Dia Mundial Contra a Hepatite: o que é e por que a data foi criada?

Apesar de boas perspectivas de prevenção e tratamento, a hepatite viral mata mais pessoas no mundo do que a tuberculose, a malária e o HIV. Saiba quais são os sintomas, como se proteger e o estado atual de um surto global de hepatite aguda infantil.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 28 de jul. de 2022 06:00 BRT
Modelo de um capsídeo do vírus causador da hepatite B.

Modelo de um capsídeo do vírus causador da hepatite B.

Arte de Theasis Getty Images

A hepatite viral é responsável por uma alta taxa de mortalidade em todo o mundo – segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), 57% dos casos de cirrose hepática e 78% dos casos de câncer primário de fígado são devidos a infecções pelo vírus da hepatite B ou C. Por isso a importância de se estabelecer o Dia Mundial Contra a Hepatite.

Reportagem entrevistou especialista e consultou órgãos de saúde para explicar como ela é contraída, seus sintomas e o estado atual do surto de hepatite aguda infantil.

Por que o Dia Mundial Contra a Hepatite é comemorado

A 63ª Assembléia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) designou, em 2010, o dia 28 de julho como Dia Mundial Contra a Hepatite, a fim de trazer foco para a busca por respostas para esse problema. 

A data também foi escolhida por ser o aniversário do Dr. Baruch Blumberg, cientista norte-americano que, em 1976, recebeu o prêmio Nobel pela descoberta do vírus da hepatite B e pela invenção de um teste diagnóstico e de uma vacina.

Afinal, o que é a hepatite?

Trata-se de uma doença causada por um vírus que inflama o fígado. Há cinco tipos de vírus capazes de gerar essa inflamação, cada um deles com diferentes sintomas, formas de prevenção e tratamento, segundo a Opas.

A hepatite viral B e C é a causa mais importante de cirrose, câncer de fígado e transplante do órgão, disse Marcelo Silva, hepatologista e presidente da Associação Latino-americana para o Estudo do Fígado, em entrevista à National Geographic. É ainda mais presente nesses casos do que o excesso de álcool, as doenças hepáticas gordurosas, o diabetes, entre outras causas.

"A hepatite viral como um todo causa mais mortes no mundo do que a tuberculose, a malária e o HIV", afirma, Silva, que lamenta as estatísticas, considerando que as hepatites B e C têm boas estratégias de tratamento e de prevenção.

Segundo ele, há um conjunto bastante amplo de causas da doença. Os mais comuns são os vírus e há pelo menos cinco vírus identificados: A, B, C, D e E.

Existe também "uma enorme variedade de vírus que podem causar hepatite, a grande maioria dos quais são autolimitados [uma vez que tenha desaparecido o vírus, a doença também acaba]", diz Silva.

Que tipos de hepatite existem e quais são suas características?

Segundo informações da OMS, as cinco principais cepas do vírus da hepatite diferem entre si em aspectos importantes, notadamente em modos de transmissão, gravidade da doença, distribuição geográfica e métodos de prevenção. Saiba quais são esses tipos abaixo:

Hepatite A

De acordo com informações da Opas, a hepatite A é transmitida por alimentos, água contaminada, má higiene ou contato direto com uma pessoa infectada. Os sintomas aparecem entre duas e três semanas após a contração da doença. Neste caso, ela pode ser evitada com uma vacina disponível internacionalmente. 

Hepatite B

A Hepatite B é transmitida através do sangue, sexualmente ou durante o parto de mãe para filho. Os sintomas geralmente aparecem de uma a duas semanas após se contrair a doença, embora em alguns casos os pacientes estejam assintomáticos. 

Segundo o presidente da Associação Latino-Americana para o Estudo do Fígado (Aleh), este tipo de hepatite possui uma vacina para combatê-lo que é mais de 95% eficaz. Sua transmissão poderia ser eliminada se os programas de vacinação orientados pela OMS fossem seguidos, informa o médico Marcelo Silva. 

O especialista conta que esta vacina é administrada em recém-nascidos, seja integrada com outras vacinas ou por conta própria. Três doses são suficientes e o período entre elas depende do programa de vacinação de cada país. Para saber como funciona o programa de vacinação contra a hepatite B no Brasil, vale conferir as informações no site do Ministério da Saúde brasileiro

Em áreas onde as pessoas não foram vacinadas ao nascer, há mais possibilidade de elas estarem expostas à transmissão sexual do vírus da hepatite B na adolescência ou na vida adulta jovem. 

É neste ponto da vida dos pacientes que, segundo o médico hepatologista, "é prudente verificar quem têm anticorpos e, se não foram vacinados, devem buscar pela vacina", acrescenta Silva.

É importante ressaltar que pessoas não-inoculadas contra o vírus e que foram infectadas com hepatite B podem se tratar, mas não curar – apenas atenuá-la, como informa o especialista consultado por National Geographic

Hepatite C

A hepatite C é transmitida através de sangue, agulhas contaminadas ou sexo, informa a Opas. Os sintomas aparecem entre duas semanas e dois meses após se contrair a doença, embora 80% dos casos sejam assintomáticos. 

Até agora, não há vacina para prevenir esse tipo de hepatite, mas ela pode ser curada "em três meses com medicamentos", explica a Opas.

Para Marcelo Silva, a hepatite C é a única infecção viral que pode ser curada: "Ela é tratada com um antiviral e o vírus é erradicado". Ele não volta a menos que o paciente se re-infecte. O tratamento é feito com comprimidos que são muito bem tolerados pelo organismo e tomados durante dois ou três meses.

Hepatite D

Outro tipo de hepatite viral é a hepatite D, que é transmitida por sangue ou sexo, e só é possível de ser adquirida se o paciente já tiver sido previamente infectado pela hepatite B. 

Portanto, de acordo com a Opas, ela pode ser prevenida com a vacina específica para esta doença.

Hepatite E

A hepatite E é disseminada através dos alimentos, da água contaminada e da falta de higiene. Seus sintomas podem ser notados entre duas e 10 semanas após contrair-se a doença. 

Neste caso, ao contrário da hepatite A ou B, não há vacina, embora seja uma infecção aguda autolimitada (uma vez terminada a doença, ela não permanece com o tempo), como explica o hepatologista Marcelo Silva.

Quais são os sintomas da hepatite?

Entre os sinais mais comuns da doença, a Opas aponta os seguintes sintomas:

  • Febre
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Dor abdominal
  • Erupções cutâneas
  • Perda do apetite
  • Icterícia (amarelamento da pele)

A Opas adverte que, às vezes, a doença não apresenta sintomas até vários anos após a infecção. Até lá, porém, o fígado pode ficar severamente danificado.

Neste contexto, o hepatologista destaca a importância da vacinação e do acesso à informação, fatores que poderia prevenir a infecção e permitir o acesso aos tratamentos disponíveis.

"Por um lado, existe a hepatite B, que tem uma estratégia de prevenção espetacular, mas que nem todos cumprem. Por outro lado, há a hepatite C, que não tem vacina, é tratada com antivirais e tem cura. No entanto, essas duas formas de hepatite ainda são responsáveis por quase um milhão de mortes por ano, em todo o mundo", adverte o especialista.

Casos de hepatite aguda em crianças

Um relatório da OMS publicado em 24 de junho deste ano aponta para um surto de hepatite aguda infantil que foi inicialmente detectado em 5 de abril de 2022. 

Isto ocorreu quando o Reino Unido relatou 10 casos de hepatite aguda grave, vindas de etiologia desconhecida, em crianças anteriormente saudáveis e com menos de 10 anos de idade, que vivem no cinturão central da Escócia.

A detecção de hepatite aguda grave de etiologia desconhecida em crianças em cinco regiões diferentes (Europa, Américas, Pacífico Ocidental, Sudeste Asiático e Mediterrâneo Oriental) é incomum, e as graves seqüelas clínicas de alguns casos justificam uma investigação detalhada, adverte a Organização Mundial da Saúde.

Até 22 de junho de 2022, cerca de 33 países, em cinco regiões da OMS relataram 920 casos prováveis. Estes incluem casos novos e identificados retrospectivamente desde 1º de outubro de 2021, e que atendem à definição de casos da OMS.

Metade dos casos prováveis, observa a instituição, foram relatados na região européia. O segundo maior número de casos possíveis foi visto na região das Américas, seguido pela região do Pacífico Ocidental, o Sudeste Asiático e a parte do Mediterrâneo Oriental.

Distribuição de casos prováveis ​​de hepatite aguda grave de etiologia desconhecida em crianças por país em 22 de junho de 2022. 

Fonte: Organização Mundial da Saúde e Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido.

Arte de ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE

Que tipos de hepatite existem e quais são suas características?

As cinco principais cepas do vírus da hepatite diferem entre si em aspectos importantes, notadamente em modos de transmissão, gravidade da doença, distribuição geográfica e métodos de prevenção, segundo informações da OMS. Saiba quais são esses tipos abaixo:

Hepatite A

A hepatite A é transmitida por alimentos, água contaminada, má higiene ou contato direto com uma pessoa infectada, segundo informações da Opas. Os sintomas aparecem entre duas e três semanas após a contração da doença. Neste caso, ela pode ser evitada com uma vacina disponível internacionalmente. 

Hepatite B

A Hepatite B é transmitida através do sangue, ato sexual ou de mãe para filho durante o parto. Os sintomas geralmente aparecem de uma a duas semanas após se contrair a doença, embora em alguns casos os pacientes estejam assintomáticos. 

Segundo Marcelo Silva, a hepatite B possui uma vacina que é mais de 95% eficaz. Sua transmissão poderia ser eliminada se os programas de vacinação orientados pela OMS fossem seguidos. 

A vacina é administrada em recém-nascidos, seja integrada com outras vacinas ou por conta própria. Três doses são suficientes e o período entre elas depende do programa de vacinação de cada país. Para saber como funciona o programa de vacinação contra a hepatite B no Brasil, vale conferir as informações no site do Ministério da Saúde

Em áreas onde as pessoas não foram vacinadas ao nascer, há mais possibilidade de elas estarem expostas à transmissão sexual do vírus da hepatite B na adolescência ou na vida adulta jovem. 

É nesse ponto da vida dos pacientes que “é prudente verificar quem têm anticorpos e, se não foram vacinados, devem buscar pela vacina", diz Silva. Pessoas não vacinadas contra o vírus e que foram infectadas com hepatite B podem se tratar, mas não curar – apenas atenuá-la.

Hepatite C

A hepatite C é transmitida através de sangue, agulhas contaminadas ou no ato sexual, informa a Opas. Os sintomas aparecem entre duas semanas e dois meses após se contrair a doença, embora 80% dos casos sejam assintomáticos. 

Até agora, não há vacina para prevenir esse tipo de hepatite, mas ela pode ser curada "em três meses com medicamentos", explica a Opas.

Para Marcelo Silva, a hepatite C é a única infecção viral que pode ser curada: "Ela é tratada com um antiviral e o vírus é erradicado", diz ele. A doença só volta se o paciente se re-infectar. O tratamento é feito com comprimidos que são muito bem tolerados pelo organismo e tomados durante dois ou três meses.

Hepatite D

Outro tipo de hepatite viral é a hepatite D, transmitida por sangue ou sexo, e que só é possível de ser adquirida se o paciente já tiver sido previamente infectado pela hepatite B. 

Portanto, de acordo com a Opas, ela pode ser prevenida com a vacina específica para a hepatite B.

Hepatite E

A hepatite E é disseminada através dos alimentos, da água contaminada e da falta de higiene. Seus sintomas podem ser notados entre duas e 10 semanas após contrair-se a doença. 

Ao contrário da hepatite A ou B, não há vacina para a E, embora ela seja uma infecção aguda autolimitada (uma vez terminada a doença, ela não permanece com o tempo), explica Marcelo Silva.

Quais são os sintomas da hepatite?

Entre os sinais mais comuns da doença, a Opas aponta os seguintes sintomas:

  • febre
  • náuseas
  • vômitos
  • dor abdominal
  • erupções cutâneas
  • perda do apetite
  • icterícia (amarelamento da pele).

No entanto, às vezes a doença não apresenta sintomas até vários anos após a infecção, alerta a Opas. Até aparecerem os sintomas, o fígado pode ficar severamente danificado.

Por isso Silva destaca a importância da vacinação e do acesso à informação, fatores que poderia prevenir a infecção e permitir o acesso aos tratamentos disponíveis.

"Por um lado, existe a hepatite B, que tem uma estratégia de prevenção espetacular, mas que nem todos cumprem. Por outro lado, há a hepatite C, que não tem vacina, é tratada com antivirais e tem cura”, diz Silva. “No entanto, essas duas formas de hepatite ainda são responsáveis por quase um milhão de mortes por ano, em todo o mundo.”

Casos de hepatite aguda em crianças

Um relatório da OMS publicado em 24 de junho deste ano aponta para um surto de hepatite aguda infantil, inicialmente detectado em 5 de abril de 2022. 

Isso ocorreu quando o Reino Unido relatou 10 casos de hepatite aguda grave, vindas de etiologia desconhecida, em crianças anteriormente saudáveis e com menos de 10 anos de idade, que vivem no cinturão central da Escócia.

A detecção de hepatite aguda grave de etiologia desconhecida em crianças em cinco regiões diferentes (Europa, Américas, Pacífico Ocidental, Sudeste Asiático e Mediterrâneo Oriental) é incomum, e as graves seqüelas clínicas de alguns casos justificam uma investigação detalhada, adverte a OMS.

Até 22 de junho de 2022, cerca de 33 países, em cinco regiões da OMS relataram 920 casos prováveis, incluindo casos novos e identificados retrospectivamente desde 1º de outubro de 2021, e que atendem à definição de casos da OMS.

Metade dos casos prováveis foram relatados na Europa. O segundo maior número de casos possíveis foi visto nas Américas, seguido pela região do Pacífico Ocidental, o Sudeste Asiático e a parte do Mediterrâneo Oriental.

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