Eventos astronômicos de julho de 2022: Lua dos Cervos e chuva de meteoros

Saiba quando, onde e como acompanhar os principais acontecimentos cósmicos do mês.

Fotografia da Estação Marty e Ross, uma longa exposição do céu noturno revela o eixo sul da rotação da Terra. Marty Schnure e Ross Donihue, Parque Nacional da Patagônia, Chile.

Foto de MARTY SCHNURE, ROSS DONIHUE
Por National Geographic Brasil
Publicado 30 de jun. de 2022 09:24 BRT, Atualizado 1 de jul. de 2022 13:38 BRT

Julho será marcado por dois importantes fenômenos astronômicos. O primeiro é a curiosa Lua dos Cervos – acontecimento cuja origem remonta aos costumes dos povos nativos da América do Norte – e que poderá ser apreciada no segundo perigeu lunar do calendário astronômico de 2022.

Depois, o interlúnio deste mês coincidirá com a chuva de meteoros Delta Aquáridas, prevista para acontecer entre 28 e 29 de julho. De olho nessa movimentação nos céus, a National Geographic conversou com uma especialista para saber mais sobre esses eventos. 

Lua dos Cervos: quando e como ver

Através da história, civilizações sempre olharam para as estrelas e os planetas, assim como para os ciclos lunares, para se orientarem no tempo e no espaço. E nesse calendário ancestral estava a Lua dos Cervos, que faz parte da organização agrícola de diferentes povos americanos do hemisfério Norte. Segundo Beatriz García, astrofísica e pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica da Argentina (Conicet), os antigos associavam o fenômeno às tarefas diárias no campo – daí a presença dos cervos. 

A relação do nome com os cervos, especificamente, tem a ver com o crescimento dos chifres dos animais e “corresponde a uma observação da natureza", diz García. Os nativos norte-americanos teriam assimilado esta época do ano como sendo a do crescimento dos chifres dos cervos.

A Lua dos Cervos poderá ser observada, na América Latina, durante a noite de 13 de julho – será a a segunda vez neste ano que ocorre um evento com essas características (o primeiro foi a Superlua de Morango, em junho passado). Há ainda uma terceira Superlua em 2022, que acontecerá em agosto e é conhecida como Superlua do Esturjão.

Mas o que é uma Superlua?

O termo Superlua vem da astrologia. Por isso astrônomos e pesquisadores preferem chamar esses eventos de perigeu lunar, um termo mais científico.

O conceito se refere, justamente, ao momento em que a Lua está em seu ponto mais próximo da Terra, como aconteceu com a Superlua de Morango. De acordo com García, a distância média entre a Terra e seu satélite natural é de 384 mil km. No entanto, quando a Lua está no perigeu, ela se aproxima até 350 mil km.

O nome Superlua também corresponde à coincidência do perigeu com a fase de Lua Cheia, que é o que acontece em julho. Assim, o satélite aparecerá 14% maior e 30% mais brilhante neste mês, explica García, que ressalta: essas peculiaridades não serão visíveis ao olho humano.

Cometas espaciais: características e propriedades

Julho termina com outro evento imperdível: a travessia dos restos cósmicos do Cometa 96P Machholz – conhecida como chuva de meteoros Delta Aquáridas. O cometa, descoberto em 1986, leva o nome de Donald Machholz, e demora cerca de cinco anos para percorrer a órbita completa do Sol. 

Cometas são corpos celestes constituídos por uma cabeça (também chamada de núcleo) e uma cauda, ou bólido. Eles giram em torno do Sol e suas órbitas podem variar de um cometa para outro, explica Beatriz García.

Nesse processo de translação, o corpo celeste perde fragmentos ao se aproximar do Sol. Essas partículas são compostas de gelo e a massa brilhante observada no céu é o espectro de luz, visível da Terra, que pode ser visto como estrelas cadentes.

À medida que as partículas se desprendem, elas se aproximam da atmosfera terrestre puxadas pela gravidade da Terra. O gelo muda então seu estado material ao passar pela atmosfera: “Ele se acende como um fósforo e sua deterioração pode ser observada do solo”, explica Beatriz García. 

O que é a chuva de meteoros Delta Aquáridas e o cometa 96P Machholz? 

O 96P Machholz é um cometa que os astrônomos também chamam de Delta Aquáridas. “Isso por causa de sua proximidade com uma estrela chamada Delta Aquarius. O Delta é uma denominação associada ao brilho das estrelas nas constelações, sendo Alpha a mais brilhante, depois Beta, Gama e Delta”, explica García.

De acordo com um relatório publicado pela revista Science, em 2017, ele é o mais frequentemente avistado pelo Observatório da Agência Espacial Européia (ESA) e pela missão do Observatório Solar e Heliosférico da Nasa (Soho). A Soho detectou o 96P Machholz nos anos de 1996, 2002, 2007, 2012 e em outubro de 2017. O extraordinário neste último evento foi que um terceiro observatório, o Observatório Solar Terrestre e de Relações Terra (Stereo) enxergou o mesmo corpo celeste, mas do lado oposto da órbita da Terra. 

Os cientistas do Stereo explicaram que a "polarização", ou seja, a manifestação de uma figura em dois pólos paralelos da Terra, é extremamente rara. "Ela poderia fornecer informações úteis sobre a composição e a distribuição de tamanho das partículas da cauda", diz William Thompson, atual observador-chefe da Stereo.

Veja as melhores fotos de cometas e asteróides: 

Como observar a chuva de meteoros Delta Aquáridas

Beatriz García adverte que, ao contrário do que acontece com as Superluas, ver uma chuva de meteoros é mais difícil, principalmente nas cidades. É necessário ir a lugares escuros (ou seja, sem luz artificial) e, mesmo assim, ainda seria complicado observá-la completamente. "São como chuvas rápidas e, por isso, difíceis de capturar a olho nu ou em fotografias", diz García. 

A melhor hora para tentar acompanhar o fenômeno seria "a partir das 22h, olhando para o leste, em uma área livre de nuvens, árvores e edifícios", diz ela. Pela beleza desse evento astronômico, vale a pena ao menos tentar.

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