Nasa tenta pouso arriscado de jipe-robô em Marte – assista ao vivo

A agência espacial vai monitorar seu mais novo carro-chefe, a sonda Perseverance, durante uma entrada complicada na atmosfera marciana.

Por Jay Bennett
Publicado 18 de fev de 2021 14:17 BRST, Atualizado 18 de fev de 2021 18:17 BRST
Esta ilustração mostra a sonda Perseverance, da Nasa, soltando-se do estágio de cruzeiro a minutos de ...

Esta ilustração mostra a sonda Perseverance, da Nasa, soltando-se do estágio de cruzeiro a minutos de entrar na atmosfera marciana. Centenas de eventos nas sequências de entrada, descida e pouso da sonda devem ser executados de maneira perfeita e no tempo exato para que a sonda toque o solo de Marte com segurança em 18 de fevereiro de 2021.

Foto de Ilustração de NASA/JPL-CALTECH

Depois de uma viagem de sete meses e quase 500 milhões de quilômetros até Marte, o jipe-robô Perseverance, da Nasa, está prestes a completar um dos feitos mais desafiadores da engenharia na história humana: pousar no Planeta Vermelho.

Às 17h55 de hoje, horário de Brasília, o jipe – que com pouco mais de 1 kg é o objeto mais pesado já enviado à superfície de outro planeta – deve colocar suas rodas na poeira avermelhada da cratera Jezero para iniciar suas buscas por sinais de vida passada. Mas, para tocar o solo, ele deve aguentar o que a Nasa chama de sete minutos de terror. A espaçonave que carrega o veículo voa desde a Terra até Marte e deve atingir a atmosfera do planeta a uma velocidade altíssima. Por isso, em um espaço de sete minutos, a nave precisa desacelerar sua descida e pousar gentilmente na superfície.

“Pousar em Marte é realmente sobre encontrar uma maneira de parar”, diz Allen Chen, o engenheiro principal dos sistemas de entrada, descida e pouso (EDL) do Perseverance. “O Perseverance vai bater na atmosfera a mais de 19 mil km/h, mas precisa tocar o solo a cerca de 3 km/h.”  

 

Para pousar, o Perseverance vai usar o sky crane, sistema desenvolvido pela Nasa e utilizado em 2012 para depositar com sucesso o jipe Curiosity na cratera marciana de Gale. E, pela primeira vez, câmeras de vídeo e microfone devem capturar a descida completa de uma nave durante o pouso em Marte. “Nós queremos levar as pessoas juntas desta vez e ver como é pousar em outro planeta”, diz Chen.

Você pode assistir a transmissão ao vivo do pouso pela Nasa TV a partir das 16h15, horário de Brasília. As imagens devem acompanhar a equipe de controle de missão no Laboratótio de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia, durante a descida.

No entanto, vídeo e áudio do pouso levarão mais tempo para chegar à Terra. Graças à atual distância entre os dois planetas, enviar um sinal básico de rádio à Terra demora cerca de 11 minutos e meio. E, antes que o Perseverance possa transmitir imagens, o jipe precisa primeiro indicar que está salvo. Depois, terá várias outras tarefas por fazer nos primeiros dias em Marte, como ligar seu software de operações de superfície e desenrolar um mastro com suas câmeras científicas primárias.

Se tudo acontecer como planejado, o veículo deve enviar amanhã uma imagem mostrando o Perseverance de cima para baixo. Até a próxima segunda-feira, a equipe espera divulgar vídeos da mesma vista. Os dados de vídeo de alta qualidade devem tomar mais tempo para serem transmitidos e processados – a Nasa deve publicá-los nas próximas semanas.

Mas, antes, a nave precisa pousar em segurança.

Entrada, descida e pouso

Escondida em um escudo de calor, o jipe deve começar a desacelerar quando bater na atmosfera, “como um meteoro cruzando o céu”, diz Chen. Propulsores vão direcionar a nave ao local de pouso enquanto seu corpo cria sustentação, “meio como um avião, de alguma maneira”.

Depois de desacelerar para duas vezes a velocidade do som, o Perseverance vai soltar um paraquedas de 21 metros de diâmetro. “Você lança esse paraquedas da parte de trás do veículo com, basicamente, um canhão”, diz Chen. Uma nova tecnologia chamada range trigger, ou gatilho de distância, vai disparar o paraquedas a uma distância pré-determinada do local de pouso, permitindo que o Perseverance mire em uma zona de pouso menor que a do jipe Curiosity, que abriu o paraquedas depois de atingir uma certa velocidade. Depois, a nave vai soltar seu escudo de calor e ver o solo pela primeira vez usando um radar e outro novo sistema de navegação chamado terrain-relative, ou relativo ao terreno.

“A navegação terrain-relative dá ao sistema olhos, quase literalmente”, diz Chen. Ao tirar fotos da superfície e compará-las com os mapas a bordo, criados através de fotos tiradas por naves na órbita de Marte, o Perseverance pode pousar com precisão suficiente para tocar solo em uma área repleta de rochas grandes e ladeiras inclinadas.

“O local de pouso Jezero, para o qual nós vamos agora, foi rejeitado como local de pouso do Curiosity porque era muito inseguro”, diz Chen. Mas, com a navegação terrain-relative e o sistema de gatilho por distância, a Perseverance pode chegar onde nenhuma outra sonda chegou em Marte.

Mesmo depois que o paraquedas desacelerar o veículo, ele ainda vai cair em direção ao solo a cerca de 250 km/h. “Isso é tão rápido quanto alguém pulando de um avião, mergulhando em direção ao solo sem paraquedas, aqui na Terra”, diz Chen. Na fina atmosfera de Marte, onde o ar tem menos de 1% da densidade do da Terra, um paraquedas não consegue desacelerar mais do que isso.

A cerca de 2 km da superfície, a nave vai desprender o paraquedas e acionar motores de foguete do estágio de descida, desacelerando a 2,7 km/h. Quando atingir 21 metros, o estágio de descida vai realizar a manobra sky crane: o sistema de pouso abaixa o jipe-robô até a superfície com cordas. Quando ele já estiver no chão, a nave corta as amarras e voa para bater no solo já longe da sonda.

“O Perseverance vai descer do jato foguete chamado estágio de descida, acionar suas rodas – nosso trem de pouso – e tocar o solo, você sabe, mais devagar do que eu consigo andar”, diz Chen.

Olhos e ouvidos em outro planeta

Como parte da missão, a Nasa planeja capturar um pouso em Marte como nunca antes. Uma câmera no jipe-robô Curiosity filmou partes do pouso da missão em 2012, mas o do Perseverance será gravado por todos os ângulos. Em vários momentos, às vezes simultaneamente, múltiplas câmeras no estágio de descida e no jipe estarão apontadas um para o outro, o paraquedas, o céu e o solo marciano.

“É o tipo de coisa que eu sempre tento imaginar”, diz Chen. O primeiro vídeo, mostrando o jipe tocando o solo visto do alto, pode ser divulgado já na segunda-feira, e vídeos em alta resolução de todas as câmeras, nas semanas seguintes.

O Perseverance também vai gravar áudio da descida usando um de dois microfones. Acoplado à lateral esquerda do veículo, sobre a roda, um microfone deve pegar os sons dos motores ligando, dos dispositivos pirotécnicos do sistema EDL estourando parafusos e cortando cabos, o barulho do vento e, espera-se, “as rodas de fato agarrando a superfície de Marte”, diz David Gruel, o gerente de operações de montagem, teste e lançamento do Perseverance.

E, depois, pela primeira vez na história, as pessoas poderão ouvir o som de um outro planeta. “O microfone vai ficar lá na superfície de Marte, colado ao jipe-robô, ouvindo sons de ambiente”, diz Gruel. O equipamento deve continuar ligado por cerca de um minuto depois do pouso e poderá ser acionado novamente por pequenos períodos, isso se suas partes sensíveis resistirem às frias noites de Marte.

Um segundo microfone ficará instalado na SuperCam, um instrumento no jipe equipado com um laser para vaporizar rochas e determinar sua composição. Esse microfone vai ouvir as rochas sendo detonadas e, talvez, as rodas do Perseverance amassando a poeira ressecada de um mundo alienígena.

“Nós usamos muito as imagens, mas nunca usamos o som para participar como se estivéssemos em um outro planeta”, diz Gruel. “Quem sabe o que poderemos descobrir com isso.”

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