Anfíbio resistente – mesmo sem rosto, sapo sobrevive na floresta

O animal ferido pulava exibindo corpo e pernas perfeitamente saudáveis, mas não tinha uma cara.

Por Heather Brady
Publicado 7 de mar. de 2018 13:23 BRT, Atualizado 5 de nov. de 2020 03:22 BRT
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Foto de Jill Fleming

Um sapo encontrado em uma floresta estadual em Connecticut assustou os pesquisadores por não ter rosto.

O anfíbio, um sapo-americano, pulou sem parar nos pés dos pesquisadores e em outros objetos enquanto eles coletavam informações sobre salamandras. Jill Fleming, herpetologista e estudante da Universidade de Massachusetts em Amherst, o percebeu. Ela e seus colegas observaram melhor o sapo e ficaram surpresos ao ver que seus olhos, nariz, mandíbula e língua simplesmente não existiam.

Ela disse que é um mistério o motivo pelo qual esse sapo não tem rosto, apesar de haver algumas explicações possíveis.

“A primeira coisa que pensei, e ainda acredito ser uma boa explicação, é que a extensa lesão tenha sido causada por um dos muitos predadores naturais do sapo durante a hibernação – por exemplo, serpentes e martas”, disse. “Seja qual for o motivo, o predador não terminou sua refeição e o sapo conseguiu voltar à atividade naquele começo de primavera – anfíbios são extremamente resistentes.”

No Twitter, herpetólogos também consideraram que a ferida pode ser resultado de parasitismo por moscas, mas Fleming acha essa versão pouco provável.

[Veja um vídeo do anfíbio no Twitter]

Tarântula escapa de ser comida por sapo
Ela saiu lambuzada do duelo, mas não morreu.

“Eu acredito que a lesão tenha ocorrido durante a hibernação porque parece estar cicatrizada, o que não teria chance de acontecer se não fosse pela hibernação do sapo”, afirmou.  

Anfíbios como o sapo-americano têm sangue frio e precisam hibernar para sobreviver durante o inverno. Eles usam suas habilidades de escavação para se enterrarem abaixo da linha do gelo e seus corpos produzem cristais gelados que diminuem os batimentos cardíacos e interrompem a respiração até que a temperatura suba novamente.

Fleming disse que isso não é algo que se veja todo dia em campo, e as reações de seus colegas herpetologistas no Twitter indicam que eles também não veem algo assim com frequência.

“Tartarugas podem sair da hibernação com lesões muito severas, como, por exemplo, sem uma pata. O casco é muito duro e protege os órgãos vitais, assim, muitas delas vivem bem. Mas eu nunca tinha visto um animal com uma ferida tão grave na cabeça ainda capaz de se mexer como esse sapo.”

Infelizmente, a condição do sapo era tão grave que Fleming acredita que ele não tenha sobrevivido por muito tempo depois que ela e seus colegas o encontraram.

“Ele não ia conseguir comer naquela condição e era um alvo fácil para predadores”, explicou.

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