Viagem e Aventura

Que tal mergulhar no primeiro museu submarino dos Estados Unidos?

Inaugurando neste mês, o museu exibe esculturas sob a superfície, unindo turismo responsável, ambientalismo e criatividade.Monday, June 4, 2018

Por Alex Crevar
O Cancun Underwater Museum já recebe visitantes. Agora, os mergulhadores irão conhecer um novo museu deste tipo na Flórida, a ser inaugurado em breve.

O termo “planície marítima” não é conhecido por inspirar criatividade. Mas é esta condição que faz do fundo do Golfo do México o lugar perfeito para o primeiro Underwater Museum of Art (UMA, ou Museu Submarino de Arte) dos Estados Unidos. Localizado a aproximadamente 1,2 quilômetros da costa da Flórida e do litoral de areias brancas da praia de Grayton Beach, no Condado de Walton, o UMA está programado para inaugurar no fim de junho de 2018.

Como em instalações similares próximas a Cancun e as do Museo Atlantico Lanzarote, nas Ilhas Canárias, a experiência é mais adequada para mergulhadores. Em dias límpidos, eles poderão desfrutar desta jornada submersa, que apresenta sete esculturas em uma profundidade de 18 metros, interligando o turismo responsável com o ambientalismo e a criatividade.

O espaço público, que terá entrada gratuita para todos os visitantes, é uma colaboração entre a aliança pelas artes Cultural Arts Alliance of Walton County (CAA) e a associação de recifes artificiais South Walton Artificial Reef Association (SWARA), com o suporte do Conselho de Desenvolvimento do Turismo do Condado de Walton e da agência governamental National Endowment for the Arts. As obras a serem ancoradas no fundo do Golfo incluirão uma homenagem ao aqualung, de Jacques Cousteau, um abacaxi oco, uma caveira e um polvo disforme. Todas as obras foram desenvolvidas visando facilitar e encorajar a integração com a vida marinha, como a ascensão de corais, cardumes de peixes e ostras.

Na superfície, a parceria entre uma aliança pelas artes e ambientalistas que constroem recifes artificias pode parecer curiosa. Mas a criatividade é, por definição, imprevisível e repleta de epifanias. Neste caso, a inspiração veio ao membro do conselho do CAA e artista Allison Wickey que, em 2017, mergulhou por cima dos corais artificiais em formato de tartaruga da SWARA, que a organização construiu para promover a diversidade da vida marinha enquanto impulsiona o ecoturismo sustentável.

No total, a SWARA já implementou quatro recifes para snorkeling e nove de mergulho na área. Cada recife é composto de dezenas de estruturas e 700 deles já foram instaladas desde 2015. “[Foi um] momento de realização”, lembra Wickey, que discutiu a logística com a SWARA e então propôs a ideia ao CAA. “Os rostos de todos na sala se iluminaram, e esta tem sido a mesma reação que vemos em todos que ouvem falar sobre o projeto”.

As esculturas do UMA estão fixadas a 1,5 mil e 2,2 mil quilos de concreto e não contêm nenhum tipo de plástico ou materiais tóxicos. Quando as condições climáticas estiverem adequadas, a coleção será transportada ao seu destino em uma balsa. Depois, as obras de arte serão cuidadosamente submersas às suas posições em uma grua, sendo dispostas a aproximadamente 6 metros de distância umas das outras no fundo do Golfo. Assim que a entrega for concluída, a exibição será inaugurada para os apreciadores de arte singulares deste museu único.

“Quando mergulhamos para apreciar a exposição e vemos a vida marinha agrupada ao redor das estruturas, nós passamos a apreciá-la”, diz Andy McAlexander, presidente do conselho do SWARA, sobre o poder filosófico transformador do UMA, que adicionará um novo conjunto de obras à sua coleção a cada ano. “Quando vemos pequenos peixes se refugiando dentro de uma obra de arte, vemos mais do que apenas a beleza da arte, nós vivenciamos a beleza da vida em geral e como cada um de nós tem seu papel na preservação de algo tão frágil”.

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