Em raro espetáculo, Júpiter e Saturno irão praticamente se ‘esbarrar’ neste mês

Na noite de 21 de dezembro, observadores de estrelas poderão se deleitar, pois os dois planetas brilhantes parecerão estar mais próximos do que jamais estiveram nos últimos 400 anos.

Published 15 de dez de 2020 18:00 BRST
Júpiter e Saturno reluzentes em uma noite clara de julho sobre um campo de lavanda perto ...

Júpiter e Saturno reluzentes em uma noite clara de julho sobre um campo de lavanda perto da vila de Brihuega, na Espanha. Em dezembro de 2020, os dois planetas estarão visualmente mais próximos desde a última vez que foram vistos dessa forma, a partir da Terra, em 1623.

Foto de CMarcos del Mazo, Alamy Live News

OBSERVADORES DE ESTRELAS ganharão um presente de Natal adiantado: um acontecimento raro em que os dois planetas mais brilhantes do sistema solar, Júpiter e Saturno, se envolverão em uma dança celestial que dará a sensação de que os dois astros se beijarão ao anoitecer.

O momento de maior aproximação será em 21 de dezembro — o solstício de inverno para quem está no Hemisfério Norte, e o começo do verão para quem está no Hemisfério Sul. Faz 400 anos desde que os dois planetas estaveram assim próximos, em um evento conhecido como grande conjunção.

O melhor de tudo é que o espetáculo, que poderá ser visto em todo o mundo, pode ser apreciado sem nenhum equipamento especial — basta olhar em direção ao sudoeste assim que o céu escurecer. Quem tiver acesso a um telescópio ganhará um outro presente raro: basta configurar o instrumento para uma baixa potência para ver os dois planetas gigantes ocupando um único campo de visão. Júpiter, com suas quatro luas brilhantes, e Saturno, com seus anéis únicos, ficarão visíveis de uma só vez.

Mas não há necessidade de esperar esse dia específico para começar a procurar o acontecimento no céu. “Será muito mais divertido assisti-lo no decorrer do mês, em vez de apenas em 21 de dezembro”, afirma Laura Danly, curadora do Observatório Griffith de Los Angeles. “Será possível ver ambas as luzes, de Júpiter e Saturno, cada vez mais perto, até que no dia 21, estarão apenas um décimo de grau uma da outra” — cerca de um décimo da largura da lua cheia que vemos no céu.

Será uma grande proximidade, considerando que conseguimos cobrir todo o disco lunar facilmente com um polegar estendido. Mesmo assim, a maioria dos observadores deve ser capaz de distinguir os dois planetas. “Se sua visão for boa o suficiente para dirigir veículos, conseguirá constatar que Júpiter e Saturno são dois objetos distintos”, mesmo quando estiverem bem próximos no céu, acrescenta Danly.

Perto e longe

Os astrônomos chamam de conjunção quando esse alinhamento planetário próximo ocorre. Os alinhamentos de Júpiter-Saturno ocorrem cerca de uma vez a cada 20 anos e, dada sua raridade, são denominados “grandes conjunções”. Para comparar, as conjunções dos planetas localizados no sistema solar interior, Mercúrio e Vênus, entre si ou com um dos planetas do sistema solar exterior são muito mais comuns e ocorrem diversas vezes por década.

Quanto mais distante do sol estiver um planeta, mais lenta é sua movimentação pelo céu — e Júpiter e Saturno são os dois planetas mais distantes que podem ser vistos a olho nu. (Dos dois, Saturno, ainda mais distante do que Júpiter, além de fisicamente menor, é o planeta que brilha menos.) Júpiter completa uma volta ao redor do Sol a cada 12 anos, ao passo que Saturno leva cerca de 30 anos — uma receita celestial que resulta no encontro de ambos no céu a cada duas décadas.

No entanto, nem todas as conjunções de Júpiter com Saturno ocorrem da mesma forma. Suas órbitas não se encontram exatamente no mesmo plano. (Se assim fosse, Júpiter literalmente bloquearia nossa visão de Saturno a cada 20 anos.) Normalmente, os planetas passam acima ou abaixo uns dos outros no céu, separados por alguns graus. Neste ano, embora os dois planetas gigantes apareçam um ao lado do outro a partir de nossa perspectiva na Terra, eles estarão, na verdade, a muitos milhões de quilômetros um do outro.

Júpiter e Saturno se alinharam da mesma forma em 1623, cerca de 12 anos depois que Galileu apontou um telescópio para o céu à noite e descobriu as quatro maiores luas de Júpiter. Mas havia um problema: “aquele fenômeno não seria visto facilmente, porque os dois planetas estariam muito perto do sol no céu”, explica Kevin Schindler do Observatório Lowell em Flagstaff, Arizona. (Esse também foi o caso da última grande conjunção, em 2000.)

“Seria preciso voltar ao ano 1226 para encontrar uma conjunção que fosse visível, com os planetas assim próximos um do outro.” A próxima conjunção similar à deste ano acontecerá em 2080.

Sistema solar em movimento

Ao longo da história, as pessoas vêm observando as conjunções planetárias e, muitas vezes, atribuem significados astrológicos a esse fenômeno. Em seu poema épico Tróilo e Créssida, por exemplo, Geoffrey Chaucer descreve a grande conjunção que ocorreu em 1385, ao escrever que “Saturno e Júpiter se uniram na constelação de Câncer de tal forma que fizeram o céu chover”. Alguns astrólogos previram uma catástrofe global, que, é claro, não aconteceu.

Hoje sabemos que, embora os planetas exerçam pequenas forças gravitacionais uns sobre os outros, seu efeito em nosso próprio planeta é insignificante, permitindo-nos relaxar e desfrutar do espetáculo — ou tentar fotografá-lo.

Para conseguir uma boa foto “é necessário praticar muito e fazer diversas tentativas, além de ter um equipamento minimamente adequado,” alega Bradley Schaefer, astrônomo da Universidade do Estado da Louisiana. Embora a câmera dos smartphones consiga capturar dois pontos no céu, câmeras digitais reflex de lente única, ou pelo menos câmeras com uma lente de zoom que se conecte a um tripé, provavelmente obterão melhores resultados.

“Definitivamente, a melhor opção é utilizar um tripé e planejar com antecedência o local de onde a foto será tirada”, reitera Schaefer. Apenas se certifique de ter uma visão desobstruída em direção ao sudoeste.

E se estiver nublado, não se preocupe — diversos observatórios, incluindo o Lowell, no Arizona, transmitirão ao vivo o evento.

Sabemos que os planetas estão sempre em movimento, mas uma conjunção o coloca em destaque. A grande conjunção de 2020 será uma chance de ver o sistema solar como um palco em constante mudança, no qual os planetas se apresentarão com elegância. “Quando observamos o céu noite após noite”, conclui Danly, “entendemos como o sistema solar é dinâmico”.

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeo

Sobre nós

Inscrição

  • Assine a newsletter
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados