Animais

Estas aves decoram seus ninhos com lixo – veja por que

Algumas espécies mostram dominância através da decoração.Thursday, December 28, 2017

Por Nina Strochlic
Parte do ninho de um corrupião-de-bullock foi tramado com pedaços de plástico. Algumas espécies adotam uma decoração berrante para atrair as fêmeas; outras usam sacos plásticos para dissuadir rivais.
Esta reportagem é parte da edição de janeiro de 2018 da revista National Geographic Brasil. Publicada por ContentStuff.

Os sacos de plástico branco adejando na copa das árvores nos Alpes italianos deixaram Fabrizio Sergio intrigado. O ecologista italiano sabia que os sacos estavam presos aos ninhos de uma ave, o milhafre-preto. Mas por que estariam lá?

Muitas espécies de ave decoram os ninhos como uma forma de atrair um companheiro – mas os milhafres já têm parceiros quando constroem os ninhos. Ainda assim, a decoração dos ninhos dos milhafres indica que “há algo que eles querem mostrar”, comenta Sergio.

O cientista estuda os elementos constituintes dos ninhos. Algumas aves usam material isolante e bitucas de cigarro, por exemplo, em vez de materiais naturais, explica o professor de ornitologia Luis Sandoval, da Universidade da Costa Rica. Tais adaptações podem reforçar o seu êxito reprodutivo – ou indicar o sumiço no hábitat dos elementos de construção. “Os seres humanos afetam diretamente os ninhos”, diz Sandoval.

Como parte de um estudo, Sergio e os seus colegas colocaram na natureza sacos plásticos de cores distintas. Os milhafres sempre escolheram os de cor branca para os seus ninhos, ignorando as opções transparentes e escuras que não contrastavam com as cores da natureza.

Em função disso, Sergio concluiu que os milhafres-pretos recorriam aos sacos brancos para exibir o seu predomínio social. Os ninhos com mais plástico pertenciam às aves mais poderosas, capazes de afugentar os atacantes interessados na decoração. Já os ninhos sem saco plástico eram de aves mais jovens e mais velhas, que seriam débeis demais para defender os seus lares dessas incursões.

Continuar a Ler