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Durante décadas, um fotógrafo retorna às praias marcadas pelo Dia D

A cada dez anos, militares, civis e veteranos de guerra se reunem no norte da França para relembrar os acontecimentos que mudaram os rumos da Segunda Guerra Mundial.Thursday, June 6

Por David Burnett
Fotos de David Burnett
Esta reportagem é parte da edição de junho da revista National Geographic Brasil.

A primeira vez em que estive na região da Normandia foi em 1974. Eu era um fotógrafo de 27 anos cobrindo as eleições presidenciais francesas, e minha visita coincidiu com o 30o aniversário do Dia D. Fiquei espantado com o fato de os franceses acolherem veteranos americanos como seus salva-dores – um sentimento caloroso entre os dois países que existe até hoje.

[Assista: Domingos de Segunda Guerra Mundial, dias 9 e 16 de maio, a partir das 18h, no National Geographic]
JUNE 2014 An infrared image shows American graves in a cemetery at Colleville-sur-Mer, France.
JUNHO, 1974 Um soldado francês regressa a Pointe du Hoc, onde guardas escalaram as falésias para apreender a artilharia alemã.
JUNHO, 1974 | Guardas do Exército americano reencenam a invasão da Praia de Omaha no 30º aniversário do Dia D.
MAIO, 1994 | Restos de fortificações alemãs em Cap Blanc-Nez.
JUNHO, 2014 | Antes do amanhecer no Dia D, 13 mil paraquedistas americanos saltaram no interior da França. Nesta imagem em infravermelho, feita 70 anos depois, o desembarque foi reencenado perto de Sainte-Mère-Église.

Desde aquela viagem, voltei às praias quase uma dúzia de vezes durante o último meio século, em cada visita observando as areias sagradas e testemunhando como o passado se recusa a ser apagado. Conheci inúmeros veteranos que, a princípio, pareciam perfeitamente comuns, e tive de extrair deles suas histórias extraordinárias – cada uma delas uma lembrança excepcional de um momento crucial.

JUNHO, 1944 | A famosa foto de Robert Capa mostra Omaha no Dia D. A invasão dos aliados na França controlada pelos alemães alterou o equilíbrio do poderio militar na Segunda Guerra Mundial.

Minha missão é a de ajudar as pessoas, sobretudo as mais jovens, a entender a importância do que aconteceu ali – não apenas os soldados que morreram mas também como a invasão dos aliados na França ocupada pelos alemães mudou o mundo. Eu sempre fui fã de Edward R. Murrow, o correspondente de rádio americano que fazia transmissões noturnas de Londres durante a Segunda Guerra Mundial. Gosto de ouvi-las no meu celular quando estou andando pela Praia de Omaha e colhendo depoimentos de junho de 1944.

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A história tem sua maneira de retroceder. Nossas lembranças passam a ser de segunda mão, depois de terceira e, por fim, viram apenas palavras em um livro. Não tenho certeza se esse será o futuro que caberá à Normandia. Nunca conheci alguém, jovem ou velho, que não tenha sentido a história de Omaha. Algo muito poderoso acontece quando você coloca os pés na areia.

Militar caminha na Normandia em uma reencenação em 6 de junho de 2014, no aniversário de 70 anos do Dia D.
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