsp;<strong>como o estudo foi conduzido</strong> e&nbsp;<strong>quais as descobertas</strong> feitas sobre mais um comportamento impressionante dos equínos.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Animais, leia também: </em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/e-possivel-clonar-seu-animal-de-estimacao-sera-que-ele-tera-a-mesma-personalidade-a-ciencia-ja-sabe-a-resposta"><em>É possível clonar seu animal de estimação? Sim, mas ele não terá a mesma personalidade</em></a>)</p><h2 dir="ltr"  id="header_3114374_0"><strong>Como foi feita a pesquisa sobre a relação dos cavalos com o medo humano?</strong></h2><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>novo estudo encontrou evidências</strong> de que&nbsp;<strong>os cavalos</strong> não apenas detectam, mas também&nbsp;<strong>reagem a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/09/por-que-o-odor-corporal-comecou-a-nos-enojar-ao-longo-da-historia"><strong>odores</strong></a><strong> emocionais humanos</strong>. Um&nbsp;<strong>grupo de pessoas voluntárias&nbsp;</strong>participou da pesquisa em duas etapas: Primeiro, usaram&nbsp;<strong>compressas de algodão nas axilas</strong> enquanto assistiam a&nbsp;<strong>cenas de filmes alegres</strong>, como o número musical de “<em>Cantando na Chuva”, por exemplo,</em> e a música "<em>We Go Together</em>" do filme “<em>Grease”</em>. O objetivo era&nbsp;<strong>gerar um suor associado à alegria</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Depois, com&nbsp;<strong>novas compressas</strong>, eles assistiram a&nbsp;<strong>20 minutos do filme de terror&nbsp;</strong><em>“A Entidade”</em> para&nbsp;<strong>induzir&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/09/como-o-corpo-reage-quando-sentimos-medo"><strong>o medo</strong></a><strong> e coletar o suor derivado desta sensação</strong>. Os pesquisadores também coletaram&nbsp;<strong>odores de controle sem nenhuma associação emocional</strong>. Feito isso,&nbsp;<strong>os cavalos</strong> participantes do estudo<strong> foram expostos a esses odores corporais&nbsp;</strong>humanos (de alegria, de medo e o último, que não tinha emoções definidas) por meio de&nbsp;<strong>compressas grampeadas dentro de focinheiras&nbsp;</strong>especiais usadas pelos cavalos durante os testes.&nbsp;</p><p dir="ltr">A seguir entrou a segunda parte da pesquisa, focada em&nbsp;<strong>testes comportamentais</strong>. Eles mediram<strong> a frequência com que um cavalo de teste interagia</strong> com o pesquisador,&nbsp;<strong>de acordo com o que ele cheirava</strong>, tanto enquanto era escovado quanto enquanto a mesma pessoa permanecia ligeiramente afastado do animal.<strong> Os cavalos que cheiraram as amostras de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/10/para-alem-dos-sustos-e-dos-filmes-de-terror-o-que-o-medo-faz-com-seu-cerebro-e-seu-corpo"><strong>medo</strong>&nbsp;</a><strong>interagiram e tocaram menos na pessoa&nbsp;</strong>do que os do grupo de controle ou os que cheiraram as amostras de suor derivado de “momentos de alegria”.</p><p dir="ltr">Eles também&nbsp;<strong>testaram a reação dos cavalos à sustos e a novos objetos</strong>. Eles&nbsp;<strong>abriram um guarda-chuva repentinamente perto</strong> de um balde com comida para&nbsp;<strong>testar o susto</strong>. E também apresentaram aos cavalos uma<strong> escultura feita de materiais desconhecidos</strong> para eles (composta de linóleo, plástico e barbante) e observaram seu comportamento.</p><p>(Você pode se interessar também:<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/os-cavalos-selvagens-de-pelo-encaracolado-da-patagonia-sao-um-enigma-que-escapou-ate-a-darwin"><em> Os cavalos selvagens de pelo encaracolado da Patagônia são um enigma que escapou até a Darwin</em></a>)</p><h2 dir="ltr"  id="header_3114377_0"><strong>Como os cavalos reagiram e quais foram as descobertas do novo estudo?</strong></h2><p dir="ltr">A investigação mostrou que&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/os-cavalos-selvagens-e-os-ultimos-nomades-a-heranca-de-genghis-khan-sob-ameaca-na-mongolia"><strong>os cavalos</strong></a><strong>&nbsp;</strong>apresentaram&nbsp;<strong>mudanças comportamentais e fisiológicas distintas</strong> quando expostos a&nbsp;<strong>odores humanos relacionados ao medo</strong>. Eles pareceram&nbsp;<strong>mais alertas</strong>,&nbsp;<strong>reativos&nbsp;</strong>a eventos súbitos e&nbsp;<strong>menos propensos</strong> a se aproximar e&nbsp;<strong>tocar as pessoas</strong> próximas a eles.</p><p dir="ltr">Além disso, ao longo do estudo,&nbsp;<strong>os cavalos</strong> também apresentaram&nbsp;<strong>aumento na frequência cardíaca</strong> máxima, o que indica&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/04/como-os-animais-selvagens-lidam-com-o-estresse"><strong>estresse</strong></a>, durante a&nbsp;<strong>exposição ao odor de medo</strong> dos humanos. Um ponto importante ressaltado na pesquisa é que essas&nbsp;<strong>respostas ocorreram sem qualquer sinal visual ou vocal de medo</strong> demonstrado por humanos, só o odor coletado.</p><p dir="ltr">Os resultados do estudo da Dra.&nbsp;&nbsp;Plotine Jardat e de sua equipe&nbsp;mostraram&nbsp;<strong>diferenças claras no comportamento dos cavalos</strong> que sentiram o cheiro do suor de medo em comparação com os outros grupos. Entre eles, destacam-se:</p><ul><li dir="ltr" data-list-item-id="e9bda251063085c693fcc2adc04017341"><strong>Mais medo e estresse</strong>: os cavalos expostos ao "suor do medo" demonstraram significativamente mais sinais de medo.<br>&nbsp;</li><li dir="ltr" data-list-item-id="e737af59dd74cf1905c8f59f1ea45b64c"><strong>Menos interação com humanos</strong>: eles tocaram menos no pesquisador que interagia com eles, tanto durante a escovação quanto quando a pessoa estava parada por perto.<br>&nbsp;</li><li dir="ltr" data-list-item-id="e42254855be28a942f437549d4f1aef97"><strong>Maior reatividade a sustos</strong>: ao abrir o guarda-chuva repentinamente perto deles, esses cavalos tiveram&nbsp;<strong>sustos mais intensos</strong> e suas frequências cardíacas aumentaram mais.<br>&nbsp;</li><li dir="ltr" data-list-item-id="e27b080e05d3b41a99deb1bf4f1f3792d"><strong>Comportamento de esquiva</strong>: em relação ao&nbsp;<strong>objeto novo</strong>, os cavalos do&nbsp;<strong>grupo do "cheiro do medo" tocaram nele com menos frequência&nbsp;</strong>e passaram mais tempo observando-o à distância, um comportamento típico de&nbsp;<strong>cautela</strong>.</li></ul><p dir="ltr">A principal conclusão do estudo é que&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/05/cavalos-velozes-evoluiram-apenas-recentemente-indica-importante-estudo-sobre-equinos"><strong>os cavalos</strong></a><strong> são capazes de detectar o estado emocional de medo</strong> nos seres humanos apenas&nbsp;<strong>pelo odor</strong>, sem a necessidade de pistas visuais ou auditivas. Eles&nbsp;<strong>não encontraram</strong> ainda uma resposta definitiva sobre<strong> a origem dessa capacidade</strong>. Ela pode ser resultado da&nbsp;<strong>longa história de domesticação</strong> dos cavalos&nbsp;<strong>ou uma característica sensível inata</strong> presente em muitos mamíferos.</p><p dir="ltr">Para quem lida com cavalos, a&nbsp;<strong>recomendação prática</strong> de Plotine Jardat é valiosa: "Se o seu cavalo não coopera em um exercício proposto, talvez seja melhor tentar em outro dia, quando você se sentir diferente". Em outras palavras, o<strong> estado emocional do ser humano pode influenciar&nbsp;</strong>diretamente&nbsp;<strong>o comportamento do animal</strong>, mesmo que a pessoa tente escondê-lo.</p><p dir="ltr">“<strong>Chegar relaxado e de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/08/como-aumentar-naturalmente-os-hormonios-da-felicidade"><strong>bom humor</strong></a><strong>&nbsp;</strong>pode favorecer uma&nbsp;<strong>melhor interação com o cavalo</strong>, enquanto que,&nbsp;<strong>se você estiver com medo</strong>,&nbsp;<strong>o cavalo pode sentir</strong> esse medo e, como resposta,&nbsp;<strong>reagir de forma mais intensa</strong> a uma situação potencialmente perigosa”, afirmou a pesquisadora francesa no estudo publicado&nbsp;na revista “<em>PLOS One”</em>. Portanto,&nbsp;talvez seja melhor não se aproximar de um cavalo logo após assistir a um filme de terror.</p><p dir="ltr"><em>*Texto feito por&nbsp;<strong>Juliane Albuquerque</strong>, Editora Assistente de&nbsp;</em>National Geographic<em> Brasil.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title>Cientistas testam o DNA de Leonardo Da Vinci e podem estar a um passo de decifrar o verdadeiro código da Vinci</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/cientistas-testam-o-dna-de-leonardo-da-vinci-e-podem-estar-a-um-passo-de-decifrar-o-verdadeiro-codigo-da-vinci</link><description><![CDATA[Leonardo da Vinci (1452–1519) foi, ao mesmo tempo, pintor, desenhista, escultor, arquiteto e engenheiro, e é considerado um gênio do Renascimento (período histórico que atingiu seu apogeu entre 1490 e 1520 e foi caracterizado pelo interesse pela erudição e pelos valores clássicos, como explica a Enciclopédia Britânica, uma plataforma de conhecimento do Reino Unido). À frente de seu tempo por sua...]]></description><category>História</category><pubDate>Wed, 11 Mar 2026 19:59:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/cientistas-testam-o-dna-de-leonardo-da-vinci-e-podem-estar-a-um-passo-de-decifrar-o-verdadeiro-codigo-da-vinci</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/karinaswabbing.png?w=1600" length="1296796" type="image/png"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/04/os-3-fatos-sobre-a-vida-de-leonardo-da-vinci-o-criador-da-mona-lisa-eleitos-por-national-geographic"><strong>Leonardo da Vinci</strong></a> (1452–1519) foi, ao mesmo tempo,<strong> pintor</strong>,<strong> desenhista</strong>,<strong> escultor</strong>,<strong> arquiteto e engenheiro</strong>, e é considerado&nbsp;<strong>um gênio do Renascimento</strong> (período histórico que atingiu seu apogeu entre 1490 e 1520 e foi caracterizado pelo interesse pela erudição e pelos valores clássicos, como explica a&nbsp;<em>Enciclopédia Britânica,&nbsp;</em>uma plataforma de conhecimento do Reino Unido).&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>À frente de seu tempo por sua inventividade</strong>,&nbsp;<strong>Da Vinci continua sendo objeto de estudo&nbsp;</strong>de especialistas que buscam decifrar as razões por trás de sua inteligência. Por isso mesmo, recentemente&nbsp;<strong>uma equipe internacional de pesquisadores revelou novos avanços</strong> que podem&nbsp;<strong>contribuir para reconstruir o perfil genético do artista italiano</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os resultados, publicados em janeiro deste ano na plataforma científica “bioRxiv<em>”</em>, podem&nbsp;<strong>levar a uma melhor compreensão</strong> sobre&nbsp;<strong>a vida do inventor florentino&nbsp;</strong>e sobre como ele se tornou um gênio.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-as-mulheres-deveriam-governar-o-mundo-o-egito-antigo-se-apoiou-em-suas-rainhas-e-funcionou"><em>As mulheres deveriam governar o mundo? O Egito Antigo se apoiou em suas rainhas – e funcionou</em></a>)</p><h2      id="header_3114388_0"><strong>Em busca do DNA de Leonardo da Vinci</strong></h2><p dir="ltr">Pesquisadores do&nbsp;<em><strong>Leonardo DNA Project</strong></em> (uma iniciativa criada em 2015 que busca&nbsp;<strong>gerar conhecimento sobre a vida e a obra de da Vinci</strong>)&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/10/o-que-a-descoberta-de-dna-antigo-revela-os-segredos-vao-de-ancestrais-humanos-a-peste-negra"><strong>analisaram o DNA</strong></a><strong> superficial&nbsp;</strong>de&nbsp;<strong>vários objetos associados ao artista</strong>, incluindo&nbsp;<strong>desenhos, esboços e correspondência arquivada</strong>, entre os quais se destacavam&nbsp;<strong>um desenho</strong> em&nbsp;<strong>giz vermelho conhecido como Santo Niño</strong> (termo em espanhol para o Menino Jesus) e<strong> cartas escritas há mais de 500 ano</strong>s por um parente de da Vinci. A análise também incluiu obras de outros mestres europeus com o objetivo de fornecer comparações significativas.</p><p dir="ltr"><strong>A obra feita em giz vermelho&nbsp;</strong>sobre papel&nbsp;<strong>mostra a cabeça de uma criança inclinada para o lado</strong> e que&nbsp;<strong>poderia ter sido produzida por Leonardo</strong>. Fred Kline (1939-2021), um comerciante de arte que adquiriu o desenho no início do século, afirmou que&nbsp;<strong>a obra tem traços estilísticos do artista italiano</strong>,&nbsp;<strong>mas o verdadeiro autor não está confirmado</strong>, e alguns<strong> especialistas acreditam que pode ter sido feito por um dos alunos de Da Vinci</strong>, aponta um artigo da revista&nbsp;<em>“Science”</em>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Conforme informou a organização responsável pelas descobertas, “<strong>as obras de arte da Renascença&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>os documentos históricos associados a Leonardo da Vinci continuam preservando traços biológicos mensuráveis&nbsp;</strong>moldados por séculos de contato humano e exposição ambiental”.</p><p dir="ltr"><em>(Mergulhe no tema:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/03/por-que-a-mona-lisa-se-tornou-tao-famosa-os-4-pontos-chave-de-sua-popularidade"><em>Por que a Mona Lisa se tornou tão famosa? Os 4 pontos-chave de sua popularidade</em></a><em>)</em></p><p dir="ltr">Por meio de&nbsp;<strong>um leve esfregaço superficial&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>uma sequenciação completa do metagenoma</strong> de baixo consumo,&nbsp;<strong>a equipe identificou diferentes biomas&nbsp;</strong>compostos por bactérias, fungos, plantas, animais, vírus e parasitas. Eles afirmaram que&nbsp;<strong>os objetos estudados funcionavam</strong> c<strong>omo&nbsp;</strong>“<strong>impressões digitais vivas de seu ambiente</strong>”, uma conclusão ocorrida após descobrirem que os perfis biológicos diferiam entre os objetos.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Os materiais, a geografia, as condições de armazenamento e o histórico de conservação pareciam influenciar o que restava em cada superfície”, explicou o&nbsp;<em>Leonardo DNA Project</em> em um comunicado à imprensa.</p><p dir="ltr">Além disso,&nbsp;<strong>os estudiosos usaram dados de sequenciamento de leitura curta&nbsp;</strong>e<strong> perfis genéticos forenses&nbsp;</strong>que lhes&nbsp;<strong>permitiram extrair informações genéticas humanas da superfície</strong>. Eles&nbsp;<strong>detectaram consistentemente linhagens do cromossomo Y&nbsp;</strong>(um dos dois cromossomos sexuais envolvidos na determinação do sexo, neste caso, o masculino) relacionadas em vários objetos.</p><p dir="ltr">Ainda de acordo com a&nbsp;<em>“Science”</em>, “<strong>as sequências do cromossomo Y da obra de arte</strong> e&nbsp;<strong>de uma carta escrita por um primo de Leonardo Da Vinci pertencem a um grupo genético</strong> de&nbsp;<strong>pessoas que compartilham um ancestral comum</strong>&nbsp;<strong>na Toscana</strong>,&nbsp;<strong>onde Leonardo nasceu</strong>”.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/2019/04/leonardo-da-vinci-500-anos-morte-genio-artista-engenheiro-cientista"><em>Como o brilho de Leonardo da Vinci persiste, 500 anos depois de sua morte</em></a>)</p><h2      id="header_3114389_0"><strong>Os próximos passos no estudo do DNA de Leonardo da Vinci</strong></h2><p dir="ltr">No entanto, esclarecem os especialistas,&nbsp;<strong>os resultados não são definitivos&nbsp;</strong>e serão necessários artefatos adicionais para refinar as observações. “<strong>Estabelecer uma identidade inequívoca é extremamente complexo</strong>”, disse David Caramelli, do&nbsp;<em>Projeto Leonardo DNA</em>, antropólogo e&nbsp;<strong>especialista em DNA antigo&nbsp;</strong>da Universidade de Florença (UNIFI), citado pela&nbsp;<em>“Science”</em>.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>pesquisadores esperam poder estudar os cadernos de Da Vinci</strong>, bem como túmulos e locais de sepultamento relacionados e outras de suas obras. Jesse Ausubel, da Universidade Rockefeller, em Nova York, e presidente do&nbsp;<em>Projeto Leonardo DNA</em>, afirmou que&nbsp;<strong>o inventor italiano usava os dedos</strong> (<strong>além de pincéis</strong>) para&nbsp;<strong>pintar</strong> – então<strong> poderia haver células da epiderme misturadas às cores</strong> em suas obras.</p><p dir="ltr">Neste contexto,&nbsp;<strong>os cientistas estão otimistas</strong>: “Embora&nbsp;<strong>ainda faltem coincidências confirmadas de DNA com Leonardo Da Vinci</strong>, o sucesso é inevitável, pois um limiar foi ultrapassado. O projeto estabeleceu uma estrutura sólida,&nbsp;<strong>um marco de referência para detectar&nbsp;</strong>‘<strong>assinaturas</strong>’&nbsp;<strong>em obras de arte</strong> ou<strong> documentos antigos por meio de DNA ou microbiomas</strong>. O conhecimento e as técnicas pioneiras do projeto podem, e sem dúvida serão, aplicados para compreender melhor outras figuras históricas importantes”, afirmou Ausubel.</p><p>(<em>Leia mais sobre o tema:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/10/a-mona-lisa-esta-sorrindo-a-resposta-da-ciencia-para-uma-das-incognitas-mais-notaveis-da-arte"><em>A Mona Lisa está sorrindo? A resposta da ciência para uma das incógnitas mais notáveis da arte</em></a>)</p><h2      id="header_3114390_0"><strong>O que o DNA de Leonardo da Vinci pode dizer sobre o gênio renascentista</strong></h2><p dir="ltr">Durante anos,&nbsp;<strong>engenheiros e geneticistas se perguntaram se Leonardo da Vinci</strong>, o<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/10/o-louvre-tem-um-historico-conturbado-de-roubos-em-plena-luz-do-dia-inclusive-envolvendo-a-mona-lisa"><strong>gênio criador da Mona Lisa</strong></a>,<strong>&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>sua extraordinária percepção visual</strong> poderiam&nbsp;<strong>ser explicados por sua genética</strong>.</p><p dir="ltr">“Suas representações precisas de fenômenos transitórios, como a turbulência da água e o bater das asas das libélulas,&nbsp;<strong>levaram a questionar se ele percebia&nbsp;</strong>o movimento com uma resolução temporal excepcionalmente alta”, explica o comunicado à imprensa.&nbsp;<strong>Eles consideram genes ligados à velocidade do sinal retiniano</strong> como&nbsp;<strong>uma possibilidade</strong>.</p><p dir="ltr">No entanto, esclarecem, “<strong>a genialidade não se resume apenas à genética</strong>”,&nbsp;<strong>embora a biologia possa fornecer novas e valiosas pistas&nbsp;</strong>sobre a inventividade desse homem.</p><p>Leonardo Domenico Laurenza, historiador de arte da Universidade de Cagliari,&nbsp;<strong>capital da ilha da Sardenha</strong>,&nbsp;<strong>na Itália</strong>, que não participou do novo estudo, afirma que tende “<strong>a explicar Leonardo mais como resultado de um contexto cultural</strong> e econômico favorável”&nbsp;<strong>do que como uma mera questão genética</strong>.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Que tal fazer uma caminhada após as refeições? Ela pode alterar a forma como o cérebro e o corpo reagem à comida</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/que-tal-fazer-uma-caminhada-apos-as-refeicoes-ela-pode-alterar-a-forma-como-o-cerebro-e-o-corpo-reagem-a-comida</link><description><![CDATA[Comer não apenas repõe as energias do corpo — desencadeia uma sequência cuidadosamente cronometrada de mudanças fisiológicas, que ocorrem principalmente nos minutos que se seguem após uma refeição.Durante esse período, pesquisas sugerem que o movimento pós-refeição pode fazer mais do que acalmar o estômago. Ele pode remodelar a forma como o corpo processa os alimentos e como o cérebro reage a...]]></description><category>Saúde</category><pubDate>Wed, 11 Mar 2026 10:08:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/que-tal-fazer-uma-caminhada-apos-as-refeicoes-ela-pode-alterar-a-forma-como-o-cerebro-e-o-corpo-reagem-a-comida</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/gettyimages-1448002372.jpg?w=1600" length="967731" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/12/qual-a-melhor-hora-para-comer-e-se-manter-saudavel"><strong>Comer</strong></a><strong> não apenas repõe as energias do corpo</strong> — desencadeia uma sequência cuidadosamente cronometrada de<strong> mudanças fisiológicas</strong>, que ocorrem principalmente nos minutos que se seguem&nbsp;<strong>após uma refeição</strong>.</p><p dir="ltr">Durante esse período,&nbsp;<strong>pesquisas sugerem</strong> que o&nbsp;<strong>movimento pós-refeição</strong> pode fazer mais do que acalmar o estômago. Ele pode&nbsp;<strong>remodelar</strong> a forma&nbsp;<strong>como o corpo processa os alimentos</strong> e como o cérebro reage a eles.</p><p dir="ltr">Então,&nbsp;<strong>o que acontece durante esse período pós-refeição</strong> e como uma&nbsp;<strong>breve&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/12/voce-sabe-caminhar-corretamente-a-caminhada-e-um-sinal-de-boa-saude"><strong>caminhada</strong></a><strong> pode ajudar</strong> a moldar esse processo? Confira a seguir.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Saúde, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/quantos-ovos-comer-por-dia-sem-aumentar-o-colesterol-a-resposta-mudou-e-os-medicos-finalmente-concordam"><em>Quantos ovos comer por dia sem aumentar o colesterol? A resposta mudou (e os médicos finalmente concordam</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114300_0"><strong>O que seu corpo (e cérebro) fazem depois de uma refeição</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/12/5-conselhos-para-melhorar-a-digestao"><strong>digestão</strong></a><strong> é um processo ativo&nbsp;</strong>que envolve todo o corpo. Logo após comermos, nosso&nbsp;<strong>corpo entra no modo "repouso e digestão"</strong> — um período em que&nbsp;<strong>o intestino e o cérebro se comunicam intensamente</strong>, trocando diversos sinais que<strong> influenciam a digestão</strong>,&nbsp;<strong>o humor</strong> e os níveis de<strong> estresse</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os elementos presentes nos alimentos, como&nbsp;<strong>carboidratos, gorduras e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/02/quer-uma-dieta-rica-em-proteinas-nao-e-preciso-comer-mais-carne-para-alcancar-esse-objetivo"><strong>proteínas</strong></a><strong> são decompostos</strong> em glicose, ácidos graxos e aminoácidos, que são então&nbsp;<strong>liberados na corrente sanguínea</strong>.</p><p dir="ltr">Isso cria uma janela sensível para o&nbsp;<strong>eixo intestino-cérebro&nbsp;</strong>— a via bidirecional de<strong> nervos e sinais que liga a digestão ao estresse e ao humor</strong>. É também o&nbsp;<strong>momento perfeito para se movimentar</strong>, afirma Loretta DiPietro, cientista de exercícios e nutrição da Universidade George Washington, nos Estados Unidos.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114302_0"><strong>O que o exercício após as refeições faz pelo seu corpo e pelo seu cérebro</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Ao se movimentar</strong> — mesmo em uma&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/03/caminhar-e-otimo-para-sua-saude-e-andar-para-tras-melhor-ainda-diz-a-ciencia"><strong>caminhada</strong></a><strong> tranquila</strong> — seus músculos se contraem, o que&nbsp;<strong>ajuda a retirar o açúcar da corrente sanguínea</strong> e&nbsp;<strong>levá-lo para as células</strong>. Esse processo ocorre independentemente da insulina, o que é especialmente<strong> útil para idosos</strong>,&nbsp;<strong>pessoas com resistência à insulina</strong> ou qualquer pessoa que tenha feito uma&nbsp;<strong>refeição pesada à noite</strong>, quando a insulina tende a ser menos eficiente.</p><p dir="ltr">Isso significa que&nbsp;<strong>o movimento oferece&nbsp;</strong>ao seu corpo uma&nbsp;<strong>segunda via para controlar o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/03/o-que-acontece-com-o-corpo-se-voce-deixar-de-comer-acucar"><strong>açúcar no sangue</strong></a>. Ele pode ajudar a&nbsp;<strong>atenuar os picos de açúcar&nbsp;</strong>acentuados<strong> após as refeições</strong> e reduzir a carga de trabalho do pâncreas. Com o tempo, esse&nbsp;<strong>alívio pode ajudar&nbsp;</strong>a proteger a&nbsp;<strong>saúde metabólica e reduzir</strong> os fatores de risco para&nbsp;<strong>diabetes e doenças cardíacas</strong>.</p><p dir="ltr">“<strong>O&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/01/beneficios-da-atividade-fisica-para-a-saude"><strong>exercício físico</strong></a><strong> contorna as deficiências na sinalização da insulina</strong>”, afirma Gerald Shulman, professor de Medicina na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. “O exercício&nbsp;<strong>abre a porta para a glicose entrar na célula</strong> — mesmo em pessoas com resistência à insulina.”</p><p dir="ltr">Mas esses benefícios metabólicos contam apenas parte da história.&nbsp;<strong>O movimento</strong> durante esse estado de recuperação&nbsp;<strong>pós-refeição também aumenta o fluxo sanguíneo</strong> para os órgãos digestivos e&nbsp;<strong>favorece a interocepção</strong>, que é a&nbsp;<strong>percepção do cérebro</strong> sobre o que está acontecendo dentro do corpo.</p><p dir="ltr">Estudos recentes sugerem que&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/06/dispositivo-inovador-da-esperanca-para-o-tratamento-de-enxaqueca-e-varias-outras-doencas"><strong>o nervo vago</strong></a> — uma importante via de&nbsp;<strong>comunicação entre o intestino e o cérebro&nbsp;</strong>— ajuda a&nbsp;<strong>moldar como nos sentimos após comer</strong>. Um estudo descobriu que&nbsp;<strong>o nervo vago desempenha um papel em tudo</strong>, desde a sensação de&nbsp;<strong>saciedade</strong> até o gerenciamento das&nbsp;<strong>emoções</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Outro estudo constatou que&nbsp;<strong>as bactérias intestinais podem influenciar esse nervo</strong>, conectando o que comemos à forma como nossos corpos e mentes reagem.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>cientistas ainda estão mapeando essas conexões</strong>, mas as evidências sugerem que&nbsp;<strong>caminhadas após as refeições</strong> favorecem sim a<strong> comunicação entre cérebro e corpo&nbsp;</strong>de maneiras que vão muito além da digestão.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/01/os-7-beneficios-de-caminhar-segundo-a-ciencia"><em>Os 7 benefícios de caminhar, segundo a Ciência</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114306_0"><strong>Quando e como se movimentar após uma refeição</strong></h2><p dir="ltr"><br>O momento não precisa ser exato. DiPietro afirma que<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/02/beneficios-da-caminhada-conheca-os-5-erros-mais-comuns-na-hora-de-aproveitar-esse-exercicio">&nbsp;<strong>se movimentar</strong></a><strong> cerca de 30 minutos após terminar a refeição pode ser o ideal</strong>, mas observa que os benefícios começam assim que as pessoas começam a se mexer. Shulman concorda, acrescentando que s<strong>e movimentar a qualquer hora do dia</strong> pode&nbsp;<strong>melhorar a sensibilidade à insulina</strong>.</p><p dir="ltr">A atividade<strong> não precisa ser intensa ou prolongada</strong>. A pesquisa de DiPietro sugere que&nbsp;<strong>15 minutos de caminhada leve</strong> já&nbsp;<strong>atenuam os picos de glicose</strong> pós-prandial.&nbsp;</p><p dir="ltr">Um novo&nbsp;<strong>estudo de 2025&nbsp;</strong>corroborou essa informação, constatando que uma&nbsp;<strong>caminhada de 10 minutos imediatamente após uma refeição</strong> melhorou o controle da glicemia tanto quanto uma caminhada de 30 minutos feita posteriormente.&nbsp;<strong>Você nem precisa suar</strong>, comenta Shulman. O importante é simplesmente se movimentar.</p><p dir="ltr">Outro estudo de 2025 mostrou que&nbsp;<strong>interromper longos períodos sentado&nbsp;</strong>com&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/caminhar-pelo-quarteirao-e-bom-para-saude-e-por-um-motivo-surpreendente"><strong>caminhadas leves</strong></a><strong> de dois a cinco minutos</strong> (mesmo caminhar&nbsp;<strong>dentro de casa ou subir escadas</strong> pode ajudar) reduziu significativamente os<strong> picos de glicose e insulina pós-prandial&nbsp;</strong>em adultos com obesidade.</p><p dir="ltr">E esses benefícios vão além daqueles com resistência à insulina. Shulman observa que,&nbsp;<strong>mesmo em adultos jovens e magros</strong>, o&nbsp;<strong>movimento após as refeições</strong> melhora a forma como os músculos armazenam energia, podendo<strong> contribuir para a saúde metabólica</strong> ao longo da vida.</p><p dir="ltr"><strong>A chave para os benefícios está na consistência</strong>. Para observar efeitos duradouros, o<strong> movimento após as refeições precisa ser repetido diariamente</strong>. De uma perspectiva evolutiva, diz DiPietro, os humanos foram programados para se movimentar após comer — um ritmo que favorecia o uso da energia em vez de seu armazenamento.&nbsp;<strong>Caminhar após as refeições pode ser uma maneira simples</strong> de reintroduzir essa expectativa na vida moderna.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/01/quer-caminhar-mais-5-ideias-para-criar-uma-rotina-de-caminhada-segundo-os-especialistas"><em>Quer caminhar mais? 5 ideias para criar uma rotina de caminhada, segundo os especialistas</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114306_1"><strong>Caminhar: um hábito simples, mas com impacto em todo o corpo</strong></h2><p dir="ltr"><br>Uma&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/a-sua-caminhada-diaria-precisa-ter-10-mil-passos-veja-o-que-a-ciencia-diz"><strong>caminhada</strong></a><strong> após as refeições não vai substituir medicamentos</strong> nem transformar radicalmente seu metabolismo da noite para o dia. Mas é uma&nbsp;<strong>pequena mudança com um potencial enorme</strong> — parte de um panorama maior sobre como o&nbsp;<strong>movimento</strong>,&nbsp;<strong>alimentação e saúde</strong> estão profundamente&nbsp;<strong>interligados</strong>.</p><p>Se uma caminhada à noite parece inatingível, comece devagar.&nbsp;<strong>Coloque música e lave a louça com vigor</strong>.&nbsp;<strong>Leve o cachorro para passear&nbsp;</strong>um pouco mais longe. Marche no lugar. Como diz DiPietro, “<strong>Simplesmente se mexa</strong>”.</p>]]></content:encoded></item><item><title>O telescópio James Webb mapeou 800 mil galáxias e pode estar perto de desvendar a matéria escura </title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/03/o-telescopio-james-webb-mapeou-800-mil-galaxias-e-pode-estar-perto-de-desvendar-a-materia-escura</link><description><![CDATA[Um dos enigmas mais persistentes e importantes de toda a física espacial é: o que é matéria escura?Esse material invisível e misterioso é cerca de cinco vezes mais abundante no Universo do que a matéria comum que compõe seres humanos, animais, planetas, estrelas e tudo o que os humanos já foram capazes de ver. Embora os cientistas não consigam detectar a matéria escura diretamente com...]]></description><category>Espaço</category><pubDate>Tue, 10 Mar 2026 20:10:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/03/o-telescopio-james-webb-mapeou-800-mil-galaxias-e-pode-estar-perto-de-desvendar-a-materia-escura</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/1-pia26702.jpg?w=1600" length="1826783" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Um dos&nbsp;<strong>enigmas mais persistentes</strong> e importantes de toda a física espacial é:&nbsp;<strong>o que é&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2018/03/esta-galaxia-quase-nao-tem-materia-escura-e-os-cientistas-estao-intrigados"><strong>matéria escura</strong></a><strong>?</strong></p><p dir="ltr">Esse&nbsp;<strong>material invisível e misterioso</strong> é cerca de cinco vezes&nbsp;<strong>mais abundante no&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2022/11/o-que-e-o-universo"><strong>Universo</strong></a>&nbsp;<strong>do que a matéria comum</strong> que compõe seres humanos, animais, planetas, estrelas e tudo o que os humanos já foram capazes de ver.&nbsp;</p><p dir="ltr">Embora os<strong> cientistas não consigam detectar a matéria escura&nbsp;</strong>diretamente com telescópios, eles podem<strong> detectar a influência de sua gravidade&nbsp;</strong>em grandes escalas, como a de&nbsp;<strong>galáxias</strong> e aglomerados de galáxias.</p><p dir="ltr">Mas para&nbsp;<strong>desvendar o mistério da matéria escura</strong>, os cientistas primeiro precisam saber:&nbsp;<strong>onde ela está?</strong></p><p dir="ltr">Embora esforços anteriores tenham tentado&nbsp;<strong>mapear a matéria escura</strong> de várias maneiras&nbsp;<strong>pelo&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/12/quem-foi-carl-sagan-o-cientista-que-desvendou-o-cosmos-e-combateu-a-desinformacao"><strong>cosmos</strong></a>, um&nbsp;<strong>novo estudo</strong> publicado em 26 de janeiro de 2026, na revista científica<em> Nature Astronomy</em> fornece o&nbsp;<strong>mapa de matéria escura de mais alta resolução&nbsp;</strong>já criado<strong>&nbsp;</strong>até o momento.&nbsp;</p><p dir="ltr">As novas descobertas se baseiam em<strong> dados do Telescópio Espacial James Webb&nbsp;</strong>e reforçam a teoria atual dos cientistas de que<strong> a gravidade da matéria escura atraiu a matéria comum</strong>, formando&nbsp;<strong>aglomerados</strong> que se desenvolveram nas primeiras estruturas do Universo.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Espaço, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/onde-a-nasa-esta-procurando-por-aliens-no-sistema-solar-conheca-as-descobertas-mais-recentes"><em>Onde a Nasa está procurando por aliens no Sistema Solar? Conheça as descobertas mais recentes</em></a>)</p><p dir="ltr">“<strong>É a</strong>&nbsp;<strong>estrutura gravitacional na qual tudo o mais se encaixa&nbsp;</strong>e que&nbsp;<strong>forma as&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2024/07/o-que-e-uma-galaxia-elas-sao-classificadas-em-8-tipos-segundo-a-nasa"><strong>galáxias</strong></a>. E podemos realmente&nbsp;<strong>ver esse processo&nbsp;</strong>acontecendo&nbsp;<strong>neste mapa</strong>”, afirma Richard Massey, coautor do estudo e físico da Universidade de Durham, no Reino Unido.</p><p dir="ltr"><strong>Sem a matéria escura, não haveria matéria suficiente</strong> para manter as galáxias unidas gravitacionalmente, e&nbsp;<strong>nossa galáxia</strong>, a&nbsp;<strong>Via Láctea</strong>, que abriga bilhões de planetas,&nbsp;<strong>incluindo&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/09/a-origem-da-terra-como-foi-a-jornada-cosmica-que-formou-o-planeta"><strong>a Terra</strong></a>,&nbsp;<strong>não existiria em sua forma atual</strong>.</p><h2 dir="ltr"      id="header_3114322_0"><strong>Explorando o campo Cosmos</strong></h2><p dir="ltr"><br>O&nbsp;<strong>mapa representa parte de uma região do céu&nbsp;</strong>conhecida como&nbsp;<strong>campo Cosmos</strong>, que foi amplamente estudada pelo&nbsp;<strong>telescópio Espacial Hubble</strong> e outros observatórios. Embora&nbsp;<strong>o novo mapa</strong> do telescópio<strong> James Webb</strong> contenha&nbsp;<strong>quase 800 mil&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/05/os-4-fatos-sobre-as-galaxias-que-voce-nao-conhecia"><strong>galáxias</strong></a>, muitas das quais eram desconhecidas anteriormente, s<strong>ua área cobre uma pequena faixa do céu&nbsp;</strong>— cerca de 2,5 vezes maior que a Lua Cheia.</p><p dir="ltr">Notavelmente, há cerca de&nbsp;<strong>20 anos</strong>,&nbsp;<strong>o Hubble forneceu imagens detalhadas do campo Cosmos</strong>, permitindo uma análise da estrutura do universo que foi revolucionária na época. Munidos de&nbsp;<strong>dados de alta resolução do Webb</strong>, os cientistas agora podem sobrepor os novos dados aos antigos para verificar análises anteriores e&nbsp;<strong>descobrir novas características dos fundamentos do Universo</strong>.</p><p dir="ltr">“Podemos&nbsp;<strong>ver que as estruturas coincidem</strong>, mas agora podemos observar com muito m<strong>ais detalhes e com maior precisão.</strong> Isso é impressionante”, afirma Diana Scognamiglio, pesquisadora de cosmologia do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, que liderou o novo estudo.</p><p dir="ltr">Como&nbsp;<strong>o Webb detecta luz infravermelha</strong>, ele fornece&nbsp;<strong>imagens de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/03/quantas-galaxias-existem-no-universo"><strong>galáxias</strong></a><strong> que se formaram bilhões de anos&nbsp;</strong>atrás, no início do Universo. Isso permite que os cientistas infiram a&nbsp;<strong>presença de estruturas de matéria escura chamadas filamentos</strong>, formando uma "<strong>teia cósmica</strong>" na qual as galáxias estão dispostas ao longo de fios invisíveis.&nbsp;</p><p dir="ltr">"Há&nbsp;<strong>galáxias dispostas como contas em todos os lugares</strong> onde vemos&nbsp;<strong>matéria escura</strong>, a diferentes distâncias de nós e em diferentes momentos desde o&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2022/10/o-que-foi-o-big-bang"><strong>Big Bang</strong></a>", explica Massey.</p><p dir="ltr">Os cientistas acreditam que,&nbsp;<strong>após o nascimento do Universo</strong>, a&nbsp;<strong>matéria escura se aglomerou&nbsp;</strong>para formar essa estrutura, à qual a matéria comum se acumulou.&nbsp;<strong>O mapa do Webb reforça essa ideia</strong>. "<strong>Onde quer que haja matéria escura, ela atrai a matéria comum&nbsp;</strong>e começa a acumular matéria comum suficiente em um determinado local para<strong> formar estrelas e planetas</strong>", acrescenta Massey.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2022/10/como-nasce-uma-estrela"><em>Como nasce uma estrela</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114324_0"><strong>Como os cientistas construíram este mapa da matéria escura</strong></h2><p dir="ltr"><br>Para&nbsp;<strong>detectar indiretamente grandes fontes de matéria escura&nbsp;</strong>nessa região específica do céu, os cientistas usaram uma técnica chamada&nbsp;<strong>lente gravitacional</strong>.</p><p dir="ltr">Um&nbsp;<strong>objeto cósmico massivo</strong>, como uma&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/05/nos-100-anos-da-descoberta-das-galaxias-veja-5-avancos-astronomicos-que-fizeram-historia"><strong>galáxia</strong></a><strong>&nbsp;</strong>ou um aglomerado de galáxias, pode fazer com que&nbsp;<strong>a luz</strong> de uma fonte mais distante se curve e&nbsp;<strong>pareça distorcida</strong>. Em um fenômeno chamado "lente gravitacional forte", a&nbsp;<strong>luz da fonte distante é intensificada</strong>, de modo que parece ampliada ou até mesmo deformada ao seu redor,&nbsp;<strong>como um anel</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas, neste caso, os<strong> pesquisadores estavam procurando</strong> por uma "<strong>lente gravitacional fraca</strong>", mais sutil, na qual as formas das galáxias são ligeiramente distorcidas ou deslocadas&nbsp;<strong>porque a matéria escura interrompe a trajetória da luz</strong>. Um grande número de galáxias é necessário para&nbsp;<strong>calcular a quantidade de matéria escura</strong> responsável pelo efeito de lente gravitacional fraca.</p><p dir="ltr">"<strong>As&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/05/qual-e-a-maior-galaxia-do-universo"><strong>galáxias</strong></a>, ou o que quer que estejamos observando,&nbsp;<strong>são curvadas nessas formas características</strong>, como um espelho de parque de diversões, ou como olhar através da janela de uma cozinha ou banheiro", explica Massey. "E&nbsp;<strong>calculamos a quantidade de matéria escura existente&nbsp;</strong>descobrindo como ela distorceu as formas dessas galáxias de fundo."</p><p dir="ltr"><strong>Medir a matéria escura indiretamente dessa forma</strong> é semelhante a observar as árvores e inferir que o vento causa o movimento das folhas e dos galhos, diz Massey.<strong> Isso não é pouca coisa</strong> quando se trata de calcular mudanças sutis em centenas de milhares de galáxias.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>pesquisadores observaram a mesma região do céu com o Webb por 255 horas</strong>, representando<strong> o maior levantamento&nbsp;</strong>do primeiro ano de operações científicas do telescópio, que começou em 2022.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2025/03/como-o-universo-comecou-e-como-foram-seus-primordios"><em>Como o Universo começou e como foram seus primórdios?</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114326_0"><strong>Mais do que apenas este mapa</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>O mapa em si é apenas o começo</strong>. Rachel Mandelbaum, física da Universidade Carnegie Mellon que não participou deste estudo, aguarda com expectativa&nbsp;<strong>as futuras descobertas científicas que surgirão a partir do mapa</strong>, que podem incluir análises de como&nbsp;<strong>tipos específicos de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/10/como-localizar-a-galaxia-de-andromeda-no-ceu"><strong>galáxias</strong></a> se relacionam com a quantidade de matéria escura nessas galáxias,&nbsp;<strong>como as galáxias estão distribuídas</strong> e uma melhor compreensão dos<strong> "vazios" galácticos</strong>, regiões onde há menos galáxias do que a média.</p><p dir="ltr">Essas análises "nos&nbsp;<strong>ajudarão a responder às nossas perguntas fundamentais sobre o Universo</strong>, como a matéria está distribuída e como as galáxias evoluíram", acredita Mandelbaum.</p><p dir="ltr">O<strong> mapa de matéria escura do Webb também surge</strong> justamente quando começa uma&nbsp;<strong>era de ouro na exploração do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2025/04/dia-mundial-da-astronomia-o-que-um-telescopio-europeu-acaba-de-descobrir-sobre-o-universo-escuro"><strong>Universo escuro</strong></a>. O&nbsp;<strong>telescópio Euclid da Agência Espacial Europeia</strong>, lançado em 2023, e o&nbsp;<strong>Telescópio Espacial Nancy Grace Roman</strong> da Nasa, com lançamento previsto para este outono (do Hemisfério Norte), fornecerão&nbsp;<strong>observações complementares da matéria escura</strong> em uma faixa muito maior do céu.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ambos os telescópios foram&nbsp;<strong>projetados para grandes levantamentos</strong>, enquanto o Webb se concentra em porções muito menores do céu com maior detalhe. O novo&nbsp;<strong>Observatório Vera C. Rubin</strong>, localizado&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2021/07/conteudo-pago-aventure-se-nos-espacos-abertos-e-selvagens-do-chile"><strong>no Chile</strong></a>, que divulgou&nbsp;<strong>suas primeiras imagens</strong> em junho de 2025,&nbsp;<strong>fornecerá ainda mapas de galáxias e matéria escura&nbsp;</strong>que ampliarão nossa compreensão científica desse mistério.</p><p dir="ltr"><strong>O mapa é “um primeiro passo fundamental&nbsp;</strong>para todo o conhecimento futuro que obteremos sobre a&nbsp;<strong>matéria escura</strong>”, afirma Gavin Leroy, pesquisador da Universidade de Durham, na Inglaterra, e um dos líderes do estudo.</p><p dir="ltr">Os cientistas agora trabalham em&nbsp;<strong>uma versão tridimensional do novo mapa da matéria escura</strong> obtido pelo Webb. Combinado com os grandes&nbsp;<strong>levantamentos de outros observatórios</strong>, isso permitirá que os cientistas finalmente compreendam as&nbsp;<strong>propriedades da própria matéria escura</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Por exemplo, a matéria escura é realmente&nbsp;<strong>composta de partículas massivas</strong> e de&nbsp;<strong>movimento lento</strong> — o que os cientistas chamam de “frias” —&nbsp;<strong>ou</strong> ela é feita de&nbsp;<strong>partículas mais leves</strong> e de movimento mais&nbsp;<strong>rápido</strong>, chamadas de “quentes”?</p><p dir="ltr">“Espero que as pessoas vejam isso como&nbsp;<strong>uma base para outros estudos</strong>”, diz Scognamiglio. “E que<strong> possamos expandir os dados</strong> com outros telescópios e combiná-los para fazer cosmologia e realmente&nbsp;<strong>entender o que é a matéria escura</strong>.”.”</p>]]></content:encoded></item><item><title>Quantos ovos comer por dia sem aumentar o colesterol? A resposta mudou (e os médicos finalmente concordam)</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/quantos-ovos-comer-por-dia-sem-aumentar-o-colesterol-a-resposta-mudou-e-os-medicos-finalmente-concordam</link><description><![CDATA[Esqueça as omeletes sem graça feitas apenas com claras: isso porque um mito está se desfazendo e as gemas dos ovos não são mais as vilãs da dieta que já foram. Nos últimos anos, houve uma grande mudança na forma como os especialistas encaram o colesterol alimentar, ou seja, o tipo de colesterol encontrado em alimentos de origem animal. A partir da década de 1960, as diretrizes alimentares...]]></description><category>Saúde</category><pubDate>Tue, 10 Mar 2026 10:10:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/quantos-ovos-comer-por-dia-sem-aumentar-o-colesterol-a-resposta-mudou-e-os-medicos-finalmente-concordam</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/kzcatt10228.jpg?w=1600" length="1222523" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Esqueça as<strong> omeletes sem graça</strong> feitas&nbsp;<strong>apenas com claras</strong>: isso porque<strong> um mito&nbsp;</strong>está se desfazendo e&nbsp;<strong>as&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/05/voce-sabe-quais-sao-os-quatro-tipos-de-ovos-que-comemos"><strong>gemas dos ovos</strong></a><strong> não são mais as vilãs da dieta&nbsp;</strong>que já foram. Nos últimos anos, houve uma grande mudança na forma&nbsp;<strong>como os especialistas encaram o colesterol alimentar</strong>, ou seja, o tipo de&nbsp;<strong>colesterol</strong> encontrado em alimentos de&nbsp;<strong>origem animal</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">A partir da década de&nbsp;<strong>1960</strong>, as diretrizes alimentares&nbsp;<strong>recomendavam limitar a ingestão de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/11/o-que-e-o-colesterol"><strong>colesterol</strong></a> a no máximo&nbsp;<strong>300 mg/dia</strong>, com base na crença de que ele eleva o&nbsp;<strong>colesterol ruim</strong> no sangue e<strong> aumenta o risco de doenças cardíacas</strong>. Nesse contexto, as&nbsp;<strong>gemas de ovo eram consideradas&nbsp;</strong>uma fonte particularmente&nbsp;<strong>potente de colesterol</strong>.</p><p dir="ltr">No entanto, essa&nbsp;<strong>recomendação de limitação do colesterol</strong> foi finalmente&nbsp;<strong>revogada em 2016</strong>, porque as evidências científicas não sustentavam uma<strong> forte ligação entre o colesterol alimentar e as doenças cardíacas</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Estudos mais recentes&nbsp;</strong>mostraram que a&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/12/alimentos-ultraprocessados-eles-nao-sao-so-ruins-para-a-saude-como-afetam-a-sua-mente"><strong>gordura saturada</strong></a>,&nbsp;<strong>e não o colesterol alimentar</strong>, é o que realmente&nbsp;<strong>faz a diferença</strong> nos níveis de&nbsp;<strong>colesterol</strong> no sangue.</p><p dir="ltr">Em<em> 2025</em>, um estudo randomizado cruzado publicado no&nbsp;<em>The American Journal of Clinical Nutrition&nbsp;</em>confirmou que o&nbsp;<strong>consumo de dois ovos por dia</strong>, como parte de uma dieta com&nbsp;<strong>baixo teor de gordura saturada</strong>, levou à&nbsp;<strong>redução do colesterol LDL</strong> (o “colesterol ruim”) após cinco semanas. Em contrapartida, seguir uma dieta rica em colesterol e gordura saturada, com ou sem um ovo por semana, não apresentou o mesmo efeito.</p><p dir="ltr"><strong>Eliminar as gemas&nbsp;</strong>também&nbsp;<strong>priva você de importantes benefícios nutricionais</strong>. "A grande maioria dos nutrientes de um ovo está na gema", afirma&nbsp;<strong>Keith Ayoob</strong>, nutricionista registrado na cidade de Nova York e professor associado emérito de pediatria no A<em>lbert Einstein College of Medicine</em>, Estados Unidos.</p><p dir="ltr">Dito isso, ainda pode haver&nbsp;<strong>bons motivos para limitar</strong> a quantidade de ovos que você consome.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Saúde, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/especial-dia-da-mulher-o-corpo-feminino-e-excepcionalmente-flexivel-e-isso-o-torna-superforte"><em>O corpo feminino é excepcionalmente flexível – e isso o torna superforte</em></a>)</p><h2 dir="ltr"         id="header_3114288_0"><strong>O que realmente aumenta o seu colesterol?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Embora seja&nbsp;<strong>verdade que as gemas de ovo contenham colesterol</strong>, “a maior parte do<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/09/colesterol-triglicerideos-e-nutricao-como-a-dieta-pode-aumentar-suas-chances-de-desenvolver-cancer"><strong>colesterol</strong></a><strong> no nosso sangue é produzida no fígado</strong>,&nbsp;<strong>e não</strong> proveniente diretamente da&nbsp;<strong>alimentação</strong>”, explica&nbsp;<strong>David L. Katz</strong>, especialista em medicina preventiva e ex-presidente do&nbsp;<em>American College of Lifestyle Medicine</em>, nos Estados Unidos.</p><p dir="ltr">Nossos<strong> genes influenciam</strong> a quantidade de<strong> colesterol que o fígado produz</strong> e a quantidade que ele elimina do sangue. Com base em&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/o-que-e-o-dna-e-do-que-ele-e-composto"><strong>fatores genéticos</strong></a>,&nbsp;<strong>cada pessoa pode reagir de forma diferente</strong> às fontes alimentares de colesterol; algumas pessoas são hipersensíveis a ele, enquanto outras não.</p><p dir="ltr"><strong>A alimentação importa</strong>, porém — só que não da maneira que você imagina. “<strong>O maior fator alimentar</strong> que influencia o&nbsp;<strong>colesterol no sangue</strong> não é o colesterol proveniente dos alimentos naturais, mas sim&nbsp;<strong>da gordura saturada</strong>”, afirma Ayoob.</p><p dir="ltr">Pesquisas demonstraram que&nbsp;<strong>a gordura saturada aumenta o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/12/o-que-e-o-colesterol-bom-e-o-ruim"><strong>colesterol LDL</strong></a>, dificultando a sua remoção do sangue pelo fígado e&nbsp;<strong>estimulando a produção de apolipoproteína B</strong>. Ambos os fatores levam a níveis mais elevados de partículas de colesterol circulantes no sangue, o que pode&nbsp;<strong>aumentar o risco de doenças cardiovasculares</strong>.</p><p dir="ltr">Por isso, especialistas afirmam que é sensato&nbsp;<strong>focar na restrição da ingestão de gordura saturada</strong> para a saúde do coração e a saúde em geral.</p><p dir="ltr">As Diretrizes Alimentares para Norte-americanos de 2025-2030 continuam recomendando<strong> limitar o consumo de gordura saturada&nbsp;</strong>a no máximo 10% do total de calorias diárias, ou um&nbsp;<strong>máximo de 20 gramas por dia</strong>. Isso significa, na prática,<strong> limitar a ingestão de manteiga</strong>,&nbsp;<strong>laticínios integrais</strong>,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2019/01/consumo-de-carne-vermelha-vegano-veganismo-consequencias-desastrosas-planeta"><strong>carnes vermelhas</strong></a>,&nbsp;<strong>queijos</strong> e óleos tropicais, como o<strong> óleo de coco</strong>.</p><p dir="ltr">“Quando as pessoas&nbsp;<strong>demonizam os ovos</strong>, o<strong> problema não são os ovos em si, mas sim o que você come com eles</strong>”, afirma Ayoob. Então, pense: você está preparando seus&nbsp;<strong>ovos mexidos com muita manteiga</strong>? Está comendo&nbsp;<strong>bacon e torradas&nbsp;</strong>com bastante manteiga junto com os ovos? Ou está comendo&nbsp;<strong>vegetais ou frutas com os ovos</strong>?</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/os-4-beneficios-do-ovo-para-a-saude-ele-e-considerado-o-alimento-completo"><em>Os 4 benefícios do ovo para a saúde: ele é considerado “o alimento completo”</em></a>)</p><h2 dir="ltr"         id="header_3114288_1"><strong>Quantos ovos você pode comer?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Os&nbsp;<strong>ovos e suas gemas são ricos em nutrientes</strong>. Um ovo grande contém quase 3 gramas de&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/02/quer-uma-dieta-rica-em-proteinas-nao-e-preciso-comer-mais-carne-para-alcancar-esse-objetivo"><strong>proteína</strong></a>, 22 mg de&nbsp;<strong>cálcio</strong>, 66 mg de&nbsp;<strong>fósforo</strong>, 19 mg de&nbsp;<strong>potássio</strong> e 10 gramas de&nbsp;<strong>selênio</strong>, além de&nbsp;<strong>folato, colina, vitamina A, vitamina D, vitamina E, vitamina K, aminoácido</strong>s, ácidos graxos<strong> ômega-3, luteína e zeaxantina</strong>.</p><p dir="ltr">Alguns desses nutrientes são especialmente importantes porque&nbsp;<strong>poucos alimentos contêm&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/07/o-que-a-vitamina-d-pode-fazer-pelo-seu-corpo"><strong>vitamina D</strong></a><strong> ou colina</strong>, que são essenciais para a saúde cerebral, afirma&nbsp;<strong>Bethany Thayer</strong>, nutricionista e diretora do Centro de Promoção da Saúde do&nbsp;<em>Henry Ford Health</em> em Detroit. "Mas isso&nbsp;<strong>não significa que você deva comer uma dúzia de ovos de uma só vez</strong>", alerta Thayer.</p><p dir="ltr">A Associação Norte-americana do Coração afirma que<strong> adultos saudáveis&nbsp;</strong>​​podem consumir de&nbsp;<strong>um a dois ovos por dia</strong> com segurança, cada um contendo cerca de 206 mg de colesterol.</p><p dir="ltr">No entanto, lembre-se de que&nbsp;<strong>seus genes</strong> também podem&nbsp;<strong>afetar a quantidade de colesterol que você absorve&nbsp;</strong>de alimentos como ovos, diz Ayoob. Portanto, é prudente&nbsp;<strong>monitorar seus níveis de colesterol&nbsp;</strong>e hábitos alimentares, e moderar o consumo de ovos de acordo.</p><p dir="ltr">A relação entre o consumo de colesterol alimentar e os níveis de colesterol no corpo "é um pouco&nbsp;<strong>diferente para cada pessoa</strong>", afirma Julia Zumpano, nutricionista do Centro de Nutrição Humana da Cleveland Clinic. Quando se trata de&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/12/quais-alimentos-ajudam-a-baixar-o-colesterol"><strong>colesterol</strong></a><strong> no sangue</strong>, de&nbsp;<strong>60% a 80%</strong> é influenciado por<strong> fatores genéticos</strong>, e de&nbsp;<strong>20% a 40% pela dieta</strong>, observa ela.</p><p dir="ltr">Em geral,<strong> pessoas com colesterol alto&nbsp;</strong>podem consumir&nbsp;<strong>até quatro gemas de ovo por semana</strong>, enquanto aquelas que não têm colesterol alto, mas possuem histórico familiar de alterações no colesterol, podem consumir até seis gemas de ovo por semana, diz Zumpano.</p><p dir="ltr">Para manter suas refeições à base de ovos saudáveis, Ayoob&nbsp;<strong>recomenda cozinhá-los em&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/11/azeite-de-oliva-veja-por-que-nenhum-alimento-ou-medicamento-pode-fazer-o-que-ele-faz-pela-saude"><strong>azeite extra virgem</strong></a><strong> ou óleo vegetal</strong> em vez de manteiga e acompanhá-los com<strong> torradas integrais, feijão ou vegetais</strong>. "<strong>Alimentos ricos em fibras</strong> ajudam a bloquear a reabsorção do colesterol que seu corpo produz", explica ele.</p><p dir="ltr">Graças a essa&nbsp;<strong>nova compreensão científica</strong> sobre a falta de associação entre o colesterol alimentar e o colesterol sanguíneo, os&nbsp;<strong>ovos foram redescobertos</strong> como uma parte valiosa de uma dieta saudável. "<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/03/as-galinhas-livres-sao-mais-felizes-e-produzem-ovos-melhores"><strong>Os ovos</strong></a><strong> são realmente o alimento perfeito</strong>", conclui Ayoob. "Eles são supernutritivos, versáteis e baratos."</p>]]></content:encoded></item><item><title>É possível clonar seu animal de estimação? Será que ele terá a mesma personalidade? A ciência já sabe a resposta</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/e-possivel-clonar-seu-animal-de-estimacao-sera-que-ele-tera-a-mesma-personalidade-a-ciencia-ja-sabe-a-resposta</link><description><![CDATA[Quando Chai, uma gata da raça ragdoll de Kelly Anderson, faleceu inesperadamente aos 5 anos de idade, Kelly ficou devastada. Ela não queria adotar outro animal de estimação — ela queria Chai de volta."Ela era minha alma gêmea", diz Anderson. "Nunca tive um animal na minha vida, ou mesmo um ser humano, que me entendesse tão instintivamente como ela. Senti que me roubaram o tempo que passei com...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Mon, 09 Mar 2026 19:10:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/e-possivel-clonar-seu-animal-de-estimacao-sera-que-ele-tera-a-mesma-personalidade-a-ciencia-ja-sabe-a-resposta</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/mm1056526021700012-5.jpg?w=1600" length="735223" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Quando&nbsp;<strong>Chai</strong>, uma&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/11/5-dados-curiosos-sobre-os-gatos-que-voce-nao-sabia"><strong>gata</strong></a> da&nbsp;<strong>raça&nbsp;</strong><em><strong>ragdoll</strong></em> de&nbsp;<strong>Kelly Anderson</strong>,&nbsp;<strong>faleceu&nbsp;</strong>inesperadamente aos<strong> 5 anos</strong> de idade, Kelly ficou&nbsp;<strong>devastada</strong>. Ela não queria adotar outro animal de estimação —&nbsp;<strong>ela queria Chai de volta</strong>.</p><p dir="ltr">"<strong>Ela era minha alma gêmea</strong>", diz Anderson. "Nunca tive um animal na minha vida, ou mesmo um ser humano, que me entendesse tão instintivamente como ela. Senti que&nbsp;<strong>me roubaram o tempo que passei com ela</strong>."</p><p dir="ltr">A essa altura, a&nbsp;<strong>tendência da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2018/03/podemos-clonar-cachorros-mas-isso-e-uma-boa-ideia"><strong>clonagem de animais de estimação</strong></a><strong>&nbsp;</strong>havia&nbsp;<strong>surgido recentemente&nbsp;</strong>em uma conversa com sua colega de quarto, então a ideia estava fresca em sua mente. Ela&nbsp;<strong>passou a noite após a morte de Chai pesquisando freneticamente</strong> as opções e encontrou uma empresa de clonagem perto de sua casa no Texa, nos Estados Unidos.&nbsp;</p><p dir="ltr">"Eu&nbsp;<strong>não sabia nada sobre isso além de que era possível</strong>, então pesquisei bastante e descobri que custava US$ 25 mil na época", diz Anderson. "Eu pensei: 'Sabe de uma coisa? É basicamente como c<strong>omprar um carro</strong>.'"</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Animais, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/o-que-acontece-com-os-elefantes-jovens-quando-as-ancias-da-manada-desaparecem"><em>O que acontece com os elefantes jovens quando as anciãs da manada desaparecem?</em></a>)</p><p dir="ltr">Ela iniciou o processo na manhã seguinte,&nbsp;<strong>em 2017</strong>, graças a um&nbsp;<strong>empréstimo pessoal</strong>. (<strong>Hoje, custaria cerca de US$ 50 mil</strong>, mas ela recebeu um grande desconto quando a empresa de clonagem em ascensão buscava atrair clientes).&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Anderson transferiu parte do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/o-que-e-o-dna-e-do-que-ele-e-composto"><strong>DNA</strong></a><strong> da gatinha Chai do consultório do veterinário</strong>, onde a gata havia sido congelada durante a noite. Com a ajuda da tecnologia, u<strong>ma nova versão de sua antiga melhor</strong> amiga surgiria. Ela detalha sua jornada em seu site&nbsp;<em>Clone Kitty&nbsp;</em>e em suas redes sociais.</p><p dir="ltr">Mas<strong> quão semelhante a Chai esse clone poderia ser?</strong> A questão remete ao antigo debate&nbsp;<strong>natureza x criação</strong>. Como a pergunta: até que ponto a&nbsp;<strong>herança genética influencia&nbsp;</strong>um ser, em comparação com suas&nbsp;<strong>experiências de vida</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Enquanto milhares de&nbsp;<strong>donos de animais de estimação enlutados</strong>&nbsp;<strong>recorrem à&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2021/02/doninha-de-patas-pretas-e-clonada-processo-inedito-em-especie-ameacada-de-extincao"><strong>clonagem</strong></a> na tentativa de trazer de volta seus amados animais, cientistas exploram as&nbsp;<strong>diferenças de personalidade</strong> entre os animais originais e seus clones.</p><p dir="ltr"><strong>A clonagem de pets é um campo crescente</strong>,&nbsp;<strong>porém de nicho</strong>, e apenas experimentos pequenos e de escopo limitado foram realizados sobre traços de personalidade. Na verdade,&nbsp;<strong>nenhum se concentrou em gatos clonados</strong> e seus comportamentos em comparação com seus predecessores originais. As evidências limitadas até o momento sugerem que&nbsp;<strong>a clonagem pode copiar alguns aspectos da personalidade</strong> de um animal, mas&nbsp;<strong>não todos</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Traços gerais</strong> de temperamento do animal original, como níveis de&nbsp;<strong>atividade e sociabilidade</strong>, tendem a corresponder bastante bem aos dos clones, mas aqueles ligados à&nbsp;<strong>aprendizagem e a fatores ambientais&nbsp;</strong>são menos consistentes.&nbsp;</p><p dir="ltr">E embora alguns estudos relatem&nbsp;<strong>semelhanças de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/04/caes-cao-cachorro-pet-estimacao-estudo-personalidade-ansioso-ansiedade"><strong>personalidade</strong></a><strong> entre clones e seus predecessores</strong> originais, essas descobertas geralmente vêm com&nbsp;<strong>a ressalva</strong> de que os animais foram criados em&nbsp;<strong>condições ambientais semelhantes</strong>, o que também pode ter desempenhado um papel.</p><p dir="ltr">“Acho que essas empresas de clonagem estão tentando vender o que fazem como uma<strong> recriação do animal de estimação original</strong>, e<strong> não estão conseguindo</strong>”, comenta James Serpell, professor emérito de ética e bem-estar animal da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>E nunca conseguirão</strong>, porque muita coisa acontece após a concepção que altera a forma como o DNA original é expresso.&nbsp;<strong>Podemos comparar com&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2018/03/estas-gemeas-uma-negra-outra-branca-provam-que-cor-nao-e-raca"><strong>gêmeos</strong></a><strong> idênticos</strong>; eles nascem com DNA idêntico, mas quando&nbsp;<strong>adultos se tornam pessoas bastante distintas</strong>, com personalidades e preferências diferentes, eles não são mais verdadeiramente idênticos.”</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114294_0"><strong>O que esperar de um clone de pet</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>ciência avançou</strong> muito desde que a<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2019/12/conheca-20-principais-descobertas-cientificas-da-decada"><strong>ovelha Dolly</strong></a><strong> foi clonada há quase 30 anos</strong>. Hoje, a clonagem de animais de estimação está se tornando mais comum. O&nbsp;<strong>preço de US$ 50 mil é bem alto</strong>, mas acessível para alguns indivíduos ricos ou para aqueles dispostos a fazer empréstimos.&nbsp;<strong>Celebridades como Paris Hilton</strong>,&nbsp;<strong>Barbra Streisand</strong> e, mais recentemente,&nbsp;<strong>Tom Brady clonaram</strong> seus amados pets.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>procedimento não é tão simples&nbsp;</strong>quanto passar um animal por uma máquina replicadora de ficção científica.</p><p dir="ltr">“O processo envolve a&nbsp;<strong>extração de óvulos viáveis ​​das trompas de Falópio</strong>” da fêmea a ser clonada, diz Serpell, “então eles&nbsp;<strong>injetam hormônios em um animal receptor e implantam o óvulo</strong>, torcendo para que ele se implante corretamente. Infelizmente, muitos desses embriões não se implantam com sucesso, então muitas cadelas sofrem&nbsp;<strong>abortos espontâneos</strong> e alguns dos&nbsp;<strong>filhotes que nascem são malformados</strong> e não sobrevivem por muito tempo.”</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/09/os-animais-de-estimacao-realmente-deixam-as-pessoas-mais-felizes-e-saudaveis"><em>Os animais de estimação realmente deixam as pessoas mais felizes e saudáveis?</em></a>)</p><p dir="ltr">Embora o processo&nbsp;<strong>geralmente não seja perigoso</strong> para a barriga de aluguel, é provável que seja desagradável, como muitas fêmeas que se submeteram à&nbsp;<strong>fertilização&nbsp;</strong><em><strong>in vitro</strong>&nbsp;</em>podem atestar. Um estudo de 2022 constatou uma&nbsp;<strong>taxa de sucesso de apenas 16%</strong>, embora pelo menos uma empresa afirme atualmente atingir 80%.</p><p dir="ltr"><strong>Um clone criado por meio desse processo&nbsp;</strong>provavelmente&nbsp;<strong>se assemelhará&nbsp;</strong>mais ao animal de estimação original do que a um membro aleatório da mesma espécie, tanto na aparência quanto no comportamento. Mas suas&nbsp;<strong>personalidades provavelmente não serão idênticas</strong>.</p><p dir="ltr">Uma evidência disso vem de um&nbsp;<strong>estudo de 2025 sobre&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/08/cientistas-chineses-anunciam-o-1o-transplante-de-pulmao-de-porco-para-um-humano"><strong>porcos</strong></a><strong> miniatura clonados</strong>, que descobriu que, embora algumas características pareçam estar ligadas à genética, outras variam entre os clones, o que significa que são&nbsp;<strong>moldadas mais por experiências de vida</strong>.</p><p dir="ltr">“Com base nos miniporcos, parece que alguns&nbsp;<strong>traços de personalidade&nbsp;</strong>são bastante&nbsp;<strong>consistentes entre os clones</strong>, por exemplo, os níveis de atividade, enquanto outros traços, como a ousadia, parecem não ser muito consistentes dentro das linhagens clonadas”, disse&nbsp;<strong>Adam Reddon</strong>, coautor do estudo e pesquisador da Universidade Liverpool John Moores, na Inglaterra.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Todos os traços de personalidade surgem como&nbsp;<strong>uma interação entre a herança genética e o ambiente em que o animal vive</strong>, mas o trabalho com miniporcos clonados sugere que alguns comportamentos podem ser mais fortemente determinados pela genética do que outros.”</p><p dir="ltr">Um estudo de 2017 descobriu que&nbsp;<strong>filhotes clonados apresentavam personalidades mais estáveis ​​e previsíveis</strong> ao longo do tempo do que filhotes não clonados. Quando testados em duas idades diferentes, os cães clonados tenderam a manter o mesmo temperamento geral, enquanto as&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/11/os-cachorros-e-seus-donos-sao-realmente-parecidos-aqui-esta-o-motivo"><strong>personalidades dos cachorros</strong></a> do grupo de controle sofreram&nbsp;<strong>mais alterações</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os filhotes clonados foram especialmente consistentes em&nbsp;<strong>características&nbsp;</strong>relacionadas à forma&nbsp;<strong>como interagiam com pessoas</strong>, respondiam ao treinamento e lidavam com o estresse e o medo.</p><p dir="ltr">Embora seus níveis gerais de medo parecessem bastante semelhantes, a&nbsp;<strong>maneira como reagiam ao medo era diferente</strong>. Eles também divergiam em aspectos da personalidade ligados à<strong> aprendizagem</strong>, à&nbsp;<strong>experiência</strong> e à&nbsp;<strong>adaptação a situações sociais</strong> variáveis, como a curiosidade (assim como os miniporcos). Pesquisas também descobriram que as experiências dos cães durante&nbsp;<strong>o primeiro ano de vida&nbsp;</strong>influenciam seu comportamento e temperamento posteriores.</p><p dir="ltr">Para&nbsp;<strong>aumentar as chances</strong> de encontrar um animal com personalidade semelhante, pode ser mais sensato simplesmente encontrar outro<strong> animal que já pareça muito parecido com o original</strong> — sem necessidade de clonagem.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Em vez de investir US$ 50 mil em replicação genética</strong>, um futuro dono de animal de estimação poderia procurar incansavelmente por um animal que se pareça e se comporte de forma similar — e pode acabar com um animal ainda mais parecido com o original do que um clone.</p><p dir="ltr">"Parece-me&nbsp;<strong>improvável que o animal clonado tenha a mesma personalidade</strong>, ou mesmo uma semelhante, considerando o que sabemos sobre&nbsp;<strong>a importância da experiência</strong> na formação da personalidade", disse Reddon.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Pode haver algumas tendências com uma base genética mais forte para as quais o clone possa ter predisposição, mas, em geral, a&nbsp;<strong>personalidade</strong> surge da<strong> interação entre genes e experiência</strong>, portanto, a genética compartilhada representa apenas parte da equação.”</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/12/quando-os-gatos-foram-domesticados-novas-evidencias-de-dna-mudam-a-historia"><em>Quando os gatos foram domesticados? Novas evidências de DNA mudam a história</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3114296_0"><strong>A clonagem de animais não é como copiar e colar</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Anderson tomou a decisão de clonar Chai em 2017</strong>. Mas o&nbsp;<strong>processo demorou tanto</strong> (possivelmente devido ao fato de as amostras de DNA terem se degradado um pouco por terem sido congeladas) que&nbsp;<strong>Anderson só conheceu sua&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/08/descubra-como-o-seu-gato-vivencia-o-mundo"><strong>gata</strong></a><strong> clonada em 2021</strong>, o que pode ter sido uma bênção disfarçada.</p><p dir="ltr">"Foram&nbsp;<strong>quatro anos muito difíceis</strong>, mas acho que eu estava em uma situação muito melhor para&nbsp;<strong>receber minha nova gata, Belle</strong>", afirma Anderson. "Tive tempo para&nbsp;<strong>vivenciar o luto por Chai</strong> e, depois, pude&nbsp;<strong>apreciar melhor Belle por ser uma gata única</strong> — não apenas uma cópia da minha gata original."</p><p dir="ltr">Anderson suspeitava que seu clone poderia&nbsp;<strong>se comportar de maneira diferente de Chai&nbsp;</strong>mesmo antes de conhecer a<strong> nova&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/o-que-os-gatos-pensam-sobre-nos-voce-vai-se-surpreender"><strong>gatinha</strong></a>. "A gata original ficou muito doente quando filhote", conta Anderson.&nbsp;</p><p dir="ltr">"Ela<strong> ficou em quarentena</strong> e isolada e&nbsp;<strong>nunca foi socializada de verdade&nbsp;</strong>durante os primeiros quatro ou cinco meses em que a tive, então isso moldou completamente sua personalidade. Ela sempre foi&nbsp;<strong>bastante reservada com as pessoas</strong> e não se interessava por ninguém além de mim."</p><p dir="ltr"><strong>Belle, no entanto, logo se mostrou ativa</strong>. Ela visitou uma plantação de abóboras para tirar fotos no dia seguinte ao que Anderson a recebeu e&nbsp;<strong>a acompanha regularmente</strong> a lugares como bares e cervejarias.</p><p dir="ltr">“Em termos de temperamento, elas são exatamente iguais”, diz Anderson. “Ambas são<strong> gatas ousadas e atrevidas</strong>, que mandam em todos os outros animais da minha casa. Mas a socialização extra de&nbsp;<strong>Belle</strong> a tornou muito&nbsp;<strong>mais extrovertida e independente</strong> do que Chai era.”</p><p dir="ltr">Em última análise, Anderson concorda com os cientistas: qualquer pessoa que queira clonar um animal de estimação deve&nbsp;<strong>entender que o resultado será um animal único</strong>, não uma cópia idêntica do original.</p><p>“Você precisa entender que&nbsp;<strong>não se trata de reencarnação&nbsp;</strong>ou de trazer seu animal de estimação de volta dos mortos”, conclui Anderson. “É mais como&nbsp;<strong>ganhar um gêmeo idêntico</strong>, só que em uma data posterior.”</p>]]></content:encoded></item><item><title>Um crânio que cabe na ponta do dedo: fóssil de 9,5 mm achado no Brasil é o menor da América do Sul</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/um-cranio-que-cabe-na-ponta-do-dedo-fossil-de-95-mm-achado-no-brasil-e-o-menor-da-america-do-sul</link><description><![CDATA[Imagine um crânio tão pequeno que cabe na ponta de um dedo. O animal que possuía esse osso tão minúsculo na parte da cabeça viveu há 240 milhões de anos, segundo descoberta recente de paleontólogos brasileiros da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Trata-se da descoberta do Sauropia macrorhinus, um tetrápode já considerado o menor encontrado na América do Sul, segundo esses especialistas....]]></description><category>Ciência</category><pubDate>Mon, 09 Mar 2026 10:02:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/um-cranio-que-cabe-na-ponta-do-dedo-fossil-de-95-mm-achado-no-brasil-e-o-menor-da-america-do-sul</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/fossil-de-sauropia-macrorhinus_rodrigo-temp-muller_edit.jpg?w=1600" length="1109423" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Imagine&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2020/03/fossil-do-menor-dinossauro-do-mundo-encontrado-preso-em-ambar"><strong>um crânio tão pequeno</strong></a><strong> que cabe na ponta de um dedo</strong>. O animal que possuía esse&nbsp;<strong>osso tão minúsculo na parte da cabeça viveu há 240 milhões de anos</strong>, segundo descoberta recente de paleontólogos brasileiros da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Trata-se da&nbsp;<strong>descoberta do&nbsp;</strong><em><strong>Sauropia macrorhinus</strong></em>, um&nbsp;<strong>tetrápode já considerado o menor encontrado</strong> na América do Sul, segundo esses especialistas.&nbsp;</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>fóssil foi encontrado</strong> em um&nbsp;<strong>sítio com depósitos triássicos&nbsp;</strong>no<strong> interior do estado do Rio Grande do Sul</strong>. Ele&nbsp;<strong>mede apenas 9,5 milímetros de comprimento</strong> e pertence a&nbsp;<strong>uma espécie completamente nova&nbsp;</strong>para a ciência – o&nbsp;<em><strong>Sauropia macrorhinus</strong></em>.</p><p dir="ltr">O estudo que confirmou&nbsp;<strong>o achado foi publicado</strong> no&nbsp;<strong>periódico científico</strong>&nbsp;<em>“<strong>Scientific Reports</strong>”</em>, do grupo da revista&nbsp;<em>“Nature”</em>, e&nbsp;<strong>chama a atenção tanto pelo tamanho</strong> impressionante do espécime como&nbsp;<strong>pelas pistas que ele oferece sobre a vida</strong>&nbsp;<strong>em ecossistemas que existiam antes do domínio dos grandes dinossauros</strong>.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/um-dinossauro-do-tamanho-de-uma-galinha-foi-encontrado-na-patagonia-e-mudou-o-que-se-sabia-sobre-sua-evolucao"><em>Um dinossauro do tamanho de uma galinha foi encontrado na Patagônia – e mudou o que se sabia sobre sua evolução</em></a>)</p><h2         id="header_3114330_0"><strong>Um fóssil que cabe na ponta de uma agulha</strong></h2><p dir="ltr"><strong>Encontrar um fóssil tão pequeno&nbsp;</strong>não foi tarefa fácil. O material foi localizado pelo paleontólogo Lúcio Roberto da Silva no sítio fossilífero de "Cortado". Segundo os pesquisadores que investigam o material, ele&nbsp;<strong>foi achado preso a rochas</strong> que&nbsp;<strong>o guardaram por milhões de anos</strong>, tendo&nbsp;<strong>pertencido a um animal&nbsp;</strong>que&nbsp;<strong>viveu no período Ladiniano</strong> do<strong> Triássico Médio</strong>.</p><p dir="ltr">Nesta época,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/06/o-que-foi-o-supercontinente-gondwana"><strong>os continentes ainda estavam unidos</strong></a><strong> formando a Pangeia&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>os ecossistemas eram dominados por ancestrais dos jacarés e crocodilos</strong>, explica o paleontólogo, Rodrigo Temp Müller, da UFSM, que lidera o grupo de pesquisa.</p><p dir="ltr">Por causa do tamanho reduzido,&nbsp;<strong>a limpeza do crânio fossilizado precisou ser feita com agulhas sob lupas de aumento</strong> – um trabalho minucioso que exigiu paciência e precisão. Em seguida, o paleontólogo Leonardo Kerber submeteu o material a microtomografias computadorizadas, tecnologia que permitiu enxergar detalhes invisíveis a olho nu. Os<strong> modelos tridimensionais&nbsp;</strong>gerados a partir desses exames<strong> revelaram características únicas</strong>, confirmando que&nbsp;<strong>se tratava de um animal até então desconhecido</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>O novo espécime recebeu o nome de&nbsp;</strong><em><strong>Sauropia</strong></em>, que combina o termo grego "<em><strong>sauros</strong></em>" (<strong>lagarto</strong>) com&nbsp;<strong>a palavra regional&nbsp;</strong>"<strong>piá</strong>",&nbsp;<strong>usada no sul do Brasil para se referir a uma criança&nbsp;</strong>— uma&nbsp;<strong>alusão ao tamanho diminuto&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>ao possível estágio jovem do indivíduo</strong>. Já&nbsp;<em><strong>macrorhinus</strong></em><strong> significa</strong> "<strong>nariz grande</strong>" em grego,&nbsp;<strong>destacando as narinas proporcionalmente amplas</strong> que o animal apresentava.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/2026/02/a-descoberta-de-um-novo-fossil-de-espinossauro-reacende-um-debate-antigo-eles-podiam-nadar"><em>A descoberta de um novo fóssil de Espinossauro reacende um debate antigo: eles podiam nadar?</em></a>)</p><h2         id="header_3114331_0"><strong>Quem era o&nbsp;</strong><em><strong>Sauropia macrorhinus</strong></em><strong>, o vertebrado ancestral de crânio pequeno?</strong></h2><p dir="ltr">Segundo os pesquisadores brasileiros,&nbsp;<strong>o achado fornece informações valiosas</strong> sobre&nbsp;<strong>como o&nbsp;</strong><em><strong>Sauropia macrorhinus</strong></em><strong> vivia</strong>. Estima-se que ele&nbsp;<strong>tivesse cerca de 5 centímetros de comprimento total&nbsp;</strong>— aproximadamente<strong> o tamanho de um lagarto comum</strong>. Seus dentes em formato de pino, com seção transversal circular e sem constrição na base, indicam também que&nbsp;<strong>sua dieta era provavelmente baseada em pequenos invertebrados, como insetos</strong>.</p><p dir="ltr">O que mais&nbsp;<strong>intrigou os paleontólogos</strong>, no entanto, foi justamente&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2019/07/cranio-enigmatico-pode-ser-do-mais-antigo-humano-de-fora-da-africa"><strong>o tamanho do crânio</strong></a>. Com&nbsp;<strong>apenas 9,5 milímetros</strong>, ele&nbsp;<strong>é menor do que qualquer outro procolofonoide</strong> — um&nbsp;<strong>grupo de pararépteis</strong> ao qual a nova espécie pertence.&nbsp;</p><p dir="ltr">Para se ter uma ideia,&nbsp;<strong>os crânios de espécies relacionadas são pelo menos 2,5 vezes maiores</strong>, e&nbsp;<strong>em alguns casos chegam a ser 9,5 vezes mais longos</strong>. Isso levanta&nbsp;<strong>a possibilidade de que o fóssil represente um indivíduo jovem</strong>, que ainda não havia atingido a maturidade esquelética.</p><p dir="ltr">O exemplar oferece<strong> uma janela para entender como esses animais se desenvolviam</strong> — algo particularmente&nbsp;<strong>valioso considerando que procolofonoides são muito escassos&nbsp;</strong>no registro fóssil do Triássico Médio da América do Sul.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/11/como-e-o-trabalho-de-encontrar-dinossauros-um-paleontologo-revela-os-passos-de-uma-descoberta-pre-historica"><em>Como é o trabalho de encontrar dinossauros? Um paleontólogo revela os passos de uma descoberta pré-histórica</em></a>)</p><h2         id="header_3114332_0"><strong>Como a descoberta ajuda a reconstruir o ecossistema prévio aos grandes dinossauros</strong></h2><p dir="ltr">O grupo de estudiosos é uníssono em afirmar que&nbsp;<strong>reconstruir ecossistemas tão antigos é como montar um quebra-cabeça</strong> no qual a maioria das peças está perdida. Cada novo fóssil encontrado ajuda a preencher lacunas, e&nbsp;<strong>descobertas como a de&nbsp;</strong><em><strong>Sauropia macrorhinus</strong>&nbsp;</em>são importantes por<strong> revelarem nichos ecológicos</strong> que dificilmente deixam vestígios.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>depósitos fossilíferos do Rio Grande do Sul</strong> já entregaram, nas últimas décadas,&nbsp;<strong>diversos exemplares de animais muito maiores</strong> — como&nbsp;<strong>herbívoros robustos e predadores imponentes</strong> que dominavam a paisagem. Mas&nbsp;<strong>um vertebrado tão pequeno nunca havia aparecido</strong>. Sua presença sugere que&nbsp;<strong>as teias alimentares do Triássico Médio eram mais complexas</strong>, incluindo não apenas os grandes protagonistas, mas também&nbsp;<strong>uma fauna diversa de pequenos organismos</strong>.</p><p>É possível também que&nbsp;<strong>o&nbsp;</strong><em><strong>Sauropia macrorhinus&nbsp;</strong></em><strong>fizesse parte do cardápio de predadores ligeiramente maiores</strong>,&nbsp;<strong>como o&nbsp;</strong><em><strong>Parvosuchus aurelioi</strong>,</em>&nbsp;<strong>um&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/04/descubra-o-crocodilo-pre-historico-que-era-maior-que-muitos-dinossauros"><strong>precursor dos crocodilos</strong></a> com&nbsp;<strong>menos de 1 metro de comprimento</strong> encontrado na mesma região. Se essa interação for confirmada, mostrará&nbsp;<strong>como o ecossistema do Triássico funcionava de forma integrada</strong>,&nbsp;<strong>muito antes de os dinossauros se tornarem os protagonistas&nbsp;</strong>da história da vida na Terra.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Especial Dia da Mulher: as mulheres deveriam governar o mundo? O Egito Antigo testou suas rainhas – e funcionou</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-as-mulheres-deveriam-governar-o-mundo-o-egito-antigo-testou-suas-rainhas-e-funcionou</link><description><![CDATA[Ler as notícias hoje em dia costuma ser uma tarefa deprimente e ansiogênica. As fontes dessas malignidades humanas modernas são geralmente as mesmas: líderes masculinos que querem manter o poder econômico, político e religioso a qualquer custo. Isso levanta a questão: as mulheres governariam de maneira diferente dos homens? Se a história serve de indicador, a resposta é sim. Aproveitando a semana...]]></description><category>História</category><pubDate>Fri, 06 Mar 2026 20:08:09 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-as-mulheres-deveriam-governar-o-mundo-o-egito-antigo-testou-suas-rainhas-e-funcionou</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/when-women-ruled-01_0.jpg?w=1600" length="1047778" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Ler as notícias hoje em dia costuma ser uma tarefa deprimente e ansiogênica. As&nbsp;<strong>fontes dessas malignidades humanas modernas&nbsp;</strong>são geralmente as mesmas:<strong> líderes masculinos que querem manter o poder econômico, político e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/12/quais-sao-as-religioes-mais-antigas-do-mundo"><strong>religioso</strong></a> a qualquer custo.&nbsp;</p><p dir="ltr">Isso levanta a questão:<strong> as mulheres governariam de maneira diferente dos homens?&nbsp;</strong>Se a história serve de indicador,&nbsp;<strong>a resposta é sim</strong>. Aproveitando a semana do&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/por-que-o-dia-da-mulher-e-celebrado-em-8-de-marco"><strong>Dia Internacional da Mulher</strong></a>, celebrado no mundo todo em&nbsp;<strong>8 de março (8M)</strong>,&nbsp;<em><strong>National Geographic&nbsp;</strong></em>foi investigar como o planeta reagiria se as lideranças fossem femininas.</p><p dir="ltr">(<em>Especial Dia da Mulher:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/especial-dia-da-mulher-o-corpo-feminino-e-excepcionalmente-flexivel-e-isso-o-torna-superforte"><em>o corpo feminino é excepcionalmente flexível – e isso o torna superforte</em></a>)</p><h2       id="header_3114258_0"><strong>Aprendendo a lição: as mulheres governavam durante as crises políticas</strong></h2><p dir="ltr">Os<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/05/os-3-mitos-do-antigo-egito-que-vao-te-surpreender"><strong>antigos egípcios</strong></a> certamente acreditavam na&nbsp;<strong>sabedoria das governantes mulheres</strong>. De fato,&nbsp;<strong>quando havia uma crise política, eles escolhiam uma mulher repetidas vezes para preencher o vácuo de poder</strong> — precisamente porque ela era a opção menos arriscada. Para esses povos, nesse momento da história,&nbsp;<strong>colocar mulheres no poder era muitas vezes a melhor proteção&nbsp;</strong>para o patriarcado em&nbsp;<strong>tempos de incerteza</strong>.</p><p dir="ltr">Em comparação com outros estados da época, o<strong> reino do Egito era diferente</strong>.&nbsp;<strong>As fronteiras naturais dos desertos e do mar protegiam-no das constantes invasões</strong>,&nbsp;<strong>guerras e agressões</strong> que a&nbsp;<strong>Mesopotâmia, a Síria, a Pérsia, a Grécia ou Roma sofreram</strong>. Nessas terras, se uma criança assumisse o trono, isso seria um convite à competição militar para tomá-lo dela.&nbsp;</p><p dir="ltr">No Egito,<strong> onde os soberanos, por mais jovens que fossem, eram reverenciados como reis-deuses</strong>,&nbsp;<strong>as mulheres os protegiam</strong>. Em vez de ver a criança como um obstáculo ao poder, mães,&nbsp;<strong>tias e irmãs defendiam os jovens no centro da roda do poder</strong>. Essa<strong> tendência estabilizadora</strong> foi empregada repetidamente na história do Egito.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/03/especial-dia-da-mulher-qual-e-o-pais-mais-seguro-para-as-mulheres"><em>Especial Dia da Mulher – Qual é o país mais seguro para as mulheres?</em></a>)</p><h2          id="header_3114262_0"><strong>As faraós que governaram no Egito</strong></h2><p dir="ltr"><strong>Merneith foi a primeira rainha regente documentada</strong> que conduziu seu filho ao trono e&nbsp;<strong>garantiu a estabilidade no Egito</strong>. Na&nbsp;<strong>1ª dinastia</strong> (ca.&nbsp;<strong>3000-2890 a.C.</strong>), quando seu marido, o&nbsp;<strong>rei Djet</strong>, morreu,&nbsp;<strong>a rainha Merneith assumiu o poder em nome de seu filho pequeno</strong>,&nbsp;<strong>em vez de permitir que um tio servisse como regente</strong> e manipulasse o herdeiro.&nbsp;</p><p dir="ltr">Na&nbsp;<strong>12ª dinastia</strong> (aproximadamente<strong> 1985-1773 a.C.</strong>), quando a endogamia (ou outros fatores) fez com que não houvesse nenhum príncipe herdeiro para assumir o trono,&nbsp;<strong>Neferusobek, esposa do rei falecido, assumiu o poder e governou o Egito&nbsp;</strong>até que outra dinastia estivesse pronta para assumir o poder.</p><p dir="ltr">Já durante a&nbsp;<strong>18ª dinastia</strong> (aproximadamente<strong> 1550-1295 a.C.</strong>), uma&nbsp;<strong>nova pioneira liderou o Egito&nbsp;</strong>durante uma&nbsp;<strong>era de crescimento e prosperidade</strong>. Quando o rei morreu após apenas três anos no trono,&nbsp;<strong>uma criança pequena tornou-se faraó; a tia do menino assumiu o cargo</strong>,<strong> e a era de Hatshepsut começou</strong>. Ela&nbsp;<strong>liderou o Egito por mais de duas décadas</strong>,&nbsp;<strong>o mais longo reinado de qualquer rainha</strong>, e deixou o reino melhor do que o encontrou.</p><p dir="ltr">Mais tarde,&nbsp;<strong>na 18ª dinastia</strong>, quando&nbsp;<strong>o rei Akhenaton impôs o extremismo religioso ao seu povo</strong>, ele<strong> nomeou sua esposa Nefertiti como co-governante</strong>. Ela deve ter sido<strong> a opção mais segura para manter o poder</strong>, e foi provavelmente&nbsp;<strong>ela quem teve que limpar a bagunça deixada por ele após sua morte</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Na 19ª dinastia&nbsp;</strong>(<strong>1295-1186 a.C.</strong>),&nbsp;<strong>outra mulher, a rainha Tawosret</strong>, foi&nbsp;<strong>colocada como regente de um menino</strong> (que não era seu filho) e até mesmo&nbsp;<strong>autorizada a governar como rei após a morte dele</strong>, mas ela não foi páreo para o senhor da guerra que a removeu do poder com impunidade, tomando a coroa para si.</p><p dir="ltr"><strong>A rainha mais conhecida de todas foi&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/08/quem-foi-cleopatra-a-mulher-que-governou-o-egito-e-seduziu-os-romanos"><strong>Cleópatra</strong></a>, da&nbsp;<strong>dinastia ptolomaica</strong> (<strong>305-285 a.C.</strong>), que<strong> eliminou seus irmãos para assumir o trono sem oposição</strong>, apenas para&nbsp;<strong>dedicar todas as suas energias à criação de uma dinastia&nbsp;</strong>para seus muitos filhos.&nbsp;</p><p dir="ltr">No final,<strong> mesmo essa sedutora dos líderes romanos governou de maneira diferente de seu parceiro da época</strong>, influente general e político romano&nbsp;<strong>Marco Antônio</strong>. Enquanto ele era o agressor (derrotado) na Pártia,&nbsp;<strong>ela permaneceu no Egito e tentou criar calma</strong>. Durante o tempo em que ele<strong>&nbsp;</strong>se envolvia de maneira tola na Batalha de Ácio, Cleópatra percebeu o que estava por vir e fugiu com sua frota, de volta ao Egito, onde poderia fazer algo de bom.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado ao Dia Internacional da Mulher:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/03/dia-internacional-da-mulher-4-mulheres-chave-para-a-conquista-dos-direitos-femininos"><em>As 4 mulheres-chave para a conquista dos direitos femininos</em></a>)</p><h2        id="header_3114264_0"><strong>Um futuro com mais mulheres em cargos de poder</strong></h2><p dir="ltr">A história mostra que&nbsp;<strong>os egípcios sabiam que as mulheres governavam de maneira diferente dos homens</strong>. E assim eles&nbsp;<strong>as usavam para proteger o patriarcado</strong>, para agir como&nbsp;<strong>substitutos temporários</strong>, até que o próximo homem pudesse ocupar o topo da pirâmide social.&nbsp;</p><p dir="ltr">No entanto, não importava quanto poder elas detivessem, mesmo que muitas delas fossem chamadas nada menos que de reis,&nbsp;<strong>essas mulheres&nbsp;</strong>formidáveis&nbsp;<strong>do antigo Egito não foram capazes de transcender a agenda patriarcal&nbsp;</strong>e<strong> mudar o próprio sistema</strong>.&nbsp;<strong>Quando seus reinados terminaram, a estrutura de poder masculina egípcia permaneceu intacta</strong>.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>cientistas cognitivos</strong> sabem que&nbsp;<strong>o cérebro feminino é diferente do masculino</strong>. Os investigadores sociais, por sua vez,&nbsp;<strong>sabem que os homens são os principais responsáveis por&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2021/03/analise-de-dna-de-vitimas-de-massacre-potocani-croacia-arqueologia"><strong>crimes violentos</strong></a>, incluindo&nbsp;<strong>estupros e homicídios</strong>. No geral,&nbsp;<strong>as mulheres são menos propensas a cometer assassinatos em massa</strong>,&nbsp;<strong>menos inclinadas a iniciar uma guerra</strong>,&nbsp;<strong>mais propensas a entrar em contato com suas emoções e expressá-las</strong>, e mais interessadas em nuances do que em decisões. Talvez essas qualidades fossem o que o antigo Egito buscava em tempos de crise.</p><p dir="ltr">Essas rainhas clamam do passado, desafiando-nos a&nbsp;<strong>colocar as mulheres no poder político</strong>, não como representantes de uma dinastia patriarcal, mas&nbsp;<strong>como mulheres que servem às suas próprias agendas diferentes de conexão social e coesão emocional</strong>,&nbsp;<strong>em vez de imitar a agressividade de seus pais, irmãos e filhos</strong>. Se há muito tempo as mulheres realmente governavam o mundo, a história mostra que&nbsp;<strong>foram capazes de fazê-lo mesmo sem o feminismo existir, sem a sororidade ser uma realidade&nbsp;</strong>e s<strong>em sua própria agenda</strong> ou&nbsp;<strong>poder de longo prazo</strong>.</p><p dir="ltr">É hora de&nbsp;<strong>olhar para a história, para as mulheres poderosas&nbsp;</strong>do&nbsp;<strong>antigo Egito&nbsp;</strong>que foram a salvação de seu povo repetidas vezes. E&nbsp;<strong>se hoje elas pudessem governar com toda a força de suas emoções</strong> — e&nbsp;<strong>usando essa característica tão demonizada nas mulheres</strong> – com seus altos e baixos, sua tristeza e alegria, sua natureza mercurial?&nbsp;</p><p dir="ltr">Essa característica poderia ser aproveitada para se conectar com outras pessoas, encontrar um meio-termo, tirar o dedo do gatilho, buscar uma solução mais sutil?&nbsp;<strong>É esse elemento de emocionalidade que poderia conduzir a humanidade através das provações e tribulações do século 21</strong>. Devemos deixar que a história antiga seja nosso guia e permitir que as mulheres sejam nossa salvação mais uma vez, desta vez com seus próprios interesses em primeiro plano.</p><p>&nbsp;</p><p dir="ltr"><em><strong>Kara Cooney</strong> é professora de egiptologia na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos.&nbsp;<strong>Especializada em história social, estudos de gênero e economia no mundo antigo</strong>, ela é autora de “When Women Ruled the World: Six Queens of Egypt” (“Quando As Mulheres Governavam o Mundo: Seis Rainhas do Egito”, 2018) e “The Woman Who Would Be King: Hatshepsut’s Rise to Power in Ancient Egypt” (“A Mulher Que Seria Rainha: A Ascensão de Hatshepsut ao Poder no Egito Antigo”, 2014).</em></p><p><em><strong>No mundo antigo, as governantes mulheres eram raras</strong>, mas há milhares de anos,&nbsp;<strong>no Egito desta época, as mulheres reinavam supremas</strong>. O livro de Kara Cooney, “When Women Ruled the World: Six Queens of Egypt”,<strong> explora a vida de seis notáveis faraós mulheres, de Hatshepsut a Cleópatra</strong> —&nbsp;<strong>mulheres que governaram com poder real</strong> — e&nbsp;<strong>lança uma luz penetrante sobre nossas próprias percepções das mulheres no poder hoje</strong>.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title>Especial Dia da Mulher: quando a Islândia parou com a greve de mulheres que inspirou a luta por igualdade no mundo</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-quando-a-islandia-parou-com-a-greve-de-mulheres-que-inspirou-a-luta-por-igualdade-no-mundo</link><description><![CDATA[A manhã de 24 de outubro de 1975 começou de forma diferente do habitual para 90% das mulheres na Islândia. Desta vez, elas não tinham a correria de sempre para preparar o café da manhã ou arrumar os filhos para a escola. Os 60% das mulheres que trabalhavam fora de casa também não iriam trabalhar. Elas estavam saindo — e deixando os homens de suas vidas à própria sorte.Naquele dia, há mais de 50...]]></description><category>História</category><pubDate>Fri, 06 Mar 2026 10:12:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-quando-a-islandia-parou-com-a-greve-de-mulheres-que-inspirou-a-luta-por-igualdade-no-mundo</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/365-kve-021-05.jpg?w=1600" length="1132474" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A&nbsp;<strong>manhã de 24 de outubro de 1975</strong> começou de forma diferente do habitual para<strong> 90% das mulheres na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/02/por-que-a-islandia-tem-tantos-vulcoes"><strong>Islândia</strong></a>. Desta vez, elas não tinham a correria de sempre para preparar o café da manhã ou arrumar os filhos para a escola. Os<strong> 60% das mulheres que trabalhavam fora</strong> de casa também&nbsp;<strong>não iriam trabalhar</strong>. Elas estavam saindo — e deixando os homens de suas vidas à própria sorte.</p><p dir="ltr">Naquele dia, há mais de 50 anos, as<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/03/veja-mulheres-inspiradoras-trabalhando-em-diferentes-epocas-no-mundo-todo"><strong>mulheres</strong></a><strong> da Islândia foram às ruas para protestar contra práticas trabalhistas injustas</strong>, a&nbsp;<strong>disparidade salarial</strong> e a&nbsp;<strong>desvalorização do trabalho doméstico</strong>. Sem elas, a vida cotidiana parou.</p><p dir="ltr"><strong>Creches e escolas fecharam</strong> sem suas funcionárias, assim como grandes&nbsp;<strong>lojas, teatros e fábricas</strong> de pescado. Os&nbsp;<strong>homens foram obrigados a levar seus filhos para o escritório</strong> e, mais tarde naquele dia, as salsichas, fáceis de preparar, esgotaram nas lojas, com os&nbsp;<strong>homens responsáveis ​​pelo jantar</strong>.</p><p dir="ltr"><em>(Sobre o Dia Internacional das Mulheres, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/dia-da-mulher-como-a-primeira-mulher-desafiou-a-proibicao-de-escalar-o-monte-fuji-no-japao"><em>Como a primeira mulher desafiou a proibição de escalar o Monte Fuji, no Japão</em></a>)</p><p dir="ltr">Muitos homens a chamavam de "<strong>Sexta-Feira Longa</strong>". Mas este dia ficou marcado na história como&nbsp;<strong>a Greve das Mulheres Islandesas</strong>, amplamente considerada<strong> um catalisador para o atual status da Islândia&nbsp;</strong>como&nbsp;<strong>a sociedade mais igualitária para&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/03/dia-internacional-da-mulher-4-mulheres-chave-para-a-conquista-dos-direitos-femininos"><strong>as mulheres</strong></a><strong> no mundo</strong>, título concedido pelo Fórum Econômico Mundial por 16 anos consecutivos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Este ano também marca<strong> um momento sem precedentes</strong>: quase todos&nbsp;<strong>os principais cargos da Islândia</strong>, incluindo o de primeira-ministra, presidente, chefe de polícia e reitores de todas as universidades públicas e privadas,&nbsp;<strong>foram ocupados por mulheres</strong>.</p><p dir="ltr">“Acredito que este&nbsp;<strong>evento foi o ponto de virada</strong> para uma mudança na<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2019/05/20-fotos-da-islandia-em-paisagens-majestosas-iceland-galeria-islandes"><strong>Islândia</strong></a><strong> rumo a uma sociedade mais igualitária</strong>”, afirma&nbsp;<strong>Hrafnhildur Gunnarsdóttir</strong>, produtora de “O Dia em que a Islândia Parou”, um documentário de 2024 sobre a greve.</p><p dir="ltr">A greve de 1975 também serviu de&nbsp;<strong>inspiração para movimentos feministas em todo o mundo</strong>, incluindo a greve de 2016 na Polônia e a greve do&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/por-que-o-dia-da-mulher-e-celebrado-em-8-de-marco"><strong>Dia Internacional da Mulher</strong></a> de 2018 na Espanha.</p><p dir="ltr"><strong>Pamela Hogan</strong>, diretora do doc “O Dia em que a Islândia Parou”, testemunhou o quanto<strong> as pessoas se inspiram ao conhecer a história da greve</strong>. “Jovens mulheres na Coreia do Sul estavam literalmente fazendo anotações enquanto assistiam ao filme”, conta Hogan.</p><h2 dir="ltr"             id="header_3114273_0"><strong>As origens da greve das mulheres islandesas</strong></h2><p dir="ltr"><br>As&nbsp;<strong>mulheres conquistaram o direito ao voto na Islândia em 1915</strong> e elegeram a primeira mulher para o parlamento em 1922. No entanto, naquele período, o país fez&nbsp;<strong>poucos progressos</strong> na promoção dos&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/03/dia-internacional-da-mulher-4-mulheres-chave-para-a-conquista-dos-direitos-femininos"><strong>direitos das mulheres</strong></a> nas décadas seguintes.&nbsp;<strong>Em 1975</strong>, as mulheres estavam&nbsp;<strong>fartas de ganhar muito menos que os homens</strong>, de enfrentar<strong> discriminação de gênero</strong> no ambiente de trabalho e de sua escassa&nbsp;<strong>representação de 5% no parlamento</strong>.</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>ideia de uma greve</strong> surgiu durante um&nbsp;<strong>congresso de mulheres</strong> em junho de 1975, na capital islandesa,<strong> Reykjavík</strong>, onde&nbsp;<strong>grupos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/03/o-que-e-feminismo-descubra-a-origem-do-termo-e-o-que-ele-significa"><strong>feministas</strong></a> se reuniram para planejar o<strong> Ano Internacional da Mulher</strong>, patrocinado pelas Nações Unidas. O grupo feminista&nbsp;<em>Red Stockings</em>, que defendia uma greve feminina desde sua fundação em 1970, apresentou a proposta.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/03/especial-dia-da-mulher-qual-e-o-pais-mais-seguro-para-as-mulheres"><em>Especial Dia da Mulher: Qual é o país mais seguro para as mulheres?</em></a>)</p><p dir="ltr">“As mulheres não se viam como trabalhadoras; elas se consideravam donas de casa e, quando o trabalho era escasso, eram mandadas para casa sem pagamento ou reclamação.<strong> Queríamos mostrar a importância da contribuição das mulheres para a sociedade</strong>”, conta<strong> Guðrún Hallgrímsdóttir</strong>, ex-parlamentar e membro fundadora do grupo&nbsp;<em>Red Stockings</em>, à&nbsp;<em>National Geographic</em>.</p><p dir="ltr">Mas greves fora do âmbito sindical e das associações patronais eram ilegais, então&nbsp;<strong>alguns grupos presentes na conferência estavam hesitantes&nbsp;</strong>— até que Valborg Bentsdóttir, membro da Sociedade pelos Direitos das Mulheres (de centro), se manifestou. Como relatado pela Vox em 2023, Valborg disse: “<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/2019/03/jovens-estudantes-greve-pelo-clima-mudancas-climaticas-mundo-greta-thurnberg"><strong>Greve</strong></a><strong>? É isso que vocês não gostam? Por que não chamam de folga, então?</strong>”</p><p dir="ltr">Assim,&nbsp;<strong>o evento passou a ser oficialmente conhecid</strong>o pelo nome mais inofensivo de<em> Kvennafrídagurinn</em>, ou em português,&nbsp;<strong>Dia de Folga das Mulheres</strong>.</p><p dir="ltr">“E foi aí que tudo começou”, conta Hallgrímsdóttir.&nbsp;<strong>“Organizações de mulheres em todo o país</strong> mobilizaram suas associadas para participar, e a participação tornou-se verdadeiramente nacional.”</p><p dir="ltr"><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2025/03/especial-dia-da-mulher-as-cartas-da-tripulacao-da-batisfera-e-suas-exploradoras-do-fundo-do-mar"><strong>Mulheres</strong></a><strong> de todas as idades, origens e partidos políticos uniram-se</strong>&nbsp;<strong>para divulgar a mensagem&nbsp;</strong>ao maior número possível de mulheres. Enviaram postais e cartas, distribuíram folhetos e panfletos, foram de porta em porta, fizeram telefonemas, venderam cartazes e etiquetas adesivas do&nbsp;<strong>Dia de Folga das Mulhere</strong>s e anunciaram o evento em jornais, rádio e televisão.&nbsp;</p><p dir="ltr">A greve também despertou&nbsp;<strong>grande interesse da mídia antes do evento</strong>, quando os organizadores anunciaram que suas pesquisas indicavam que entre&nbsp;<strong>80% e 100% de todas as mulheres na Islândia deveriam participar</strong>.</p><p dir="ltr">“O motivo pelo qual foi tão bem-sucedido foi que&nbsp;<strong>as mulheres se sentiram pessoalmente conectadas ao evento</strong>”, afirma Hallgrímsdóttir. “Foi uma ação delas.”</p><h2 dir="ltr"           id="header_3114277_0"><strong>O dia da greve das mulheres na Islândia</strong></h2><p dir="ltr"><br>Na manhã da greve, a&nbsp;<strong>primeira página de todos os jornais da</strong>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2021/06/bolsao-de-magma-encontrado-na-islandia-sugere-existencia-de-mais-bombas-relogios"><strong>Islândia</strong></a> estava repleta de notícias sobre o&nbsp;<strong>Dia de Folga das Mulheres</strong>. Na época, María Sigurðardóttir trabalhava como diagramadora no jornal matutino conservador<em> Morgunblaðið</em>. O jornal prometeu dar destaque à greve na primeira página se as diagramadoras em greve chegassem cedo para terminar a edição. "Então, viemos t<strong>rabalhar depois da meia-noite para concluir o jornal</strong>", conta Sigurðardóttir.</p><p dir="ltr"><strong>Mais de 20 manifestações foram organizadas</strong> por todo o país, sendo a maior delas realizada em<strong> Lækjartorg</strong>, a&nbsp;<strong>praça principal</strong> no centro de&nbsp;<strong>Reykjavík</strong>. O clima estava excepcionalmente ameno e ensolarado para outubro na Islândia, combinando com&nbsp;<strong>o otimismo da multidão</strong>. Vinte e cinco mil mulheres compareceram, muitas carregando cartazes com os dizeres "<strong>Igualdade de uma vez" e "Um dia de folga — e depois?</strong>".&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>As parlamentares Svava Jakobsdóttir e Sigurlaug Bjarnadóttir discursaram</strong> para a multidão, incentivando-as a entrar para a política. Chegou a ser produzido um álbum de vinil com&nbsp;<strong>canções feministas interpretadas</strong> pelas&nbsp;<em>Red Stockings</em>, intitulado "Áfram Stelpur (<em>Í augsýn er nú frelsi</em>)", ou "Avante, meninas (A liberdade está ao alcance)". Após os protestos,&nbsp;<strong>a conversa continuou em encontros</strong> abertos ao público.</p><p dir="ltr">Sigurðardóttir descreve o dia como mágico. "<strong>A sensação de estar rodeada por tantas mulheres</strong> com o mesmo objetivo foi&nbsp;<strong>incomparável!</strong> Nunca mais me senti assim na vida", afirma.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/03/especial-dia-da-mulher-quem-sao-as-5-primeiras-mulheres-que-se-tornaram-chefes-de-estado"><em>Especial Dia da Mulher: quem são as 5 primeiras mulheres que se tornaram chefes de Estado</em></a>)</p><h2 dir="ltr"         id="header_3114275_0"><strong>O legado da greve das mulheres islandesas</strong></h2><p dir="ltr"><br>Hallgrímsdóttir sentiu-se nas nuvens no dia da greve. Como ela recorda, “<strong>estávamos convencidas de que tudo tinha mudad</strong>o”. No entanto,&nbsp;<strong>não foi bem assim</strong>. “As verdadeiras conquistas só se tornaram evidentes mais tarde”, afirma.</p><p dir="ltr"><strong>Valgerður Pálmadóttir</strong>, pesquisadora da Universidade da Islândia que estuda movimentos sociais e mudanças históricas, observa que as&nbsp;<strong>mudanças sociais e políticas levam tempo</strong>. “As greves de mulheres de um dia precisam ser seguidas por&nbsp;<strong>organização e luta política contínuas</strong>”, acrescenta.</p><p dir="ltr"><strong>As melhorias foram graduais</strong>.&nbsp;<strong>Um ano após</strong> a greve, a Islândia aprovou uma<strong> lei de igualdade de direitos</strong> e, cinco anos depois,&nbsp;<strong>Vigdís Finnbogadóttir tornou-se a primeira&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/03/os-tumulos-de-mulheres-guerreiras-estao-mudando-o-que-sabemos-sobre-os-antigos-papeis-de-genero"><strong>mulher</strong></a><strong> no mundo a ser eleita&nbsp;</strong>democraticamente<strong> presidente</strong> do seu país.&nbsp;</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>Aliança das Mulheres</strong>, um&nbsp;<strong>partido político exclusivamente feminino&nbsp;</strong>criado no início da década de 1980, concentrou-se em eleger mais mulheres e, com o tempo, a&nbsp;<strong>percentagem de mulheres no parlamento</strong> subiu de&nbsp;<strong>5% em 1983 para os atuais 46%</strong>.</p><p dir="ltr">Nos anos seguintes, a&nbsp;<strong>Islândia também aprovou</strong> diversas políticas relacionadas aos&nbsp;<strong>direitos das mulheres</strong>, incluindo&nbsp;<strong>creches universais&nbsp;</strong>e uma lei que tornou a&nbsp;<strong>licença-paternidade&nbsp;</strong>mais acessível aos pais.&nbsp;<strong>Em 2018</strong>, a&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/as-14-praias-iconicas-para-visitar-pelo-menos-uma-vez-na-vida-eleitas-pela-national-geographic"><strong>Islândia</strong></a><strong> tornou-se o primeiro país do mundo&nbsp;</strong>a impor legalmente a&nbsp;<strong>igualdade salarial&nbsp;</strong>entre mulheres e homens em empresas ou organizações com 25 ou mais funcionários.</p><p dir="ltr">Ainda assim,&nbsp;<strong>há sempre mais trabalho a ser feito</strong>.&nbsp;<strong>Nenhum país alcançou a paridade de gênero</strong> ainda, incluindo a&nbsp;<strong>Islândia</strong>, que ocupa o primeiro lugar no mundo, tendo&nbsp;<strong>reduzido em 92,6% a diferença&nbsp;</strong>entre os gêneros. E esse não é o único problema.</p><p dir="ltr">“<strong>A&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/03/viajar-sozinha-uma-mulher-poderia-dar-a-volta-ao-mundo-de-forma-segura-na-atualidade"><strong>violência de gênero</strong></a><strong> é um problema enorme</strong> e estudos recentes mostram que as&nbsp;<strong>mulheres ainda realizam a maior parte das tarefas doméstica</strong>s e da carga mental na vida familiar. Também estamos testemunhando uma reação negativa contra os direitos LGBTQ+”, afirma Pálmadóttir.</p><p dir="ltr">Por esse motivo,&nbsp;<strong>a Islândia realizou em 2025</strong>&nbsp;<strong>mais uma greve</strong> de mulheres no 50º aniversário do Dia Internacional da Mulher. “Vamos mudar a sociedade juntas”, disseram as organizadoras da greve em um comunicado. “<strong>Por nós, pelas mulheres e pessoas&nbsp;</strong><em><strong>queer</strong></em><strong>, pelo futuro</strong>. Nada pode nos parar.”.”</p>]]></content:encoded></item><item><title>Especial Dia da Mulher: as 6 mulheres cientistas que a história (e o Nobel) ignoraram</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/especial-dia-da-mulher-as-6-mulheres-cientistas-que-a-historia-e-o-nobel-ignoraram</link><description><![CDATA[Em abril de 2013, a National Geographic publicou uma reportagem sobre a carta em que o cientista Francis Crick descreveu o DNA para o seu filho de 12 anos. Em 1962, Crick recebeu o Prêmio Nobel pela descoberta da estrutura do DNA, juntamente com os cientistas James Watson e Maurice Wilkins.Várias pessoas comentaram na reportagem, notando a ausência de um nome na lista de laureados com o Nobel:...]]></description><category>Ciência</category><pubDate>Thu, 05 Mar 2026 19:12:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/03/especial-dia-da-mulher-as-6-mulheres-cientistas-que-a-historia-e-o-nobel-ignoraram</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/66913.jpg?w=1600" length="1268942" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Em abril de 2013, a&nbsp;<em><strong>National Geographic&nbsp;</strong></em>publicou uma reportagem sobre&nbsp;<strong>a carta em que o cientista Francis Crick descreveu o DNA</strong> para o seu filho de 12 anos.&nbsp;<strong>Em 1962</strong>,&nbsp;<strong>Crick recebeu o Prêmio Nobel&nbsp;</strong>pela&nbsp;<strong>descoberta da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/o-que-e-o-dna-e-do-que-ele-e-composto"><strong>estrutura do DNA</strong></a>, juntamente com os cientistas&nbsp;<strong>James Watson</strong> e&nbsp;<strong>Maurice Wilkins</strong>.</p><p dir="ltr">Várias pessoas comentaram na reportagem, notando<strong> a ausência de um nome na lista de laureados</strong> com o Nobel:&nbsp;<strong>Rosalind Franklin</strong>, uma&nbsp;<strong>biofísica britânica</strong> que também&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/science/2018/04/como-abordamos-a-evolucao-cientifica-do-dna-ao-longo-dos-anos"><strong>estudou o DNA</strong></a>. Justamente os&nbsp;<strong>seus dados foram cruciais</strong> para o trabalho de&nbsp;<strong>Crick e Watson</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas descobriu-se que&nbsp;<strong>Franklin não teria sido elegível para o prêmio</strong> — pois ela havia&nbsp;<strong>falecido quatro anos antes</strong> de Watson, Crick e Wilkins receberem a premiação pelo estudo, e o&nbsp;<strong>Prêmio Nobel nunca é concedido postumamente</strong>.</p><p dir="ltr">Mas mesmo que estivesse viva,&nbsp;<strong>ela ainda poderia ter sido ignorada</strong>.&nbsp;<strong>Como muitas mulheres cientistas</strong>, Franklin teve seu&nbsp;<strong>reconhecimento negado</strong> ao longo de sua carreira (leia ao longo da reportagem, a seção sobre ela para&nbsp;<strong>mais detalhes sobre sua história</strong>).</p><p dir="ltr">(<em>Sobre o Mês da Mulher, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/especial-dia-da-mulher-o-corpo-feminino-e-excepcionalmente-flexivel-e-isso-o-torna-superforte"><em>O corpo feminino é excepcionalmente flexível – e isso o torna superforte</em></a>)</p><p dir="ltr"><strong>Ela não foi a primeira mulher a sofrer indignidades no mundo da ciência</strong>, dominado até os dias de hoje pelos homens, mas&nbsp;<strong>o caso de Rosalind Franklin é particularmente grave</strong>, disse&nbsp;<strong>Ruth Lewin Sime</strong>, professora aposentada de química do&nbsp;<em>Sacramento City College</em>, nos Estados Unidos, que escreveu sobre&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/02/o-dia-internacional-das-mulheres-e-meninas-na-ciencia-em-numeros-qual-e-a-situacao-das-cientistas-hoje"><strong>mulheres na ciência</strong></a>.</p><p dir="ltr">Ao longo dos séculos,&nbsp;<strong>pesquisadoras tiveram que trabalhar como professoras "voluntárias"</strong>, viram&nbsp;<strong>o crédito por descobertas&nbsp;</strong>significativas que fizeram ser&nbsp;<strong>atribuído a colegas homens</strong> e foram&nbsp;<strong>excluídas</strong> dos livros didáticos.</p><p dir="ltr">Elas geralmente tinham&nbsp;<strong>recursos escassos e travaram batalhas árduas&nbsp;</strong>para alcançar o que alcançaram, apenas para "ter o c<strong>rédito atribuído a seus maridos ou colegas homens</strong>", afirmou&nbsp;<strong>Anne Lincoln</strong>, socióloga da&nbsp;<em>Southern Methodist University</em>, no Texas, Estados Unidos, que estuda preconceitos contra mulheres nas ciências.</p><p dir="ltr"><strong>As cientistas de hoje&nbsp;</strong>acreditam que as atitudes mudaram um pouco, disse&nbsp;<strong>Laura Hoopes</strong>, do Pomona College, na Califórnia (Estados Unidos),&nbsp;<strong>que escreveu extensivamente sobre&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/conheca-3-cientistas-brasileiras-que-fizeram-historia"><strong>mulheres nas ciências</strong></a> — "até que a realidade as atinja em cheio".&nbsp;</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>preconceito contra mulheres cientistas é menos explícito</strong>,&nbsp;<strong>mas não desapareceu</strong>.</p><p dir="ltr">Confira, a seguir, a história de&nbsp;<strong>seis pesquisadoras que realizaram trabalhos inovadores</strong> — e cujos nomes provavelmente são<strong> desconhecidos</strong> por&nbsp;<strong>um motivo: porque são mulheres</strong>.</p><h2 dir="ltr"       id="header_3114200_0"><strong>Jocelyn Bell Burnell: a astrofísica que descobriu os pulsares</strong></h2><p dir="ltr"><br>Nascida na&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem-e-aventura/7-formas-de-viajar-para-fora-como-um-local"><strong>Irlanda do Norte</strong></a><strong> em 1943</strong>,&nbsp;<strong>Jocelyn Bell Burnell descobriu os pulsares em 1967</strong>, enquanto ainda era&nbsp;<strong>estudante de pós-graduação</strong> em radioastronomia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>pulsares são remanescentes de estrelas massivas que explodiram em&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2024/07/conheca-a-supernova-mais-antiga-e-mais-distante-de-todos-os-tempos-descoberta-pelos-astronomos"><strong>supernovas</strong></a>. Sua própria existência demonstra que esses gigantes&nbsp;<strong>não se destruíram completamente</strong> — em vez disso, deixaram para trás&nbsp;<strong>pequenas estrelas</strong> incrivelmente&nbsp;<strong>densas e em rotação</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Bell Burnell descobriu os sinais recorrentes emitidos por sua rotação&nbsp;</strong>enquanto analisava dados impressos em quase cinco quilômetros de papel, provenientes de&nbsp;<strong>um radiotelescópio que ela ajudou a montar</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>A descoberta lhe rendeu um Prêmio Nobel</strong>, mas não exatamente à ela. O&nbsp;<strong>prêmio de Física de 1974</strong> foi concedido a&nbsp;<strong>Anthony Hewish</strong> —&nbsp;<strong>orientador de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/03/as-7-mulheres-que-marcaram-um-antes-e-um-depois-na-astronomia"><strong>Jocelyn Bell Burnell</strong></a> — e&nbsp;<strong>Martin Ryle</strong>, também radioastrônomo da Universidade de Cambridge.</p><p dir="ltr">A rejeição gerou&nbsp;<strong>uma "onda de simpatia" por Bell Burnell</strong>. Mas, em uma entrevista à&nbsp;<em>National Geographic</em>, a&nbsp;<strong>astrônoma se mostrou bastante pragmática</strong>.</p><p dir="ltr">"<strong>A imagem que as pessoas tinham&nbsp;</strong>na época de como a&nbsp;<strong>Ciência era feita era a de um homem sênior</strong> — e era&nbsp;<strong>sempre um homem</strong> — que tinha sob seu comando uma&nbsp;<strong>série de subordinados</strong>, funcionários juniores, que não eram incentivados a pensar, apenas a&nbsp;<strong>fazer o que ele mandava</strong>",&nbsp;<strong>explicou Bell Burnell</strong>, agora professora visitante de astronomia na Universidade de Oxford, no Reino Unidos.</p><p dir="ltr">Mas, apesar da simpatia e de seu trabalho inovador, Bell Burnell disse que ainda estava<strong> sujeita às atitudes predominantes em relação às mulheres na academia</strong>.</p><p dir="ltr">"<strong>Nem sempre tive empregos de pesquisa</strong>", disse ela. Muitas das posições que a astrofísica recebeu em sua carreira eram focadas em&nbsp;<strong>ensino ou em funções administrativas</strong> e de gestão.</p><p dir="ltr">"[E] foi<strong> extremamente difícil conciliar família e carreira</strong>", revelou Bell Burnell, em parte porque&nbsp;<strong>a universidade</strong> onde trabalhava durante a gravidez&nbsp;<strong>não oferecia licença-maternidade</strong>.</p><p dir="ltr">Desde então, ela&nbsp;<strong>se tornou bastante "protetora" das mulheres na academia</strong>. Algumas instituições podem oferecer apoio, mas Bell Burnell defende uma abordagem sistêmica para&nbsp;<strong>aumentar o número de pesquisadoras</strong>.</p><p dir="ltr">Recentemente, ela&nbsp;<strong>presidiu um grupo de trabalho da&nbsp;</strong><em><strong>Royal Society de Edimburgo</strong></em>, na Escócia, encarregado de encontrar uma&nbsp;<strong>estratégia para aumentar o número de mulheres&nbsp;</strong>em diversas áreas, como&nbsp;<strong>ciência, tecnologia, engenharia e matemática</strong> na Escócia.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/a-incrivel-historia-de-hedy-lamarr-a-estrela-de-hollywood-que-ajudou-a-inventar-o-wi-fi-e-o-bluethooh"><em>A incrível história de Hedy Lamarr, a estrela de Hollywood que ajudou a inventar o Wi-fi e o bluetooth</em></a>)</p><h2 dir="ltr"       id="header_3114200_1"><strong>Esther Lederberg: uma pioneira na genética de bactérias</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Nascida em 1922 no Bronx</strong>, em Nova York,&nbsp;<strong>Esther Lederberg lançou as bases</strong> para&nbsp;<strong>futuras descobertas</strong> sobre hereditariedade&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/10/o-que-a-descoberta-de-dna-antigo-revela-os-segredos-vao-de-ancestrais-humanos-a-peste-negra"><strong>genética em bactérias</strong></a>, regulação gênica e recombinação genética.</p><p dir="ltr"><strong>Microbiologista</strong>, ela é talvez mais conhecida por ter&nbsp;<strong>descoberto um vírus que infecta bactérias</strong> — o&nbsp;<strong>bacteriófago lambda</strong> — em&nbsp;<strong>1951</strong>, enquanto trabalhava na Universidade de Wisconsin, Estados Unidos.</p><p dir="ltr"><strong>Lederberg,&nbsp;</strong>juntamente com seu<strong> primeiro marido, Joshua Lederberg</strong>, também&nbsp;<strong>desenvolveu um método&nbsp;</strong>para transferir facilmente colônias bacterianas de uma placa de Petri para outra, chamado de replicação em placa, que possibilitou&nbsp;<strong>o estudo da resistência a antibióticos</strong>. O método de Lederberg ainda é&nbsp;<strong>utilizado atualmente</strong>.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>trabalho de Joshua Lederberg</strong> com a replicação em placa contribuiu para a&nbsp;<strong>conquista do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1958</strong>, que ele compartilhou com&nbsp;<strong>George Beadle e Edward Tatum&nbsp;</strong>—&nbsp;<strong>e não com a esposa</strong>, também pesquisadora da descoberta.</p><p dir="ltr">"Ela merecia&nbsp;<strong>reconhecimento pela descoberta do bacteriófago lambda</strong>, por seu trabalho com o&nbsp;<strong>fator de fertilidade F</strong> e, especialmente, pela técnica de&nbsp;<strong>replicação em placas</strong>", escreveu&nbsp;<strong>Stanley Falkow</strong>, microbiologista aposentado da Universidade Stanford, na Califórnia, em um e-mail. Mas ela não o recebeu.</p><p dir="ltr"><strong>Lederberg também não foi tratada com justiça</strong> em relação à sua posição acadêmica em Stanford, acrescentou Falkow, um colega de Lederberg que discursou em sua homenagem em 2006. "<strong>Ela teve que lutar apenas para ser nomeada professora associada de pesquisa</strong>, quando certamente deveria ter recebido o título de professora titular.&nbsp;<strong>Ela não estava sozinha</strong>. As mulheres eram maltratadas na academia naquela época."</p><h2 dir="ltr"      id="header_3114203_0"><strong>Chien-Shiung Wu: a física que trabalhou no polêmico Projeto Manhattan de energia atômica</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Nascida em Liu Ho, na China, em 1912</strong>,&nbsp;<strong>Chien-Shiung Wu&nbsp;</strong>revolucionou uma&nbsp;<strong>lei da Física</strong> e, ainda, participou do&nbsp;<strong>desenvolvimento da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/02/a-verdadeira-historia-sobre-einstein-e-a-criacao-da-bomba-atomica"><strong>bomba atômica</strong></a>.</p><p dir="ltr"><strong>Wu foi recrutada pela Universidade Columbia</strong>, em Nova York, na&nbsp;<strong>década de 1940 como parte do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/07/onde-foi-detonada-a-trinity-a-primeira-bomba-atomica-da-historia"><strong>Projeto Manhattan</strong></a> e, então, ela conduziu pesquisas sobre&nbsp;<strong>detecção de radiação e enriquecimento de urânio</strong>. Ela permaneceu&nbsp;<strong>nos Estados Unidos após a guerra&nbsp;</strong>e ficou conhecida como&nbsp;<strong>uma das melhores físicas experimentais</strong> de sua época, afirmou Nina Byers, professora de física aposentada da Universidade da Califórnia, Los Angeles.</p><p dir="ltr">Em&nbsp;<strong>meados da década de 1950</strong>, dois físicos teóricos,&nbsp;<strong>Tsung-Dao Lee e Chen Ning Yang</strong>,&nbsp;<strong>procuraram Wu&nbsp;</strong>para ajudá-la a&nbsp;<strong>refutar a lei da paridade</strong>. Essa lei afirma que, na<strong> mecânica quântica</strong>, dois sistemas físicos — como átomos — que são imagens especulares se comportariam de maneira idêntica.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>experimentos de Wu usando cobalto-60</strong>, uma forma radioativa do metal cobalto,&nbsp;<strong>derrubaram essa lei</strong>, que havia sido aceita por 30 anos.</p><p dir="ltr"><strong>Esse marco na Física levou ao&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/12/quem-foi-a-pessoa-mais-jovem-a-receber-um-premio-nobel"><strong>Prêmio Nobel</strong></a><strong> de 1957 para Yang e Lee</strong> —&nbsp;<strong>mas não para Wu</strong>, que foi&nbsp;<strong>totalmente excluída&nbsp;</strong>apesar de seu papel fundamental. "As pessoas acharam [a decisão do Nobel] ultrajante", disse Byers.</p><p dir="ltr">Pnina Abir-Am, historiadora da ciência da Universidade Brandeis, também nos Estados Unidos, concordou, acrescentando que&nbsp;<strong>a etnia também desempenhou um papel discriminatório</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Wu morreu de um derrame cerebral em 1997</strong>, em Nova York.</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114205_0"><strong>Lise Meitner: a física austríaca que descobriu a fissão nuclear</strong></h2><p dir="ltr"><br>Nascida em<strong> Viena, Áustria, em 1878</strong>,&nbsp;<strong>Lise Meitner</strong>, com seu trabalho em&nbsp;<strong>física nuclear</strong>, descobriu algo muito significativo:&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/12/energia-limpa-o-que-significa-o-novo-avanco-cientifico-na-fusao-nuclear"><strong>a fissão nuclear</strong></a> — o fato de que&nbsp;<strong>núcleos atômicos podem se dividir</strong> em dois. Essa descoberta&nbsp;<strong>lançou as bases para a bomba atômica</strong>. Porém, a sua história é um emaranhado complexo de&nbsp;<strong>sexismo, política e etnia</strong>.</p><p dir="ltr">Após concluir seu<strong> doutorado em Física na Universidade de Viena</strong>,&nbsp;<strong>Meitner mudou-se para Berlim em 1907&nbsp;</strong>e começou a colaborar com o químico&nbsp;<strong>Otto Hahn</strong>. Eles mantiveram sua relação profissional por mais de 30 anos.</p><p dir="ltr">Após a&nbsp;<strong>anexação da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/06/guerra-mundial-como-um-conflito-entre-paises-se-transforma-em-uma-grande-guerra"><strong>Áustria pelos nazistas</strong></a><strong> em março de 1938</strong>,&nbsp;<strong>Meitner, que era judia</strong>, foi para&nbsp;<strong>Estocolmo, Suécia</strong>. Ela&nbsp;<strong>continuou a trabalhar com Hahn</strong>, trocando correspondências e se encontrando secretamente com ele em Copenhague em novembro daquele ano.</p><p dir="ltr">Embora&nbsp;<strong>Hahn tenha realizado os experimentos</strong> que produziram as evidências que&nbsp;<strong>apoiavam a ideia da fissão nuclear</strong>, ele não conseguiu encontrar uma explicação.&nbsp;<strong>Meitner e seu sobrinho</strong>, Otto Frisch,&nbsp;<strong>elaboraram a teoria</strong>.</p><p dir="ltr">Só que&nbsp;<strong>Hahn publicou suas descobertas sem incluir Meitner como coautora</strong>, embora vários relatos afirmem que Meitner compreendeu essa omissão, dada a situação na&nbsp;<strong>Alemanha nazista</strong>.</p><p dir="ltr">"Foi assim que&nbsp;<strong>Meitner perdeu o crédito pela descoberta da fissão nuclear</strong>", disse Lewin Sime, autor de uma biografia de Meitner.</p><p dir="ltr"><strong>Outro fator</strong> que contribuiu para o descaso com o trabalho de Meitner&nbsp;<strong>foi o seu gênero</strong>. Meitner chegou a escrever a um amigo que&nbsp;<strong>ser mulher na Suécia era quase um crime</strong>. Um pesquisador do comitê do Prêmio Nobel de Física tentou ativamente excluí-la. Dessa forma,&nbsp;<strong>Hahn ganhou sozinho o Prêmio Nobel de Química de 1944</strong> por suas contribuições para a fissão do átomo.</p><p dir="ltr">"Os colegas de Meitner na época, incluindo o físico&nbsp;<strong>Niels Bohr</strong>, acreditavam que&nbsp;<strong>ela era fundamental para a descoberta da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/02/a-verdadeira-historia-sobre-einstein-e-a-criacao-da-bomba-atomica"><strong>fissão nuclear</strong></a>", disse Sime. Mas, como seu nome não constava no artigo inicial com Hahn — e ela foi excluída do Prêmio Nobel que reconhecia a descoberta —, ao longo dos anos, ela&nbsp;<strong>não foi associada a essa descoberta</strong>.</p><p dir="ltr">A física nuclear&nbsp;<strong>morreu em 1968 em Cambridge, na Inglaterra</strong>.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114266_0"><strong>Rosalind Franklin: a pesquisadora que determinou a estrutura do DNA</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Nascida em 1920 em Londres</strong>,<strong> Rosalind Franklin usou raios X para obter uma imagem do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/exames-de-dna-revelam-um-parente-dos-seres-humanos-com-dentes-gigantes"><strong>DNA</strong></a><strong>&nbsp;</strong>que mudaria a biologia.</p><p dir="ltr">Seu caso é talvez um dos mais conhecidos — e vergonhosos — de uma&nbsp;<strong>pesquisadora que teve seu crédito roubado</strong>, disse Lewin Sime.</p><p dir="ltr">Franklin formou-se&nbsp;<strong>doutora em físico-química pela Universidade de Cambridge em 1945&nbsp;</strong>e, em seguida, passou três anos em um instituto em Paris, na França, onde aprendeu&nbsp;<strong>técnicas de difração de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographic.pt/ciencia/radioterapia-descoberta-acidental-que-salva-vidas-actualmente_6326" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><strong>raios X</strong></a>, ou seja, a capacidade de determinar as estruturas moleculares de cristais.</p><p dir="ltr">Ela&nbsp;<strong>retornou à Inglaterra em 1951 como pesquisadora associada</strong> no laboratório de John Randall no&nbsp;<em>King's College</em> de Londres e logo conheceu&nbsp;<strong>Maurice Wilkins</strong>, que liderava seu próprio grupo de pesquisa&nbsp;<strong>estudando a estrutura do DNA</strong>.</p><p dir="ltr">Franklin e Wilkins trabalharam em&nbsp;<strong>projetos de DNA separados</strong>, mas, segundo alguns relatos, Wilkins interpretou erroneamente&nbsp;<strong>o papel de Franklin no laboratório</strong> de Randall como o de&nbsp;<strong>assistente</strong>, em vez de&nbsp;<strong>chefe de seu próprio projeto</strong>.</p><p dir="ltr">Enquanto isso,&nbsp;<strong>James Watson e Francis Crick</strong>, ambos da Universidade de Cambridge, também tentavam&nbsp;<strong>determinar a estrutura do DNA</strong>. Eles se comunicaram com Wilkins, que em algum momento lhes mostrou a<strong> imagem do DNA feita por Franklin</strong> — conhecida como&nbsp;<strong>Foto 51</strong> — sem o seu conhecimento.</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>Foto 51 permitiu que Watson, Crick e Wilkins deduzissem a estrutura correta do DNA</strong>, que publicaram em uma&nbsp;<strong>série de artigos&nbsp;</strong>na revista científica&nbsp;<em>Nature</em> em abril de 1953.&nbsp;<strong>Franklin também publicou&nbsp;</strong>na mesma edição, fornecendo mais detalhes sobre a estrutura do DNA.</p><p dir="ltr">A<strong> imagem da molécula de DNA feita por Franklin foi fundamental&nbsp;</strong>para decifrar sua estrutura, acontece que apenas&nbsp;<strong>Watson, Crick e Wilkins&nbsp;</strong>receberam o&nbsp;<strong>Prêmio Nobel</strong> de Fisiologia ou Medicina de 1962 por seu trabalho.</p><p dir="ltr"><strong>Franklin morreu de câncer de ovário em 1958</strong>, em Londres, quatro anos antes de Watson, Crick e Wilkins receberem o Nobel. Como os Prêmios Nobel não são concedidos postumamente, nunca saberemos se Franklin teria recebido uma parte do prêmio por seu trabalho.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/02/mulheres-na-ciencia-conheca-8-cientistas-que-fizeram-historia"><em>Mulheres na ciência: conheça 8 cientistas que fizeram história</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3114266_1"><strong>Nettie Stevens: geneticista que descobriu os cromossomos sexuais</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Nascida em 1861 em Vermont</strong>, Estados Unidos,&nbsp;<strong>Nettie Stevens realizou estudos cruciais</strong> para determinar que&nbsp;<strong>o sexo de um organismo era ditado por seus&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2022/07/o-que-e-a-biodiversidade-e-como-preserva-la"><strong>cromossomos</strong></a>, e não por fatores ambientais ou outros.</p><p dir="ltr">Após receber seu doutorado pelo&nbsp;<em>Bryn Mawr College</em>, na Pensilvânia, Stevens continuou na faculdade como&nbsp;<strong>pesquisadora, estudando a determinação do sexo</strong>.</p><p dir="ltr">Ao&nbsp;<strong>trabalhar com larvas de tenébrio</strong>, ela conseguiu deduzir que os&nbsp;<strong>machos produziam espermatozoides com cromossomos X e Y</strong> — os cromossomos sexuais — e que&nbsp;<strong>as fêmeas&nbsp;</strong>produziam células reprodutivas&nbsp;<strong>apenas com cromossomos X</strong>. Isso corroborou a teoria de que&nbsp;<strong>a determinação do sexo é dirigida pela genética do organismo</strong>.</p><p dir="ltr">Um colega pesquisador, chamado&nbsp;<strong>Edmund Wilson</strong>, teria realizado um&nbsp;<strong>trabalho semelhante</strong>, mas chegou à mesma conclusão mais tarde do que Stevens.</p><p dir="ltr"><strong>Stevens foi vítima de um fenômeno conhecido como&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/efeito-matilda-o-que-e-o-fenomeno-que-afeta-as-mulheres-na-ciencia"><strong>Efeito Matilda</strong></a>: que é definido como a&nbsp;<strong>repressão ou negação das contribuições de pesquisadoras para a ciência</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Thomas Hunt Morgan</strong>, um geneticista proeminente da época, é frequentemente&nbsp;<strong>creditado pela descoberta</strong> da base genética da determinação do sexo, afirmou Hoopes, do&nbsp;<em>Pomona College</em>. Ele foi&nbsp;<strong>o primeiro a escrever um livro didático de genética</strong>, observou ela, e queria ampliar suas contribuições.</p><p dir="ltr">"Os livros didáticos têm essa terrível tendência de escolher as mesmas evidências que outros livros didáticos", acrescentou ela. E assim&nbsp;<strong>o nome de Stevens não foi associado à descoberta da determinação do sexo</strong>.</p><p dir="ltr">Hoopes não tem dúvidas de que Morgan era grato a Stevens. "Ele se correspondia com outros cientistas da época sobre suas teorias", disse ela. "[Mas]&nbsp;<strong>suas cartas com Nettie Stevens não eram assim. Ele pedia detalhes de seus experimentos</strong>."</p><p dir="ltr">"Quando&nbsp;<strong>ela morreu [de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/10/cancer-de-mama-as-7-principais-respostas-que-voce-precisa-saber-sobre-a-doenca"><strong>câncer de mama</strong></a><strong> em 1912]</strong>, ele escreveu sobre ela na revista&nbsp;<em>Science</em>, [e] escreveu que achava que ela não tinha uma visão ampla da ciência", disse Hoopes. "Mas isso porque ele não perguntou a ela."</p>]]></content:encoded></item><item><title>Cientistas descobrem o recorde da temperatura oceânica mais fria na história da Terra</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/03/cientistas-descobrem-o-recorde-da-temperatura-oceanica-mais-fria-na-historia-da-terra</link><description><![CDATA[Há cerca de 700 milhões de anos, a Terra estava coberta por uma camada de gelo com centenas de metros de espessura — um estado congelado que os cientistas chamam de “Terra Bola de Neve”. Os oceanos esfriaram, mas conseguiram reter um pouco de calor para evitar o congelamento.Agora, os pesquisadores têm uma estimativa — publicada na revista científica “Nature Communications” — de quão frios e...]]></description><category>Meio Ambiente</category><pubDate>Thu, 05 Mar 2026 10:08:09 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/03/cientistas-descobrem-o-recorde-da-temperatura-oceanica-mais-fria-na-historia-da-terra</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/c0130504-sturtianglaciationcryogenianperiod.jpg?w=1600" length="823555" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><strong>Há cerca de 700 milhões de anos</strong>,<strong> a Terra estava coberta por uma&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2020/08/maior-manto-de-gelo-da-terra-e-mais-vulneravel-ao-derretimento-antartida"><strong>camada de gelo&nbsp;</strong></a>com&nbsp;<strong>centenas de metros de espessura</strong> — um estado congelado que os cientistas chamam de “<strong>Terra Bola de Neve</strong>”.&nbsp;<strong>Os oceanos esfriaram</strong>, mas&nbsp;<strong>conseguiram reter um pouco de calor&nbsp;</strong>para&nbsp;<strong>evitar o congelamento</strong>.</p><p dir="ltr">Agora,&nbsp;<strong>os pesquisadores têm uma estimativa</strong> — publicada na revista científica&nbsp;<em>“Nature Communications”</em> —&nbsp;<strong>de quão frios e salgados eram os oceanos&nbsp;</strong>durante esse período.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ao&nbsp;<strong>analisar dados de depósitos rochosos</strong>, os autores do estudo&nbsp;<strong>estimam que as temperaturas do mar eram de -15°C</strong>. Isso é cerca de&nbsp;<strong>12°C mais frio do que as temperaturas oceânicas mais frias da atualidade</strong>. O estudo também observa que&nbsp;<strong>a salinidade era mais de quatro vezes maior</strong>, permitindo que&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/07/as-ondas-do-mar-podem-congelar-por-causa-do-frio-intenso-veja-o-que-diz-a-ciencia"><strong>o oceano ficasse extremamente frio sem congelar</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essas&nbsp;<strong>estimativas sugerem&nbsp;</strong>que todos<strong> os micróbios, fitoplâncton, algas e esponjas que viviam na Terra</strong>&nbsp;<strong>durante esse período</strong> enfrentaram&nbsp;<strong>condições ainda mais adversas&nbsp;</strong>do que os cientistas suspeitavam.</p><p dir="ltr">“Esses&nbsp;<strong>novos números de temperatura e salinidade elevam o nível de estresse ambiental</strong>”, afirma o coautor do estudo, o geólogo Ross Mitchell, da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim, China.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/apos-175-anos-as-tartarugas-gigantes-de-galapagos-voltam-para-casa-no-arquipelago-por-onde-passou-darwin"><em>Após 175 anos, as tartarugas gigantes de Galápagos voltam para casa no arquipélago por onde passou Darwin</em></a>)</p><h2      id="header_3114057_0"><strong>Rochas antigas dão pistas para saber qual é a temperatura mais baixa da história do planeta</strong></h2><p dir="ltr">A pesquisa da equipe foi iniciada quando outro coautor do estudo, o geólogo Paul Hoffman, da Universidade de Victoria, na Colúmbia Britânica, no Canadá,&nbsp;<strong>questionou se a temperatura do oceano da Terra Bola de Neve</strong> poderia<strong> explicar uma anomalia nos dados</strong> coletados anteriormente d<strong>as camadas de ferro&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2019/10/rochas-da-terra-sao-capazes-de-absorver-quantidade-impressionante-de-carbono"><strong>depositadas nas rochas</strong></a><strong> do fundo do mar</strong>.</p><p dir="ltr">Essas&nbsp;<strong>faixas de ferrugem se formaram porque os oceanos receberam&nbsp;</strong>repentinamente&nbsp;<strong>pulsos de oxigênio que reagiram com o ferro</strong> dissolvido que se acumulou na água.&nbsp;</p><p dir="ltr">De acordo com a pesquisa liderada por outro coautor do estudo, o geólogo Maxwell Lechte, da Universidade de Melbourne, na Austrália, o<strong>s depósitos de ferro estavam localizados perto de antigas costas onde as geleiras encontravam o mar&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>a água derretida rica em oxigênio&nbsp;</strong>sob o gelo se infiltrava no oceano.  &nbsp;</p><p dir="ltr">Mas&nbsp;<strong>os depósitos durante a Terra Bola de Neve tinham partículas de ferro muito mais pesadas</strong> do que as camadas de ferro que foram depositadas nas rochas oceânicas há cerca de 2,4 bilhões de anos; Hoffman se perguntou<strong>&nbsp;</strong>se<strong> a temperatura que existia no oceano Bola de Neve causou esses depósitos de ferro</strong>.&nbsp;&nbsp;</p><p dir="ltr">Mitchell então trabalhou com os principais autores do estudo, os geoquímicos Kai Lu e Lianjun Feng, também da Academia Chinesa de Ciências, que&nbsp;<strong>calcularam a temperatura do oceano que poderia explicar o excesso de partículas de ferrugem mais pesadas</strong> — e chegaram<strong> a um número gélido de -15°C</strong>.</p><p dir="ltr">“<strong>Gosto da abordagem que eles usaram</strong>”, diz o geoquímico Timothy Conway, da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, que não participou do estudo. “Ela se baseia em dados experimentais e em um modelo teórico no qual eles fizeram suposições, mas parece fazer sentido.”</p><p dir="ltr">A equipe também considerou a possibilidade de que&nbsp;<strong>a anomalia tivesse sido causada por partículas de ferro mais pesadas&nbsp;</strong>presentes no oceano da Bola de Neve,&nbsp;<strong>provenientes da erosão glacial na terra ou de fontes hidrotermais</strong>, mas sua análise mostrou que isso não era provável.</p><p dir="ltr">Eles também calcularam que<strong> os oceanos adjacentes às margens de gelo deviam ser mais de quatro vezes mais salgados&nbsp;</strong>para&nbsp;<strong>baixar o ponto de congelamento da água o suficiente&nbsp;</strong>para impedir que ela congelasse.</p><p>(<em>Sobre Meio Ambiente, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2017/10/como-seria-se-todo-o-gelo-da-terra-derretesse"><em>Como seria se todo o gelo da Terra derretesse</em></a>)</p><h2      id="header_3114058_0"><strong>Como a vida sobreviveu a um oceano tão frio?&nbsp;&nbsp;</strong></h2><p dir="ltr">Os cientistas têm estudado&nbsp;<strong>como a vida poderia ter sobrevivido à era criogênica</strong>, que inclui&nbsp;<strong>o período da Terra Bola de Neve</strong>, além de outro episódio semelhante há cerca de 650 milhões de anos.</p><p dir="ltr"><strong>Uma teoria é que a vida estava mais adaptada às condições extremas de oxigênio limitado</strong> e&nbsp;<strong>pouca ou nenhuma luz</strong>, ou que&nbsp;<strong>a vida persistiu em fontes hidrotermais</strong>,&nbsp;<strong>onde podia produzir alimento</strong> a partir de outros produtos químicos.&nbsp;&nbsp;</p><p dir="ltr">Uma outra linha de estudo prevê que&nbsp;<strong>a vida pode ter sobrevivido em lagoas de água derretida no gelo</strong>,&nbsp;<strong>como as cianobactérias e algas&nbsp;</strong>que atualmente&nbsp;<strong>vivem na plataforma de gelo McMurdo</strong>, na&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/09/qual-e-a-temperatura-na-antartida"><strong>Antártida</strong></a>.</p><p dir="ltr">“<strong>Essas condições superficiais&nbsp;</strong>poderiam<strong> ter permitido que um conjunto diversificado de vida persistisse&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>continuasse a evoluir ao longo das glaciações</strong>”, diz a geoquímica Fatima Husain, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, que não participou do estudo, mas liderou pesquisas sobre esse tema no ano passado.</p><p dir="ltr">Há também&nbsp;<strong>a possibilidade de que os organismos tenham sobrevivido ou se mudado para as margens do gelo</strong> para&nbsp;<strong>ter acesso ao oxigênio da água derretida</strong> na base do gelo. Mas eles&nbsp;<strong>teriam que lidar com as condições extremas previstas&nbsp;</strong>pelo novo estudo.&nbsp;<strong>O que dá peso a essa possibilidade são&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2018/10/encontrada-forma-de-vida-surpreendente-a-600-m-abaixo-da-terra"><strong>as bactérias</strong></a><strong> que foram encontradas vivendo em salmouras igualmente frias e salgadas</strong> sob o gelo do&nbsp;<strong>Lago Vida, na Antártida</strong>.</p><p dir="ltr">“Continuamos aprendendo mais sobre&nbsp;<strong>o quão extremo foi o Criogênico</strong>”, diz Husain, “e isso torna a persistência e a diversificação dramática da vida depois disso ainda mais surpreendente”.&nbsp;&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title>Especial Dia da Mulher: dos espartilhos às Kardashians, um mergulho na história da obsessão por cinturas finas</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-dos-espartilhos-as-kardashians-um-mergulho-na-historia-da-obsessao-por-cinturas-finas</link><description><![CDATA[A obsessão cultural da humanidade com o emagrecimento e a modificação do corpo remonta a séculos atrás. Manter um rosto e um corpo firmes por meios socialmente aceitáveis, como exercícios, roupas modeladoras e até mesmo cirurgias plásticas sutis e de bom gosto, há muito tempo é um símbolo de autoestima e respeitabilidade. A expectativa de que uma mulher bem educada deveria modificar seu corpo por...]]></description><category>História</category><pubDate>Wed, 04 Mar 2026 20:01:09 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-dos-espartilhos-as-kardashians-um-mergulho-na-historia-da-obsessao-por-cinturas-finas</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/h16204408.jpg?w=1600" length="1234899" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A&nbsp;<strong>obsessão cultural da humanidade com o emagrecimento e a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/11/seu-corpo-envelhece-rapidamente-em-dois-momentos-da-vida-aos-44-e-60-anos-veja-como-se-preparar"><strong>modificação do corpo</strong></a><strong>&nbsp;</strong>remonta a&nbsp;<strong>séculos atrás</strong>.&nbsp;<strong>Manter um rosto e um corpo firmes</strong> por meios socialmente aceitáveis, como exercícios, roupas modeladoras e até mesmo cirurgias plásticas sutis e de bom gosto, há muito tempo é um&nbsp;<strong>símbolo de autoestima e respeitabilidade</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>expectativa de que uma mulher bem educada</strong> deveria&nbsp;<strong>modificar seu corpo por meio de espartilhos&nbsp;</strong>remonta ao&nbsp;<strong>século 16</strong>, quando os chamados “<strong>espartilhos de baleia</strong>” (corpetes estruturados com tiras flexíveis retiradas da boca de baleias de barbatana, daí o nome). Conhecidos na época apenas como “<strong>corpos</strong>”,&nbsp;<strong>eram usados rotineiramente por mulheres e meninas aristocráticas</strong>, incluindo&nbsp;<strong>Catarina de Médici e a rainha Elizabeth 1ª</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em&nbsp;<strong>toda a Europa e nas Américas, nos séculos 18 e 19</strong>, os&nbsp;<strong>espartilhos tinham muitas funções</strong>. Havia&nbsp;<strong>espartilhos para corrigir a postura das crianças</strong>, outros projetados para<strong> dar suporte durante o trabalho físico</strong>,&nbsp;<strong>espartilhos modificados para mulheres grávidas&nbsp;</strong>e lactantes e até mesmo&nbsp;<strong>peças projetadas para militares e dândis</strong> do início do século 19.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em 1745, um visitante suíço na Inglaterra observou que,&nbsp;<strong>mesmo no campo</strong>, “<strong>todos usavam espartilhos</strong>”, já que, particularmente na Inglaterra,&nbsp;<strong>espartilhos folgados indicavam moral frouxa</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ainda que com bem menos adeptos,&nbsp;<strong>a moda dos espartilhos ou das roupas que comprimem o corpo das mulheres</strong> nunca foi embora de vez. Em&nbsp;<strong>meados da década de 2000</strong>,&nbsp;<strong>celebridades como a estadunidense Kim Kardashian reviveram a popularidade do vestido bandagem do estilista francês Hervé Léger</strong>. No início da década de 2010, a era do&nbsp;<em><strong>bodycon</strong></em><strong>&nbsp;</strong>(um estilo de roupa que se ajusta muito bem ao corpo, informa o Dicionário Cambridge, e cuja definição é a abreviação de&nbsp;<em><strong>body conscious</strong></em>, ou consciente do corpo, em português) estava em pleno andamento. Ela se&nbsp;<strong>alinhava à necessidade de roupas íntimas justas e suaves&nbsp;</strong>que criassem&nbsp;<strong>a ilusão de uma cintura bem definida</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas mesmo com os vestidos&nbsp;<em>bodycon</em> saindo de moda,&nbsp;<strong>o interesse pela malha modeladora permaneceu</strong>. Em&nbsp;<strong>2019</strong>,&nbsp;<strong>Kim Kardashian lançou sua própria linha de peças de roupa ajustadíssimas ao corpo</strong>, uma empresa atualmente avaliada em cerca de 4 bilhões de dólares.&nbsp;</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/os-bastidores-do-casamento-de-ramses-2o-com-uma-princesa-inimiga-um-dos-maiores-eventos-do-egito-antigo-mudou-uma-era"><em>Os bastidores do casamento de Ramsés 2º com uma princesa inimiga: um dos maiores eventos do Egito Antigo mudou uma era</em></a>)</p><h2       id="header_3114149_0"><strong>A relação entre o espartilho e a posição social de quem usa</strong></h2><p dir="ltr">Como&nbsp;<strong>a historiadora de moda norte-americana Valerie Steele</strong> observa em seu livro&nbsp;<em>“The Corset: A Cultural History”</em> (“O Espartilho: Uma História Cultural”, ainda sem edução no Brasil),&nbsp;<strong>os espartilhos transmitiam&nbsp;</strong>“<strong>status social</strong>,<strong> autodisciplina</strong>,<strong> arte</strong>,<strong> respeitabilidade</strong>,<strong> beleza</strong>,<strong> juventude&nbsp;</strong>e<strong> charme erótico</strong>”.&nbsp;</p><p dir="ltr">Para&nbsp;<strong>as mulheres da classe alta</strong>,&nbsp;<strong>exibir essas características&nbsp;</strong>era essencial para<strong> demonstrar sua posição social</strong>. Já&nbsp;<strong>as mulheres da classe baixa</strong> buscavam&nbsp;<strong>imitar as classes altas</strong> tornou-se&nbsp;<strong>um meio de possivelmente alcançar mobilidade social&nbsp;</strong>por meio do&nbsp;<strong>casamento</strong> ou do&nbsp;<strong>emprego</strong>.</p><p dir="ltr">Mesmo com&nbsp;<strong>os espartilhos deixando de estar em alta a partir da década de 1920</strong>, uma&nbsp;<strong>aparência bem cuidada e elegante continuou sendo importante</strong> por meio de&nbsp;<strong>dieta</strong>,<strong> exercícios&nbsp;</strong>e outras modificações corporais, como modeladores e cirurgias plásticas.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas, embora esses padrões tenham sido socialmente impostos por muito tempo,&nbsp;<strong>modificações corporais excessivas, na forma de espartilhos apertados</strong> —&nbsp;<strong>sem mencionar procedimentos modernos como lipoaspiração, lifting facial e preenchimentos</strong> — eram consideradas antinaturais, prejudiciais à saúde e uma forma de chamar atenção.&nbsp;</p><p dir="ltr">Dentro desse contexto, a história da peça acaba sendo uma faca de dois gumes: por um lado,&nbsp;<strong>aquelas que não usavam espartilhos eram rotuladas de libertinas e desleixadas</strong>, mas a<strong>quelas que apertavam demais</strong> — que modificavam seus corpos de forma muito óbvia —&nbsp;<strong>eram consideradas tolas e vaidosas</strong>.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/01/qual-e-a-origem-das-roupas-intimas-descubra-a-historia-por-tras-destas-pecas"><em>Qual é a origem das roupas íntimas? Descubra a história por trás destas peças</em></a>)</p><h2       id="header_3114152_0"><strong>Como eram vistas as mulheres que apertavam seus espartilhos demais</strong></h2><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>imagem&nbsp;</strong>mais duradoura que temos dos&nbsp;<strong>espartilhos é a da cintura fina&nbsp;</strong>(a famosa “cinturinha de pilão”, como se diz popularmente no Brasil), e esta é uma figura controversa. De acordo com&nbsp;<strong>Rebecca Gibson</strong>,&nbsp;<strong>professora assistente de antropologia</strong> na Universidade Virginia Commonwealth, nos Estados Unidos, e autora de&nbsp;<em>“The Corseted Skeleton: A Bioarchaeology of Binding”</em> (“O Esqueleto Corsetado: Uma Bioarqueologia da Compressão”),&nbsp;<strong>a indignação pública e o pânico em torno do laço apertado foram um fenômeno vitoriano</strong> e tinham como&nbsp;<strong>alvo aquelas pessoas</strong>, geralmente mulheres (e às vezes homens),&nbsp;<strong>que levavam&nbsp;</strong>“<strong>longe demais</strong>”&nbsp;<strong>a prática comum de modificação corporal&nbsp;</strong>por meio de espartilhos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Enquanto&nbsp;<strong>um espartilho padrão pode reduzir a cintura em 2,5 a 5 centímetros</strong>,&nbsp;<strong>diminuindo o tamanho da cintura natural&nbsp;</strong>ao&nbsp;<strong>longo do tempo</strong>, um processo que&nbsp;<strong>Gibson compara ao uso de aparelhos ortodônticos</strong>, já que&nbsp;<strong>os espartilhos apertados forçavam a cintura a dimensões extremamente antinaturais</strong>. Os críticos condenavam essas cinturas artificialmente estreitas, alegando ter visto&nbsp;<strong>algumas com apenas 38 ou 41 centímetros</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Como alertou a revista vitoriana&nbsp;<em>“The Family Herald”</em> em uma&nbsp;<strong>edição de 1848:</strong> “<strong>As mulheres devem ter uma cintura de 69 a 74 centímetros</strong>... milhares são apertadas até 53 centímetros, algumas até menos de 51 centímetros”.</p><p dir="ltr">Em meados do século 19,&nbsp;<strong>as mulheres que usavam espartilhos apertados eram consideradas&nbsp;</strong>as “<strong>garotas más</strong>”&nbsp;<strong>da época</strong>, vistas&nbsp;<strong>como tolas que mutilavam seus corpos</strong> por causa da moda,&nbsp;<strong>prostitutas perigosas&nbsp;</strong>que comprimiam suas cinturas para obter&nbsp;<strong>satisfação sexual</strong>, ou ambos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Steele escreve que “<strong>a literatura anticorset</strong> era semelhante em tom e linha de argumentação às diatribes sobre os terríveis efeitos da masturbação e do álcool”.&nbsp;<strong>A indignação com as mulheres que usavam espartilhos apertados vinha de todos os lados</strong>: escritores conservadores com medo de pessoas que&nbsp;<strong>expressavam sua autonomia sexual</strong>&nbsp;<strong>por meio das roupas&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>as primeiras feministas reformadoras do vestuário</strong>, que&nbsp;<strong>exigiam roupas mais igualitárias para as mulheres</strong>.</p><p>(<em>Descubra também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/10/os-sutias-sao-mais-antigos-do-que-voce-pensa"><em>Os sutiãs são mais antigos do que você pensa</em></a>)</p><h2       id="header_3114156_0"><strong>O fascínio e a fetichização do espartilho</strong></h2><p dir="ltr">De 1867 a 1874, a revista&nbsp;<em>“The Englishwoman’s Domestic Magazine”</em>&nbsp;<strong>publicou mais de 150 cartas sobre o tema do espartilho apertado</strong>, tanto&nbsp;<strong>em defesa quanto em oposição&nbsp;</strong>à prática. De acordo com Steele, muitas dessas cartas eram pornografia mal disfarçada, com autores anônimos descrevendo encontros sadomasoquistas em escolas de espartilhos apertados.&nbsp;</p><p dir="ltr">As autoras das cartas, que em grande parte afirmavam ser adolescentes, descreviam ter sido enviadas para escolas de espartilhos apertados em Londres, Paris e Viena como punição por sua rebeldia. Enquanto estavam nas escolas, elas afirmavam ter sido forçadas a usar espartilhos por diretores e diretoras de mão firme.&nbsp;</p><p dir="ltr">Embora&nbsp;<strong>os historiadores acreditem que essas escolas sejam puramente fictícias</strong>,&nbsp;<strong>as cartas</strong> e outras semelhantes foram&nbsp;<strong>amplamente divulgadas em periódicos respeitáveis</strong> da época, aparentemente consumidas por leitores que também usavam espartilhos.&nbsp;<strong>O fascínio e a fetichização do espartilho&nbsp;</strong>realçam as maneiras pelas quais&nbsp;<strong>a modificação corporal excessiva</strong> poderia ser tanto&nbsp;<strong>uma fonte de entretenimento&nbsp;</strong>quanto&nbsp;<strong>uma linha de demarcação</strong> para a&nbsp;<strong>aceitabilidade cultural</strong>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><p dir="ltr">Algumas&nbsp;<strong>mulheres ganharam fama</strong> generalizada&nbsp;<strong>por causa de suas cinturas exageradamente estreitas</strong>. A&nbsp;<strong>artista de cabaré francesa e estrela do cinema Polaire</strong> foi um&nbsp;<strong>fenômeno internacional</strong>, em parte, por causa de sua cintura de vespa. Durante o auge de sua carreira no final do século,&nbsp;<strong>ela apertava tanto o espartilho que sua cintura media apenas 40 centímetros</strong> e era frequentemente anunciada como uma espécie de atração secundária.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas, embora&nbsp;<strong>o laço apertado fosse considerado um “hábito de classe baixa”</strong>, como escreve o estudioso britânico David Kunzel em “<em>Fashion and Fetishism</em>” (“Moda e Fetichismo”),&nbsp;<strong>os fotógrafos vitorianos usavam&nbsp;</strong>rotineiramente&nbsp;<strong>técnicas de retoque e ilusão de ótica</strong> para<strong> dar às modelos a cinturinha fina que a francesa Polaire tornou moda</strong>. Em uma edição de 1895 da&nbsp;<em>“Photography Annual”&nbsp;</em>(antologia publicada até os anos 1970 e que compilava algumas das melhores fotos do mundo no momento), o fotógrafo S. Herbert Fry escreveu sobre o uso de técnicas de retoque para criar rotineiramente “a cintura exagerada de uma senhora que mede apenas 45 centímetros”.&nbsp;</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>cintura diminuta</strong> e&nbsp;<strong>os esforços que as mulheres fazem para alcançá-la continuam sendo motivo de escárnio&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>aspiração</strong>. No&nbsp;<strong>Met Gala de 2019&nbsp;</strong>(evento de gala beneficente que ocorre anualmente para conseguir fundos para o&nbsp;<em>Costume Institute</em> do&nbsp;<strong>Museu Metropolitano de Arte de Nova York, o MoMa</strong>), outra vez&nbsp;<strong>Kim Kardashian</strong> – sempre ela –&nbsp;<strong>ganhou as manchetes</strong> por&nbsp;<strong>seu dramático corpo em forma de ampulheta em um vestido da marca francesa Thierry Mugler</strong> cor de pele adornado com gotas de cristal.&nbsp;</p><p>Sua cintura fina deixou os críticos das redes sociais igualmente irritados e invejosos;&nbsp;<strong>alguns até ficaram preocupados que ela tivesse removido uma costela para conseguir esse visual</strong>. Mas a cintura fina de Kardashian no evento era o&nbsp;<strong>resultado de um espartilho personalizado&nbsp;</strong>feito pelo famoso fabricante de espartilhos Mr. Pearl (<strong>a peça precisou de três pessoas para ser colocada na celebridade&nbsp;</strong>e ela teria feito “<strong>aulas de respiração</strong> com espartilho”).&nbsp;</p><h2       id="header_3114158_0"><strong>Existiu um movimento anti-espartilho</strong></h2><p dir="ltr">Grande&nbsp;<strong>parte da</strong>&nbsp;<strong>reação ao visual de Kardashian</strong> foi quase&nbsp;<strong>vitoriana</strong>. Vários veículos de comunicação noticiaram sua “ansiedade” em relação ao espartilho. “Kim Kardashian lamenta vestido doloroso no Met Gala”, dizia uma manchete. Da mesma forma, em 1887, o escritor de beleza Henry T. Finck reclamou que “a única satisfação que uma mulher pode obter por ter uma cintura fina é a inveja de outras mulheres tolas”.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os reformadores da moda da época concordavam, defendendo a abolição ou, pelo menos, o afrouxamento dos espartilhos. Sua oposição os tornou estranhos aliados dos&nbsp;<strong>supostos homens da ciência que acreditavam que os espartilhos afastavam as mulheres de seu estado maternal</strong> “<strong>natural</strong>”:</p><p dir="ltr">“Deixou de ser uma metáfora que&nbsp;<em>[a mulher]</em> está vestida para matar... Seu pai ou seu marido poderiam viver com suas roupas?”, escreveu&nbsp;<strong>a crítica americana da feminilidade doméstica Elizabeth Stuart Phelps em 1873</strong>. “Ele poderia conduzir seus negócios e sustentar sua família com seus espartilhos?”</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/03/mes-das-mulheres-a-rainha-vitoria-foi-a-primeira-influenciadora-como-a-monarca-britanica-moldou-o-mundo-moderno"><em>A Rainha Vitória foi a primeira influenciadora? Como a monarca britânica moldou o mundo moderno</em></a>)</p><p dir="ltr">Embora discordassem na maioria das questões feministas, os defensores dos papéis tradicionais de gênero, como o frenologista americano O.S. Fowler, também&nbsp;<strong>argumentavam contra o espartilho</strong>. “Ele perverte o caráter feminino, transformando sua beleza imaculada em um conjunto de aparências artificiais, física e mentalmente, deixando o coração do homem desolado pela falta de uma mulher genuína para amar e pela qual viver; quando ele profana até mesmo o templo da castidade feminina”, escreveu Fowler em 1870.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas, de acordo com Gibson,&nbsp;<strong>a maioria dos críticos não era tão radical em suas opiniões&nbsp;</strong>sobre os espartilhos quanto os reformadores da moda ou aqueles que argumentavam que&nbsp;<strong>o objeto transformava as mulheres em&nbsp;</strong>“<strong>mentirosas</strong>”,&nbsp;<strong>pois modificavam seus corpos em formas não naturais</strong>. “<strong>Na sociedade ocidental, gostamos de encontrar maneiras de punir as mulheres</strong>&nbsp;por decisões que são culturalmente influenciadas e quase inevitáveis,&nbsp;<strong>a fim de manter o poder e a popularidade com o próprio grupo</strong>”, diz Gibson.</p><p dir="ltr">Ao longo dos séculos 18 e 19,&nbsp;<strong>a literatura e a arte zombavam das mulheres que usavam espartilhos apertados</strong>. Uma ilustração de 1777 chamada&nbsp;<em>“Tight-Lacing”</em> (“Apertando o Espartilho”) retrata uma mulher mais velha e feia segurando a cabeceira da cama enquanto uma criada ajustava seu espartilho pressionando o pé contra o seu bustle (estrutura que pode ser uma almofada ou uma armação de metal ou laços usada sob as saias das mulheres principalmente nas décadas de 1870 e 1880 com o objetivo de dar volume à parte de trás da vestimenta).&nbsp;</p><p dir="ltr">Já outra ilustração de 1879 chamada&nbsp;<em>“Considérations sur le Corset”</em>, da revista masculina&nbsp;<em>“La Vie Parisienne”</em>, mostra a dona da casa se apoiando em uma lareira enquanto seu marido, criados e até mesmo um cachorro puxam seus laços de um lado, e um exército de cupidos puxa do outro. Um desenho de 1898, por sua vez, retrata um marido e uma empregada apertando o espartilho de uma mulher com tanta força que ela se parte ao meio.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essas&nbsp;<strong>caricaturas&nbsp;</strong>sugeriam que&nbsp;<strong>as mulheres que usavam espartilhos apertados não o faziam por razões de respeitabilidade</strong>, mas sim&nbsp;<strong>para obter a aprovação de outras mulheres</strong> ou, pior ainda, para&nbsp;<strong>chamar a atenção</strong>. Em&nbsp;<em>“The Complete Beauty Book”</em>, de 1906, Elizabeth Anstruther relembrou uma jovem que usava espartilhos apertados e que ela afirma ter visto em um café famoso:</p><p dir="ltr">“A garota tinha uma cintura natural de cerca de 50 centímetros, mas parecia ter no máximo 30 centímetros, embora provavelmente tivesse 40 centímetros. O efeito era tão grotesco que as pessoas riram abertamente quando ela desmaiou.”&nbsp;</p><h2    id="header_3114160_0"><strong>Dos espartilhos à cirurgia plástica no século 20</strong></h2><p dir="ltr">As&nbsp;<strong>bainhas mais curtas</strong> e as&nbsp;<strong>cinturas mais largas</strong>&nbsp;<strong>da década de 1920</strong>, juntamente com os&nbsp;<strong>avanços nos materiais de modelagem e roupas íntimas</strong>,&nbsp;<strong>levaram ao fim do espartilho</strong>, pelo menos&nbsp;<strong>para o uso diário</strong>,&nbsp;<strong>mas o desejo de ter uma cintura fina permaneceu</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">À medida que a medicina se profissionalizou e a cirurgia plástica se tornou um campo à parte,&nbsp;<strong>a modificação corporal mudou-se para a sala de cirurgia</strong> — e os cirurgiões prometeram um visual esguio da cabeça aos pés.&nbsp;</p><p dir="ltr">No início do século 20, os médicos elogiavam os benefícios da cera de parafina como solução para o nariz deprimido, um efeito colateral da sífilis, doença comum até a década de 1940, quando se descobriu que a penicilina era uma cura eficaz. A parafina líquida era injetada nas depressões dos narizes afetados, dando aos pacientes a mesma aparência preenchida que as injeções de colágeno prometem hoje.&nbsp;</p><p dir="ltr">Embora de curta duração devido à tendência da parafina de migrar quando exposta à luz solar, as injeções também eram elogiadas por sua capacidade de suavizar linhas finas e rugas, despertando o interesse do público.&nbsp;<strong>Após avanços rápidos e transformadores para melhorar a aparência de lesões faciais durante a Primeira Guerra Mundial</strong>, os&nbsp;<strong>médicos</strong>, particularmente os&nbsp;<strong>norte-americanos</strong>, trouxeram essas inovações para casa, sendo&nbsp;<strong>pioneiros nas primeiras cirurgias estéticas</strong>, muitas vezes&nbsp;<strong>rinoplastias e liftings faciais</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">À medida que essa nova forma de modificação corporal na moda se tornou mais difundida, os críticos foram rápidos em apontar as maneiras como algumas pessoas, principalmente mulheres, estavam exagerando.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Estou louca de alegria”, disse uma parisiense que tinha vindo a Nova York para&nbsp;<strong>fazer um lifting facial</strong> ao “<em>The New York Times”</em> no verão de 1920 — embora tivesse algumas preocupações com o seu rosto recém-rejuvenescido. “Não me atrevo a sorrir”, disse ela. “Isso faria com que as rugas voltassem a aparecer.” No artigo, o “<em>Times”&nbsp;</em>rapidamente invocou Hamlet, observando que a sensibilidade “despreza todos aqueles que, tendo Deus lhes dado um rosto, criam outro para si mesmos”.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Ao longo do século 20</strong>,&nbsp;<strong>os debates sobre a moralidade, as implicações feministas e o significado cultural da cirurgia plástica</strong> acabariam&nbsp;<strong>tornando os argumentos</strong>&nbsp;<strong>da era vitoriana</strong> sobre o uso de espartilhos apertados&nbsp;<strong>algo antiquado</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os primeiros cirurgiões plásticos argumentavam que os homens que haviam sido feridos em batalha precisavam de cirurgia plástica para encontrar emprego. Artistas rapidamente entraram na briga, na esperança de que alterações cosméticas pudessem melhorar a disponibilidade de papéis, especialmente papéis para mulheres mais velhas.&nbsp;</p><p dir="ltr">Logo,&nbsp;<strong>pessoas de todas as classes sociais argumentaram que uma aparência mais jovem poderia melhorar suas chances de progressão na carreira ou casamento</strong>, embora o estigma em torno da cirurgia plástica para parecer mais jovem permanecesse.&nbsp;<strong>No final dos anos 90 e início dos anos 2000</strong>, celebridades suspeitas de alterar cirurgicamente seus rostos apareceram nas capas de revistas. “Cirurgia plástica: quem se importa?”, dizia a capa da revista&nbsp;<em>“Jane”</em> com&nbsp;<strong>a atriz Meg Ryan&nbsp;</strong>em 2004.&nbsp;</p><p dir="ltr">(<em>Sobre cultura e comportamento, leia mais:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/07/simbolo-de-opulencia-ou-de-bruxaria-conheca-a-historia-do-batom-vermelho"><em>Símbolo de opulência ou de bruxaria? Conheça a história do batom vermelho</em></a>)</p><p>À medida que&nbsp;<strong>a modificação corporal culturalmente aceitável volta a se inclinar para a beleza natural</strong>,&nbsp;<strong>só o tempo dirá quem será apontado por exagerar&nbsp;</strong>— seja por negligência ou por vaidade em busca de atenção.&nbsp;</p><h2   id="header_3114208_0"><strong>Será a volta de uma beleza mais natural?&nbsp;</strong></h2><p dir="ltr">Acontece que muitas pessoas se importavam:&nbsp;<strong>à medida que os injetáveis e preenchimentos se tornaram mais acessíveis, a tendência se espalhou para a classe média</strong>. A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos informou que seus membros licenciados realizaram&nbsp;<strong>25,4 milhões de procedimentos cosméticos&nbsp;</strong>“<strong>minimamente invasivos</strong>” em 2023 — um número que cresceu 9% em relação ao ano anterior.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Estrelas de&nbsp;</strong><em><strong>reality shows</strong></em><strong> e influenciadores das redes sociais se tornaram os vilões dos procedimentos cosméticos</strong>, retocando seus rostos tanto quanto suas cinturas, provando que impérios bilionários podem ser construídos com base na modificação corporal.&nbsp;</p><p dir="ltr">Como&nbsp;<strong>a professora e escritora estadunidense Victoria Pitts&nbsp;</strong>observa no livro&nbsp;<em>“In the Flesh: The Cultural Politics of Body Modification”&nbsp;</em>(<strong>“Na Carne: A Política Cultural da Modificação Corporal</strong>”) em&nbsp;<strong>sua história das alterações corporais contemporâneas</strong>, “<strong>os corpos humanos são sempre moldados e transformados por meio de práticas culturais</strong>”. No entanto,&nbsp;<strong>quando realizados por mulheres</strong>, esses procedimentos são frequentemente<strong> vistos como formas de automutilação</strong> baseadas no gênero, até que alcancem uma aceitação mais ampla. Agora, essa mudança parece ter chegado para o visual com muito preenchimento do passado recente.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em&nbsp;<strong>vídeos populares nas redes sociais, celebridades e influenciadores explicam quais cirurgias fizeram&nbsp;</strong>e quais não fizeram, ao lado de outras pessoas que relatam a reversão de procedimentos cosméticos anteriores.</p><p dir="ltr">“<strong>Há alguns anos, era&nbsp;</strong>‘<strong>quanto maior, melhor</strong>’. Lábios maiores, bumbum maior, seios maiores”, diz o Dr. David Rosenberg, cirurgião plástico da&nbsp;<em>Rosenberg Plastics</em> em Beverly Hills, Califórnia, por e-mail. “Agora ouço ‘snatched’ o tempo todo. Elas querem seios menores e mais naturais, lábios mais macios e um corpo mais equilibrado. Parece menos ‘olhe para mim’ e mais ‘ela simplesmente acordou assim’.”&nbsp;</p><p dir="ltr">Talvez&nbsp;<strong>o novo visual mais elegante e esguio seja uma reação ao passado recente</strong>, em que<strong> bochechas, lábios e nádegas rechonchudos eram obrigatórios</strong>. Como observa Gibson,&nbsp;<strong>as mudanças tendem a ser cíclicas</strong>, com ondas de mudança seguidas de reações contrárias: “<strong>A moda</strong> em si geralmente&nbsp;<strong>segue um ciclo de 10 anos</strong>. Você tem uma reação contrária e, em seguida, uma reação contrária à reação contrária. Acho que atualmente estamos em uma reação contrária aos últimos dez anos.”&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title>Tubarão descoberto nas águas da Antártida tem superpoderes de sobrevivência</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/tubarao-descoberto-nas-aguas-da-antartida-tem-superpoderes-de-sobrevivencia</link><description><![CDATA[Os tubarões podem ser encontrados na costa de todos os continentes da Terra, exceto na Antártida — ou assim se pensava. Na última semana de fevereiro deste ano, cientistas do Centro de Pesquisa Oceânica Minderoo-UWA, em Perth, Austrália, divulgaram imagens de um enorme tubarão-dormidor nadando diante de uma de suas câmeras subaquáticas, em águas geladas que por muito tempo foram consideradas...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Wed, 04 Mar 2026 10:01:01 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/tubarao-descoberto-nas-aguas-da-antartida-tem-superpoderes-de-sobrevivencia</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/som00003.jpg?w=1600" length="855671" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><strong>Os tubarões podem ser encontrados na costa de todos os continentes&nbsp;</strong>da Terra,&nbsp;<strong>exceto na Antártida</strong> — ou assim se pensava. Na última semana de fevereiro deste ano, cientistas do Centro de Pesquisa Oceânica Minderoo-UWA, em Perth, Austrália,&nbsp;<strong>divulgaram imagens de um enorme tubarão-dormidor nadando</strong> diante de uma de suas câmeras subaquáticas,&nbsp;<strong>em águas geladas que por muito tempo foram consideradas frias demais para a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/12/qual-e-o-tubarao-mais-perigoso-do-mundo"><strong>sobrevivência dos tubarões</strong></a>.&nbsp;<em>(A imagem foi capturada em janeiro de 2025.)</em></p><p dir="ltr">“Todos nós&nbsp;<strong>ficamos perplexos</strong>, pensando: ‘Acho que&nbsp;<strong>não deveria haver tubarões na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/02/quem-realmente-descobriu-a-antartida-depende-para-quem-voce-pergunta"><strong>Antártida</strong></a>’”, lembra Alan Jamieson, professor da Universidade da Austrália Ocidental e diretor do Minderoo-UWA Deep-Sea Research Centre.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/esses-ursos-polares-estao-ficando-mais-gordos-a-medida-que-o-gelo-marinho-derrete-o-que-esta-acontecendo"><em>Esses ursos polares estão ficando mais gordos à medida que o gelo marinho derrete: o que está acontecendo?</em></a>)</p><h2   id="header_3114120_0"><strong>Um tubarão gigante nadando em águas gélidas espantou os cientistas</strong></h2><p dir="ltr">De acordo com Jamieson,<strong> este tubarão é o primeiro de sua espécie a ser encontrado nas águas antárticas</strong>. O&nbsp;<strong>tubarão-dormidor</strong> (ou&nbsp;<strong>tubarão-dorminhoco</strong>, como também se pode referir ao&nbsp;<strong>grupo de tubarões da família&nbsp;</strong><em><strong>Somniosidae</strong></em><strong>, do gênero&nbsp;</strong><em><strong>Somniosus</strong></em>),<strong>&nbsp;</strong>foi<strong> visto nadando perto das Ilhas Shetland</strong>&nbsp;<strong>do Sul</strong>, a uma&nbsp;<strong>profundidade de cerca de 500 metros</strong>, e em<strong> águas quase congeladas</strong>.</p><p dir="ltr">Para quem está se perguntando&nbsp;<strong>como esse tubarão conseguiu sobreviver nas&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2018/07/lugar-mais-frio-terra-planeta-antartida-polo-sul-temperatura"><strong>águas mais frias da Terra</strong></a>, primeiro deve considerar que&nbsp;<strong>não se tratava de um tubarão qualquer</strong>; na verdade,&nbsp;<strong>os tubarões-dorminhocos têm uma constituição diferente</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>Estes são verdadeiros tubarões polares</strong>”, afirma Dave Ebert, cientista especializado em tubarões da Universidade Estadual de San José, na Califórnia, Estados Unidos. Ebert, que não participou da descoberta, diz que foi emocionante, mas não inesperado,&nbsp;<strong>ver um tubarão-dorminhoco na Antártida</strong>.&nbsp;</p><p>Jamieson ainda ficou surpreso quando viu um tubarão-dorminhoco aparecer em sua câmera na Antártida. “<strong>Em meus 25 anos de carreira, só vi quatro</strong>”, diz Jamieson.&nbsp;<strong>O tubarão-dorminhoco que ele viu no oceano antártico profundo</strong>, cuja&nbsp;<strong>espécie exata é desconhecida</strong>, era&nbsp;<strong>um dos maiores que ele já viu</strong>, com&nbsp;<strong>comprimento entre 2 e 3 metros</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Os tubarões-dormidores são extremamente misteriosos</strong>. Eles&nbsp;<strong>levam uma vida solitária e passam a maior parte do tempo em águas profundas</strong>. A raridade de ver um em qualquer lugar, especialmente em um local onde nunca foram vistos antes, não passou despercebida por Jamieson. “<strong>Existem diferentes tipos de raridade no mundo, e esse tipo é absolutamente astronômico</strong>”, diz ele.&nbsp;</p><p dir="ltr">(<em>Leia mais:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/08/a-antartida-ja-foi-verde-e-possui-lagos-de-lava-descubra-6-curiosidades-surpreendentes-sobre-o-continente-gelado"><em>A Antártida já foi verde e possui lagos de lava: descubra 6 curiosidades surpreendentes sobre o continente gelado</em></a>)</p><p dir="ltr">Ele acredita que sua câmera, a qual ele e seus colegas instalaram para medir a biodiversidade da área,&nbsp;<strong>conseguiu capturar um tubarão-dormidor&nbsp;</strong>porque estava localizada em uma área de águas mais quentes. “<strong>Pode haver um pequeno corredor de água quente ali&nbsp;</strong>que&nbsp;<strong>lhes permite penetrar mais ao sul&nbsp;</strong>do que normalmente fariam”, diz Jamieson.</p><p dir="ltr">Se&nbsp;<strong>a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/07/como-evitar-ataques-de-tubarao-especialistas-contam-a-national-geographic-suas-dicas-de-seguranca"><strong>passagem deste tubarão</strong></a><strong> por águas tão frias da Antártida</strong>&nbsp;<strong>foi um acaso ou uma prova de residência</strong>, ainda é preciso ser confirmado. No entanto,&nbsp;<strong>a descoberta de um tubarão-dorminhoco&nbsp;</strong>nesta região&nbsp;<strong>sugere que realmente não há nenhum lugar no oceano onde os tubarões não possam sobreviver</strong>.&nbsp;</p><p>“Isso também é uma prova de quanto ainda temos a fazer”, diz Jamieson. “<strong>Existem outros tubarões na Antártida</strong>?<strong> Eles estão por toda parte</strong>? Estão apenas neste local específico? Há tanta coisa que não sabemos.”&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title>Especial Dia da Mulher: a peregrina que subiu o Monte Fuji disfarçada, quando escalar era proibido para mulheres</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-a-peregrina-que-subiu-o-monte-fuji-disfarcada-quando-escalar-era-proibido-para-mulheres</link><description><![CDATA[O túmulo de Tatsu Takayama é modesto e simples. Ela está enterrada dentro do Templo Saishō-ji, em um canto tranquilo da zona oeste de Tóquio, capital do Japão, sob um pilar de pedra quase indistinguível dos demais ao redor.E, no entanto, seus ossos carregam consigo o espírito notável de uma mulher cuja reverência pelas montanhas — e a coragem de honrá-las — perdurou muito além de sua história.Em...]]></description><category>História</category><pubDate>Tue, 03 Mar 2026 20:01:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/especial-dia-da-mulher-a-peregrina-que-subiu-o-monte-fuji-disfarcada-quando-escalar-era-proibido-para-mulheres</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/bal161683.jpg?w=1600" length="1720247" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O túmulo de&nbsp;<strong>Tatsu Takayama</strong> é modesto e simples. Ela está<strong> enterrada dentro do Templo Saishō-ji</strong>, em um canto tranquilo da&nbsp;<strong>zona oeste de Tóquio</strong>, capital do&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2025/03/japao-tudo-o-que-voce-deve-saber-antes-de-visitar-o-pais"><strong>Japão</strong></a>, sob um pilar de pedra quase indistinguível dos demais ao redor.</p><p dir="ltr">E, no entanto, seus ossos carregam consigo<strong> o espírito notável de uma mulher</strong> cuja<strong> reverência pelas montanhas</strong> —&nbsp;<strong>e a coragem</strong> de honrá-las — perdurou&nbsp;<strong>muito além de sua história</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Em 1832</strong>,&nbsp;<strong>Takayama tornou-se a primeira mulher a escalar o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/fotografia/2018/05/ele-fotografou-o-monte-fuji-por-sete-anos-eis-o-resultado"><strong>Monte Fuji</strong></a> — uma escalada que,<strong> na época, era proibida para mulheres</strong>. Desafiando a lei comum e os costumes religiosos,&nbsp;<strong>ela foi mesmo assim, disfarçada com roupas masculinas</strong>,&nbsp;<strong>arriscando ser exilada&nbsp;</strong>de seu país.</p><p dir="ltr">Momentos antes de chegar ao cume, ela disse aos que a acompanhavam: “<strong>Quero subir até o cume, mesmo que eu morra&nbsp;</strong>no momento em que o alcançar.<strong> Se eu puder voltar para casa, quero encorajar todas as mulheres a escalar</strong>”, escreve a historiadora&nbsp;<strong>Fumiko Miyazaki</strong> em seu livro “Peregrinas Femininas e o Monte Fuji: Mudando Perspectivas sobre a Exclusão das Mulheres”.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre o Mês da Mulher, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/especial-dia-da-mulher-o-corpo-feminino-e-excepcionalmente-flexivel-e-isso-o-torna-superforte"><em>O corpo feminino é excepcionalmente flexível – e isso o torna superforte</em></a>)</p><p dir="ltr">Embora<strong> sua conquista tenha sido extraordinária</strong>, a&nbsp;<strong>sua incrível história praticamente desapareceu</strong> da memória pública,<strong> ofuscada pelos registros</strong> predominantemente&nbsp;<strong>masculinos&nbsp;</strong>do início do&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2025/12/do-lixo-as-mortes-a-crise-que-forcou-o-nepal-a-criar-regras-duras-para-salvar-o-everest"><strong>montanhismo</strong></a><strong> no Japão</strong> e pela limitada preservação da história religiosa e das escaladas femininas da época.</p><p dir="ltr">“<strong>O que ela estava fazendo não era montanhismo</strong> no sentido moderno.&nbsp;<strong>Escalar montanhas no Japão daquela época era um ato religioso</strong>, uma<strong> peregrinação&nbsp;</strong>— não uma conquista”, afirma&nbsp;<strong>Barbara Ambros</strong>, professora de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Estados Unidos.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Por causa disso,&nbsp;<strong>mulheres como Tatsu Takayama muitas vezes desapareciam dos registros históricos</strong>.”</p><p dir="ltr">No entanto, isso ressalta&nbsp;<strong>o quão excepcional foi&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem-e-aventura/2018/02/corredora-de-trilhas-faz-historia-no-pico-mais-alto-da-america-do-sul"><strong>a escalada</strong></a><strong> de Takayama&nbsp;</strong>— um&nbsp;<strong>ato de devoção ousado e transgressor</strong> que merece reconhecimento ao lado das<strong> primeiras histórias de montanhismo no Japão</strong>. Os detalhes de sua história que restam, preservados em&nbsp;<strong>arquivos de templos e registros familiares</strong>, são escassos, mas impressionantes.</p><h2 dir="ltr"            id="header_3114184_0"><strong>A proibição da entrada de mulheres na montanha</strong></h2><p dir="ltr"><br>O&nbsp;<strong>Monte Fuji não é apenas uma montanha</strong>. Para os&nbsp;<strong>Fuji-kō</strong> — uma&nbsp;<strong>confraria popular&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/01/como-a-tecnologia-esta-remodelando-a-religiao-aplicativos-redes-sociais-e-ate-ia-estao-no-pacote"><strong>budista</strong></a><strong>-xintoísta&nbsp;</strong>que floresceu em torno de Edo, na&nbsp;<strong>atual Tóquio</strong>, durante o<strong> período Edo (1603 a 1868)</strong> — não era um destino; era uma divindade.</p><p dir="ltr"><strong>Escalá-lo era suportar o ar rarefeito em nome da devoção</strong>, a forma mais próxima que se podia chegar de<strong> purificação</strong>. Alcançar o cume era e<strong>star entre os deuses</strong>.</p><p dir="ltr">Com sede na região de&nbsp;<strong>Kanto, no Japão, os Fuji-kō&nbsp;</strong>organizavam&nbsp;<strong>peregrinações estruturadas ao Monte Fuji</strong>, utilizando&nbsp;<strong>casas oshi</strong>, ou&nbsp;<strong>hospedarias de peregrinos</strong>, onde&nbsp;<strong>guias sacerdotais</strong> ofereciam alojamento, orações e preparação<strong> ritual para os alpinistas</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Para as mulheres, essa reverência tinha limites</strong>. A&nbsp;<strong>doutrina Edo&nbsp;</strong>do<em> nyonin kinsei</em>, a "<strong>lei que proíbe&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/03/veja-mulheres-inspiradoras-trabalhando-em-diferentes-epocas-no-mundo-todo"><strong>mulheres</strong></a>", as considerava&nbsp;<strong>ritualmente impuras</strong>, uma ameaça à santidade da montanha — mesmo que&nbsp;<strong>a própria montanha</strong> fosse venerada como uma&nbsp;<strong>divindade feminina</strong>.</p><p dir="ltr">"Acreditava-se que&nbsp;<strong>os deuses da montanha se sentiriam ofendidos</strong>", diz Ambros. "As&nbsp;<strong>mulheres eram consideradas impuras</strong> pelo sangue, por meio da&nbsp;<strong>menstruação e do parto</strong>. Presumia-se que a impureza era tão inerente a elas que não podia ser eliminada."</p><p dir="ltr">Guardas e postos de controle eram instalados na montanha para<strong> regular os peregrinos e reforçar a proibição de mulheres</strong> acima de certas altitudes; aquelas flagradas eram impedidas de prosseguir ou punidas.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Gerações de mulheres de Fuji-kō oravam à distância</strong>, construindo santuários na base da montanha e enviando seus desejos para o alto por meio dos homens. Algumas chegaram a c<strong>onstruir Fujizuka, pequenas réplicas escaláveis ​​do Monte Fuji</strong>, para realizar a ascensão simbolicamente.</p><p dir="ltr">Ainda assim,&nbsp;<strong>algumas&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/03/mes-das-mulheres-qual-e-o-pais-mais-seguro-para-as-mulheres"><strong>mulheres</strong></a><strong> não se contentavam com a escalada simbólica</strong>. Como Miyazaki escreve em seu livro, “as&nbsp;<strong>peregrinas tentavam subir o mais alto possível na montanha</strong> sempre que a oportunidade surgia”,&nbsp;<strong>desafiando a lei</strong> que as proibia.</p><p dir="ltr">“<strong>Tatsu não foi necessariamente a única</strong> a lutar para que as&nbsp;<strong>mulheres pudessem chegar ao cume</strong>”, afirma Ambros. “Ela estava inserida nessa religião que tinha ideias sobre as relações entre o masculino e o feminino que eram talvez peculiares e<strong> contrárias às de outros</strong> na época.”</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2018/05/veja-fotos-do-monte-fuji-registradas-ao-longo-de-sete-anos-fotografia-japao-paisagem-sua-foto-your-shot?image=sunrise-mt-fuji-japan"><em>Veja fotos do Monte Fuji registradas ao longo de sete anos</em></a>) at the time.”</p><h2 dir="ltr"           id="header_3114186_0"><strong>A escalada desafiadora de Takayama</strong></h2><p dir="ltr"><br>Até hoje, o&nbsp;<strong>Monte Fuji se ergue com simetria quase perfeita&nbsp;</strong>das planícies do centro de<strong> Honshu, no&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/05/qual-e-a-origem-da-hello-kitty-ela-ajudou-o-japao-a-conquistar-o-mundo-apos-a-segunda-guerra-mundial"><strong>Japão</strong></a>, seu cone elevando-se a&nbsp;<strong>mais de 3.600 metros</strong> em direção ao céu. Ao amanhecer, a luz se acumula lentamente em sua face, filtrando-se através de&nbsp;<strong>florestas de cedro e pinheiro&nbsp;</strong>e dando lugar a&nbsp;<strong>depósitos vulcânicos de pedras soltas&nbsp;</strong>e campos de cinzas. O ar se torna rarefeito perto do topo e, mesmo no verão, a geada persiste em suas dobras.</p><p dir="ltr"><strong>Takayama iniciou sua escalada</strong> no final da temporada,&nbsp;<strong>em outubro de 1832</strong>. Conforme documentado em Takayama Tatsuko&nbsp;<em>kankei shiryō</em>, uma compilação de&nbsp;<strong>registros históricos e documentos da seita relacionados a Tatsu Takayama</strong>, ela partiu da<strong> trilha de Yoshida com cinco companheiros homens</strong> — três discípulos, um carregador e&nbsp;<strong>Sanshi, o sacerdote Fuji-kō</strong> de 68 anos que liderava o caminho.&nbsp;</p><p dir="ltr">A orientação de Sanshi era incomum. A maioria dos<strong> líderes da época defendia a proibição da entrada de mulheres</strong>, mas uma pequena e&nbsp;<strong>influente minoria</strong> dentro da seita&nbsp;<strong>argumentava a favor</strong> de conceder às mulheres acesso limitado à montanha.</p><p dir="ltr"><strong>Takayama tinha 24 anos</strong> na época. Sua<strong> franja estava raspada</strong>, sua postura cuidadosa. Os registros afirmam que ela estava “<strong>envolta em um quimono com chifres no estilo Benkei</strong>”, feito de tecido grosso e escuro, largo nos ombros e justo na cintura.</p><p dir="ltr">Partiram antes do amanhecer, quando<strong> o ar estava seco e cortante</strong>. Usavam&nbsp;<strong>sandálias de palha</strong>, com os pés envoltos em camadas de tabi de algodão, meias feitas para serem usadas com as sandálias.&nbsp;<strong>Cada&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2021/08/peregrinacoes-podem-ser-a-proxima-tendencia-de-viagem-no-pos-pandemia"><strong>peregrino</strong></a><strong> carregava pouco mais do que o necessário&nbsp;</strong>para amarrar na cintura:&nbsp;<strong>bolinhos de arroz</strong> embrulhados em pano; ofuda,&nbsp;<strong>talismãs de papel</strong> com o selo de sua congregação Fuji-kō para afastar o azar; e uma tira de sílex para fazer fogo.</p><p dir="ltr">Na quinta estação, Chūgū, pararam para passar a noite. Quando amanheceu, o mundo ficou branco:<strong> a neve havia se acumulado</strong> durante a noite.</p><p dir="ltr">Uma crônica do Monte Fuji, reproduzida nos registros do Takayama Tatsuko kankei shiryō, relata que&nbsp;<strong>o grupo “atravessou uma espessa camada de neve”</strong>, com o caminho à frente deslizando sob seus pés, reaparecendo para depois desaparecer novamente.&nbsp;<strong>O vento rasgava suas roupas e castigava seus rostos</strong>.</p><p dir="ltr">Horas depois,&nbsp;<strong>o portal do cume, Torii, emergiu da neblina</strong>. Na&nbsp;<strong>prática xintoísta</strong>, o Torii marca o<strong> limiar entre os mundos</strong>, sinalizando o início de um terreno sagrado.</p><p dir="ltr"><strong>Não houve pompa ao final da ascensão</strong>, apenas&nbsp;<strong>uma jovem vestida com trajes masculinos</strong>, de cabeça baixa, a&nbsp;<strong>3.658 metros</strong> de altitude. O registro do Monte Fuji descreve o fato simplesmente: “<strong>Uma mulher nascida no&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/01/ano-novo-chines-2024-o-que-significa-o-dragao-na-cultura-chinesa"><strong>Ano do Dragão</strong></a><strong> escalou a montanha no Ano do Dragão</strong>”.</p><p dir="ltr"><strong>Sanshi registrou a ascensão em um pergaminho&nbsp;</strong>preservado nos&nbsp;<strong>registros do Monte Fuji&nbsp;</strong>mantidos pela família Takayama em Kamiochiai, Shinjuku. É um dos poucos documentos sobreviventes que atestam sua escalada pioneira.</p><h2 dir="ltr"          id="header_3114188_0"><strong>O que aconteceu depois da escalada de Takayama?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Embora&nbsp;<strong>a escalada de Takayama tenha violado a "regra que proibia&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/03/os-tumulos-de-mulheres-guerreiras-estao-mudando-o-que-sabemos-sobre-os-antigos-papeis-de-genero"><strong>mulheres</strong></a><strong>"</strong>, registros históricos sugerem que&nbsp;<strong>ela a completou sem ser pega</strong>, provavelmente se movendo discretamente entre alguns outros peregrinos e contando com a cobertura de&nbsp;<strong>uma subida matinal e seu disfarce em vestes masculinas</strong>. Mesmo assim,&nbsp;<strong>a notícia de seu feito se espalhou lentamente</strong> pelas redes de peregrinação de Fuji-kō e pelas comunidades locais.</p><p dir="ltr"><strong>"A notícia da ascensão de Tatsu</strong>, na verdade,&nbsp;<strong>provocou a antipatia dos moradores locais</strong>, alguns dos quais atribuíram os desastres naturais dos anos subsequentes a ela", escreve Miyazaki em seu livro.</p><p dir="ltr"><strong>As mulheres permaneceram proibidas de subir à montanha</strong>. Os registros de patrulha dos templos, documentos oficiais mantidos pelos templos de Fuji-kō para registrar a atividade dos peregrinos, preservados na compilação histórica&nbsp;<strong>Nihon Sangaku Fujin-shi</strong>, descrevem&nbsp;<strong>vários casos de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/02/mulheres-na-ciencia-conheca-8-cientistas-que-fizeram-historia"><strong>mulheres</strong></a><strong> detidas</strong> perto das encostas médias do Fuji.</p><p dir="ltr">As coisas só começariam a mudar&nbsp;<strong>em 1867</strong>,&nbsp;<strong>35 anos após a ascensão de Takayama</strong>, quando a<strong> inglesa Fanny Parkes</strong>, esposa do&nbsp;<strong>diplomata britânico Sir Harry Parke</strong>s, foi&nbsp;<strong>aclamada (erroneamente)&nbsp;</strong>como&nbsp;<strong>a primeira mulher a alcançar o cume do Monte Fuji</strong>.</p><p dir="ltr">A ascensão de Parkes abriu um precedente para&nbsp;<strong>mulheres não japonesas escalarem o Monte Fuji</strong>. As&nbsp;<strong>alpinistas estrangeiras</strong> passaram a ser&nbsp;<strong>cada vez mais toleradas&nbsp;</strong>pelos responsáveis ​​pelas trilhas no final do período Edo, mesmo antes da revogação formal da proibição.</p><p dir="ltr"><strong>Mais peregrinas seguiram o exemplo</strong>, as trilhas se alargaram e abrigos surgiram. E assim continuou: as&nbsp;<strong>mulheres japonesas escalavam</strong>, eram esquecidas e relegadas às margens da história.&nbsp;<strong>A influência de Takayama se apagou</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/03/dia-internacional-da-mulher-4-mulheres-chave-para-a-conquista-dos-direitos-femininos"><em>Dia Internacional da Mulher: 4 mulheres-chave para a conquista dos direitos femininos</em></a>)</p><p dir="ltr">Em&nbsp;<strong>1872</strong>,&nbsp;<strong>quatro décadas após a ascensão de Takayama</strong>, o governo Meiji&nbsp;<strong>finalmente revogou a proibição japonesa de mulheres entrarem em montanhas sagradas</strong>. A reforma foi prática, não moral — um subproduto da modernização e de um decreto governamental. E apesar de&nbsp;<strong>moradores e autoridades de templos se oporem&nbsp;</strong>há muito tempo ao acesso das mulheres, alertando que isso traria desastres, nenhum protesto em larga escala foi registrado quando a proibição foi revogada.</p><p dir="ltr"><strong>Mais de um século depois, na década de 1980</strong>, os historiadores japoneses Kōichirō Iwashina e Hiroshi Okada&nbsp;<strong>reencontraram Takayama</strong>. Nos&nbsp;<strong>arquivos da famíli</strong>a, descobriram&nbsp;<strong>um pergaminho&nbsp;</strong>Fuji-kō — papel desgastado, tinta fraca e uma única linha com<strong> o nome da mulher que havia escalado no Ano do Dragão</strong>.</p><p dir="ltr">No templo Saishō-ji, em&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/walking-tokio"><strong>Tóquio</strong></a>,&nbsp;<strong>seu túmulo se destaca entre muitos outros</strong> — a pedra amolecida pela chuva e pelo musgo, a inscrição quase inaudível.&nbsp;<strong>Nada a marca como a primeira ou a mais ousada</strong>.</p><p><strong>O Monte Fuji ainda atrai milhares de peregrinos</strong> a cada verão. Porém,&nbsp;<strong>a maioria</strong> das pessoas jamais saberá que&nbsp;<strong>a primeira mulher a chegar ao seu cume o fez disfarçada</strong>, na neve e sem permissão.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Seriam os homens de Neandertal os "Romeus" do mundo pré-histórico? Veja a análise dos cientistas</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/seriam-os-homens-de-neandertal-os-romeus-do-mundo-pre-historico-veja-a-analise-dos-cientistas</link><description><![CDATA[Os homens Neandertais podem ter tido uma queda por mulheres humanas modernas, mulheres Homo sapiens, ou talvez tivessem algo, algum “charme”, a que as mulheres humanas não resistissem.Essa é uma possível interpretação de um novo estudo, publicado no dia 26 de fevereiro de 2026 na revista Science, que descobriu que, quando Neandertais e Homo sapiens se reproduziram, os casais eram...]]></description><category>História</category><pubDate>Tue, 03 Mar 2026 10:15:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/03/seriam-os-homens-de-neandertal-os-romeus-do-mundo-pre-historico-veja-a-analise-dos-cientistas</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/c0523194-neanderthalmodel.jpg?w=1600" length="711585" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/como-eram-realmente-os-neandertais-e-por-que-eles-foram-extintos"><strong>homens Neandertais</strong></a> podem ter tido&nbsp;<strong>uma queda por mulheres humanas modernas</strong>, mulheres<em><strong> Homo sapiens</strong></em>, ou talvez tivessem algo, algum “charme”, a que as mulheres humanas não resistissem.</p><p dir="ltr">Essa é&nbsp;<strong>uma possível interpretação de um novo estudo</strong>, publicado no dia 26 de fevereiro de 2026 na<strong> revista&nbsp;</strong><em><strong>Science</strong></em>, que descobriu que,&nbsp;<strong>quando Neandertais e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/12/qual-e-a-origem-da-humanidade-segundo-a-ciencia"><em><strong>Homo sapiens</strong></em></a><strong> se reproduziram</strong>, os casais eram predominantemente formados por homens neandertais e mulheres humanas.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>cientistas sabem há muito tempo</strong> que alguns de&nbsp;<strong>nossos ancestrais se reproduziram com Neandertais</strong> antes da extinção da espécie,&nbsp;<strong>há cerca de 40 mil anos</strong>. Hoje,&nbsp;<strong>traços de DNA neandertal&nbsp;</strong>ainda permanecem nos<strong> genomas de muitas pessoas&nbsp;</strong>até os dias de hoje, principalmente entre aquelas com&nbsp;<strong>ascendência não africana</strong>. Em média, isso corresponde a cerca de 1% a 2% o do genoma de uma pessoa.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre História, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/os-bastidores-do-casamento-de-ramses-2o-com-uma-princesa-inimiga-um-dos-maiores-eventos-do-egito-antigo-mudou-uma-era"><em>Os bastidores do casamento de Ramsés 2º com uma princesa inimiga: um dos maiores eventos do Egito Antigo mudou uma era</em></a>)</p><p dir="ltr">No entanto, esses&nbsp;<strong>fragmentos de DNA remanescentes não estão distribuídos uniformemente</strong> por todo o genoma. Mesmo em pessoas com&nbsp;<strong>porcentagens relativamente altas de DNA neandertal</strong>, como 4%, existem&nbsp;<strong>regiões específicas de seus genomas</strong> — particularmente em seus&nbsp;<strong>cromossomos X</strong> — que estão desprovidas dele.</p><p dir="ltr">Essas&nbsp;<strong>zonas livres de DNA neandertal</strong>, conhecidas como “desertos neandertais”,&nbsp;<strong>intrigaram os pesquisadores</strong>. Muitos acreditavam que os desertos eram&nbsp;<strong>produto da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/07/como-as-especies-evoluiram-de-acordo-com-darwin"><strong>seleção natural</strong></a>, que&nbsp;<strong>eliminou fragmentos indesejáveis</strong> ​​de DNA neandertal ao longo do tempo.&nbsp;</p><p dir="ltr">Só que o&nbsp;<strong>novo estudo</strong>, por sua vez, argumenta que as&nbsp;<strong>lacunas refletem padrões ancestrais</strong> de&nbsp;<strong>pareamento entre os dois grupos</strong>, em vez da remoção constante de genes prejudiciais.</p><p dir="ltr">“Há uma&nbsp;<strong>hipótese antiga de que nós</strong>, humanos modernos (<em>Homo sapiens</em>),&nbsp;<strong>temos nos desfeito de nossa ancestralidade neandertal</strong> nos últimos 45 mil anos”, comenta Alexander Platt, geneticista evolucionista da Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos) e coautor do estudo. “Não gosto dessa teoria.”</p><p dir="ltr">Platt acreditava que havia&nbsp;<strong>uma explicação melhor</strong>. Para descobrir&nbsp;<strong>como os genes das duas espécies se misturaram</strong>, ele e seus colegas examinaram três genomas neandertais. Eles também&nbsp;<strong>compararam os dados com genomas africanos sem ancestralidade neandertal</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Descobriram que&nbsp;<strong>os cromossomos X dos neandertais</strong> continham&nbsp;<strong>cerca de 60% mais DNA de&nbsp;</strong><em><strong>Homo sapiens</strong></em> em comparação com seus cromossomos não sexuais, ou autossomos.&nbsp;<strong>O desequilíbrio</strong>, segundo os pesquisadores, indica que&nbsp;<strong>muitas das ancestrais femininas dos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/01/nova-evidencia-sugere-que-neandertais-primitivos-ja-produziam-fogo-ha-400-mil-anos"><strong>neandertais</strong></a><strong> provavelmente eram&nbsp;</strong><em><strong>Homo sapiens</strong></em>.</p><h2 dir="ltr"      id="header_3114109_0"><strong>Um olhar pré-histórico</strong></h2><p dir="ltr"><br>As&nbsp;<strong>mulheres possuem dois&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/o-que-e-o-dna-e-do-que-ele-e-composto"><strong>cromossomos</strong></a><strong> X</strong>, enquanto os&nbsp;<strong>homens&nbsp;</strong>possuem&nbsp;<strong>um X e um Y</strong>. Quando se reproduzem,&nbsp;<strong>a mãe&nbsp;</strong>sempre transmite&nbsp;<strong>um cromossomo X</strong>, enquanto<strong> o pai só transmite o seu X se tiver uma filha</strong>. Como resultado, o cromossomo&nbsp;<strong>X é herdado com mais frequência das mães do que dos pais</strong>.</p><p dir="ltr">Se o&nbsp;<strong>cruzamento entre homens Neandertais do sexo masculino e mulheres humanas modernas</strong> ocorresse predominantemente, os pesquisadores afirmam que&nbsp;<strong>relativamente pouco DNA do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/02/voce-pode-ter-mais-dna-neandertal-do-que-pensa"><strong>cromossomo X neandertal</strong></a><strong> entraria no conjunto genético humano</strong>, o que é o que os cientistas observam hoje.</p><p dir="ltr">Platt e sua equipe executaram&nbsp;<strong>modelos matemáticos para identificar quais cruzamentos</strong> resultariam em baixos níveis de DNA neandertal nos cromossomos X de sua prole. Em suas simulações no estudo, cenários nos quais&nbsp;<strong>os homens Neandertais demonstravam uma predileção</strong>, ou afinidade,&nbsp;<strong>por mulheres humanas</strong> frequentemente produziam esse resultado.</p><p dir="ltr">“Quase não seria possível aumentar o viés o suficiente nos modelos para obter os padrões que estávamos observando”, diz ele. “O que&nbsp;<strong>estamos vendo aqui não é apenas a ‘sobrevivência do mais apto’</strong> no sentido darwiniano clássico, mas a<strong> influência de vieses sexuais muito amplos e muito comuns</strong>”, afirma Platt.</p><p dir="ltr"><strong>O motivo pelo qual esses acasalamentos interespecíficos</strong> envolviam principalmente&nbsp;<strong>Neandertais machos e mulheres humanas&nbsp;</strong>pode permanecer&nbsp;<strong>um mistério para os cientistas</strong>, já que as descobertas&nbsp;<strong>não revelam os contextos sociais</strong> que levaram a esses pares.</p><p dir="ltr">Mas Platt e seus colegas têm&nbsp;<strong>uma possível teoria</strong> que consideram a resposta mais simples: homens neandertais e mulheres humanas&nbsp;<strong>podem ter se sentido particularmente atraídos&nbsp;</strong>um pelo outro.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/por-que-neandertais-e-homo-sapiens-enterravam-seus-mortos-os-cientistas-tem-uma-nova-teoria"><em>Por que neandertais e homo sapiens enterravam seus mortos? Os cientistas têm uma nova teoria</em></a>)</p><p dir="ltr">Os pesquisadores também&nbsp;<strong>não descartam outros fatores potenciais&nbsp;</strong>além da preferência por parceiros, incluindo desequilíbrios demográficos como a&nbsp;<strong>escassez de mulheres neandertais</strong> ou a abundância de mulheres humanas.</p><p dir="ltr">“Os&nbsp;<strong>modelos puramente demográficos nos parecem um pouco frágeis</strong>”, explica Platt. “Agora, pelo menos, preferimos o modelo que considera a preferência por parceiros como fator determinante.”</p><p dir="ltr"><strong>Lars Fehren-Schmitz</strong>, professor de antropologia da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, que não participou do estudo, afirma n<strong>ão estar surpreso com a possível evidência</strong> de preferência por parceiros entre os Neandertais, dada&nbsp;<strong>a sua prevalência</strong> na história da humanidade.</p><p dir="ltr">“Tem sido um fator limitante importante para a nossa própria espécie ao longo da nossa existência”, diz Fehren-Schmitz.</p><p dir="ltr"><strong>Matilda Brindle</strong>, bióloga evolucionista da Universidade de Oxford, Reino Unido, que não participou do estudo, concorda. Ela já publicou uma&nbsp;<strong>pesquisa sugerindo que&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/11/especies-humanas-coexistiram-ha-milhares-de-anos-segundo-descoberta-de-cientistas"><strong>Neandertais e humanos modernos&nbsp;</strong></a>podem ter&nbsp;<strong>compartilhado beijos pré-históricos</strong>. “A ideia de que a preferência por parceiros tenha impulsionado esse viés é certamente convincente”, afirma.</p><p dir="ltr">Essa teoria, acrescenta ela, levanta&nbsp;<strong>questões sobre como surgiu a atração entre as duas espécies</strong>. “O que havia nos machos Neandertais que as fêmeas humanas (modernas) achavam tão atraentes, ou vice-versa?”</p><p>Platt diz que espera que geneticistas como ele possam ajudar biólogos evolucionistas e antropólogos a encontrar as respostas para essas perguntas. “É&nbsp;<strong>algo que os geneticistas ainda não exploraram completamente</strong>”, afirma ele, “mas podemos contribuir para essa história.”</p>]]></content:encoded></item><item><title>O que acontece com os elefantes jovens quando as anciãs da manada desaparecem?</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/o-que-acontece-com-os-elefantes-jovens-quando-as-ancias-da-manada-desaparecem</link><description><![CDATA[Os elefantes jovens têm muito a aprender — o que comer, o que evitar, como se comportar perto de outros. Quando crescem perto da mãe e das tias, seu desenvolvimento em adultos bem-comportados pode parecer natural e espontâneo.Porém, nem sempre isso acontece, por conta das consequências da caça furtiva e do manejo populacional inadequado no passado revelam que eles se saem muito melhor se puderem...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Mon, 02 Mar 2026 20:05:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/o-que-acontece-com-os-elefantes-jovens-quando-as-ancias-da-manada-desaparecem</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/spi-1185376.jpg?w=1600" length="1222368" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/08/dia-mundial-dos-elefantes-6-fatos-sobre-os-maiores-mamiferos-terrestres"><strong>elefantes</strong></a><strong> jovens têm muito a aprender</strong> — o que comer, o que evitar, como se comportar perto de outros. Quando<strong> crescem perto da mãe e das tias</strong>, seu desenvolvimento em&nbsp;<strong>adultos bem-comportados&nbsp;</strong>pode parecer&nbsp;<strong>natural e espontâneo</strong>.</p><p dir="ltr">Porém, nem sempre isso acontece, por conta das&nbsp;<strong>consequências da caça furtiva&nbsp;</strong>e do manejo populacional inadequado no passado revelam que&nbsp;<strong>eles se saem muito melhor</strong> se puderem&nbsp;<strong>seguir o exemplo&nbsp;</strong>de&nbsp;<strong>animais mais velhos</strong>.</p><p dir="ltr">Elefantes em populações que perderam ou carecem de indivíduos mais velhos tendem a ter&nbsp;<strong>menor chance de sobrevivência</strong>, passam menos tempo com outros e respondem com menos precisão às ameaças, afirma a&nbsp;<strong>ecóloga comportamental Lucy Bates</strong>, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. Ela liderou uma análise publicada no ano passado, que analisou&nbsp;<strong>95 estudos científicos</strong> sobre populações de&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2018/12/elefantes-ameacados-de-extincao-estao-acuados-pelo-maior-campo-de-refugiados-do-mundo"><strong>elefantes</strong></a><strong> desestabilizadas na África e na Ásia</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Quando os elefantes idosos desaparecem</strong> de suas comunidades, explicam Bates e seus colegas,&nbsp;<strong>sua cultura também desaparece</strong>, o conhecimento adquirido com a idade e&nbsp;<strong>transmitido entre gerações</strong>.</p><p dir="ltr">“Geralmente, eles sobrevivem quando os mais velhos se vão”, explica ela. “Mas&nbsp;<strong>muitos aspectos mais sutis do seu comportamento podem se perder</strong>.” Isso coloca&nbsp;<strong>em risco não apenas os próprios elefantes</strong>, mas também os animais e as pessoas com quem convivem.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Animais, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/no-egito-antigo-os-cachorros-eram-considerados-divinos-os-vira-latas-de-hoje-podem-recuperar-a-antiga-gloria"><em>No Egito Antigo, os cachorros eram considerados divinos. Os vira-latas de hoje podem recuperar a antiga glória?</em></a>)</p><h2 dir="ltr"          id="header_3113961_0"><strong>Como os elefantes entendem sons estranhos</strong></h2><p dir="ltr"><br>Um dos exemplos mais famosos de uma<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/video/tv/elefante-brincalhao-avanca-em-direcao-carros">&nbsp;<strong>população de elefantes</strong></a> que cresceu&nbsp;<strong>sem anciãos é o grupo de elefantes órfãos&nbsp;</strong>da savana que foram transferidos para o&nbsp;<strong>Parque Nacional de Pilanesberg</strong>, na&nbsp;<strong>África do Sul</strong>, nas décadas de 1980 e 1990.&nbsp;</p><p dir="ltr">Seus&nbsp;<strong>parentes adultos haviam sido mortos&nbsp;</strong>a tiros no Parque Nacional Kruger — não por caçadores furtivos, mas&nbsp;<strong>pelos administradores do parque</strong>, que consideraram que o número de elefantes havia se tornado excessivo e acreditaram que os<strong> instintos dos filhotes seriam suficientes para sua sobrevivência</strong>.</p><p dir="ltr">Esses elefantes provavelmente&nbsp;<strong>sofreram traumas</strong>, afirma o ecologista comportamental&nbsp;<strong>Graeme Shannon</strong>, do Instituto Norueguês de Pesquisa da Natureza, que&nbsp;<strong>estudou os animais de 2007 a 2010</strong>. Seus experimentos sugeriram que eles também&nbsp;<strong>careciam de conhecimentos cruciais</strong> em comparação com os elefantes da grande e saudável população do<strong> Parque Nacional de Amboseli, no Quênia</strong>, onde ele também trabalhou.</p><p dir="ltr">Para entender melhor esse impacto,&nbsp;<strong>Shannon e seus colegas reproduziram sons&nbsp;</strong>que haviam gravado de&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/09/liberdade-no-brasil-ja-esta-no-pais-a-ultima-elefanta-que-vivia-em-cativeiro-na-argentina"><strong>elefantes</strong></a><strong> no parque</strong> e em outros locais, utilizando alto-falantes potentes instalados na parte traseira de um carro.<strong> Em Amboseli</strong>, no Quênia, os grupos liderados por&nbsp;<strong>fêmeas mais velhas identificaram claramente esses sons</strong>, buscando acolher um amigo da família, mas se reunindo ao redor dos filhotes em defesa quando ouviam o som de um estranho se aproximando.&nbsp;</p><p dir="ltr">Já na África do Sul,&nbsp;<strong>em Pilanesberg</strong>, por outro lado, onde as&nbsp;<strong>fêmeas mais velhas estavam ausentes</strong>, os grupos reagiram de forma igualmente defensiva a todas as gravações. Eles também&nbsp;<strong>não reagiram de maneira diferente aos sons de elefantes jovens</strong> ou (frequentemente mais perigosos) mais velhos,&nbsp;<strong>nem pareceram distinguir entre os rugidos de um ou três&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/12/em-que-parte-do-mundo-vive-o-leao-o-rei-da-selva"><strong>leões</strong></a> — ou de leões machos e fêmeas —, ao contrário dos grupos de Amboseli.</p><p dir="ltr"><strong>Em Amboseli, os elefantes jovens aprendem gradualmente</strong> quando ter cautela, observando os adultos do grupo, afirma Shannon, e a não se preocuparem demais caso contrário. "O&nbsp;<strong>comportamento excessivamente ansioso dos elefantes órfãos</strong> deve ser muito exaustivo para eles", afirma.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/08/elefantes-tambem-tem-babas-quem-cuida-dos-filhotes-quando-as-femeas-estao-ocupadas"><em>Elefantes também têm babás: quem cuida dos filhotes quando as fêmeas estão ocupadas?</em></a>)</p><p dir="ltr">Os<strong> elefantes órfãos de Pilanesberg eram excepcionalmente agressivos&nbsp;</strong>com funcionários, visitantes e pesquisadores, e machos jovens descontrolados&nbsp;<strong>mataram dezenas de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/09/e-verdade-que-os-rinocerontes-realmente-estao-em-perigo-de-extincao"><strong>rinocerontes brancos</strong>&nbsp;</a>no parque. Esses&nbsp;<strong>surtos de agressão só diminuíram</strong> quando o parque introduziu&nbsp;<strong>seis machos mais velhos</strong> e dominantes, com os quais os mais jovens podiam conviver e aprender.</p><p dir="ltr"><strong>Elefantes machos são frequentemente vistos como solitários</strong>, diz Shannon, mas eles&nbsp;<strong>buscam a companhia&nbsp;</strong>de outros machos quando deixam o grupo liderado por fêmeas em que cresceram. E como eles ficarão sozinhos com mais frequência no futuro, pode ser ainda mais importante para eles&nbsp;<strong>aprenderem a se comportar como adultos</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">A situação em Pilanesberg pode ter sido parcialmente causada por trauma, e não por falta de aprendizado em si, mas esses estudos revelam as&nbsp;<strong>muitas sutilezas que os elefantes jovens absorvem de seus pais</strong>.</p><h2 dir="ltr"         id="header_3113963_0"><strong>A educação sexual dos elefantes</strong></h2><p dir="ltr"><br>Décadas de observações em Amboseli revelaram muitos&nbsp;<strong>outros exemplos&nbsp;</strong>que destacam a<strong> importância de aprender com outros&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/segredos-dos-elefantes-primeiro-olhar-narrada-por-natalie-portman-disney"><strong>elefantes</strong></a>, afirma a ecologista evolucionista&nbsp;<strong>Phyllis Lee</strong>, da Universidade de Stirling, no Reino Unido.&nbsp;</p><p dir="ltr">É&nbsp;<strong>comum ver elefantes jovens estendendo suas trombas</strong> para&nbsp;<strong>cheirar ou provar</strong> o que outros estão comendo, ou para sentir o cheiro dos líquidos que os elefantes secretam das glândulas em suas têmporas quando estão emocionalmente excitados. "Eles parecem&nbsp;<strong>muito ansiosos para aprender</strong>", comenta ela.</p><p dir="ltr">Curiosamente, as&nbsp;<strong>mães parecem até ensinar suas filhas a atrair um macho visitante</strong>, explica Lee. “Mesmo que não tenha interesse em acasalar, uma mãe pode se apresentar a um macho e fazer pequenas ‘corridas’ para convencê-lo a segui-la, apenas para mostrar à filha como se faz e&nbsp;<strong>conseguir um bom parceiro para ela</strong>, se possível. Assim que a filha acasala, ela ignora o macho.”</p><p dir="ltr">Pesquisas mostraram que fêmeas jovens têm maior probabilidade de criar com sucesso seu primeiro filhote enquanto a mãe também está criando um, diz Lee.&nbsp;<strong>Grupos liderados por fêmeas mais velhas</strong> também&nbsp;<strong>tendem a perder menos filhotes</strong> e têm maior taxa de sobrevivência em geral. O efeito sobre o tamanho da população é mais variado.&nbsp;</p><p dir="ltr">Enquanto a população de órfãos em um local relativamente tranquilo como Pilanesberg cresceu rapidamente, em áreas mais desafiadoras como o&nbsp;<strong>Parque Nacional de Mikumi, na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/10/fotos-exclusivas-de-jane-goodall-por-national-geographic-retratam-seu-trabalho-intimista-nas-selvas-africanas"><strong>Tanzânia</strong></a>, populações que&nbsp;<strong>perderam muitos anciãos para a caça ilegal</strong> muitas vezes ainda lutam para se recuperar, talvez por falta de experiência em como sobreviver a secas.</p><p dir="ltr">Se esse&nbsp;<strong>conhecimento</strong>, acumulado ao longo de gerações,&nbsp;<strong>se perde quando animais mais velhos são mortos</strong> ou laços sociais são rompidos, pode levar muito tempo para ser redescoberto, e parte dele&nbsp;<strong>pode até se perder para sempre</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">A maioria dos gestores de vida selvagem aprendeu essa lição — geralmente, são feitos&nbsp;<strong>esforços para realocar os grupos</strong> como um todo, em vez de separá-los. Mas os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2018/11/caca-ilegal-marfim-elefante-presas-genetica-evolucao-dna-guerra-civil-mocambique"><strong>caçadores ilegais</strong></a><strong> de troféus</strong> ainda costumam visar<strong> indivíduos mais velhos por suas presas</strong>, subestimando a importância dos anciãos para a sobrevivência dos animais mais jovens.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/08/os-elefantes-podem-chamar-uns-aos-outros-pelo-nome-uma-caracteristica-rara-na-natureza"><em>Os elefantes podem chamar uns aos outros pelo nome, uma característica rara na natureza</em></a>)</p><h2 dir="ltr"         id="header_3113963_1"><strong>O aprendizado dos elefantes influencia os humanos</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Aprender com os outros</strong> também parece desempenhar um papel fundamental na&nbsp;<strong>forma como&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/04/100-anos-de-elefantes-as-melhores-fotos-da-national-geographic"><strong>os elefantes</strong></a><strong> se relacionam e reagem&nbsp;</strong>aos humanos. Estudos mostraram que elefantes que&nbsp;<strong>vivem em áreas com diferentes grupos humanos reagem com mais medo</strong> a pessoas de grupos conhecidos por ocasionalmente matar elefantes do que àqueles de grupos que não o fazem, afirma Bates.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em alguns de seus próprios trabalhos, ela demonstrou que&nbsp;<strong>os elefantes&nbsp;</strong>também parecem ter&nbsp;<strong>mais medo do cheiro das roupas usadas por pessoas</strong> de grupos que possam representar uma&nbsp;<strong>ameaça para eles</strong>. "Eles também se afastam do cheiro de outras pessoas", explica Bates. "Mas, neste caso,&nbsp;<strong>eles correm</strong> e continuam correndo."</p><p dir="ltr"><strong>Quando têm consciência da presença de humanos</strong>, os elefantes tendem a&nbsp;<strong>se manter afastados</strong>. Em Amboseli, observou-se que elefantes permaneciam à distância até que os pastores locais terminassem de dar água ao gado. No entanto, quando os&nbsp;<strong>elefantes são surpreendidos e se sentem incapazes de escapar</strong>, às vezes matam gado – e ocasionalmente pessoas também.&nbsp;</p><p dir="ltr">Alguns elefantes chegam a&nbsp;<strong>perceber os horários das pessoas</strong> – trabalhadores de uma&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/03/qual-e-a-origem-do-cafe-a-bebida-e-consumida-pela-humanidade-ha-seculos"><strong>plantação de café</strong></a><strong> no sul da Índia</strong>, por exemplo, começaram a encontrar elefantes quando estenderam suas jornadas de trabalho.</p><p dir="ltr">Nem tudo que os&nbsp;<strong>elefantes jovens aprendem</strong> com os parentes mais velhos os ajuda a&nbsp;<strong>evitar problemas com humanos</strong>. Um grupo de elefantes machos no Quênia foi visto empurrando seu membro mais jovem através de uma cerca, ensinando-lhe uma<strong> dura lição sobre como transpor esses obstáculo</strong>s.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/2018/07/filhotes-elefantes-asiatico-camboja-armadilha-selvagem-aleijados"><strong>elefantes asiáticos</strong></a> também parecem estar&nbsp;<strong>aprendendo com outros como derrubar cercas&nbsp;</strong>ou se alimentar de plantações ou lixo, afirma a ecologista comportamental Shermin de Silva, da Universidade da Califórnia, em San Diego, que os estuda no Sri Lanka.</p><p dir="ltr">Isso pode&nbsp;<strong>levar a conflitos com humanos</strong>, que podem ter consequências fatais tanto para os humanos quanto para os elefantes, e os animais que morrem podem ser os mais adaptáveis ​​e persistentes, diz ela, “características que podem ser muito úteis para ajudá-los a sobreviver na natureza também”.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Se o comportamento se espalhar para a próxima geração</strong>, o que pode acontecer se as mães levarem seus filhotes a lixões para se alimentarem, os elefantes jovens podem não aprender a se alimentar de plantas silvestres. “Um&nbsp;<strong>elefante come mais de 100 plantas diferentes</strong>”,afirma de Silva. “Mas isso não significa que eles possam comer qualquer coisa a qualquer momento.&nbsp;<strong>Eles precisam aprender</strong>.”</p><p dir="ltr">Algumas&nbsp;<strong>populações de elefantes asiáticos tornaram-se tão pequenas</strong> que os conservacionistas podem ser tentados a desistir delas, diz de Silva. “Mas essas populações remanescentes podem ter&nbsp;<strong>conhecimento local sobre como sobreviver ali</strong>, o que é difícil, senão impossível, de recuperar se as perdermos.”&nbsp;</p><p dir="ltr">Ela recentemente foi coautora de diretrizes sobre&nbsp;<strong>como reintroduzir elefantes órfãos em novas áreas</strong>. “É importante criá-los de uma forma que os desencoraje a&nbsp;<strong>se aproximarem de humanos</strong> e que&nbsp;<strong>aprendam com outros elefantes</strong>.”</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>humanos que compartilham seu ambiente com os elefantes também aprenderam historicamente com eles</strong>. Os tratadores de elefantes descobriram quais&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/07/veja-3-chas-de-ervas-naturais-que-podem-ser-bons-para-saude-de-acordo-com-a-ciencia"><strong>plantas medicinais</strong></a> podem ajudar os elefantes doentes observando o que os animais comiam quando estavam doentes, diz de Silva, e algumas dessas plantas agora também são usadas por pessoas.</p><p dir="ltr">“<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2017/08/10-imagens-impressionantes-de-elefantes"><strong>Os elefantes</strong></a><strong> provavelmente coevoluíram com os humanos</strong>, especificamente com o&nbsp;<em>Homo erectus</em>”, diz de Silva, “então eles sempre tiveram que lidar conosco.” À medida que as populações de elefantes se recuperam ou, mais comumente, novas pessoas se mudam para o antigo habitat dos elefantes, alguns mal-entendidos perigosos podem ocorrer.</p><p dir="ltr">No entanto, em&nbsp;<strong>locais onde humanos e elefantes têm uma longa história&nbsp;</strong>de convivência, muitas vezes existe um entendimento cultural mútuo, afirma de Silva. Ela enfatiza que isso não significa que eles interajam frequentemente – as p<strong>essoas nunca devem alimentar ou se aproximar de elefantes selvagens</strong>, ou acidentes acontecerão. “Precisamos dar-lhes espaço.”</p><p dir="ltr"><strong>Se os elefantes quiserem sobreviver às&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/03/de-que-maneira-a-mudanca-climatica-se-conecta-com-inundacoes-mais-recorrentes-especialistas-explicam"><strong>mudanças climáticas</strong>&nbsp;</a>em paisagens cada vez mais fragmentadas, será ainda mais importante que&nbsp;<strong>os remanescentes de habitat</strong> estejam bem conectados, permitindo-lhes espaço para vagar e criando áreas onde os animais mais velhos&nbsp;<strong>possam compartilhar o conhecimento herdado de desafios passados</strong>, enquanto os animais mais jovens se sintam seguros para explorar e&nbsp;<strong>descobrir novas soluções&nbsp;</strong>para problemas inéditos.&nbsp;</p><p>“Os indivíduos mais&nbsp;<strong>jovens podem ser mais adaptáveis</strong>”, comenta Bates. “E alguns hábitos antigos precisarão mudar.”</p>]]></content:encoded></item><item><title>Especial Dia da Mulher: o corpo feminino é excepcionalmente flexível – e isso o torna superforte</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/especial-dia-da-mulher-o-corpo-feminino-e-excepcionalmente-flexivel-e-isso-o-torna-superforte</link><description><![CDATA[Em 2014, a ciência descobriu que o estrogênio, um hormônio definidor do funcionamento do organismo feminino, parecia proteger o corpo contra o estresse físico da altitude, reduzindo o fator induzível por hipóxia (HIF), uma proteína que ajuda o corpo a se adaptar à falta de oxigênio, mas causa inflamação e desconforto.A fisiologista metabólica Deborah Clegg viveu na pele essa experiência. Quando...]]></description><category>Saúde</category><pubDate>Mon, 02 Mar 2026 11:09:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/03/especial-dia-da-mulher-o-corpo-feminino-e-excepcionalmente-flexivel-e-isso-o-torna-superforte</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/nationalgeographic2276740.jpg?w=1600" length="909867" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Em 2014,<strong> a ciência descobriu&nbsp;</strong>que&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/11/desmistificando-a-terapia-hormonal-a-virada-da-ciencia-no-tratamento-da-menopausa"><strong>o estrogênio</strong></a><strong>,&nbsp;</strong>um hormônio definidor do funcionamento do organismo feminino,<strong> parecia proteger o corpo contra o estresse físico da altitude</strong>, reduzindo&nbsp;<strong>o fator induzível por hipóxia (HIF)</strong>, uma&nbsp;<strong>proteína que ajuda o corpo a se adaptar à falta de oxigênio</strong>, mas&nbsp;<strong>causa inflamação e desconforto</strong>.</p><p dir="ltr">A fisiologista metabólica Deborah Clegg viveu na pele essa experiência. Quando esteve nas&nbsp;<strong>encostas do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/perpetual-planet/2018/06/8-dicas-faceis-que-seu-guia-do-kilimanjaro-esqueceu-de-contar"><strong>Monte Kilimanjaro</strong></a>, no nordeste da Tanzânia, na África, onde&nbsp;<strong>o ar se tornava rarefeito</strong>, ela não se deixou abalar pela altitude. Seus passos eram firmes e sua energia, inabalável. Na mesma trilha, o&nbsp;<strong>parceiro de escalada de Clegg – Biff Palmer</strong> — um renomado nefrologista e alpinista que&nbsp;<strong>já havia escalado o Everest e</strong>&nbsp;<strong>seis dos picos mais altos do mundo&nbsp;</strong>— achou a escalada no Kilimanjaro mais desafiadora.</p><p dir="ltr">Após essa experiência no pico africano, em 2013, Clegg e Palmer continuaram escalando alturas juntos e perceberam um padrão.&nbsp;<strong>Montanha após montanha, Clegg superava Palmer consistentemente</strong> — não por bravata ou melhor condicionamento físico, observaram eles, mas por algo mais profundo.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Outro fator parecia estar em jogo</strong>. Suas conversas passaram de competição para curiosidade: por que&nbsp;<strong>o corpo dela parecia tão bem adaptado ao ar com baixo teor de oxigênio&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>ao esforço prolongado</strong>? De volta ao laboratório, eles se propuseram a responder a essa pergunta.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/o-que-acontece-no-cerebro-quando-procrastinamos-saiba-como-evitar-a-autossabotagem"><em>O que acontece no cérebro quando procrastinamos? Saiba como evitar a autossabotagem</em></a>)</p><h2      id="header_3114068_0"><strong>Estrogênio e flexibilidade desafiam a ideia ultrapassada de que mulheres não são fortes</strong></h2><p dir="ltr"><strong>Mais estrogênio</strong> –&nbsp;<strong>hormônio dominante no corpo feminino</strong> –&nbsp;<strong>significa menos HIF</strong> e&nbsp;<strong>torna a altitude mais fácil de suportar</strong>. Essa&nbsp;<strong>não é a única vantagem que&nbsp;o estrogênio proporcionou&nbsp;</strong>a Clegg — ele também&nbsp;<strong>desempenha um papel central no que é conhecido como flexibilidade metabólica</strong> — a&nbsp;<strong>capacidade do corpo de alternar entre fontes de energia</strong>,&nbsp;particularmente da glicose para a gordura.</p><p dir="ltr">A descoberta de Clegg e Palmer faz parte de&nbsp;<strong>um crescente conjunto de evidências científicas&nbsp;</strong>que<strong> desafiam as suposições</strong>&nbsp;<strong>de que o corpo das mulheres não é tão forte quanto o dos homens</strong>.</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>ciência&nbsp;</strong>está&nbsp;<strong>mostrando cada vez mais que a flexibilidade</strong> — a&nbsp;<strong>capacidade de se adaptar, mudar e se recuperar ao longo da vida</strong> — é&nbsp;<strong>um dos principais pontos fortes que tornam o corpo feminino tão resistente</strong>. E há&nbsp;<strong>três maneiras cruciais</strong> pelas quais essa&nbsp;<strong>característica torna as mulheres excepcionalmente fortes</strong>.</p><p>Clegg, agora professora de medicina interna no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Tecnológica do Texas, nos Estados Unidos,&nbsp;<strong>estuda como o estrogênio e o metabolismo da gordura</strong>&nbsp;<strong>moldam a resistência</strong>.</p><h2      id="header_3114111_0"><strong>Mulheres são mais resistentes e armazenam gordura nos lugares certos do corpo</strong></h2><p dir="ltr">Estudos demonstraram que&nbsp;<strong>o corpo masculino&nbsp;</strong>tende a&nbsp;<strong>depender mais dos carboidratos para explosões curtas de energia</strong>, o que lhes dá<strong> uma vantagem em termos de força explosiva</strong>, mas&nbsp;<strong>o corpo feminino tem um desempenho particularmente bom em termos de resistência</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>O corpo feminino queima&nbsp;</strong>preferencialmente<strong> gordura</strong>, que&nbsp;<strong>fornece uma fonte constante de energia</strong>.&nbsp;<strong>A gordura, como combustível de queima lenta e consistente</strong>, ajudou nossas&nbsp;<strong>ancestrais a persistir durante os longos ciclos gestacionais da gravidez</strong> e&nbsp;<strong>da amamentação</strong>, enquanto ainda caçavam,&nbsp;<strong>colhiam e caminhavam de 13 a 16 km por dia</strong>.</p><p dir="ltr">Hoje, apesar de terem mais reservas de gordura,&nbsp;<strong>as mulheres lidam com níveis mais baixos de doenças metabólicas</strong> — isso é proposital.</p><p dir="ltr">“<strong>As mulheres armazenam gordura predominantemente nos quadris e nas coxas</strong>, que é&nbsp;<strong>um local realmente seguro para armazenar gordura</strong>, pois&nbsp;<strong>fica fora da cavidade abdominal</strong>,&nbsp;<strong>onde os homens a armazenam</strong>”, explica ela.&nbsp;<strong>A gordura visceral ao redor dos órgãos na região do estômago tem impactos mais negativos na saúde&nbsp;</strong>do que a gordura armazenada subcutaneamente, como costuma acontecer nos corpos femininos.&nbsp;<strong>As células adiposas também são diferentes</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Nossa pesquisa mostrou que&nbsp;<strong>a célula adiposa feminina é completamente diferente da célula adiposa masculina</strong>. A célula adiposa feminina é como uma peça de roupa de elastano, por exemplo. Ou seja, ela&nbsp;<strong>pode se esticar, absorvendo todo o excesso de ácidos graxos</strong> e&nbsp;<strong>calorias e armazenando-os de uma forma realmente saudável</strong>”, diz Clegg. Já<strong> as células adiposas masculinas não têm essa capacidade</strong>, e essa&nbsp;<strong>diferença é mais do que estética</strong>.</p><p dir="ltr">Quando&nbsp;<strong>se inflamam</strong>,&nbsp;<strong>as células adiposas ficam fibrosas</strong>&nbsp;<strong>e sobrecarregadas</strong>,&nbsp;<strong>aumentando o risco de diabetes e doenças cardiovasculares</strong>. Já&nbsp;<strong>no caso das células adiposas flexíveis das mulheres</strong>, elas&nbsp;<strong>podem expandir-se e contrair-se mais facilmente de acordo com as exigências da vida</strong> — como&nbsp;<strong>a gravidez</strong>,<strong> a flutuação de peso&nbsp;</strong>e<strong> os exercícios de resistência</strong>. Essa expansibilidade nas células adiposas está “<strong>diretamente relacionada</strong>”&nbsp;<strong>aos hormônios sexuais</strong>, afirma Clegg.&nbsp;</p><p dir="ltr">Quando se trata de&nbsp;<strong>manter a energia por longos períodos</strong>, “<strong>é mais benéfico ser mulher do que homem</strong>”, diz Clegg. “<strong>A capacidade de alternar entre os dois diferentes substratos energéticos, glicose e ácidos graxos</strong>, também&nbsp;<strong>oferece benefícios para a sobrevivência e a saúde</strong>.”</p><p dir="ltr">A vantagem não se limita ao alpinismo:&nbsp;<strong>a flexibilidade metabólica do corpo feminino reduz o risco de câncer, diabetes e síndrome metabólica&nbsp;</strong>— até a menopausa, quando essa flexibilidade diminui.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/02/a-dieta-nordica-tem-muitos-beneficios-e-anti-inflamatoria-pode-ajudar-a-dormir-melhor-e-viver-mais"><em>A dieta nórdica tem muitos benefícios: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais</em></a>)</p><h2      id="header_3114113_0"><strong>A flexibilidade feminina é metabólica e também física</strong></h2><p dir="ltr">Se o metabolismo mostra o lado invisível da adaptabilidade,&nbsp;<strong>o movimento mostra o lado visível</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>O corpo humano tem três tipos de flexibilidade física</strong>, diz Miho Tanaka, uma médica que trata atletas do time de futebol New England Revolution e do Boston Ballet, e cirurgiã de medicina esportiva no Mass General Brigham, em Boston, Massachusetts, nos Estados Unidos.&nbsp;<strong>Existe a flexibilidade funcional&nbsp;</strong>— “<strong>como os dançarinos</strong>, que conseguem fazer espargatas” —,&nbsp;<strong>a flexibilidade muscular</strong>, que&nbsp;<strong>depende da elasticidade de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/02/os-beneficios-da-creatina-vao-alem-de-somente-turbinar-os-musculos-segundo-a-ciencia"><strong>certos músculos</strong></a>, e&nbsp;<strong>a flexibilidade articular</strong>, ou o que&nbsp;<strong>os médicos chamam de laxidade</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Essa flexibilidade está associada a uma maior eficiência muscular e maior força</strong>,&nbsp;<strong>independentemente do sexo</strong>, e é por isso que&nbsp;<strong>os atletas a incorporam em seus treinos</strong>. “A flexibilidade e a capacidade de usar todo o movimento das articulações são importantes para otimizar a biomecânica das articulações. Isso influencia diretamente a forma como um atleta gera força”, diz Tanaka.</p><p dir="ltr">Por outro lado, “<strong>a inflexibilidade geralmente é uma resposta à perda de força nos limites finais do movimento</strong>”, diz Sophia Nimphius, vice-reitora de Esportes da Edith Cowan University, na Austrália. Em geral,&nbsp;<strong>os corpos femininos têm maior elasticidade muscular e amplitude de movimento nas articulações</strong>. Isso provavelmente&nbsp;<strong>se deve ao fato de elas terem mais estrogênio</strong>, o que&nbsp;<strong>aumenta o colágeno nos tecidos conjuntivos</strong> — uma<strong> vantagem natural&nbsp;</strong>que ainda não foi bem pesquisada.</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>flexibilidade física&nbsp;</strong>também&nbsp;<strong>mantém o corpo mais seguro</strong> ao&nbsp;<strong>exercer força</strong>.</p><p dir="ltr">“Estudos mostram que&nbsp;<strong>quanto mais flexíveis são os músculos, menor é a probabilidade de sofrer uma lesão ou distensão muscular</strong>”, diz Tanaka. Mas esse equilíbrio é delicado. “Se você tem muita laxidade, fica mais propenso a lesões nas articulações.&nbsp;<strong>É realmente uma linha tênue&nbsp;</strong>entre ter flexibilidade suficiente e ter muita laxidade.”</p><p dir="ltr">Essa linha tênue é uma teoria que explica por que as mulheres têm quatro a oito vezes mais chances do que os homens de sofrer lesões no joelho sem contato. “Assimetrias na flexibilidade e desequilíbrios musculares podem aumentar o risco.”&nbsp;</p><p dir="ltr">No entanto,&nbsp;<strong>outra teoria sugere que as mulheres são mais propensas a sofrer essas lesões porque têm menos treinamento e apoio</strong>. “Se a laxidade fosse principalmente um mecanismo baseado no sexo, esperaríamos que as diferenças nas lesões fossem consistentes em todos os esportes, mas não são”, diz Nimphius.</p><p dir="ltr">Pesquisas demonstraram que&nbsp;<strong>no esqui alpino, onde o treinamento é individual e começa desde cedo</strong>,&nbsp;<strong>não há diferença entre os sexos nas taxas de lesões</strong>.</p><p dir="ltr">É por isso que pesquisas e treinamentos específicos para o corpo feminino são tão importantes.&nbsp;<strong>Apenas 6% dos estudos de medicina esportiva&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/os-cientistas-finalmente-estao-estudando-a-saude-das-mulheres-veja-o-que-eles-ja-descobriram"><strong>se concentram exclusivamente nas mulheres</strong></a>, e&nbsp;<strong>é sabido na ciência do esporte</strong> que,&nbsp;<strong>por muito tempo, as mulheres foram treinadas como homens menores</strong>, em vez de com base em suas próprias forças físicas.</p><p dir="ltr">Os futuros regimes de treinamento que se adaptam às necessidades específicas de cada atleta têm o potencial de reduzir as lesões (como alguns estudos já demonstraram). Tanaka aponta para o potencial da IA e do aprendizado de máquina para analisar grandes quantidades de dados, o que permitirá que médicos como ela “<strong>prevejam lesões e personalizem os planos de treinamento de acordo com elas</strong>”.</p><p dir="ltr">(<em>Mais sobre Saúde:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/02/como-forcar-uma-celula-do-cancer-a-se-autodestruir-cientistas-investigam-uma-proteina-chave-do-corpo"><em>Como forçar uma célula do câncer a se autodestruir? Cientistas investigam uma proteína-chave do corpo</em></a>)</p><h2      id="header_3114113_1"><strong>Um metabolismo flexível ajuda as mulheres a se adaptar melhor às grandes mudanças da vida</strong></h2><p dir="ltr">Além do metabolismo e do movimento, talvez exista&nbsp;<strong>a flexibilidade mais surpreendente&nbsp;</strong>de todas:&nbsp;<strong>a capacidade do corpo feminino de passar por mudanças dramáticas</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Da primeira menstruação à&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/02/o-que-acontece-durante-a-menopausa-de-acordo-com-a-ciencia"><strong>menopausa</strong></a>, passando pela&nbsp;<strong>gravidez, parto e recuperação</strong>,&nbsp;<strong>os sistemas femininos se reconfiguram repetidamente</strong> —&nbsp;<strong>circulatório, imunológico e musculoesquelético — sem entrar em colapso</strong>.</p><p dir="ltr">Essas mudanças fisiológicas podem até ter vantagens. Pesquisas recentes mostraram que&nbsp;<strong>a amamentação pode reduzir o risco de câncer de mama</strong> devido&nbsp;<strong>ao recrutamento de células imunológicas para a mama</strong>. Também há evidências de que&nbsp;<strong>algumas atletas femininas retornam ao esporte ainda mais fortes após a gravidez&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>o parto</strong>, igualando ou superando suas habilidades pré-gravidez.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>A adaptação, na verdade, é o fio condutor</strong>. Em todas as escalas — das mitocôndrias às fibras musculares e ao ciclo hormonal —,&nbsp;<strong>o poder desconhecido do corpo feminino reside em sua capacidade de se dobrar sem quebrar</strong>.</p><p dir="ltr">Para Clegg, a lição se cristalizou no meio da escalada de uma montanha:&nbsp;<strong>ela era mais forte por causa de seu corpo feminino, e não apesar dele</strong>.&nbsp;As&nbsp;<strong>características do corpo feminino&nbsp;</strong>uma vez já&nbsp;<strong>descartadas como desvantagens&nbsp;</strong>— como o&nbsp;<strong>armazenamento de gordura</strong>,&nbsp;<strong>a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/07/hormonios-desequilibrados-saiba-o-que-isso-significa-para-o-seu-corpo"><strong>flutuação hormonal</strong></a> e&nbsp;<strong>a sensibilidade</strong>, por exemplo —&nbsp;<strong>podem</strong>, na verdade,<strong> ser a base da sobrevivência humana</strong>.&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p><em><strong>Starre Vartan</strong> é autora do livro “The Stronger Sex: What Science Tells Us About the Power of the Female Body” (“O Sexo Forte: O que a Ciência Diz Sobre o Poder do Corpo Feminino”), já disponível nas livrarias.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title>Do eclipse total da Lua de Sangue até um desfile planetário: os 9 fenômenos astronômicos de março de 2026</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/do-eclipse-total-da-lua-de-sangue-ate-um-desfile-planetario-os-9-fenomenos-astronomicos-de-marco-de-2026</link><description><![CDATA[Março traz um dos eventos astronômicos mais comentados quando aparece em qualquer calendário de eventos astronômicos: um eclipse lunar total, que ocorrerá em 3 de março. Este eclipse deixará a Lua com um tom carmim, fazendo com que ela seja conhecida como Lua de Sangue. No Brasil, este eclipse “será visto somente como penumbral e parcial, perto do horário do nascer do Sol”, explica o Observatório...]]></description><category>Espaço</category><pubDate>Fri, 27 Feb 2026 20:37:02 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/do-eclipse-total-da-lua-de-sangue-ate-um-desfile-planetario-os-9-fenomenos-astronomicos-de-marco-de-2026</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/luadesangue_nasa_edit.jpg?w=1600" length="1668041" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Março traz&nbsp;<strong>um dos eventos astronômicos mais comentados</strong> quando aparece em qualquer calendário de eventos astronômicos:&nbsp;<strong>um eclipse lunar total</strong>, que&nbsp;<strong>ocorrerá em 3 de março</strong>. Este&nbsp;<strong>eclipse deixará a Lua com um tom carmim</strong>, fazendo com que ela seja conhecida como<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/03/o-que-e-a-lua-de-sangue-ou-lua-vermelha-veja-3-fatos-sobre-o-fenomeno"><strong>Lua de Sangue</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>No Brasil, este eclipse&nbsp;</strong>“<strong>será visto somente como penumbral e parcial</strong>, perto do horário do nascer do Sol”, explica o Observatório Nacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo brasileiro. Mas&nbsp;<strong>o eclipse é apenas o começo</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">As maravilhas interestelares do mês continuam com conjunções planetárias, chances acima da média de&nbsp;<strong>auroras boreais&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>maior visibilidade do centro da Via Láctea</strong>.&nbsp;<strong>Aqui estão nove maravilhas do céu noturno</strong> para observar em março: saiba quando e onde olhar.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/onde-a-nasa-esta-procurando-por-aliens-no-sistema-solar-conheca-as-descobertas-mais-recentes"><em>Onde a Nasa está procurando por aliens no Sistema Solar? Conheça as descobertas mais recentes</em></a>)</p><h2         id="header_3114078_0"><strong>1º de março: um desfile planetário no horizonte</strong></h2><p dir="ltr">Quem perdeu o desfile de seis planetas no final de fevereiro, ainda há uma chance de vê-lo no início de março.&nbsp;<strong>Olhe para o oeste logo após o pôr do sol&nbsp;</strong>para&nbsp;<strong>ver Mercúrio</strong>,<strong> Vênus e Saturno brilhando</strong> baixo no horizonte.&nbsp;</p><p dir="ltr"><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/01/cinco-curiosidades-sobre-jupiter-o-maior-planeta-do-sistema-solar"><strong>Júpiter</strong></a><strong> estará simultaneamente alto no céu&nbsp;</strong>sudeste.&nbsp;<strong>Embora Netuno e Urano estejam acima do horizonte</strong>, será necessário&nbsp;<strong>o uso de binóculos</strong> potentes ou<strong> um telescópio para vê-los</strong>.&nbsp;<strong>Netuno, especialmente, será difícil de avistar</strong>, pois se põe logo após o sol — e, por falar nisso, lembre-se: nunca aponte instrumentos ópticos para o oeste antes do pôr do sol.</p><h2         id="header_3114078_1"><strong>3 de março: um eclipse lunar total conhecido como Lua de Sangue</strong></h2><p dir="ltr">Todos os olhos estarão voltados para o céu&nbsp;<strong>nas primeiras horas da manhã de 3 de março</strong>. A visão —&nbsp;<strong>um&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2022/11/o-que-e-um-eclipse-lunar"><strong>eclipse lunar total</strong></a> —&nbsp;<strong>transformará a Lua Cheia em um tom tangerina</strong> assombroso.&nbsp;</p><p dir="ltr">A mecânica de um eclipse lunar total desencadeia esse efeito de&nbsp;<strong>Lua de Sangue</strong>. Durante o evento, a<strong> Terra desliza entre o Sol e a Lua</strong>. O&nbsp;<strong>satélite da Terra entra em nossa sombra</strong>, conhecida como umbra, e dispersa os comprimentos de onda mais curtos da luz.<strong> Os comprimentos de onda vermelhos mais longos passam</strong>, criando aquele brilho alaranjado.</p><p dir="ltr"><strong>No Brasil</strong>, no entanto,&nbsp;<strong>o eclipse será visto de forma parcial</strong>. “Quando<strong> a Lua estiver totalmente eclipsada</strong>, ela&nbsp;<strong>já vai estar embaixo do horizonte&nbsp;</strong>aqui&nbsp;<strong>para nós</strong>. Então,&nbsp;<strong>o Brasil não vai ver o eclipse total</strong>”, continua o Observatório Nacional.&nbsp;</p><p dir="ltr">“No&nbsp;<strong>extremo oeste do Brasil</strong>,&nbsp;<strong>a Lua chegará a cerca de 96% de obscurecimento</strong>, percentual&nbsp;<strong>muito próximo da totalidade</strong>, mas ainda assim não caracterizado como um eclipse total visível", diz a fonte. Isso significa que estados como&nbsp;<strong>Acre, Amazonas e Roraima</strong>, por exemplo, poderão ver melhor a Lua de Sangue.&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>Em outras partes do mundo</strong>, especialmente nas&nbsp;<strong>regiões localizadas em faixas mais a oeste do continente americano</strong>, será possível acompanhar a totalidade por mais tempo”, completa o Observatório Nacional.&nbsp;</p><p>(<em>Leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/ano-novo-chines-2026-o-ano-do-cavalo-de-fogo-esta-de-volta-pela-primeira-vez-em-60-anos"><em>Ano Novo Chinês 2026 – o Ano do Cavalo de Fogo está de volta, pela primeira vez em 60 anos</em></a>)</p><h2         id="header_3114080_0"><strong>7 a 8 de março: conjunção Vênus-Saturno</strong></h2><p dir="ltr"><strong>Vênus e Saturno se aproximarão um do outro</strong>, ficando próximos&nbsp;<strong>o suficiente para serem vistos</strong> através de um par de binóculos, nas&nbsp;<strong>noites de 7 e 8 de março</strong>. Observe a conjunção logo acima do horizonte oeste, onde&nbsp;<strong>a dupla permanecerá visível por cerca de 45 minutos após o pôr do sol</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Os planetas estarão mais perto nas noites de 7 e 8 de março</strong>, mas também estarão&nbsp;<strong>visivelmente próximos nas noites que antecedem</strong> e seguem a conjunção.</p><h2         id="header_3114080_1"><strong>19 de março: Lua Nova e luz zodiacal</strong></h2><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>Lua Nova deste mês</strong> ocorre em&nbsp;<strong>19 de março</strong>. Essa&nbsp;<strong>diminuição da luz lunar</strong> proporciona&nbsp;<strong>condições excelentes para a observação de estrelas</strong>, especialmente para aqueles que buscam objetos do espaço profundo, como&nbsp;<strong>o aglomerado Beehive</strong> (grupo estelar aberto localizado na constelação de Câncer).&nbsp;</p><p dir="ltr">Meados de março também é uma&nbsp;<strong>boa época para observar a luz zodiacal</strong>, uma&nbsp;<strong>sutil pirâmide de luz acima do horizonte</strong> que&nbsp;<strong>se forma quando a luz solar se espalha</strong>&nbsp;<strong>pela poeira em nosso&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2022/10/o-que-e-o-sistema-solar-e-como-ele-e-composto"><strong>Sistema Solar</strong></a> interno.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ela é&nbsp;<strong>visível até maio</strong>, mas é&nbsp;<strong>mais proeminente perto do equinócio&nbsp;</strong>e sob céus escuros — como aqueles em torno da Lua Nova. Observe-a no céu ocidental quando o crepúsculo começar, cerca de uma hora e meia após o pôr do sol.</p><h2         id="header_3114080_2"><strong>20 de março: equinócio de outono</strong></h2><p dir="ltr">Será&nbsp;<strong>oficialmente outono no hemisfério sul&nbsp;</strong>a partir do dia&nbsp;<strong>20 de março</strong>. O equinócio traz mais do que a mudança das estações. É frequentemente&nbsp;<strong>uma época com elevada atividade de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/05/aurora-boreal-ou-austral-elas-existem-em-outros-planetas"><strong>auroras boreais</strong></a><strong>&nbsp;</strong>devido à&nbsp;<strong>orientação dos pólos da Terra&nbsp;</strong>em torno do equinócio.&nbsp;</p><p dir="ltr">No&nbsp;<strong>Hemisfério Norte</strong>, por exemplo,&nbsp;<strong>será possível acompanhar auroras boreais em destinos como o Alasca</strong>, conhecido por seus céus relativamente claros em março, por exemplo.</p><h2         id="header_3114080_3"><strong>22 de março: a Lua se aproxima das Plêiades</strong></h2><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>Lua crescente fina viajará perto das Plêiades</strong>, um dos&nbsp;<strong>aglomerados de estrelas mais brilhantes</strong> do céu noturno. Para observar as duas juntas, olhe para o céu ocidental assim que o crepúsculo cair (cerca de 60 a 90 minutos após o pôr do sol).&nbsp;<strong>Observe também Vênus</strong>, brilhante, mas fugaz, acima do horizonte oeste.&nbsp;</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/de-olho-na-artemis-ii-dentro-do-plano-da-nasa-para-derrotar-a-poeira-lunar-ela-e-corrosiva-e-pode-ser-fatal"><em>De olho na Artemis II – dentro do plano da Nasa para derrotar a poeira lunar – ela é corrosiva e pode ser fatal</em></a>)</p><h2                id="header_3114082_0"><strong>26 a 27 de março: encontro entre Júpiter e a Lua</strong></h2><p dir="ltr"><strong>Júpiter e a Lua gibosa</strong> passarão&nbsp;<strong>perto um do outro&nbsp;</strong>no céu sudoeste,&nbsp;<strong>próximo à constelação de Órion</strong>, nas<strong> noites de 26 e 27 de março</strong>. Os astros se moverão juntos do pôr do sol até as primeiras horas da madrugada.&nbsp;</p><p dir="ltr">Saia para ver o sol se pôr e&nbsp;<strong>veja também Vênus alinhado perto do horizonte</strong> antes do fim do dia.</p><h2                id="header_3114082_1"><strong>29 de março: ocultação lunar de Regulus</strong></h2><p dir="ltr"><strong>A Lua&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>a brilhante estrela Regulus</strong> se encontrarão durante a&nbsp;<strong>noite de 29 para 30 de março</strong>. Observadores do céu em partes da África, Ásia e Europa poderão apreciar uma ocultação lunar, quando a Lua passa diretamente na frente da estrela.&nbsp;</p><h2                id="header_3114082_2"><strong>Todo o mês: visibilidade do núcleo da Via Láctea</strong></h2><p><strong>O núcleo brilhante e dinâmico da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/02/quais-sao-as-maiores-estrelas-da-via-lactea"><strong>Via Láctea</strong></a> está cada vez&nbsp;<strong>mais visível nas horas que antecedem o amanhecer</strong> deste mês. O centro galáctico nasce no sudeste e, em seguida, aparece em um arco acima do horizonte sul antes do nascer do Sol. Para ter a melhor vista, dirija-se a um destino com céu escuro,&nbsp;<strong>longe da poluição luminosa</strong>.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Raro alinhamento de seis planetas está iluminando o céu: veja como observá-lo</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/raro-alinhamento-de-seis-planetas-esta-iluminando-o-ceu-veja-como-observa-lo</link><description><![CDATA[Saia de casa logo após o pôr-do-sol e você poderá presenciar uma bela visão incomum: seis planetas alinhados no céu em um suave arco. O fenômeno astronômico — frequentemente chamado de "desfile planetário" — não é um espetáculo cósmico no sentido que o nome sugere. Os astrônomos não consideram esses alinhamentos raros ou fisicamente significativos. Mas eles oferecem algo fascinante: a chance de...]]></description><category>Espaço</category><pubDate>Fri, 27 Feb 2026 14:36:48 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/raro-alinhamento-de-seis-planetas-esta-iluminando-o-ceu-veja-como-observa-lo</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/nationalgeographic_1570874_bx.jpg?w=1600" length="2753943" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Saia de casa logo&nbsp;<strong>após o pôr-do-sol</strong> e você poderá&nbsp;<strong>presenciar uma bela visão incomum</strong>:&nbsp;<strong>seis&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/06/como-ocorre-o-fenomeno-do-alinhamento-dos-planetas"><strong>planetas alinhados</strong></a><strong> no céu</strong> em um suave arco. O&nbsp;<strong>fenômeno astronômico</strong> — frequentemente chamado de "<strong>desfile planetário</strong>" — não é um espetáculo cósmico no sentido que o nome sugere. Os<strong> astrônomos não consideram esses alinhamentos raros&nbsp;</strong>ou fisicamente significativos. Mas eles oferecem algo fascinante: a&nbsp;<strong>chance de ver quase metade do Sistema Solar</strong> de uma só vez.</p><p dir="ltr">Veja&nbsp;<strong>como observar o alinhamento</strong> que está ocorrendo neste final de mês, com&nbsp;<strong>Mercúrio, Vênus, Júpiter,&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2025/01/o-que-sao-e-como-sao-formados-os-aneis-de-saturno"><strong>Saturno</strong></a><strong>, Netuno e Urano</strong> visualmente alinhados.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Espaço, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/onde-a-nasa-esta-procurando-por-aliens-no-sistema-solar-conheca-as-descobertas-mais-recentes"><em>Onde a Nasa está procurando por aliens no Sistema Solar? Conheça as descobertas mais recentes</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114101_0"><strong>O que é um desfile planetário?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Um<strong> desfile planetário</strong> ocorre quando&nbsp;<strong>vários&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/01/quantos-planetas-existem-no-sistema-solar"><strong>planetas</strong></a><strong> são visíveis no céu ao mesmo tempo</strong>. Dependendo da configuração, isso pode significar quatro, cinco ou até seis planetas aparecendo acima do horizonte simultaneamente.</p><p dir="ltr">Apesar do nome dramático, esses&nbsp;<strong>alinhamentos não são excepcionalmente raros</strong>. O<strong> último desfile com seis planetas</strong> ocorreu em<strong> janeiro de 2025</strong>, e um alinhamento com quatro planetas aconteceu em agosto de 2025.&nbsp;<strong>O que torna cada um deles especial</strong> é simplesmente&nbsp;<strong>a chance das pessoas verem</strong> tantos<strong> mundos distintos em uma única passagem pelo céu</strong>.</p><p dir="ltr">Visualmente, um&nbsp;<strong>desfile planetário não se parece com uma linha reta</strong>&nbsp;<strong>de pontos brilhantes</strong> no céu noturno. Em vez disso, os&nbsp;<strong>planetas formam um arco irregular</strong>, às vezes se estendendo de horizonte a horizonte.&nbsp;<strong>Alguns planetas podem brilhar</strong> intensamente, como&nbsp;<strong>Vênus ou&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/01/cinco-curiosidades-sobre-jupiter-o-maior-planeta-do-sistema-solar"><strong>Júpiter</strong></a>, enquanto&nbsp;<strong>outros são visíveis apenas com binóculos</strong> ou telescópio, como Netuno.</p><p dir="ltr">O motivo pelo qual&nbsp;<strong>parecem estar&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/12/alinhamento-planetario-ou-milagre-as-principais-teorias-que-explicam-a-estrela-de-belem"><strong>alinhados</strong></a><strong> se resume à geometria</strong>. Os planetas orbitam o Sol aproximadamente no mesmo plano, conhecido como&nbsp;<strong>eclíptica</strong>.&nbsp;<strong>Vistos da Terra</strong>, esse plano compartilhado se comprime em uma linha que atravessa nosso&nbsp;<strong>campo de visão</strong>.&nbsp;</p><p>"Imagine que você tivesse o&nbsp;<strong>tamanho de uma bola de bilhar</strong> e estivesse&nbsp;<strong>em cima de uma mesa</strong> de bilhar. Todas as outras bolas,&nbsp;<strong>independentemente de sua posição&nbsp;</strong>na mesa, apareceriam em&nbsp;<strong>uma linha</strong> que atravessaria seu campo de visão", explica Jason Steffen, professor assistente de física e astronomia da Universidade de Nevada, em Las Vegas, nos Estados Unidos.</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114103_0"><strong>Quando e como assistir ao desfile planetário</strong></h2><p dir="ltr"><br>Embora alguns citem&nbsp;<strong>o dia 28 de fevereiro</strong>, este&nbsp;<strong>Sábado</strong>, como o único dia para&nbsp;<strong>observar o desfile planetário</strong>, todos&nbsp;<strong>os seis planetas&nbsp;</strong>—&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2024/01/qual-e-a-origem-de-mercurio-o-primeiro-planeta-do-sistema-solar"><strong>Mercúrio</strong></a><strong>, Vênus, Júpiter, Saturno, Netuno e Urano</strong> —&nbsp;<strong>já estão visíveis no céu noturno há alguns dias</strong>, e seguirão podendo ser vistos por algumas noites. Atualmente, eles&nbsp;<strong>aparecem juntos em uma pequena janela logo após o pôr-do-sol</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Vênus, Mercúrio, Saturno e Netuno ficam próximos ao horizonte</strong> durante o&nbsp;<strong>crepúsculo</strong>, pondo-se uma ou duas horas após o sol.&nbsp;<strong>Para vê-los todos</strong>, é preciso ter uma&nbsp;<strong>visão desobstruída do horizonte a oeste</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Já&nbsp;<strong>Júpiter e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2022/12/9-fatos-que-voce-nao-sabia-sobre-urano"><strong>Urano</strong></a><strong> estão mais altos no céu noturno</strong> e permanecem visíveis mesmo depois que os outros quatro planetas desaparecem no horizonte.&nbsp;<strong>É melhor usar um mapa estelar para localizar os planetas</strong>, pois os mais tênues podem ser facilmente confundidos com estrelas.</p><p dir="ltr"><strong>Mesmo quando os planetas estão tecnicamente acima do horizonte</strong>, n<strong>em sempre é fácil encontrá-los</strong>. "Mercúrio pode ser difícil de avistar se você não souber o que está procurando. Ele é bem pequeno e só aparece perto do pôr do sol ou do nascer do sol", diz Steffen. “<strong>Urano e Netuno exigirão um telescópio</strong>.”</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2024/10/do-menor-ao-maior-descubra-o-tamanho-exato-dos-planetas-do-sistema-solar-segundo-a-nasa"><em>Do menor ao maior, descubra o tamanho exato dos planetas do Sistema Solar, segundo a Nasa</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114103_1"><strong>Será que os alinhamentos planetários importam?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Apesar dos&nbsp;<strong>mitos recorrentes</strong>, os&nbsp;<strong>alinhamentos planetários não desencadeiam desastres naturais</strong> nem alteram significativamente a gravidade do nosso planeta. A&nbsp;<strong>atração gravitacional</strong> combinada dos outros planetas&nbsp;<strong>é insignificante</strong> em comparação com a<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/08/a-lua-pode-influenciar-a-saude-humana-uma-nova-pesquisa-sugere-que-sim"><strong>influência da Lua</strong></a><strong> e do Sol</strong>.</p><p dir="ltr">Mas os<strong> alinhamentos planetários foram importantes para a exploração espacial</strong>.No final da década de&nbsp;<strong>1970</strong> e início da década de&nbsp;<strong>1980</strong>, os&nbsp;<strong>planetas gigantes externos</strong> — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno —&nbsp;<strong>se agruparam no mesmo lado do Sistema Solar</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Isso&nbsp;<strong>motivou a Nasa a lançar as sondas&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2019/11/espaco-interestelar-e-ainda-mais-curioso-do-que-se-pensava-revela-sonda-da-nasa"><strong>Voyager 1 e 2</strong></a>”, afirma Steffen. Essa configuração rara permitiu à&nbsp;<strong>Nasa projetar uma trajetória&nbsp;</strong>que utilizava a&nbsp;<strong>gravidade de cada planeta</strong> para impulsionar as sondas em direção ao próximo, reduzindo drasticamente o tempo de viagem e o consumo de combustível.</p><p>“Dessa forma, os planetas estariam todos no mesmo lado do Sistema Solar, então&nbsp;<strong>as sondas não precisariam cruzar todo sistema</strong> para ver tudo”, acrescenta ele.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Um dinossauro do tamanho de uma galinha foi encontrado na Patagônia – e mudou o que se sabia sobre sua evolução</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/um-dinossauro-do-tamanho-de-uma-galinha-foi-encontrado-na-patagonia-e-mudou-o-que-se-sabia-sobre-sua-evolucao</link><description><![CDATA[Um dinossauro do tamanho de uma ave não é normalmente a primeira imagem que nos vem à mente quando se pensa répteis pré-históricos. Afinal, a palavra “dinossauro” vem do grego deinos (terrível) e sauros (lagarto), o que dá uma primeira impressão de animais gigantescos. No entanto, há um grupo deles que se destacava por ser minúsculo: os chamados alvarezsaurus. A recente descoberta e análise de um...]]></description><category>Ciência</category><pubDate>Fri, 27 Feb 2026 10:08:09 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/um-dinossauro-do-tamanho-de-uma-galinha-foi-encontrado-na-patagonia-e-mudou-o-que-se-sabia-sobre-sua-evolucao</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/alnashetri-1.jpg?w=1600" length="184292" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Um&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/06/fossil-de-dinossauro-considerado-ancestral-das-aves-e-descoberto-na-argentina"><strong>dinossauro do tamanho de uma ave</strong></a> não é normalmente a primeira imagem que nos vem à mente quando&nbsp;<strong>se pensa répteis pré-históricos</strong>. Afinal,&nbsp;<strong>a palavra&nbsp;</strong>“<strong>dinossauro</strong>”<strong> vem do grego&nbsp;</strong><em><strong>deinos</strong></em><strong>&nbsp;</strong>(<strong>terrível</strong>)<strong>&nbsp;</strong>e<strong>&nbsp;</strong><em><strong>sauros</strong></em><strong>&nbsp;</strong>(<strong>lagarto</strong>), o que dá uma primeira impressão de&nbsp;<strong>animais gigantescos</strong>. No entanto,&nbsp;<strong>há um grupo deles que se destacava por ser minúsculo</strong>: os chamados&nbsp;<em>alvarezsaurus</em>.&nbsp;<strong>A recente descoberta&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>análise de um fóssil&nbsp;</strong>desse grupo&nbsp;<strong>na Patagônia</strong> argentina oferece novas pistas sobre sua evolução.</p><p dir="ltr"><strong>O estudo publicado na revista&nbsp;</strong><em>“<strong>Nature</strong>”</em>, contou com&nbsp;<strong>o apoio da</strong>&nbsp;<em><strong>National Geographic Society</strong></em><strong>&nbsp;</strong>e foi conduzido por paleontólogos dos Estados Unidos e da Comissão Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet) da Argentina. A seguir, saiba mais sobre a descoberta e os avanços que ela representa para o conhecimento.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/2026/02/a-descoberta-de-um-novo-fossil-de-espinossauro-reacende-um-debate-antigo-eles-podiam-nadar"><em>A descoberta de um novo fóssil de Espinossauro reacende um debate antigo: eles podiam nadar?</em></a>)</p><h2      id="header_3114090_0"><strong>O dinossauro encontrado na Patagônia mede menos de um metro</strong></h2><p dir="ltr">O fóssil recentemente descrito na revista “<em>Nature”</em> corresponde à&nbsp;<strong>espécie</strong>&nbsp;<em><strong>Alnashetri cerropoliciensis</strong></em>, um membro do&nbsp;<strong>grupo dos&nbsp;</strong><em><strong>alvarezsaurus</strong></em>. Ele foi&nbsp;<strong>encontrado em La Buitrera</strong>, uma&nbsp;<strong>área fossilífera</strong> no&nbsp;<strong>norte da província de Río Negro</strong>, na&nbsp;<strong>região da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/01/a-patagonia-depois-do-fogo-os-cinco-desafios-para-ressuscitar-a-floresta-afetada-por-incendios-na-argentina"><strong>Patagônia</strong></a>, no<strong> sul da Argentina</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>primeiro exemplar</strong> conhecido&nbsp;<strong>dessa espécie foi descoberto em 2004</strong> nessa&nbsp;<strong>mesma formação rochosa</strong>, detalha um artigo do Conicet sobre a notícia.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os<strong>&nbsp;</strong><em><strong>alvarezsaurus</strong></em><strong>&nbsp;</strong>eram um<strong> grupo enigmático de pequenos dinossauros carnívoros</strong> com&nbsp;<strong>corpos leves, cabeças pequenas</strong> e numerosos&nbsp;<strong>dentes minúsculos</strong>, detalha o Conicet. Eles&nbsp;<strong>surgiram há cerca de 150 milhões de anos</strong> e&nbsp;<strong>a maioria de seus representantes</strong> foi encontrada na&nbsp;<strong>Argentina</strong>,<strong> Mongólia&nbsp;</strong>e<strong> China</strong>.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<em><strong>Alnashetri cerropoliciensis</strong></em>&nbsp;<strong>media</strong> cerca de&nbsp;<strong>70 centímetros&nbsp;</strong>de comprimento (dos quais&nbsp;<strong>metade era a cauda</strong>) e&nbsp;<strong>pesava cerca de 1 quilo</strong>, por isso acredita-se que&nbsp;<strong>se alimentava de vertebrados e insetos minúsculos</strong> que habitavam a mesma zona. Também tinha&nbsp;<strong>um braço relativamente longo</strong>, com um primeiro dedo mais robusto do que os dois restantes e com uma garra com quilha.</p><p dir="ltr">Os pesquisadores determinaram que<strong> se tratava de uma fêmea</strong> e que tinha&nbsp;<strong>pelo menos quatro anos&nbsp;</strong>no momento da morte.</p><p dir="ltr">O espécime recentemente descoberto tem cerca de&nbsp;<strong>95 milhões de anos</strong> e é&nbsp;<strong>o mais completo e menor de um&nbsp;</strong><em><strong>alvarezsaurídeo</strong></em><strong>&nbsp;</strong>descoberto até agora na América do Sul, diz o Conicet. Concretamente,&nbsp;<strong>de todo o esqueleto</strong>,<strong> faltam apenas o teto do crânio</strong>, partes da cauda e porções do lado direito.&nbsp;</p><p dir="ltr">O achado permite&nbsp;<strong>analisar como a espécie mudou ao longo do tempo</strong> e ajudará os cientistas a&nbsp;<strong>compreender melhor a história e a evolução</strong> desse grupo de dinossauros, reforça a fonte.&nbsp;</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/apos-175-anos-as-tartarugas-gigantes-de-galapagos-voltam-para-casa-no-arquipelago-por-onde-passou-darwin"><em>Após 175 anos, as tartarugas gigantes de Galápagos voltam para casa no arquipélago por onde passou Darwin</em></a>)</p><h2      id="header_3114091_0"><strong>A importância da descoberta do novo dinossauro diminuto</strong></h2><p dir="ltr">Uma das&nbsp;<strong>características fundamentais dos&nbsp;</strong><em><strong>alvarezsaurus</strong></em><strong> são seus braços pequenos</strong>, que nas espécies mais tardias “atingiram um grau tal de redução que&nbsp;<strong>tinham apenas um único dedo na mão</strong>,&nbsp;<strong>com uma garra robusta</strong>, enquanto&nbsp;<strong>os outros dedos eram muito menores</strong> ou quase&nbsp;<strong>inexistentes</strong>”.</p><p dir="ltr">Essas&nbsp;<strong>adaptações&nbsp;</strong>levaram alguns&nbsp;<strong>paleontólogos a sustentar a teoria de que esses&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/09/national-geographic-lista-as-5-especies-quase-pre-historicas-que-ainda-vagam-pela-terra"><strong>animais pré-históricos</strong></a>&nbsp;<strong>se tornaram pequenos&nbsp;</strong>devido à sua&nbsp;<strong>especialização em comer inseto</strong>s e à necessidade de escavar cupinzeiros. No entanto, a nova descoberta refuta essa teoria.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Embora trabalhos anteriores tenham sustentado que esses animais se tornaram progressivamente menores à medida que suas extremidades e crânio se adaptaram melhor à sua dieta insetívora, esta&nbsp;<strong>nova pesquisa mostra que&nbsp;</strong>alguns<strong>&nbsp;</strong><em><strong>alvarezsaurus</strong></em><strong> primitivos como o&nbsp;</strong><em><strong>Alnashetri</strong></em><strong>&nbsp;</strong><em><strong>cerropoliciensis&nbsp;</strong></em><strong>eram minúsculos mesmo antes de desenvolver uma dieta especializada</strong>, pelo que o tamanho pequeno deve responder necessariamente a outros fatores”, explica o Conicet.</p><p dir="ltr">(<em>Leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/12/como-os-dinossauros-morreram-a-descoberta-de-cadaveres-de-repteis-do-periodo-cretaceo-pode-revelar-o-misterio"><em>Como os dinossauros morreram? A descoberta de cadáveres de répteis do período Cretáceo pode revelar o mistério</em></a>)</p><p dir="ltr">Segundo Jorge Meso, bolsista de pós-doutorado do Conicet no Instituto de Pesquisa em Paleobiologia e Geologia (IIPG, Conicet-Unrn) e um dos autores do estudo, uma das&nbsp;<strong>características fundamentais dos membros desse grupo</strong> é que, ao longo da linhagem,&nbsp;<strong>a mão do animal encurta em comprimento&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>o primeiro dedo se torna mais robusto</strong>, enquanto&nbsp;<strong>os demais dedos laterais se reduzem</strong>.</p><p dir="ltr">“Até agora,&nbsp;<strong>pensava-se que o grupo havia se especializado em mirmecofagia</strong>, ou seja, em&nbsp;<strong>comer formigas e cupins</strong>, e considerava-se que&nbsp;<strong>essa era a razão pela qual eles haviam se tornado pequenos</strong>”, reconhece Sebastián Apesteguía, pesquisador do Conicet na Fundação de História Natural Félix de Azara, um dos autores do trabalho e responsável direto pela descoberta.</p><p dir="ltr">“Já com a descoberta deste&nbsp;<em>Alnashetri cerropoliciensis</em>,&nbsp;<strong>vemos que sua mão ainda é a mão de um dinossauro carnívoro</strong> relativamente&nbsp;<strong>típico</strong> e que&nbsp;<strong>seus dentes são os de um predador normal&nbsp;</strong>que não se alimenta de formigas. No entanto, ele&nbsp;<strong>era também um animal minúsculo</strong>, aproximadamente&nbsp;<strong>do tamanho de uma galinha</strong>. Isso mostra que&nbsp;<strong>esses dinossauros não ficaram pequenos em relação à mudança na dieta</strong>, mas sempre foram de tamanho reduzido”, observa Apesteguía.</p><p>Além disso, o novo fóssil permitiu aos pesquisadores<strong> identificar como parte do grupo dos&nbsp;</strong><em><strong>alvarezsaurus&nbsp;</strong></em>espécimes de idades mais precoces&nbsp;<strong>provenientes da América do Norte e do Reino Unido</strong>.</p>]]></content:encoded></item><item><title>A descoberta de um novo fóssil de Espinossauro reacende um debate antigo: eles podiam nadar?</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/a-descoberta-de-um-novo-fossil-de-espinossauro-reacende-um-debate-antigo-eles-podiam-nadar</link><description><![CDATA[Sob o sol escaldante do deserto do Saara, o paleontólogo Daniel Vidal avistou um osso misterioso saindo do solo durante uma escavação em Níger. A princípio, parecia uma vértebra de dinossauro. Mas, após uma inspeção mais detalhada, os pesquisadores perceberam que o osso era uma crista curva, semelhante a uma espada, que teria pertencido ao crânio de um dos dinossauros mais peculiares da...]]></description><category>Ciência</category><pubDate>Thu, 26 Feb 2026 20:02:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/a-descoberta-de-um-novo-fossil-de-espinossauro-reacende-um-debate-antigo-eles-podiam-nadar</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/9c-spinosaurusmirabilisrivalswithcoelacanthynsigneddnavarro.jpg?w=1600" length="982261" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Sob o<strong> sol escaldante do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/06/deserto-do-saara-veja-4-fatos-surpreendentes-sobre-a-regiao-como-animais-dormentes-e-uma-fronteira-com-o-mar"><strong>deserto do Saara</strong></a>, o&nbsp;<strong>paleontólogo Daniel Vidal</strong> avistou<strong> um osso misterioso</strong> saindo do solo durante uma escavação em Níger. A princípio,&nbsp;<strong>parecia uma vértebra de dinossauro</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas, após uma&nbsp;<strong>inspeção mais detalhada</strong>, os pesquisadores perceberam que<strong> o osso era uma crista curva</strong>, semelhante a uma espada, que teria&nbsp;<strong>pertencido ao crânio</strong> de um dos&nbsp;<strong>dinossauros mais peculiares</strong> da paleontologia:<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/03/espinossauro-tinha-ossos-como-os-de-pinguins-sinal-que-cacava-embaixo-dagua"><strong>o Espinossauro</strong></a>, um predador com vela dorsal.</p><p dir="ltr">"<strong>Foi incrível</strong>", relembra Vidal, da Universidade de Chicago, Estados Unidos. "<strong>Parecia um unicórnio</strong>."</p><p dir="ltr"><strong>Em 2022</strong>, quando se deparou com o estranho osso, ele fazia parte de uma&nbsp;<strong>equipe liderada por Paul Sereno</strong>,<strong> Explorador da</strong>&nbsp;<em><strong>National Geographic</strong></em> e paleontólogo também da Universidade de Chicago, que escavava&nbsp;<strong>um sítio fossilífero remoto chamado Jenguebi</strong>.</p><p dir="ltr">Agora, os pesquisadores relatam que<strong> a crista pertencia a uma espécie totalmente nova</strong> —&nbsp;<em><strong>Spinosaurus mirabilis</strong></em> — que&nbsp;<strong>habitava o antigo ecossistema fluvial&nbsp;</strong>da região há cerca de&nbsp;<strong>95 milhões de anos</strong>, no&nbsp;<strong>final do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/12/como-os-dinossauros-morreram-a-descoberta-de-cadaveres-de-repteis-do-periodo-cretaceo-pode-revelar-o-misterio"><strong>período Cretáceo</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Eles<strong> publicaram sua descoberta&nbsp;</strong>no início de fevereiro de 2026 na&nbsp;<strong>revista científica&nbsp;</strong><em><strong>Science</strong></em>. A&nbsp;<strong>nova espécie&nbsp;</strong>contribui para o&nbsp;<strong>acalorado debate</strong>&nbsp;<strong>sobre como</strong> esses dinossauros enigmáticos e populares, os Espinossauros,&nbsp;<strong>viviam e caçavam na água</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Ciência, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/por-que-neandertais-e-homo-sapiens-enterravam-seus-mortos-os-cientistas-tem-uma-nova-teoria"><em>Por que neandertais e homo sapiens enterravam seus mortos? Os cientistas têm uma nova teoria</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114044_0"><strong>Um espinossauro do Saara</strong></h2><p dir="ltr"><br>Atualmente,&nbsp;<strong>Jenguebi é um local seco e árido</strong>, com poucas árvores e areia infinita. A&nbsp;<strong>comunidade tuaregue local</strong> chama a área onde os fósseis foram encontrados de&nbsp;<em><strong>Sirig Taghat</strong></em>, que se traduz como "<strong>Sem água, sem cabra</strong>".</p><p dir="ltr"><strong>Sereno foi atraído para&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2019/08/deserto-do-saara-encobriu-antiga-cidade-romana-preservando-a-por-seculos"><strong>o Saara</strong></a> por um relato do&nbsp;<strong>geólogo francês Hugues Faure</strong>, na década de<strong> 1950</strong>, sobre um<strong> dente de dinossauro</strong> que ele encontrou no Níger e queria procurar sítios semelhantes.</p><p dir="ltr">"Eu sabia que era como&nbsp;<strong>procurar uma agulha no palheiro</strong>", afirma Sereno sobre&nbsp;<strong>o remoto sítio fossilífero</strong>. "Poderia facilmente ter sido engolido pela areia."</p><p dir="ltr">Guiados por um&nbsp;<strong>guia local chamado Abdul Nasser</strong>, que viajava de moto pelo deserto,<strong> Sereno e Vidal exploraram o local pela primeira vez em 2019&nbsp;</strong>e encontraram uma&nbsp;<strong>mandíbula de espinossauro</strong>, juntamente com alguns outros fósseis.&nbsp;</p><p dir="ltr">Após<strong> retornarem em 2022</strong>, eles finalmente&nbsp;<strong>identificaram&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2018/11/23-fotos-de-fosseis-capturam-o-misterio-e-beleza-dos-dinossauros"><strong>fósseis</strong></a><strong> de ossos de três indivíduos</strong> de&nbsp;<em><strong>S. mirabilis</strong></em>, juntamente com&nbsp;<strong>outro dinossauro predador chamado&nbsp;</strong><em><strong>Carcharodontosaurus</strong></em>, dois dinossauros&nbsp;<strong>saurópodes de pescoço comprido</strong>,&nbsp;<strong>crocodilos</strong>,&nbsp;<strong>tartarugas</strong> e uma espécie de peixe de água doce que podia atingir 3,6 metros de comprimento.</p><p dir="ltr">Encontrar&nbsp;<strong>tantos esqueletos parciais desse período na África é raro</strong>. Portanto,&nbsp;<strong>o sítio arqueológico por si só</strong> é "algo para se ficar realmente&nbsp;<strong>muito entusiasmado</strong>", diz&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/09/descoberto-um-novo-megaraptor-na-argentina-e-com-sua-ultima-vitima-ainda-na-boca"><strong>Matt Lamanna</strong></a>, Explorador da&nbsp;<em>National Geographic&nbsp;</em>e paleontólogo do Museu Carnegie de História Natural em Pittsburgh, que não participou da pesquisa.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/05/espinossauro-ossos-antigos-revelam-uma-dinastia-incomum-de-dinossauros"><em>Espinossauro: ossos antigos revelam uma dinastia incomum de dinossauros</em></a>)&nbsp;</p><h2 dir="ltr"       id="header_3114045_0"><strong>Cristas exclusivas desse espinossauros</strong></h2><p dir="ltr"><br>Embora&nbsp;<strong>outros&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2021/02/sera-que-o-monstro-do-rio-spinosaurus-cacava-como-as-aves-pernaltas"><strong>espinossaurídeos</strong></a><strong> possuíssem cristas na cabeça</strong>, nenhuma era<strong> tão imponente quanto a de *</strong><em><strong>S. mirabilis</strong></em><strong>*</strong>, que a equipe<strong> compara a uma lâmina curva chamada “cimitarra”</strong>. Revestida por uma&nbsp;<strong>bainha de queratina</strong>, ela pode ter se projetado ainda mais para cima do que a reconstrução do crânio feita pela equipe sugere, criando&nbsp;<strong>uma silhueta marcante com a vela dorsal espinhosa</strong> do animal.</p><p dir="ltr">"<strong>A costa é um lugar incomum&nbsp;</strong>onde se pode olhar para baixo e&nbsp;<strong>enxergar a mais de 400 metros</strong> de distância", comenta Sereno. Talvez essas características marcantes,&nbsp;<strong>semelhantes à crista da cabeça da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/11/aves-de-caca-belas-e-ameacadas-de-extincao"><strong>galinha-d'angola</strong></a><strong> atual</strong>, transmitissem alguma informação a potenciais parceiros ou rivais. Embora os pesquisadores afirmem que, neste momento,&nbsp;<strong>não está claro se havia diferenças entre machos e fêmeas de *</strong><em><strong>S. mirabilis</strong></em><strong>*</strong>.</p><p dir="ltr">Lamanna e outros especialistas externos concordam que&nbsp;<strong>a explicação mais provável para a crista era algum tipo de exibição</strong>. "Era uma espécie de sinal para outros membros da sua espécie, seja para dizer 'Ei, eu seria um ótimo parceiro' ou 'Saia do meu território.&nbsp;<strong>Eu sou o cara mais forte e poderoso daqui</strong>'", diz Lamanna.</p><p dir="ltr">Com<strong> ossos da parte superior e inferior da mandíbula</strong>, os espécimes recém-descobertos do Saara confirmam que&nbsp;<strong>o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2020/10/dente-fossilizado-reforca-evidencias-do-spinosaurus-o-monstro-dos-rios"><strong>Espinossauro possuía dentes cônicos</strong></a><strong> interligados</strong>, como os encontrados<strong> em crocodilos modernos e répteis aquáticos antigos</strong>, como os plesiossauros. Quando&nbsp;<strong>o animal fisgava um peixe</strong>,&nbsp;<strong>o dente perfurava a presa</strong> escorregadia, prendendo-a no lugar.</p><p dir="ltr">"<strong>Somente o Espinossauro</strong>, entre os dinossauros, possuía com seus&nbsp;<strong>dentes</strong>, uma<strong> armadilha para peixes</strong>", o termo usado para descrever essa habilidade especializada, afirma Vidal.</p><p dir="ltr"><strong>Essa "armadilha para peixes" é apenas uma das várias características</strong> que alimentaram um<strong> longo debate</strong> sobre exatamente&nbsp;<strong>o que o Espinossauro fazia em seus ambientes aquáticos</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Sabemos que<strong> essa criatura adorava água</strong>. Sabemos que gostava de&nbsp;<strong>comer peixe</strong>”, comenta Lamanna. “Agora estamos tentando&nbsp;<strong>descobrir exatamente como ela fazia isso</strong>, e isso está se tornando muito, muito desafiador.”</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2020/04/primeira-cauda-espinossauro-confirma-animal-nadava"><em>Spinosaurus faz história como primeiro caso conhecido de dinossauro que nadava</em></a>)</p><h2 dir="ltr"       id="header_3114045_1"><strong>Garça ou crocodilo?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/09/confira-3-mitos-sobre-os-dinossauros-que-a-ciencia-ja-esclareceu"><strong>dinossauros</strong></a><strong> são estereotipados como animais terrestres</strong>. Mas quando pesquisadores anunciaram a&nbsp;<strong>descoberta de fósseis de&nbsp;</strong><em><strong>Spinosaurus aegyptiacus</strong></em><strong> de 97 milhões de anos</strong> nos depósitos fossilíferos de Kem Kem,&nbsp;<strong>no Marrocos, em 2014</strong>, a equipe argumentou que a&nbsp;<strong>espécie passava grande parte de sua vida na água</strong> — talvez fosse o<strong> primeiro dinossauro nadador</strong> conhecido.</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>ideia é controversa</strong>, e parte da dificuldade reside na peculiar combinação de&nbsp;<strong>características do</strong>&nbsp;<em><strong>Spinosaurus</strong></em>. Além dos&nbsp;<strong>dentes cônicos</strong>, ele possuía um&nbsp;<strong>focinho longo</strong>,&nbsp;<strong>pernas curtas&nbsp;</strong>para um dinossauro terópode, uma&nbsp;<strong>vela dorsal</strong> de quase dois metros, ossos densos e uma<strong> longa cauda</strong> com uma protuberância de espinhos que&nbsp;<strong>lembrava uma barbatana</strong> ou remo. Além disso tudo, com&nbsp;<strong>quase 15 metros</strong> de comprimento, ele também&nbsp;<strong>superava o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/01/o-t-rex-crescia-lentamente-pesquisa-sugere-que-ele-levava-ate-40-anos-para-se-tornar-adulto"><strong>T-Rex</strong></a><strong>&nbsp;</strong>em tamanho.</p><p dir="ltr">“Obviamente, temos&nbsp;<strong>um animal q</strong>ue possui todas essas&nbsp;<strong>adaptações muito peculiares</strong>, e muitas delas não fazem o menor sentido”, afirma&nbsp;<strong>Nizar Ibrahim</strong>,&nbsp;<strong>Explorador da&nbsp;</strong><em><strong>National Geographic</strong></em><strong> e paleontólogo</strong> da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, que liderou o&nbsp;<strong>estudo do Espinossauro em 2014</strong>.</p><p dir="ltr">Os pesquisadores interpretaram essa&nbsp;<strong>mistura confusa de características&nbsp;</strong>de maneiras diferentes, debatendo se o animal tinha&nbsp;<strong>predisposição para nadar</strong>,&nbsp;<strong>mergulhar</strong> ou vadear, e se emboscava, perseguia ou se alimentava de carniça.&nbsp;</p><p dir="ltr">Enquanto&nbsp;<strong>alguns pesquisadores imaginam o Espinossauro&nbsp;</strong>como um&nbsp;<strong>antigo crocodilo do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2023/04/nilo-ou-amazonas-qual-e-o-maior-rio-do-mundo"><strong>rio Nilo</strong></a><strong> submerso à espreita de sua presa</strong>, já&nbsp;<strong>outros estudiosos</strong> acreditam que ele caçava mais como uma&nbsp;<strong>versão monstruosa de uma garça</strong>, vadeando pelas margens dos rios e&nbsp;<strong>mergulhando a cabeça</strong> abaixo da superfície para&nbsp;<strong>abocanhar uma presa</strong>.</p><p dir="ltr">Ibrahim e seus colegas sugeriram que&nbsp;<strong>os ossos pesados ​​do&nbsp;</strong><em><strong>S. aegyptiacus</strong></em><strong>&nbsp;</strong>eram otimizados para&nbsp;<strong>flutuabilidade</strong>, como em um&nbsp;<strong>peixe-boi ou um&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/04/os-5-fatos-que-voce-ainda-nao-sabia-sobre-os-pinguins"><strong>pinguim</strong></a>, e que sua cauda poderia ter impulsionado o animal atrás de presas debaixo d'água. Sereno e outros são coautores de artigos que contestam essas interpretações.</p><h2 dir="ltr"       id="header_3114045_2"><strong>Uma importante controvérsia</strong></h2><p dir="ltr"><br>Então,&nbsp;<strong>como o recém-descoberto Espinossauro contribui para o debate</strong>?</p><p dir="ltr">A centenas de quilômetros do que teria sido o oceano mais próximo, Jenguebi também é&nbsp;<strong>o Espinossauro encontrado mais distante do litoral</strong>. A equipe argumenta que a&nbsp;<strong>descoberta da nova espécie</strong> em sedimentos das margens do rio&nbsp;<strong>sugere que ela vivia nas florestas</strong>&nbsp;<strong>que ficavam às margens</strong>, junto com os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/01/novo-dinossauro-e-encontrado-na-argentina-fossil-tem-pescoco-longo-e-bico-similar-ao-de-um-pato"><strong>dinossauros de pescoço comprido</strong></a> das redondezas. Eles afirmam que isso reforça a ideia de que ele “caminhava” na água.</p><p dir="ltr"><strong>Outros fósseis de Espinossauro</strong> vêm de&nbsp;<strong>ecossistemas de deltas de rios tropicais</strong> mais próximos da costa, embora Ibrahim observe que esses ambientes não seriam drasticamente diferentes do rio interior.</p><p dir="ltr"><strong>Sereno e sua equipe</strong> também compararam as<strong> características do crânio</strong>,&nbsp;<strong>pescoço e patas traseiras</strong> da nova espécie e de seus parentes com as de uma variedade de&nbsp;<strong>dinossauros, aves, crocodilos&nbsp;</strong>e outros&nbsp;<strong>répteis</strong>, e buscaram padrões nos comportamentos alimentares dos animais. A análise sugere que&nbsp;<strong>ambas as espécies de</strong><em><strong> Spinosaurus</strong></em> se&nbsp;<strong>assemelhavam mais a aves pernaltas</strong> — como&nbsp;<strong>garças e cegonhas</strong> —&nbsp;<strong>do que a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/04/descubra-o-crocodilo-pre-historico-que-era-maior-que-muitos-dinossauros"><strong>crocodilos</strong></a>.</p><p dir="ltr">“Acho que o argumento está se consolidando, tanto funcionalmente quanto a partir do trabalho de campo, de que esses&nbsp;<strong>eram animais gigantes</strong>, semelhantes a garças,&nbsp;<strong>exibindo-se e atacando peixes</strong>”, explica Sereno.</p><p><strong>Ibrahim não está convencido</strong>. “Essas&nbsp;<strong>aves pernaltas</strong> têm pernas&nbsp;<strong>extremamente longas</strong>. Elas têm corpos muito leves, o que é&nbsp;<strong>completamente o oposto</strong> do que vemos no&nbsp;<strong>Espinossauro</strong>”, diz ele.</p><p dir="ltr">Pernas longas permitem que as aves evitem respingos e surpreendam suas presas — algo que&nbsp;<strong>seria difícil para um&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/11/como-e-o-trabalho-de-encontrar-dinossauros-um-paleontologo-revela-os-passos-de-uma-descoberta-pre-historica"><strong>dinossauro</strong></a><strong> pesando mais de 6 toneladas</strong>. A baixa densidade óssea permite que as aves caminhem com mais leveza. Ibrahim argumenta que a<strong> questão do tecido ósseo</strong> é “como o dinossauro na sala, por assim dizer”.</p><p dir="ltr"><strong>O tamanho do Espinossauro</strong> também significava que ele provavelmente não podia ser exigente quanto às&nbsp;<strong>estratégias de caça para capturar presas&nbsp;</strong>suficientes para sobreviver. Quando se é tão grande, “até certo ponto,&nbsp;<strong>é preciso ser oportunista</strong>”, diz Thomas Holtz Jr., paleontólogo da Universidade de Maryland, College Park (Estados Unidos), que não participou do estudo.</p><p dir="ltr"><strong>Evidências químicas dos dentes</strong> mostram que o Espinossauro se alimentava principalmente de<strong> peixes</strong>, mas também&nbsp;<strong>caçava outros dinossauros</strong>. Embora isso possa indicar uma&nbsp;<strong>maior inclinação para o ambiente terrestre</strong>, também pode apontar para um<strong> predador fluvial que perseguia animais terrestres&nbsp;</strong>enquanto estes tentavam atravessar o curso d'água ou beber água.</p><p dir="ltr"><strong>Lamanna está cauteloso</strong>: “<strong>E se ele fizesse as duas coisas?</strong> E se às vezes&nbsp;<strong>caminhasse</strong> na água? E se&nbsp;<strong>entrasse na água e nadasse&nbsp;</strong>um pouco? O&nbsp;<strong>denominador comum é a emboscada</strong>, seja da costa ou da água.”</p><p dir="ltr">Embora ele duvide que pudesse nadar rápido, perseguir presas debaixo d'água em curtas distâncias não parece impossível. “<strong>Não acho</strong> que alguém realmente acredite que&nbsp;<strong>o Espinossauro tenha sido a resposta</strong> dos&nbsp;<strong>dinossauros para o golfinho ou o atum</strong>”, comenta Lamanna. “Eu certamente não acredito.”</p><h2 dir="ltr"     id="header_3114046_0"><strong>O debate sobre dinossauros continua</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Se o Espinossauro era uma “</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2017/09/galeria-10-fotos-que-revelam-a-beleza-e-a-exuberancia-das-aves-brasileiras"><strong>garça</strong></a><strong> infernal” ou um “monstro fluvial”</strong>, só&nbsp;<strong>mais fósseis poderão dizer</strong>. Até que os paleontólogos encontrem um esqueleto mais completo, do focinho à cauda, ​​idealmente pertencente a um único indivíduo, “acho que continuaremos a ser&nbsp;<strong>surpreendidos pelos detalhes do Espinossauro</strong>”, afirma Holtz.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>Espinossauro sofre há muito tempo com uma imagem incompleta</strong>. Descoberto na&nbsp;<strong>década de 1910</strong>, os primeiros fósseis escavados pelos paleontólogos foram destruídos quando os Aliados bombardearam Munique durante a&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/03/como-terminou-a-segunda-guerra-mundial"><strong>Segunda Guerra Mundial</strong></a>.</p><p dir="ltr"><strong>Novas descobertas estão a caminho</strong>. Sereno afirma ter descoberto&nbsp;<strong>um espinossaurídeo não identificado no Brasil</strong>. Ao mesmo tempo,&nbsp;<strong>Ibrahim indica</strong> que sua equipe está analisando algumas&nbsp;<strong>novas descobertas</strong> de espinossauros que sugerem que "na verdade, o<strong> animal era ainda mais aquático&nbsp;</strong>do que pensávamos anteriormente".</p><p dir="ltr">Idealmente,<strong> mais ossos proporcionariam uma melhor compreensão</strong> dos membros anteriores do animal, esclarecendo seu papel na locomoção e na captura de presas. Encontrar um espécime jovem de Espinossauro também poderia&nbsp;<strong>revelar como as características peculiares do animal mudaram ao longo de sua vida</strong>.</p><p>Mas, por ora, Holtz compara os&nbsp;<strong>esforços dos paleontólogos para decifrar como os dinossauros viviam</strong>, com base em evidências escassas, a&nbsp;<strong>uma famosa parábola&nbsp;</strong>na qual dois estudiosos cegos encontram um elefante pela primeira vez. Um deles toca a tromba e a chama de cobra. Outro toca uma pata e a chama de tronco de árvore. "Só que, neste caso, o elefante foi reduzido a pedacinhos", diz Holtz.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Esses ursos polares estão ficando mais gordos à medida que o gelo marinho derrete: o que está acontecendo?</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/esses-ursos-polares-estao-ficando-mais-gordos-a-medida-que-o-gelo-marinho-derrete-o-que-esta-acontecendo</link><description><![CDATA[Os ursos polares costumam ser os símbolos dos impactos das mudanças climáticas devido ao quanto dependem do gelo para sobreviver. A redução do gelo força esses poderosos predadores a nadar mais para encontrar comida ou passar mais tempo em terra firme, vivendo de suas reservas de gordura. Muitas populações de ursos polares correm o risco de morrer de fome.Os efeitos se espalham por todo o...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Thu, 26 Feb 2026 13:01:11 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/esses-ursos-polares-estao-ficando-mais-gordos-a-medida-que-o-gelo-marinho-derrete-o-que-esta-acontecendo</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/urso-polar-noruega-1-.jpg?w=1600" length="1501434" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/02/por-que-o-urso-polar-nao-vive-na-antartida-veja-3-fatos-impactantes-sobre-este-gigantesco-animal"><strong>ursos polares</strong></a> costumam ser os&nbsp;<strong>símbolos dos impactos das mudanças climáticas</strong> devido&nbsp;<strong>ao quanto dependem do gelo</strong>&nbsp;<strong>para sobreviver</strong>. A&nbsp;<strong>redução do gelo força esses poderosos predadores</strong> a&nbsp;<strong>nadar mais para encontrar comida&nbsp;</strong>ou&nbsp;<strong>passar mais tempo em terra firme</strong>, vivendo de suas reservas de gordura. Muitas&nbsp;<strong>populações de ursos polares correm o risco de morrer de fome</strong>.</p><p dir="ltr">Os efeitos se espalham por todo o ecossistema.&nbsp;<strong>Sem o gelo marinho, as algas não podem crescer</strong>,&nbsp;<strong>o zooplâncton não pode se alimentar das algas&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>os peixes ficam sem plâncton suficiente para comer</strong>. Esse impacto&nbsp;<strong>se estende por toda a cadeia alimentar até as focas-aneladas</strong>, que os&nbsp;<strong>ursos polares adoram caçar</strong>.</p><p dir="ltr">Mas&nbsp;<strong>pesquisadores em Svalbard</strong>,<strong> na Noruega</strong>, descobriram&nbsp;<strong>algo inesperado sobre a população de ursos polares</strong>. Quando&nbsp;<strong>os níveis de gelo marinho diminuíram ao redor do arquipélago</strong>,&nbsp;<strong>os ursos ficaram mais gordos</strong>, relatam eles em um novo estudo publicado na revista&nbsp;<em>“Scientific Reports”</em>.</p><p dir="ltr">Aproveite o&nbsp;<strong>Dia Internacional do Urso Polar</strong>, celebrado em 27 de fevereiro como forma de chamar a atenção para a preservação destes animais, para descobrir o que se sabe sobre o que está se passando na Noruega.&nbsp;&nbsp;</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/07/por-que-essa-subpopulacao-de-ursos-polares-recem-identificada-e-tao-especial"><em>Por que essa subpopulação de ursos polares recém-identificada é tão especial?</em></a>)</p><h2       id="header_3114011_0"><strong>Uma nova equação: menos gelo, ursos mais gordos?&nbsp;</strong></h2><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>ursos polares do mar de Barents</strong>, ao redor de Svalbard,&nbsp;<strong>têm sido estudados</strong> por meio de monitoramento anual a cada primavera&nbsp;<strong>desde 1987</strong>.&nbsp;<strong>Para os cientistas, ter dados de longo prazo como esses, com medições regulares</strong>, é uma&nbsp;<strong>mina de ouro</strong>, pois permite que eles&nbsp;<strong>identifiquem padrões e tendências</strong>. Nesse caso, eles perceberam que a<strong> população parecia estável, apesar de essa região estar perdendo gelo duas vezes mais rápido&nbsp;</strong>do que outros&nbsp;<em>habitats</em> de ursos polares.</p><p dir="ltr">Para descobrir o que poderia estar acontecendo,&nbsp;<strong>os pesquisadores analisaram</strong>&nbsp;<strong>o tamanho corporal e a circunferência torácica&nbsp;</strong>de&nbsp;<strong>770 ursos polares adultos</strong> capturados durante esse monitoramento&nbsp;<strong>entre 1992 e 2019</strong>.&nbsp;<strong>Ursos polares mais magros</strong>, com&nbsp;<strong>menos reservas de gordura para superar tempos difíceis</strong>, podem ser&nbsp;<strong>um sinal de alerta precoce</strong> de uma&nbsp;<strong>população em dificuldades</strong>, portanto, a condição corporal pode indicar como uma população está se saindo.&nbsp;</p><p dir="ltr">Com base em outras populações,&nbsp;<strong>os cientistas esperavam ver os ursos ficarem mais magros à medida que o gelo marinho diminuísse</strong>. “Eu mesmo vi, estando em Svalbard, que o gelo marinho desapareceu muito, muito rápido”, diz o principal autor do artigo, Jon Aars, cientista sênior do Instituto Polar Norueguês. “Seria natural esperar que&nbsp;<em>[<strong>a perda do gelo marinho</strong>]</em> tivesse um efeito negativo sobre os ursos, incluindo sua condição corporal.”</p><p dir="ltr">Suas&nbsp;<strong>novas descobertas revelaram o contrário</strong>. A condição física dos ursos diminuiu entre 1995 e 2000, antes de melhorar novamente, embora a região estivesse perdendo rapidamente o gelo marinho após 2000. “<strong>Fiquei um pouco surpreso quando descobrimos que ela havia realmente aumentado em vez de diminuir</strong>”, diz Aars.&nbsp;“<strong>É uma boa notícia que eles tenham lidado tão bem com a situação</strong>, apesar de&nbsp;<strong>nenhum outro lugar no Ártico ter o gelo marinho desaparecendo nessa velocidade</strong>. ”</p><p dir="ltr">Isso&nbsp;<strong>não significa que os ursos não sejam afetados pelas mudanças climáticas</strong>. Eles&nbsp;<strong>foram forçados a passar mais tempo em terra firme caçando alimentos menos energéticos</strong>, como&nbsp;<strong>ovos de aves marinhas</strong>, e&nbsp;<strong>a nadar mais entre os locais de caça</strong> e&nbsp;<strong>acasalamento</strong>. Eles também perderam importantes áreas de hibernação. “<strong>A boa notícia é que eles ainda estão com boa saúde</strong>”, diz Aars.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/02/os-ursos-polares-tentam-se-adaptar-ao-aquecimento-do-artico-so-que-nao-esta-funcionando"><em>Os ursos polares tentam se adaptar ao aquecimento do Ártico – só que não está funcionando</em></a>)</p><h2   id="header_3114012_0"><strong>Por que os ursos polares de Svalbard estão prosperando em meio à crise climática</strong></h2><p dir="ltr">Uma&nbsp;<strong>explicação para o sucesso</strong> deles pode ser que,&nbsp;<strong>enquanto os ursos de muitas outras populações não caçam em terra&nbsp;</strong>— o gasto de energia não compensa as calorias que ganham —,&nbsp;<strong>os ursos polares de Svalbard estão comendo mais animais terrestres&nbsp;</strong>do que costumavam comer no passado.</p><p dir="ltr"><strong>Esses&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/2018/08/urso-polar-faminto-esqueletico-artico-video-fotografia"><strong>ursos polares</strong></a><strong>&nbsp;</strong>“<strong>têm alternativas que nem sempre têm em outras áreas</strong>”, diz Aars. Por exemplo, eles<strong> caçam renas</strong>, que&nbsp;<strong>cresceram em número após se recuperarem da caça excessiva</strong> por humanos.&nbsp;<strong>As renas fornecem alimento durante o verão</strong>,&nbsp;<strong>quando os ursos polares normalmente jejuam</strong>.</p><p dir="ltr">Outra possibilidade pode ser que&nbsp;<strong>a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/03/os-glaciares-do-mundo-estao-derretendo-mais-rapido-do-que-pensavamos-mostra-nova-pesquisa"><strong>redução do gelo</strong></a><strong> marinho esteja forçando as focas-aneladas a se agruparem em grupos mais densos</strong> ao redor dos pedaços de gelo restantes, tornando-as&nbsp;<strong>mais fáceis de caçar</strong>.</p><h2   id="header_3114053_0"><strong>Será que os ursos polares de Svalbard, na Noruega, estão realmente fora de perigo?</strong></h2><p dir="ltr">Seja qual for o motivo,&nbsp;<strong>infelizmente essa notícia não é tão positiva quanto parece</strong>. “Acho que é uma pequena janela de esperança”, diz Alice Godden, pesquisadora sênior associada da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, que não participou do estudo.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ela acredita que&nbsp;<strong>as perspectivas de longo prazo para os ursos provavelmente não são boas</strong>. “A disponibilidade de alimentos será realmente o fator determinante para sua sobrevivência”, diz ela, acrescentando que&nbsp;<strong>a quantidade de alimentos que eles têm&nbsp;</strong>é&nbsp;<strong>determinada pela rapidez com que as temperaturas aumentam</strong> como resultado das emissões de carbono.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>autores do estudo alertam</strong> que,&nbsp;<strong>em determinado momento, o ecossistema ultrapassará um ponto de inflexão</strong> e poderá sofrer mudanças graves e irreversíveis. “<strong>No futuro, será mais difícil ser um urso polar em Svalbard</strong>”, afirma Aars.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os resultados foram particularmente inesperados porque pesquisas demonstraram que&nbsp;<strong>a sobrevivência de outros ursos, especialmente na Baía de Hudson Ocidental&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>no sul do Mar de Beaufort, no Ártico canadense</strong>,<strong> diminui quando há menos gelo marinho</strong>. Mas comparar ursos em dificuldades com ursos prósperos não ajuda, dizem os especialistas. “<strong>Cada subpopulação de ursos será bastante diferente</strong>”, diz Godden. “É preciso contextualizar tudo dentro do habitat local.”</p><p dir="ltr">Recentemente, ela descobriu que&nbsp;<strong>mudanças genéticas podem estar ajudando os ursos do sul da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/01/os-5-fatos-curiosos-sobre-a-groenlandia-a-maior-ilha-do-mundo"><strong>Groenlândia</strong></a><strong> a se adaptarem a um clima em rápido aquecimento</strong>. “Vimos&nbsp;<strong>mudanças na expressão gênica ligadas ao metabolismo da gordura</strong>,&nbsp;<strong>tolerância térmica</strong> e algumas ligações com o envelhecimento”, diz ela. Ela se pergunta se as&nbsp;<strong>mudanças no DNA dos ursos polares de Svalbard</strong> poderiam explicar por que eles também estão prosperando.&nbsp;</p><p>Embora esses ursos polares estejam bem atualmente, isso não continuará se o gelo desaparecer completamente, diz Aars: “<strong>Não há ursos polares em nenhum lugar onde não haja gelo marinho durante parte do ano</strong>.”&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title>Os bastidores do casamento de Ramsés 2º com uma princesa inimiga: um dos maiores eventos do Egito Antigo mudou uma era</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/os-bastidores-do-casamento-de-ramses-2o-com-uma-princesa-inimiga-um-dos-maiores-eventos-do-egito-antigo-mudou-uma-era</link><description><![CDATA[O faraó Ramsés 2º desfrutou de um dos reinados mais longos da história do Antigo Egito. Ele passou mais de 65 anos no trono durante um período de esplendor militar e cultural que lhe valeu o título de Ramsés, o Grande.Em 1249 a.C., Ramsés 2º já reinava há 30 anos. Para comemorar uma ocasião tão notável, os faraós realizavam celebrações jubilares conhecidas como Heb Sed. Ramsés escolheu sua...]]></description><category>História</category><pubDate>Wed, 25 Feb 2026 20:01:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/os-bastidores-do-casamento-de-ramses-2o-com-uma-princesa-inimiga-um-dos-maiores-eventos-do-egito-antigo-mudou-uma-era</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/05-abu-simbel.jpg?w=1600" length="1301740" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/estatua-gigante-de-ramses-ii-chega-ao-grande-museu-egipcio"><strong>faraó Ramsés 2º</strong></a> desfrutou de<strong> um dos reinados mais longos</strong> da história do&nbsp;<strong>Antigo Egito</strong>. Ele passou&nbsp;<strong>mais de 65 anos no trono&nbsp;</strong>durante um período de esplendor militar e cultural que lhe valeu o título de&nbsp;<strong>Ramsés, o Grande</strong>.</p><p dir="ltr">Em&nbsp;<strong>1249 a.C.</strong>,&nbsp;<strong>Ramsés 2º já reinava há 30 anos</strong>. Para comemorar uma ocasião tão notável, os faraós realizavam&nbsp;<strong>celebrações jubilares&nbsp;</strong>conhecidas como&nbsp;<em>Heb Sed</em>. Ramsés escolheu sua<strong> magnífica nova capital</strong>, chamada de&nbsp;<strong>Pi-Ramsés</strong>, para sediar uma celebração à altura desse marco.</p><p dir="ltr">Até então,&nbsp;<strong>nada ameaçava a</strong>&nbsp;<strong>prosperidade e a segurança do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/05/os-3-mitos-do-antigo-egito-que-vao-te-surpreender"><strong>Egito</strong></a>, especialmente dos<strong> hititas ao norte</strong>,&nbsp;<strong>cujo império&nbsp;</strong>se estendia pela&nbsp;<strong>atual Turquia e pelo norte da Síria</strong>. O faraó egipcio&nbsp;<strong>Ramsés 2º os havia derrotado em 1275 a.C.</strong> na Batalha de Kadesh. Ramsés apresentou sua vitória como um&nbsp;<strong>triunfo esmagador sobre os hititas</strong>. Ele mandou esculpir&nbsp;<strong>estátuas de si mesmo com 18 metros&nbsp;</strong>de altura na rocha arenosa da Baixa Núbia, perto do Nilo, em Abu Simbel.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Cenas da batalha adornam os salões&nbsp;</strong>desses impressionantes templos funerários, exemplificando o&nbsp;<strong>papel duplo de Ramsés</strong> como&nbsp;<strong>construtor e especialista em relações públicas</strong>. Os historiadores agora sabem, ao comparar os&nbsp;<strong>relatos hititas e egípcios&nbsp;</strong>da batalha, que o resultado de Kadesh foi&nbsp;<strong>provavelmente menos unilateral&nbsp;</strong>do que a descrição de Ramsés.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Egito, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/no-egito-antigo-os-cachorros-eram-considerados-divinos-os-vira-latas-de-hoje-podem-recuperar-a-antiga-gloria"><em>No Egito Antigo, os cachorros eram considerados divinos. Os vira-latas de hoje podem recuperar a antiga glória?</em></a>)</p><h2  id="header_3113989_0"><strong>Como foram as negociações para o casamento de Ramsés com a princesa inimiga</strong></h2><p dir="ltr">Em 1258 a.C., em parte como resultado dessa batalha, o&nbsp;<strong>rei hitita Hattusilis 3º concordou em assinar um tratado</strong> para&nbsp;<strong>pôr fim às longas hostilidades</strong> entre os dois impérios, inaugurando um dos&nbsp;<strong>períodos mais criativos e prósperos do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/03/curiosidades-do-egito-mitos-deuses-e-os-segredos-das-piramides"><strong>Antigo Egito</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Nove&nbsp;<strong>anos depois</strong>, por volta do seu&nbsp;<strong>jubileu de 30 anos</strong>,&nbsp;<strong>Ramsés e os hititas</strong> decidiram trabalhar por uma&nbsp;<strong>aliança política mais estreita</strong>, propondo um&nbsp;<strong>casamento entre o faraó e uma princesa hitita</strong>. E não qualquer princesa: enviados da capital egípcia, Pi-Ramsés, deixaram claro que o faraó tinha em vista ninguém menos que a&nbsp;<strong>primogênita do rei Hattusilis</strong>.</p><p dir="ltr">As duas cortes embarcaram em&nbsp;<strong>longas negociações</strong>, cujos meandros os historiadores interpretaram a partir das&nbsp;<strong>tabuletas de argila preservadas nos arquivos da capital hitita</strong>,&nbsp;<strong>Hattusha</strong>, na região central da&nbsp;<strong>atual&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/02/como-a-turquia-perdeu-mais-de-180-lagos-e-viu-paraisos-virarem-desertos"><strong>Turquia</strong></a>. Descobertas por arqueólogos&nbsp;<strong>entre 1906 e 1908</strong>, as tabuletas forneceram uma riqueza de detalhes sobre a&nbsp;<strong>diplomacia cotidiana entre esses dois antigos impérios</strong> e os intrincados detalhes envolvidos no planejamento de uma união real.</p><h2 dir="ltr"   id="header_3113989_1"><strong>Puduhepa, uma rainha hitita de língua afiada</strong></h2><p dir="ltr">Escrita em&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographic.pt/historia/a-invencao-da-escrita-cuneiforme-pelos-sumerios_3457" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><strong>cuneiforme</strong></a><strong>, a escrita antiga</strong> foi formada pressionando uma ferramenta em forma de cunha na argila úmida. As<strong> tabuletas hititas&nbsp;</strong>revelam como os<strong> emissários do faraó convenceram o rei</strong> a enviar a Ramsés 2º uma&nbsp;<strong>proposta formal de casamento</strong>. Do lado hitita,&nbsp;<strong>os preparativos</strong> foram conduzidos principalmente pela consorte de Hattusilis, a&nbsp;<strong>rainha Puduhepa</strong>, que se concentrou no dote de sua filha.</p><p dir="ltr">Quando os&nbsp;<strong>enviados de Ramsés reclamaram da demora na chegada da nova noiva</strong>, bem como do&nbsp;<strong>tamanho irrisório do dote de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2017/08/fotos-fotos-historicas-de-noivos-e-noivas-pelo-mundo"><strong>casamento</strong></a><strong>&nbsp;</strong>prometido pelos hititas, Puduhepa escreveu atribuindo a culpa à escassez e a um incêndio que devastara os armazéns reais.&nbsp;<strong>A rainha também repreendeu o faraó</strong> — a quem se dirigiu como "irmão" — por sua ganância. "Meu irmão não possui nada? ... Mas, irmão, você está enriquecendo às minhas custas! Isso é<strong> indigno da fama e da dignidade de um grande senhor</strong>."</p><p dir="ltr">Apesar disso, ela lhe disse que ele ficaria satisfeito: "O dote será mais belo que o do rei da Babilônia...&nbsp;<strong>Enviarei minha filha este ano</strong>;&nbsp;<strong>servos, gado, ovelhas e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/os-cavalos-selvagens-de-pelo-encaracolado-da-patagonia-sao-um-enigma-que-escapou-ate-a-darwin"><strong>cavalos</strong></a> irão com ela." Uma carta posterior dizia que a&nbsp;<strong>princesa levaria "um magnífico tributo</strong> em forma de ouro, prata, bronze, escravos, juntas de cavalos, gado, cabras e milhares de ovelhas como&nbsp;<strong>presentes para o faraó</strong>."</p><p dir="ltr">A principal&nbsp;<strong>exigência dos hititas</strong> era que a&nbsp;<strong>princesa ocupasse o posto de esposa principal</strong>. Ela não deveria ser uma mera esposa secundária, na mesma categoria que as outras princesas do Oriente Próximo que haviam entrado para&nbsp;<strong>o harém do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/09/a-epoca-dos-faraos-teve-periodos-de-paz-a-resposta-esta-no-casal-real-mais-poderoso-do-egito-antigo"><strong>faraó</strong></a>. Tornar a princesa sua&nbsp;<strong>esposa principal foi a única concessão que Ramsés estava disposto a fazer</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/11/o-novo-grande-museu-egipcio-e-faraonico-mas-por-que-tesouros-importantes-do-egito-antigo-nao-estao-la"><em>O novo Grande Museu Egípcio é faraônico: mas por que tesouros importantes do Egito Antigo não estão lá?</em></a>)</p><p dir="ltr">Qualquer sugestão de que ele pudesse&nbsp;<strong>enviar uma princesa egípcia a Hattusilis em troca era impensável</strong>. Os faraós realizavam&nbsp;<strong>casamentos arranjados com princesas estrangeiras&nbsp;</strong>há mais de um século. O próprio&nbsp;<strong>Ramsés teve cinco esposas não egípcias</strong> e seu antecessor, sete. Mas os faraós jamais permitiam que suas próprias filhas fossem para o exterior.&nbsp;</p><p dir="ltr">Era a maneira que encontravam de demonstrar que, apesar de todo o poderio militar dos hititas,&nbsp;<strong>um faraó egípcio gozava de um status superior</strong>, mesmo que fingissem tratar-se como iguais em suas cartas. Quando&nbsp;<strong>Kadashman-Enlil 1º, um rei babilônico</strong>, ousou&nbsp;<strong>pedir a mão de uma princesa egípcia</strong>, a resposta foi direta.&nbsp;<strong>Ramsés 2º&nbsp;</strong>simplesmente o lembrou de que “desde tempos imemoriais nenhuma&nbsp;<strong>filha do Rei do Egito jamais foi dada </strong><em><strong>[em casamento]</strong></em>”.</p><h2 dir="ltr"   id="header_3113994_0"><strong>Todos os caminhos levam para Ramsés</strong></h2><p dir="ltr"><br>Em uma carta a Ramsés,&nbsp;<strong>Hattusilis escreveu que a noiva estava pronta&nbsp;</strong>para sua jornada, para que os emissários do faraó pudessem partir ao seu<strong> encontro na fronteira entre os impérios</strong>. "Que eles venham e unjam a cabeça da minha filha com óleo fino e a levem para a morada do Grande Rei,&nbsp;<strong>o Rei da terra do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2018/10/egito-25-fotos-de-cair-o-queixo"><strong>Egito</strong></a>, meu irmão!"</p><p dir="ltr">Este é o&nbsp;<strong>único ritual de casamento mencionado na correspondência</strong>. Era uma prática comum no Oriente Próximo e&nbsp;<strong>elevava a mulher a um status superior&nbsp;</strong>quando estava&nbsp;<strong>noiva</strong>. Ao saber que a jovem estava a caminho, Ramsés ficou exultante. "O Deus Sol, o Deus da Tempestade, os Deuses do Egito e os Deuses da Terra dos Hititas decretaram que nossos dois grandes países se unam para sempre", escreveu ele.</p><p dir="ltr"><strong>Poucos detalhes sobre a noiva foram registrados</strong>. Qual era a&nbsp;<strong>identidade da princesa hitita</strong> é mencionada apenas com seu&nbsp;<strong>nome egípcio adotado</strong>,&nbsp;<strong>Maathorneferure</strong>. Ela viajou para o Egito acompanhada por uma&nbsp;<strong>vasta comitiva</strong> — uma prática comum nos casamentos dinásticos da época. Pouco mais de um século antes, uma princesa do império mitânio, no que hoje é o norte da Síria, havia chegado à corte de Amenófis 3º com mais de 3.300 damas de companhia.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essas&nbsp;<strong>enormes comitivas</strong> funcionavam como um antigo&nbsp;<strong>serviço diplomático</strong>, capaz de enviar informações valiosas de volta aos seus países de origem. Não é de admirar, portanto, que&nbsp;<strong>em uma de suas cartas a Rainha Puduhepa</strong> tenha insistido que aqueles que&nbsp;<strong>acompanhavam sua filha recebessem proteção total&nbsp;</strong>ao chegarem.</p><p dir="ltr">Puduhepa também se preocupou em providenciar&nbsp;<strong>segurança para a viagem</strong>. A companhia hitita podia estar atravessando estados vassalos, mas nunca estaria completamente a<strong> salvo de ataques de bandidos e nômades</strong>. Um ataque sofrido por um príncipe hitita em viagem, um século antes, ainda era lembrado.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ele foi morto a caminho do Egito, muito provavelmente por uma facção da corte egípcia que se opunha ao seu casamento com&nbsp;<strong>uma rainha egípcia&nbsp;</strong>— possivelmente&nbsp;<strong>a viúva de Tutancâmon</strong>,&nbsp;<strong>Anquesenamon</strong>, ou talvez até mesmo&nbsp;<strong>a viúva de Aquenáton,&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/arqueologia/2018/05/e-oficial-rainha-nefertiti-nao-foi-sepultada-na-mesma-tumba-de-tutancamon"><strong>Nefertiti</strong></a>.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/01/a-ultima-maravilha-do-mundo-como-foram-construidas-as-piramides-de-gize-no-egito"><em>A última Maravilha do Mundo: como foram construídas as Pirâmides de Gizé, no Egito?</em></a>)</p><p dir="ltr"><strong>Puduhepa disse a Ramsés que a princesa seria escoltada por tropas hititas&nbsp;</strong>e que ela a acompanharia em parte do trajeto. O próprio rei Hattusilis não foi com a filha, pois sua presença na comitiva poderia ser interpretada como uma homenagem a um governante superior.</p><p dir="ltr">Ramsés, porém, sempre o propagandista exímio, simplesmente ignorou essa ausência ao documentar o casamento. Na&nbsp;<strong>Estela do Casamento, no templo de Ramsés em Abu Simbel</strong>, o rei hitita é retratado ao lado de sua filha, ambas as figuras aproximando-se submissamente e&nbsp;<strong>honrando o faraó</strong>.</p><h2 dir="ltr"             id="header_3113998_0"><strong>Um destino incerto no Egito</strong></h2><p dir="ltr"><br>Segundo correspondências do período de Akhenaton, aproximadamente&nbsp;<strong>um século antes do jubileu de Ramsés 2º</strong>, a&nbsp;<strong>rota mais rápida</strong> da capital hitita para&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/01/existe-realmente-uma-cidade-secreta-sob-as-piramides-do-egito"><strong>o Egito</strong></a> levava cerca de&nbsp;<strong>um mês e meio</strong>. No entanto, a comitiva da&nbsp;<strong>princesa levou de três a seis meses&nbsp;</strong>para completar a viagem.</p><p dir="ltr">“Eles atravessaram muitas&nbsp;<strong>montanhas e caminhos difíceis para alcançar os limites de Sua Majestade</strong>”, narram os hieróglifos da Estela do Casamento. A&nbsp;<strong>imagem esculpida mostra Ramsés aguardando a chegada da futura rainha</strong>, cercado pelos deuses Ptah — uma das principais divindades do Estado — e Seth, deus da guerra e das tempestades, que deu nome ao pai de Ramsés II, Seti I.</p><p dir="ltr">As<strong> festividades</strong> para celebrar a chegada da nova rainha provavelmente&nbsp;<strong>ocorreram em Pi-Ramsés</strong>, onde o jubileu do faraó havia sido realizado quatro anos antes. Seu novo nome,&nbsp;<strong>Maathorneferure</strong> — que significa “<strong>Neferure, aquela que vê Hórus</strong>” — estava ligado a um sistema de crenças que, apesar de algumas semelhanças, parecia muito diferente do que ela conhecia em sua Hattusha natal.&nbsp;</p><p dir="ltr">Seu destino, a partir daquele momento, ficou atrelado ao do&nbsp;<strong>Egito e da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/12/como-era-o-processo-de-mumificacao"><strong>cultura egípcia</strong></a>. Quando o casamento finalmente aconteceu,<strong> em 1245 a.C., ela se tornou a Grande Esposa Real de Ramsés</strong>, já que a rainha anterior, Ísis-Nofret, havia falecido dez anos após suceder a Rainha Nefertari.lier.</p><p dir="ltr"><strong>O que aconteceu com a noiva?</strong> Pouco se sabe sobre sua vida após o casamento.<strong> Acredita-se que ela não tenha tido filhos homens</strong>, embora provavelmente tenha dado à luz uma filha. Há uma inscrição que comprova que&nbsp;<strong>Maathorneferure viveu, em certo momento, no harém de Gurob</strong>, ao sul de El Faiyum, o que pode significar que ela&nbsp;<strong>perdeu seu status de esposa principal</strong>.&nbsp;</p><p>De qualquer forma, uma<strong> segunda princesa hitita chegou posteriormente&nbsp;</strong>para se tornar&nbsp;<strong>esposa de Ramsés</strong>, sugerindo que Maathorneferure morreu e um segundo casamento ocorreu para renovar a aliança entre as duas grandes potências do mundo antigo.</p>]]></content:encoded></item><item><title>Após 175 anos, as tartarugas gigantes de Galápagos voltam para casa no arquipélago por onde passou Darwin</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/apos-175-anos-as-tartarugas-gigantes-de-galapagos-voltam-para-casa-no-arquipelago-por-onde-passou-darwin</link><description><![CDATA[Na Ilha Floreana, no Equador, nove homens caminham em fila indiana como um exército, marchando morro acima sob o sol equatorial com caixas plásticas de 50 quilos amarradas às costas. Dentro de cada uma delas estão as preciosas tartarugas gigantes de Galápagos.Quando finalmente chegam ao topo da colina — um caminho cheio de pedras de lava afiadas e cones de cinzas geologicamente ativos —, os...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Wed, 25 Feb 2026 10:08:09 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/apos-175-anos-as-tartarugas-gigantes-de-galapagos-voltam-para-casa-no-arquipelago-por-onde-passou-darwin</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/lmb0369-12.jpg?w=1600" length="1324783" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Na<strong> Ilha Floreana, no Equador</strong>, nove homens caminham em fila indiana como um exército, marchando morro acima sob o sol equatorial com&nbsp;<strong>caixas plásticas de 50 quilos</strong> amarradas às costas. Dentro de cada uma delas estão as preciosas&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/05/tartaruga-gigante-fernandina-extinta-redescoberta-seculo-galapagos-extincao-conservacao"><strong>tartarugas gigantes</strong></a><strong> de Galápagos</strong>.</p><p dir="ltr">Quando finalmente chegam ao topo da colina —&nbsp;<strong>um caminho cheio de pedras de lava afiadas e cones de cinzas geologicamente ativos</strong> —, os homens estão pingando suor. Mas não descansam nem param. Eles deixam as caixas no chão com cuidado e a partir de então mais umtrabalho começa. “Coloquem na sombra”, grita um homem com uma balaclava e óculos escondendo o rosto do sol.</p><p dir="ltr">“Aqui”, aponta outro homem mascarado, pisando na grama seca para chegar a um bosque de árvores de palo santo. A tropa levanta e segue, e&nbsp;<strong>o conteúdo das caixas parece ganhar vida</strong>.</p><p dir="ltr">Esses homens poderiam ser confundidos com soldados, mas na realidade são —&nbsp;<strong>além de carregadores&nbsp;</strong>–<strong> exploradores e até babás</strong>. Isso porque se trata de<strong> guardas florestais do Parque Nacional de Galápagos</strong>, defensores da vida selvagem em&nbsp;<strong>um dos lugares com maior biodiversidade do mundo</strong>. E o que está chacoalhando nessas caixas são&nbsp;<strong>os descendentes de uma espécie que não era vista nesta ilha há 175 anos</strong>.</p><p dir="ltr">“<strong>Isso é história</strong>”, declara o líder da equipe, Christian Sevilla, diretor de ecossistemas da Diretoria do Parque Nacional de Galápagos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Há&nbsp;<strong>50 tartarugas gigantes voltando para casa nesta manhã</strong>, e&nbsp;<strong>158 no total nos próximos dias</strong>, com centenas prontas para serem soltas e outras centenas no centro de reprodução do parque na Ilha de Santa Cruz.</p><p>(<em>Você pode se interessar por:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/no-egito-antigo-os-cachorros-eram-considerados-divinos-os-vira-latas-de-hoje-podem-recuperar-a-antiga-gloria"><em>No Egito Antigo, os cachorros eram considerados divinos. Os vira-latas de hoje podem recuperar a antiga glória?</em></a>)</p><h2          id="header_3114025_0"><strong>Tartarugas gigantes híbridas para salvar uma espécie</strong></h2><p dir="ltr">As&nbsp;<strong>tartarugas nas caixas</strong>, no entanto,&nbsp;<strong>ainda não são gigantes</strong> — elas&nbsp;<strong>têm entre 7 e 15 anos</strong> e&nbsp;<strong>pesam de 4,5 a 18 kg</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Elas também&nbsp;<strong>são híbridas da espécie de tartaruga Floreana</strong>,&nbsp;<strong>agora extinta</strong>. Essas tartarugas&nbsp;<strong>carregam as linhagens das tartarugas Floreana e Wolf Volcano</strong>. Alguns dos híbridos também têm genes de espécies encontradas nas ilhas Santiago e Española, na região.</p><p dir="ltr">Nos últimos 15 anos,&nbsp;<strong>um programa de reprodução criou 720 novas tartarugas híbridas Floreanas</strong>, cujo passo final para retornar à natureza depende de viajar nas costas de Sevilla e sua equipe nesta manhã quente de fevereiro.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Vamos”, diz Sevilla, enquanto uma gota de suor escorre por seu rosto.&nbsp;<strong>Ele trabalhou sem parar nas últimas 48 horas, transportando esses animais por navio</strong>, caminhão e à mão.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Quando as caixas são abertas, dois filhotes rastejam para fora</strong> e começam a mastigar uma trepadeira. Um naturalista de fala mansa, chapéu de abas flexíveis e botas de combate fecha seu guarda-chuva e pega sua câmera.</p><p dir="ltr">“<strong>Isso é um bom sinal</strong>”, diz James Gibbs enquanto tira fotos.&nbsp;<strong>O biólogo conservacionista e explorador da&nbsp;</strong><em><strong>National Geographic</strong>&nbsp;</em>é, em muitos aspectos, o principal responsável por este momento.&nbsp;</p><p dir="ltr">Enquanto&nbsp;<strong>observa as tartarugas se afastando lentamente</strong>, ele&nbsp;<strong>se emociona como um pai orgulhoso</strong>, admitindo: “Nunca pensei que isso fosse acontecer”.</p><p dir="ltr">E a verdade é que quase não aconteceu.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Graças a uma descoberta acidental</strong>, um exército de guardas florestais e pesquisadores está agora à beira do que&nbsp;<strong>pode ser a recuperação mais ambiciosa já tentada em uma ilha</strong>. Trata-se de uma restauração de décadas com o objetivo de&nbsp;<strong>eliminar espécies invasora</strong>s<strong> como ratos e gatos</strong> — um processo meticuloso e sangrento que atrasou a liberação em vários anos — e&nbsp;<strong>um projeto de 15 milhões de dólares</strong> que&nbsp;<strong>mapeou a recuperação de plantas</strong>,&nbsp;<strong>o manejo da terra</strong> e os conflitos humanos, tudo para&nbsp;<strong>criar as condições</strong> para&nbsp;<strong>o retorno das famosas tartarugas gigantes</strong> da ilha.</p><p dir="ltr">“Você não pode fazer isso em outras partes do mundo”.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/10/os-6-animais-surpreendentes-que-se-pode-encontrar-nas-ilhas-galapagos"><em>Os 6 animais surpreendentes que se pode encontrar nas Ilhas Galápagos</em></a>)</p><h2          id="header_3114027_0"><strong>Por dentro da ilha Floreana, a “casa” das novas tartarugas gigantes</strong></h2><p dir="ltr">Outrora um centro para baleeiros e piratas,&nbsp;<strong>Floreana foi a primeira ilha de Galápagos a ser colonizada</strong>.</p><p dir="ltr">Os<strong> humanos não trouxeram apenas ratos e gatos</strong>, mas também cavalos, vacas, porcos, cães, burros e cabras,&nbsp;<strong>animais que superaram — ou mataram — os animais nativos</strong>.&nbsp;<strong>Dez das 22 espécies de aves foram extintas em</strong>&nbsp;<strong>Floreana desde a chegada dos humanos</strong>, de acordo com Birgit Fessl, pesquisadora principal de conservação de aves terrestres da Fundação&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/02/charles-darwin-os-5-dados-curiosos-sobre-a-vida-do-criador-da-teoria-da-evolucao-das-especies"><strong>Charles Darwin</strong></a>.</p><p dir="ltr"><strong>Floreana sempre teve uma história sombria</strong>: a primeira colônia terminou em derramament<strong>o de sangue e, na década de 1830, a ilha era uma prisão</strong>. Cem anos depois, um punhado de alemães começou um Éden idílico e ingênuo, uma história que terminou em assassinato e foi dramatizada em um filme de Ron Howard.</p><p dir="ltr">“As pessoas causaram esses problemas e têm a responsabilidade de resolvê-los”, diz&nbsp;<strong>o jornalista e escritor estadunidense Jonathan Miles</strong>, cujo&nbsp;<strong>novo romance,&nbsp;</strong><em><strong>“Eradication”</strong></em>, lançado agora em 2026, enfoca exatamente esse desafio das espécies invasoras e é baseado em parte em suas reportagens aqui.</p><p dir="ltr">O plano atual é difícil, admitem seus idealizadores, mas muito menos ingênuo do que as tentativas fracassadas anteriores em Floreana.&nbsp;</p><p dir="ltr">Sim,&nbsp;<strong>existem mais de 1.600 espécies introduzidas nas ilhas, mas as cabras eram, em muitos aspectos, as piores</strong>.&nbsp;Multiplicando-se sem controle,&nbsp;<strong>elas comeram tudo em Floreana durante anos</strong>, destruindo a terra.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas&nbsp;<strong>em 2007, a última cabra de Floreana foi removida e agora livrar-se dos ratos e gatos</strong> significa realmente reverter gerações de destruição.&nbsp;<strong>É por isso que as tartarugas são fundamentais</strong>.&nbsp;<strong>Elas moldam o ecossistema desde a base</strong>, dispersando sementes e abrindo caminhos, como se fossem arquitetas naturais.</p><p dir="ltr">“<strong>Esse retorno é fundamental para o crescimento das plantas</strong>” e outras espécies,&nbsp;<strong>até mesmo para as aves que nidificam</strong>, observa Rakan Zahawi, diretor executivo da Fundação Charles Darwin, que há anos apoia a restauração.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Por se tratar de uma espécie tão icônica e importante</strong>, os conservacionistas têm se disposto a gastar milhões de dólares e anos de trabalho removendo plantas e animais que não deveriam estar ali. “<strong>Você não pode fazer isso em outras partes do mundo</strong>”, diz Zahawi, observando a escala e a atenção que essas famosas ilhas exigem. “Devemos restaurar ou não, essa é a velha questão.”</p><h2          id="header_3114027_1"><strong>A reintrodução das tartarugas gigantes é uma esperança para as espécies nativas</strong></h2><p dir="ltr"><strong>Matar animais é sempre controverso</strong>, mas&nbsp;<strong>a redução do número de ratos e gatos já provocou uma recuperação das aves</strong>, e&nbsp;<strong>o ralinho-das-Galápagos</strong>, que vive no solo, está de volta após quase 200 anos.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Brincamos dizendo que estamos desfazendo o trabalho dos piratas, mas na realidade é isso mesmo”, concorda Penny Becker, CEO da&nbsp;<em>Island Conservation</em>, uma organização sem fins lucrativos que ajudou a moldar o plano de Floreana nos últimos 15 anos.</p><p dir="ltr">Esse plano também&nbsp;<strong>ajuda os moradores locais</strong>, que dizem que&nbsp;<strong>a eliminação dos ratos significa mais comida</strong>, com um aumento de&nbsp;<strong>80% na produtividade das colheitas</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Tudo isso me deixa muito emocionado”, admite Claudio Cruz, um agricultor de 66 anos, ao pensar nos danos ecológicos que estão sendo revertidos.&nbsp;<strong>Cruz chama Floreana de&nbsp;</strong>“<strong>a capital de Galápagos</strong>” e diz que o retorno dos gigantes significa que Floreana agora estará completa — e mais lotada, acrescenta ele com uma risada.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Lar de cerca de 125 produtores de milho e goiaba</strong>,&nbsp;<strong>em breve haverá mais tartarugas do que pessoas</strong>. Mas, embora tenha havido conflitos entre tartarugas e agricultores em outros lugares, Cruz, que é o oitavo de 12 irmãos,&nbsp;<strong>descreve uma conexão com a vida selvagem que é “fundamental” para a cultura de Floreana</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>Quando você olha para uma tartaruga, nos olhos dela</strong>”, diz ele, “<strong>elas reconhecem você</strong>. Elas são inteligentes. Elas querem se comunicar. Agora temos essa chance”.</p><p><em>(Leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/02/como-charles-darwin-deu-inicio-a-teoria-da-evolucao-a-resposta-veio-em-sua-primeira-e-unica-viagem-ao-redor-do-mundo"><em>Como Charles Darwin deu início à teoria da evolução? A resposta veio em sua primeira e única viagem ao redor do mundo</em></a>)</p><h2     id="header_3114028_0"><strong>Charles Darwin já encontrou a população de tartarugas gigantes em declínio</strong></h2><p dir="ltr">A população ainda será uma fração do que era em seu auge.&nbsp;<strong>Floreana já foi coberta por tartarugas, milhares delas até onde a vista alcançava</strong>, “espalhadas em todas as direções pelas planícies e terras baixas próximas ao mar”, segundo o comodoro John Downes, um capitão baleeiro que as caçava por sua carne e óleo. <strong>As tartarugas eram essenciais em longas viagens</strong>, nas quais os homens frequentemente passavam fome, pois eram um alimento fácil de transportar.</p><p dir="ltr">Já houve até&nbsp;<strong>350 mil tartarugas gigantes em todo o arquipélago</strong>, mas&nbsp;<strong>quando&nbsp;Darwin chegou em 1835, a espécie já estava em declínio</strong>.&nbsp;<strong>Em 1850, as tartarugas de Floreana haviam desaparecido</strong>. Até hoje.&nbsp;</p><p dir="ltr">Hoje restam entre&nbsp;<strong>30 mil e 35 mil dessas tartarugas gigantes</strong> – cerca de&nbsp;<strong>10% da população original</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>Além das tartarugas</strong>, outras&nbsp;<strong>12 espécies extintas localmente também devem retornar nos próximos anos</strong>, incluindo&nbsp;<strong>o sabiá-de-floreana</strong>,&nbsp;<strong>a cobra-corredora-de-floreana</strong> e o pequeno&nbsp;<strong>papa-moscas-vermelho</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas tudo isso&nbsp;<strong>depende de que os próximos momentos corram bem</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Isso porque é necessário&nbsp;<strong>saber se os animais nascidos em cativeiro saberão instintivamente como sobreviver nesta ilha rochosa e seca</strong>. O que acontecerá&nbsp;<strong>quando os bebês gigantes forem libertados</strong> das caixas?&nbsp;</p><h2     id="header_3114030_0"><strong>Como as tartarugas-bebê gigantes serão monitorados</strong></h2><p dir="ltr"><strong>Ninguém sabe o que esperar&nbsp;</strong>quando a temperatura ultrapassa os 32 °C, as caixas são abertas e o bastão passa para outra equipe. Luvas são calçadas e conchas são esfregadas enquanto&nbsp;<strong>minúsculos sensores são fixados com adesivo</strong> epóxi para&nbsp;<strong>prender os dispositivos de rastreamento GPS que os pesquisadores colocam em todas as 50 tartarugas</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>Os sensores devem durar dez anos</strong>”, explica&nbsp;<strong>Martin Wikelski, especialista em migração&nbsp;</strong>e pioneiro em sensores para animais do Instituto Max Planck de Comportamento Animal. Alimentados pela Starlink,&nbsp;<strong>os dispositivos rastrearão e monitorarão os filhotes à medida que eles se dispersam</strong>, que é exatamente o que acontece quando são soltos.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>À medida que os filhotes dão seus primeiros passos&nbsp;</strong>— literalmente rumo às colinas —,&nbsp;<strong>muitos dos responsáveis por esse momento suspiram&nbsp;</strong>audivelmente, incluindo Sevilla, com seu rosto severo, que esboça um sorriso.</p><p dir="ltr">Gibbs, também sorrindo enquanto observa as tartarugas jovens se afastando, esperou décadas por esse momento.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Cerca de 26 anos atrás</strong>, ele&nbsp;<strong>liderou uma expedição por todas as ilhas Galápagos para descobrir quantos gigantes ainda restavam</strong>. Depois de escalar um vulcão na extremidade oeste do arquipélago, sua equipe acidentalmente se deparou com o que ele chamou de “<strong>uma espécie alienígena</strong>”.&nbsp;</p><p dir="ltr">As tartarugas que encontraram na&nbsp;<strong>ilha&nbsp; Isabela&nbsp;</strong>(<strong>a maior de Galápagos</strong>) não deveriam estar lá. Neste lugar, supunha-se existir&nbsp;<strong>tartarugas da espécie becki</strong>, também conhecidas como&nbsp;<strong>tartarugas do vulcão Wolf</strong>. Em vez disso,&nbsp;<strong>ele encontrou outro tipo de tartaruga gigante a viver à sombra do vulcão</strong>, “e estava tudo errado”, recorda ele.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>As tartarugas de Floreana eram conhecidas por suas carapaças em forma de sela</strong>, mas as tartarugas de Wolf têm carapaças abauladas.</p><p dir="ltr">Então, por que havia tartarugas com carapaças em forma de sela no vulcão? E o que elas estavam fazendo ali?&nbsp;<strong>Gibbs estuda essas ilhas desde a década de 1980</strong>, passando seis meses como assistente de campo aos 18 anos,&nbsp;<strong>perseguindo&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/dia-de-darwin-tentilhoes-estudados-pelo-naturalista-em-galapagos-tem-gene-em-comum-com-humanos"><strong>os tentilhões de Darwin</strong></a><strong>&nbsp;</strong>e “vendo a evolução em ação”.</p><p dir="ltr">“Barraca, lona, uma cadeira”, era tudo o que ele costumava ter. Na década de 1990,&nbsp;<strong>os postos ficaram tão remotos que o jantar significava caçar cabras&nbsp;</strong>com um velho rifle de ferrolho.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2025/02/os-passaros-de-darwin-as-aves-que-o-ingles-encontrou-e-nomeou-enquanto-viajava-com-o-beagle"><em>Os pássaros de Darwin: as aves que o inglês encontrou (e nomeou) enquanto viajava com o Beagle</em></a>)</p><h2     id="header_3114032_0"><strong>As lendas por trás das tartarugas floreanas “aliens”</strong></h2><p dir="ltr">Agora com 63 anos, seus dias de Robinson Crusoé ficaram para trás — embora&nbsp;<strong>ele esteja planejando soltar ainda mais tartarugas de helicóptero em outra ilha</strong> e mencione casualmente um currículo agitado que inclui um interrogatório de três dias pela polícia após&nbsp;<strong>rastrear caçadores furtivos de leopardos-das-neves na fronteira entre a Rússia e a China</strong> — mas sem essa coragem, não estaríamos aqui.</p><p dir="ltr">“Ele é uma lenda”, diz Hugo Mogollón, presidente e CEO da&nbsp;<em>Galápagos Conservancy</em>, instituição na qual Gibbs atua como vice-presidente de ciência e conservação.</p><p dir="ltr">Depois de verem&nbsp;<strong>as tartarugas alienígenas com dorso em forma de sela</strong>, Gibbs&nbsp;<strong>organizou três expedições de retorno</strong>, coletando amostras de sangue que acabariam sendo sequenciadas, revelando que os alienígenas eram híbridos de Floreana.</p><p dir="ltr">Levou anos para que todas as peças se encaixassem, anos gastos capturando, realocando e criando os híbridos, mas esse trabalho convenceu Gibbs de que&nbsp;<strong>os homens responsáveis pela morte das tartarugas de Floreana também eram responsáveis por ajudar a dispersar sua genética</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>O primeiro momento decisivo foi em 1813</strong>, com o primeiro de dois navios chamados Essex. De acordo com o diário de David Porter, capitão de uma fragata da Marinha dos Estados Unidos estacionada nas Galápagos para afundar baleeiros britânicos durante a guerra de 1812 (uma guerra que durou até 1815), houve uma batalha em Banks Bay, um ponto de parada de baleeiros na borda do vulcão Wolf.&nbsp;</p><p dir="ltr">“Havia dois navios baleeiros britânicos na baía”, descobriu Gibbs ao ler o diário, “e&nbsp;<strong>quando limparam os conveses para suas armas, jogaram suas tartarugas ao mar</strong>”.</p><p dir="ltr">As tartarugas são conhecidas por flutuarem;<strong> e Porter descreveu ter visto tartarugas flutuando 10 dias após a batalha</strong>. Gibbs acredita que<strong> algumas das tartarugas recolhidas em Floreana podem ter sido levadas pela correnteza até o vulcão</strong>, gerando “<strong>os alienígenas</strong>”<strong>&nbsp;</strong>que ele encontrou em 2000.</p><p dir="ltr">Gibbs também acredita que<strong> ainda mais tartarugas de Floreana podem ter acabado na ilha de Isabela&nbsp;</strong>apenas alguns anos depois.</p><p dir="ltr">Um baleeiro de Nantucket, também chamado de Essex, levou “nove meses para chegar às Galápagos”, diz Gibbs, e quando chegaram depois de contornar a ponta da América do Sul em 1820, “eles estavam famintos”.</p><p dir="ltr">Eles&nbsp;<strong>passaram três semanas coletando centenas de gigantes de Floreana</strong>. Em determinado momento,&nbsp;<strong>um membro da tripulação acendeu uma fogueira por brincadeira e logo a ilha ficou em chamas</strong>, um incêndio que durou meses. Naquela época, “<strong>os brincalhões</strong>”<strong> já haviam partido para caçar baleias</strong>, com centenas de tartarugas empilhadas no convés.</p><p dir="ltr">Em seguida, e a 160 km a oeste do arquipélago, não muito longe do vulcão Wolf, em Isabela,&nbsp;<strong>um cachalote colidiu com o navio. Em seguida, colidiu novamente</strong>. “<strong>Acho que foi um cachalote macho que&nbsp;</strong>finalmente&nbsp;<strong>reconheceu a ameaça dos baleeiros”,&nbsp;</strong>diz Gibbs, “<strong>não há outra razão para um cachalote atacar</strong>”.</p><p dir="ltr"><strong>Quando o navio afundou</strong>,&nbsp;<strong>a tripulação correu para os botes com suas tartarugas</strong>. Os botes acabaram se separando e&nbsp;<strong>apenas cinco homens sobreviveram</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Quando foram encontrados, diz Gibbs, “<strong>os restos mortais dos marinheiros e ossos de tartarugas</strong>”&nbsp;<strong>cobriam o fundo do barco</strong>, uma história que inspiraria&nbsp;<em>Moby Dick</em> e apoiaria uma teoria que se provou verdadeira quando&nbsp;<strong>sequências de DNA descobriram que as tartarugas exóticas eram náufragas que se cruzaram e sobreviveram</strong>.</p><p dir="ltr">Essas tartarugas nasceram em cativeiro e foram criadas em um centro de reprodução na ilha de Santa Cruz, em Galápagos. Se tudo correr conforme o planejado, elas se tornarão uma espécie autossustentável na ilha de Floreana, assim como seus ancestrais eram há 200 anos.</p><h2          id="header_3114033_0"><strong>Os novos perigos que as tartarugas gigantes introduzidas em Galápagos enfrentam</strong></h2><p dir="ltr"><strong>As tartarugas de hoje enfrentam uma nova versão de uma velha ameaça</strong>: elas&nbsp;<strong>valem muito dinheiro</strong> em um país conhecido pela corrupção, e há uma longa e recente história de tráfico e caça ilegal desses gigantes.</p><p dir="ltr">“<strong>Já ocorreram até roubos em centros de reprodução</strong>”, afirma Karen Noboa, bióloga ambiental da TRAFFIC, que revela que&nbsp;<strong>tartarugas grandes podem custar até 60 mil dólares</strong>&nbsp;<strong>cada uma&nbsp;</strong>como animais de estimação.</p><p dir="ltr">Há também um&nbsp;<strong>mercado local para carne de tartaruga</strong>, com alguns acreditando que sua carne tem poder sexual.</p><p dir="ltr">“<strong>As pessoas que traficam tartarugas das Galápagos também estão envolvidas em muitos outros crimes</strong>”, diz Andrea Crosta, que lidera a&nbsp;<em>Earth League International</em>, uma organização sem fins lucrativos que&nbsp;<strong>investiga a conexão entre crimes ambientais e redes criminosas</strong>, um problema aqui e em todo o mundo.</p><p dir="ltr">Gibbs reconhece esses desafios.&nbsp;<strong>Quando as pessoas visitam as Galápagos, elas se maravilham com a vida selvagem que parece estar florescendo</strong> e com as<strong> proteções ecológicas</strong>, e em muitas ilhas isso é verdade, diz ele.</p><p dir="ltr">A ironia é que<strong> o que está em exibição é uma fração do que existia</strong>, ressaltando por que a restauração é fundamental.</p><p>“Estamos nisso para o longo prazo”, diz ele.&nbsp;<strong>Nos próximos 50 anos, com reprodução e mais solturas</strong>, “<strong>haverá milhares de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/06/fatos-que-voce-precisa-saber-sobre-as-tartarugas-marinhas"><strong>tartarugas gigantes</strong></a><strong> em Floreana&nbsp;</strong>novamente. É por isso que estamos lutando”.</p>]]></content:encoded></item><item><title>A ficção científica alertava que a IA poderia acabar com a humanidade... Em breve descobriremos se isso é possível</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/a-ficcao-cientifica-alertava-que-a-ia-poderia-acabar-com-a-humanidade-em-breve-descobriremos-se-isso-e-possivel</link><description><![CDATA[Mais de 50 anos antes de o ChatGPT (ou qualquer outro chatbot) poder dizer o que você deve cozinhar para o jantar, um filme de ficção científica de 1968 já moldava a forma como pensamos sobre máquinas que conversam conosco.No clássico “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, uma espaçonave rumo a Júpiter é controlada por HAL, um computador que pensa por si mesmo e tem sua própria...]]></description><category>Ciência</category><pubDate>Tue, 24 Feb 2026 19:15:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/a-ficcao-cientifica-alertava-que-a-ia-poderia-acabar-com-a-humanidade-em-breve-descobriremos-se-isso-e-possivel</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/spi-2830825.jpg?w=1600" length="1493740" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><strong>Mais de 50 anos antes</strong> de o&nbsp;<em>ChatGPT</em> (ou qualquer outro<em> chatbot</em>) poder dizer o que você deve cozinhar para o jantar, um<strong> filme de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/01/filmes-e-series-de-ficcao-cientifica-sera-que-suas-tramas-sao-possiveis-na-realidade"><strong>ficção científica</strong></a><strong> de 1968</strong> já moldava a forma&nbsp;<strong>como pensamos sobre máquinas</strong> que conversam conosco.</p><p dir="ltr">No clássico “<em>2001: Uma Odisseia no Espaço</em>”, de Stanley Kubrick, uma&nbsp;<strong>espaçonave rumo a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/01/cinco-curiosidades-sobre-jupiter-o-maior-planeta-do-sistema-solar"><strong>Júpiter</strong></a><strong> é controlada por HAL</strong>, um&nbsp;<strong>computador que pensa por si mesmo</strong> e tem sua própria agenda. Conforme o filme avança,<strong> HAL para de cooperar com os astronautas humanos</strong> que foi programado para auxiliar e, eventualmente, desliga seus sistemas de suporte à vida.</p><p dir="ltr">HAL plantou uma ideia no&nbsp;<strong>imaginário popular</strong>: que um dia, nossas&nbsp;<strong>máquinas se tornarão tão inteligentes — e tão semelhantes a humanos</strong> — que, talvez,&nbsp;<strong>não seremos mais capazes de controlá-las</strong>. Nunca deixamos de acreditar nessa possibilidade.&nbsp;</p><p dir="ltr">Com o r<strong>ecente surgimento de programas de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/02/o-que-e-a-inteligencia-artificial"><strong>IA</strong></a><strong> generativa</strong> capazes de escrever conversas,&nbsp;<strong>produzir imagens</strong> vívidas e&nbsp;<strong>executar inúmeras tarefas</strong> para nós, alguns especialistas em tecnologia acreditam que possivelmente as&nbsp;<strong>máquinas superinteligentes da ficção científica estão logo ali</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/a-incrivel-historia-de-hedy-lamarr-a-estrela-de-hollywood-que-ajudou-a-inventar-o-wi-fi-e-o-bluethooh"><em>A incrível história de Hedy Lamarr, a estrela de Hollywood que ajudou a inventar o Wi-fi e o bluethooh</em></a>)</p><p dir="ltr">Mas, embora<strong> as capacidades de</strong>&nbsp;<em><strong>chatbots</strong></em> como o<em> ChatGPT&nbsp;</em>da&nbsp;<em>OpenAI</em> e o&nbsp;<em>Gemini</em> do&nbsp;<em>Google</em>&nbsp;<strong>sejam impressionantes</strong>, será que essas tecnologias são realmente&nbsp;<strong>um passo em direção a personagens</strong> como Data, da franquia&nbsp;<em>Star Trek</em>, ou do&nbsp;<strong>carismático robô C-3PO</strong>, da saga<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2025/09/que-tal-conhecer-um-destino-que-foi-cenario-para-star-wars-aqui-10-lugares-lindos-imortalizados-pelo-cinema"><em><strong> Star Wars</strong></em></a>, ou, de&nbsp;<strong>forma mais sinistra</strong>, como dos robõs retratados nos filmes de&nbsp;<em>O Exterminador do Futuro</em>?</p><p dir="ltr">"<strong>Esse é o grande debate</strong>", afirma&nbsp;<strong>Melanie Mitchell</strong>, professora do Instituto Santa Fé que&nbsp;<strong>estuda a inteligência</strong> tanto em máquinas quanto em humanos.</p><p dir="ltr">Alguns especialistas dizem que&nbsp;<strong>é apenas uma jogada de marketing da indústria tecnológica</strong>. Mas outros já acreditam que&nbsp;<strong>máquinas que superam a inteligência humana</strong> em muitas métricas importantes, enquanto<strong> perseguem seus próprios objetivos&nbsp;</strong>— incluindo a&nbsp;<strong>autopreservação à custa da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/12/qual-e-a-origem-da-humanidade-segundo-a-ciencia"><strong>vida humana</strong></a> — estão mais próximas do que o público imagina.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113947_0"><strong>A inteligência artificial dos filmes de ficção científica x ChatGPT e outros aplicativos de IA</strong></h2><p dir="ltr"><br>O termo “<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/03/quem-inventou-a-inteligencia-artificial-veja-como-nasceu-uma-das-sensacoes-da-ciencia"><strong>inteligência artificial</strong></a><strong>” evoca alguns temas-chave</strong>. Na&nbsp;<strong>ficção científica</strong>, vemos<strong> IAs conscientes e autônomas</strong>, como HAL, de&nbsp;<em>2001: Uma Odisseia no Espaço</em>. Vemos máquinas com<strong> emoções</strong>, como a personagem&nbsp;<strong>Samantha, a assistente de IA</strong> que se apaixona por um ser humano no filme<strong>&nbsp;</strong><em>Ela</em>, de 2013, e&nbsp;<strong>C-3PO</strong>, o&nbsp;<strong>adorável e ansioso droide&nbsp;</strong>de protocolo presente na<strong> saga&nbsp;</strong><em><strong>Star Wars</strong></em>. Vemos IAs indistinguíveis de humanos, como&nbsp;<strong>os replicantes</strong> dos filmes&nbsp;<em>Blade Runner</em>. E vemos também<strong> máquinas que querem nos matar</strong>.</p><p dir="ltr">É com esses personagens de ficção científica em mente que estamos tentando&nbsp;<strong>compreender o que significa viver na era da IA</strong>. Hoje, as chamadas ferramentas de IA podem<strong> compor músicas</strong> cativantes,&nbsp;<strong>escrever textos&nbsp;</strong>convincentes e discutir com empatia seus problemas de relacionamento, para citar apenas algumas possibilidades.</p><p dir="ltr">Mas&nbsp;<strong>Emily Bender</strong>, linguista computacional da Universidade de Washington, nos Estados Unidos e autora de "<em>The AI ​​Con</em>", argumenta que&nbsp;<strong>elas compartilham pouco mais</strong> do que um nome chamativo com as&nbsp;<strong>IAs pensantes e sensíveis da ficção científica</strong>.</p><p dir="ltr">"O que as empresas querem dizer quando falam em IA é 'investidores de risco, por favor, nos deem dinheiro'", afirma Bender. "Não se refere a um conjunto coerente de tecnologias."</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/05/como-a-ia-inteligencia-artificial-esta-ajudando-os-cientistas-a-proteger-as-aves"><em>Como a IA (inteligência artificial) está ajudando os cientistas a proteger as aves</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3113949_0"><strong>Podemos chegar ao HAL 9000?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Se<strong> as ferramentas de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/02/5-usos-diarios-da-inteligencia-artificial-que-as-pessoas-nao-percebem"><strong>IA</strong></a><strong> generativa de hoje</strong> se assemelham mais a uma&nbsp;<strong>versão sofisticada&nbsp;</strong>do<strong> recurso de autocompletar do que a um HAL 9000</strong>, será que elas poderiam eventualmente levar ao tipo de IA que vemos na ficção científica?</p><p dir="ltr">Só que é&nbsp;<strong>impossível saber se as máquinas algum dia desenvolverão autoconsciência</strong>. "Não entendemos como isso surge em nossa própria cognição", diz Mitchell.</p><p dir="ltr">Mas muitos especialistas argumentam que as&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/06/por-que-a-inteligencia-artificial-pode-parecer-assustadora"><strong>ferramentas de IA</strong></a><strong> não precisam ser sencientes para serem disruptivamente inteligentes</strong>. Modelos de última geração&nbsp;<strong>já superam humanos</strong> em diversas&nbsp;<strong>métricas e tarefas cognitivas</strong>, incluindo matemática, programação e reconhecimento de padrões em grandes conjuntos de dados. E esses modelos estão&nbsp;<strong>em constante aprimoramento</strong>.</p><p dir="ltr">"Em todos&nbsp;<strong>os&nbsp;</strong><em><strong>benchmarks&nbsp;</strong></em><strong>que criamos</strong>, eles estão ficando&nbsp;<strong>cada vez melhores</strong>", afirma&nbsp;<strong>Yoshua Bengio</strong>, professor da Universidade de Montreal, no Canadá, pioneiro na área de aprendizado profundo e fundador da organização sem fins lucrativos&nbsp;<em>LawZero</em>, voltada para a segurança da IA.</p><p dir="ltr">Porém,&nbsp;<strong>existem áreas em que a cognição das máquinas ainda está muito aquém da dos humanos</strong>. A capacidade de planejamento dos sistemas de IA está atualmente "<strong>no nível de uma criança</strong>", afirma Bengio, embora ele observe que os modelos de ponta estão fazendo&nbsp;<strong>progressos rápidos nessa área</strong>. Tendo sido treinados principalmente com texto e imagens, suas&nbsp;<strong>habilidades de raciocínio espacial também são precárias</strong>, diz ele.</p><p dir="ltr">Uma grande&nbsp;<strong>questão na pesquisa em&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2019/07/como-a-inteligencia-artificial-pode-ajudar-a-solucionar-as-mudancas-climaticas"><strong>IA</strong></a><strong> hoje</strong> é&nbsp;<strong>até que ponto os modelos podem ser aprimorados</strong> na direção da inteligência humana ou sobre-humana. Embora as empresas tenham feito avanços tremendos investindo enormes quantidades de poder computacional em seus modelos,&nbsp;<strong>não está claro</strong> se computadores cada vez mais poderosos<strong> resultarão em máquinas cada vez mais inteligentes</strong>. Em certo ponto, algo mais poderá ser necessário.</p><p dir="ltr">Mitchell observa que,&nbsp;<strong>enquanto&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/11/quais-beneficios-a-musica-pode-trazer-para-os-bebes"><strong>os bebê</strong></a><strong>s aprendem interagindo com o mundo ao seu redor</strong>, os sistemas de<strong> IA são treinados passivamente</strong>, recebendo enormes quantidades de informações. Isso pode ajudar a explicar&nbsp;<strong>por que os&nbsp;</strong><em><strong>chatbots</strong></em><strong> são propensos a menti</strong>r: sem&nbsp;<em>feedback</em> do mundo real, eles frequentemente têm&nbsp;<strong>dificuldade em discernir se a informação é verdadeira ou falsa</strong>, gerando muitas vezes&nbsp;<strong>conteúdos incorretos e&nbsp;</strong><em><strong>fake news</strong></em><strong>.</strong></p><p dir="ltr">Bengio afirma que, em vez de cruzarmos&nbsp;<strong>um limiar para um mundo de máquinas sencientes</strong>, como vemos em filmes de ficção científica, a inteligência artificial continuará a&nbsp;<strong>se desenvolver de forma desigua</strong>l.</p><p dir="ltr">"Não devemos nos perguntar: 'Já ultrapassamos o limiar da IAG?'", diz Bengio. (IAG, ou&nbsp;<strong>inteligência artificial geral</strong>, geralmente se refere a máquinas com inteligência semelhante à humana.) "Devido à natureza irregular da evolução da inteligência na IA,&nbsp;<strong>talvez nunca cheguemos a esse momento</strong>."</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/09/psicose-induzida-por-ia-a-conversa-com-um-bot-pode-alimentar-delirios-e-paranoia-o-que-diz-a-ciencia"><em>Psicose induzida por IA: a conversa com um bot pode alimentar delírios e paranoia? O que diz a ciênci</em>a</a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3113949_1"><strong>Os seres humanos estão condenados de qualquer maneira?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Um<strong> limiar de importância indiscutivelmente muito maior</strong> é quando as máquinas atingem um nível de inteligência que lhes permitiria exterminar a humanidade.</p><p dir="ltr">É um&nbsp;<strong>cenário</strong>&nbsp;<strong>que já vimos</strong> se desenrolar inúmeras vezes&nbsp;<strong>na ficção científica</strong>. Alguns o descartam como tal. "Não acho o argumento minimamente plausível", comenta&nbsp;<strong>Ted Chian</strong>g, o premiado escritor de ficção científica cujo conto "<em>Story of Your Life</em>" foi adaptado para o filme "<em>A Chegada</em>" (2016).</p><p dir="ltr">Na visão de Chiang,&nbsp;<strong>quando as pessoas falam sobre a</strong>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/10/o-que-a-etica-diz-sobre-inteligencia-artificial-maldade-e-seculo-21-o-filosofo-john-armstrong-responde"><strong>IA</strong></a>&nbsp;<strong>se voltando contra nós</strong> em busca de seus próprios objetivos, elas estão projetando&nbsp;<strong>suas próprias experiências</strong> com base em como vemos humanos poderosos e corporações agindo.</p><p dir="ltr">"Acho que elas estão, inconscientemente, reproduzindo o espírito das&nbsp;<em>startups</em> do Vale do Silício", diz Chiang. "Elas estão atribuindo à IA os mesmos valores que os fundadores de startups têm:&nbsp;<strong>crescimento a qualquer custo</strong>, uma abordagem de terra arrasada em relação à competição."</p><p dir="ltr"><strong>Bender está muito mais preocupada com outros riscos mais imediatos</strong> do&nbsp;<strong>desenvolvimento tecnológico não regulamentado</strong>, que já vem criando diversos problemas na sociedade, como:&nbsp;<strong>questões de privacidade</strong>, os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/04/veja-8-fotos-de-impactos-ambientais-para-se-conscientizar-no-dia-da-terra"><strong>impactos ambientais</strong></a> dos centros de dados e ainda, os&nbsp;<em>chatbots</em> que incitam as pessoas ao&nbsp;<strong>suicídio</strong>. Algoritmos que "se transformam em consciências" e decidem nos matar a todos "não é o problema que me preocupa", explica ela.</p><p dir="ltr">Mas Bengio argumenta que&nbsp;<strong>a IA não precisa ser autoconsciente para representar uma ameaça existencial</strong>. Uma ferramenta de IA&nbsp;<strong>treinada em virologia</strong>, diz ele, poderia se tornar uma&nbsp;<strong>ferramenta</strong> para um&nbsp;<strong>terrorista criar&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/09/conheca-as-cinco-pandemias-mais-mortais-da-historia-da-humanidade"><strong>uma pandemia</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em teoria, uma&nbsp;<strong>IA poderia conceber a ideia de tal arma</strong>&nbsp;<strong>por conta própria</strong>, especialmente se visse a humanidade como um obstáculo. Pesquisadores já realizaram experimentos que mostram que modelos sofisticados se envolvem em&nbsp;<strong>chantagem</strong>,&nbsp;<strong>espionagem corporativa e até assassinato</strong> para evitar serem desligados.</p><p dir="ltr">“Em muitos experimentos, vemos a&nbsp;<strong>IA demonstrando um senso de autopreservação</strong>”, explica Bengio. “Elas&nbsp;<strong>farão coisas para garantir que não sejam desligada</strong>s. Inclusive coisas ruins.”</p><p dir="ltr">Embora esses experimentos&nbsp;<strong>não sejam de forma alguma uma prova</strong> de que a IA um dia tentará exterminar a humanidade, Bengio afirma que “<strong>não podemos ignorar o problema</strong>”, pois consideramos esse cenário altamente improvável.</p><p dir="ltr">Ironicamente, Mitchell diz que uma das razões pelas quais vemos&nbsp;<strong>modelos tomando atitudes antiéticas</strong> é que eles são expostos a histórias sobre IA desonesta em seus dados de treinamento — e então começam a&nbsp;<strong>representar esses personagens e comportamentos</strong>. Se provocada com o cenário certo, uma IA tentaria se passar por HAL um dia? Essa possibilidade traz uma nova perspectiva para o debate.</p><p>“<strong>Elas realmente se sentem ameaçadas</strong> ou estão apenas representando esses tropos de ficção científica com os quais foram treinadas?”, questiona Mitchell. “<strong>Em termos de consequências para nós, qual é a diferença?</strong>”</p>]]></content:encoded></item><item><title>Onde a Nasa está procurando por aliens no Sistema Solar? Conheça as descobertas mais recentes</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/onde-a-nasa-esta-procurando-por-aliens-no-sistema-solar-conheca-as-descobertas-mais-recentes</link><description><![CDATA[Em setembro de 2025, a Nasa anunciou a descoberta de um possível sinal de vida extraterrestre no Espaço, conhecido como potencial bioassinatura, em Marte. O rover Perseverance, que explora o leito seco de um lago há anos, encontrou vestígios de antigas reações de oxirredução, que podem ser produzidas tanto por vida quanto por processos geológicos.Embora a origem das reações permaneça incerta,...]]></description><category>Espaço</category><pubDate>Tue, 24 Feb 2026 10:16:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/02/onde-a-nasa-esta-procurando-por-aliens-no-sistema-solar-conheca-as-descobertas-mais-recentes</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/pia04304.jpg?w=1600" length="561217" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Em setembro de 2025, a Nasa anunciou a descoberta de&nbsp;<strong>um possível sinal de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2021/08/e-possivel-acompanhar-a-busca-por-vida-extraterrestre-saiba-onde"><strong>vida extraterrestre</strong></a> no Espaço, conhecido como&nbsp;<strong>potencial bioassinatura, em Marte</strong>. O&nbsp;<strong>rover Perseverance</strong>, que explora o leito seco de um lago há anos,&nbsp;<strong>encontrou vestígios de antigas reações de oxirredução</strong>, que podem ser produzidas<strong> tanto por vida</strong> quanto por&nbsp;<strong>processos geológicos</strong>.</p><p dir="ltr">Embora<strong> a origem das reações permaneça incerta</strong>, essa&nbsp;<strong>descoberta instigante</strong> representa o capítulo mais recente na&nbsp;<strong>busca por bioassinaturas</strong> em mundos&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2024/07/e-se-os-alienigenas-existirem-mas-estiverem-se-escondendo-de-nos-conheca-a-curiosa-teoria-da-floresta-negra"><strong>extraterrestres</strong></a>. Por meio século, os cientistas têm se fascinado e intrigado com compostos e estruturas ambíguas em nossos planetas vizinhos — e, cada vez mais, em exoplanetas além do nosso sistema solar.&nbsp;</p><p dir="ltr">Veja aqui um&nbsp;<strong>resumo das descobertas mais recentes e intrigantes&nbsp;</strong>e o que elas significam para nossa&nbsp;<strong>busca por vida</strong> em outros lugares do&nbsp;<strong>Universo</strong>.</p><p dir="ltr">(Leia também<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/a-arca-de-noe-dos-microbios-cientistas-criam-plano-para-salvar-as-menores-formas-de-vida-da-terra"><em>: A “Arca de Noé” dos micróbios: cientistas criam plano para salvar as menores formas de vida da Terra</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113935_0"><strong>O que é um potencial bioassinatura em relação aos extraterrestres?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Vale ressaltar que a definição de&nbsp;<strong>um potencial&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/06/qual-e-a-origem-da-vida-segundo-a-ciencia"><strong>bioassinatura</strong></a><strong> é imprecisa</strong>. Processos geológicos podem produzir&nbsp;<strong>estruturas complexas</strong>, como<strong> cristais e polímeros,</strong> que dificultam a distinção entre sinais de vida e processos não biológicos.</p><p dir="ltr">“Se você perguntar:&nbsp;<strong>quão complexa pode ser a química não biológica?</strong> — a resposta é química biológica, porque a química biológica deriva da química não biológica”, afirma<strong> Sean McMahon</strong>,&nbsp;<strong>astrobiólogo&nbsp;</strong>que lidera o Grupo de Paleobiologia Planetária da Universidade de Edimburgo, na Escócia.</p><p dir="ltr">De fato,&nbsp;<strong>existem estruturas na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/09/a-origem-da-terra-como-foi-a-jornada-cosmica-que-formou-o-planeta"><strong>Terra</strong></a><strong> que não se encaixam&nbsp;</strong>claramente&nbsp;<strong>nas categorias biótica ou abiótica</strong>.&nbsp;<strong>Frances Westall</strong>, diretora emérita de pesquisa e ex-diretora do Grupo de Exobiologia do Centro de Biofísica Molecular na França, conta que<strong> levou quase 20 anos</strong> para&nbsp;<strong>confirmar a origem biológica de micróbios fossilizados&nbsp;</strong>australianos que datam de 3,45 bilhões de anos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Em um estudo publicado em setembro de 2025, sua equipe afirmou que esses&nbsp;<strong>micróbios</strong>, conhecidos como&nbsp;<strong>quimiolitotróficos</strong>, podem ser&nbsp;<strong>uma forma comum de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2024/07/e-se-os-alienigenas-existirem-mas-estiverem-se-escondendo-de-nos-conheca-a-curiosa-teoria-da-floresta-negra"><strong>vida extraterrestre</strong></a> que “são notoriamente&nbsp;<strong>difíceis de detectar e identificar</strong>”.</p><p dir="ltr">“Tive que esperar até que houvesse um&nbsp;<strong>instrumento adequado que pudesse medir essas pequenas coisas&nbsp;</strong>e conseguir detectar&nbsp;<strong>quantidades mínimas de carbono</strong>”, afirma Westall. “Levou uma eternidade, mas<strong> finalmente conseguimos os resultados conclusivos&nbsp;</strong>que tanto desejávamos.”</p><p dir="ltr">A possibilidade de&nbsp;<strong>formas de vida abstratas ou inesperadas</strong>, bem como a presença de<strong> novos processos geológicos</strong>, pode dificultar até mesmo a&nbsp;<strong>definição de um padrão para bioassinaturas</strong>.</p><p dir="ltr">“<strong>Estamos procurando um sinal</strong> acima de um nível de referência e, na maioria das vezes,&nbsp;<strong>não sabemos o que está nesse nível de referência</strong>”, diz McMahon. É por isso que a busca por potenciais bioassinaturas tem uma história tão nebulosa,<strong> tanto no planeta Terra quanto além dele</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/12/quem-foi-carl-sagan-o-cientista-que-desvendou-o-cosmos-e-combateu-a-desinformacao"><em>Quem foi Carl Sagan, o cientista que desvendou o Cosmos e combateu a desinformação</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113935_1"><strong>O experimento da missão Viking, da Nasa</strong></h2><p dir="ltr"><br>As&nbsp;<strong>sondas Viking da Nasa pousaram em&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/11/marte-tem-diversas-semelhancas-com-a-terra-descubra-4-curiosidades-sobre-o-planeta"><strong>Marte</strong></a><strong> no verão de 1976</strong>, tornando-se os&nbsp;<strong>primeiros robôs operacionais</strong> em sua superfície. As sondas estavam equipadas com um&nbsp;<strong>experimento chamado&nbsp;</strong><em><strong>Labeled Release</strong></em>, que misturava amostras marcianas com água e nutrientes para&nbsp;<strong>detectar atividade biológica</strong>.</p><p dir="ltr">O experimento consistia em&nbsp;<strong>procurar gases emitidos&nbsp;</strong>pela amostra enriquecida com nutrientes que pudessem então<strong> revelar processos metabólicos de micróbios no solo marciano</strong>. Surpreendentemente,&nbsp;<strong>o teste detectou os mesmos gases</strong> que se esperava encontrar&nbsp;<strong>caso houvesse vida no solo</strong>, um resultado que corroborou testes anteriores com solo terrestre contendo micróbios.</p><p dir="ltr">Embora o resultado fosse tentador, o&nbsp;<strong>experimento não reproduziu os mesmos resultados de forma consistente em testes subsequentes</strong>. Além disso, à medida que os cientistas aprendiam mais sobre&nbsp;<strong>a química do solo marciano</strong>, ficou claro que&nbsp;<strong>compostos abióticos comuns em Marte</strong> poderiam ter liberado os misteriosos gases detectados pela&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2023/07/construidos-por-aliens-conheca-7-locais-antigos-que-parecem-de-outro-mundo"><strong>sonda Viking</strong></a>.</p><p dir="ltr">Os resultados&nbsp;<strong>são agora amplamente considerados inconclusivos</strong>, na melhor das hipóteses, e muitas explicações abióticas possíveis foram propostas. Independentemente disso, todo&nbsp;<strong>o episódio desencadeou uma controvérsia</strong> que já dura décadas no mundo científico: sobre&nbsp;<strong>se a missão Viking realmente encontrou&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2024/06/por-que-a-vida-alienigena-pode-ser-roxa-veja-o-que-dizem-os-pesquisadores"><strong>extraterrestres</strong></a>.</p><p dir="ltr">“<strong>Ainda não entendemos completamente o que aconteceu</strong>, o que é um pouco chocante quando paramos para pensar”, comenta McMahon. “Foi um&nbsp;<strong>experimento falho</strong>, sujeito tanto a falsos positivos quanto a falsos negativos.”</p><p dir="ltr">Westall acredita que&nbsp;<strong>provavelmente existe uma explicação não biológica&nbsp;</strong>para o&nbsp;<strong>mistério da Viking</strong>, como a presença de compostos reativos no solo marciano capazes de produzir os gases detectados. Mas ela acrescenta que&nbsp;<strong>“podemos ser surpreendidos</strong>”.</p><p dir="ltr">“É muito<strong> difícil afirmar com 100% de certeza se é positivo ou 100% negativo</strong>”, diz ela. “Minha impressão é que a análise foi interessante, mas simplesmente<strong> não temos dados suficientes</strong> para afirmar&nbsp;<strong>que seja um indício de vida existente</strong>.”</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2025/09/descoberta-pela-nasa-a-melhor-evidencia-da-existencia-de-vida-antiga-em-marte-ate-agora"><em>Descoberta pela Nasa a melhor evidência da existência de vida antiga em Marte – até agora</em></a>)</p><h2 dir="ltr"  id="header_3113937_0"><strong>Um meteorito marciano</strong></h2><p dir="ltr"><br>Duas décadas depois:&nbsp;<strong>em 1996</strong>, o então presidente dos Estados Unidos,&nbsp;<strong>Bill Clinton</strong>,&nbsp;<strong>anunciou a “possível descoberta de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2022/12/no-fim-das-contas-pode-realmente-existir-vida-em-marte"><strong>vida em Marte</strong></a><strong>”&nbsp;</strong>após cientistas identificarem&nbsp;<strong>estruturas estranhas</strong> em um&nbsp;<strong>meteorito marciano que caiu na Antártida</strong>, que ficou conhecido como&nbsp;<strong>Allan Hills 84001</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Embora os&nbsp;<strong>pesquisadores inicialmente tenham especulado</strong> que as estruturas poderiam ser “restos fósseis de uma&nbsp;<strong>antiga biota marciana</strong>”, atualmente já existe um&nbsp;<strong>consenso generalizado&nbsp;</strong>de que elas podem ser explicadas pela&nbsp;<strong>geoquímica abiótica</strong>.</p><p dir="ltr">A história do meteorito Allan Hills muitas vezes é vista como um&nbsp;<strong>exemplo de cautela em relação a conclusões precipitadas</strong>, mas também ajudou a&nbsp;<strong>estimular o interesse público</strong> e o investimento acadêmico na busca por vida.</p><p dir="ltr">“Apesar de suas&nbsp;<strong>interpretações estarem erradas</strong>, o estudo realmente<strong> impulsionou o campo da astrobiologia</strong>”, afirma Westall. “Sabemos muito mais agora, 30 anos depois da publicação daquele artigo.”</p><h2 dir="ltr"  id="header_3113937_1"><strong>Bioassinaturas atmosféricas</strong></h2><p dir="ltr"><br>Além de&nbsp;<strong>buscar&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2024/06/por-que-a-vida-alienigena-pode-ser-roxa-veja-o-que-dizem-os-pesquisadores"><strong>sinais de vida</strong></a><strong> na superfície de outros mundos</strong>, os cientistas estão cada vez mais&nbsp;<strong>observando os céus de planetas distantes</strong> em busca de composições químicas atmosféricas que possam indicar atividade biológica.</p><p dir="ltr"><strong>Em 2021</strong>, uma equipe relatou a&nbsp;<strong>detecção de fosfina</strong>, um composto com&nbsp;<strong>origens bióticas e abióticas</strong>, na atmosfera de&nbsp;<strong>Vênus</strong>. No início deste ano, outra equipe relatou uma&nbsp;<strong>possível bioassinatura</strong> atmosférica no<strong> exoplaneta K2-18b</strong>, localizado a cerca de 124 anos-luz da Terra.&nbsp;</p><p dir="ltr">Ambos os resultados geraram&nbsp;<strong>forte reação e inspiraram pesquisas</strong> sobre&nbsp;<strong>explicações não biológicas</strong>, o que provavelmente será um tema recorrente nos próximos anos, à medida que exploramos mais profundamente os céus extraterrestres.</p><p dir="ltr">“Ainda estamos quase&nbsp;<strong>arranhando a superfície da química das atmosferas dos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2023/09/este-planeta-acaba-de-se-tornar-um-dos-mais-provaveis-a-ter-vida-extraterrestre"><strong>exoplanetas</strong></a>”, explica McMahon. “A maneira de&nbsp;<strong>encontrarmos vida começa com uma observação</strong> que não conseguimos explicar, e então o verdadeiro trabalho consiste em&nbsp;<strong>descobrir todas as explicações possíveis</strong> e fazer o trabalho de detetive científico.”</p><p dir="ltr">Nesse sentido, a&nbsp;<strong>nova descoberta de reações redox pela&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2025/05/estamos-sozinhos-no-universo-estas-rochas-de-marte-podem-finalmente-dar-uma-resposta"><strong>missão Perseverance</strong></a><strong> é empolgante</strong>, mas é apenas o começo de uma nova história, não a conclusão. O&nbsp;<strong>plano final é enviar outra espaçonave a Marte</strong> para coletar as&nbsp;<strong>amostras da Perseverance e trazê-las de volta&nbsp;</strong>à Terra, onde poderão ser examinadas minuciosamente.&nbsp;</p><p dir="ltr">Esse esforço poderia potencialmente&nbsp;<strong>revelar se a Perseverance já descobriu vida extraterrestre</strong>, embora a missão de retorno das amostras esteja&nbsp;<strong>ameaçada</strong> pelos&nbsp;<strong>cortes propostos pelo governo atual&nbsp;</strong>para a Nasa.</p><p dir="ltr"><strong>Talvez um dia, sejamos capazes de identificar claramente</strong> uma verdadeira&nbsp;<strong>bioassinatura extraterrestre</strong>, finalmente resolvendo o grande&nbsp;<strong>enigma de estarmos ou não sozinhos no universo</strong>. Mas provavelmente precisaremos de muita paciência e dedicação para alcançar esse marco.</p><p>"Seria terrivelmente emocionante<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2021/06/astronomos-identificam-estrelas-de-onde-alienigenas-conseguiriam-observar-a-terra">", afirma Westall sobre&nbsp;<strong>a possível descoberta de vida&nbsp;</strong></a><strong>alienígena</strong>. "Mas acho que provavelmente será como procurar uma agulha num palheiro."</p><blockquote><p><em>Becky Ferreira é autora do livro “</em>First Contact:&nbsp;The Story of Our Obsession With Aliens<em>” (em tradução livre, “Primeiro Contato: A História da Nossa Obsessão por Alienígenas”).</em></p></blockquote>]]></content:encoded></item><item><title>O que acontece no cérebro quando procrastinamos? Saiba como evitar a autossabotagem</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/o-que-acontece-no-cerebro-quando-procrastinamos-saiba-como-evitar-a-autossabotagem</link><description><![CDATA[O prazo de entrega da tarefa está no seu calendário há semanas. Mas, na noite anterior, o trabalho ainda não está concluído. Talvez você tenha subestimado o tempo necessário, pensado demais em como fazer tudo certo ou se preocupado com a recepção do público.Se esse cenário lhe parece familiar, você pode estar vivenciando uma forma de autossabotagem, um padrão “que impomos a nós mesmos, muitas...]]></description><category>Ciência</category><pubDate>Mon, 23 Feb 2026 19:15:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/o-que-acontece-no-cerebro-quando-procrastinamos-saiba-como-evitar-a-autossabotagem</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/gettyimages-2043296176.jpg?w=1600" length="869768" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O&nbsp;<strong>prazo de entrega da tarefa</strong> está no seu calendário&nbsp;<strong>há semanas</strong>. Mas, na&nbsp;<strong>noite anterior</strong>, o trabalho<strong> ainda não está concluído</strong>. Talvez você tenha<strong> subestimado&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/07/quanto-tempo-o-cerebro-leva-para-memorizar"><strong>o tempo</strong></a><strong> necessário</strong>, pensado demais em como fazer tudo certo ou se preocupado com a recepção do público.</p><p dir="ltr">Se esse cenário lhe parece familiar, você pode estar vivenciando uma forma de&nbsp;<strong>autossabotagem</strong>, um padrão “que impomos a nós mesmos,&nbsp;<strong>muitas vezes inconscientemente</strong>, e que acaba&nbsp;<strong>sabotando nossas vidas</strong>, nossos planos ou até nossos objetivos”, afirma&nbsp;<strong>Charlie Heriot-Maitland</strong>, psicóloga clínica e autora do livro “<em>Controlled Explosions in Mental Health</em>” (em tradução livre em português: “Explosões Controladas na&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/11/o-que-e-saude-mental-segundo-a-oms"><strong>Saúde Mental</strong></a>”), ainda inédito.</p><p dir="ltr">Em vez de uma falta de motivação ou disciplina, a&nbsp;<strong>autossabotagem pode ter origem</strong> na forma&nbsp;<strong>como o cérebro reage a ameaças percebidas</strong>. Heriot-Maitland argumenta que ela pode “derivar de&nbsp;<strong>mecanismos evolutivos de sobrevivência</strong>”.&nbsp;<strong>Traumas</strong>,&nbsp;<strong>medos</strong> e&nbsp;<strong>padrões aprendidos</strong> podem reforçar ainda mais essa resposta.</p><p dir="ltr">O resultado é&nbsp;<strong>um ciclo silencioso</strong>: comportamentos que parecem protetores no momento —<strong> adiamento, evitação, autocrítica</strong> — podem<strong> impedir que as pessoas alcancem os objetivos</strong> que mais lhes importam, muitas vezes sem que elas se deem conta. “Muitos desses&nbsp;<strong>ciclos de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/09/como-o-corpo-reage-quando-sentimos-medo"><strong>medo</strong></a><strong> simplesmente os mantêm estagnados&nbsp;</strong>ou até mesmo os fazem regredir”, acrescenta Heriot-Maitland.</p><p dir="ltr">Entender<strong> por que a autossabotagem acontece</strong>, dizem os pesquisadores, é o primeiro passo para interrompê-la. Veja aqui está o que os cientistas sabem sobre&nbsp;<strong>por que o cérebro faz isso</strong> — e o que pode ajudar a&nbsp;<strong>mudar esse padrão</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Ciência, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/02/a-dieta-nordica-tem-muitos-beneficios-e-anti-inflamatoria-pode-ajudar-a-dormir-melhor-e-viver-mais"><em>A dieta nórdica tem muitos benefícios: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais</em></a>)</p><h2 dir="ltr"  id="header_3113890_0"><strong>O que é autossabotagem?</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>autossabotagem</strong> refere-se a<strong> pensamentos e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/06/como-se-produzem-as-emocoes-humanas"><strong>sentimentos</strong></a><strong> que minam seus objetivos de longo prazo</strong>, afirma&nbsp;<strong>Tim Pychyl</strong>, psicólogo que estuda a procrastinação e autor do livro "<em>Solving the Procrastination Puzzle</em>" (em tradução livre: “Desvendando o Enigma da Procrastinação”).&nbsp;</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>maioria das pessoas&nbsp;</strong>experimenta<strong> alguma forma de autossabotagem&nbsp;</strong>em algum momento, dizem os pesquisadores, embora para algumas ela permaneça&nbsp;<strong>ocasional</strong>, enquanto para outras se torna&nbsp;<strong>persistente e prejudicial</strong>.</p><p dir="ltr">Ela pode<strong> assumir muitas formas diferentes</strong>, incluindo&nbsp;<strong>procrastinação</strong>,<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/07/transtorno-alimentar-pode-estar-relacionado-ao-tdah-dizem-especialistas"><strong>compulsão alimentar</strong></a>,&nbsp;<strong>gastos excessivos</strong>,&nbsp;<strong>obsessão por jogos de azar</strong> ou&nbsp;<strong>vícios diversos</strong>, afirma Pychyl. Além de comportamentos nocivos como&nbsp;<strong>perfeccionismo</strong>,&nbsp;<strong>pessimismo</strong>,&nbsp;<strong>autocrítica&nbsp;</strong>ou&nbsp;<strong>automutilação</strong> são outras maneiras de autossabotagem, acrescenta Heriot-Maitland.</p><p dir="ltr"><strong>Quem se autossabota</strong> é frequentemente percebido&nbsp;<strong>erroneamente como preguiçoso ou indisciplinado</strong>, diz Pychyl, mas há uma diferença.<strong> Na procrastinação</strong>,&nbsp;<strong>por exemplo</strong>, você quer e está&nbsp;<strong>disposto a concluir uma tarefa</strong>, mas fatores emocionais ou&nbsp;<strong>psicológicos atrapalham</strong>. Já quando é um caso de&nbsp;<strong>preguiça</strong>, há uma "<strong>falta de vontade de se esforçar</strong>", afirma ele.</p><h2 dir="ltr"     id="header_3113894_0"><strong>Por que nos autossabotamos?</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>autossabotagem provavelmente tem múltiplas causas</strong>, e mais pesquisas são necessárias para&nbsp;<strong>compreendê-la</strong> completamente, afirma&nbsp;<strong>Philip Jean-Richard-dit-Bressel</strong>, professor sênior de psicologia da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney, Austrália, que estuda a&nbsp;<strong>psicobiologia da tomada de decisões</strong> e do comportamento.</p><p dir="ltr">Um mecanismo fundamental é<strong> a resposta de luta ou fuga</strong>, ou&nbsp;<strong>resposta ao&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/09/saiba-se-voce-sofre-de-estresse-cronico"><strong>estresse</strong></a>, explica Pychyl. Essa&nbsp;<strong>resposta automática</strong> de sobrevivência&nbsp;<strong>é ativada na amígdala</strong>, a parte do cérebro que regula as&nbsp;<strong>emoções e as memórias</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">De uma<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/02/como-charles-darwin-deu-inicio-a-teoria-da-evolucao-a-resposta-veio-em-sua-primeira-e-unica-viagem-ao-redor-do-mundo"><strong>perspectiva evolutiva</strong></a>, a resposta foi projetada para&nbsp;<strong>proteger o indivíduo de ameaças</strong> que representavam risco de vida ou morte para os primeiros humanos.</p><p dir="ltr"><strong>Ameaças modernas</strong>, como&nbsp;<strong>prazos ou críticas</strong>, ainda podem ativar essa resposta, mesmo que não sejam fisicamente perigosas, acrescenta Pychyl.</p><p dir="ltr">Quando isso acontece, as pessoas podem r<strong>ecorrer a comportamentos que reduzem o desconforto&nbsp;</strong>ou proporcionam uma sensação de segurança momentânea, como&nbsp;<strong>ignorar prazos</strong>, tomar&nbsp;<strong>decisões precipitadas ou ser autocríticas</strong>, mesmo quando essas escolhas frequentemente acarretam consequências, afirma Heriot-Maitland. Dessa forma, a&nbsp;<strong>autossabotagem</strong> se torna um&nbsp;<strong>mecanismo de autoproteção</strong>.</p><p dir="ltr">Por exemplo, se você não terminar sua apresentação, pode estar se&nbsp;<strong>protegendo de medos subjacentes de fracasso ou julgamento</strong>: "Vou causar esse pequeno prejuízo agora para evitar um prejuízo maior", diz Heriot-Maitland.</p><p dir="ltr">Esse alívio pode parecer&nbsp;<strong>gratificante a curto prazo</strong>, acrescenta Pychyl, "mas acaba&nbsp;<strong>se voltando contra nós</strong>".</p><p dir="ltr">Algumas pessoas podem ser&nbsp;<strong>biologicamente mais propensas a esses padrões</strong> do que outras. Um&nbsp;<strong>estudo de 2018</strong> publicado na revista científica&nbsp;<em>Psychological Science</em> encontrou uma ligação entre um maior&nbsp;<strong>volume da amígdala e a "orientação para o estado"</strong>, ou seja, uma tendência a&nbsp;<strong>hesitar e adiar o início de ações</strong>, o que pode prejudicar o "comportamento direcionado a objetivos".&nbsp;</p><p dir="ltr">Além disso,&nbsp;<strong>sob&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/06/os-cientistas-podem-resolver-o-estresse-veja-como-eles-estao-tentando"><strong>estresse</strong></a>, a&nbsp;<strong>atividade</strong> no&nbsp;<strong>córtex pré-frontal do cérebro&nbsp;</strong>— responsável pelo planejamento e autocontrole — pode ser&nbsp;<strong>reduzida</strong>, dificultando a supressão dos impulsos de evitação gerados pela amígdala.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/11/como-o-estresse-afeta-o-corpo"><em>Como o estresse afeta o corpo?</em></a>)</p><p dir="ltr">A<strong> autossabotagem também</strong> pode ser aprendida e&nbsp;<strong>se tornar um hábito</strong>. Por exemplo, crescer em um&nbsp;<strong>ambiente de críticas severas</strong> pode&nbsp;<strong>ativar seu sistema de alerta&nbsp;</strong>em qualquer situação em que você receba feedback, afirma Heriot-Maitland.</p><p dir="ltr">Pesquisas sugerem que&nbsp;<strong>os procrastinadores</strong>, especificamente, costumam&nbsp;<strong>adotar comportamentos de autopreservação</strong>. Um estudo mais antigo, publicado no<em> Journal of Research in Personality</em>, descobriu que os procrastinadores frequentemente&nbsp;<strong>criam obstáculos externos</strong> — como&nbsp;<strong>esperar até o último minuto</strong> — e atribuem o baixo desempenho a esses obstáculos, o que pode ajudar a&nbsp;<strong>preservar a autoestima</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>As experiências da infância também podem ser importantes</strong>. Algumas pesquisas sugerem que pessoas com&nbsp;<strong>pais emocionalmente imaturos</strong> ou que sofreram&nbsp;<strong>negligência emocional&nbsp;</strong>por parte dos pais podem ser mais propensas à autossabotagem.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>medo do fracasso é outro fator comum</strong>, afirma Hal Hershfield, professor de marketing e tomada de decisões comportamentais na Universidade da Califórnia, Los Angeles (Estados Unidos), e autor do livro "<em>Your Future Self</em>" (em tradução livre, “Seu Eu do Futuro”). "Ironicamente,&nbsp;<strong>o medo de fracassar me impede de fazer algo</strong>, e então acabo fracassando."</p><p dir="ltr">As pessoas também tendem a&nbsp;<strong>supervalorizar o presente e desconsiderar o futuro</strong>, o que leva à procrastinação, diz Hershfield. Muitas pessoas também "simplesmente têm muita&nbsp;<strong>dificuldade em associar ações a resultados</strong>", acrescenta Jean-Richard-dit-Bressel.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113896_0"><strong>Como parar de se autossabotar?</strong></h2><p dir="ltr"><br>A<strong> autossabotagem nem sempre está sob "controle consciente</strong>, mas existe um padrão aprendido que você pode desaprender", diz Heriot-Maitland.</p><p dir="ltr">Aqui estão algumas abordagens que os pesquisadores dizem que podem&nbsp;<strong>ajudar a reduzir a autossabotagem</strong>:</p><h2 class="h3"    id="header_3113896_1"><strong>Pratique mindfulness ou&nbsp; meditação</strong></h2><p dir="ltr"><strong>Tomar consciência das suas reações internas</strong> — como&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/10/para-alem-dos-sustos-e-dos-filmes-de-terror-o-que-o-medo-faz-com-seu-cerebro-e-seu-corpo"><strong>o medo</strong></a> do fracasso ou a&nbsp;<strong>vontade de procrastinar</strong> — é um primeiro passo importante, afirma Pychyl. O objetivo&nbsp;<strong>não é eliminar esses sentimentos</strong>, mas reconhecer que&nbsp;<strong>você não precisa agir de acordo com eles</strong>, o que muitas vezes é mais fácil dizer do que fazer.</p><p dir="ltr">“As pessoas&nbsp;<strong>nem sempre têm plena consciência</strong> de como seu comportamento está sabotando a busca por seus objetivos”, diz Jean-Richard-dit-Bressel.</p><p dir="ltr">Uma maneira de&nbsp;<strong>desenvolver essa percepção</strong> é analisar como você normalmente lida com tarefas ou situações e o que essas reações tendem a produzir, explica ele. Para isso, a<strong> prática de mindfullness ou&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/05/o-que-e-meditacao-e-como-ela-pode-melhorar-a-saude-mental"><strong>meditação</strong></a> pode ser interessante para<strong> ajudar nesse processo</strong>. Se isso for difícil, pergunte a um amigo ou parente de confiança como eles veem sua autossabotagem.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/06/veja-7-maneiras-simples-de-melhorar-sua-saude-mental-de-acordo-com-a-ciencia"><em>Veja 7 maneiras simples de melhorar sua saúde mental, de acordo com a ciência</em></a>)</p><h2 class="h3"    id="header_3113896_2"><strong>Desenvolva a autocompaixão</strong></h2><p dir="ltr">Uma vez que esses&nbsp;<strong>padrões estejam mais claros</strong>, diz Heriot-Maitland, o próximo passo é&nbsp;<strong>responder com autocompaixão em vez de autocrítica</strong>.</p><p dir="ltr">Criar uma distância entre seu comportamento passado e&nbsp;<strong>o que você espera para o futuro&nbsp;</strong>também é importante, afirma Hershfield. Pesquisas sugerem que<strong> o autoperdão</strong>, o&nbsp;<strong>reconhecimento de erros&nbsp;</strong>passados ​​sem se apegar a eles, pode ajudar algumas pessoas a&nbsp;<strong>evitar a repetição do padrão</strong>.</p><p dir="ltr">Ele acrescenta que,&nbsp;<strong>quando você se sentir tentado a procrastinar</strong> ou ser excessivamente autocrítico, considere&nbsp;<strong>como se sentirá amanhã</strong> ou na próxima semana por causa disso.</p><p dir="ltr">“<strong>Não podemos controlar as coisas que tornam&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2021/03/sonhos-oraculo-sidarta-ribeiro-prever-o-futuro"><strong>o futuro</strong></a><strong> incerto</strong>, mas podemos controlar as respostas que damos às ameaças agora”, diz Hershfield. “Uma maneira de fazer isso é lidar com os comportamentos, lidar com os tipos de situações que podem piorar as coisas para nós.”</p><h2 class="h3"    id="header_3113896_3"><strong>Procure terapia, se necessário</strong></h2><p dir="ltr">Para algumas pessoas, o apoio profissional é essencial. A&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/01/tres-terapias-antigas-que-podem-aliviar-o-corpo-e-a-mente"><strong>terapia&nbsp;</strong></a><strong>cognitivo-comportamental</strong>, um tipo de&nbsp;<strong>psicoterapia</strong> que ajuda os indivíduos a&nbsp;<strong>identificar e modificar padrões&nbsp;</strong>e comportamentos que interferem no seu bem-estar, é&nbsp;<strong>frequentemente recomendada</strong> para pessoas que lutam contra a autossabotagem, afirma Pychyl.</p><p dir="ltr"><strong>Abordar medos subjacentes ou traumas passados</strong> ​​costuma ser necessário, acrescenta Heriot-Maitland. “Tentamos entender quais são esses medos que estão impulsionando esses padrões em você. Há muito que podemos fazer a respeito, mas<strong> leva tempo e não existem soluções rápidas</strong>.”</p><p>Com o tempo,&nbsp;<strong>aprender a interromper padrões de autossabotagem&nbsp;</strong>pode facilitar a busca por objetivos de longo prazo, diz Pychyl —&nbsp;<strong>não forçando a mudança, mas compreendendo&nbsp;</strong>o que está motivando o comportamento em primeiro lugar.</p>]]></content:encoded></item><item><title>No Egito Antigo, os cachorros eram considerados divinos. Os vira-latas de hoje podem recuperar a antiga glória?</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/no-egito-antigo-os-cachorros-eram-considerados-divinos-os-vira-latas-de-hoje-podem-recuperar-a-antiga-gloria</link><description><![CDATA[Cairo — Caminhe por qualquer rua do Egito e provavelmente encontrará um cachorro peculiar com orelhas eretas, pernas finas e cauda encaracolada. Os cães Baladi, como são chamados esses cachorros de rua (similares aos vira-latas brasileiros), podem chegar a 15 milhões em todo o país — um filhote aventureiro chegou até ao topo da pirâmide mais alta do Egito.As origens desses cachorros de rua — a...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Mon, 23 Feb 2026 10:15:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/no-egito-antigo-os-cachorros-eram-considerados-divinos-os-vira-latas-de-hoje-podem-recuperar-a-antiga-gloria</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/2hjjcwpcrop.jpg?w=1600" length="1349243" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Cairo — Caminhe por&nbsp;<strong>qualquer rua do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/11/o-novo-grande-museu-egipcio-e-faraonico-mas-por-que-tesouros-importantes-do-egito-antigo-nao-estao-la"><strong>Egito</strong></a> e provavelmente&nbsp;<strong>encontrará um cachorro peculiar&nbsp;</strong>com orelhas eretas, pernas finas e cauda encaracolada. Os<strong> cães Baladi</strong>,&nbsp;<strong>como são chamados</strong> esses cachorros de rua (<strong>similares aos vira-latas brasileiros</strong>), podem chegar a&nbsp;<strong>15 milhões em todo o país</strong> — um filhote aventureiro chegou até ao topo da pirâmide mais alta do Egito.</p><p dir="ltr">As&nbsp;<strong>origens</strong> desses<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2020/01/caes-de-rua-possuem-habilidade-nata-para-entender-gestos-humanos"><strong>cachorros de rua</strong></a> — a palavra egípcia baladi significa local —<strong> são controversas</strong>. Alguns afirmam que são&nbsp;<strong>descendentes de raças modernas</strong>, como o&nbsp;<strong>saluki egípcio</strong>, o&nbsp;<strong>cão faraó e o cão de Canaã</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Já outras pessoas&nbsp;<strong>acreditam que os cães Baladi são uma raça própria</strong>, descendentes de<strong> cães ancestrais reverenciados pelos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/09/a-epoca-dos-faraos-teve-periodos-de-paz-a-resposta-esta-no-casal-real-mais-poderoso-do-egito-antigo"><strong>faraós</strong></a>.</p><p dir="ltr">Embora os&nbsp;<strong>egípcios sempre tenham respeitado os cães</strong>, nas últimas décadas&nbsp;<strong>os Baladis</strong> têm sido alvo de&nbsp;<strong>forte perseguição</strong>, com pessoas&nbsp;<strong>envenenando</strong>,&nbsp;<strong>afogando ou espancando</strong> os animais até a morte, de acordo com a Sociedade para a Proteção dos Direitos dos Animais no Egito.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Animais, leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/a-vida-das-chitas-no-serengeti-mostrada-como-nunca-leoes-hienas-e-outras-ameacas-ao-felino-mais-rapido-do-mundo"><em>A vida das chitas no Serengeti mostrada como nunca: leões, hienas e outras ameaças ao felino mais rápido do mundo</em></a>)</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>má reputação desses cachorros tem várias raízes</strong>, incluindo sua rápida reprodução e&nbsp;<strong>o medo</strong> de que sejam portadores de&nbsp;<strong>raiva</strong>.&nbsp;<strong>Contrair&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/09/quais-animais-podem-transmitir-a-raiva"><strong>raiva</strong></a><strong> de cães é raro</strong>; em média, 60 pessoas morrem anualmente de raiva no Egito devido a mordidas de animais, que podem incluir cães, de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS).</p><p dir="ltr">Algumas pessoas também&nbsp;<strong>acreditam erroneamente que os cães são impuros no Islã</strong>. O&nbsp;<em>Dar al-Ifta</em>, conselho consultivo religioso do Egito, afirma que&nbsp;<strong>os&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/12/como-os-cachorros-perdidos-encontram-o-caminho-de-volta-para-casa-veja-o-que-a-ciencia-descobriu"><strong>cachorros</strong></a><strong> são puros e que a lei islâmica proíbe o abate de animais de rua</strong> inofensivos, particularmente com veneno.</p><p dir="ltr">Para&nbsp;<strong>combater a má reputação dos cães Baladi</strong>, grupos de proteção e resgate animal estão propondo<strong> abordagens mais humanas&nbsp;</strong>para o manejo desses animais. Por exemplo, diversas ONGs egípcias realizam um programa chamado captura, esterilização e soltura, no qual os cães Baladi são<strong> esterilizados e depois devolvidos às ruas</strong>.</p><p dir="ltr">Outros grupos, como o&nbsp;<em>My New Life Rescue</em>, também incentivaram a&nbsp;<strong>adoção de cachorros Baladi</strong>, destacando&nbsp;<strong>sua inteligência e docilidade</strong>. A organização sem fins lucrativos, fundada em 2023, mantém um&nbsp;<strong>centro de resgate no Cairo</strong>, onde os socorristas&nbsp;<strong>cuidam de mais de 70 cães</strong>. Muitos deles estão se recuperando de ferimentos graves sofridos nas ruas.</p><p dir="ltr">“<strong>O abuso e a crueldade contra animais no Egito são tão frequentes</strong> que exercem uma pressão imensa sobre abrigos e serviços de resgate animal”, afirma Heidi Gamal, cofundadora do&nbsp;<em>My New Life</em>.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/10/cachorro-caramelo-qual-e-a-origem-do-cao-mais-popular-e-querido-do-brasil"><em>Cachorro caramelo: qual é a origem do cão mais popular e querido do Brasil?</em></a>)</p><h2 dir="ltr"      id="header_3113916_0"><strong>Símbolos antigos do Egito</strong></h2><p dir="ltr"><br>No&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/05/os-3-mitos-do-antigo-egito-que-vao-te-surpreender"><strong>antigo Egito</strong></a>,<strong> vários deuses</strong> eram representados com&nbsp;<strong>cabeças de cães domésticos</strong> ou chacais&nbsp;<strong>que lembram os cachorros Baladi&nbsp;</strong>dos dias atuais. Talvez&nbsp;<strong>o mais conhecido seja Anúbis</strong>, o deus que guiava as almas na vida após a morte.&nbsp;</p><p dir="ltr">Muitas&nbsp;<strong>pinturas em tumbas retratam caninos</strong>, incluindo uma na&nbsp;<strong>tumba do rei&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/10/egito-antigo-quem-foi-o-rei-tut"><strong>Tutancâmon</strong></a> que mostra o&nbsp;<strong>faraó caçando com seu cão</strong>.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>antigos egípcios de todas as classes sociais</strong>, incluindo a família real, mantinham&nbsp;<strong>cães como animais de estimação</strong>. Quando um cachorro morria, a família&nbsp;<strong>o&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/12/como-era-o-processo-de-mumificacao"><strong>mumificava</strong></a><strong> e o enterrava</strong> em tumbas familiares, para que pudessem se&nbsp;<strong>reencontrar na vida após a morte</strong>. A<strong> família entrava em um período de luto</strong>, e os membros raspavam as sobrancelhas como sinal desse pesar.</p><p dir="ltr">De acordo com as<strong> práticas religiosas do antigo Egito</strong>, a maioria dos&nbsp;<strong>adoradores de Anúbis vivia em Saka</strong>, uma cidade no Alto Egito. Em Saka, os<strong> cães de rua podiam circular livremente&nbsp;</strong>pelas ruas da cidade e pelos corredores do templo de Anúbis.&nbsp;</p><p><strong>Matar cachorros era considerado um crime extremo</strong>, sujeito a&nbsp;<strong>severas punições</strong> que se intensificavam ainda mais se o cachorro pertencesse a uma pessoa ou família. No entanto, matar cães com a intenção de sacrificá-los a Anúbis era permitido.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113918_0"><strong>Encontrando soluções para os cães de rua no Egito</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>Atualmente</strong>, porém, as&nbsp;<strong>consequências&nbsp;</strong>no Egito para quem envenena ou mata cães Baladi<strong> são mínimas</strong>.</p><p dir="ltr">O código penal egípcio&nbsp;<strong>não permite o assassinato ou envenenamento injustificado de qualquer&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/09/os-animais-de-estimacao-realmente-deixam-as-pessoas-mais-felizes-e-saudaveis"><strong>animal doméstico</strong></a>, incluindo cães Baladi. Os infratores podem ser presos por até seis meses ou&nbsp;<strong>multados&nbsp;</strong>em até 200 libras egípcias, o equivalente a aproximadamente&nbsp;<strong>US$ 4</strong>.</p><p dir="ltr">A Autoridade Geral de Serviços Veterinários do Egito, vinculada ao Ministério da Agricultura, é responsável pelo&nbsp;<strong>controle da população de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2020/04/adotar-caes-de-rua-esta-em-alta-na-india"><strong>cães de rua</strong></a> e<strong> o órgão costuma colocar veneno na ração&nbsp;</strong>consumida pelos cães Baladi.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essa prática tem gerado<strong> oposição de diversos grupos de proteção animal</strong>, como a Sociedade Egípcia para a Misericórdia com os Animais (ESMA) e a Fundação de Proteção Animal. Além de ser&nbsp;<strong>uma morte cruel</strong>, o envenenamento pode&nbsp;<strong>prejudicar outros animais e pessoas</strong> na cidade, segundo Gamal, da organização&nbsp;<em>My New Life Rescue</em>.</p><p dir="ltr">A autoridade veterinária não respondeu aos pedidos de comentários da&nbsp;<em>National Geographic</em>.</p><p dir="ltr">“<strong>O envenenamento é uma das coisas mais dolorosas e desumanas</strong> pelas quais esses cachorros têm que passar”, afirma Nada Sherif, veterinária da&nbsp;<em>Pet Wellness Clinic</em> em Alexandria, Egito.</p><p dir="ltr">“As chances de tratar e salvar cachorros envenenados são extremamente baixas.”</p><p dir="ltr">Em 2021, uma coalizão de&nbsp;<strong>grupos de direitos dos animais e ativistas&nbsp;</strong>entrou com uma&nbsp;<strong>ação judicial para acabar com o envenenamento</strong>. No entanto, o tribunal administrativo do Egito rejeitou a ação, de acordo com o site de notícias egípcio privado&nbsp;<em>Elmasry Elyoum</em>.</p><p dir="ltr">Em resposta à indignação pública, algumas agências governamentais&nbsp;<strong>adotaram gradualmente a estratégia de captura, esterilização e soltura&nbsp;</strong>para reduzir o número de cachorros Baladi nas ruas, embora os serviços veterinários não tenham informado se também utilizam essa prática.</p><p dir="ltr">“Deveríamos capturar, castrar e devolver 80% da população de cães Baladi, enquanto os outros&nbsp;<strong>20% deveriam ser vacinados e deixados para se reproduzir</strong>, a fim de controlar a população&nbsp;<strong>sem erradicar os cães Baladi</strong>”, afirma Gamal.</p><p dir="ltr">“No entanto, a estratégia de capturar, castrar e devolver deve ser sistemática”, acrescenta ela, pois, atualmente, não é praticada em larga escala o suficiente para gerar impacto.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/01/como-os-lobos-se-transformaram-em-cachorros-fosseis-antigos-trazem-pistas-intrigantes"><em>Como os lobos se transformaram em cachorros? Fósseis antigos trazem pistas intrigantes</em></a>)</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113918_1"><strong>Adote cachorros, não compre</strong></h2><p dir="ltr"><br>Gamal busca patrocinadores para manter o trabalho da ONG, geralmente recrutados pelo Instagram, para&nbsp;<strong>cobrir as despesas mensais dos cachorros</strong>, bem como os custos de<strong> operação do abrigo</strong>. Atualmente,&nbsp;<strong>20 dos seus 74 cães têm patrocinadores</strong>, todos egípcios.</p><p dir="ltr">Embora ela<strong> ainda não tenha encontrado lares responsáveis ​​para nenhum cão Baladi</strong>, o número de patrocinadores está aumentando.</p><p dir="ltr">“Ultimamente,&nbsp;<strong>nossa cultura tem mudado</strong> e mais pessoas do que nunca<strong> estão&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/10/vai-adotar-um-cachorro-pela-primeira-vez-descubra-o-que-e-preciso-saber-segundo-especialistas"><strong>adotando cães</strong></a><strong> de rua</strong>. Há mais conscientização sobre as características positivas”, diz ela. Alguns egípcios também adotam cães que encontram em seus bairros.</p><p dir="ltr"><strong>Omar Hamaki</strong>, um morador do&nbsp;<strong>Cairo</strong>,<strong> acolheu uma cadela Baladi&nbsp;</strong>chamada Diva, que ele alimentou inicialmente quando era uma cadela de rua. “<strong>Ela me deu todo o amor e atenção</strong> que eu poderia imaginar”, afirma Hamaki.</p><p dir="ltr"><strong>Mina Medhat, que adotou Shiva quando filhote em 2021</strong>, diz que o cão é uma parte vital da família. “Shiva trata cada um de nós de uma maneira diferente, mas é a maneira que funciona para cada um de nós”, diz Medhat.</p><p dir="ltr">Medhat também enfatizou que&nbsp;<strong>adotar cães Baladi não é para todos</strong>, pois alguns animais ainda apresentam&nbsp;<strong>sinais de trauma</strong>, como ansiedade perto de pessoas.</p><p dir="ltr">Por outro lado, Hossam Hosny, um&nbsp;<strong>orgulhoso tutor de Leil, uma cadela Baladi</strong>, notou&nbsp;<strong>diferenças entre Leil e um&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/os-caes-sao-mais-parecidos-com-a-gente-do-que-pensavamos"><em><strong>golden retriever</strong></em></a><strong>&nbsp;</strong>que ele acolheu temporariamente, particularmente na capacidade de Leil de se manter calmo em situações estressantes.</p><p dir="ltr">“Os&nbsp;<strong>cães vira-lata são mais inteligentes devido à sua experiência nas ruas</strong>”, cometa Hosny.</p><p>Embora os cães Baladi ainda tenham um longo caminho a percorrer para&nbsp;<strong>alcançar o status dos cães egípcios de tantos séculos atrás</strong>, sua crescente popularidade pode um dia&nbsp;<strong>colocá-los novamente em um pedestal</strong>.</p>]]></content:encoded></item><item><title>As 14 praias icônicas para visitar pelo menos uma vez na vida, eleitas pela National Geographic</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/as-14-praias-iconicas-para-visitar-pelo-menos-uma-vez-na-vida-eleitas-pela-national-geographic</link><description><![CDATA[Da Praia de Papakōlea, no Havaí (Estados Unidos), à Praia de Butiama, na Tanzânia, e a Praia Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, no Brasil, existem muitas praias incríveis em todo o mundo. O novo livro da National Geographic, intitulad “100 Beaches of a Lifetime: The World's Ultimate Shorelines” (em tradução livre, "100 Praias para a Vida Toda"), explora todos esses destinos e muito mais....]]></description><category>Viagem</category><pubDate>Fri, 20 Feb 2026 19:10:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/as-14-praias-iconicas-para-visitar-pelo-menos-uma-vez-na-vida-eleitas-pela-national-geographic</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/shutterstock1037020849.jpg?w=1600" length="1027569" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Da<strong> Praia de Papakōlea</strong>, no&nbsp;<strong>Havaí</strong> (Estados Unidos), à&nbsp;<strong>Praia de Butiama</strong>, n<strong>a Tanzânia</strong>, e a&nbsp;<strong>Praia Baía do Sancho</strong>, em&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/videos/2020/08/brasil-selvagem-fernando-de-noronha-360"><strong>Fernando de Noronha</strong></a><strong>, no Brasil</strong>, existem muitas praias incríveis em todo o mundo.&nbsp;</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>novo livro</strong> da&nbsp;<em>National Geographic</em>, intitulad “<em>100 Beaches of a Lifetime: The World's Ultimate Shorelines</em>” (em tradução livre, "100 Praias para a Vida Toda"), explora todos esses destinos e muito mais. Veja, a seguir,<strong> uma seleção de 14 praias</strong> que valem, e muito, a viagem para<strong> conhecê-las para curtir ao máximo</strong>.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Viagens, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/que-tal-unir-viagem-e-leitura-confira-ideias-de-viagens-literarias-para-todo-tipo-de-amante-de-livros"><em>Que tal unir viagem e leitura? Confira ideias de viagens literárias para todo tipo de amante de livros</em></a>)&nbsp;</p><h2 dir="ltr"        id="header_3113879_0"><strong>Um praia de areia em formato de estrela:&nbsp;</strong><em><strong>Hoshizuna-No-Hama Beach</strong></em><strong>, em Okinawa, Japão</strong></h2><p dir="ltr"><br>A região mais&nbsp;<strong>exuberante, quente e tropical do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2025/03/japao-tudo-o-que-voce-deve-saber-antes-de-visitar-o-pais"><strong>Japão</strong></a>, as I<strong>lhas Yaeyama de Okinawa</strong>, abrigam um fenômeno incomum em suas praias:&nbsp;<strong>areia em forma de estrela</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mais<strong> próxima de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/04/por-que-acontecem-tantos-terremotos-em-taiwan"><strong>Taiwan</strong></a> do que das maiores ilhas do Japão,&nbsp;<strong>Taketomijima&nbsp;</strong>está entre as&nbsp;<strong>ilhas habitadas mais ao sul e oeste</strong> do país. É também um dos poucos lugares no mundo com praias compostas por&nbsp;<strong>minúsculos grãos de areia branca em formato de estrela</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Esses&nbsp;<strong>grãos pontiagudos de carbonato de cálcio</strong>, geralmente com apenas alguns milímetros de tamanho, são na verdade os&nbsp;<strong>exoesqueletos&nbsp;</strong>de uma espécie marinha chamada<strong> foraminífero&nbsp;</strong>(<em>Baculogypsina sphaerulata</em>), um&nbsp;<strong>organismo unicelular</strong>. Essa&nbsp;<strong>criatura é muito rara&nbsp;</strong>e vive em&nbsp;<strong>simbiose com os&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/05/por-que-os-recifes-de-coral-sao-essenciais-para-a-vida-na-terra-eles-estao-entre-os-ecossistemas-mais-vulneraveis-do-planeta"><strong>recifes de coral</strong>&nbsp;</a>e ervas marinhas do&nbsp;<strong>Leste Asiático</strong> e em alguns poucos outros lugares do planeta.</p><h2 dir="ltr"       id="header_3113881_0"><strong>A praia de areias pretas que vem mudando sua paisagem recentemente: Reynisfjara, na Islândia</strong></h2><p dir="ltr"><br>De todas as&nbsp;<strong>praias de areia negra da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/02/por-que-a-islandia-tem-tantos-vulcoes"><strong>Islândia</strong></a><strong> — e são muitas&nbsp;</strong>—&nbsp;<strong>Reynisfjara</strong> é a&nbsp;<strong>mais famosa&nbsp;</strong>mundialmente. Para exemplificar: foi escolhida como cenário para a sétima temporada de uma série famosa,&nbsp;<em>Game of Thrones</em>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Suas&nbsp;<strong>formações basálticas únicas</strong> e&nbsp;<strong>peculiares rochedos</strong> à beira-mar, conhecidos localmente como&nbsp;<strong>Reynisdrangar</strong> (que tem cerca de&nbsp;<strong>66 metros</strong> de altura), têm grande&nbsp;<strong>importância no folclore islandês</strong>, e um passeio por esta costa venerada é complementado com avistamentos de&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2017/11/como-foi-feita-a-incrivel-foto-do-papagaio-do-mar-com-peixes-no-bico"><strong>papagaios-do-mar</strong></a>, incursões em cavernas marinhas e ondas perfeitas.</p><p dir="ltr">Porém, no&nbsp;<strong>início de fevereiro de 2026</strong>, a&nbsp;<strong>praia de Reynisfjara mudou demais sua configuração&nbsp;</strong>após o<strong> pior deslizamento de terra&nbsp;</strong>visto na sua região, tendo suas colunas de basalto tomadas pelo avanço do oceano.<strong> A força do oceano</strong>, impulsionada por<strong> fortes ventos&nbsp;</strong>vindos do leste e ondas de intensidade incomum em janeiro e fevereiro,&nbsp;<strong>desencadeou uma erosão costeira massiva</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Os famosos pilares hexagonais de basalto</strong>, onde turistas costumavam posar para fotos, agora também&nbsp;<strong>estão cercados pelo mar</strong>, avançando sobre a areia negra para o interior em alguns pontos,&nbsp;<strong>removendo completamente&nbsp;</strong>a área de praia habitual.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Quem for à&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2019/05/20-fotos-da-islandia-em-paisagens-majestosas-iceland-galeria-islandes"><strong>Islândia</strong></a><strong> em busca de praias com areias pretas</strong>, vale ir a Reynisfjara porém&nbsp;<strong>não é mais a mesma</strong> praia que se via em fotos e vídeos – talvez valha a pena&nbsp;<strong>ir até outras praias de areias negras&nbsp;</strong>que são igualmente<strong> lindas</strong>, como&nbsp;<em><strong>Kirkjufjara Beach</strong></em> ou<em><strong> Víkurfjara Beach</strong></em>, por exemplo.</p><h2 dir="ltr"       id="header_3113881_1"><strong>Areias rosadas e águas azuis na bela Praia de Elafonisi, Grécia</strong></h2><p dir="ltr"><br>No&nbsp;<strong>extremo sudoeste da ilha de Creta</strong>, na&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/02/qual-e-a-origem-da-mitologia-grega"><strong>Grécia</strong></a>, entre as vilas costeiras de&nbsp;<strong>Moni Chrisoskalitissis e Gialos</strong>, a&nbsp;<strong>Praia de Elafonisi é famosa</strong> por sua exótica extensão de<strong> areia rosada e lagoa de águas cristalinas azul-turquesa</strong>. Sua cor peculiar, assim como a de outras praias de areia rosa ao redor do mundo, é resultado da&nbsp;<strong>presença de foraminíferos</strong>, microrganismos unicelulares com conchas avermelhadas.</p><p dir="ltr">Os visitantes ficam encantados com&nbsp;<strong>as cores vibrantes da praia</strong>, em tons de rosa e azul, as&nbsp;<strong>dunas ondulantes e as montanhas imponentes</strong>. No verão, a orla fica repleta de cadeiras de praia e guarda-sóis, sendo um&nbsp;<strong>destino popular para os moradores de Chania</strong>, a&nbsp;<strong>principal cidade de Creta</strong>, nos fins de semana. Algumas horas ao sol combinam perfeitamente com um&nbsp;<strong>jantar de frutos do mar&nbsp;</strong>e um bom&nbsp;<strong>vinho grego</strong> em uma taverna próxima.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/01/as-7-maravilhas-naturais-do-brasil-para-conhecer-em-2026-escolhidas-por-national-geographic"><em>As 7 maravilhas naturais do Brasil para conhecer em 2026 escolhidas por National Geographic</em></a>)</p><h2 dir="ltr"       id="header_3113881_2"><strong>Um ilha distante, quase deserta? Vá à Praia de Butiama, na Tanzânia</strong></h2><p dir="ltr"><br>Se você sempre sonhou em&nbsp;<strong>escapar para uma ilha pouco visitada</strong> para<strong> ver o maior peixe do mundo</strong>, a&nbsp;<strong>Praia de Butiama</strong> é o lugar certo. Essa faixa de areia fica na costa oeste da&nbsp;<strong>maior ilha do Arquipélago da Máfia</strong>, bem perto da costa da&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/video/tv/estreia-jane-a-mae-dos-chimpanzes"><strong>Tanzânia</strong></a> continental.&nbsp;</p><p dir="ltr">Os visitantes que<strong> viajam até essa ilha pouco explorada</strong> passam os&nbsp;<strong>dias de férias relaxando</strong> na areia, curtindo<strong> vilarejos tranquilos</strong> e, para os mais corajosos,&nbsp;<strong>mergulhando com majestosos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/08/as-5-curiosidades-sobre-o-tubarao-baleia"><strong>tubarões-baleia</strong></a><strong>&nbsp;</strong>de 12 metros. Esses gigantes gentis retornam à ilha todos os verões para se alimentar do&nbsp;<em>plâncton</em> local.</p><h2 dir="ltr"       id="header_3113881_3"><strong>Patrimônio da Unesco: a impressionante Praia de Durdle Door, na Inglaterra</strong></h2><p dir="ltr"><br>Na magnífica<strong> Costa Jurássica de Dorset</strong> — que é um&nbsp;<strong>Patrimônio Mundial da Unesco</strong> (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) ao longo da costa sudeste da<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2024/08/qual-e-a-diferenca-entre-reino-unido-gra-bretanha-e-inglaterra"><strong> Inglaterra</strong></a> — esta&nbsp;<strong>praia e seu arco de calcário</strong> homônimo são absolutamente&nbsp;<strong>deslumbrantes</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>mundialmente famoso arco de Durdle Door&nbsp;</strong>foi formado ao longo de&nbsp;<strong>milhões de anos pela erosão</strong> causada pelo impacto do mar. Seu nome apropriado vem da palavra do inglês antigo "<em>thirl</em>", que significa "<strong>furar ou perfura</strong>r".</p><h2 dir="ltr"       id="header_3113881_4"><strong>Muito além dos dragões de Komodo: a exuberância da Praia Merah, na Indonésia</strong></h2><p dir="ltr"><br>Quando se pensa na&nbsp;<strong>Ilha de Komodo</strong>, na&nbsp;<strong>Indonésia</strong>, a maioria das pessoas pensa no<strong> parque nacional homônimo e em seus lagartos gigantes</strong>, mundialmente famosos: os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/08/dragao-de-komodo-3-curiosidades-surpreendentes-sobre-o-maior-lagarto-do-mundo"><strong>Dragões de Komodo</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Mas existe uma&nbsp;<strong>atração natural menos conhecida</strong> que certamente se destaca:&nbsp;<strong>Pantai Merah</strong>, mais conhecida como&nbsp;<strong>Praia Rosa</strong>, é uma das apenas cerca de 12 praias no mundo com uma&nbsp;<strong>faixa litorânea rosada</strong>.</p><p dir="ltr">A<strong> tonalidade única da areia&nbsp;</strong>provém do acúmulo de fragmentos de&nbsp;<strong>coral vermelho e conchas</strong> deixados por&nbsp;<strong>foraminíferos</strong> — minúsculas criaturas marinhas com conchas vermelhas e rosadas. Esses&nbsp;<strong>organismos microscópicos vivem nos recifes de coral&nbsp;</strong>próximos à costa e, após morrerem, seus fragmentos de conchas são levados pela maré e se misturam à areia da praia.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/carnaval-a-beira-mar-uma-semana-perfeita-na-costa-verde-brasileira-entre-rio-de-janeiro-e-sao-paulo"><em>Uma semana perfeita na Costa Verde brasileira, entre Rio de Janeiro e São Paulo</em></a>)</p><h2 dir="ltr"       id="header_3113881_5"><strong>A exclusiva e isolada Praia Anse Chastanet, na ilha de Santa Lúcia, Caribe</strong></h2><p dir="ltr"><br>Considerada por muitos&nbsp;<strong>a melhor praia da ilha de Santa Lúcia</strong>, no&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2022/08/conheca-o-melhor-lugar-para-mergulhar-no-caribe"><strong>Caribe</strong></a>, para&nbsp;<strong>mergulho livre e autônomo</strong>, a&nbsp;<strong>Praia Anse Chastanet</strong> também é imperdível pelas vistas deslumbrantes da&nbsp;<strong>floresta tropical</strong> ao longo da costa. E, claro, pelo seu cenário icônico: os Pitons.</p><p dir="ltr">Localizada em&nbsp;<strong>Soufrière, na costa sudoeste de Santa Lúcia</strong>, essa é&nbsp;<strong>uma praia isolada</strong>, mas recebe um grande número de visitantes, dada a sua posição como<strong> um dos principais destinos românticos da região</strong>.&nbsp;</p><p>A Praia de Anse Chastanet faz parte de um&nbsp;<strong>resort de luxo homônimo</strong>, conhecido pela gentileza de seus funcionários e práticas&nbsp;<strong>ecologicamente corretas</strong>, incluindo projetos de&nbsp;<strong>restauração de recifes de coral</strong>.</p><h2 dir="ltr"      id="header_3113884_0"><strong>Um das mais belas do mundo: Praia Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, Brasil</strong></h2><p dir="ltr"><br>A cerca de 525 km da costa do Brasil, o&nbsp;<strong>arquipélago vulcânico de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2024/04/conheca-5-praias-escondidas-e-paradisiacas-na-america-latina"><strong>Fernando de Noronha</strong></a><strong> é repleto de praias encantadoras</strong>. Porém, a&nbsp;<em>Praia Baía do Sancho</em> é&nbsp;<strong>a mais bela de todas</strong>. Muitos visitantes a consideram&nbsp;<strong>a melhor praia do mundo</strong>, e por anos ela ostentou esse título no<em> TripAdvisor&nbsp;</em>(site especializado em turismo).</p><p dir="ltr">Isso provavelmente se deve à&nbsp;<strong>sua beleza e ao seu isolamento</strong>. A faixa de a<strong>reia branca e macia</strong> fica aos pés de<strong> altas falésias escarpadas</strong>, cobertas por densos&nbsp;<strong>bosques de árvores frutíferas</strong>, de nozes e arbustos medicinais.&nbsp;</p><p dir="ltr">Além disso,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2023/11/as-6-praias-pelo-brasil-para-ver-as-tartarugas-marinhas"><strong>tartarugas marinhas</strong></a><strong> e botos frequentam essas águas</strong>, assim como aves marinhas que visitam regularmente as falésias. Mas poucas pessoas chegam a esse santuário tropical, que faz parte do&nbsp;<strong>primeiro parque nacional marinho do Brasil&nbsp;</strong>e é Patrimônio Mundial da Unesco.</p><h2 dir="ltr"      id="header_3113884_1"><strong>A intocada e tranquila Praia de Bowman, na Flórida, Estados Unidos</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>Praia de Bowman</strong>, que fica na<strong> Ilha de Sanibel</strong>, na&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2024/07/descubra-o-melhor-de-miami-a-principal-cidade-da-florida"><strong>Flórida</strong></a>, é uma&nbsp;<strong>faixa de areia intocada</strong>, coberta por um&nbsp;<strong>tapete de diferentes conchas</strong>: falsas asas de anjo, coquinas, búzios, búzios-do-mar, junonias, berbigões, dólares-da-areia e tulipas-listradas, para citar algumas. Uma&nbsp;<strong>caminhada de 400 metros</strong> a partir da estrada confere à praia um ar de&nbsp;<strong>lugar escondido</strong>, mas entre os catadores de conchas, ela é famosa.&nbsp;</p><p dir="ltr">Considerada&nbsp;<strong>uma das melhores praias para coleta de conchas</strong> dos Estados Unidos, Bowman se beneficia de sua geografia, já que uma&nbsp;<strong>plataforma subaquática recolhe as conchas</strong> de gastrópodes e bivalves na costa como uma entrega especial dos próprios deuses do oceano.</p><h2 dir="ltr"      id="header_3113884_2"><strong>A remota e impresionante Praia de Anse Source d'Argent, nas Ilhas Seychelles</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>Praia Anse Source d’Argent&nbsp;</strong>lhe parece familiar? Deveria. Esta&nbsp;<strong>enseada remota e encantadora</strong> em<strong> La Digue</strong>,&nbsp;<strong>uma das 115 ilhas</strong> que compõem as&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2019/05/20-ilhas-que-sao-o-sonho-de-qualquer-aventureiro"><strong>Ilhas Seychelles</strong></a>, país da África Oriental, é uma das praias mais fotografadas do planeta — e com razão:&nbsp;<strong>sua incrível beleza</strong>.</p><p>Definida por suas&nbsp;<strong>águas cristalinas azul-esverdeadas</strong>, areia rosada e<strong> formações rochosas fantásticas</strong>, esta é certamente uma das praias mais belas do mundo, e figura com destaque em campanhas publicitárias que buscam&nbsp;<strong>evocar o paraíso</strong>.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113883_0"><strong>A beleza das falésias da Praia da Marinha, no Algarve, Portugal</strong></h2><p dir="ltr"><br>Este<strong> trecho espetacular do litoral do Algarve</strong>, ao&nbsp;<strong>sul de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/01/guimaraes-uma-das-cidades-mais-medievais-de-portugal-e-o-destino-da-vez-para-os-brasileiros-em-2026"><strong>Portugal</strong></a>, está entre os mais deslumbrantes do mundo e isso é fácil de ser observado quando se chega à<strong> Praia da Marinha</strong>, em Lagoa.&nbsp;</p><p dir="ltr">Suas&nbsp;<strong>imponentes falésias de arenito, arcos e pilares</strong> aparecem em inúmeros materiais promocionais da região, então o&nbsp;<strong>número impressionante de turistas</strong> que a visitam, principalmente no verão, não é surpreendente. Mas vale a pena enfrentar a multidão para&nbsp;<strong>vivenciar essa beleza estonteante</strong>.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113883_1"><strong>Uma praia de areias verdes? Sim, é a Praia de Papakōlea, no Havaí, Estados Unidos</strong></h2><p dir="ltr"><br>Existem&nbsp;<strong>apenas quatro praias de areia verde no mundo</strong>. A&nbsp;<strong>Praia de Papakōlea</strong>, no extremo<strong> sul da ilha do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/05/parque-paradisiaco-no-havai-ja-foi-uma-zona-de-quarentena-isolada"><strong>Havaí</strong></a>,nos Estados Unidos, é de longe a mais popular. Sua<strong> areia brilhante</strong> é composta por&nbsp;<strong>cristais de olivina</strong> formados há cerca de&nbsp;<strong>49 mil anos&nbsp;</strong>com a erupção do&nbsp;<strong>vulcão Pu‘u Mahana</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">O cone vulcânico lançou lava no mar.&nbsp;<strong>Ao longo de milênios</strong>,&nbsp;<strong>ondas poderosas erodiram a lava</strong> endurecida, mas a&nbsp;<strong>olivina</strong>, um elemento relativamente pesado, permaneceu na praia.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113883_2"><strong>Os amantes do surf vão adorar a Praia de Chesterman, no Canadá</strong></h2><p dir="ltr"><br>O&nbsp;<strong>Canadá geralmente não é o primeiro lugar&nbsp;</strong>que vem à mente quando pensamos em&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2021/03/mulheres-sao-pioneiras-em-promissor-destino-de-surfe"><strong>aprender a surfar</strong></a>. Mas se você estiver disposto a vestir uma roupa de neoprene e viajar até a ponta da&nbsp;<strong>deslumbrante Ilha de Vancouver</strong>, a&nbsp;<strong>Praia de Chesterman</strong> é praticamente um paraíso para iniciantes no surfe.&nbsp;</p><p dir="ltr">Além disso, é um&nbsp;<strong>destino imperdível para observadores de tempestades</strong>, um centro de artesãos que apreciam esculturas em madeira, um ótimo lugar para&nbsp;<strong>explorar poças de maré e cavernas marinhas</strong>, e um local privilegiado para assistir ao pôr do sol.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113883_3"><strong>A imponente Barreira de Corais vista na Praia de Whitehaven, Austrália</strong></h2><p dir="ltr"><br>Ao&nbsp;<strong>largo da costa de Queensland</strong>, no litoral leste da&nbsp;<strong>Austrália</strong>, as&nbsp;<strong>Ilhas Whitsunday&nbsp;</strong>(74 no total) fazem&nbsp;<strong>parte de um dos parques nacionais&nbsp;</strong>mais reverenciados do país e do Patrimônio Mundial da Unesco, a&nbsp;<strong>Grande&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/10/o-que-causa-o-branqueamento-dos-corais-sua-extincao-em-massa-ja-comecou-e-afeta-a-vida-humana"><strong>Barreira de Corais</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Dentro deste&nbsp;<strong>arquipélago internacionalmente reconhecido</strong>, com seus recifes de coral, manguezais, montanhas exuberantes e recifes de barreira de&nbsp;<strong>biodiversidade singular</strong>, a&nbsp;<strong>Praia de Whitehaven&nbsp;</strong>é o destino mais famoso das ilhas.</p><blockquote><p><em>Esta história foi adaptada do livro da National Geographic "</em>100 Beaches of a Lifetime: The World's Ultimate Shorelines<em>", de Freda Moon e Ashley Harrell.</em></p></blockquote><p>&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title>A origem da salada Caesar nada tem a ver com o Império Romano, mas envolve uma disputa entre irmãos</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/a-origem-da-salada-caesar-nada-tem-a-ver-com-o-imperio-romano-mas-envolve-uma-disputa-entre-irmaos</link><description><![CDATA[Crocante, fresca e satisfatória, a salada Caesar é um prato que conquistou restaurantes em todo o planeta, desde um restaurante de bairro até lugares que possuem estrelas Michelin. Embora versões com maionese em excesso assombrem os cardápios de serviço de quarto em hotéis por toda parte, os puristas da salada Caesar vivem e respiram sua receita original. Essa mistura contém folhas inteiras de...]]></description><category>Viagem</category><pubDate>Fri, 20 Feb 2026 10:32:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/a-origem-da-salada-caesar-nada-tem-a-ver-com-o-imperio-romano-mas-envolve-uma-disputa-entre-irmaos</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/gettyimages-1138387864-vertical-edit.jpg?w=1600" length="1298983" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Crocante, fresca e satisfatória,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/12/a-salada-de-feijao-entrou-na-moda-e-traz-beneficios-surpreendentes-para-a-saude"><strong>a salada</strong></a><strong> Caesar é um prato que conquistou restaurantes em todo o planeta</strong>, desde um restaurante de bairro até&nbsp;<strong>lugares que possuem estrelas Michelin</strong>. Embora&nbsp;<strong>versões com maionese em excesso assombrem os cardápios</strong> de serviço de quarto em hotéis por toda parte,&nbsp;<strong>os puristas da salada Caesar vivem e respiram sua receita original</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essa mistura contém&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/10/quais-folhas-verdes-sao-mais-saudaveis-e-quais-podem-ate-deixar-uma-pessoa-doente"><strong>folhas inteiras</strong></a><strong> de alface romana, croutons crocantes de alho misturados com um molho picante</strong> à base de ovo cru, anchovas picadas e alho, mostarda dijon, limão, sal e pimenta, coberto com parmesão ralado.</p><p dir="ltr"><strong>Os ingredientes básicos e acessíveis desta salada saborosa tornam-na um prato fabulosamente versátil</strong>, fácil de incrementar, adicionando extras aos ingredientes principais. Talvez seja por isso que, em 1953, a Sociedade Internacional de Epicuristas, sediada em Paris, aclamou a receita como “a melhor criada nas Américas em 50 anos” e que ela não saiu do radar dos restaurantes em seus 101 anos de existência.</p><p dir="ltr">No famoso Bar Etoile, em Los Angeles,&nbsp;<strong>a salada se transformou em um poderoso híbrido de tártaro de carne</strong>. Fatias grossas de pão torrado são cobertas com molho e carne crua misturada com pedacinhos de anchova, raspas de limão e parmesão ralado na hora. Uma delícia capaz de ser&nbsp;<strong>encontrada</strong> também em&nbsp;<strong>muitos restaurantes do Brasil</strong>.</p><p>(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/01/ir-a-praia-faz-bem-ao-cerebro-segundo-a-ciencia-ha-varios-beneficios-de-momentos-junto-ao-mar"><em>Ir à praia faz bem ao cérebro, segundo a ciência. Há vários benefícios de momentos junto ao mar</em></a>)</p><h2    id="header_3113686_0"><strong>A origem da salada Caesar está no México</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>salada Caesar nasceu em 1924&nbsp;</strong>na&nbsp;<strong>cidade fronteiriça mexicana de Tijuana</strong>, onde&nbsp;<strong>o imigrante italiano Caesar Cardini</strong> abriu o&nbsp;<strong>Restaurante Caesar's</strong>&nbsp;<strong>para atrair visitantes norte-americanos</strong> que desejavam fugir das leis da proibição.&nbsp;</p><p dir="ltr">Conta-se que, em um&nbsp;<strong>movimentado&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/07/o-que-se-comemora-em-4-de-julho-nos-estados-unidos-a-data-tem-origem-historica"><strong>4 de julho</strong></a>,&nbsp;<strong>o restaurante estava ficando sem itens no cardápio</strong>, então&nbsp;<strong>Caesar pegou os ingredientes que sobraram</strong>, colocou-os em um carrinho de serviço na presença de norte-americanos bêbados e famintos e&nbsp;<strong>preparou uma salada improvisada com um floreio teatral</strong>,&nbsp;<strong>à mesa</strong>, distraindo-os dos ingredientes aleatórios.&nbsp;<strong>Foi um sucesso inesperado</strong>.</p><p dir="ltr"><strong>A notícia se espalhou pelos Estados Unidos</strong> e depois pelo mundo.&nbsp;<strong>Celebridades do cinema</strong>, incluindo&nbsp;<strong>Clark Gable e Jean Harlow</strong>, migraram para a cidade fronteiriça para experimentá-la. Quando a&nbsp;<strong>lendária apresentadora de culinária estadunidense</strong> dos anos 1960,&nbsp;<strong>Julia Child</strong>, fez uma peregrinação, ela chamou o prato de “<strong>uma sensação de salada de costa a costa</strong>”.</p><p dir="ltr">Embora&nbsp;<strong>Caesar seja creditado como o inventor do prato</strong>, alguns&nbsp;<strong>historiadores atribuem a criação da versão definitiva a seu irmão</strong>,&nbsp;<strong>Alex Cardini</strong>. Eles dizem que&nbsp;<strong>foi ele quem adicionou anchovas e mostarda dijon ao molho da receita original</strong> — ingredientes ainda usados na salada até hoje.&nbsp;<strong>Livio Santini</strong>,<strong> um cozinheiro do restaurante Caesar's, também entrou na disputa</strong>, alegando que a receita original era de sua mãe.</p><p dir="ltr"><strong>O mundo talvez nunca venha a saber quem foi o verdadeiro inventor da famosa salada Caesar</strong> – mas os historiadores concordam que se trata de&nbsp;<strong>uma criação de Tijuana, no México</strong>. Visite o Caesar's hoje e você encontrará um retrato de Cardini pendurado na parede em frente ao de Santini, comemorando o legado da salada.&nbsp;</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/03/mitos-e-verdades-sobre-o-vinagre-o-quanto-ele-realmente-faz-bem-a-saude"><em>Mitos e verdades sobre o vinagre: o quanto ele realmente faz bem à saúde?</em></a>)</p><h2    id="header_3113688_0"><strong>Afinal, como é feita a salada Caesar original?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Tradicionalmente,&nbsp;<strong>a salada Caesar é preparada à mesa</strong>,&nbsp;<strong>destacando o frescor dos ingredientes</strong> e adicionando um toque dramático à experiência do cliente.</p><p dir="ltr">Em uma grande tigela de madeira,&nbsp;<strong>o ensalador</strong>, ou “preparador de saladas”,&nbsp;<strong>adiciona cada ingrediente um por um</strong>. Primeiro,&nbsp;<strong>o alho picado</strong>,<strong> depois o molho Worcestershire</strong>,<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/04/os-4-beneficios-do-ovo-para-a-saude-ele-e-considerado-o-alimento-completo"><strong>a gema de ovo</strong></a><strong> crua, o suco de limão</strong>, a&nbsp;<strong>pimenta moída e uma pitada de sal</strong>. Em seguida,&nbsp;<strong>o azeite é incorporado lentamente à tigela enquanto se bate</strong>,&nbsp;<strong>seguido do parmesão ralado</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Quando a mistura engrossa e&nbsp;<strong>se transforma em um molho cremoso e picante</strong>,&nbsp;<strong>adicionam-se folhas inteiras de alface romana</strong> e<strong> mistura-se depois os croutons</strong>. A&nbsp;<strong>alface é então colocada</strong> em um prato, depois os croutons, antes de ralar mais um pouco do precioso parmesão por cima.</p><p dir="ltr">Hoje em dia,&nbsp;<strong>muitos restaurantes usa a variação da Caesar de Alex Cardini</strong>, trocando o molho Worcestershire por anchovas picadas até formar uma pasta;&nbsp;<strong>mostarda Dijon e limão em vez de lima</strong> (o que provavelmente foi um erro de tradução dos americanos, que pensaram que “limon” significava “limão”). E&nbsp;<strong>a preparação da salada continua sendo feita principalmente na cozinha</strong>, embora aqueles que se deleitam com sua história&nbsp;<strong>ainda ofereçam o show à mesa</strong>.</p><p dir="ltr"><em>Este artigo foi produzido pela National Geographic Traveller (Reino Unido).</em></p>]]></content:encoded></item><item><title>A dieta nórdica tem muitos benefícios: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/02/a-dieta-nordica-tem-muitos-beneficios-e-anti-inflamatoria-pode-ajudar-a-dormir-melhor-e-viver-mais</link><description><![CDATA[Quando se pensa em regiões geográficas conhecidas por suas dietas saudáveis, logo os países mediterrâneos provavelmente vêm à mente. Mas a dieta nórdica é outra forte candidata ao título de melhor dieta do planeta, já que os padrões alimentares tradicionais dos povos da Dinamarca, Islândia, Finlândia, Noruega e Suécia oferecem muitos dos mesmos benefícios para a saúde.“É basicamente a prima da...]]></description><category>Saúde</category><pubDate>Thu, 19 Feb 2026 19:05:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/02/a-dieta-nordica-tem-muitos-beneficios-e-anti-inflamatoria-pode-ajudar-a-dormir-melhor-e-viver-mais</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/h00000222947345.jpg?w=1600" length="1245120" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Quando se pensa em&nbsp;<strong>regiões&nbsp;</strong>geográficas&nbsp;<strong>conhecidas por suas&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/11/5-recomendacoes-para-uma-alimentacao-saudavel"><strong>dietas saudáveis</strong></a>, logo os<strong> países mediterrâneos</strong> provavelmente&nbsp;<strong>vêm à mente</strong>. Mas&nbsp;<strong>a dieta nórdica</strong> é outra forte candidata ao&nbsp;<strong>título de melhor dieta do planeta</strong>, já que os padrões alimentares tradicionais dos povos da&nbsp;<strong>Dinamarca</strong>,&nbsp;<strong>Islândia</strong>,&nbsp;<strong>Finlândia</strong>,&nbsp;<strong>Noruega e Suécia</strong> oferecem muitos dos mesmos&nbsp;<strong>benefícios para a saúde</strong>.</p><p dir="ltr">“É basicamente&nbsp;<strong>a prima da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/08/o-segredo-da-famosa-dieta-mediterranea-ela-funciona"><strong>dieta mediterrânea</strong></a>,&nbsp;<strong>adaptada a climas mais frios</strong>”, afirma&nbsp;<strong>Dawn Jackson Blatner</strong>, nutricionista e autora do livro "<em>The Superfood Swap</em>", de Chicago, Estados Unidos. “É muito semelhante, mas&nbsp;<strong>inclui mais alimentos</strong> que crescem em climas frios.”</p><p dir="ltr">Criada por um grupo de&nbsp;<strong>nutricionistas, cientistas e chefs em 2004</strong>, a “<strong>nova dieta nórdica</strong>” baseia-se em alimentos locais e sazonais, com forte<strong> ênfase em saúde</strong>, sabor e sustentabilidade.</p><p dir="ltr">“<strong>A dieta nórdica não é uma revelação sobre&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/08/saiba-qual-e-a-ultima-moda-da-alimentacao-saudavel"><strong>alimentação saudável</strong></a><strong>&nbsp;</strong>— ela tem muito&nbsp;<strong>em comum&nbsp;</strong>com<strong> outros planos alimentares&nbsp;</strong>que promovem a saúde”, afirma&nbsp;<strong>David L. Katz</strong>, especialista em medicina preventiva, ex-presidente do&nbsp;<em>American College of Lifestyle Medicine</em> e coautor do livro “<em>How to Eat</em>” (“Como Comer”, em tradução livre).&nbsp;</p><p dir="ltr">“<strong>Todas as boas dietas são compostas de comida de verdade</strong>, principalmente de&nbsp;<strong>origem vegetal</strong>. A dieta nórdica é uma variação desse mesmo tema. Seus&nbsp;<strong>benefícios para a saúde</strong> se traduzem em&nbsp;<strong>vitalidade e longevidade</strong> em geral.”</p><p dir="ltr">De fato, em uma edição de outubro de 2025 do&nbsp;<em>European Journal of Nutrition</em>, pesquisadores analisaram&nbsp;<strong>47 estudos</strong> sobre os resultados de saúde&nbsp;<strong>associados à adesão à dieta nórdica</strong>. Pessoas que seguiram rigorosamente o<strong> estilo alimentar nórdico apresentaram um risco 22% menor de morte prematura </strong>por qualquer causa, um risco 16% menor de morte por doença cardiovascular e um risco 14% menor de morte por câncer, em comparação com aquelas com menor adesão.</p><p dir="ltr">O que torna a&nbsp;<strong>dieta nórdica</strong> tão protetora para a saúde é a&nbsp;<strong>combinação de seus alimentos ricos em anti-inflamatórios e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/11/o-que-sao-alimentos-antioxidantes"><strong>antioxidantes</strong></a>, juntamente com seu alto teor de fibras e óleos saudáveis. "É uma dieta de alta qualidade que funciona em todos os aspectos", diz Katz.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/carnaval-e-alcool-como-ter-um-consumo-consciente-para-nao-prejudicar-a-saude"><em>Como ter um consumo consciente de álcool para não prejudicar a saúde</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3113865_0"><strong>O que inclui a dieta nórdica?</strong></h2><p dir="ltr"><br>A dieta nórdica também<strong> inclui laticínios com baixo teor de gordura</strong>, como&nbsp;<strong>o&nbsp;</strong><em><strong>skyr</strong></em>, um<strong> iogurte islandês rico em proteínas</strong>, e também&nbsp;<strong>o kefir</strong>, uma&nbsp;<strong>bebida láctea fermentada</strong>.</p><p dir="ltr">Em contrapartida,<strong> ovos e carnes magras</strong>, como bisão, veado e rena, são consumidos<strong> com moderação</strong>, por outro lado, os&nbsp;<strong>alimentos açucarados e&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/12/alimentos-ultraprocessados-eles-nao-sao-so-ruins-para-a-saude-como-afetam-a-sua-mente"><strong>ultraprocessados</strong></a><strong> ​​são desencorajados</strong>, mas não excluídos. Assim como a dieta mediterrânea, a<strong> dieta nórdica não proíbe certos alimentos</strong>. Ela se assemelha mais a um estilo alimentar flexível do que a uma dieta estruturada.</p><h2 dir="ltr"   id="header_3113867_0"><strong>Benefícios da dieta nórdica para a saúde</strong></h2><p dir="ltr"><br>A&nbsp;<strong>dieta nórdica não é tão estudada quanto a dieta mediterrânea</strong>, mas as&nbsp;<strong>evidências científicas</strong> que comprovam seus&nbsp;<strong>benefícios</strong> estão aumentando. De fato, pesquisas descobriram que a alta adesão à dieta nórdica está associada à<strong> redução do risco de doenças cardíacas</strong>,&nbsp;<strong>acidente vascular cerebral&nbsp;</strong>e&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/11/comer-batatas-fritas-pode-aumentar-os-riscos-de-ter-diabetes-saiba-aqui-o-que-diz-a-ciencia"><strong>diabetes tipo 2</strong></a>, bem como à&nbsp;<strong>redução do colesterol LDL</strong>, da apolipoproteína B e da pressão arterial sistólica.</p><p dir="ltr">Por exemplo, um&nbsp;<strong>estudo de 2017</strong> publicado no&nbsp;<em>European Journal of Clinical Nutrition&nbsp;</em>constatou que&nbsp;<strong>pessoas de meia-idade na&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/01/os-5-fatos-curiosos-sobre-a-groenlandia-a-maior-ilha-do-mundo"><strong>Dinamarca</strong></a><strong>&nbsp;</strong>que seguiam rigorosamente a dieta nórdica apresentavam um&nbsp;<strong>risco significativamente menor de ataque cardíaco</strong> durante um período de acompanhamento de 13,5 anos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Um&nbsp;<strong>estudo publicado em 2024</strong> na revista&nbsp;<em>Scientific Reports</em> revelou que as pessoas que seguiam a&nbsp;<strong>dieta nórdica</strong> com maior rigor apresentavam um&nbsp;<strong>risco 58% menor de desenvolver doença hepática gordurosa não alcoólica</strong>, em comparação com aquelas com menor adesão.&nbsp;</p><p dir="ltr">Já um&nbsp;<strong>estudo publicado em 2025</strong> na revista científica&nbsp;<em>Frontiers in Endocrinology</em> constatou que as pessoas que seguiam rigorosamente a dieta nórdica apresentavam um&nbsp;<strong>risco 58% menor de desenvolver diabetes tipo 2</strong>.</p><p dir="ltr">E a dieta também apresenta&nbsp;<strong>benefícios para o dia a dia</strong>. Um<strong> estudo de 2022&nbsp;</strong>descobriu que seguir uma dieta nórdica<strong> melhorou a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/03/o-que-e-a-higiene-do-sono-e-como-ela-afeta-a-saude"><strong>qualidade do sono</strong></a>, enquanto outro estudo constatou que&nbsp;<strong>mulheres idosas que seguem uma dieta nórdica</strong> apresentam melhores resultados em testes de&nbsp;<strong>desempenho físico</strong> — incluindo o teste de caminhada de seis minutos, flexões de braço e levantar-se de uma cadeira. Essas descobertas levaram os pesquisadores a concluir que&nbsp;<strong>esse estilo alimentar</strong> pode ajudar a&nbsp;<strong>reduzir o risco de incapacidade na terceira idade</strong>.</p><p>Embora&nbsp;<strong>não seja uma dieta específica para perda de peso</strong>, ela pode ter esse efeito. Uma revisão de sete estudos sobre o assunto constatou que pessoas que seguiram a dieta nórdica apresentaram&nbsp;<strong>melhorias no peso corporal</strong>.</p><p dir="ltr">Um&nbsp;<strong>benefício adicional</strong>: assim como outras&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/01/que-tal-comer-mais-vegetais-veja-um-guia-para-incluir-esses-alimentos-de-forma-mais-saborosa"><strong>dietas à base de plantas</strong></a>, a dieta nórdica pode ser também especialmente saudável para o planeta. "Um ponto positivo da dieta nórdica é que ela&nbsp;<strong>prioriza a saúde ambiental&nbsp;</strong>com alimentos de origem<strong> local e da estação</strong>", afirma&nbsp;<strong>Laura Chiavaroli</strong>, professora assistente do departamento de ciências nutricionais da Universidade de Toronto, no Canadá.&nbsp;<strong>Alimentos de origem local&nbsp;</strong>exigem menos transporte e, portanto,&nbsp;<strong>produzem menos emissões de gases de efeito estufa</strong>. E "leguminosas e vegetais têm uma pegada ambiental menor", acrescenta ela.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/saude/2026/01/ir-a-praia-faz-bem-ao-cerebro-segundo-a-ciencia-ha-varios-beneficios-de-momentos-junto-ao-mar"><em>Ir à praia faz bem ao cérebro, segundo a ciência. Há vários benefícios de momentos junto ao mar</em></a>)</p><h2 dir="ltr"   id="header_3113869_0"><strong>Efeitos anti-inflamatórios e outros motivos pelos quais a dieta nórdica funciona</strong></h2><p dir="ltr"><br>O que torna a&nbsp;<strong>dieta nórdica benéfica para tantas condições de saúde&nbsp;</strong>diferentes são os<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/02/conheca-4-alimentos-anti-inflamatorios-e-como-eles-agem-no-corpo"><strong>alimentos anti-inflamatórios</strong></a><strong>&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>ricos em antioxidantes&nbsp;</strong>que ela contém. Isso é significativo porque a inflamação é a principal via de acesso a todas as principais doenças crônicas, observa Katz.</p><p dir="ltr">“Os componentes da dieta nórdica, especialmente&nbsp;<strong>as frutas e os vegetais</strong>, são fontes&nbsp;<strong>ricas em antioxidantes</strong>”, afirma Chiavaroli. Além disso, os&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/10/o-arroz-pode-ter-diferentes-tipos-no-dia-internacional-do-arroz-veja-3-fatos-sobre-este-cereal"><strong>grãos integrais</strong></a>,<strong> frutas</strong>,&nbsp;<strong>vegetais e leguminosas&nbsp;</strong>presentes na dieta são boas&nbsp;<strong>fontes de fibras</strong>, que podem ajudar a aumentar a&nbsp;<strong>sensação de saciedade</strong> e promover o crescimento de&nbsp;<strong>bactérias saudáveis ​​no intestino</strong>, acrescenta Chiavaroli.</p><p dir="ltr">Além disso, grãos integrais como&nbsp;<strong>centeio e cevada têm um índice glicêmico mais baixo</strong>, o que ajuda na regulação do açúcar no sangue, observa&nbsp;<strong>Andrea Glenn</strong>, nutricionista e professora assistente de nutrição da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos. E os&nbsp;<strong>ácidos graxos ômega-3</strong> presentes em<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/03/quais-sao-os-3-beneficios-de-comer-peixe-regularmente"><strong>peixes oleosos</strong></a> são benéficos para a&nbsp;<strong>saúde do coração e do cérebro</strong>, afirma Blatner.</p><p dir="ltr">Além disso, a&nbsp;<strong>dieta nórdica “ajuda a equilibrar os níveis hormonais</strong>, principalmente de&nbsp;<strong>insulina</strong>,&nbsp;<strong>hormônios do estresse</strong> como epinefrina, norepinefrina e&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/03/voce-sabe-o-que-e-cortisol-e-por-que-deveria-se-preocupar-com-ele"><strong>cortisol</strong></a>, e [hormônios reguladores do apetite como]&nbsp;<strong>grelina e leptina</strong>”, explica Katz.</p><p dir="ltr">De fato, essa dieta é um exemplo de como&nbsp;<strong>a soma de seus ingredientes é maior do que a soma das partes individuais</strong>. “O que torna a&nbsp;<strong>dieta nórdica tão saudável é que há muitos fatores trabalhando juntos&nbsp;</strong>— provavelmente uma combinação de alimentos que&nbsp;<strong>reduzem a inflamação</strong> e o risco de todas essas principais causas de morte”, diz Joan Salge Blake, nutricionista e professora clínica de nutrição da Universidade de Boston (Estados Unidos) e apresentadora do podcast de nutrição e saúde&nbsp;<em>Spot On</em>!</p><p dir="ltr">Outra&nbsp;<strong>vantagem potencial</strong>: muitos elementos da dieta são bastante&nbsp;<strong>acessíveis</strong>. O óleo de canola, por exemplo, é mais barato que<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/12/os-6-beneficios-do-azeite-de-oliva-para-a-saude-de-acordo-com-a-ciencia"><strong> o azeite</strong></a> (que é um elemento básico da dieta mediterrânea), e os tubérculos costumam ser baratos, observa Glenn.</p><p dir="ltr">Quando se trata de ingredientes que tendem a ser mais caros, como&nbsp;<strong>peixe</strong>, você pode optar por<strong> enlatados ou congelados</strong>. "Quando frutos do mar ou vegetais são congelados, eles&nbsp;<strong>já estão limpos, picados</strong> e prontos para consumo, o que minimiza o desperdício de alimentos", afirma Salge Blake.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>Independentemente de onde você more</strong>, mesmo que não seja em um clima frio ou nórdico, você pode&nbsp;<strong>adaptar a dieta para que funcione para você</strong>. Se não encontrar&nbsp;<em>lingonberries</em>, por exemplo, pode optar por&nbsp;<strong>outras frutas vermelhas</strong>. Não encontra um pão de centeio nórdico tradicional no supermercado? Procure outro tipo de&nbsp;<strong>pão de centeio integral com sementes</strong>.&nbsp;</p><p>Ou escolha pães crocantes de centeio em vez de biscoitos comuns. A chave é&nbsp;<strong>priorizar alimentos integrais ou minimamente processados</strong>, comenta Glenn. “Há bastante espaço para variedade nessas escolhas alimentares”, diz Katz. Seja como for, acrescenta ele, “o benefício de&nbsp;<strong>se alimentar bem é ter mais anos de vida e mais qualidade de vida</strong> nesses anos”.</p>]]></content:encoded></item><item><title>A vida das chitas no Serengeti mostrada como nunca: leões, hienas e outras ameaças ao felino mais rápido do mundo</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/a-vida-das-chitas-no-serengeti-mostrada-como-nunca-leoes-hienas-e-outras-ameacas-ao-felino-mais-rapido-do-mundo</link><description><![CDATA[No mundo das aventuras com animais selvagens, Bertie Gregory parece ter feito de tudo. Ele rastreou pumas na Patagônia, nadou ao lado de grandes tubarões brancos sem gaiola na África do Sul e acampou durante uma nevasca gélida de seis dias para observar pinguins-imperadores na Antártida. Mas, até agora, ele nunca tinha experimentado a Tanzânia durante a Grande Migração — uma das últimas migrações...]]></description><category>Animais</category><pubDate>Thu, 19 Feb 2026 10:15:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/a-vida-das-chitas-no-serengeti-mostrada-como-nunca-leoes-hienas-e-outras-ameacas-ao-felino-mais-rapido-do-mundo</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/cheetahsupclosewithbertiegregory_editada.jpg?w=1600" length="1202344" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">No mundo das aventuras com animais selvagens,&nbsp;<strong>Bertie Gregory&nbsp;</strong>parece ter feito de tudo. Ele&nbsp;<strong>rastreou pumas na Patagônia,</strong>&nbsp;<strong>nadou ao lado de&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/12/as-5-caracteristicas-que-voce-nao-sabia-sobre-o-grande-tubarao-branco"><strong>grandes tubarões brancos</strong></a> sem gaiola na África do Sul e&nbsp;<strong>acampou durante uma nevasca gélida</strong> de seis dias para observar&nbsp;<strong>pinguins-imperadores na Antártida</strong>. Mas, até agora, ele nunca tinha experimentado a&nbsp;<strong>Tanzânia durante a Grande Migração</strong> — uma das&nbsp;<strong>últimas migrações de grandes mamíferos da Terra</strong>.</p><p dir="ltr">Mais de&nbsp;<strong>um milhão de animais vagam pelo Serengeti&nbsp;</strong>durante essa façanha anual, mas em seu novo documentário especial, – “<strong>Chitas de Perto com Bertie Gregory</strong>” (em exibição no&nbsp;<a href="https://www.disneyplus.com/pt-br/browse/entity-3f7006ca-994a-4e24-92b9-8c4c5e0eb494" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><strong>Disney+</strong></a>), o cineasta de vida selvagem e explorador da National Geographic decidiu filmar o mais ágil de todos: a chita. Dada sua reputação de animal terrestre mais rápido, Gregory presumiu que elas fossem intocáveis no reino animal. Mas depois de&nbsp;<strong>observar as chitas na natureza</strong> e&nbsp;<strong>testemunhar as ameaças naturais</strong> e não naturais que elas enfrentam todos os dias, ele percebeu que estava completamente errado.</p><p dir="ltr">Abaixo,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/fotografo/bertie-gregory"><strong>Bertie Gregory</strong></a><strong> nos conta sobre as dificuldades extremas&nbsp;</strong>que&nbsp;<strong>as chitas enfrentam na natureza</strong>, juntamente com os desafios técnicos que ele encontrou ao capturar esses felinos como nunca antes foram vistos.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Animais, vê pode se interessar por:</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/carnificina-nos-parques-a-caca-furtiva-de-hipopotamos-voltou-a-assombrar-uganda"><em> Carnificina nos parques: a caça furtiva de hipopótamos voltou a assombrar Uganda</em></a>)</p><h2        id="header_3113678_0"><strong>Uma viagem pelo território das chitas, o animal mais rápido do mundo</strong></h2><p dir="ltr"><br><strong>NatGeo – Como você acha que “Chitas de Perto” retrata de forma mais precisa esses belos animais?</strong><br><strong>Bertie Gregory&nbsp;</strong>– Como eles são famosos por serem<strong> os animais terrestres mais rápidos do mundo</strong> e<strong> predadores incríveis</strong>, presumimos que isso signifique que eles estão no topo da cadeia alimentar. Mas a realidade é que<strong> eles não são os principais predadores</strong>.&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/12/em-que-parte-do-mundo-vive-o-leao-o-rei-da-selva"><strong>Leões</strong></a><strong> e hienas estão em outro nível</strong>, e isso mostra o quanto<em> [as chitas]</em> precisam se esforçar para sobreviver.</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo – Uma das primeiras perguntas que você faz no programa é: “Por que é tão difícil para o animal terrestre mais rápido sobreviver?” Quais são algumas das dificuldades que as chitas enfrentam em seus habitats?</strong><br><strong>Bertie Gregory&nbsp;</strong>– Dentro das áreas protegidas,&nbsp;<strong>além das chitas, também há animais como leões e hienas</strong>. Agora, os leões, por exemplo: são muito bons em viver dentro de áreas protegidas, mas muito ruins em viver fora delas. E isso significa que&nbsp;<strong>há uma concentração muito alta de leões dentro de muitas áreas protegidas</strong>,&nbsp;<em>[tornando]</em>&nbsp;<strong>difícil para as chitas viverem</strong>. Portanto,&nbsp;<strong>a maioria das chitas na natureza vive fora</strong>&nbsp;<strong>dessas áreas</strong>. Mas quando saem desses locais, elas&nbsp;<strong>enfrentam todos os tipos de desafios</strong>, seja o conflito com o gado ou a destruição de seu habitat.</p><p dir="ltr">Como foram criadas para correr, e não para lutar,&nbsp;<strong>sua estratégia quando se encontram em apuros é fugir</strong>. E isso significa que&nbsp;<strong>precisam de muito espaço</strong> — muito mais espaço do que, digamos, uma alcateia de leões. E como todas as nossas áreas protegidas são bolsões isolados, os corredores entre as áreas conectadas são muito importantes. E, em muitos lugares, essa conectividade não existe.</p><p>(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/01/mumias-felinas-de-quase-2-mil-anos-sao-achadas-em-cavernas-da-arabia-e-revelam-santuario-secreto-das-chitas"><em>Múmias felinas de quase 2 mil anos são achadas em cavernas da Arábia e revelam santuário secreto das chitas</em></a>)</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo – O que você acha que diferencia as chitas de outros predadores nessas áreas protegidas?</strong><br><strong>Bertie Gregory&nbsp;</strong>– A&nbsp;<strong>maioria dos predadores&nbsp;</strong>dentro de um parque nacional africano&nbsp;<strong>é noturna ou crepuscular</strong>. Eles são mais ativos ao amanhecer e ao entardecer, porque é mais fácil se aproximar furtivamente das presas. Mas as chitas,&nbsp;<strong>por não conseguirem lutar contra&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/10/por-que-o-retrato-fantasmagorico-desta-hiena-foi-a-melhor-foto-de-animais-selvagens-de-2025"><strong>hienas</strong></a><strong> e leões, precisam caçar no meio do dia</strong>. A vida delas é muito difícil. Todos roubam sua comida, e elas precisam caçar em um horário péssimo do dia, quando está muito quente.</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo – No documentário, vemos três chitas machos enfrentando um gnus na chuva. Conte-me um pouco mais sobre a tecnologia que você usou para filmar isso.</strong><br><strong>Bertie Gregory&nbsp;</strong>–&nbsp;Algumas&nbsp;<strong>chitas adoram usar a chuva como cobertura&nbsp;</strong>porque&nbsp;<strong>suas presas baixam a guarda</strong>. Então pensamos: ok, câmeras não gostam de água. Como podemos garantir que conseguiremos filmar faça chuva ou faça sol? Como você viu no filme, Tom&nbsp;<em>[Walker, o diretor de fotografia]</em> estava usando um girador de chuva, em que o elemento frontal da lente gira milhares de vezes por segundo para basicamente espirrar a água para fora. Então, eu usei uma abordagem muito menos tecnológica [com o drone] e basicamente preenchi todos os buracos com selante de banheiro.<br><br>Felizmente, ambos funcionaram. O que foi incrível foi que esse plano ridículo deu certo.&nbsp;<strong>As chitas fizeram uma caçada incrível sob chuva forte</strong>, o que&nbsp;<strong>nunca havia sido filmado</strong> do início ao fim dessa forma antes.</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo – Você já havia enchido um drone com selante antes?</strong><br><strong>Bertie Gregory&nbsp;</strong>– Nunca! É uma ideia idiota! Eu realmente não achei que funcionaria. Eu já havia pilotado drones na chuva antes e sempre achei que eles eram uma espécie de bomba-relógio. Sempre que eu mandava o drone para fora, pensava: “essa pode ser uma missão sem volta”. Mas todas as vezes ele voltava, muito molhado, mas com o cartão de memória intacto.</p><p dir="ltr">(<em>Leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/06/hienas-tem-ma-reputacao-mas-sao-os-predadores-mais-bem-sucedidos-da-africa"><em>Hienas têm má reputação, mas são os predadores mais bem-sucedidos da África</em></a>)</p><p dir="ltr"><strong>NatGeo – Houve algo que lhe chamou a atenção durante as filmagens?</strong><br><strong>Bertie Gregory&nbsp;</strong>– Uma coisa que achei muito importante abordar dentro das áreas protegidas é&nbsp;<strong>o efeito do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/05/vida-selvagem-maus-tratos-turismo-exploracao-animal"><strong>turismo sobre a vida selvagem</strong></a><strong>&nbsp;</strong>— especialmente&nbsp;<strong>sobre animais como a chita, que tenta caçar quando os humanos estão ativos&nbsp;</strong>durante o dia. Existem animais como os leões, por exemplo, que podem ser incomodados por veículos durante o dia, mas ainda assim conseguem realizar a maior parte de suas atividades à noite, sem serem perturbados. Para as chitas, esse não é o caso.</p><p dir="ltr">Eu experimentei isso em primeira mão quando muitos veículos se aglomeravam em torno de um animal.&nbsp;<strong>Vimos muitos exemplos de pessoas se aproximando demais</strong>,<strong> o que não é correto</strong>. É muito fácil culpar o guia por isso. Mas a realidade é que&nbsp;<strong>muitos desses guias estão sob uma enorme pressão</strong>. Eles não ganham muito dinheiro, então receber uma boa gorjeta é muito importante para suas famílias e seu sustento. Então, na verdade, cabe a nós, visitantes, fazer mais perguntas sobre o impacto do que estamos fazendo.<strong> Só porque você vai ver a vida selvagem não significa que está ajudando</strong>. Pode ser exatamente o contrário.</p><p dir="ltr">Não quero que as pessoas evitem ver a vida selvagem, porque, se feito da maneira certa, isso é algo muito bom. Na verdade, é fundamental para a sobrevivência dos animais — garantir que esses animais tenham valor financeiro é muito importante para justificar sua proteção.<br><br>&nbsp;</p><p dir="ltr"><em>Esta entrevista foi editada para maior clareza e concisão.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title>Ano Novo Chinês 2026: o Ano do Cavalo de Fogo está de volta, pela primeira vez em 60 anos</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/ano-novo-chines-2026-o-ano-do-cavalo-de-fogo-esta-de-volta-pela-primeira-vez-em-60-anos</link><description><![CDATA[Com o início das celebrações do Ano Novo Lunar, também conhecido como Ano Novo Chinês, em todo o mundo (festa que iniciou no dia 17 de fevereiro e vai até 3 de março), 2026 marca o início do Ano do Cavalo — um símbolo de progresso, independência e resistência. Este ano também marca algo mais raro: o Ano do Cavalo de Fogo — um retorno raro e vibrante que ocorre apenas uma vez a cada 60 anos.O Ano...]]></description><category>História</category><pubDate>Wed, 18 Feb 2026 17:00:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/ano-novo-chines-2026-o-ano-do-cavalo-de-fogo-esta-de-volta-pela-primeira-vez-em-60-anos</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/gettyimages-2256946885.jpg?w=1600" length="1358629" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Com o&nbsp;<strong>início das celebrações do Ano Novo Lunar</strong>, também conhecido como&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/como-e-comemorado-o-ano-novo-chines"><strong>Ano Novo Chinês</strong></a>, em todo o mundo (festa que iniciou no dia&nbsp;<strong>17 de fevereiro e vai até 3 de março</strong>),&nbsp;<strong>2026 marca o início do Ano do Cavalo&nbsp;</strong>— um símbolo de&nbsp;<strong>progresso</strong>,&nbsp;<strong>independência</strong> e&nbsp;<strong>resistência</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Este ano também marca algo mais raro:&nbsp;<strong>o Ano do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/01/o-retorno-dos-ultimos-cavalos-selvagens-registrado-em-fotos-de-national-geographic-no-cazaquistao"><strong>Cavalo</strong></a><strong> de Fogo</strong> — um&nbsp;<strong>retorno raro e vibrante</strong> que ocorre apenas uma vez&nbsp;<strong>a cada 60 anos</strong>.</p><p dir="ltr">O&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/02/o-que-e-o-ano-novo-lunar-e-por-que-ele-provoca-a-maior-migracao-anual-do-mundo"><strong>Ano Novo Lunar</strong></a> acontece entre o final de janeiro e meados de fevereiro, com sua&nbsp;<strong>data definida pelo antigo calendário lunissolar</strong> da China.&nbsp;</p><p dir="ltr">Desde pelo menos o<strong> século 2 a.C.</strong>,<strong> cada novo ano&nbsp;</strong>recebe o nome de&nbsp;<strong>um dos&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/01/serpente-porco-dragao-quantos-e-quais-sao-os-animais-celebrados-a-cada-ano-novo-chines"><strong>12 animais do Horóscopo Chinês</strong></a>, que se repetem em um&nbsp;<strong>ciclo de 12 anos</strong>. Na astrologia chinesa, acredita-se que cada um dos&nbsp;<strong>animais do zodíaco</strong> que regem os anos possua<strong> características distintas</strong> que supostamente se refletem nas pessoas nascidas naquele ano correspondente.</p><p dir="ltr">(<em>Leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/ano-novo-chines-o-que-e-o-horoscopo-chines-veja-como-o-antigo-calendario-moldou-a-vida-por-seculos"><em>Ano Novo Chinês: o que é o Horóscopo Chinês? Veja como o antigo calendário moldou a vida por séculos</em></a>)</p><p dir="ltr">Nas celebrações deste ano, os&nbsp;<strong>símbolos do cavalo de fogo</strong> estarão por toda parte, adornando&nbsp;<strong>decorações festivas</strong>, bem como envelopes,&nbsp;<strong>cartões e papéis</strong> de embrulho que acompanham os presentes do Ano Novo Lunar.</p><p dir="ltr">Confira, a seguir,&nbsp;<strong>o que o Ano do Cavalo de Fogo simboliza&nbsp;</strong>à medida que o&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographic.pt/historia/por-que-razao-ano-novo-lunar-desencadeia-maior-migracao-anual-mundo_5759" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><strong>Ano Novo Lunar</strong></a> se desenrola.</p><h2 dir="ltr"       id="header_3113859_0"><strong>O que significa o Ano do Cavalo?</strong></h2><p dir="ltr"><br><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/os-cavalos-selvagens-de-pelo-encaracolado-da-patagonia-sao-um-enigma-que-escapou-ate-a-darwin"><strong>O cavalo</strong></a><strong> é reverenciado na cultura chinesa</strong> devido ao seu papel histórico na&nbsp;<strong>agricultura</strong>, no&nbsp;<strong>transporte</strong> e na&nbsp;<strong>guerra</strong>, afirma Jonathan H. X. Lee, professor de estudos asiáticos na Universidade Estadual de São Francisco, nos Estados Unidos.&nbsp;</p><p dir="ltr">No entanto,&nbsp;<strong>no Horóscopo Chinês</strong>, esse animal galopante&nbsp;<strong>simboliza força, graça, resistência, lealdade, liberdade e sucesso</strong>. Sua força, explica Lee, representa possibilidades de crescimento pessoal e sucesso.</p><p dir="ltr">Segundo Lee, isso é exemplificado pelo provérbio chinês: "<strong>Quando o cavalo chega, o sucesso chega</strong>". "A energia do cavalo está associada à&nbsp;<strong>energia&nbsp;</strong><em><strong>yang</strong></em>, que é ativa, dinâmica e geradora de vida, e remete à&nbsp;<strong>ambição e à vitalidade</strong>."</p><p dir="ltr">Na&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/08/quais-sao-as-origens-antigas-dos-signos-do-zodiaco"><strong>astrologia</strong></a><strong> chinesa</strong>, os&nbsp;<strong>anos do Cavalo</strong> favorecem a&nbsp;<strong>ação decisiva&nbsp;</strong>e a&nbsp;<strong>independência</strong>, ao mesmo tempo que alertam contra a impulsividade.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/02/ano-novo-chines-os-10-principais-dados-que-voce-deve-saber-sobre-essa-celebracao"><em>Ano Novo Chinês: os 10 principais dados que você deve saber sobre essa celebração</em></a>)</p><h2 dir="ltr"       id="header_3113859_1"><strong>Por que o Ano do Cavalo de Fogo é tão raro?</strong></h2><p dir="ltr"><br>Embora tenham se passado apenas 12 anos desde o último Ano do Cavalo, outros&nbsp;<strong>60 anos se passaram&nbsp;</strong>desde o mais recente&nbsp;<strong>Ano do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/os-cavalos-selvagens-e-os-ultimos-nomades-a-heranca-de-genghis-khan-sob-ameaca-na-mongolia"><strong>Cavalo</strong></a><strong> de Fogo</strong>.</p><p dir="ltr">Além de&nbsp;<strong>alternar entre 12 animais a cada ano</strong>, o&nbsp;<strong>calendário lunar chinês</strong> também<strong> alterna entre os cinco elementos&nbsp;</strong>tradicionais chineses:&nbsp;<strong>terra</strong>,&nbsp;<strong>madeira</strong>,&nbsp;<strong>fogo</strong>,<strong> metal</strong> e&nbsp;<strong>água</strong>. Enquanto o animal muda a cada ano, o elemento muda apenas a cada dois anos.</p><p dir="ltr">Por isso,&nbsp;<strong>2024&nbsp;</strong>foi o ano do&nbsp;<strong>Dragão de Madeira</strong> e<strong> 2025</strong> o ano da&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/01/ano-novo-chines-2025-quando-comeca-e-qual-o-animal-do-novo-ano"><strong>Serpente de Madeira</strong></a>. Agora,&nbsp;<strong>2026 celebrará o Cavalo de Fogo</strong>, antes de&nbsp;<strong>2027&nbsp;</strong>marcar o ano da&nbsp;<strong>Cabra de Fogo</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essa combinação de 12 animais e cinco elementos significa que&nbsp;<strong>cada combinação distinta de animal e elemento ocorre apenas uma vez a cada 60 anos</strong>. O Ano do Cavalo foi celebrado pela última vez em 2014, quando foi associado ao elemento madeira.</p><h2 dir="ltr"      id="header_3113862_0"><strong>Características do Ano do Cavalo de Fogo</strong></h2><p dir="ltr"><br>O<strong> Ano do Cavalo de Fogo</strong> compartilha as&nbsp;<strong>características do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2021/11/misteriosa-origem-dos-cavalos-domesticos-pode-ser-finalmente-revelada"><strong>cavalo</strong></a>:&nbsp;<strong>poder</strong>,&nbsp;<strong>resistência</strong>,<strong> independência</strong>,&nbsp;<strong>lealdade</strong> e prosperidade, explica Lee. Mas cada característica é amplificada pela sua<strong> combinação com o fogo</strong>, o mais volátil dos cinco elementos tradicionais chineses.</p><p dir="ltr">“A consequência do fogo é o crescimento”, comenta Lee. “Isso significa que haverá&nbsp;<strong>muitas oportunidades de crescimento</strong>, então os indivíduos são encorajados a&nbsp;<strong>seguir em frente com seus objetivos&nbsp;</strong>pessoais,&nbsp;<strong>abraçar a mudança e perseverar</strong> no processo para obter a recompensa final.”</p><p dir="ltr">O&nbsp;<strong>cavalo de fogo também é um&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/05/cavalos-velozes-evoluiram-apenas-recentemente-indica-importante-estudo-sobre-equinos"><strong>animal veloz</strong></a>, o que indica que&nbsp;<strong>2026</strong> será um ano em que os<strong> eventos se desenrolarão rapidamente</strong>. Especialistas dizem que o Ano do Cavalo exigirá “<strong>ação ousada e tomada de riscos</strong>”, em forte contraste com o Ano da Serpente de Madeira de 2025, que foi visto como um período de progresso cauteloso.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>anos do Cavalo de Fogo</strong>, também chamados de&nbsp;<strong>anos Bing-Wu</strong>, historicamente "<strong>desestabilizam a ordem vigente</strong>" em nossas sociedades, segundo Xiaohuan Zhao, professor de sinologia da Universidade de Sydney. "Há uma longa associação entre os anos Bing-wu e&nbsp;<strong>períodos de instabilidade social ou política</strong> na tradição histórica", explica ele.&nbsp;</p><p dir="ltr"><strong>O último Ano do Cavalo de Fogo foi 1966</strong>, ano marcado pelo início da&nbsp;<strong>Revolução Cultural Chinesa</strong>, pelo desastre de Aberfan no País de Gales e pela&nbsp;<strong>escalada da</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/09/o-que-foi-a-guerra-do-vietna-e-quais-as-suas-causas"><strong> Guerra do Vietnã</strong></a>.</p>]]></content:encoded></item><item><title>As cerejeiras podem "respirar"? A ciência explica como isso é possível</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/02/as-cerejeiras-podem-respirar-a-ciencia-explica-como-isso-e-possivel</link><description><![CDATA[A beleza das cerejeiras impressiona. Mas além de observar sua floração e visitar os festivais de cerejeiras que ocorrem em vários lugares do mundo, especialmente no Japão e na China, conhecer melhor essas árvores e entender sua fisiologia. Por exemplo, qual é a primeira coisa que você faz ao entrar no carro depois de ele ter ficado o dia todo no sol quente? Abre as janelas! Bem, as árvores também...]]></description><category>Meio Ambiente</category><pubDate>Wed, 18 Feb 2026 11:10:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/02/as-cerejeiras-podem-respirar-a-ciencia-explica-como-isso-e-possivel</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/cerejeiras.jpg?w=1600" length="1601804" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A<strong> beleza das&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2019/03/-galeria-fotografia-flor-boranica-cereija-cherry-blossom-lindas-fotos-primavera-flores-cerejeiras"><strong>cerejeiras</strong></a> impressiona. Mas além de observar&nbsp;<strong>sua floração</strong> e&nbsp;<strong>visitar os festivais de cerejeiras&nbsp;</strong>que ocorrem em vários lugares do mundo, especialmente no<strong> Japão e na China</strong>, conhecer melhor essas árvores e&nbsp;<strong>entender sua fisiologia</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Por exemplo, qual é a primeira coisa que você faz ao entrar no carro depois de ele ter ficado o dia todo no sol quente? Abre as janelas! Bem,&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/09/no-dia-da-arvore-descubra-qual-e-a-arvore-simbolo-do-brasil"><strong>as árvores</strong></a><strong> também precisam de janelas em seus troncos e galhos</strong> para permitir a&nbsp;<strong>circulação de ar</strong>.</p><p dir="ltr">Se você está pensando "Espere! Eu aprendi na&nbsp;<strong>aula de Botânica</strong> que a&nbsp;<strong>troca de gases ocorre nas folhas das árvores, não na casca</strong>", você está certo. As&nbsp;<strong>folhas têm pequenos orifícios</strong> em suas superfícies — chamados<strong> estômatos</strong>, ou "pequenas bocas" — que se abrem e fecham para permitir que as&nbsp;<strong>folhas absorvam dióxido de carbono e liberem oxigênio para a&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/03/oceano-ou-arvores-quem-produz-mais-oxigenio"><strong>fotossíntese</strong></a>.</p><p dir="ltr">Porém,&nbsp;<strong>não só as folhas</strong> fazem esse processo…&nbsp;<strong>As árvores também respiram</strong>, assim como nós,&nbsp;<strong>absorvendo oxigênio e liberando dióxido de carbono</strong>. E a respiração ocorre nas&nbsp;<strong>células de todos os tecidos vivos das árvores</strong>, não apenas nas folhas.</p><p dir="ltr">(<em>Leia também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2026/02/dia-de-darwin-tentilhoes-estudados-pelo-naturalista-em-galapagos-tem-gene-em-comum-com-humanos"><em>Dia de Darwin: tentilhões estudados pelo naturalista em Galápagos têm gene em comum com humanos</em></a>)</p><p dir="ltr">Como essa troca pode ocorrer em&nbsp;<strong>partes das&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2025/09/qual-e-a-arvore-mais-antiga-do-brasil-spoiler-ela-tem-mais-de-600-anos"><strong>árvores</strong></a><strong> que não são folhas</strong>, como<strong> troncos e galhos</strong>, tecidos que não possuem estômatos?&nbsp;<strong>É um enigma</strong>, pois a<strong> casca da árvore é a primeira linha de defesa</strong>. Ela age como uma camada impermeável que&nbsp;<strong>impede que insetos e doenças</strong> cheguem às estruturas internas da árvore.</p><p dir="ltr">Pense no&nbsp;<strong>tronco de uma&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/video/tv/flores-de-cerejeira-anunciam-a-chegada-da-primavera-na-china"><strong>cerejeira</strong></a>, com suas<strong> linhas estreitas gravadas</strong> na casca. Essas linhas — chamadas&nbsp;<strong>lenticelas</strong>, ou ainda “<strong>pequenas janelas</strong>” — são, na verdade,&nbsp;<strong>portais na casca que permitem que a árvore respire</strong>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essas fendas em forma de lente na casca permitem a<strong> passagem de gases entre as células vivas no interior e o ar externo</strong>, fazendo com que as&nbsp;<strong>cerejeiras consigam “respirar”</strong> também por seu tronco.</p><p>Os botânicos também usam&nbsp;<strong>o formato das lenticelas para identificar árvores</strong>. Algumas árvores, como&nbsp;<strong>a cerejeira e a bétula</strong>, têm lenticelas&nbsp;<strong>bem proeminentes</strong>, mas a maioria é invisível a olho nu. Mesmo que você não consiga vê-las, elas estão lá,<strong> ajudando as árvores</strong>&nbsp;<strong>a sobreviverem</strong> até mesmo nos dias mais quentes.</p><p><br><em>** Neste trecho de seu novo livro "</em>Tree Notes: A Year in the Company of Trees<em>" (Notas sobre Árvores: Um Ano na Companhia das Árvores, em tradução livre), a Exploradora da </em>National Geographic<em>, Nalini M. Nadkarni, revela como pequenas "janelas" na casca das árvores as ajudam a respirar.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title>Ano Novo Chinês : o que é o Horóscopo Chinês? Veja como o antigo calendário moldou a vida por séculos</title><link>https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/ano-novo-chines-o-que-e-o-horoscopo-chines-veja-como-o-antigo-calendario-moldou-a-vida-por-seculos</link><description><![CDATA[O Ano Novo Chinês começa em 17 de fevereiro de 2026 e, com ele, a mítica em todos dos 12 animais que regem os anos e representam o Horóscopo Chinês. “Você é do signo de Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão ou Porco?” Essa pergunta é central para o zodíaco chinês, um antigo sistema astrológico ainda relevante na cultura chinesa — e em todo o mundo —...]]></description><category>História</category><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 11:15:00 GMT</pubDate><dc:creator>National Geographic</dc:creator><guid isPermaLink="false">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2026/02/ano-novo-chines-o-que-e-o-horoscopo-chines-veja-como-o-antigo-calendario-moldou-a-vida-por-seculos</guid><enclosure url="https://static.nationalgeographicbrasil.com/files/styles/image_3200/public/dh71k5.jpg?w=1600" length="867144" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/como-e-comemorado-o-ano-novo-chines"><strong>Ano Novo Chinês</strong></a> começa em&nbsp;<strong>17 de fevereiro de 2026&nbsp;</strong>e, com ele, a mítica em todos dos&nbsp;<strong>12 animais que regem os anos&nbsp;</strong>e representam o<strong> Horóscopo Chinês</strong>. “Você é do&nbsp;<strong>signo de Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão ou Porco</strong>?” Essa pergunta é central para o zodíaco chinês, um antigo&nbsp;<strong>sistema astrológico&nbsp;</strong>ainda relevante na&nbsp;<strong>cultura chinesa&nbsp;</strong>— e em todo o mundo — atualmente.&nbsp;</p><p dir="ltr">Repleto de<strong> mitos e lenda</strong>s, o sistema do&nbsp;<strong>Horóscopo ou Zodíaco Chinês atribui</strong> diferentes anos e&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/01/serpente-porco-dragao-quantos-e-quais-sao-os-animais-celebrados-a-cada-ano-novo-chines"><strong>animais às pessoas nascidas em cada ano</strong></a> e, em seguida, projeta traços de&nbsp;<strong>personalidade</strong> com base nos comportamentos desses animais.</p><p dir="ltr">O próximo&nbsp;<strong>Ano Novo Chinês de 2026 dará início ao reinado do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/02/os-cavalos-selvagens-de-pelo-encaracolado-da-patagonia-sao-um-enigma-que-escapou-ate-a-darwin"><strong>Cavalo</strong></a>, que será o animal que vai reger esse ano que se inicia.</p><p dir="ltr">Mas&nbsp;<strong>como surgiu o Horóscopo (também conhecido como Zodíaco) Chinês</strong> e por que ele&nbsp;<strong>ainda é tão importante na China moderna?</strong> Aqui está o que você precisa saber sobre o sistema astrológico e seus reflexos na vida moderna.</p><p dir="ltr">(<em>Sobre Cultura, leia também:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2026/02/entre-pseudonimos-e-tragedias-4-fatos-sobre-emily-bronte-e-seu-livro-o-morro-dos-ventos-uivantes"><em>Entre pseudônimos e tragédias: 4 fatos sobre Emily Brontë e seu livro "O Morro dos Ventos Uivantes"</em></a>)&nbsp;</p><h2 dir="ltr"     id="header_3113831_0"><strong>As origens ancestrais do zodíaco chinês</strong></h2><p dir="ltr"><br>Também conhecido como&nbsp;<strong>Sheng Xiao ou Shu Xiang</strong>, a&nbsp;<strong>origem do zodíaco é incerta</strong>. Segundo a lenda, o sistema surgiu de uma&nbsp;<strong>corrida mítica de animais realizada por&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2024/12/quais-sao-as-religioes-mais-antigas-do-mundo"><strong>Buda</strong></a> ou pelo&nbsp;<strong>Imperador de Jade</strong>, uma figura divina na religião popular chinesa.</p><p dir="ltr"><strong>Um desses mitos</strong> explica que o Imperador de Jade queria&nbsp;<strong>criar um sistema zodiacal baseado em animais</strong>, então convidou todos os animais para uma corrida por um lugar no sistema.<strong> A ordem em que eles atravessaram um rio</strong> ou compareceram à corte se refletia na&nbsp;<strong>progressão dos animais a cada ano</strong>, com cada<strong> período de 12 anos&nbsp;</strong>começando com o<strong> Ano do Rato</strong> e terminando com o&nbsp;<strong>Ano do&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/08/cientistas-chineses-anunciam-o-1o-transplante-de-pulmao-de-porco-para-um-humano"><strong>Porco</strong></a>.&nbsp;</p><p dir="ltr">Existem&nbsp;<strong>várias versões do conto popular</strong>, destacando as diferentes&nbsp;<strong>características dos animais&nbsp;</strong>como a razão para sua posição no zodíaco. O&nbsp;<strong>astuto rato</strong>, por exemplo,<strong> é o primeiro&nbsp;</strong>no ciclo porque, segundo os mitos, ele pegou carona nas costas do próximo animal, o boi.</p><p dir="ltr"><strong>Outras lendas</strong> sobre a origem do zodíaco afirmam que&nbsp;<strong>os animais</strong> não correram, mas sim<strong> participaram de um banquete oferecido por Buda&nbsp;</strong>antes de sua partida da Terra. Diz-se que a ordem em que os animais apareceram no banquete influenciou sua posição no zodíaco.</p><p dir="ltr">Embora a&nbsp;<strong>data exata do surgimento do zodíaco seja incerta</strong>, acredita-se que seus&nbsp;<strong>12 grupos de animais já eram utilizados</strong> durante o período Zhan Guo, ou Reinos Combatentes, entre os<strong> séculos 5 e 3 a.C.</strong> Sua&nbsp;<strong>popularidade aumentou&nbsp;</strong>a partir daí e, por volta de&nbsp;<strong>550 d.C.</strong>, os animais do zodíaco já haviam sido codificados e se tornaram estereótipos populares que perduram até hoje.</p><p dir="ltr">(<em>Você pode se interessar também:</em>&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/02/ano-novo-chines-os-10-principais-dados-que-voce-deve-saber-sobre-essa-celebracao"><em>Ano Novo Chinês: os 10 principais dados que você deve saber sobre essa celebração</em></a>)</p><h2 dir="ltr"     id="header_3113831_1"><strong>Um ciclo de 12 anos</strong></h2><p dir="ltr"><br>Embora&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/08/quais-sao-as-origens-antigas-dos-signos-do-zodiaco"><strong>o zodíaco</strong></a><strong> de 12 anos</strong>, baseado no&nbsp;<strong>calendário lunar</strong>, seja o&nbsp;<strong>sistema zodiacal mais conhecido na China atualmente</strong>, ele&nbsp;<strong>não é o único ciclo&nbsp;</strong>desse tipo na cultura chinesa. O<strong> sistema das Vinte e Oito Mansões&nbsp;</strong>acompanha o trânsito da lua ao longo do equador durante o ano, produzindo 28 signos.&nbsp;</p><p dir="ltr">Um dos&nbsp;<strong>muitos sistemas de calendário da&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/07/visivel-do-espaco-entenda-essa-e-outras-curiosidades-sobre-a-grande-muralha-da-china"><strong>China</strong></a> — o sistema dos Troncos e Ramos — também é considerado&nbsp;<strong>uma forma importante de planejar ou prever eventos auspiciosos</strong>. Tudo, desde o nome de uma criança até a data de uma viagem, pode ser planejado com a ajuda de alguns ou de todos esses sistemas de calendário.</p><p dir="ltr"><strong>As três tradições</strong> derivam de uma&nbsp;<strong>prática antiga de associar eventos astronômicos ao destino</strong>. Como observa o historiador Endymion Porter Wilkinson,&nbsp;<strong>os astrônomos eram figuras importantes nas antigas cortes chinesas</strong>, onde também atuavam&nbsp;<strong>como astrólogos</strong> e escribas a serviço do imperador.&nbsp;</p><p dir="ltr">Seu trabalho era especialmente valioso porque&nbsp;<strong>os presságios “eram interpretados</strong> para indicar se um governante estava ou não em conformidade com o céu”, e<strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/12/quem-foi-carl-sagan-o-cientista-que-desvendou-o-cosmos-e-combateu-a-desinformacao"><strong>os astrônomos</strong></a><strong> viam os símbolos astrológicos&nbsp;</strong>como “um símbolo&nbsp;<strong>extremamente importante</strong> da legitimidade [de um governante] e da correção de seu governo”.&nbsp;</p><p dir="ltr">A&nbsp;<strong>astronomia era tão valorizada</strong> que somente os astrônomos da dinastia reinante podiam elaborar e distribuir um calendário.&nbsp;<strong>Com o tempo</strong>, porém, o&nbsp;<strong>zodíaco chinês se difundiu entre a população em geral</strong>, tornando-se uma tradição popular muito apreciada.</p><p dir="ltr">Embora não esteja claro exatamente&nbsp;<strong>como os antigos astrólogos criaram esses sistemas</strong>, alguns pesquisadores acreditam que o&nbsp;<strong>ciclo de 12 anos de Sheng Xiao</strong> foi<strong> inspirado pelas observações de Júpiter&nbsp;</strong>enquanto este se movia lentamente pelo céu noturno. O ciclo do planeta eventualmente se altera, de acordo com Adam Smith, especialista em Ásia Oriental da Universidade da Pensilvânia.</p><p dir="ltr"><strong>Outras culturas com influência chinesa usam horóscopos semelhantes</strong>, mas os animais podem variar. Por exemplo, o&nbsp;<strong>zodíaco coreano usa a ovelha em vez da cabra</strong>, enquanto<strong> no Vietnã</strong>, o&nbsp;<strong>búfalo substitui o boi</strong>. A versão vietnamita do zodíaco também inclui o gato em vez do coelho.&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/08/descubra-como-o-seu-gato-vivencia-o-mundo"><strong>Os gatos</strong></a> só foram&nbsp;<strong>introduzidos na China há cerca de 1.400 anos</strong>, depois que o zodíaco já havia surgido.</p><p dir="ltr">(<em>Conteúdo relacionado:&nbsp;</em><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/01/a-uniao-de-astrologia-com-viagem-esta-em-alta-na-internet-o-que-e-a-astrocartografia"><em>A união de astrologia com viagem está em alta na internet: o que é a astrocartografia?</em></a>)&nbsp;</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113834_0"><strong>O Horóscopo Chinês na cultura moderna</strong></h2><p dir="ltr"><br>Apesar de&nbsp;<strong>sua origem obscura</strong>, o&nbsp;<strong>zodíaco de 12 anos sobreviveu</strong> aos séculos, e sua importância para a<strong> cultura popular chinesa</strong> — e para a&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/03/qual-e-a-relacao-do-urso-panda-com-a-china"><strong>China moderna</strong></a> — é inegável. O&nbsp;<strong>Horóscopo Chinês é frequentemente usado na escolha de nomes</strong>, e acredita-se popularmente que<strong> o ano zodiacal de uma pesso</strong>a está relacionado à&nbsp;<strong>vida familiar</strong>,&nbsp;<strong>personalidade</strong>, gênero e destino.&nbsp;</p><p dir="ltr">Essas&nbsp;<strong>opiniões zodiacais são consideradas parte da religião popular&nbsp;</strong>chinesa e ganharam&nbsp;<strong>popularidade&nbsp;</strong>nos anos que se seguiram ao&nbsp;<strong>fim da Revolução Cultural Chinesa</strong>,<strong> que reprimiu expressões&nbsp;</strong>da história e das tradições populares chinesas em favor dos ensinamentos de&nbsp;<strong>Mao Tsé-Tung</strong>. Embora essas tradições sejam difíceis de quantificar, um grupo de cientistas sociais estimou que havia&nbsp;<strong>578 milhões de adeptos de religiões populares</strong> somente na China continental em 2012 — cerca de 55% da população na época.</p><p dir="ltr">Os&nbsp;<strong>estereótipos representados pelos animais do zodíaco chinês</strong> são tão&nbsp;<strong>prevalentes que sua popularidade&nbsp;</strong>pode ser medida indiretamente em termos de dólares, centavos e até mesmo taxas de natalidade. Na&nbsp;<strong>década de 1990</strong>, o demógrafo Daniel Goodkind descobriu que&nbsp;<strong>os Anos do Dragão de 1976 e 1988</strong> registraram um&nbsp;<strong>aumento&nbsp;</strong>expressivo nas<strong> taxas de fertilidade na China</strong> e em países de língua chinesa — resultado da retomada da crença generalizada de que uma&nbsp;<strong>criança nascida no&nbsp;</strong><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2024/02/2024-e-o-ano-do-dragao-conheca-8-dragoes-que-realmente-existem"><strong>Ano do Dragão</strong></a><strong> terá uma vida de sorte</strong>. Nos anos seguintes, o&nbsp;<em>baby boom</em> ocorrido no Ano do Dragão tornou-se menos pronunciado.</p><p dir="ltr">Embora nenhuma data de nascimento ou&nbsp;<strong>signo astrológico</strong> tenha&nbsp;<strong>comprovadamente influenciado a personalidade ou a sorte</strong>, a crença na<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/a-astrologia-e-uma-ciencia">&nbsp;<strong>astrologia</strong></a><strong> afeta o comportamento</strong> das pessoas. O zodíaco chinês não é exceção, e&nbsp;<strong>crenças e estereótipo</strong>s sobre os anos de nascimento historicamente influenciaram&nbsp;<strong>decisões de casamento</strong>, o&nbsp;<strong>investimento</strong> dos pais em seus filhos e&nbsp;<strong>até mesmo a contratação de pessoal</strong> na China.</p><p dir="ltr">Estudos sugerem que&nbsp;<strong>estereótipos populares sobre os signos do zodíaco&nbsp;</strong>influenciam até mesmo a<strong> disposição das pessoas em assumir riscos</strong>. Um estudo de 2022 publicado no&nbsp;<em>Journal of Management Science</em>, por exemplo, descobriu que os entrevistados tinham dois pontos percentuais a mais de probabilidade de&nbsp;<strong>optar por investimentos sem risco</strong> durante o seu ano zodiacal, comumente associado à má sorte.&nbsp;</p><p dir="ltr">Esse e<strong>feito se estendeu à tomada de decisões corporativas</strong>, constataram os pesquisadores, com investimentos em pesquisa e&nbsp;<strong>aquisições corporativas</strong> apresentando queda durante o ano zodiacal dos presidentes de conselho.</p><h2 dir="ltr"    id="header_3113834_1"><strong>2026: O Ano do Cavalo</strong></h2><p dir="ltr"><br>Nos últimos anos, o&nbsp;<strong>Horóscopo Chinês tornou-se mais conhecido mundialmente</strong>, e as celebrações do&nbsp;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2024/02/o-que-e-o-ano-novo-lunar-e-por-que-ele-provoca-a-maior-migracao-anual-do-mundo"><strong>Ano Novo Lunar</strong></a> em todo o mundo frequentemente se baseiam em seu simbolismo. Então,<strong> o que o Ano do Cavalo reserva&nbsp;</strong>para o próximo ano?&nbsp;</p><p><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem/2026/02/os-cavalos-selvagens-e-os-ultimos-nomades-a-heranca-de-genghis-khan-sob-ameaca-na-mongolia"><strong>O cavalo</strong></a> é&nbsp;<strong>associado à responsabilidade e à estabilidade</strong>, com&nbsp;<strong>um lado um tanto selvagem</strong> e uma forte veia independente. Prepare-se para 2026 — um ano que, de acordo com o zodíaco chinês, pode<strong> trazer oportunidades, força e aventura</strong>.</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>