Dinamarca sacrificará 15 milhões de visons após transmissão do coronavírus a pessoas

Autoridades dinamarquesas afirmam que as novas pesquisas indicam a necessidade de abater todos os visons mantidos nos 1,2 mil criadouros do país.

Publicado 6 de nov de 2020 12:19 BRST
A Dinamarca planeja sacrificar todos os 15 milhões de visons criados no país para prevenir o ...

A Dinamarca planeja sacrificar todos os 15 milhões de visons criados no país para prevenir o contágio pelo coronavírus.

Foto de Mads Claus Rasmussen, Ritzau Scanpix, AFP, Getty Images

QUASE 400 CASOS de coronavírus em pessoas parecem estar ligados a visons doentes em criadouros para exploração de peles na Dinamarca, anunciaram autoridades em entrevista coletiva. A revelação sugere que a transmissão de visons para pessoas é mais prevalente do que se acreditava, embora a maioria dos casos de coronavírus provavelmente tenha sido transmitida por humanos que tiveram contato com funcionários doentes dos criadouros e por interações na comunidade — não pela exposição a animais contaminados.

Agora as autoridades dinamarquesas afirmam que pretendem sacrificar todos os 15 milhões de visons existentes nos cerca de 1,2 mil criadouros para exploração de peles do país, como medida de precaução para proteger contra o coronavírus. Ao todo, 207 criadouros na Dinamarca continham visons que testaram positivo para o coronavírus. A decisão foi desencadeada por verificações da autoridade de saúde pública do país, o Instituto Estadual de Sorologia, que sugeriu que a cepa do vírus em circulação entre visons e humanos pode ter sofrido uma mutação capaz de comprometer a eficácia de uma futura vacina, levando à necessidade de medidas imediatas.

Na entrevista coletiva, o Ministro da Saúde dinamarquês Magnus Heunicke disse que a análise genômica de casos de coronavírus em dinamarqueses indica que metade dos 783 casos no norte do país estão relacionados a visons, segundo a Associated Press. As autoridades dinamarquesas não responderam imediatamente ao pedido de comentários da National Geographic.

A Dinamarca é o segundo maior produtor mundial de peles de visom depois da China. Portanto, o abate de todos os seus visons remanescentes terá enormes implicações à indústria de peles. A Holanda — o terceiro maior criador de visons — anunciou em junho que planeja antecipar o encerramento programado de sua indústria de peles de visom como resultado das transmissões generalizadas de coronavírus entre seus animais e de pesquisas que sugerem que ao menos dois funcionários de criadouros contraíram coronavírus a partir de visons. Antes da pandemia, a Holanda planejava encerrar sua indústria de peles de visom até 2024, mas agora o encerramento de todas as operações está previsto para o início de 2021. A China não fez nenhum anúncio sobre mudanças em sua indústria de peles de visom.

A situação nos Estados Unidos

Os Estados Unidos também confirmaram que visons contraíram coronavírus em criadouros em Utah, Wisconsin e Michigan, embora até agora não haja evidências de que esses animais estejam transmitindo a doença a humanos nos Estados Unidos. “As investigações estão em andamento e os dados serão divulgados assim que estiverem disponíveis”, afirmou Jasmine Reed, porta-voz dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na tradução em inglês).

Visons em 207 dos quase 1,2 mil criadouros para exploração de peles na Dinamarca foram contaminados com o coronavírus. Funcionários do governo sacrificaram mais de um milhão de visons.

Foto de Mads Claus Rasmussen, Ritzau Scanpix, AFP, Getty Images

“Estamos cientes dos casos e iniciativas da Dinamarca”, disse Joelle Hayden, porta-voz do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, ressaltando que o órgão monitora com o CDC e outros parceiros a situação fora dos Estados Unidos.

Ao contrário da Europa, os Estados Unidos não abateram todos os visons nos criadouros com casos de animais contaminados com o coronavírus. Não há exigência ou regulamentação federal que especifique métodos de controle do coronavírus em criadouros de visons nos Estados Unidos. Até o momento, as autoridades federais relegaram o controle dos surtos aos estados.

Espécie suscetível

A Dinamarca informou pela primeira vez que havia encontrado visons doentes em seus criadouros em junho, porém, naquele momento, pareceu que os funcionários estavam transmitindo o vírus aos visons. Naquela ocasião, 11 mil animais do criadouro contaminado foram sacrificados. Mais recentemente, milhões de visons foram abatidos em criadouros na Dinamarca, Espanha e Holanda.

Mick Madsen, chefe de comunicações da Fur Europe, grupo do setor com sede em Bruxelas que representa os criadouros e produtores de peles, confirmou os detalhes do abate determinado pelas autoridades dinamarquesas, mas não quis comentar sobre a decisão do governo dinamarquês ou sobre seus efeitos na indústria de peles.

Os visons podem ser mais suscetíveis ao coronavírus do que outros animais devido a um conjunto de fatores genéticos e ambientais, explica Reed, do CDC.

“Os visons de criadouros não apresentam grande diversidade genética, o que pode favorecer a transmissão e suscetibilidade a doenças infecciosas”, afirma Reed. “Além disso, visons de criadouros costumam ser mantidos em densidades relativamente elevadas, o que favorece o contágio pelo vírus.”

 
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