Eles se assustam, nós rimos: as fotos de uma casa assombrada

Inspirado pelas fotos em montanhas russas, o dono dessa atração no Canadá começou a clicar seus clientes em momentos curiosos.

Publicado 8 de nov. de 2017 20:36 BRST, Atualizado 5 de nov. de 2020 03:22 BRT

As armadilhas fotográficas são uma ferramenta importante para os cientistas da vida selvagem. É comum que pesquisadores a posicionem em locais estratégicos, ao longo de trilhas de animais para capturar fotos com despercebidos. Elas já foram usadas para realizar censos remotos de onças ameaçadas, para ver o que acontece quando 3 toneladas de porcos mortos são deixadas na natureza e, agora, para capturar as reações das pessoas ao levar um susto arrebatador.

A casa assombrada Nightmares Fear Factory, em Niagara Falls, no Canadá, existe há mais de 30 anos. No entanto, em meados dos anos 2000, inspirada pelas câmeras automáticas de montanhas-russas, o proprietário, Frank LaPenna, teve a ideia de oferecer aos clientes fotos mostrando seus momentos de choque e terror. 

"No início, eu ficava no escuro com uma pequena câmera digital apontada na direção das pessoas que estavam prestes a levar um susto. E eu, literalmente, tirava uma foto no escuro. Então, corria lá para frente, até o lobby, retirava o cartão da câmera e o colocava no computador para mostrar a imagem no monitor para que as pessoas pudessem vê-las ao sair", ele descreve.

Desde então, o dispositivo criado por LaPenna evoluiu para algo um pouco mais sofisticado. Armadilhas fotográficas disparam quando um sensor de movimento é acionado – por exemplo, quando um animal atravessa uma linha infravermelha. LaPenna criou um dispositivo semelhante, no entanto, neste caso, a câmera é ativada quando o dispositivo responsável pelo susto entra em ação. O dispositivo tira cerca de 550 fotos por dia de clientes petrificados. E a Nightmares está aberta todos os dias, o que significa que eles tiram centenas de milhares de fotos assustadoras por ano. 

O resultado, que representa um problema para os cientistas – das milhares de imagens capturadas pela armadilha, apenas uma pequena parte fornece dados utilizáveis – impulsionou o boom comercial de LaPenna. Em 2011, um viral com fotos da casa assombrada de Nightmares tornou-se tão popular que causou problemas de tráfego em seu site. (Desde então, eles se preparam todos os anos para o aumento de visitantes durante Halloween).

Nem sempre foi o mesmo com as armadilhas fotográficas da vida selvagem, que estão silenciosamente impulsionando a ciência em todo o mundo. No fim das contas, somos todos animais – embora nem todos busquemos a adrenalina de sentir o instinto primitivo que é o medo.

"As pessoas acham que eu tenho crânios sobre a minha lareira em casa, mas não é nada disso", diz LaPenna, admitindo que, na verdade, não é um grande fã do terror.

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