Animais

Metade das espécies de anfíbios está em risco de extinção

Novo estudo revela que mais de mil espécies de anfíbios pouco conhecidas para a ciência provavelmente entrarão em extinção, somando-se às 4,2 mil espécies já identificadas que a ONU diz estarem em perigo. Quinta-feira, 16 Maio

Por Jason Bittel

AS EVIDÊNCIAS DE QUE os anfíbios do mundo estão em perigo só aumentam.

Em março, um estudo publicado na revista científica Science revelou que 501 espécies de sapos e salamandras entraram em extinção devido a um fungo assassino chamado quitrídio. Isso é mais que duas vezes a estimativa anterior.

(Leia: “Apocalipse anfíbio causado pelo patógeno mais destrutivo já observado”.)

Então, no começo da semana passada, um comitê da Organização das Nações Unidas sobre a biodiversidade fez um pronunciamento de que os impactos causados por humanos ameaçam a existência de cerca de um milhão de espécies, incluindo 40% de todas as espécies de anfíbios conhecidas pela ciência, ou cerca de 3,2 mil espécies.

(Relacionado: “Um milhão de espécies em risco de extinção, alerta o relatório da ONU”.)

E, agora, um novo estudo publicado em 6 de maio na revista científica Current Biology utilizou análise estatística para prever que outras 1,1 mil espécies de anfíbios atualmente listadas como “com dados insuficientes” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que estabelece o status de conservação global de plantas e animais, provavelmente serão acrescentadas à essa lista.

Caso as descobertas da equipe estejam certas, isso significaria que 4,3 mil ou mais da metade dos sapos, salamandras e cecilianos do mundo estão em risco de extinção.

Mas ainda há esperança.

“Nas regiões neotropicais, as espécies que sabemos estarem em risco apresentam distribuições geográficas muito semelhantes em comparação com as espécies com dados insuficientes previstas como em risco de extinção”, explica Pamela González del Pliego, ecologista da Universidade de Yale e autora principal do estudo. “Portanto, se tentarmos conservar as áreas onde as espécies atualmente ameaçadas vivem, estaremos protegendo também as espécies com dados insuficientes”.

O que há em um nome?

Jonathan Kolby, Explorador da National Geographic e presidente do grupo de especialistas de anfíbios da IUCN em Honduras, diz que não está surpreso com as novas estatísticas. No entanto, ele diz que pode haver algo ainda mais importante do que números aqui, ou seja, uma melhor compreensão do que significa fazer parte da lista “com dados insuficientes”.

A Lista Vermelha da IUCN de Espécies Ameaçadas classifica os animais como pouco preocupante, quase ameaçado, vulnerável, em perigo, criticamente em perigo, extinto na natureza e extinto. Também possui uma classificação para espécies “com dados insuficientes”. Em termos mais simples, quando uma espécie é listada com dados insuficientes, isso significa que os cientistas não possuem informações suficientes para avaliar seu risco de extinção. Muitos fatores podem determinar essa lista.

Por exemplo, Kolby diz que espécies recém-descobertas são frequentemente classificadas com dados insuficientes devido ao pouco que se sabe sobre elas. Da mesma forma, alguns animais são mais difíceis de estudar do que outros. Isso é especialmente verdade para espécies pequenas que vivem escondidas, ou aquelas em habitats remotos, como muitos anfíbios. Por fim, determinadas ramificações da árvore da vida obtêm muito mais atenção científica que outras, principalmente os mamíferos carismáticos, e isso leva a lacunas no conhecimento.

Seja qual for o caso, Kolby diz que há bastante tempo a IUCN luta contra a percepção de que as espécies com dados insuficientes estejam, de alguma forma, seguras.

“Muitas pessoas consideram a classificação com dados insuficientes com prioridade mais baixa do que a classificação em perigo ou criticamente em perigo”, conta Kolby, que não participou do novo estudo. “E, por esse motivo, espécies com dados insuficientes não recebem muito do fundo para conservação”. Evidentemente, o novo estudo mostra que as espécies com dados insuficientes são, com frequência, tão vulneráveis quanto aquelas mais conhecidas.

González del Pliego conta que sua equipe chegou a essa conclusão analisando quais traços coincidem com o risco de extinção para espécies que já foram listadas — como o tamanho do corpo, a extensão do alcance e a localização geográfica. Então, realizaram uma busca na lista da IUCN de anfíbios com dados insuficientes por espécies que exibiam esses traços. Isso os levou a todo um novo grupo de criaturas que ficam nas margens.

Preenchendo as lacunas

Outro importante achado do estudo foi que, determinados locais, como África Central e Sudeste Asiático, são desprovidos de locais de conservação para a proteção de anfíbios. Nessas áreas, cientistas e governos precisarão criar novos planos de conservação visando anfíbios com dados insuficientes que provavelmente não serão salvos sob a cobertura de espécies mais bem conhecidas.

“Felizmente, com o nosso estudo, agora podemos saber para onde os recursos devem ser alocados e quais espécies e regiões devem ser abordadas primeiro”, diz González del Pliego.

Os anfíbios são alguns dos animais menos conhecidos e mais ameaçados do planeta, conta Jodi Rowley, bióloga de anfíbios do Museu Australiano e Exploradora da National Geographic que não participou do novo estudo. Mas ela também vê motivos para se ter esperança.

“Estamos em um momento estimulante e fundamental da história. Estamos em uma corrida para descobrir a biodiversidade que temos nesse extraordinário planeta”, diz Rowley. “Ainda não é tarde demais para fazermos as mudanças necessárias para garantir que a maioria dessas espécies são seja perdida para sempre”.

Um novo estudo revela que muitas espécies de anfíbios cujas populações são classificadas “com dados insuficientes” provavelmente estão em risco de extinção.

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