Europa poderá voltar a restringir turistas dos EUA em breve

Neste mês de setembro, muitas mudanças acontecerão em toda a União Europeia — com a possibilidade de que turistas não vacinados sejam proibidos de entrar nos países.

Publicado 9 de set. de 2021 07:00 BRT
Dinner in Italy

Clientes e um garçom usando máscaras são fotografados conversando no Café Florian, em Veneza, na Itália. O Conselho Europeu, órgão diretivo da União Europeia, recentemente recomendou que seus 27 estados-membros proibissem viagens não essenciais de cidadãos norte-americanos. Contudo a decisão pode não ser aplicável aos viajantes vacinados.

Foto de Markus Kirchgessner, laif/Redux

Stephanie Flynn havia planejado viajar com sua mãe de Boston para a Itália para comemorar seu 30o aniversário. A viagem seria em abril de 2020 e foi cancelada devido à pandemia de covid-19; assim como a remarcação para setembro passado. Finalmente, com o mundo reabrindo no segundo trimestre deste ano, Flynn — totalmente vacinada — fez uma terceira tentativa de reservar sua viagem à Itália, com o objetivo de partir em setembro.

Porém, em julho, os números de casos de infecção pela variante Delta começaram a aumentar. 

Faltando menos de duas semanas para a partida, Flynn procurou seu agente de viagens, que não indicou nenhuma preocupação. Menos de um dia depois, a União Europeia anunciou que estava mudando as recomendações para turistas norte-americanos. Agora ela não sabe se na próxima semana estará em uma gôndola em Veneza ou cozinhando macarrão em sua própria casa. 

“Estou com a minha mala pronta e não tenho ideia se poderei ir”, lamenta ela.

Visitante usando máscara percorre exposição na Philharmonie de Paris, em 20 de agosto de 2021. A França agora exige que as pessoas apresentem um comprovante de vacinação contra a covid-19 para entrar em museus, cafés e restaurantes.

Foto de Paulo Amorim, Sipa USA/AP Images

Flynn não é a única afetada pela notícia. A confusão decorre de um anúncio realizado pelo Conselho Europeu, o órgão diretivo da União Europeia, que recomendou que seus 27 estados-membro proíbam viagens não essenciais provenientes de cinco países, incluindo os Estados Unidos, após aumento no número de casos de covid-19.

Essas nações — Israel, Kosovo, Líbano, Montenegro, a República da Macedônia do Norte e os Estados Unidos — foram retiradas da “lista segura” de países com poucos casos do novo coronavírus, o que permitia que portadores de passaportes visitassem a União Europeia sem restrições adicionais, como por exemplo, exigências para realizar exames e quarentena.

Até o momento, o anúncio é apenas uma recomendação; cada estado-membro da União Europeia pode decidir se seguirá a orientação. A declaração sugeria que turistas vacinados provenientes desses países poderiam ser uma exceção às restrições; “é amplamente esperado que norte-americanos totalmente imunizados ainda mantenham acesso irrestrito”, declarou um diplomata anônimo da União Europeia ao jornal The Washington Post.

Confusão sobre possíveis restrições

Em junho, a União Europeia suspendeu as restrições para turistas norte-americanos, vacinados ou não, embora países que dependem do turismo, incluindo Grécia e Itália, já tivessem começado a aceitar turistas norte-americanos em abril. Na época, os Estados Unidos apresentavam uma cobertura vacinal mais alta do que a maior parte da Europa e taxas de transmissão relativamente baixas.

Mulher mostra seu comprovante de vacinação contra a covid-19 em Bordeaux, em agosto de 2021. Os certificados digitais comprovam a imunização e agora são exigidos na entrada de todos os restaurantes e museus franceses.

Foto de Stephane Duprat, Hans Lucas/Redux

Atualmente, muitos países europeus já ultrapassaram as taxas de vacinação dos Estados Unidos, que enfrentam sua quarta onda da pandemia. Os Estados Unidos estão contabilizando mais de 150 mil casos por dia e algumas regiões enfrentam os maiores índices de internação de pacientes com covid-19 desde o início da pandemia.

Não está claro quais países seguirão as novas recomendações. No entanto alguns já tinham requisitos de quarentena obrigatória para turistas não vacinados. De acordo com dados recentes do Laboratório de Evidências do banco suíço UBS, mesmo sem a imposição de quarentena, 88% das rotas de viagem na União Europeia têm algum tipo de restrição. A Alemanha colocou os Estados Unidos em sua lista de “áreas de alto risco” em meados de agosto, o que significa que turistas não vacinados devem fazer uma quarentena de 10 dias que pode ser reduzida para cinco dias mediante um teste de covid-19 negativo após esse período. A França exige um comprovante de vacinação para entrada nas estações de trem e em restaurantes com áreas internas e externas, por exemplo.

De acordo com Terry Suero, agente de viagens e fundador da Safe Travel Pathways, em meio à incerteza, muitas agências de viagens e hotéis na Europa continuam convencidos de que as regras não mudarão.

“Estamos recebendo diversas informações”, conta ele. “Dizemos aos nossos clientes para não se preocuparem com isso agora. Não acreditamos que esse cenário mude nos próximos dois ou três meses.”

Embora alguns países cautelosos possam implementar regras de testes para covid-19 mais rígidas a turistas não vacinados, as novas recomendações da União Europeia não devem chegar a esse ponto. 

“Turistas vacinados provavelmente poderão entrar na União Europeia tão facilmente quanto agora”, opina Robert Cottey, analista da A2 Global Risk, uma empresa internacional de gerenciamento de riscos de segurança. “Mas o planejamento se tornou muito mais importante. A situação ficou mais dinâmica.”

Cottey aconselha os viajantes a ficarem de olho nas restrições de seus destinos e também a ter uma apólice de seguro de viagem com cobertura para alterações ou cancelamentos. Todos os viajantes, incluindo cidadãos norte-americanos, ainda devem apresentar um teste de covid-19 negativo (realizado com antecedência de até três dias corridos) para embarcar em um voo de volta para os Estados Unidos.

Cumprimento dos requisitos de vacinação

Em breve, mesmo os turistas vacinados poderão enfrentar mais restrições. A Croácia e a Áustria estabeleceram por quanto tempo uma vacina é aceita como sendo válida para entrada no país sem comprovantes adicionais, como um resultado negativo do teste de covid-19 ou evidência de recuperação de uma infecção recente. 

Fila para testes rápidos de covid-19 se forma perto da Torre Eiffel, em Paris, em 20 de agosto de 2021. No início deste ano, a França instituiu um comprovante de vacinação digital que confirma a imunização, necessário para entrar em restaurantes, museus e outros locais em todo o país.

Foto de Paulo Amorim, Sipa USA/AP Images

Algumas cidades nos Estados Unidos — entre elas Nova York, Washington, D.C. e Chicago — exigem a apresentação de carteiras de vacinação válidas para entrar em restaurantes, assistir a peças ou a shows. As faculdades e locais de trabalho também exigem comprovante de vacinação, exceto em algumas circunstâncias religiosas ou médicas.

As preocupações políticas complicam ainda mais a situação em países que já tentam acompanhar uma pandemia em constante mudança. Turistas europeus continuam impedidos de entrar nos Estados Unidos, uma restrição que o presidente Trump estipulou no início da pandemia e suspendeu no fim de seu mandato. O presidente Biden então a restabeleceu e não faltaram críticas sobre a política. 

A coalizão on-line Stop the Travel Ban declara que a política mantém famílias separadas e prejudica negócios. De acordo com o site do grupo, as restrições são “cruéis e não possuem bases científicas”.

O governo Biden declarou recentemente que está trabalhando com agências federais e discutindo com parceiros estrangeiros para desenvolver uma “política de viagens internacionais consistente e segura”. O anúncio de novas restrições pela União Europeia sugeriu que uma mudança na política poderia impactar as restrições dos Estados Unidos, “considerando cada caso individualmente” com reciprocidade.

Conclusões

Viajar sempre apresenta riscos, ainda mais durante a pandemia — incluindo ficar doente ou ser impedido de voltar para casa. 

Até o momento, na Europa, 70% dos adultos foram totalmente vacinados. Mas todos os turistas — especialmente os não vacinados — devem ter cuidado antes de viajar para qualquer lugar, pois a variante Delta continua a ser uma grande ameaça, duplicando o risco de internação e sobrecarregando os serviços de saúde em áreas com baixa cobertura vacinal. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) emitiram um comunicado antes do Dia do Trabalho salientando: “recomendamos não realizar viagens caso não tenha sido vacinado”. Também incentivou os norte-americanos já imunizados a reconsiderarem viagens devido ao aumento do número de casos em todo o país. 

 “Nenhum lugar na Terra é seguro para quem não foi vacinado e para as pessoas expostas aos não vacinados”, afirma Tom Kenyon, diretor de saúde do Projeto HOPE, uma organização global de saúde e ajuda humanitária, e ex-diretor de saúde global dos CDC. 

Ele acrescenta que “viajar, neste momento, é como jogar roleta russa — de maneira trágica”.

 

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