
Onde realmente vive o peixe-remo, o misterioso "peixe do fim do mundo"?
Observou-se que o peixe-remo nada na posição vertical. De acordo com o Museu de História Natural da Flórida, isso pode ser um método para procurar presas.
O peixe-remo, ou arenque-rei (Regalecus glesne), habita águas profundas e raramente é visto por humanos. Por esse motivo, o recente aparecimento de dois exemplares em uma praia de Cabo San Lucas, no México, chamou a atenção e despertou o interesse em saber exatamente onde esse animal vive e por que aparece apenas ocasionalmente.
Segundo o jornal mexicano “La Razón”, os peixes foram avistados por turistas que caminhavam pela praia no último dia 10 de março. Eles encontraram primeiro um peixe grande e prateado parcialmente encalhado na areia e, ao tentarem ajudá-lo, notaram outro.
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Este espécime de peixe-remo exposto em um museu de Western Cape (Cabo Ocidental), no sudoeste da África do Sul, mostra bem o comprimento do animal. O Regalecus glesne é considerado o peixe ósseo mais longo do mundo.
Por que o peixe-remo é conhecido como “peixe do fim do mundo”?
O animal também é conhecido como o "peixe do fim do mundo" porque às vezes aparece no litoral após tempestades e foi avistado antes do terremoto e tsunami de 2011 no Japão, de acordo com um artigo de 2024 da National Geographic.
Esses raros avistamentos e o formato alongado de seu corpo (o rei dos arenques pode atingir 11 metros de comprimento, sendo o peixe ósseo mais longo do mundo) podem ter dado origem a histórias lendárias de avistamentos de que eram “grandes serpentes marinhas” na antiguidade, como observa o Museu de História Natural da Flórida (Estados Unidos).
Embora hoje seja melhor compreendido e reconhecido como uma espécie da família Regalecidae (que inclui quatro espécies em dois gêneros), os encontros com o peixe-remo vivo são muito raros, e muito ainda precisa ser aprendido sobre ele.
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O corpo do peixe-remo não tem escamas. Suas barbatanas são rosadas ou vermelhas e sua pele varia do prateado ao azul prateado, com manchas e marcas onduladas que desaparecem rapidamente quando o peixe morre.
O peixe-remo tem ampla distribuição geográfica, mas raramente é visto na superfície
Segundo o Museu de História Natural da Flórida, nos Estados Unidos, o peixe-remo, caracterizado por seu corpo longo, cônico e prateado, é considerado uma espécie cosmopolita, ou seja, possui distribuição geográfica mundial, com exceção dos mares polares. Com base em observações humanas, ele é “amplamente distribuído no Oceano Atlântico e no Mar Mediterrâneo, desde Topanga Beach, no sul da Califórnia (Estados Unidos), até o Chile, no leste do Oceano Pacífico”, continua a fonte.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) concorda com a presença global da espécie e acrescenta que o Regalecus glesne é encontrado entre 15 e 1 mil metros de profundidade, nas zonas epipelágica (a camada superficial do oceano, que se estende da superfície até 200 metros) e mesopelágica (que se estende de 200 a 1000 metros) de mares tropicais e temperados. O museu da Flórida esclarece que, embora seja encontrado em grandes profundidades, o animal é mais tipicamente avistado em torno de 200 metros.
As fontes concordam que alguns espécimes são ocasionalmente observados perto da superfície ou encalhados na costa após tempestades. Mas, como habitam principalmente as profundezas do mar, avistar um peixe-remo perto da superfície “geralmente indica que o animal está doente, morrendo ou, pelo menos, desorientado”, explica a Ocean Conservancy, uma organização internacional para a conservação dos oceanos e da vida marinha.
A organização acrescenta que o fato de o Regalecus glesne viver em uma das áreas mais inexploradas do oceano explica por que o conhecimento atual sobre seu comportamento e estado de conservação é limitado.