Você sabe qual é o auge da fofura canina?

Os filhotinhos atingem esse grau entre seis e oito semanas de idade, diz estudo. Dado pode dar algumas pistas sobre a evolução dos cães.

Publicado 17 de mai de 2018 14:51 BRT, Atualizado 5 de nov de 2020 04:22 BRST
Filhotes para adoção brincam no quintal de uma família em Washington, DC.
Filhotes para adoção brincam no quintal de uma família em Washington, DC.
Foto de Hannele Lahti, National Geographic Creative

Existem aproximadamente um bilhão de cachorros no mundo. Embora eles convivam com os humanos há dezenas de milhares de anos, especialistas dizem que 85% dos cães são selvagens. Perambulando pelas cidades e vilas, eles não são animais domesticados, mas mesmo assim dividem o mesmo ambiente que os humanos.

Quando os filhotes têm por volta de dois e três meses de idade, são abandonados por suas mães por inúmeros motivos.  Sem ninguém para tomar conta deles, a mortalidade infantil é de 90%. Apenas 10% desses filhotes sobrevivem.

Como eles poderiam sobreviver sem a presença da mãe? A ciência diz que se eles forem muito fofos, podem persuadir os humanos a cuidarem deles. Um novo estudo publicado no periódico Anthrozoös detalha essas descobertas, o que poderia dar pistas de como os cachorros evoluíram ao lado dos humanos.

Filhote perfeito

Segundo o estudo, os pesquisadores Clive Wynne, da Universidade do Estado do Arizona, Nadine Chersini, da Universidade de Utrecht, e Nathan Hall, da Universidade de Tecnologia do Texas, mostraram a 51 estudantes fotos de filhotes em diferentes idades e pediram que dessem notas para os que mais lhe chamassem a atenção. A idade variava do nascimento a sete meses, e abrangiam três raças bem populares, Jack Russel, cane corso, e pastor branco.

Os participantes deveriam julgar pelos mais “atraentes” e não pela “fofura”, pois “queríamos que fossem neutros”, Wynne disse à National Geographic. “Não queríamos empurrá-los para as características mais infantis”.

Os pesquisadores acreditavam que as pessoas iriam gostar mais dos filhotes entre dois e três meses. É a idade do desmame, época em que são abandonados por suas mães e precisam de alguém para cuidar deles. Eles estavam certos. (Leia: “Por que os cachorros são tão amigáveis? A ciência finalmente tem uma resposta”)

Apesar de terem idades diferentes, todos foram classificados como “adorável” entre seis e oito semanas de vida. O auge dos Jack Russel foi com 7,7 semanas; cane corsos, com 6,3 semanas; e os pastores brancos, com 8,3 semanas. Todas as três raças atingiram o limite quando chegaram a 30 semanas, mas não está claro o porquê.

Harold Herzog, especialista em interações humano-animais na Universidade de Western Carolina, escreveu sobre o estudo em seu blog, e o considerou “brilhante”, porém passível de ajustes.

“Acho que seria ótimo para o estudo se eles replicassem fotos dos mesmos cachorros conforme fossem envelhecendo”, diz Herzog. Seu palpite é que repetir as fotos corroboraria os resultados. Wynne diz que algumas fotos são dos mesmos cachorros em idades diferentes, mas a maioria é de outros cachorros.

Herzog acrescenta ainda que o estudo poderia incluir lobos. Ao contrário dos cães, os lobos ficam com seus filhotes até os dois anos, o que não daria a espécie a “mesma trajetória da fofura”.

Seu cachorro prefere brincar com outras pessoas?
Para descobrir, os pesquisadores de comportamento animal Erica Feuerbacher e Clive Wynne testaram cães em diferentes situações.

Wynne diz que no futuro os pesquisadores podem incluir vídeos de 20 a 30 segundos dos filhotes e ver se há algo em seus movimentos que atrai as pessoas. O estudo foi inspirado por uma viagem que Wynne fez às Bahamas, onde há muitos cães de rua.

“Se isso significa alguma coisa na vida dos cachorros e das pessoas, então seria o movimento do animal que elas veriam”, observa Wynne.

É um mundo do cão

Já que os filhotes recém abandonados competem uns com os outros pela atenção humana, a evolução diz que eles devem ser o mais adorável possível entre seis e onze semanas de vida. É a época em que são desmamados e então abandonados por suas mães. (Leia: “Cães terapeutas fazem milagres. Mas será que gostam do trabalho?")

“O que Clive [Wynne] argumenta é que a não ser que você seja muito fofo, você irá morrer” explica Herzog.

Há algumas características que atraem mais os humanos: olhos grandes, membros flexíveis e instáveis, e um corpo macio e arredondado.  Também nos atraímos quando eles têm a cabeça grande em comparação com o resto do corpo, e essa reação tem a ver com a nossa evolução.

Chamada de kinderschema, essas características também estão presentes no bebê humano e são essenciais para a sobrevivência. Elas ativam a região do cérebro responsável pela tomada de decisões e o encorajam a proteger e cuidar do bebê. Ao mesmo tempo, a região relacionada ao prazer libera dopamina. Com essas duas reações, seu cérebro faz com que você queira cuidar do bebê e ao mesmo tempo te recompensa por isso. Com a sua proteção, o bebê sobrevive.

Apesar da pesquisa ter sido feita em um laboratório com fotos, e não com cachorros ao vivo, Herzog suspeita que os resultados não teriam sido muito diferentes. Em 1998, pesquisadores da Universidade da Califórnia – Santa Bárbara, Alan Fridlund e Melissa MacDonald andaram pelo campus com um Golden retriever chamado Goldie, para ver que tipo de reação provocaria nos estudantes. Começaram os passeios quando ela tinha 10 semanas de vida e continuaram durante 5 meses. No início, Goldie atraía inúmeros estudantes, mas quando atingiu 33 semanas, sua fofura estacionou e ela recebeu menos atenção.

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