Vídeo raro: tubarões-baleia se unem para caçar com outros predadores

O maior peixe do mundo foi flagrado se alimentando de enormes cardumes junto com outros tubarões, atuns e até aves, algo raramente capturado pelas câmeras.

Raro registro mostra tubarões-baleias se alimentando de um cardume de peixes com ajuda de outros predadores, incluindo aves mergulhadoras.

Foto de Tom Cannon
Publicado 23 de mar. de 2022 16:24 BRT, Atualizado 24 de mar. de 2022 15:15 BRT

Os tubarões-baleia, o maior peixe do mundo, passam a maior parte do tempo nadando lentamente, engolindo quantidades em massa de criaturas minúsculas, como o krill, pelo método da filtragem. Mas esse retrato está incompleto – esses gigantes têm hábitos de caça mais complexos do que se pensava.

Novos registros no recife de Ningaloo, a oeste da Austrália, revelam que esses animais podem caçar em conjunto com outros predadores, incluindo atum, outros tubarões e até aves marinhas mergulhadoras.

Em um vídeo recente, captado em março de 2020 pelo fotógrafo Tom Cannon, pelo menos três tubarões-baleia foram vistos entrando em um cardume esférico, um comportamento raramente capturado pela câmera.

Este vídeo capturado no recife Ningaloo, a oeste da Austrália, em março de 2020, mostra um grupo de tubarões-baleia se alimentando de cardumes de peixes junto com outros predadores, como atum e uma ave mergulhadora chamada pardela-do-pacífico.

“Eu assisti a filmagem centenas de vezes, e isso ainda me surpreende”, diz Emily Lester, pós-doutoranda do Instituto Australiano de Ciências Marinhas e principal autora de um artigo de pesquisa, publicado em fevereiro, que detalha o encontro.

O que comem os tubarões-baleia

Enquanto o krill e outros plâncton compõem a maior parte das dietas dos tubarões-baleia, cientistas sabem há muito tempo que peixes pequenos como anchovas e sardinhas – e até mesmo lulas, ocasionalmente – aparecem no cardápio. Fixar as especificidades de quando, onde e por que esses animais optam por um sustento mais considerável, no entanto, é uma tarefa difícil.

"Os tubarões-baleia podem ser realmente desafiadores para estudar, apesar do tamanho enorme, porque não costumam ficar em um mesmo lugar", diz Lester. Eles não podem cruzar oceanos inteiros, mas também são conhecidos por mergulhar milhares de metros abaixo da superfície.

Encontros com tubarões-baleia como os de Ningaloo – que ocorrem todos os anos entre março e agosto – oferecem uma oportunidade única para cientistas e entusiastas do oceano observarem esses animais esquivos em águas rasas e próximas. Mesmo assim, observa Lester, ser parte de um evento de alimentação como este é semelhante a encontrar uma agulha em um palheiro do tamanho do oceano.

As técnicas de caça do tubarão-baleia

É provável que a alimentação de bolas de isca dos tubarões-baleia ocorra com mais frequência do que é capturada pela câmera. Evidências anedóticas do comportamento foram documentadas em agregações sazonais em todos os oceanos tropicais do mundo. Relatos de testemunhas oculares de tais eventos na Austrália Ocidental, por exemplo, remontam a mais de 20 anos.

Mas evidências fotográficas subaquáticas como esta são raras. Cada nova peça de filmagem contém pistas únicas sobre o que leva os tubarões-baleia para o banquete de isca, e quais estratégias eles usam para aproveitar ao máximo quando chegam lá.

Quando você é mais longo e mais pesado que um ônibus, comer é tudo sobre conservar energia. Os tubarões-baleia nas filmagens de Ningaloo foram vistos se alimentando investindo com velocidade com a boca aberta através do centro da bola de isca, bem como posicionando-se verticalmente sob ela, preparados para aspirar peixes em suas bocas.

Ambas as táticas requerem mais esforço do que nadar lentamente pelo oceano com a boca aberta, o que torna imprescindível que as goladas sejam altamente calóricas quando eles se alimentam dessas maneiras. (Saiba mais: Muitos tubarões vivem um século – mais do que se pensava.)

Cooperação entre predadores: é normal?

O recife de Ningaloo é conhecido por suas águas biodiversas. Situado a 1200 quilômetros ao norte de Perth, o patrimônio mundial protegido da UNESCO abriga populações de predadores relativamente intactos.

Banqueteando ao lado dos gigantes malhados na filmagem de Cannon estavam outros peixes grandes, como atum, xaréu, e tubarões-cobre, bem como uma coorte de pardelas-do-pacífico mergulhadoras, aves marinhas da família Petrel. Lester e seus colegas se perguntam se os tubarões-baleia de Ningaloo podem estar se apoiando em seus colegas mais ágeis para fazer alguns dos trabalhos pesados.

“As interações fizeram encheram a minha mente com um monte de perguntas”, diz Lester. "Sabemos que quando as bolas de isca estão por perto, outros predadores fazem esses ataques coordenados espacialmente para maximizar sua eficiência na alimentação. E se a mesma coisa está acontecendo aqui?

Tubarões-baleia: cooperação ou oportunismo?

Os tubarões-baleia certamente podem gerenciar o feito sozinhos: um grupo de sete tubarões-baleia foram filmados encurralando um cardume de anchovas no Golfo de Tadjoura, na costa de Djibouti, um país da África Oriental, em 2017. Esse encontro, e relatos de outros como ele na região, ocorreram durante a estação de fim de temporada, uma época em que tubarões-baleia normalmente migram para outro lugar.

É possível que, para certos indivíduos, o benefício de banquetes de peixes de alta caloria supere o de longos nados em busca de presas menores. Mirar a mesma bola de isca que outros predadores pode aumentar ainda mais os ganhos de energia dos tubarões.

“Sozinhos, os tubarões-baleia definitivamente perseguirão peixes ao redor, mas, abençoe suas peles irregulares, eles são relativamente lentos e desajeitados”, diz o biólogo marinho Simon Pierce, que conduz pesquisas sobre tubarões-baleia há mais de 15 anos, e não estava envolvido com o estudo recente.

“Eles não parecem ter muito sucesso por conta própria, mas quando outros predadores estão lá atacando o cardume alvo, forçando-os a contrair em uma bola defensiva, a maior boca recebe mais peixes”.

O recife Ningaloo promete mais vídeos raros

As bocas do tubarão-baleia podem atingir um impressionante 1,5 m de diâmetro. Embora isso seja uma má notícia para o peixe-isca, os pássaros na filmagem de Cannon não estavam em perigo. Apesar de ter cerca de 300 fileiras de dentes minúsculos, tubarões-baleia não mastigam.

Além disso, as gargantas de tubarão-baleia são tão largas quanto uma toranja, o que torna improvável que algo tão grande como uma pardela possa descer pela garganta.

Ter um tubarão gigante pegando a maior parte da sua refeição parece uma grande desvantagem, mas pode haver algum benefício para os pássaros e outros peixes também.

“Eu me pergunto se isso é uma interação de duas vias”, questiona Lester. “Depois que os tubarões-baleia atacam através da bola de isca, esses outros predadores podem focar nos peixes isolados que estão separados?” Mais trabalho é necessário para provocar a dinâmica em jogo, mas essas observações proporcionam um começo intrigante.

“Esta é apenas uma interação, e tivemos muita sorte em conseguir imagens dela”, diz Lester. “Mas espero que tenhamos ainda mais sorte no futuro”. O próspero ecossistema de Ningaloo, juntamente com os inúmeros entusiastas do oceano que o documentam, colocam esse objetivo ao alcance.

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