
Mergulha como profissional, mas tem o coração frágil: os 4 dados sobre o pinguim-de-Humboldt
As colônias de pinguim-de-Humboldt concentram-se nas ilhas e costas rochosas do Chile e do Peru.
O pinguim-de-Humboldt (Spheniscus humboldti) é uma ave não-voadora bastante curiosa por sua capacidade de fazer mergulhos bastante profundos. Endêmico do Chile e do Peru, ele vive na região da corrente de Humboldt – por isso seu nome – que é uma grande corrente oceânica caracterizada por águas frias e ricas em nutrientes. É o que explica a Animal Diversity Web (ADW), uma enciclopédia online mantida pela Universidade de Michigan (nos Estados Unidos).
Especificamente, esta espécie pode ser encontrada ao longo da zona costeira desde a Ilha Foca, no Peru, até a Ilha Guafo, no sul do Chile, informa a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O pinguim-de-Humboldt é capaz de nadar dezenas de quilômetros e fazer mergulhos profundos para encontrar alimento.
No Dia da Conscientização sobre os Pinguins, comemorado em 20 de janeiro, saiba mais sobre a conservação e os hábitos dessa espécie única que habita a América do Sul e descubra como a presença humana pode afetar sua existência.
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Os exemplares adultos desta espécie têm uma faixa peitoral preta que se estende pelos flancos até à coxa e que os distingue dos indivíduos mais jovens.
1. Como reconhecer um pinguim-de-Humboldt
O pinguim-de-Humboldt mede aproximadamente 65 centímetros de altura e pode pesar cerca de 5 quilos, descreve Constanza Cortes, guia turística e tripulante de convés na ilha Chañaral, na Reserva Nacional Pingüino de Humboldt, Chile, um dos locais de reprodução e nidificação mais importantes para esta espécie.
Ele é reconhecido por seu “smoking” preto e branco, diz a guia local. Tem a cabeça preta com uma borda branca que se estende ao redor dos olhos, das orelhas e do queixo, e se une na garganta.
Os exemplares adultos se diferenciam por terem uma faixa peitoral preta que se estende pelos flancos até a coxa. Já os exemplares mais jovens têm a cabeça completamente escura.
Ao contrário de outras espécies de pinguins, o pinguim-de-Humboldt tem grandes margens carnudas de cor rosa na base do bico, como informa a Global Penguin Society (GPS), uma organização dedicada à conservação desses animais, das costas e dos oceanos que habitam.

Esta espécie está classificada como Vulnerável na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN. As principais ameaças atuais ao pinguim-de-Humboldt são a sobrepesca e a mortalidade acidental em redes de pesca.
2. O pinguim-de-Humboldt pode mergulhar dezenas de metros abaixo da água
O pinguim-de-Humboldt se move por trilhas construídas ao longo dos anos. Embora em terra possa parecer um animal desajeitado devido às suas patas curtas, na água ele é um “excelente mergulhador”, podendo atingir até 50 metros de profundidade para procurar alimento, continua a especialista.
Em geral, as imersões deste pinguim não necessitam ser tão profundas – ficando a menos de 30 metros da superfície. Ainda assim, na Ilha Pan de Azúcar, no Chile, foram detectados pinguins que mergulham a uma profundidade máxima de 53 metros, diz a IUCN.
“Durante o período de criação dos filhotes, os adultos procuram alimento dentro de um raio de 20 a 35 quilômetros ao redor da colônia, enquanto as aves incubadoras podem chegar a até 72 quilômetros da colônia”, continua a fonte internacional.
“Os que não se reproduzem passam em média 60 horas na água antes de retornar à terra, com uma viagem máxima de 163 horas”, detalha a ADW. Enquanto isso, “os pinguins reprodutores passam menos tempo no mar, com viagens que duram em média 22 horas e no máximo 35 horas”.
Quanto à sua dieta, esta espécie se alimenta de uma grande variedade de peixes, dependendo do local onde se encontra. Entre suas principais presas estão a anchova peruana (Engraulis ringens), o peixe-agulha (Odontesthes regia), o arenque araucano (Strangomera bentincki) e a bacalhau comum (Merluccius gayi), além de cefalópodes e crustáceos, segundo a Global Penguin Society e a IUCN.

Conforme descrito pela Global Penguin Society, o pinguim-de-Humboldt (Spheniscus humboldti) difere de outras espécies de pinguins por ter grandes margens carnudas (em tom rosado) na base do bico.
3. Como as atividades humanas levaram o pinguim de Humboldt à beira da extinção
Ao longo da história, “essa espécie sofreu flutuações extremas no tamanho da população nas principais colônias do Chile” e persiste a incerteza sobre se vai ou não sobreviver ao risco de extinção, reconhece a IUCN.
Consequentemente, o animal é classificado como “vulnerável” na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN e várias ações de conservação do animal estão sendo realizadas, entre as quais se destaca sua proteção na Reserva Nacional Pinguim de Humboldt, no centro-norte do Chile.
Atualmente, a pesca excessiva e a mortalidade acidental em redes de pesca são as principais ameaças que esta ave enfrenta.
Além disso, conforme descrito por Cortes, trata-se de uma ave esquiva e a presença humana pode alterar seu comportamento. De acordo com a ADW, ficou demonstrado que seu sucesso reprodutivo diminuiu significativamente em locais muito visitados por turistas. “Sua frequência cardíaca aumentou drasticamente com a presença de um humano a 150 metros de distância e o pinguim levou 30 minutos para se recuperar”, concluiu a plataforma.
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Pinguis-de-Humboldt na Ilha Choros, no Chile.
4. Onde é possível observar o pinguim de Humboldt
De acordo com a IUCN, foram confirmados pelo menos 49 locais de reprodução entre Punta Aguja e a Ilha Metalqui, no Peru e no Chile, respectivamente. “A espécie nidifica em ilhas ou costas rochosas continentais, em praias, falésias ou planícies de terra, sob vegetação, em cavidades ou cavernas”, indica a GPS.
Um dos pontos de observação desta espécie é a Reserva Nacional Pinguim-de-Humboldt, localizada entre a região de Atacama e a região de Coquimbo, no Chile, que se encontra ali “um dos principais locais de reprodução e nidificação ao longo da costa do país”, afirma a Corporação Nacional Florestal (Conaf) do Chile.
Esta área protegida é composta por três ilhas: Choros, Damas e Chañaral, a maior delas, detalha o Sistema de Informação e Monitoramento da Biodiversidade (SIMBIO), do Ministério do Meio Ambiente do Chile.
No passado, era possível desembarcar neste arquipélago, mas atualmente só é permitido fazê-lo na ilha Damas com autorização e por um período máximo de uma hora.
“Antigamente, as pessoas podiam desembarcar nas (três) ilhas, mas ficou evidente que elas não respeitavam as normas éticas mínimas (como a gestão de resíduos) e essas permissões representavam um risco para a diversidade das espécies e sua fragilidade diante do ser humano. Especialmente no caso do pinguim-de-Humboldt, que é conhecido por ser uma ave esquiva e assustadiça”, destaca Cortes, que cresceu perto da enseada de Chañaral de Aceituno.
Para a guia, uma educação ambiental adequada e respeitosa é fundamental para conscientizar e proteger o pinguim-de-Humboldt e as outras espécies que habitam a reserva chilena.