Será possível reviver animais extintos?

Cientistas de todo o mundo correm para desenvolver técnicas de reprodução a partir de vestígios de animais mortos, mas os resultados até agora são tímidos. 

Publicado 7 de abr. de 2021 17:00 BRT
Mais de 5 mil anos depois de serem extintos, os mamutes são uma obsessão de alguns ...

Mais de 5 mil anos depois de serem extintos, os mamutes são uma obsessão de alguns cientistas que trabalham para recuperar espécies desaparecidas. Até agora, conseguiu-se apenas dar início ao processo de reprodução de células de um animal morto há 30 mil anos.

Foto de Ilustração de Keryma Lourenço

Já aconteceu. Mais ou menos. Nos Estados Unidos, na Inglaterra, Rússia, Coréia do Sul e Japão, grupos de cientistas suam para fazer reviver o mamute, o personagem principal na batalha pela recriação de animais que desapareceram da face da Terra. Mas a honra é de um bichinho um pouco menos emblemático: uma cabra selvagem chamada bucardo.

O último bucardo, uma fêmea, morreu em 2000. Um ano antes, células da pele da cabra foram coletadas e congeladas. Em 2008, pesquisadores espanhóis, franceses e belgas usaram esse material genético para criar embriões, gestados por outra espécie de cabra, o íbex. Um dos embriões vingou, e um bucardo geneticamente idêntico à mãe – um clone – nasceu e morreu alguns minutos depois. 

“A tecnologia pode caminhar para o ponto disso se tornar mais comum? Pode. Mas é muito complexo dizer se seria possível ou não criar um animal extinto que sobreviveria”, diz Alexandre Rodrigues Silva, professor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), no Rio Grande do Norte.

Alexandre coordena a equipe do Laboratório de Conservação de Germoplasma Animal da Ufersa. Germoplasma, ele explica, é um termo genérico para qualquer tipo de material genético que pode ser conservado e utilizado para pesquisas sobre o desenvolvimento de uma espécie ou com intenção reprodutiva.

Nesse segundo caso, as linhas de atuação dividem-se em três. “A primeira é de material biológico de alto valor genético, com importância comercial, como na pecuária, por exemplo”, diz Aelxandre. Entra aí o sêmen de grandes touros reprodutores, vendidos a preço de ouro. Na segunda, o objetivo é frear a taxa de extinção trabalhando com animais silvestres. Por fim, a terceira se ocupa de criar bancos de germoplasma de espécies extintas e, quem sabe, trazê-las de volta.

“Não vou dizer que é impossível, mas há várias barreiras a serem quebradas”, afirma o pesquisador sobre esse último campo. Ele cita uma. No caso dos mamutes, por exemplo, já foi possível fazer com que células de material genético retirado de um animal morto há quase trinta mil anos dessem sinais de atividade. Caso cientistas conseguissem criar um embrião a partir daí, seria necessária uma barriga de aluguel. E, mesmo para o candidato mais próximo, o elefante asiático, os problemas de compatibilidade são inúmeros.

Na verdade, já foram propostas uma miríade de soluções para o desafio de recriar um mamute, inclusive uma espécie de gestação artificial em laboratório. Mas esse é um daqueles objetivos que parecem sempre estar a cinco anos distante da ciência.

De volta às possibilidades do trabalho com germoplasma, a preservação de animais ameaçados é mais promissora. No laboratório do professor Alexandre, coleta-se sêmen de espécies como cotia, preá, catetos, quatis e onças pintada e parda. 

“Mas, mesmo para espécies que ainda vivem, tudo é muito experimental. Temos poucos filhotes gerados a partir de manipulação de germoplasma”, explica Alexandre. “Enquanto em animais domésticos a gente conhece toda a fisiologia reprodutiva, para animais silvestres é tudo muito novo, a gente não sabia nada da fisiologia de cotias, emas e caititus. Antes de congelar o sêmen, precisamos descobrir como o sêmen é produzido.”

É um desafio importante e que pode ajudar a proteger algumas riquezas da biodiversidade brasileira. Mas antes de pensar em recuperar, preservar é a palavra de ordem.

Assista ao #PossoExplicar, o primeiro talk show de ciência do Brasil, apresentado por Miá Mello. Todas as quartas, às 21h, no National Geographic.
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