O que os dados revelam sobre reações alérgicas a vacinas para covid-19

Um novo relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos mostra que as reações graves são muito raras.

Publicado 11 de jan. de 2021 07:00 BRT, Atualizado 11 de jan. de 2021 10:32 BRT
Enfermeira prepara ampolas da vacina da Pfizer-BioNTech para aplicação. Novo estudo constatou que o índice de ...

Enfermeira prepara ampolas da vacina da Pfizer-BioNTech para aplicação. Novo estudo constatou que o índice de reações alérgicas à vacina é extremamente baixo.

Foto de Hannah Yoon, Redux

Conforme as iniciativas de vacinação contra a covid-19 aumentam a duras penas nos Estados Unidos, os funcionários de saúde pública do país confirmam que reações alérgicas graves à vacina da Pfizer-BioNTech são raras.

Em um estudo divulgado em 6 de janeiro pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), pesquisadores revelaram que o risco de anafilaxia – reação alérgica grave e potencialmente fatal – com a vacina é extremamente baixo. Com base nos dados de pessoas que receberam a primeira das duas doses recomendadas, em média, apenas uma em cada 90 mil pessoas apresentam essa reação adversa. Número inferior aos 3% de risco de morte por asfixia com alimentos.

Tecnicamente, a probabilidade de reações alérgicas graves ocorrerem com a vacina da Pfizer-BioNTech é cerca de 8,5 vezes maior do que o risco com a vacina contra a gripe sazonal, com taxa de aproximadamente uma em cada 769 mil pessoas vacinadas. Mas os especialistas salientam que ainda é um número muito baixo: de acordo com o estudo, 1,89 milhão de pessoas nos Estados Unidos receberam a primeira dose da vacina entre os dias 14 e 23 de dezembro e mais de 99,998% da população vacinada não apresentaram anafilaxia.

As notícias podem ser úteis para quem tem dúvidas sobre tomar a vacina. De acordo com uma pesquisa da National Geographic e da Morning Consult realizada em dezembro, sete em cada dez norte-americanos afirmam que estão receosos com os possíveis efeitos colaterais de qualquer vacina contra a covid-19, sendo que 58% dos entrevistados afirmam que serão vacinados, mas somente após observar o impacto da dose em outras pessoas.

Mas, em geral, os dados revelam que o risco de anafilaxia é bem menor do que os desfechos negativos associados a infecções de covid-19, especialmente entre idosos norte-americanos. Em outubro de 2020, a doença se tornou uma das principais causas de morte nos Estados Unidos entre pessoas acima de 45 anos de idade, ultrapassando acidentes de trânsito, suicídio, homicídio e overdoses acidentais de medicamentos. Até o momento, a pandemia matou mais de um em cada mil norte-americanos.

“Eu e meus colegas do CDC e da Agência de Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) estamos comprometidos em assegurar que as vacinas contra a covid-19 sejam seguras”, disse Nancy Messonnier, diretora do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias do CDC, em uma conferência de imprensa sobre o estudo na quarta-feira. “Sei que estou ansiosa pelo dia em que arregaçarei as mangas para tomar a vacina.”

O que se sabe sobre os casos de anafilaxia?

Dos 21 casos de anafilaxia grave associados à vacina da Pfizer-BioNTech, 19 ocorreram em mulheres, das quais metade tinha entre 40 e 60 anos de idade (a outra metade tinha entre 27 e 40). Dezessete dos casos ocorreram em pessoas com histórico de reações alérgicas a alimentos, medicamentos, outros tipos de vacina ou picadas de abelha e vespa. Sete tinham histórico prévio de anafilaxia.

Em 18 dos 21 casos documentados, os pacientes começaram a apresentar sintomas de anafilaxia dentro de 30 minutos após administração da dose. Quase todos foram tratados imediatamente com epinefrina, tratamento comum para anafilaxia com o mesmo princípio ativo da caneta de adrenalina autoinjetável. Apenas quatro pacientes precisaram de internação. Pelo menos 20 dos 21 pacientes se recuperaram por completo ou receberam alta hospitalar até 23 de dezembro.

Os casos aconteceram em locais distintos, que receberam diferentes lotes da vacina, portanto não há evidências de que o problema seja contaminação da vacina. A pesquisa sobre os casos ainda é recente e a tendência de as reações ocorrerem em mulheres pode estar relacionada a um fenômeno biológico genuíno ou pode refletir o fato de que mais mulheres – 62% de 1,89 milhão – do que homens tomaram a vacina durante o período de estudo.

Existe diferença entre as vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna?

Até agora, não. Em números brutos, surgiram mais casos relacionados à vacina da Pfizer-BioNTech do que à vacina da Moderna, mas os funcionários do CDC dizem que isso provavelmente se deve ao fato de que a versão da Pfizer-BioNTech foi autorizada primeiro e, portanto, foi aplicada em mais pessoas durante o período do estudo.

No total, 1,89 milhão de doses da vacina da Pfizer-BioNTech foram administradas durante o período do estudo, cerca de 8,5 vezes mais do que as 224,3 mil doses da Moderna aplicadas no mesmo período. Além disso, a implantação da vacina da Moderna não foi iniciada até os últimos três dias do período do estudo, em 21 de dezembro. Em relação às doses aplicadas da vacina da Moderna, o CDC recebeu a notificação de apenas um caso de anafilaxia e aguarda mais dados.

Devo tomar a vacina? 

Na conferência de imprensa, Messonnier e Tom Clark, chefe da equipe do CDC para avaliação das vacinas, salientaram que, em geral, quando se recomenda que as pessoas tomem uma vacina, elas devem tomá-la.

Para assegurar uma resposta imediata em caso de reações alérgicas raras, as pessoas precisarão ser observadas por 15 minutos após a injeção. Pessoas com histórico de anafilaxia ou reações alérgicas imediatas são monitoradas por 30 minutos.

Clark destacou dois exemplos específicos de pessoas que não devem tomar o regime completo de duas doses da vacina da Pfizer-BioNTech: “quem teve uma reação imediata à primeira dose [da vacina contra a covid-19], não deve tomar a segunda dose, e quem tem alergia conhecida a um dos componentes da vacina, ou de componentes semelhantes, também não deve tomar a vacina neste momento”. Pessoas que não têm certeza se são alérgicas a um ingrediente da vacina devem consultar seu médico antes da vacinação.

Especificamente, o CDC adverte que vacinas contra a covid-19 que utilizam RNA mensageiro (mRNA) – incluindo as vacinas da Pfizer-BioNTech e Moderna – também contêm polietilenoglicol para proteger o mRNA, então alérgicos ao composto não devem se vacinar. Da mesma forma, pessoas alérgicas a polissorbatos – que são quimicamente semelhantes ao polietilenoglicol – não devem receber uma dose da vacina no momento.

Em geral, o CDC recomenda que as pessoas que têm dúvidas com relação a alergias consultem seus profissionais de saúde.

“Existe uma grande diferença entre alguém que teve uma reação alérgica leve na infância e alguém que teve uma reação alérgica grave recentemente”, explica Messionner. “É muito importante que o médico ajude o paciente a decidir tomar ou não a vacina.”

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