Espaço

O planeta mais próximo do nosso sistema solar simplesmente desapareceu

O desaparecimento do Alpha Centauri Bb levanta dúvidas para caçadores de planetas que buscam por mundos extraterrestres do tamanho da Terra.

Por Devin Powell

Cientistas acabaram de fazer um planeta desaparecer. De acordo com um novo estudo, Alpha Centauri Bb, um mundo no sistema mais próximo de nós, era somente um fantasma nos dados.

O planeta, embora talvez tivesse uma massa parecida com a da Terra, foi considerado um marco quando anunciado em 2012 pela revista Nature. As pessoas ficaram animadas com a descoberta de planetas vizinhos que poderiam ter vida no sistema Alpha Centauri, a 4,3 anos-luz de distância – já designado como moradia de personagens de ficção científica como Transformers e criaturas do filme Avatar.

Mas o planeta alienígena não seria um bom lugar para se procurar vida. Ele estaria muito próximo de sua estrela, a um décima da distância que Mercúrio está do Sol. Sua superfície escaldante provavelmente estaria coberta de rocha fundida.

Agora, ele servirá como um alerta para caçadores de planetas, como uma lembrança de que planetas pequenos como a Terra são difíceis de encontrar. Distinguir pistas sutis de barulhos de fundo é muito difícil, como exibido em um novo artigo postado recentemente em arXiv.org e por aparecer nas Notícias Mensais da Royal Astronomical Society.

Mesmo a equipe que originalmente registrou o planeta concorda. Esse trabalho é muito bom, disse Xavier Dumusque do Centro de Astrofísica da Harvard-Smithsonian. "Não temos 100% de certeza, mas é bem rpovável que o planeta não esteja lá."

Como um planeta desaparece

Não é o primeiro mundo a desaparecer. Em 2005, o astrônomo polonês Maciej Konacki conseguiu evidências tentadoras de que o HD 188753, um sistema de três estrelas, tinha um planeta gasoso parecido com Júpiter. O comunicado afetou toda a comunidade astronômica: de acordo com as teorias de formação de planeta, os campos gravitacionais das três estrelas não deveriam permitir que um planeta desse tamanho se formasse. Mas, dois anos mais tarde, os pesquisadores não conseguiram confirmar a descoberta de Konacki, sugerindo que ela seria, na verdade, um alarme falso.

Dumusque originalmente encontrou o planeta de Alpha Centauri monitorando a luz da estrela Alpha Centauri B. A luz da estrela se deslocava na direção do fim azulado do espectro, então o vermelho, em intervalos regulares, indicava movimentos como uma sirene que oscila conforme se aproxima e distância do ouvinte. A estrela parecia se mover para trás e para frente a cada três dias, como se fosse puxada por um pequeno planeta na órbita.

Estrelas oscilantes foram usadas para reconhecer centenas de outros planetas, mas maiores. Algumas pessoas duvidaram da descoberta, incluindo o astrônomo Artie Hatzes da Universidade Friedrich Schiller em Jena – um pioneiro na comunidade de exoplanetas que publicou uma análise cética.

Agora, parece que foram inconsistências nos dados que fizeram o planeta se materializar.

Imagine alguém tentando escutar um concerto de piano mas ouvindo somente uma nota a cada dez. Eles poderiam confundir Bach por Beethoven. Um astrônomo que olha para uma estrela somente algumas vezes por semana, como o telescópio que descobriu Bb fazia, pode ser enganado de maneira parecida.

Vinesh Rajpaul, um aluno de pós-graduação em astrofísica da Universidade de Oxford mostrou que padrões sutis na luz causados por coisas que não têm nada a ver com o planeta – como manchas na superfície da estrela, barulho eletrônico no equipamento ou a atração de outra estrela, por exemplo – podem ser confundidas com um planeta.

A fabricação de um falso planeta

Para provar sua teoria, Rajpaul criou uma simulação no computador de uma estrela sem planeta e com observações esporádicas.

“Quando gerou dados sintéticos, o planeta apareceu, embora não existisse planeta", disse Rajpaul.

O engano, disse ele, não seria um problema para a grande maioria de mais de 5.600 de outros planetas encontrados até hoje, já que grande parte são muito maiores.

A sonda Kepler também encontrou planetas menores que a Terra. Mas ele observa uma mancha no céu constantemente e usa um método totalmente diferente, esperando que planetas cruzem na frente de suas estrelas e reduzam a luz nem que seja um pouco.

Bem consciente dos desafios a serem enfrentados, Dumusque recentemente desafiou seus colegas a uma disputa para encontrar pequenos planetas. Ele criou simulações de estrelas hospedando planetas com tamanhos diferentes ou nenhum planeta. Equipes de especialistas buscando por oscilações causadas por planetas maiores acertaram cerca de 90% das vezes. Para planetas menores, a melhor equipe identificou somente 10% e cometeu muitos erros.

Michael Greshko contribuiu para essa história.

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Publicado em 29 de outubro de 2015.

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