Animais

Esquilos roxos gigantes existem mesmo — e eles têm um comportamento estranho

Esses arborícolas de quase dois quilos, nativos da Índia, têm um método incomum de armazenar os alimentos, diferente de qualquer outro esquilo.Tuesday, April 16, 2019

Por Jason Bittel
O esquilo-gigante-indiano (na foto, animal de Karnataka, Índia), pode chegar a 45 centímetros de comprimento.

Em viagem pelas florestas do sul da Índia, o fotógrafo amador Kaushik Vijayan ficou em êxtase ao ver enormes roedores de coloração marrom-avermelhada saltando de copa em copa.

Vijayan subiu as imagens dos roedores de quatro quilos para o Instagram — e a internet imediatamente foi à loucura. Algumas pessoas custavam a acreditar que esses esquilos, fotografados no Distrito de Pathanamthitta, em Kerala, fossem reais, por conta de suas vibrantes manchas nas cores preta, creme e fúcsia queimada.

Mas o esquilo-gigante-indiano (Ratufa indica), também chamado de esquilo-gigante-de-Malabar, é de verdade mesmo.

"É exatamente assim que eles são. Brilhantes!”, afirma John Koprowski, biólogo de conservação silvestre da Universidade do Arizona e coautor do livro Squirrels of the World (ou "Os Esquilos do Mundo", em tradução livre).

É “o roxo mais roxo que se vê num mamífero”, afirma.

Dito isso, o biólogo evolutivo Dana Krempels suspeita que as fotos do Instagram tenham sido tratadas.

"É bem possível que a pessoa tenha gasto um tempo mexendo nessas fotos no Photoshop", disse Krempels, palestrante-sênior da Universidade de Miami, por e-mail. "Tem uma configuração chamada 'vibração' que realça a intensidade da cor. É o que está me parecendo".

Conhecendo os esquilos-gigantes

Acredite ou não, o R. indica não é o único. Existem três outros gigantes na família de esquilos, a Sciuridae — cada um deles medindo de duas a três vezes o tamanho dos esquilos-cinzentos nativos do leste dos Estados Unidos.

“As quatro espécies que compõem esse grupo são fascinantes: pelo grande tamanho, pela coloração brilhante e pela preferência pelos enormes frutos tropicais do dossel florestal”, afirma Koprowski.

O esquilo-pálido-gigante (Ratufa affinis) é nativo da Tailândia, Malásia, Singapura e Indonésia, tendo no geral uma coloração marrom ou bronzeada. O esquilo-preto-gigante, que é basicamente preto e branco (Ratufa bicolor), é encontrado em locais semelhantes, e também na China.

E o esquilo-gigante-do-Sri Lanka (Ratufa macroura) habita uma ilha homônima, além do sul da Índia, apresentando no geral diversas tonalidades de preto e cinza.

“Acredita-se que todas as quatro espécies estejam desaparecendo, embora ainda sejam comuns o suficiente para serem avistadas frequentemente", diz Koprowski.

Além de ser grande e de cor violeta, os esquilos-gigantes-indianos diferem de quase todos os outros esquilos por mais um motivo, observa John Wible, curador de mamíferos do Museu de História Natural de Carnegie.

Em vez de armazenar nozes e sementes em dispensas subterrâneas, os esquilos-gigantes-indianos criam reservatórios de alimentos nas copas das árvores.

Por que o esquilo-gigante-indiano é roxo?

Mesmo entre os parentes, o esquilo-gigante-indiano se destaca por suas cores vibrantes, o que pode fazer alguém se perguntar por que a evolução selecionaria pelagens ou pelos que atrairiam tanta atenção?

Afinal, essas florestas são também o lar de predadores como macacos-cauda-de-leão, leopardos e águias-cobreiras-com-crista — todos estes conhecidos caçadores de roedores arborícolas.

Ninguém tem certeza, afirma Koprowski, mas é provável que os padrões roxos do esquilo desempenhem algum papel de camuflagem. O motivo disso é que as florestas decíduas que esses esquilos habitam criam um "mosaico de manchas solares e áreas escuras e sombreadas" — não tão diferentes das marcas desses roedores.

Em outras palavras, o que nos parece estonteante e divertido numa postagem do Instagram é algo que pode fazer que os esquilos desapareçam diante da aproximação de bocas famintas. Isso sim é um truque que vale uma curtida.

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