Animais

Estas aves têm adereços de pele do tamanho de seus corpos

Muitos pássaros machos ostentam excesso de pele e tecido para atrair as fêmeas. Segunda-feira, 11 Fevereiro

Por Liz Langley

Muitas aves têm adereços carnosos na face, ou em volta dela, que deixaria o closet das divas do pop no chinelo.

Excesso de pele e cristas parecem ser mais comuns entre as linhagens primitivas de aves, incluindo galináceos — um grupo de aves pesadas, como os perus-selvagens — e ratitas, que incluem espécies enormes, como o avestruz e o casuar, diz Bob Mulvihill, ornitologista do Aviário Nacional em Pittsburgh.

Talvez estes adereços sejam vestígios de seus antepassados, os dinossauros, afirma Mulvihill.

De fato, em 2014, pesquisadores relataram um dinossauro com bico de pato que foi descoberto em Alberta, Canadá, e tinha tecido mole preservado na cabeça — como uma crista de galo.

“Essa descoberta nos mostrou que provavelmente muitos dinossauros apresentavam estruturas coloridas, de carne proeminente, como cristas e carúnculas,” diz o coautor do estudo, Philip Currie, paleobiólogo de dinossauros da Universidade de Alberta.

E, assim como as aves, os dinossauros eram animais bastante visuais, e é provável que “fizessem bastante uso desses instrumentos de exibicionismo para atrair parceiras ou espantar rivais”, afirma Currie.

Então, para que servem esses acessórios coloridos nas aves?

Quanto mais brilho melhor

Em muitas espécies de aves, somente os machos exibem esse adorno extra, sendo que são “os adereços mais brilhantes ou mais elaborados que atraem as fêmeas”, observa Mulvihill.

Além disso, uma coloração mais brilhante e viva também é sinal de que os machos apresentam melhor saúde e aptidão genética.

No aviário, Take Lurch, um condor-dos-andes de 46 anos de idade usa sua crista e carúncula — a proeminência na cabeça e no pescoço, respectivamente — para causar um grande impacto.

“Ele basicamente se enrubesce”, conta Mulvihill. Condores-dos-andes têm uma envergadura de pouco mais de 3 metros e, quando Lurch arqueia o pescoço e abre as asas para um ritual de acasalamento, “todo o sangue vai para a cabeça e o papo.”

Os anambés-papudos machos da América do Sul têm um topete estilo Elvis Presley e um papo quase do comprimento do próprio corpo. Para conquistar uma fêmea, os machos dilatam o papo até que fique parecido com um rabo de gato peludo (assista ao vídeo).

Outros pássaros “bons de papo” incluem tuiuiú africanocalau-terra-do-sulmarabu, todos da África; kokako da Nova Zelândia e, de Madagascar, a Ave mascarada Filepita de Schlegel.

O aviário de Pittsburgh também é lar de um faisão-de-Cabot, um surpreendente pássaro camaleônico nativo das montanhas da China.

Esse faisão “anda por aí como um passarinho marrom qualquer”, diz Mulvihill, então, de repente, ele infla seu barbilhão (assista ao vídeo), uma estrutura que lembra um babador. Dando lugar a um espetáculo rápido e deslumbrante, com a exibição de pele azul e vermelho vivo.

A agilidade da ave em se exibir é especialmente útil para atrair as fêmeas, acrescenta ele.

Papo quente

Essas protuberâncias podem ter outra finalidade além de atrair parceiras.

Perus-selvagens podem usar seus pedúnculos, porções de pele que saem da testa, para indicar dominância: é pouco provável que machos arrumem briga com uma ave que tenha o pedúnculo maior. 

Em algumas espécies, como abutres e avestruzes, placas de pele sem pena e carúnculas podem ajudar os animais a regular a temperatura corporal, atuando como “janelas térmicas” que controlam a perda de calor.

Por vezes, as carúnculas ainda podem ter uma finalidade simples: facilitar que as fêmeas reconheçam machos de sua própria espécie.

Afinal de contas, de vez em quando, o amor é cego.