Exclusivo: morre Buddy, o primeiro cão nos EUA a testar positivo para a covid-19

Embora o pastor-alemão provavelmente tivesse câncer, seus registros de saúde mostram como sabemos pouco sobre os animais e o coronavírus.

Friday, July 31, 2020,
Por Natasha Daly
Fotos de Kholood Eid
Allison Mahoney segura uma foto de seu pastor-alemão de sete anos, Buddy, em sua casa em ...

Allison Mahoney segura uma foto de seu pastor-alemão de sete anos, Buddy, em sua casa em Staten Island, Nova York. Em junho, Buddy foi o primeiro cão nos Estados Unidos a testar positivo para o coronavírus. Ele morreu em 11 de julho.

Foto de Kholood Eid

BUDDY GOSTAVA DE TUDO que os cães gostam: correr entre os aspersores de jardim, fazer longas viagens de carro, nadar no lago. Quando seus donos, a família Mahoney, tinham um dia difícil, ele era carinhoso com eles. Alegrava a todos quando o vestiam com uma fantasia de coelho no Halloween. Ele agia como o irmão mais velho protetor de Duke, de 10 meses, o outro pastor-alemão da família. Ele amava a todos e fez jus ao seu nome: amigão, em inglês.

Em meados de abril, pouco antes de seu sétimo aniversário, Buddy começou a apresentar dificuldades para respirar.

Seis semanas depois, se tornou o primeiro cão nos Estados Unidos a testar positivo para o SARS-CoV-2, o coronavírus que causa a covid-19. Em 11 de julho, Buddy morreu.

Fotos de Buddy e da filha dos Mahoney, Julianna, dispostas sobre a mesa do quintal da família. “Ele era nosso amigo peludo de quase 60 quilos, nosso pastor-alemão”, diz Allison Mahoney. “Nosso queridinho. Gostaria que tivéssemos tido o prazer de sua companhia por mais tempo.”

O prontuário, fornecido pelos Mahoney e analisado para a National Geographic por dois veterinários que não se envolveram no tratamento de Buddy, indica que ele provavelmente tinha linfoma, um tipo de câncer, o que explicaria os sintomas que vinha sofrendo pouco antes de sua morte. De acordo com os Mahoney, eles não souberam que o linfoma estava sendo considerado a causa provável de seus sintomas até o dia de sua morte, quando resultados adicionais de exames de sangue confirmaram a suspeita. Não está claro se o câncer o tornou mais suscetível à infecção por coronavírus, se o vírus o deixou doente, ou se o surgimento das duas doenças ao mesmo tempo foi apenas uma coincidência. Para a família de Buddy, assim como para milhares de famílias que lutam para superar os impactos do coronavírus em todo o mundo, restaram muitas perguntas e poucas respostas.

Até o momento, a identidade de Buddy, os detalhes de seu caso e sua morte não haviam sido divulgados. Um comunicado à imprensa emitido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) no início de junho revelou sua localização geral (Staten Island, Nova York), sua raça (pastor-alemão), sua provável fonte de transmissão (seu dono que estava com covid-19) e seu estado de saúde (recuperação prevista). Registros públicos dos outros poucos animais de estimação com testes positivos nos Estados Unidos são igualmente escassos.

Após o anúncio, o caso marcante de Buddy parecia bastante claro e resolvido, mas a experiência dos Mahoney nos dois meses e meio entre a primeira dificuldade respiratória apresentada por Buddy e sua morte foi marcada por confusão e desgosto. A história deles destaca a rara experiência de possuir um animal de estimação que testou positivo para a covid — algo pelo qual apenas algumas pessoas em todo o mundo já passaram. Embora mais de quatro milhões de pessoas tenham sido diagnosticadas com covid-19 nos Estados Unidos, menos de 25 animais de estimação receberam o diagnóstico da doença. Não há parâmetros sobre como lidar com a covid-19 em cães de estimação.

“Ao contar às pessoas que nosso cão tinha testado positivo, elas nos olhavam como se tivéssemos dez cabeças”, diz Allison Mahoney. “Buddy foi o amor de nossas vidas... Ele trouxe alegria a todos. Não consigo aceitar.” Os Mahoney dizem que estão frustrados porque os especialistas em saúde não averiguaram a fundo as possíveis conexões entre a covid e os problemas de saúde apresentados. Após o diagnóstico de Buddy, o marido de Allison, Robert, perguntou às autoridades veterinárias da cidade de Nova York, responsáveis pelo caso, se elas estariam interessadas em realizar mais testes em Buddy. Robert Mahoney diz que as autoridades nunca solicitaram mais testes ou exames.

O Departamento de Saúde da cidade de Nova York disse à National Geographic que, devido ao fato de Buddy possuir anemia grave, não quiseram coletar mais amostras de sangue por preocupação com a saúde do cão, e que os resultados dos testes de confirmação indicaram que seria improvável que ele ainda estivesse transmitindo o vírus — o que significa que provavelmente não apresentava mais risco de contágio — em 20 de maio, quando foi submetido ao teste pela segunda vez. Nenhum outro teste foi realizado em Buddy após essa data.

Nos humanos, os sinais e sintomas da infecção variam bastante. Em algumas pessoas, a presença do vírus passa despercebida. Em outras, causa falência múltipla de órgãos. Na maioria, causa sintomas que ficam no meio desse espectro. Os médicos acreditam que condições de saúde pré-existentes aumentam a suscetibilidade. Aprendemos mais sobre a doença a cada dia.

O histórico do coronavírus em animais, no entanto, até agora tem sido consistente e limitado: eles raramente são afetados. Na maioria dos casos, quando contraem o vírus, foram seus donos que o transmitiram. Apresentam sintomas leves e geralmente se recuperam.

Na realidade, pouco se sabe sobre como o vírus afeta cães de estimação.

Os relatos detalhados dos Mahoney e o prontuário veterinário do Buddy agora incluem algumas das informações mais completas e detalhadas disponíveis à população sobre um animal infectado. A história deles também ressalta a falta de conhecimento do público em geral sobre animais e o novo coronavírus, destacando a necessidade de uma abordagem mais unificada e consistente para monitorar e investigar casos positivos e levar essas informações à comunidade de pesquisa.

Piora no estado de saúde de Buddy

Quando Buddy, que nunca havia ficado doente, desenvolveu muco espesso no nariz e começou a respirar com dificuldade em abril, ninguém, exceto Robert Mahoney, acreditava que o cachorro poderia estar com covid-19. O próprio Robert Mahoney havia sido infectado com o vírus há três semanas — sentia-se fraco, sua garganta doía e perdeu o paladar. “Eles me ligaram na Páscoa e disseram: ‘Aliás, você ganhou um presente de Páscoa: seu resultado deu positivo'”, lembra ele.

Robert e Allison Mahoney com sua filha de 13 anos, Julianna, e o pastor-alemão de 10 meses, Duke, no quintal da casa da família. Eles dizem que ficaram decepcionados com o fato de as autoridades não terem tido interesse em aprender mais com o caso de Buddy.

“Eu não tinha dúvidas de que Buddy também estava com a doença”, conta ele.

No começo, foi difícil encontrar alguém para examinar Buddy. Seu veterinário habitual não estava atendendo pacientes por causa da pandemia. Outra clínica local não permitiu a entrada de Robert Mahoney porque ele tinha covid-19, então eles prescreveram antibióticos a Buddy por telefone. Mahoney diz que o veterinário não acreditava que Buddy pudesse ter contraído o coronavírus, e o consultório não tinha kits de teste.

Na semana seguinte, Buddy ainda apresentava dificuldades para respirar e tinha perdido o apetite. Então, Julianna Mahoney, de 13 anos de idade, cujo resultado do teste havia sido negativo, foi autorizada a levar o cachorro ao veterinário.

De 21 de abril a 15 de maio, Buddy continuou perdendo peso. Ele se tornou cada vez mais letárgico. Os Mahoney o levaram a três veterinários diferentes em Staten Island, nenhum deles achou que infecção por coronavírus seria provável. Buddy foi submetido a um ultrassom e uma radiografia, que indicaram aumento do baço e fígado, e foi examinado por um cardiologista, que detectou um sopro cardíaco. Buddy passou duas semanas e meia tomando antibióticos e dois remédios para o coração e, posteriormente, passou a tomar corticoides. Nesse ponto, diz Robert Mahoney, os veterinários de Buddy ainda estavam em dúvida de que ele pudesse estar infectado pelo coronavírus e ainda não haviam identificado o linfoma como uma provável causa de sua doença.

Foi na terceira clínica veterinária, a Bay Street Animal Hospital, onde finalmente Buddy foi submetido a um teste de covid-19. Isso foi em 15 de maio, um mês após o início do problema respiratório de Buddy.

Alguns dias depois, a clínica ligou. O resultado do teste de Buddy havia dado positivo. Foi solicitado que ambos os cães da família fossem levados à clínica imediatamente, porque as autoridades de saúde precisavam confirmar os resultados de Buddy e testar Duke, o filhote. Mahoney conta que quando chegou à clínica com os cães em 20 de maio, “eles vieram me cumprimentar parecendo marcianos com roupas de proteção”.

“Para nós, foi um choque por um momento... Como proteger nossa equipe?”, indagou Robert Cohen, veterinário da Bay Street que tratou Buddy, porque pouco se sabe sobre como ocorre a transmissão do vírus de cães infectados a outros cães ou às pessoas. “Estávamos utilizando todos os EPIs”, diz ele, referindo-se a equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas.

As autoridades coletaram amostras de Buddy e Duke e depois os liberaram para casa.

Primeiro cão a testar positivo

Em 2 de junho, o Departamento de Saúde da cidade de Nova York telefonou para Mahoney para lhe dizer que Buddy havia realmente contraído o vírus. Um porta-voz do departamento disse à National Geographic que eles confirmaram que as amostras originais de Buddy coletadas em 15 de maio por seu veterinário eram positivas para SARS-CoV-2, mas as amostras adicionais coletadas em 20 de maio eram negativas, indicando que o vírus não estava mais presente no organismo do cão. O resultado de Duke foi negativo, mas ele tinha anticorpos, indicando que havia sido infectado em algum momento.

No entanto, o estado de saúde de Buddy continuou a piorar. Ele perdeu o controle de sua bexiga e tinha sangue na urina. No fim daquele mês, sua respiração ficou tão pesada que soava “como um trem de carga”, conta Allison Mahoney. No início de julho, Buddy começou a sentir dificuldade para caminhar.

Robert Mahoney o levava novamente ao veterinário toda vez que sua saúde parecia piorar, o que acontecia a cada duas semanas. Ele e Allison dizem que ficaram surpresos por ninguém parecer considerar que o coronavírus — embora não estivesse mais em seu organismo — pode ter causado efeitos duradouros na saúde de Buddy.

“Se [as autoridades de saúde] tivessem dito ‘Família Mahoney, entre no carro e vá a [um laboratório veterinário]’, eu teria ido”, diz Allison, “ninguém sequer mencionou isso.”

Cohen, o veterinário da Bay Street Animal Clinic, disse que sua equipe estava concentrada em tratar os sintomas de Buddy. “Sabíamos que tínhamos um paciente muito doente”, afirma ele, acrescentando que a clínica estava “de diversas maneiras, apenas como coadjuvante na questão [do SARS-CoV-2]”.

Ele conta que teve três ou quatro conversas com o Departamento de Saúde de Nova York e o Usda sobre Buddy para saber se a covid-19 poderia estar relacionada a algum de seus problemas de saúde. “Tínhamos zero conhecimento ou experiência com a base científica da covid em cães”, afirma ele. Ele conta que mesmo com todos os especialistas participando da conversa, “houve muito silêncio ao telefone. Eu acho que ninguém sabia. Realmente acredito que ninguém sabia naquele momento.”

Na manhã de 11 de julho, Allison encontrou Buddy na cozinha vomitando sangue coagulado. “Parecia que ele estava expelindo suas entranhas. Estava por toda parte. Saía de seu nariz e boca. Sabíamos que não havia nada a ser feito por ele a partir daquele momento. Como é possível ajudar um cão nessas condições? Mas ele tinha vontade de viver. Não queria partir.”

Ela e o marido levaram Buddy ao veterinário e decidiram sacrificá-lo. Ninguém perguntou a Robert sobre uma necropsia, ele diz — apenas se ele preferia cremação ou enterro. Ele escolheu que Buddy fosse cremado. Embora esse dia tenha sido como um borrão, ele conta que se tivessem perguntado a ele sobre uma necropsia para aprender mais sobre o vírus, “eu teria dito: ‘Façam o que for preciso’, porque não quero que nenhum outro cão sofra como ele”.

Após a morte de Buddy, Cohen disse que perguntou ao Departamento de Saúde da cidade de Nova York se eles precisavam do corpo do cão para pesquisas de acompanhamento. A cidade teve que consultar o Usda e outras agências federais, disse Cohen. Quando o Departamento de Saúde retornou a ele com a decisão de fazer uma necropsia, Buddy já havia sido cremado.

No dia em que Buddy foi sacrificado, o veterinário disse a Robert que novos resultados de exames de sangue indicavam que era muito provável que ele tivesse linfoma, o que poderia explicar muitos de seus sintomas.

Os Mahoney dizem que acreditam que a equipe da Bay Street tenha feito o melhor para Buddy. Eles sabem que esse é um assunto desconhecido para todos. “Acredito que eles estejam aprendendo também. É uma questão de tentativa e erro. E eles tentaram nos ajudar da melhor forma possível”, diz Allison, embora a família ainda se pergunte se a covid desempenhou algum papel na doença fatal de Buddy.

Cohen diz que pessoalmente se identifica com a situação dos Mahoney porque seu pai morreu de covid-19 há duas semanas em um asilo na Flórida aos 94 anos.

“Eu não pude vê-lo. E eu poderia fazer exatamente as mesmas críticas [dos Mahoney] sobre como o caso dele foi tratado — as pessoas não agiram rápido o suficiente”, diz ele. Mas, assim como os Mahoney, ele reconhece que “todo mundo tem boas intenções”, e que todos estão enfrentando os desafios de tratar uma doença horrível, generalizada e pouco compreendida.

Lacunas no conhecimento

O caso de Buddy destaca uma questão importante: animais com condições pré-existentes têm maior probabilidade de adoecer com o coronavírus, assim como os humanos? Ele também destaca a escassez de informações disponíveis sobre os animais infectados.

Uma foto de família mostra Buddy e Duke, de 10 meses, no início do ano. O filhote, que testou positivo para anticorpos, mas nunca ficou doente, está dormindo em todos os lugares onde Buddy costumava ficar, contam os Mahoney.

A maior parte do conhecimento sobre o coronavírus em animais de estimação é proveniente de pesquisas realizadas em cães e gatos em laboratório, diz Elizabeth Lennon, veterinária especializada em medicina interna da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, que analisou os prontuários a pedido da National Geographic. O coronavírus em cães e gatos no mundo real pode parecer e ocorrer de maneira diferente do que em laboratório, e é isso que a pesquisa de Lennon está tentando diferenciar.

Apesar de ser sua área de estudo, os registros veterinários de Buddy foram os primeiros que ela viu de um animal infectado. Recentemente, ao preparar sua solicitação de financiamento para o estudo do vírus em cães e gatos, ela conta que percebeu que “essa é a primeira vez na minha vida que apresento uma solicitação de bolsa de pesquisa na qual cito mais comunicados à imprensa e relatos da mídia do que artigos científicos”.

Além das pesquisas publicadas sobre gatos e cães em laboratório, os cientistas também têm acesso ao banco de dados público do Usda, que contém informações de todos os casos positivos envolvendo animais nos Estados Unidos, mas apenas com informações básicas. A Organização Mundial de Saúde Animal mantém um banco de dados semelhante de casos globais. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) fornecem diversos recursos em seu site, incluindo uma lista atualizada regularmente dos sintomas conhecidos em animais, mas, no momento, dados de casos mais específicos não estão disponíveis para o público ou a comunidade de pesquisa em geral.

Doze cães e pelo menos 10 gatos tiveram resultados positivos nos Estados Unidos. Lennon diz que poucos detalhes dos casos foram disponibilizados aos pesquisadores. “Que sinais eles apresentam? Por quanto tempo? Quais são as alterações nos exames de sangue?”, Lennon pergunta. (Os pesquisadores tentam entender quais animais o novo coronavírus — que se acredita ter se originado em morcegos — pode infectar.)

Especialistas envolvidos nesses casos provavelmente publicarão os detalhes em revistas científicas nos próximos seis a 12 meses, ela diz. Contudo, embora a publicação de pesquisas científicas sobre a covid-19 em humanos tenha ocorrido de forma geralmente acelerada, “na veterinária, ainda não vimos essa agilidade”.

O caso de Buddy também destaca a necessidade de se analisar de forma mais holística todos os casos conhecidos de animais infectados. “Os casos detectados não foram analisados em conjunto para determinar se existem outros fatores de risco além do convívio com um humano infectado”, diz Shelley Rankin, chefe de microbiologia clínica da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia e colega de Lennon.

Parece que informações possivelmente úteis de casos específicos também nem sempre são compartilhadas entre os veterinários do mesmo estado. Veterinários do estado geralmente tomam a iniciativa quando um animal de estimação testa positivo e relatam os detalhes até mesmo para o CDC e o Usda. Casey Barton-Bahravesh, diretora da Divisão One Health do CDC no Centro Nacional de Doenças Infecciosas Emergentes e Zoonóticas, diz que toda semana entra em contato com os veterinários do estado para divulgar novas informações obtidas pelo CDC sobre o vírus em animais. Não está claro, no entanto, se os estados estão obtendo detalhes suficientes dos casos uns dos outros. Quando a National Geographic entrou em contato com veterinários estaduais nos sete estados onde cães apresentaram resultados positivos, vários disseram que cada estado está focado em seus próprios casos e se comunica diretamente com o CDC e o Usda.

‘Carro na frente dos bois’

Lennon diz que, com base em pesquisas realizadas até o momento, as pessoas podem ficar despreocupadas, pois cães e gatos saudáveis não representam um grande risco de infecção para humanos ou outros animais, na maioria dos casos. A mensagem principal do CDC e da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) é semelhante: não há evidências de que os animais desempenhem um papel significativo na disseminação do vírus. Por esse motivo, eles não recomendam testes generalizados em animais de estimação.

Isso não necessariamente faz sentido para Rankin, que alega que a realização de mais testes em animais de estimação permitiria que especialistas em saúde pública afirmassem com mais confiança que esses animais não estão sendo infectados em larga escala (ou desempenhando um papel significativo na propagação do vírus). “Nós colocamos o carro na frente dos bois”, diz ela. “Se estamos dizendo ao mundo que a prevalência [de casos em animais] é baixa, então precisamos analisar mais números.”

Não está claro quantos animais nos Estados Unidos foram testados. Barton-Bahravesh, do CDC, diz que sua equipe está trabalhando para coletar esses dados, mas é difícil porque a divulgação de testes em animais não é obrigatória.

Lennon diz que mais testes também esclarecerão se animais em determinadas circunstâncias — como aqueles com condições pré-existentes — têm maior probabilidade de contrair o vírus ou apresentar a infecção por mais tempo.

O segundo cão a testar positivo nos Estados Unidos, no estado da Geórgia, e o sexto cão, na Carolina do Sul, morreram, por exemplo, e suas mortes foram atribuídas a outras condições. De modo semelhante ao caso de Buddy, o veterinário do estado, Boyd Parr, diz que, embora não houvesse evidências convincentes de que a condição do cão da Carolina do Sul o tornasse mais suscetível ao vírus, também não havia dados suficientes para afirmar o contrário.

“Certamente é possível que uma condição pré-existente enfraqueça as defesas naturais do cão em muitos aspectos”, disse ele por e-mail.

Os recursos do CDC incluem orientações sobre como cuidar e tratar de um animal de estimação infectado e diretrizes de segurança para os cuidadores. Contudo Lennon afirma que seria interessante ver orientações que especifiquem quais informações os veterinários devem coletar e quais testes devem realizar em um animal positivo para coronavírus a fim de montar um panorama consistente e completo de como o vírus afeta os animais de estimação.

Também há espaço para criar mais oportunidades para que donos de animais de estimação infectados possam se conectar com pesquisadores. No caso dos Mahoney, eles queriam que Buddy fosse examinado mais a fundo, mas dizem que enfrentaram dificuldades para entrar em contato com especialistas. “A situação destaca uma desconexão entre pessoas interessadas em pesquisar e pessoas interessadas em doar amostras de seus animais”, diz Lennon.

“Meu cão era como um filho para mim”, diz Allison Mahoney. “Quando ele estava quase morrendo, tinha muito sangue em suas patas. Eu o limpei antes de irmos ao veterinário e fiquei com ele no banco de trás. Eu disse: ‘Farei com que a sua voz seja ouvida, em nome de todos os nossos amigos peludos. Sua voz será ouvida, Buddy.”

Um desses amigos peludos é Duke, o cão dos Mahoney que continua com a família. Mesmo que ele não tenha ficado doente, a família Mahoney se preocupa com os possíveis efeitos do vírus em longo prazo. Os Mahoney disseram que o filhote está visivelmente deprimido desde a morte de Buddy e fica em todos os lugares onde Buddy costumava dormir.

Os Mahoney esperam pegar as cinzas de Buddy esta semana.

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