Morre o último rinoceronte-de-sumatra macho da Malásia

Uma fêmea na Malásia e outros 80 indivíduos na Indonésia são tudo o que resta da espécie.segunda-feira, 27 de maio de 2019

 

O último rinoceronte-de-sumatra macho da Malásia, Tam, morreu – um golpe devastador para a espécie criticamente ameaçada e já extinta no país.

Descoberto vagando por uma plantação de óleo de palma em 2008, Tam foi capturado e transferido para a Reserva de Vida Selvagem Tabin, no estado de Sabah. Esforços para cruzá-lo com duas fêmeas – Puntung, capturada em 2011, e Iman, em 2014 – não tiveram sucesso.

Depois que Puntung foi eutanizada em 2017 por causa de um câncer, Iman é hoje o único indivíduo da espécie na Malásia. Décadas de perda de habitat e caça furtiva deixaram menos de 80 rinocerontes-de-sumatra na natureza, a maioria na ilha próxima de Sumatra. O resto está disperso por Kalimantan e na parte indonésia de Borneo.

Rinocerontes-de-sumatra são tão poucos que especialistas acreditam que o isolamento é hoje a maior ameaça à sobrevivência da espécie. Isso porque as fêmeas podem desenvolver cistos e fibroses se ficarem muito tempo sem se acasalarem. (Essa era a causa da infertilidade tanto de Puntung quanto de Iman.)

Por isso, em 2018, as maiores ONG’s de conservação do mundo, incluindo a National Geographic Society, anunciaram uma colaboração inédita chamada Resgate do Rinoceronte-de-Sumatra. O objetivo? Encontrar e capturar com segurança o maior número de rinocerontes possível. Assim, eles poderiam ser reunidos para reprodução em cativeiro.

“A morte de Tam mostra quão criticamente importantes são os esforços colaborativos para promover o Resgate do Rinoceronte-de-Sumatra”, disse, por e-mail, Margaret Kinnaird, líder de práticas de vida selvagem na WWF Internacional.

“Temos que capturar os rinocerontes restantes, isolados em Kalimantan e Sumatra e dar o nosso melhor para encorajá-los a fazer filhotes.”

[Veja também: Rinocerontes-de-sumatra estão quase extintos, mas há um plano para salvá-los]

Declínio lento

A saúde de Tam vinha piorando desde abril, quando seu apetite e seu estado de alerta diminuíram, disse o diretor do Departamento de Vida Selvagem Augustine Tuuga para o jornal malaio The Star. Testes de urina mostraram que os rins do rinoceronte e talvez outros órgãos tinham começado a falhar.

Autoridades ainda não sabem dizer porque Tam padeceu tão rapidamente, mas talvez tenha sido apenas a idade avançada. Estima-se que Tam estava na casa dos 30 anos, e a expectativa de vida desses animais varia entre 35 e 40 anos, Tuuga disse ao jornal The Straits Times, de Singapura.

“Nós depositamos tanta esperança em Tam produzir filhotes em cativeiro. Mas essa esperança sumiu quando as últimas duas fêmeas em Tabin não puderam carregar fetos”, disse Kinnaird.

Apesar de Tam não ter conseguido produzir nenhum herdeiro, sua presença em cativeiro nos ajudou a melhor compreender a espécie.

“O trabalho que a Aliança do Rinoceronte de Borneo fez com técnicas reprodutivas, especialmente coletando óvulos e tentando criar embriões, nos fez avançar no entendimento da biologia da espécie”, disse Susie Ellis, diretora executiva da Fundação Internacional Rinoceronte.

“O público precisa entender quão precária a sobrevivência dos rinocerontes-de-sumatra é”, disse Ellis. “A perda de Tam representa praticamente 1% da população.”

Esperança renovada

Apesar de trágica, a morte de Tam é um chamado para encontrar mais animais na natureza, disse Kinnaird, que tem coordenado os esforços da WWF em relação aos rinocerontes-de-sumatra pelos últimos dois anos. (A WWF também faz parte da coalizão Resgate do Rinoceronte-de-Sumatra.)

A boa notícia é que, no fim do ano passado, a coalizão já tinha conseguido capturar outra fêmea, a Pahu. Sua transferência para um novo local de reprodução em Kelian foi tão importante que ela contou até com escolta policial.

Os especialistas acreditam que Pahu está reprodutivamente saudável, disse Kinnaird. Ela está prosperando na nova casa e, com sorte, terá companhia em breve.

[Leia também: Primeiro rinoceronte-de-sumatra capturado em tentativa urgente de conservação da espécie]

“Nossas pesquisas mais recentes indicam que ainda há alguns rinocerontes vagando pelas florestas de Kalimantan”, disse Kinnaird. “O que nos renova a esperança.”

“Precisamos manter nosso foco em salvar os 80 rinocerontes-de-sumatra restantes, utilizando uma combinação de proteção intensiva e reprodução em cativeiro, e trabalhando com os moradores para promover o orgulho do rinoceronte ser parte de sua herança biológica”, disse Ellis. “Essa é uma batalha que nós não podemos perder.”

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