Eventos astronômicos de julho de 2022: Lua dos Cervos e chuva de meteoros
Fotografia da Estação Marty e Ross, uma longa exposição do céu noturno revela o eixo sul da rotação da Terra. Marty Schnure e Ross Donihue, Parque Nacional da Patagônia, Chile.
Julho será marcado por dois importantes fenômenos astronômicos. O primeiro é a curiosa Lua dos Cervos – acontecimento cuja origem remonta aos costumes dos povos nativos da América do Norte – e que poderá ser apreciada no segundo perigeu lunar do calendário astronômico de 2022.
Depois, o interlúnio deste mês coincidirá com a chuva de meteoros Delta Aquáridas, prevista para acontecer entre 28 e 29 de julho. De olho nessa movimentação nos céus, a National Geographic conversou com uma especialista para saber mais sobre esses eventos.
Lua dos Cervos: quando e como ver
Através da história, civilizações sempre olharam para as estrelas e os planetas, assim como para os ciclos lunares, para se orientarem no tempo e no espaço. E nesse calendário ancestral estava a Lua dos Cervos, que faz parte da organização agrícola de diferentes povos americanos do hemisfério Norte. Segundo Beatriz García, astrofísica e pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica da Argentina (Conicet), os antigos associavam o fenômeno às tarefas diárias no campo – daí a presença dos cervos.
A relação do nome com os cervos, especificamente, tem a ver com o crescimento dos chifres dos animais e “corresponde a uma observação da natureza", diz García. Os nativos norte-americanos teriam assimilado esta época do ano como sendo a do crescimento dos chifres dos cervos.
A Lua dos Cervos poderá ser observada, na América Latina, durante a noite de 13 de julho – será a a segunda vez neste ano que ocorre um evento com essas características (o primeiro foi a Superlua de Morango, em junho passado). Há ainda uma terceira Superlua em 2022, que acontecerá em agosto e é conhecida como Superlua do Esturjão.
Mas o que é uma Superlua?
O termo Superlua vem da astrologia. Por isso astrônomos e pesquisadores preferem chamar esses eventos de perigeu lunar, um termo mais científico.
O conceito se refere, justamente, ao momento em que a Lua está em seu ponto mais próximo da Terra, como aconteceu com a Superlua de Morango. De acordo com García, a distância média entre a Terra e seu satélite natural é de 384 mil km. No entanto, quando a Lua está no perigeu, ela se aproxima até 350 mil km.
O nome Superlua também corresponde à coincidência do perigeu com a fase de Lua Cheia, que é o que acontece em julho. Assim, o satélite aparecerá 14% maior e 30% mais brilhante neste mês, explica García, que ressalta: essas peculiaridades não serão visíveis ao olho humano.
Cometas espaciais: características e propriedades
Julho termina com outro evento imperdível: a travessia dos restos cósmicos do Cometa 96P Machholz – conhecida como chuva de meteoros Delta Aquáridas. O cometa, descoberto em 1986, leva o nome de Donald Machholz, e demora cerca de cinco anos para percorrer a órbita completa do Sol.
Cometas são corpos celestes constituídos por uma cabeça (também chamada de núcleo) e uma cauda, ou bólido. Eles giram em torno do Sol e suas órbitas podem variar de um cometa para outro, explica Beatriz García.
Nesse processo de translação, o corpo celeste perde fragmentos ao se aproximar do Sol. Essas partículas são compostas de gelo e a massa brilhante observada no céu é o espectro de luz, visível da Terra, que pode ser visto como estrelas cadentes.
À medida que as partículas se desprendem, elas se aproximam da atmosfera terrestre puxadas pela gravidade da Terra. O gelo muda então seu estado material ao passar pela atmosfera: “Ele se acende como um fósforo e sua deterioração pode ser observada do solo”, explica Beatriz García.
O que é a chuva de meteoros Delta Aquáridas e o cometa 96P Machholz?
O 96P Machholz é um cometa que os astrônomos também chamam de Delta Aquáridas. “Isso por causa de sua proximidade com uma estrela chamada Delta Aquarius. O Delta é uma denominação associada ao brilho das estrelas nas constelações, sendo Alpha a mais brilhante, depois Beta, Gama e Delta”, explica García.
De acordo com um relatório publicado pela revista Science, em 2017, ele é o mais frequentemente avistado pelo Observatório da Agência Espacial Européia (ESA) e pela missão do Observatório Solar e Heliosférico da Nasa (Soho). A Soho detectou o 96P Machholz nos anos de 1996, 2002, 2007, 2012 e em outubro de 2017. O extraordinário neste último evento foi que um terceiro observatório, o Observatório Solar Terrestre e de Relações Terra (Stereo) enxergou o mesmo corpo celeste, mas do lado oposto da órbita da Terra.
Os cientistas do Stereo explicaram que a "polarização", ou seja, a manifestação de uma figura em dois pólos paralelos da Terra, é extremamente rara. "Ela poderia fornecer informações úteis sobre a composição e a distribuição de tamanho das partículas da cauda", diz William Thompson, atual observador-chefe da Stereo.
Veja as melhores fotos de cometas e asteróides:

Comet C/2001 Q4, also known as NEAT, emits a blue-and-purple glow as it moves through the cosmos in May 2004. Its coma, or head, and a portion of its tail are visible in this shot, as are myriad stars. This image was taken by telescope from Kitt Peak National Observatory near Tucson, Arizona.
Comet C/2001 Q4, also known as NEAT, emits a blue-and-purple glow as it moves through the cosmos in May 2004. Its coma, or head, and a portion of its tail are visible in this shot, as are myriad stars. This image was taken by telescope from Kitt Peak National Observatory near Tucson, Arizona.

Of the thousands of known comets in the solar system, Halley's comet is one of some 200 that are periodic. Halley's comet orbits Earth every 76 years; the next flyby will occur in 2061.
Of the thousands of known comets in the solar system, Halley's comet is one of some 200 that are periodic. Halley's comet orbits Earth every 76 years; the next flyby will occur in 2061.

This image shows ejected material that was propelled into space when NASA's Deep Impact probe collided with comet Tempel 1 at 1:52 a.m. ET on July 4, 2005. It was taken by the spacecraft's medium-resolution camera 16 seconds after impact.
This image shows ejected material that was propelled into space when NASA's Deep Impact probe collided with comet Tempel 1 at 1:52 a.m. ET on July 4, 2005. It was taken by the spacecraft's medium-resolution camera 16 seconds after impact.

Seen here in a 2004 composite image, the intensely active surface of comet Wild 2 ejects dust and gas streams into space, leaving a trail millions of kilometers long. Other than the sun, Wild 2 is currently the most active planetary surface in our solar system, astronomers say.
Seen here in a 2004 composite image, the intensely active surface of comet Wild 2 ejects dust and gas streams into space, leaving a trail millions of kilometers long. Other than the sun, Wild 2 is currently the most active planetary surface in our solar system, astronomers say.

The Hale-Bopp comet shines against a stellar backdrop in the constellation Sagittarius in this Hubble Space Telescope image. Discovered in 1995 by amateur astronomers Alan Hale in New Mexico and Thomas Bopp in Arizona, the extremely bright comet became visible to the naked eye the following year. It gradually faded from view, but astronomers predict that Hale-Bopp will be viewable with large telescopes until around 2020.
The Hale-Bopp comet shines against a stellar backdrop in the constellation Sagittarius in this Hubble Space Telescope image. Discovered in 1995 by amateur astronomers Alan Hale in New Mexico and Thomas Bopp in Arizona, the extremely bright comet became visible to the naked eye the following year. It gradually faded from view, but astronomers predict that Hale-Bopp will be viewable with large telescopes until around 2020.

The round shape of Ceres, the largest object in the asteroid belt between Mars and Jupiter, suggests that its interior is layered like Earth's. First classified as an asteroid, Ceres was recently also labeled a dwarf planet. It has a diameter of about 590 miles (950 kilometers) and it contains about a third of the asteroid belt's total mass.
The round shape of Ceres, the largest object in the asteroid belt between Mars and Jupiter, suggests that its interior is layered like Earth's. First classified as an asteroid, Ceres was recently also labeled a dwarf planet. It has a diameter of about 590 miles (950 kilometers) and it contains about a third of the asteroid belt's total mass.


This enlargement of a 1993 Hubble Space Telescope image shows the brightest nuclei in a string of approximately 20 objects that comprise Comet P/Shoemaker-Levy 9 as it hurtled toward a July I994 collision with the giant planet Jupiter. Shoemaker-Levy 9 was the first comet discovered to be orbiting a planet, Jupiter, instead of the sun.
This enlargement of a 1993 Hubble Space Telescope image shows the brightest nuclei in a string of approximately 20 objects that comprise Comet P/Shoemaker-Levy 9 as it hurtled toward a July I994 collision with the giant planet Jupiter. Shoemaker-Levy 9 was the first comet discovered to be orbiting a planet, Jupiter, instead of the sun.

Fragments of comet P/Shoemaker-Levy 9 struck Jupiter in July 1994, leaving the impacts visible in this ultraviolet image. The spots appear dark because of the large quantities of dust, which absorbs sunlight, being deposited in the planet's stratosphere.
Fragments of comet P/Shoemaker-Levy 9 struck Jupiter in July 1994, leaving the impacts visible in this ultraviolet image. The spots appear dark because of the large quantities of dust, which absorbs sunlight, being deposited in the planet's stratosphere.

Light reflects from the nucleus of the Tempel 1 comet in this Hubble Space Telescope image taken in 2005. The potato-shaped nucleus, which appears starlike because it's too small for Hubble to resolve, is 8.7 miles (14 kilometers) wide and 2.5 miles (4 kilometers) long.
Light reflects from the nucleus of the Tempel 1 comet in this Hubble Space Telescope image taken in 2005. The potato-shaped nucleus, which appears starlike because it's too small for Hubble to resolve, is 8.7 miles (14 kilometers) wide and 2.5 miles (4 kilometers) long.

A new jet of dust streams from the icy nucleus of the Tempel 1 comet, caught in this Hubble Space Telescope image. The jet extends about 1,400 miles (2,200 kilometers)—roughly half the distance across the U.S.—in the direction of the sun. Comets frequently show outbursts of activity, but astronomers still don't know exactly why they occur.
A new jet of dust streams from the icy nucleus of the Tempel 1 comet, caught in this Hubble Space Telescope image. The jet extends about 1,400 miles (2,200 kilometers)—roughly half the distance across the U.S.—in the direction of the sun. Comets frequently show outbursts of activity, but astronomers still don't know exactly why they occur.
Como observar a chuva de meteoros Delta Aquáridas
Beatriz García adverte que, ao contrário do que acontece com as Superluas, ver uma chuva de meteoros é mais difícil, principalmente nas cidades. É necessário ir a lugares escuros (ou seja, sem luz artificial) e, mesmo assim, ainda seria complicado observá-la completamente. "São como chuvas rápidas e, por isso, difíceis de capturar a olho nu ou em fotografias", diz García.
A melhor hora para tentar acompanhar o fenômeno seria "a partir das 22h, olhando para o leste, em uma área livre de nuvens, árvores e edifícios", diz ela. Pela beleza desse evento astronômico, vale a pena ao menos tentar.



