Esta linda paisagem ártica ganhou concurso de fotografia da National Geographic

Conheça o fotógrafo por trás da imagem vencedora e entenda como ela foi tirada.Monday, June 17, 2019

Por Sarah Polger
Fotos de Weimin Chu
Upernavik é um vilarejo de pescadores em uma pequena ilha localizada na parte oeste da Groenlândia. Historicamente, as construções na Groenlândia eram pintadas de cores diferentes para indicar diferentes funções, de fachadas vermelhas de lojas a casas azuis de pescadores, uma maneira eficiente de dar destaque em meio à paisagem marcada pela neve. Essa imagem foi selecionada como a grande vencedora do Concurso de Fotografia de Viagem da National Geographic de 2019.

Em um dia chuvoso de primavera, ventos gelados sopravam pelos picos cobertos de neve em Upernavik, na Groenlândia. Para os moradores locais, a temperatura de -30°C era considerada uma noite quente de março. Então, ao pôr do sol, eles saíram para resolver coisas do cotidiano. O fotógrafo Weimin Chu havia se posicionado em uma parte mais alta, próximo ao aeroporto, avistando casas coloridas abaixo.

Cruzes do cemitério estão cobertas de neve em Upernavik, na Groenlândia.

"Achei que a estrutura, a cor e a atmosfera [estavam] tão legais nesse ângulo", lembrou ele mais tarde, "especialmente sob a luz do crepúsculo".

Casinhas coloridas destacam-se na congelante paisagem.

Na esperança de fotografar alguém passeando ou crianças brincando ao ar livre, ele se animou ao avistar uma pequena família percorrendo a rua iluminada por postes. Trabalhando com precisão na luz fraca, ele capturou a imagem que tinha em mente — e conquistou o primeiro lugar no Concurso de Fotografia de Viagem da National Geographic de 2019.

Intrigado pela rotina das comunidades locais, Chu também explorou vilarejos isolados no sul da Groenlândia, incluindo a cidade de Narsaq Kajulleq.

A natureza remota de Upernavik impressionou Chu. "Durante todo o voo de ida, só consegui ver áreas brancas cobertas de gelo e neve. Mas, de repente, avistei um ponto grande e quente à distância — era Upernavik. A beleza desse tranquilo vilarejo realmente estava além da minha imaginação. Foi um momento de total surpresa para mim".

Há anos Chu visitava a ilha para capturar suas paisagens austeras; em 2019, ele começou a documentar o povo e as comunidades da Groenlândia, inicialmente visitando Upernavik em março. O pequeno vilarejo de pescadores ao noroeste tem uma população de cerca de mil pessoas — o que o torna o décimo terceiro maior vilarejo do país.

Chu caminhava próximo ao aeroporto local em busca de imagens vastas de Upernavik. Quando as luzes das casas se acenderam à noite, ele lembrou, "a cidade parecia uma árvore de Natal após o anoitecer".
Roupas secam no varal próximo a uma casa em Qasigiannguit, na Groenlândia Ocidental.

Inicialmente, Chu havia planejado ficar dois dias, mas seu retorno foi adiado: "Tive que ficar uma semana porque não havia voos. Tive sorte porque tirei a foto vencedora no meu sexto dia em Upernavik. Se eu tivesse passado apenas dois dias lá, eu [provavelmente] não teria encontrado esse local esse ano", afirma Chu.

Chu passou seis dias explorando os arredores de Upernavik em busca de boas fotos, conhecendo os moradores em lojas e no cais principal. Ele esperava capturar extensas imagens da cidade e se posicionou longe o suficiente das ruas para fotografar, com discrição, as atividades rotineiras. Após tirar algumas fotos sob a luz do pôr do sol, Chu aumentou o ISO e a abertura esperando congelar os movimentos das pessoas; então, uma família saiu de casa e ele aproveitou a oportunidade.

"Ficou tão harmonioso. Toda a área estava coberta de neve branca e fria, e a coloração azulada do pôr do sol fez tudo ficar ainda mais frio. Mas a luz das janelas, a iluminação pública nas ruas e os três membros da família fizeram o mundo voltar a se aquecer. Adoro o contraste e a atmosfera dessa imagem. Eu estava ocupado tirando diversas fotos naquela hora, tentando capturar o melhor momento", afirma ele.

Chu começou a fotografar durante as viagens que fazia na época da faculdade, e após três anos trabalhando como engenheiro, decidiu focar na fotografia. Ele fortuitamente entrou para o Concurso de Fotografia da National Geographic. "Assim que comecei a me aventurar na fotografia, a minha foto foi selecionada como escolha do editor no Concurso de Fotografia da National Geographic de 2012. Isso [realmente] me motivou e a fotografia [se tornou] parte da minha vida desde então", lembra Chu.

Passar dois meses praticando rafting nos fiordes da Groenlândia ao sul aumentou a paixão de Chu por aventuras ao ar livre. Agora, ele planeja retornar à ilha sempre que possível para fotografar as comunidades da Groenlândia, bem como a relação dos moradores com o meio ambiente.

Uma aurora boreal brilha no céu noturno próximo ao Fiorde Tasermiut. O fiorde possui montanhas conhecidas, incluindo Ulamertorsuaq (ao centro), cujo pico mais alto tem 1,8 mil metros. Chu fez uma trilha de dois dias até chegar à área isolada.

"A vida moderna impacta a cultura de forma diferente nessas áreas", afirma Chu.

Ele também deseja aperfeiçoar seus projetos fotográficos nas montanhas do Paquistão e da China, combinando seu espírito aventureiro com sua fotografia, "Gostaria de mostrar às pessoas algumas montanhas nevadas incríveis, mas menos conhecidas".

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