11 formas tecnológicas que impedem crimes contra espécies ameaçadas

Da mesma forma que as redes de tráfico de animais silvestres se tornam mais sofisticadas, os métodos para encontrá-las e combatê-las também.Thursday, September 6, 2018

Por Patricia Raxter
Um guarda-florestal em patrulha contra caçadores de rinocerontes no Lewa Wildlife Conservancy no Quênia em 2010. Utilização de transmissores via rádio para comunicação com outros guardas. O serviço de patrulhamento do Quênia recentemente implementou uma rede de rádio digital que é mais eficiente.

O TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES é uma epidemia mundial. Lucrando bilhões de dólares por ano, o comércio ilícito está levando animais como rinocerontes, elefantes, pangolins, abalones e tubarões à extinção.

Com redes criminosas se tornando cada vez mais sofisticadas, novas abordagens tecnológicas estão sendo desenvolvidas para identificar essas redes e punir os transgressores.

Conheça as 11 ferramentas tecnológicas mais promissoras capazes de detectar crimes contra a vida selvagem, flagrar caçadores ilegais e intensificar o cumprimento da lei.

1. Análise de DNA

A análise de DNA tem sido um divisor de águas na investigação de crimes contra os animais silvestres. Introduzida pela primeira vez por Samuel Wasser, da Universidade de Washington, em Seattle, a análise do DNA do marfim, quando comparada a um mapeamento das populações de elefantes baseado no DNA, permite aos investigadores localizar a origem do marfim ilícito e concentrar esforços de fiscalização em áreas de alto risco.

 

O código de barras de DNA, desenvolvido pela primeira vez por pesquisadores da Universidade de Guelph, em Ontário, Canadá, permite a identificação de espécies a partir de pequenos fragmentos de material genético. O projeto Código de Barras Internacional da Vida, uma iniciativa de cientistas e conservacionistas de 25 países, está criando uma biblioteca global de espécies por meio do código de barras de DNA.

2. Armadilhas acústicas

Utilizando redes de celulares reciclados, equipados com painéis solares e antenas que atuam como sensores, a Rainforest Connection está rastreando o desmatamento ilegal em Bornéu.

Câmeras térmicas, como as utilizadas no último mês em Seul, Coreia do Sul, para avaliar funcionários durante o surto de MERS, prometem alertar guardas-florestais quando ocorrer a entrada de caçadores em uma determinada área.

Os aparelhos celulares, protegidos por estojos à prova d’água e distribuídos por toda a floresta, registram e transmitem, a um servidor na nuvem, sons associados à atividade ilegal, como motores de avião ou caminhão, motosserras, explosões e tiros de arma de fogo, com o objetivo de serem analisados. Os dispositivos possibilitam flagrar madeireiros ilegais no momento do corte das árvores.

3. Imagem térmica

Para encarar o desafio de patrulhar terras vastas, inóspitas e remotas, pesquisadores do Wildlife Crime Technology Project estão testando câmeras térmicas para rastrear remotamente a entrada ilegal em parques e áreas protegidas.

Localizadas ao longo do perímetro das áreas de preservação, em estradas e trilhas, as câmeras enviam alertas automáticos aos guardas-florestais quando detectam a entrada de caçadores ilegais. O software das câmeras permite distinção entre movimentos naturais, como galhos balançando, e a movimentação do homem.

4. Analítica e mapeamento avançados

O projeto Global Database of Events, Language, and Tone (GDELT), financiado pelo Google Ideas, rastreou mídias de comunicação, mídias impressas e mídias online de todo o mundo durante três meses para mapear crimes contra a vida selvagem. O resultado é um mapa interativo que permite aos usuários explorar mídias sobre a caça ilegal de rinocerontes na África do Sul, a caça ilegal de alces no Canadá, o tráfico de animais silvestres na Croácia, e a pesca predatória no Brasil.

A base de dados HealthMap Wildlife Trade, desenvolvida por Nikkita Patel na Universidade de Pensilvânia, utiliza, de modo semelhante, contas em redes sociais para rastrear tendências em crimes contra a vida selvagem, identificando pontos geográficos importantes ao longo da cadeia de comércio ilegal de animais silvestres para ajudar as autoridades a barrarem os contrabandistas.

Topher White, fundador e presidente da Rainforest Connection, utiliza celular reciclado equipado com painéis solares e antenas para pegar madeireiros ilegais em flagrante nas florestas de Bornéu.

A C4ADS, uma organização sem fins lucrativos voltada a conflitos e segurança mundial, produz um mapa interativo e constantemente atualizado que rastreia grandes apreensões de marfim, munição utilizada na caça ilegal e relatórios por escrito e outras informações sobre marfim, tigres e a cadeia de fornecimento de madeira. O mapa e a análise que o acompanha, disponíveis gratuitamente às autoridades e a profissionais da área de transporte marítimo, podem ajudar organizações de proteção ambiental com poucos recursos a combaterem redes transnacionais de contrabandistas.

5. Ferramenta de monitoramento espacial e notificação (SMART) e CyberTracker

Esse kit gratuito de software, atualmente utilizado em 120 áreas de preservação em 27 países, integra dados do patrulhamento dos guardas-florestais, analisa tendências locais de caça ilegal e avalia o progresso do cumprimento das leis para ajudar os guardas-florestais a combaterem crimes contra a vida selvagem de forma mais eficaz.

Por meio de uma parceria com o grupo CyberTracker, que desenvolveu uma ferramenta portátil que coleta o conhecimento de indígenas que atuam como rastreadores, o sistema incorpora o conhecimento local sobre comportamento e deslocamento dos animais para melhor compreender as ecologias locais.

6. Rádio digital

Até mesmo simples avanços tecnológicos podem fazer uma grande diferença. No Quênia, o serviço de patrulhamento substituiu a sua rede de comunicadores via rádio, susceptível a interferências e sem recursos de segurança, por uma rede de rádio digital que permite aos guardas se comunicarem com segurança em longas distâncias, coordenarem ações com a central e prestarem atendimento mais rápido a incidentes de caça ilegal e entrada ilegal no parque.

7. Câmeras e smartphones acionados por GPS

Na Índia, oficiais lançaram um aplicativo chamado Hejje, que permite que os guardas-florestais utilizem smartphones para rastrear os movimentos dos tigres, bem como para anotar, por meio de mensagem instantânea, características importantes do local, como nível da água, queimadas e atividade humana suspeita. Os oficiais do parque podem tomar decisões em tempo real.

Conservacionistas dos Estados Unidos, Canadá e Quênia desenvolveram uma ferramenta similar para elefantes africanos. Os elefantes utilizam dispositivos de rastreamento por GPS através de smartphones, capazes de transmitir dados sobre a localização e os movimentos dos animais via satélite ou pelas redes móveis locais. Os pesquisadores são notificados quando algo fora do comum acontece, como quando um elefante deixa de se movimentar por muito tempo.

Os dados também podem ser utilizados para ajudar as autoridades ambientais a intervirem antes de um elefante invadir as terras de um fazendeiro ou rapidamente localizar elefantes que necessitam de atendimento veterinário.

8. Observatório Virtual

A pesca ilegal, não notificada e realizada de forma predatória (IUU), avaliada entre 10 e 23 bilhões de dólares por ano, de acordo com a Global Ocean Commission, está dizimando os oceanos da Terra, ameaçando ecossistemas inteiros e colocando a segurança alimentar de milhões de pessoas em risco.

To better monitor marine environments, the Pew Charitable Trusts partnered with Satellite Applications Catapult to develop the Virtual Watch Room. Using real-time satellite imagery and tracking, the system can identify vessels that are acting suspiciously so authorities can take action to stop illegal fishing.

9. WILDSCAN e outros aplicativos móveis

Lançado no Vietnã, o WILDSCAN é um aplicativo disponível ao público, desenvolvido para ajudar as autoridades a identificarem, combaterem e relatarem animais silvestres contrabandeados.

O aplicativo fornece fotos e informações sobre as espécies ameaçadas que são normalmente contrabandeadas na Ásia. Ele também fornece informações sobre os cuidados requeridos por cada animal silvestre, como hábitos alimentares ou necessidade de hidratação, para ajudar as autoridades aduaneiras a lidarem de forma segura com os animais silvestres apreendidos.

Aplicativos semelhantes operam na China (Wildlife Guardian) e no Afeganistão (Wildlife Alert).  Pelo fato de não necessitarem de conexão à internet para funcionar, eles são de extrema valia às autoridades ambientais em áreas remotas ou de difícil acesso.

10. Wildleaks

Iniciado pela Elephant Action League, esse site, traduzido para 16 idiomas, permite que os usuários denunciem crimes contra a vida selvagem de forma anônima, em todo o mundo. O site já forneceu informações importantes a autoridades e jornalistas sobre crimes envolvendo o contrabando de marfim, chifre de rinoceronte, grandes felinos, macacos, pangolins, aves e madeira.

O aplicativo CalTIP é um aplicativo de alcance estadual na Califórnia.

11. Financiamento coletivo

Obter recursos financeiros para combater crimes contra a vida selvagem é sempre um problema, especialmente em países pobres. Grupos ambientais e conservacionistas estão recorrendo a sites de financiamento coletivo para custear ferramentas para o combate de caçadores ilegais. Essas ferramentas variam de drones para localização dos caçadores a cães farejadores para descoberta de marfim e outros produtos proibidos nos aeroportos, e também incluem necessidades básicas, como treinamento para combate à caça, veículos, uniformes e armas para intensificar as patrulhas em campo.  

Uma organização no Quênia, a David Sheldrick Wildlife Trust (DSWT), mantém seu orfanato de elefantes, em parte, com financiamento coletivo. A DSWT resgata e reabilita filhotes de elefante. E ainda presta atendimento veterinário móvel a elefantes selvagens feridos por caçadores.

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