Tesouros arqueológicos resistiram ao atentado de 11 de setembro nos EUA

Quase um milhão de artefatos abrangendo quatro séculos de história de Nova York estavam armazenados no World Trade Center. Conheça a história deles.

Publicado 10 de set. de 2021 07:00 BRT
Clean up at Ground Zero after the terrorist attack on the World Trade Center buildings, New ...

Equipes de limpeza trabalham nos escombros do Ponto Zero, em novembro de 2001. Após o desmoronamento das torres do World Trade Center, não se sabia ao certo o estado de quase um milhão de artefatos que haviam sido armazenados no porão de um prédio vizinho.

Foto de Scott Kemper, Alamy Stock Photo

Em 1992, a arqueóloga urbana Sherrill Wilson buscava espaço para um laboratório e centro de pesquisa no World Trade Center, e um gerente de escritório sugeriu o 67o andar da Torre Norte. Wilson estremeceu, relembrando uma memória assustadora de alguns anos antes, quando ela testemunhou pessoas pulando de uma janela para escapar de um incêndio. Ela também soube que um grupo de escoteiros havia ficado preso havia pouco tempo em um elevador do WTC por algumas horas. Como chefe de informações públicas do projeto Cemitério Africano de Nova York (um cemitério de milhares de africanos libertos e escravizados descoberto havia pouco tempo), Wilson sempre recebia crianças em idade escolar em seu escritório para aprenderem sobre a evolução da cidade de Nova York.

Por essas e mais razões, ela se recusou até mesmo a visitar o 67o andar. “Eu disse: ‘sou mãe solteira, tenho três filhos que esperam que eu volte para casa no fim do dia.’” Assim, em vez desse andar, o projeto Cemitério Africano ocupou parte do andar térreo e do porão do Six World Trade, um prédio vizinho de oito andares que abrigava diversas repartições federais. Um ano depois, em 1993, Wilson sentiu o chão de seu laboratório tremer devido a um atentado a bomba no World Trade Center. Passados oito anos, a fachada da Torre Norte desabou sobre o Six World Trade e destruiu milhares de artefatos históricos.

Fumaça se ergue da Torre Norte destruída do World Trade Center cinco dias após os ataques terroristas. À esquerda estão os escombros do Six World Trade, destruído pela queda de destroços. O Six World Trade abrigava um grande laboratório de arqueologia utilizado para estudar artefatos escavados durante a construção da cidade.

Foto de Photograph via Everett Collection Historical, Alamy Stock Photo

Quase três mil pessoas morreram na manhã de 11 de setembro de 2001, quando dois aviões atingiram as Torres Gêmeas na baixa Manhattan. Nas semanas e meses seguintes, historiadores tentaram fazer um balanço das milhares de relíquias históricas também desaparecidas em meio aos destroços. Esses artefatos contavam a história de origem de Nova York e a história de homens e mulheres escravizados e trabalhadores imigrantes que transformaram a cidade em uma potência global.

História angustiante desenterrada

Desde os anos em que trabalhou como professora e guia turística, Wilson sabia que a maioria das pessoas acreditava que a presença negra em Nova York havia começado com uma migração após a Guerra Civil dos Estados Unidos. A descoberta do cemitério africano em 1991, durante a construção de um prédio de repartições federais perto da prefeitura, revelou uma história diferente. Além de evidências de uma grande comunidade africana anterior a esse período, foi revelado um retrato brutal da escravidão em que trabalhadores jovens e substituíveis foram necessários para construir uma cidade industrial.

No início do século 19, um cruzamento conhecido como Five Points tornou-se conhecido pelo crime, prostituição e pobreza. Essa representação de um bairro pobre feita por McSpedon & Baker em 1827 foi publicada na Valentine’s Manual, uma lista telefônica da cidade de Nova York.

Foto de Photograph via The Museum of the City of New York, Art Resource, NY

Esta foto, tirada para o Conselho de Saúde em 1872, é descrita como uma representação dos “Covis da Morte”, na curva da rua Mulberry, em Five Points.

Foto de Photograph via The Museum of the City of New York / Art Resource, NY

Outra fotografia para o Conselho de Saúde em 1872 retrata uma casa na rua Baxter em Five Points, na época, um dos bairros com as maiores densidades populacionais do mundo.

Foto de Photograph via The Museum of the City of New York, Art Resource, NY

No início do século 17, colonos holandeses forneceram um terreno pantanoso de cerca de 2,5 hectares no extremo sul da ilha de Manhattan para que os africanos libertos enterrassem seus mortos, muitas vezes na calada da noite, já que era proibido por lei que mais de quatro pessoas escravizadas se reunissem. Ao longo de 150 anos, cerca de 15 mil africanos livres e escravizados foram enterrados em uma área pouco maior do que o tamanho médio de um quarteirão da cidade. Nos dias atuais, o cemitério está localizado no distrito financeiro de Manhattan.

Os ossos do cemitério contam uma história angustiante das condições de homens e mulheres escravizados. Os pesquisadores verificaram que, em apenas uma geração, praticamente desapareceram tradições africanas características como a raspagem de dentes e o uso de joias ornamentadas. Os ossos apresentavam evidências físicas de trabalho árduo e perigoso, incluindo fraturas no crânio causadas pela queda de cargas pesadas sobre trabalhadores escravizados das docas. Sua expectativa de vida média estava entre 24 e 26 anos.

Ao longo do estudo com duração de uma década, objetos encontrados no cemitério africano foram processados no laboratório de Wilson no porão do Six World Trade. Após a documentação e análise, os artefatos, amostras de solo e fragmentos de caixões eram encaixotados e armazenados no porão do prédio. Restos mortais foram enviados à Universidade Howard, em Washington D.C., para análises posteriores.

Resgate ao ‘Ninho de Víboras’

Em 1991, o mesmo ano em que o cemitério africano foi encontrado em um canteiro de obras, outra descoberta arqueológica foi feita nas proximidades das obras de um futuro tribunal federal. Sob um estacionamento, os pesquisadores encontraram relíquias do Five Points, outrora um dos bairros mais densamente povoados do mundo e o bairro pobre mais famoso de Manhattan no século 19.

Xícara de chá infantil de porcelana encontrada por arqueólogos em latrina cheia de lixo pertencente a inquilinos irlandeses no número 474 da rua Pearl. Muitos dos artefatos escavados em Five Points desmentiram o estereótipo popular de que o bairro fosse um “covil de ladrões”.

Foto de MUSEUM OF THE CITY OF NEW YORK

Cachimbo de barro encontrado no número 474 da rua Pearl.

Foto de Photograph via Museum of the City of New York

A ponta de um cachimbo de argila desenterrado em Five Points retrata uma figura da mitologia clássica, possivelmente um deus grego ou romano.

Foto de MUSEUM OF THE CITY OF NEW YORK

Bolinhas de gude encontradas em Five Points indicam a presença de famílias operárias que tinham renda para comprar pequenos artigos de luxo.

Foto de MUSEUM OF THE CITY OF NEW YORK

No imaginário popular, Five Points era famoso muito antes do lançamento do filme Gangues de Nova York de Martin Scorsese em 2002. Em meados do século 19, jornais apelidaram o bairro de “ninho de víboras”. Visitantes como Charles Dickens descreveram o bairro de imigrantes alemães e irlandeses como um centro de crime, violência e prostituição. Aos nova-iorquinos abastados, o bairro era um mau presságio do urbanismo e um pretexto para seu desdém pelos imigrantes e pela classe operária.

Os ricos muitas vezes preenchem os registros históricos com seus próprios artefatos e perspectivas, enquanto os legados das classes operárias raramente são preservados. Mas o sítio arqueológico de Five Points — que continha relíquias de 14 propriedades diversas, como a casa de um rabino e um bordel — revelou mais de 850 mil artefatos da classe operária. Para os arqueólogos, o impressionante acervo de objetos do cotidiano, como garrafas de refrigerante, aparelhos de chá, dedais e tinteiros, foi uma descoberta quase milagrosa em uma cidade constantemente destruída e reconstruída.

Os artefatos de Five Points juntaram-se ao projeto Cemitério Africano no laboratório subterrâneo do Six World Trade, onde a cidade forneceu espaço e financiamento para suas análises. Em um ginásio dividido em cubículos e mesas compridas, o estereótipo sombrio de Five Points enfrentou um choque de realidade. Os objetos catalogados pelos arqueólogos pintaram um retrato de vida bastante distinto daquele representado nos tabloides do século 19. Das centenas e milhares de artefatos recuperados do bairro pobre — retalhos de tecidos provenientes de empresas mantidas em residências, pentes ornamentais, xícaras de chá com mensagens recomendando aos meninos que fossem bonzinhos — surgiu uma imagem de famílias recém-chegadas tentando escapar da pobreza.

“O que significa o fato de que esses moradores, supostamente criminosos desprezíveis, arrumavam suas mesas com pratos combinando e forneciam brinquedos a crianças, assim como a classe média?”, indaga Rebecca Yamin, arqueóloga histórica que dirigiu o projeto de Five Points. “Os moradores de Five Points foram mal interpretados pelos observadores da classe média e explorados pelo sensacionalismo.”

Homens diante de albergue. Em meados do século 19, os habitantes de Five Points eram, em sua maioria, irlandeses e alemães. Os visitantes e a imprensa exploraram a reputação decadente do bairro como uma advertência contra o aumento da imigração.

Foto de Photograph via The Museum of the City of New York, Art Resource, NY

Crianças em idade escolar sentam-se em carteiras em sala de aula lotada na escola missionária de Five Points. A descoberta de brinquedos e porcelana fina durante a escavação de Five Points indicou aos arqueólogos que nem todas as famílias do bairro eram carentes.

Foto de Photographs via The Museum of the City of New York, Art Resource, NY

Depois de cinco anos de limpeza, análise e documentação, os arqueólogos embalaram milhares de artefatos provenientes de Five Points no porão do Six World Trade para aguardar uma futura exposição permanente no Museu do Porto Marítimo, na orla marítima de Manhattan.

História desaparecida

Na manhã de 11 de setembro de 2001, Sherrill Wilson estava em um trem com destino à cidade quando o condutor anunciou que dois aviões haviam atingido o World Trade Center. Em poucas horas, milhares de nova-iorquinos estavam mortos e peças incontáveis da história desapareceram, incluindo os arquivos de Helen Keller, os registros da Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey e obras de arte de Picasso e Rodin que adornavam as paredes das empresas financeiras mais poderosas da cidade.

Em 1991, centenas de túmulos de africanos livres e escravizados foram encontrados durante a construção de um prédio comercial no distrito financeiro de Nova York. Hoje, um monumento marca o local onde os restos mortais de 419 homens, mulheres e crianças foram sepultados novamente.

Foto de Photograph via Library of Congress

Os símbolos nas paredes do Monumento Nacional do Cemitério Africano indicam as diferentes identidades dos africanos escravizados que ajudaram a construir a cidade de Nova York. O monumento é o maior e mais antigo cemitério escavado de africanos livres e escravizados na América do Norte.

Foto de Sherab, Alamy Stock Photo

Imagens da escavação do cemitério africano identificam o sexo e idade aproximada das pessoas que haviam sido sepultadas no local entre a década de 1630 e 1795. Cientistas encontraram evidências de alguns restos mortais com fraturas no crânio, indício de que grandes cargas provavelmente caíram nas cabeças dos trabalhadores escravizados nas docas da cidade.

Foto de Patti McConville, Alamy Stock Photo

Wilson voltou para casa e soube que, quando a Torre Norte desmoronou, destroços caíram sobre o Six World Trade, abrindo uma cratera fumegante no prédio de oito andares. Ao assistir à destruição de seu escritório na CNN, ela ficou tranquila por saber que os restos mortais do cemitério africano estavam a salvo na Universidade Howard em Washington D.C. Mas o estado de tudo o que estava armazenado no Six World Trade — os artefatos do cemitério e a biblioteca de pesquisa, bem como o acervo de artefatos de Five Points — era desconhecido.

Um mês depois, no início de novembro, trabalhadores da cidade chegaram aos escombros do Six World Trade para recuperar o que fosse possível. Entre os objetos extraídos dos destroços estava o acervo quase completo de artefatos do cemitério africano, armazenado em cerca de cem caixas. Outras 200 caixas foram recuperadas do acervo de Five Points, mas continham apenas a documentação de cada artefato. As peças em si foram destruídas.

Rebecca Yamin não ficou surpresa nem chateada com o fato de que 850 mil fragmentos do bairro pobre, desenterrados por ela e outros com tanto cuidado, haviam sido destruídos para sempre, em vista do tamanho custo humano.

“É preciso lembrar que o atentado de 11 de setembro ofuscou os registros daquela região da cidade”, afirma ela. “Perder registros históricos é sempre uma tragédia, mas não é equiparável à perda de vidas humanas. Contudo é uma perda de conhecimentos sobre a humanidade e suas origens.”

“Ninguém imaginaria que, em uma cidade como Nova York, haveria algo enterrado sem que se soubesse”, acrescenta a arqueóloga. “Artefatos podem ficar preservados no solo por muito tempo e de repente, em um instante, podem ser descobertos.”

Escombros fumegantes do World Trade Center em 25 de setembro de 2001. O ataque matou milhares de nova-iorquinos e destruiu milhares de objetos de valor cultural e histórico, incluindo todo o acervo arqueológico de Five Points.

Foto de Eric Feferberg, AFP/Getty Images

Local de último descanso

Na baixa Manhattan, um monumento em granito fica à sombra dos imponentes arranha-céus. De um lado, sete sepulturas se erguem de um campo gramado. Abaixo delas estão restos mortais humanos do cemitério africano.

Os ossos foram novamente sepultados em seu local de descanso original em Manhattan em 2003, após sua análise na Universidade Howard. Os conteúdos das cerca de 100 caixas recuperadas do Six World Trade após os ataques (amostras de solo, fragmentos de caixões e outros artefatos) também acabaram sendo trazidos ao Laboratório de Pesquisas W. Montague Cobb da Universidade Howard, onde ainda estão atualmente sob estudos, 30 anos após serem descobertos e 20 anos depois de resistirem à destruição do World Trade Center.

Carter Clinton, Explorador da National Geographic, atualmente analisa amostras de solo do cemitério para identificar bactérias intestinais, ou o microbioma humano, das pessoas sepultadas no local há cerca de 400 anos.

Ainda mais do que os restos de esqueletos — que podem revelar a idade, o sexo e lesões físicas como ossos quebrados — o microbioma humano pode revelar nuances das pessoas sepultadas, incluindo sua dieta alimentar (composta principalmente por vegetais), ambiente (resíduos tóxicos de olarias próximas) e saúde (gastroenterite, salmonela e doenças respiratórias).

“Após a análise desses restos e amostras, não sobrou mais nada”, revela Clinton. “É nossa última esperança para entender a situação daquelas pessoas em Nova York naquela época. Não sabemos os nomes dessas pessoas, mas ainda podemos lhes proporcionar alguma identidade.”

Clinton, que é afro-americano e cresceu na cidade de Nova York, sente-se na obrigação de obter essas informações a partir das evidências restantes. “Gostaria que a consciência sobre o cemitério africano fosse tão ampla quanto sobre o 11 de setembro”, conta ele. “A importância do atentado de 11 de setembro se deve às pessoas que construíram esta cidade. Quando penso no World Trade Center e na Bolsa de Valores de Nova York, penso em sua origem.”

A escravidão em Nova York terminou em 1827, mas antes disso, os africanos escravizados expandiram uma pequena via utilizada por nativos americanos com destino à Broadway e construíram os muros próximos ao que se tornou Wall Street. Na época, o valor de sua mão de obra foi estimado em mais do que todas as ferrovias e fábricas do país juntas. As instituições financeiras dos Estados Unidos basearam a Bolsa de Valores nesse valor estimado.

“Foram os africanos que fizeram de Nova York a cidade de Nova York”, afirma Fatimah Jackson, que dirige o Laboratório de Pesquisas W. Montague Cobb. “Se esse material fosse perdido, a tragédia de 11 de setembro teria sido maior.”

Jackson aponta que, apesar das análises genéticas, nenhuma comunidade descendente individual foi identificada a partir dos restos mortais dos 419 homens, mulheres e crianças recuperados do cemitério africano. “Parecia que os indivíduos sepultados no cemitério, devido a sua idade jovem e quantidade, são ancestrais de quase todos os afro-americanos atuais”, afirma ela. “Se o 11 de setembro também houvesse destruído isso, 40 milhões de pessoas teriam sentido outra perda irreparável.”

“Sobreviventes triplos” de Nova York

Passados poucos meses do atentado de 11 de setembro, Rebecca Yamin percebeu que nem todos os artefatos de Five Points haviam sido perdidos naquele dia terrível. Por sorte, em 2000, a arquidiocese de Nova York havia pedido o empréstimo de algumas peças para uma exposição sobre a história da Irlanda em Nova York. O laboratório de Yamin lhe emprestou 18 de seus artefatos mais preciosos: bolinhas de gude, cachimbos de tabaco com desenhos finamente entalhados e, o mais valioso de todos: uma delicada xícara de chá pintada com a imagem do padre Matthew, um padre irlandês que pregava a abstinência no consumo de bebidas alcoólicas. Em uma época em que os moradores de Five Points eram considerados bêbados e criminosos, alguém fez questão de expor cuidadosamente essa xícara em sua casa.

A arquidiocese havia devolvido as 18 peças em agosto de 2001, e Yamin tomou a afortunada decisão de enviá-las diretamente ao Museu do Porto Marítimo, em vez de devolvê-las a seu acervo no Six World Trade. Hoje, estão expostas no Museu da Cidade de Nova York, a 100 quarteirões de seu acervo original. Uma seleção das relíquias está exposta no acervo permanente do museu sobre a diversidade da cidade de Nova York em um momento em que a imigração alemã, irlandesa e judaica mudou a composição da cidade. A apreciada xícara com a imagem do padre Matthew fica em destaque em uma caixa de vidro na parede do museu.

A curadora-chefe Sarah Henry considera os artefatos de Five Points como “sobreviventes triplos”. Eles sobreviveram à pobreza, resistiram ao descarte e ao soterramento e escaparam por pouco da destruição do 11 de setembro.

Henry estava em uma reunião do conselho do museu no Tribunal de Justiça de Tweed, a nordeste do World Trade Center, na manhã de 11 de setembro de 2001. Um estrondo reverberou pelo prédio quando o primeiro avião atingiu a Torre Norte.

“Acredito que todo historiador sentiu uma sensação angustiante, sobretudo após tantos anos de trabalho, escavação e revelação de conhecimentos anteriormente ocultos, apenas para ver tudo desaparecer uma década depois”, revela Henry. “Não desejo fazer nenhuma comparação, mas foi uma sensação muito intensa. Foi mais um golpe.”

Algumas semanas depois, os curadores dos museus da cidade se reuniram para discutir seu papel como instituições: o que coletar após esse desastre e quando? Logo estavam repletos de peças: pôsteres de desaparecidos, cartas, velas em tributo aos mortos. Perceberam que os nova-iorquinos estavam desesperados para que suas experiências fossem registradas e preservadas. Henry aconselhou um grupo nomeado pela Autoridade Portuária sobre quais objetos físicos seriam resgatados dos escombros do Trade Center e recuperados para as gerações futuras estudarem, aprenderem e refletirem a seu respeito.

A cidade de Nova York gerou um novo acervo de artefatos, objetos que juntos poderiam contar a história de uma época de crise e dos indivíduos falecidos e sobreviventes. Hoje, os artefatos novos e antigos estão separados por um corredor no Museu da Cidade de Nova York. Em uma sala, peças de Five Points ilustram a origem da cidade e aqueles que a construíram. Na outra, resquícios do 11 de setembro trazem a história de Nova York, continuamente construída, destruída e defrontada por repetidos traumas e heroísmo, até o século 21.

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