Fragmentos do crânio de Luzia são encontrados em escombros do Museu Nacional

Técnicos conseguiram identificar 80% do crânio, um dos vestígios de Homo sapiens mais antigos das Américas.sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Por Redação National Geographic Brasil
Funcionários do Museu Nacional do Rio de Janeiro revelaram em 19 de outubro que 80% dos fragmentos do crânio de Luzia haviam sido identificados.

Vários fragmentos de ossos foram encontrados numa caixa de metal dentro de um armário nos escombros do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que pegou fogo no dia 2 de setembro. Os técnicos da entidade já conseguiram identificar fragmentos que correspondem a 80% do crânio de Luzia, um dos vestígios de Homo sapiens mais antigos já encontrados na América. O item é um dos mais valiosos do acervo museológico e já alimenta esperanças de outras boas surpresas surgirem durante os resgates que vão ocorrer em breve.

Os pesquisadores anunciaram a descoberta em coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira, 19 de outubro. Segundo os técnicos, os fragmentos se soltaram depois que a cola que juntava os pedaços derreteu. Os pedaços serão levados a um laboratório para serem analisados e eventualmente remontados.

Durante a coletiva, o diretor do museu, Alexandre Kellner, afirmou que outros itens do acervo também foram encontrados, mas não foram revelados porque ainda precisam ser identificados. 

Encontrado na gruta da Lapa Vermelha, em Minas Gerais, o crânio de Luzia é um dos vestígios humanos mais antigos das Américas, com idade estimada entre 12 mil e 13 mil anos.
Cerca de 80% dos fragmentos encontrados dentro de uma caixa no Museu Nacional já foram identificados como pertencentes ao crânio de Luzia.

Quem foi Luzia?

Luzia é o esqueleto mais antigo já descoberto no Brasil. O fóssil foi encontrado no ano de 1975 em escavações feitas na Lapa Vermelha, uma gruta localizada na região de Lagoa Santa (MG). A arqueóloga francesa Annete Laming-Emperaire liderava a missão arqueológica que realizava os trabalhos no local, mas foi o francês André Prous quem identificou corretamente a idade do esqueleto, datando-o em mais de 11 mil anos.

Foi em 1998, entretanto, quando o antropólogo brasileiro Walter Neves apresentou seus estudos sobre o crânio, que os restos ficaram famosos pelo mundo. Batizado de Luzia, o fóssil ajudou o especialista a desbancar a hipótese de que apenas Homo sapiens do tipo mongoloide (parecido com os indígenas americanos) havia colonizado a América atravessando o estreito de Beringer. Já que Luzia possuía traços negroides, ela poderia comprovar a teoria de que a colonização americana começou, de fato, a partir dos primeiros seres humanos da África e da Austrália.

Luzia foi uma das vítimas do incêndio de grandes proporções que atingiu o mais antigo museu do Brasil na noite de 2 de setembro de 2018. Estima-se que mais de 90% do acervo, com mais de 20 milhões de itens catalogados, foi perdido.

 

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