História

A busca de um fotógrafo por quem come como seus ancestrais

Matthieu Paley visitou algumas das comunidades mais remotas do mundo em busca das origens da nossa comida.

Por Pamela Chen
Deslize até o fim da reportagem para ver quais são os pratos e suas origens.

Hoje em dia, mostrar o que comemos para a Internet é um passatempo universal: compartilhar a sua comida prova que você não mergulhou no seu prato até que tenha tirado uma foto com seu telefone e postado em suas redes sociais.

Nós incorporamos essa forma de fotografia em nossa história, “A evolução da dieta” da edição de setembro de 2014 da revista National Geographic. Fotografada por Matthieu Paley e escrita por Ann Gibbons, a história mostra o que nossos antepassados comiam para ver o que poderíamos aprender com eles para alimentar mais dois bilhões de pessoas até 2050.

Pescador bajau agarra um polvo que pescou com arpão (à esquerda). Bebê bajau dorme ao lado de uma panela de abalones que servirão de janta para a família.

Matthieu e eu descobrimos cedo na nossa pesquisa que os primeiros humanos se adaptaram para viver da terra a revelia das dificuldades encontradas no ambiente em volta. Na nossa busca para encontrar algumas das dietas humanas mais antigas que ainda existem hoje, Matthieu atravessou terras congeladas, selvas, savanas, montanhas, mares e vales para mostrar o vínculo inextricável entre os lugares que vivemos, o alimento que comemos e como a dieta moldou nossa cultura. "A comida é uma ótima fonte de surpresas. Meu estômago lidou muito bem com tudo”, diz ele. "O problema maior era ter de enfrentar o meio ambiente que vem com a comida.

Os Tsimane, da Bolívia, adquirem a maior parte da comida nos rios, na floresta ou em campos e jardins plantados no meio da mata.

Em muitas das comunidades que visitamos, obter alimentos para alimentar a família ainda era uma questão de sobrevivência”. Matthieu foi procurar alimento no solo da Amazônia boliviana com o povo Tsimane, e acompanhou caças a focas sob a pouca luz do inverno em águas cobertas de gelo, com o povo Inuíte, na Groenlândia. Ele mergulhou para caçar com arpão com pescadores de Bajau, na Malásia, e subiu em árvores com o povo Hadza, da Tanzânia, para colher favos de mel e comê-los no local, com larvas e tudo.

Garota inuíte dá um pedaço de fígado de foca caçado pelo pai ao seu irmão (à esquerda). O que não é comido na hora fica congelado do lado de dora da casa; o "freezer" da família guarda carne, costelas e mandíbulas de uma orca e a nadadeira dianteira de uma foca-barbuda.

"Na Bolívia e na Tanzânia, a cozinha estava em todo lugar e em lugar algum. E não haviam pratos a vista", lembra Matthieu. "Em outros países, a cozinha é um lugar muito íntimo – é como entrar no quarto de alguém. É sagrado, é o lugar onde a sobrevivência da família é assegurada, onde o esforço é recompensado".

As imagens que Matthieu trouxe da viagem apresentam uma história global sobre como a raça humana aprendeu a comer e a sobreviver nos mais diversos cantos do mundo. Nós somos o que comemos – ou pelo menos o que nossos antepassados comiam.

Wande e seu marido, Mokoa, saem para buscar comida juntos. Os Hazda, da Tanzânia, são os últimos caçadores-coletores em tempo integral do mundo.

Pratos fotografados acima, por linhas. Em cima: escargot, sardinha e feijão (Creta); naan com chá salgado de leite de iaque (Afeganistão); folhas de gerânio frito (Creta); caranguejo cozido (Malásia); beterrabas cruas e laranjas (Creta); chapati, manteiga de iaque e sal de pedra (Paquistão).
Meio: sopa de damasco seco (Paquistão); bananas cozidas (Bolívia); peixe de recife frito (Malásia); bulgur, ovos cozidos e salsa (Tajiquistão); salada de macarrão cozido (Malásia); perdizes cozidas (Groenlândia).
Abaixo: atum grelhado (Malásia); batatas cozidas, tomates e favas em azeite (Creta); arroz com manteiga de iaque derretida (Afeganistão); peixe frito com tamarindo (Malásia); damascos secos (Paquistão); impala grelhado (Tanzânia, utensílios do fotógrafo).

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