A história não contada da batalha de tanques mais brutal de todos os tempos

Há 30 anos, milhares de tanques se enfrentaram em um campo de batalha no deserto. Atualmente, a ‘Noite do Terror’ ainda assombra veteranos da Guerra do Golfo.

Publicado 27 de mar. de 2021 08:00 BRT
Soldados dos Estados Unidos examinam tanque iraquiano destruído em fevereiro de 1991, quando 35 nações uniram ...

Soldados dos Estados Unidos examinam tanque iraquiano destruído em fevereiro de 1991, quando 35 nações uniram forças para libertar o Kuwait da ocupação militar do ditador Saddam Hussein.

Foto de Photograph Eric Bouvet, Gamma-Rapho/Getty Images

A batalha de tanques mais acirrada da história da guerra não foi travada contra os nazistas na Europa nem no Norte da África, e sim há apenas 30 anos, no deserto do Iraque.

A Operação Sabre do Deserto, a ofensiva terrestre de quatro dias da operação militar com seis semanas de duração, conhecida como Tempestade no Deserto, envolveu uma campanha brutal entre tanques que superou até mesmo a batalha impiedosa de Kursk na Segunda Guerra Mundial, uma batalha entre cerca de seis mil tanques alemães e soviéticos durante um período exaustivo de seis semanas.

“Kursk foi maior se for considerada a campanha inteira”, afirma Gregory Fontenot, coronel aposentado e historiador que comandou um batalhão de tanques durante as horas que talvez tenham sido as mais intensas da Tempestade no Deserto: uma noite violenta posteriormente apelidada de Noite do Terror por seus participantes.

“Mas não houve nenhuma outra batalha — antes ou depois da Tempestade no Deserto — em que mais de três mil tanques, além de outros milhares de veículos blindados, lutaram durante cerca de 36 horas.”

Tanques de batalha Abrams M1A1 e outros veículos de combate percorrem o deserto ao norte do Kuwait. O sucesso da campanha dependeu da engenhosidade das forças de coalizão para avançar pelos extensos campos minados de Saddam.

Foto de Corbis/Getty Images

Em três encontros épicos — apelidados de Direção Leste 73, Região Montanhosa de Medina e Noite do Terror (oficialmente conhecida como Batalha de Norfolk) — gigantes blindados de ambos os lados enfrentaram-se implacavelmente, transformando o extenso deserto no estande de tiro ao tanque mais abarrotado da história.

Para os milhões de norte-americanos que ficaram vidrados nas telas de suas televisões no fim de fevereiro de 1991, as notícias vindas do Kuwait foram extremamente triunfantes. As tropas aliadas estavam destruindo por completo as forças do ditador iraquiano Saddam Hussein, tomando suas posições e expulsando-as do Kuwait, o pequeno país rico em petróleo invadido pelo exército de Hussein em agosto do ano anterior.

Os noticiários mostraram frotas de tanques aliados varrendo o deserto como uma debandada de búfalos, derrotando os tanques do Iraque de fabricação russa e pulverizando-os em nuvens de fogo e fumaça. Multidões de soldados iraquianos supostamente se renderam sem lutar. Imagens sombrias de cadáveres de iraquianos queimados, com as mãos carbonizadas retorcidas ao morrer, pareciam servir como lições objetivas sobre os perigos de desafiar o poder dos “mocinhos” do mundo.

Quando tudo acabou, menos de cem horas após o início da ofensiva final, os telespectadores dos noticiários ouviram a contagem de vítimas: 292 soldados da coalizão mortos, diante de dezenas de milhares de soldados iraquianos. Sentados em sofás confortáveis, os telespectadores se entreolharam e disseram: “Bem, foi fácil.”

Só que não foi fácil.

Desde o momento em que o Iraque invadiu seu vizinho menor ao sul, em 1º de agosto de 1990, diversas nações condenaram a empreitada. Nos meses seguintes, uma força militar maciça de 35 nações liderada pelos Estados Unidos foi montada na vizinha Arábia Saudita. O objetivo declarado da presença militar era impedir a invasão da Arábia Saudita pelo Iraque. Mas não era segredo que, se a ocupação do Iraque no Kuwait persistisse, a coalizão tentaria expulsar as forças iraquianas de volta para sua própria fronteira.

“Em primeiro lugar, não se pode dizer que foi uma guerra de cem horas — é um desrespeito à Força Aérea dos Estados Unidos e aos outros militares que iniciaram o ataque contra os iraquianos em janeiro”, afirma Fontenot, sentado na sala de sua casa em Lansing, no estado de Kansas. Atrás dele, há um quadro pendurado de dois tanques dos Estados Unidos avançando em direção ao observador, “o ângulo de visão dos iraquianos”.

Em 17 de janeiro de 1991, a coalizão iniciou ataques aéreos contra o Iraque, bombardeando bases de mísseis e outras instalações militares. Ao mesmo tempo, tropas terrestres na Arábia Saudita eram treinadas para a guerra no deserto e combates isolados ocorriam entre os dois lados ao longo da fronteira com a Arábia Saudita.

Em meados de fevereiro, as forças da coalizão pareciam concentrar suas atenções à Cidade do Kuwait, a capital portuária da nação ocupada. Quando os navios de guerra se reuniram perto da costa, os iraquianos ficaram convencidos de que o ataque iminente ocorreria na costa.

Mas enquanto os iraquianos se concentravam na entrada frontal do Kuwait, a coalizão atacou pelos fundos: em 24 de fevereiro, uma das maiores forças de tanques já reunidas — mais de três mil — além de milhares de veículos blindados de apoio e soldados da infantaria atravessaram a vasta fronteira mal protegida entre Arábia Saudita e Iraque que se estendia a oeste. O comandante general Norman Schwarzkopf planejou uma estratégia grandiosa chamada por ele de “gancho de esquerda”: os tanques da coalizão avançariam ao norte até o Iraque por uma determinada distância, depois virariam abruptamente ao leste, seguindo em direção à Cidade do Kuwait ocupada e destruindo toda a resistência inimiga ao longo do caminho.

‘Uma vez operador de tanque, sempre operador de tanque’

Paul Sousa observa um tanque Abrams M1A1 enorme com o afeto de um homem de meia-idade que reencontra seu primeiro carro. O veículo possui quase 10 metros de comprimento e pesa quase 68 toneladas, mas, para ele, é uma linda caranga.

“Esse é o meu possante”, sorri. “Trabalhei com esses veículos por 18 anos. Na Tempestade no Deserto, permaneci em um deles por 100 horas seguidas — só saí para ir ao banheiro, ajudar no abastecimento ou segurar uma metralhadora enquanto os outros abasteciam.”

Cerca de 1,9 mil dessas máquinas foram despachadas contra os iraquianos na Tempestade no Deserto. O inimigo tinha milhares de tanques da era soviética em condições de uso, mas nada comparável ao poder de fogo à disposição de Sousa, um artilheiro da 1ª Divisão de Cavalaria.

Versões modernizadas do M1A1 ainda são utilizadas em todo o mundo, mas esse em especial, localizado em um canto do American Heritage Museum (“Museu do Patrimônio dos Estados Unidos”, em tradução livre), em Stow, estado de Massachusetts, com mais de 6,2 mil metros quadrados, é o único tanque exposto ao público do mundo.

Um tanque M1A1 atira em direção às posições iraquianas. O enorme canhão do tanque disparou projéteis em formato de dardo — alguns carregados com urânio empobrecido — que percorriam 1,6 quilômetro por segundo e perfuravam facilmente os tanques inimigos.

Foto de Steve McCurry, Magnum Photos

Iraquianos em retirada incendiaram campos de petróleo em Burgan. Logo uma nuvem tóxica e oleosa com cerca de 50 quilômetros de largura se espalhou pelo Golfo Pérsico. “Só era possível ver uma luz fraca no horizonte”, conta o artilheiro Paul Beaulieu. “No alto, havia uma nuvem de fumaça dos campos de petróleo e, abaixo, o solo estava encharcado de petróleo.”

Foto de Bruno Barbey, Magnum Photos

O M1A1 era tripulado por quatro soldados: um comandante, um motorista, um artilheiro e um carregador. Esses soldados se consideravam operadores de tanque. “Uma vez operador de tanque, sempre operador de tanque”, como costumam dizer. O comandante senta-se no alto, observando o território ao redor. O motorista fica na frente e projeta a cabeça para fora de um orifício logo abaixo do canhão. Quem se senta no banco do artilheiro, entretanto, tem a sensação de que a máquina foi construída ao seu redor. Não há um centímetro de espaço livre, apenas uma variedade de equipamentos e munições imprensados contra o operador.

“Passei a guerra inteira lá no escuro observando pelo periscópio”, acrescenta Sousa. “Meio escondido.”

No início da manhã de 24 de fevereiro, as forças da coalizão se espalharam secretamente por cerca de 480 quilômetros ao longo da fronteira entre a Arábia Saudita e o Iraque. Oficiais militares iraquianos tinham algumas suspeitas, mas não tomaram nenhuma atitude a respeito delas.

“Sabe que até minha mãe percebeu?”, brinca Randy Richert, que serviu na 1ª Divisão de Infantaria. Ele fez treinamento como operador de tanque, mas acabou conduzindo um coronel no meio e ao redor de formações de tanques em movimento em um Humvee desarmado, como um golfinho pulando em torno de um grupo de baleias.

“Minha mãe ouvia notícias sobre todas as outras divisões aglomeradas perto do Kuwait, a leste, porém nada a nosso respeito. Então disse às amigas: ‘acho que Randy está em algum lugar no deserto’”.

Antes da Tempestade no Deserto, muitos dos operadores de tanques do Exército passaram quase uma década treinando nos M1A1s na Europa — para uma possível invasão soviética através da Cortina de Ferro.

“Era a época da Guerra Fria”, recorda o artilheiro Paul Beaulieu. “Estávamos sempre alertas; sempre esperando por uma invasão soviética. Nunca imaginei que acabaria aproveitando aquele treinamento em algum lugar no deserto, mas eu estava pronto.”

Caminhando ao redor do M1A1 no American Heritage Museum, Beaulieu observa que o avançado sistema de suspensão do tanque permitia que se deslocasse de forma surpreendentemente suave, até mesmo nos terrenos mais acidentados do deserto. Apontando para um antigo tanque Sheridan M551 da década de 1960, também utilizado na Tempestade no Deserto, ele acrescenta: “em comparação com andar naquele tanque ali, é como um Cadillac”. Ironicamente, o Sheridan foi realmente produzido pela Cadillac.

‘Chovia lama’

Na primeira manhã, os tanques, acompanhados pela infantaria e outros veículos blindados, avançavam contra as defesas iraquianas — muitas das quais haviam sido quase destruídas por ataques aéreos anteriores — enquanto seguiam incessantemente ao norte.

Totalmente despreparados, dezenas de milhares de soldados de infantaria iraquiana — a maioria formada por adolescentes e jovens obrigados a servir por Saddam — lutaram bravamente, mas estavam bem menos armados. Muitos se renderam quando os tanques chegaram a seus acampamentos. Mas esses não eram os combatentes mais habilidosos do Iraque. Eram meras buchas de canhão e estavam distribuídos em perímetros amplos na frente da tão temida Guarda Republicana do Iraque.

Nos Estados Unidos, os telespectadores assistiam às filmagens dos tanques M1A1 em alta velocidade por um deserto seco e plano sob um céu ensolarado. Mas eram filmes de treinamento. Na realidade, o clima no Iraque estava péssimo: choveu forte no deserto durante a maior parte da ofensiva. Pior ainda, foi uma chuva pegajosa e oleosa — causada pela precipitação da fumaça dos campos de petróleo do Kuwait incendiados pelos iraquianos.

O sucesso rápido da invasão surpreendeu até mesmo Schwarzkopf, que mandou suas tropas avançarem bem antes do planejado. A decisão aumentou a vantagem da coalizão, mas custou caro demais às tropas já exaustas.

“Simplesmente não era possível dormir”, conta Richert. “Se alguém parasse um minuto, adormeceria. Só era possível talvez tirar uma soneca de 20 minutos pelas oito horas seguintes.”

Houve uma série de combates entre tanques nos primeiros dois dias da operação, mas a guerra entre blindados começou de fato em 26 de fevereiro, quando o 2º Regimento da Cavalaria Blindada dos Estados Unidos e outras unidades encontraram tanques da Guarda Republicana após virarem a leste em direção ao Kuwait. Em um confronto notável, a Tropa A — liderada pelo Capitão H.R. McMaster, que viria a ser o futuro Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos — assumiu uma posição acima do leito de um rio seco e, por quatro horas, lutou contra sucessivas ondas de tanques iraquianos.

Horas depois, a apenas alguns quilômetros de distância, a 1ª Divisão de Infantaria e a 3ª Brigada da 2ª Divisão Blindada (também conhecida como “Inferno sobre Rodas”) travaram uma batalha no meio da noite com mais tanques da Guarda Republicana — a Noite do Terror de Fontenot.

No escuro, na chuva, na fumaça, dificilmente as condições poderiam ser piores. Os tanques dispararam uns contra os outros sem ter certeza de que lado estavam. Soldados iraquianos cercaram os tanques da coalizão, tentando encontrar brechas pelas quais pudessem mirar suas metralhadoras. Os operadores de tanques fecharam as escotilhas em resposta enquanto seus companheiros em tanques próximos literalmente os bombardeavam com tiros de metralhadora, exterminando os intrometidos (Passados 75 anos, a Batalha de Iwo Jima ainda assombra esse veterano).

O céu ficou iluminado com balas traçantes. Quando os tanques passaram por colinas baixas ou depressões, os combatentes iraquianos saltaram de seus esconderijos, mirando suas bazucas nos tanques, na tentativa de eliminá-los. A ação rápida dos atiradores de metralhadoras dos tanques evitou um desastre.

“Em algumas ocasiões”, conta Fontenot, “havia apenas filas de tanques disparando uns contra os outros. Foi uma batalha de 360 graus.”

Na confusão e na escuridão, acidentes fatais inevitavelmente aconteceram. Em seu livro, The First Infantry Division and the U.S. Army Transformed: Road to Victory in Desert Storm, (“A Primeira Divisão de Infantaria e o Exército dos Estados Unidos Transformados: Estrada para a Vitória na Tempestade no Deserto”, em tradução livre), Fontenot relata o momento aterrorizador em que uma bala perfurante de blindagem atirada por um M1A1 destruiu um Veículo de Combate de Infantaria Bradley dos Estados Unidos, soltando faíscas cintilantes para o alto.

Fontenot ordenou especificamente a seus homens que não atirassem até terem certeza absoluta de que era um inimigo que estava em sua mira. Ainda assim, não consegue esquecer o que chama de “fratricídio” daquela noite caótica. Uma combinação de fogo amigo e fogo inimigo matou seis norte-americanos e feriu 32.

“Havia tantos fatores a considerar”, justifica ele. “Chovia lama, meu Deus do céu! As nuvens e a fumaça atrapalhavam a visibilidade. Alguém comentou que, naquela noite, a visibilidade era tão ruim que era como olhar dentro de um armário com óculos escuros.”

A fadiga também desempenhou um papel, conta Fontenot. “Os combatentes viram o que esperavam ver, ainda que não houvesse realmente nada ali. Se vissem veículos de combate vindo em sua direção, tomavam atitudes que poderiam não ser as mais corretas.”

Após a Noite do Terror, havia uma última grande batalha de tanques: um embate de 40 minutos em um local na região montanhosa de Medina, envolvendo cerca de três mil veículos, incluindo 348 tanques M1A1. Foi o último bastião de resistência da Guarda Republicana do Iraque, sua melhor batalha na breve guerra. Ainda assim, o alcance dos canhões dos M1A1 era tão superior ao dos iraquianos que podiam disparar quase impunemente. Helicópteros de ataque e aviões antitanque A-10 sobrevoaram para ajudar no extermínio.

A vitória na região montanhosa de Medina foi rápida, decisiva — e, para muitos norte-americanos, traumatizante.

“Minha esposa não precisa saber o que ocorreu”, contou um operador de tanque ao New York Times. “Não quero que ela conheça esse meu lado.”

Uma patrulha dos Estados Unidos passa por um tanque iraquiano destruído e um cadáver carbonizado. As forças da coalizão libertaram o Kuwait em 27 de fevereiro de 1991. Cerca de 50 mil soldados iraquianos morreram e a paisagem do Kuwait ainda apresenta marcas das manchas de petróleo, incêndios e rastros de tanques.

Foto de Bruno Barbey, Magnum Photos

A partir da violação do cessar-fogo, as batalhas da Tempestade no Deserto duraram pouco menos de cem horas. Entre 25 mil e 50 mil soldados iraquianos foram mortos e 80 mil capturados. Dentre os 219 soldados norte-americanos mortos, 154 morreram em batalha, muitos deles por fogo amigo.

Cerca de 3,3 mil tanques iraquianos foram destruídos em batalhas no deserto e por ataques aéreos. A coalizão perdeu 31 tanques.

Um momento sombrio

O M1A1 no American Heritage Museum é reluzente e parece novo. É uma segunda-feira, o museu está fechado e Hunter Chaney do museu pergunta se eu gostaria de me sentar dentro do tanque. A resposta, claro, é sim.

Preciso de uma escada para subir na lateral do tanque — um jovem soldado teria que escalá-lo como uma cabra-montesa. Deslizo para o interior escuro do tanque, viro o banco de mola do artilheiro e fico em posição. Botões e interruptores controlam o exaustor da torre e indicam se o canhão principal de 120 mm está armado ou com trava de segurança. Uma placa do fabricante informa que a torre sozinha, logo acima da minha cabeça, pesa 23,1 toneladas.

A última vez que vi algo assim pessoalmente foi nos meses após a Tempestade no Deserto, durante um desfile militar da vitória nas ruas de Washington, D.C.

Mas não tenho essa sensação de triunfo. Foi um momento sombrio, ainda mais pelo fato de alguém ter morrido no banco ao meu lado. Após o fim da Guerra do Golfo, esse M1A1 especificamente permaneceu no Oriente Médio, onde foi colocado em operação durante a Guerra do Iraque. Em 3 de agosto de 2006, em uma patrulha próxima a Fallujah, o tanque foi atingido por um artefato explosivo improvisado (“IED”, na sigla em inglês). Um estilhaço atingiu o pescoço do comandante, um jovem pai chamado George Ulloa.

Em um tributo em vídeo mostrado repetidamente perto do tanque, a esposa chorosa de Ulloa fala sobre seu amor por seus três filhos e por seu país.

As guerras podem ser passageiras, mas parecem durar para sempre. E a depender da perspectiva, até mesmo uma guerra de cem horas pode parecer uma eternidade.

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