Relembre a trajetória da gorila Koko, famosa por se comunicar por sinais

Ela apareceu duas vezes na capa da National Geographic e representou grandes revelações sobre a empatia e a comunicação animais.quinta-feira, 21 de junho de 2018

Koko foi uma gorila-ocidental-das-terras-baixas que morreu enquanto dormia nessa terça-feira (19/06), aos 46 anos. Ela era conhecida por sua grande profundidade emocional e habilidade de comunicação por linguagem de sinais.

Ela se tornou uma celebridade internacional ao longo de sua vida, com um vocabulário de mais de mil sinais e a habilidade de compreender duas mil palavras do inglês falado, segundo informa a Gorilla Foundation.

A National Geographic a colocou duas vezes na capa: a primeira em outubro de 1978, com uma fotografia que ela tirou de si mesma em frente a um espelho (talvez uma das primeiras selfies animais). Koko também apareceu uma segunda vez na capa da edição de janeiro de 1985, em uma matéria sobre seu gatinho de estimação.

A gorila tornou-se o mais conhecido membro de sua espécie, os gorilas-ocidentais-das-terras-baixas (Gorilla gorilla gorilla), que são considerados em grande perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

“Koko tocou a vida de milhões como embaixadora de todos os gorilas e como ícone da comunicação e empatia entre espécies”, disse a fundação em uma declaração.

A pesquisa e o trabalho com Koko e outros gorilas revelou que grandes símios possuem habilidades comunicacionais similares às de pequenas crianças. Anne Russon, pesquisadora da Universidade de York, disse que ensinar Koko e outros animais a linguagem de sinais, diferente de apenas tentar a comunicação oral, foi “um grande passo à frente”.

Levando aos limites

Nascida em 4 de julho de 1971 no zoológico de São Francisco, nos Estados Unidos, ela foi batizada com o nome de Hanabi-lo, que em japonês quer dizer “filha dos fogos de artifício”. A pesquisadora Francine Patterson começou a trabalhar com ela em 1972, ensinando-a a linguagem de sinais.

Mais tarde, ela foi levada para Stanford, e logo depois Patterson e o colaborador Ronald Cohn fundaram a Gorilla Foundation. Em 1979, Koko se mudou junto com eles para as Santa Cruz Mountains, na Califórnia.

Além da linguagem, o comportamento de Koko revelou emoções similares aos de humanos.

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Por exemplo, quando o gatinho dela foi atropelado por um carro e morreu, ela ficou muito perturbada. Cohn disse ao Los Angeles Times, em 1985, que, quando eles contaram a ela por meio de sinais sobre a morte do felino, “ela agiu como se não tivesse ouvido eles por 10 minutos”.

“Então ela começou a choramingar — um uivo muito distinto que os gorilas fazem quando estão tristes. Todos nós começamos a chorar”

Em 2012, Koko aprendeu a usar o gravador, exibindo um grau de controle de respiração que antes achava-se ser único em humanos.

Além das capas da National Geographic, ela apareceu em muitos documentários, e interagiu com o ator Robin Williams em um vídeo de 2001, quando ela brincou com ele e experimentou seus óculos.

A Gorilla Foundantion disse em uma declaração que “irá continuar a honrar o legado de Koko e avançar em sua missão”, estudando a linguagem de sinais em grandes símios e procurando aumentar os projetos de conservação na África e no resto do mundo.

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