Animais

Alguns insetos sentem sabores pelos pés e ouvem com as asas

Eles “sentem” por meio de órgãos não-convencionais, de orelhas na barriga a narizes nas patas – e olhos nas genitálias.segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Por Liz Langley
A traça da espécie Tricholupsia ni, vista aqui na Floresta Nacional de Mount Hood no Oregon, está entre as espécies que têm tímpano, que funciona como uma orelha, em seus abdomens.

Ah, a vida tranquila de uma borboleta: passa o dia todo sobrevoando a natureza, tem asas bonitas e sua vida são flores.

Uma desvantagem: Seus pés têm receptores de sabor, o que pode acabar sendo desagradável, dependendo de onde você pousa.

A ideia de caminhar por aí sentindo gosto de piso o dia inteiro nos fez pensar: Quais são os outros lugares estranhos onde insetos têm órgãos sensoriais? É uma pergunta demasiadamente humana, mas, afinal, nós somos humanos.

Como seus primos – gafanhotos, grilos e locustas – esperanças têm um tipo de “orelha” chamada tímpano abaixo de seus joelhos. Esta esperança está na Reserva Nacional Tambopata-Candamo, no Peru.

Bom gosto

Para uma borboleta, sentir sabor com os pés não é nojento. Na verdade, é uma ótima forma de encontrar um lugar delicioso para comer – é por isso que elas buscam uma creche para seus filhotes assim.

“A borboleta precisa saber que está colocando os filhotes na planta certa”, diz Katy Prudic, entomologista na Universidade do Arizona, nos EUA. Borboletas sentem se a planta em que estão pisando será boa para suas lagartas comerem.

Semelhantemente, grilos e gafanhotos têm receptores de sabor em seus ovipositores, um órgão que deposita ovos, para que possam detectar se a terra que estão usando como berçário é boa para sua prole.

Vespas parasitoides fazem uma prova parecida com suas antenas, e também fazem tamborilamento com as antenas na superfície de ovos para que possam colocar seus ovos.

“É uma lambida com ritmo”, diz Prudic.

Som e aroma

Algumas mariposas têm um tipo de orelha, chamadas tímpanos, no abdômen, que podem “detectar a ecolocalização de morcegos que estejam as caçando”, diz Adrian Carper, entomologista no Museu de História Natural da Universidade de Colorado em Boulder.

Três famílias de mariposas têm essa “orelha” em suas barrigas – mariposas da família Geometridae, da família Pyralidae e da família Drepanidae – o que as torna ultrassensíveis ao ultrassom.

Traças do favo de mel, como esta de Bedfordshire, Reino Unido, pode ouvir a uma frequência mais alta do que qualquer outro animal do mundo, permitindo que evite morcegos.

Uma espécie, a traça do favo de mel, pode ouvir até 300 kHz, uma frequência maior do que qualquer outro animal. Algumas dessas espécies param de voar quando ouvem ultrassom.

Esperanças têm orelhas nos joelhos, o que é legal”, diz Carper, e seus parentes – gafanhotos, locustas e grilos – todos têm tímpanos logo abaixo dos joelhos.

Nos cheiramos mais tarde

“O cheiro ajuda os insetos a encontrarem o amor, comida e amigos, ao mesmo tempo em que evita que sejam comidos”, diz Prudic, mas infelizmente, “eles não têm nariz.”

Então como eles cheiram?

“Cheiram mal!”, você pode ter dito, caso já tenha ouvido essa velha piada, mas, na verdade, insetos captam cheiros com suas antenas, pernas e até têm receptores olfativos em sua genitália, diz Prudic.

Você enxerga como?

Os insetos estão aqui para provar que você pode fazer mais poderia prever com a genitália: borboletas da espécie Papilo xuthus podem enxergar com estes órgãos

Kentaro Arikawa, da Universidade de Pós-Graduação para Estudos Avançados do Japão, descobriu células fotorreceptoras na genitália dessas borboletas em 1980. Em um artigo de 2001, ele explica que essa habilidade de perceber luz é importante para a reprodução dos insetos.

Essas borboletas acasalam de costas uma para a outra, o macho parece usar esse órgão sensível à luz para se alinhar com a fêmea. Arikawa descobriu que, quando os fotorreceptores estavam cobertos, o sucesso do acasalamento diminuiu significativamente, de 66% para cerca de 28%.

Semelhantemente, quando os “olhos” genitais das fêmeas eram cobertos antes delas colocarem ovos, elas tinham problemas para detectar a superfície da folha e prender seus ovos a elas. Quando não podiam “ver”, a taxa de sucesso caiu de 80% para cerca de 15% a menos.

No artigo, Arikawa se refere às borboletas vendo com suas genitálias como “retrospectiva”.

Mas ainda não sabemos se a retrospectiva genital é apurada.

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