Cães também podem ser ‘gênios’ – assim como os seres humanos

De acordo com novo estudo, cães extremamente inteligentes são raros e os cientistas querem descobrir por quê.

Publicado 25 de jul. de 2021 16:00 BRT
border collie smart dogs

Border collies (na foto, um cão de trabalho no Arizona) são muito espertos. Isso se dá, provavelmente, porque foram treinados para prestar muita atenção aos comandos de pastores de ovelhas.

Foto de Adam Ferguson

Nós, seres humanos, gostamos de pensar que os nossos cães são inteligentes: eles conseguem ler nossas expressões faciais e até mesmo entender o que dizemos.

Mas alguns cães são excepcionais. Por exemplo, a Chaser, uma border collie dos Estados Unidos que recebeu a fama de “cão mais inteligente do mundo”. Ela conseguia reconhecer e se lembrar de 1.022 substantivos — o nome de cada um de seus brinquedos.

Na Alemanha, outro border collie, um macho chamado Rico, praticava “mapeamento rápido”, ou seja, ele conseguia aprender nomes de coisas novas com a velocidade e a inteligência de uma criança de 3 anos. Muitos outros border collies e duas fêmeas de yorkshire-terrier — uma do Brasil, chamada Vicky Nina, e outra dos Estados Unidos chamada Bailey — também foram considerados talentosos.  

Porém, quando vemos exemplos de gênios caninos, muitas vezes “é apenas um cão”, diz Claudia Fugazza, etologista que estuda a cognição canina na Universidade Eotvos Lorand, em Budapeste. “Nunca tivemos um número muito maior de exemplos”, observa ela.

Tentando mudar isso, Fugazza e seus colegas de um projeto chamado Family Dog Project pediram a donos de 34 cães de diversas raças que ensinassem nomes de dois brinquedos diferentes para os seus companheiros caninos.

Desses 34 cães, apenas um passou no teste: uma border collie chamada Oliva.

Esses resultados “significam que esse talento deve ser algo especial”, disse Fugazza, que é também autora principal de um  novo estudo sobre essa experiência, publicado recentemente no periódico Scientific Reports.

Em busca da origem do talento

Cientistas convidaram donos de cães de todo o mundo através das redes sociais e pediram que brincassem todos os dias de jogar o brinquedo para que os cães buscassem e devolvessem novamente enquanto repetiam o nome do brinquedo. Esse processo da pesquisa durou três meses.

Uma vez por mês, com a presença de um cientista do estudo, os donos testavam os cães — tanto adultos quanto filhotes — pedindo ao cão para pegar um dos dois brinquedos pelo nome. Os cães que conseguiam completar a tarefa recebiam um novo brinquedo e um novo nome para aprender.

Apesar do demorado processo de treinamento, apenas Oliva aprendeu a associar uma única palavra a um brinquedo. Na verdade, ela aprendeu 21 nomes em dois meses, embora tenha morrido de problemas de saúde dos quais sofria desde filhote, antes de poder fazer mais testes. 

“Os outros cães não aprenderam nada. Isso foi uma grande surpresa”, conta Fugazza. Para verificar se o estudo havia realmente funcionado, os cientistas também testaram seis border collies que já conseguiam associar alguns brinquedos aos nomes. Como previsto, todos os cães que participaram dessa segunda parte do estudo aprenderam mais nomes.

Fugazza relembra que 18 dos 33 cães que falharam no teste também eram border collies, o que é interessante, pois mostra que nem sempre a inteligência está associada à raça.

Como essa variação no nível de inteligência também ocorre com seres humanos, os cães podem dar pistas sobre o que torna um animal dotado e talentoso, diz ela.

“Pessoas talentosas mudaram o curso da história”, diz a cientista. “Por que existem tão poucos Mozarts e Einsteins? É a genética, o ambiente em que cresceu ou a prática? Achamos que os cães podem ser usados como um modelo para estudar a origem do talento.”

Para explorar essa questão, os cientistas planejam rastrear a genética e a história de algumas raças de cães para tentar identificar fatores que fazem com que alguns indivíduos sejam mais inteligentes.

Muitos pesquisadores acreditam que os border collies possuem a habilidade de aprender nomes porque sempre foram criados para pastorear ovelhas, o que exige atenção especial aos assobios e orientações verbais dos pastores.

O que torna alguns cachorros tão agressivos?
Cientistas estão trabalhando para entender como o comportamento é adquirido.

O que é ser “excepcional”?

Outros cientistas recomendam cautela ao buscar a definição de inteligência entre os cães.

“Um cão pode ser muito bom em aprender palavras e outro pode ser muito bom em tirar comida de latas de lixo mas, por questão de estereótipos, podemos decidir rotular apenas o primeiro como um cão extraordinário”, observa Monique Udell, pesquisadora que estuda a cognição canina na Universidade do Estado do Oregon, em Corvallis, que não participou do estudo.

“É evidente que alguns indivíduos aprendem algumas coisas mais rápido, ou melhor, de maneira diferente ou com mais habilidade do que outros, e essa é uma questão que vale a pena explorar”, acrescenta Udell.

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