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CEO e ex-astronauta defendem ações individuais que impactem o meio ambiente

Nicolas Baretzki, líder da Montblanc, e Leroy Chiao, ex-comandante da Estação Espacial Internacional, conversam sobre como cuidar do planeta Terra.quarta-feira, 10 de julho de 2019

Por Paulo Verri Filho
O astronauta Leroy Chiao em missão na Estação Espacial Internacional.

Um novo tipo de conexão que valorize e, por tabela, preserve o planeta que habitamos, exigiria algumas mudanças de cada um de nós. Principalmente, de alguns dos nossos hábitos de consumo mais antigos. Por exemplo, se muitos de nós consumíssemos com mais consciência os inúmeros itens feitos de plástico, poderíamos reduzir o impacto do lixo no ambiente costeiro e marinho dos oceanos.

A ideia de se reconectar mais criticamente, questionando a nossa ocupação e o futuro do nosso habitat a partir de uma perspetiva única sobre a exploração espacial foi compartilhada comigo pelo francês Nicolas Baretzki, CEO da Montblanc e, também, pelo sino-americano, ex-astronauta e comandante da Estação Internacional Espacial (ISS, na sigla em inglês) Leroy Chiao, em meados de junho em Houston, no estado americano do Texas, durante o lançamento de uma linha de produtos da marca. A seguir, alguns trechos dessa conversa, quando me contaram um pouco sobre como pensam e o que fazem para conscientizar as pessoas a realizarem pequenas ações individuais que fariam muita diferença na preservação do meio ambiente.

Nicolas Baretzki é CEO da Montblanc.
O astronauta Leroy Chiao participou de quatro missões à Lua e passou um total de 229 dias no espaço.

National Geographic: Leroy, como você usa, hoje, as suas experiências como astronauta, o que que vivenciou nas suas quatro missões espaciais?

Leroy Chiao: Eu costumo dizer que do espaço todas as coisas parecem bonitas, mesmo quando você olha para baixo e vê poluição. Até quando a poluição do ar está muito ruim em alguns lugares durante os meses de inverno.

Eu procuro passar que devemos fazer o que pudermos para, talvez, reduzir isso. Por outro lado, eu lembro também que se olharmos para os anos 1980 vamos constatar que havia muita poluição do ar, por exemplo, em Los Angeles, que foi reduzida em virtude das novos regulamentos e leis. A qualidade do ar lá, hoje, está muito melhor. Tomara que casos como esse possam encorajar outros países a fazer o mesmo.

National Geographic: Nicolas, qual é o impacto que a reprodução das experiências visuais dos astronautas pode causar nas pessoas?

Nicolas Baretzki: Eu estava conversando com Leroy sobre isso e fiquei sabendo que apenas cerca de 650 astronautas tiveram a oportunidade de ir ao espaço e sentir a maravilhosa emoção de ver o nosso planeta lá de cima. Eu acredito que essas imagens que estamos reproduzindo podem ser extremamente impactantes e lhe dou um paralelo. Há um ano eu estava discutindo sobre o problema do lixo plástico nos oceanos com uma pessoa. Ela precisou apenas me mostrar algumas fotografias de pássaros morrendo numa ilha a 2 mil km de distância de qualquer civilização para eu compreender a situação que as aves estavam cada vez mais capturando plástico descartado nos mares. Acho que imagens podem impactar por mostrar cenas dramáticas, como essas, mas, também, pela beleza de uma Terra azul, que nos induz a reflexões de como podemos mantê-la habitável.

Um museu de Houston tem uma cópia da famosa foto conhecida como o “Nascer da Terra”, feita por William Anders, na missão Apollo 8.

“Como Leroy, a maioria dos astronautas que tiveram a oportunidade de ver a Terra a partir do espaço, ao longo dos anos, compartilha o mesmo sentimento – a majestade do nosso planeta é difícil de descrever.”

por Nicolas Baretzki
CEO Montblanc

NG: Leroy, você costumava avistar a Amazônia enquanto orbitava a Terra?

LC: Sim, o rio e também uma floresta densa, que formava uma grande massa verde escura.

NG: Você conseguia identificar as marcas do desmatamento?

LC: Sim, eu lembro, por exemplo, que na minha primeira missão em 1994 havia muitos incêndios que eu conseguia identificar pelo fogo e pela fumaça branca subindo da floresta.

NG: Ainda muita floresta é queimada por lá hoje em dia, entre agosto de 2018 e abril de 2019, nós perdemos 2.169 km². O que você sentia quando via essas queimadas?

LC: Eu ficava impressionado e lembrava que o que se faz num lugar pode afetar outros. A preservação dessa floresta é importante para todo o nosso planeta.

A fim de aproveitar as correntes marinhas, os cavalos-marinhos se agarram a ervas marinhas e outros detritos naturais. Mas, nas águas poluídas ao largo da ilha indonésia de Sumbawa, este espécime se prendeu a um cotonete. “É uma foto que queria não ter feito”, diz o fotógrafo Justin Hofman.

“Embora há coisas que afetam mais do que as outras, todos nós temos responsabilidades e devemos fazer tudo o que pudermos. Tentar não desperdiçar recursos, tentar conservar, enfim, fazer o que puder. ”

por Leroy Chiao
Astronauta

NG: Nicolas, eu li que a cientista Heather J. Koldewey encontrou milhares de garrafas de plástico, de diversos países, numa ilha deserta. Isso tudo foi antes jogado no mar. O que você acha que poderia encorajar as pessoas, as empresas, a cuidarem mais do lixo que produzem?

NB: Na Montblanc, nós temos trabalhado há mais de vinte anos em educação para sustentabilidade junto com entidades internacionais. Eu acho que, no final, a educação acaba sendo o melhor caminho. Pois, nós precisamos estar bem informados, às vezes nós também precisamos ser chocados. Nós também precisamos poder participar, sem dificuldades, de iniciativas neste sentido.

NG: Se nós optarmos por hábitos de consumo consciente, o que devemos esperar de uma empresa?

NB: Nestes anos na minha empresa, eu aprendi que os consumidores esperam não só por mensagens, mas também por produtos que, além de criativos e belos, sejam verdadeiramente sustentáveis. Por exemplo, que as pessoas não descartem ou joguem fora. Quando uma empresa realmente age baseada em fortes crenças e não só em marketing, os consumidores compreendem e se identificam com ela.