Animais

Esquilos roxos gigantes existem mesmo — e eles têm um comportamento estranho

Esses arborícolas de quase dois quilos, nativos da Índia, têm um método incomum de armazenar os alimentos, diferente de qualquer outro esquilo. Terça-feira, 16 Abril

Por Jason Bittel

Em viagem pelas florestas do sul da Índia, o fotógrafo amador Kaushik Vijayan ficou em êxtase ao ver enormes roedores de coloração marrom-avermelhada saltando de copa em copa.

Vijayan subiu as imagens dos roedores de quatro quilos para o Instagram — e a internet imediatamente foi à loucura. Algumas pessoas custavam a acreditar que esses esquilos, fotografados no Distrito de Pathanamthitta, em Kerala, fossem reais, por conta de suas vibrantes manchas nas cores preta, creme e fúcsia queimada.

Mas o esquilo-gigante-indiano (Ratufa indica), também chamado de esquilo-gigante-de-Malabar, é de verdade mesmo.

"É exatamente assim que eles são. Brilhantes!”, afirma John Koprowski, biólogo de conservação silvestre da Universidade do Arizona e coautor do livro Squirrels of the World (ou "Os Esquilos do Mundo", em tradução livre).

É “o roxo mais roxo que se vê num mamífero”, afirma.

Dito isso, o biólogo evolutivo Dana Krempels suspeita que as fotos do Instagram tenham sido tratadas.

"É bem possível que a pessoa tenha gasto um tempo mexendo nessas fotos no Photoshop", disse Krempels, palestrante-sênior da Universidade de Miami, por e-mail. "Tem uma configuração chamada 'vibração' que realça a intensidade da cor. É o que está me parecendo".

Conhecendo os esquilos-gigantes

Acredite ou não, o R. indica não é o único. Existem três outros gigantes na família de esquilos, a Sciuridae — cada um deles medindo de duas a três vezes o tamanho dos esquilos-cinzentos nativos do leste dos Estados Unidos.

“As quatro espécies que compõem esse grupo são fascinantes: pelo grande tamanho, pela coloração brilhante e pela preferência pelos enormes frutos tropicais do dossel florestal”, afirma Koprowski.

O esquilo-pálido-gigante (Ratufa affinis) é nativo da Tailândia, Malásia, Singapura e Indonésia, tendo no geral uma coloração marrom ou bronzeada. O esquilo-preto-gigante, que é basicamente preto e branco (Ratufa bicolor), é encontrado em locais semelhantes, e também na China.

E o esquilo-gigante-do-Sri Lanka (Ratufa macroura) habita uma ilha homônima, além do sul da Índia, apresentando no geral diversas tonalidades de preto e cinza.

“Acredita-se que todas as quatro espécies estejam desaparecendo, embora ainda sejam comuns o suficiente para serem avistadas frequentemente", diz Koprowski.

Além de ser grande e de cor violeta, os esquilos-gigantes-indianos diferem de quase todos os outros esquilos por mais um motivo, observa John Wible, curador de mamíferos do Museu de História Natural de Carnegie.

Em vez de armazenar nozes e sementes em dispensas subterrâneas, os esquilos-gigantes-indianos criam reservatórios de alimentos nas copas das árvores.

Por que o esquilo-gigante-indiano é roxo?

Mesmo entre os parentes, o esquilo-gigante-indiano se destaca por suas cores vibrantes, o que pode fazer alguém se perguntar por que a evolução selecionaria pelagens ou pelos que atrairiam tanta atenção?

Afinal, essas florestas são também o lar de predadores como macacos-cauda-de-leão, leopardos e águias-cobreiras-com-crista — todos estes conhecidos caçadores de roedores arborícolas.

Ninguém tem certeza, afirma Koprowski, mas é provável que os padrões roxos do esquilo desempenhem algum papel de camuflagem. O motivo disso é que as florestas decíduas que esses esquilos habitam criam um "mosaico de manchas solares e áreas escuras e sombreadas" — não tão diferentes das marcas desses roedores.

Em outras palavras, o que nos parece estonteante e divertido numa postagem do Instagram é algo que pode fazer que os esquilos desapareçam diante da aproximação de bocas famintas. Isso sim é um truque que vale uma curtida.

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