Animais

E se não houvesse mais tartarugas?

Novo estudo observa o declínio deste ícone da longevidade.Thursday, October 4, 2018

Por Liz Langley
Esta Malaclemys terrapinque é exclusiva dos Estados Unidos. Ela foi fotografada no Estuarium, em Dauphin Island, no Alabama.

Uma coisa ótima das tartarugas é que elas nunca parecem ocupadas. Elas calmamente andam pela floresta ou pegam sol em um tronco, parecendo viver uma vida de lazer.

Por trás de seu comportamento calmo, no entanto, tartarugas são agitadores ecológicos, graças a suas escavações, indo muito mais longe do que você acha que elas vão e se movendo entre ecossistemas, como o oceano e a praia.

Elas também são muito amadas, o tipo de animal que você raramente vê pessoas que não gostem ou tenham medo. São o centro de muitas metodologias e, como primeiros animais de estimação de muitas crianças, são uma ponte gentil entre o lar e a natureza.

Também são uma ponte entre terra e água, dependendo da espécie.

“Todos os animais com coluna e casco são tartarugas”, diz Jeffrey Lovich, ecólogo pesquisador da U.S. Geological Survey, então é um termo usado para todas as tartarugas, cágados e jabutis. “É o único animal que já viveu que tem seus quadris e ombros dentro da caixa torácica”.

A distinção: Jabutis são animais apenas terrestres, que não nadam. Tartarugas são animais aquáticos, podem ser marinhas ou de água doce. Cágados são animais semiaquáticos, se diferem das tartarugas pelo casco mais achatado, pescoço mais longo e patas com dedos.

Então, o que aconteceria se elas desaparecessem?

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Tartarugas em apuros

Várias espécies de tartarugas já estão correndo o risco de sumirem.

A tartaruga da espécie Rafetus swinhoei só tem mais quatro indivíduos. A Batagur baska, uma espécie onde os machos passam por uma mudança dramática de cor durante a temporada de reprodução está sendo ajudada a sair da beira da extinção por programas de reprodução como Turtle Survival Alliance na Índia e Turtle Island Conservation Breeding and Research Center for Turtles, em Bangladesh.

Entre 2004 e 2014, populações de jabutis do deserto da Califórnia, Nevada e sul do Utah, nos EUA, diminuíram em 37%.

Todas essas tartarugas são “protegidas sob a lei ambiental mais severa do mundo, o Endagered Species Act (Lei das Espécies Ameaçadas)”, diz Lovich, autor de um novo estudo da revista Bioscience sobre o declínio das tartarugas. Surpreendentes 61% das 356 espécies de tartarugas foram extintas ou ameaçadas na era moderna.

É difícil imaginar tartarugas em declínio, mas a super exploração para alimentação e venda como animais de estimação, mudança climática e destruição de habitat estão diminuindo seu tempo de vida impressionante na Terra.

Elas duraram mais do que os dinossauros, mas “nenhuma tartaruga tem tempo para evoluir a tempo de evitar ser atropelada em uma estrada”, diz Whit Gibbons, professor emérito de ecologia na Universidade da Geórgia e coautor do estudo das tartarugas.

O que elas fazem por nós

Então, como seria um mundo sem tartarugas? Primeiro, vamos falar de como seria o cheiro.

“Tartarugas são ótimas catadoras, a patrulha do lixo de uma área”, comem peixes mortos dos lagos e rios, diz Gibbon.

“Elas não causam mal e fazem muito bem.”

Tartarugas também dão lares a outras criaturas. Buracos cavados por tartarugas gopher dão lar a mais de 350 espécies, inclusive corujas-buraqueiras, lebres e linces.

Tartarugas são até bio-engenheiras, mantendo o terreno saudável e variado, dispersando sementes. Uma tartaruga de caixa que come alguns morangos e depois anda por 800 metros e defeca as sementes está colaborando com o terreno. Elas também movimentam a areia do fundo do mar e redistribuem energia de um ecossistema para o outro. As tartarugas marinhas que criam ninhos, deixam 75% da sua energia na terra, na forma de ovos, antes de voltarem para o mar.

Um mundo mais pobre

Então, tartarugas fazem muito pela ecologia do mundo. O que mais perderíamos?

A falta de tartarugas seria uma “perda cultural e psicológica”, para muitas sociedades, diz Gibbon. Nós reverenciamos seus traços de persistência e serenidade. Elas são os únicos répteis de que quase todo mundo gosta.

“Eu nunca ouvi alguém dizer ‘Nossa, espero que essa tartaruga não entre na minha casa’”, diz ele.

“Elas são um protótipo de sobrevivência e seria terrível se sobrevivessem por 200 milhões de anos e nos últimos séculos fossem todas eliminadas”, diz ele. “Não seria um bom legado para nós.”

Uma coisa que as pessoas podem fazer, diz Lovich, é não levar tartarugas selvagens para casa. Pegue uma em um centro de resgate, onde muitas pessoas abandonam aquelas que não querem mais como animais de estimação, é um plano melhor do que ‘deixá-las livres’ na natureza, onde não sobreviverão.

“Deixe tartarugas selvagens serem selvagens”, diz Lovich, e deixem-nas onde estão – pelo bem delas e pelo seu.

Finalmente, o mundo seria simplesmente menos rico sem esses animais engraçados e únicos. Gibbons compara com perder um tipo de felicidade.

“Se você tirasse as rodas-gigantes dos parques de diversão, você ainda teria parques de diversão”, diz ele. “Mas seriam um pouco menos interessantes, não é?”

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