Ilhas do Alasca podem pertencer a um único vulcão gigante

Análise preliminar de um conjunto de ilhas remotas sugere que pequenos vulcões antes considerados independentes podem ser, na realidade, um único vulcão gigante.

Published 29 de dez de 2020 08:00 BRST
As Ilhas das Quatro Montanhas, no Alasca, consistem em seis vulcões, alguns deles retratados na imagem. ...

As Ilhas das Quatro Montanhas, no Alasca, consistem em seis vulcões, alguns deles retratados na imagem. O agitado Monte Cleaveland (centro) está entre os vulcões mais ativos das Ilhas Aleutas. Estudar os riscos vulcânicos dessa cadeia é de vital importância para o tráfego aéreo que sobrevoa frequentemente o local. “Consideramos a área como remota, e ela é, mas levando em conta o espaço aéreo a 30 mil pés, [milhares de] pessoas passam por lá todos os dias”, diz o geofísico John Power.

Foto de NASA

Um conjunto de ilhas vulcânicas na costa sul do Alasca pode constituir um único vulcão gigante, de acordo com evidências apresentadas no encontro de fim de ano da União Geofísica Americana. Dessa forma, é possível que o vulcão gigante recém-descoberto tenha entrado em erupção uma vez, em uma explosão maior que a erupção cataclísmica de 1980 do Monte Santa Helena.

O grande vulcão em questão é marcado por um conjunto semicircular de picos nas Ilhas Aleutas, arquipélago conhecido como as Ilhas das Quatro Montanhas (IFM). Considerados vulcões independentes por muito tempo, os seis picos — incluindo Herbert, Carlisle, Cleveland, Tana, Uliaga e Kagamil — podem compreender uma série de aberturas conectadas ao longo da borda de uma caldeira vulcânica muito maior.

Mesmo que a hipótese seja confirmada, os resultados não necessariamente preveem uma futura catástrofe.

“Esse novo resultado da pesquisa não altera os riscos”, conta John Power, geofísico do Serviço Geológico dos Estados Unidos e do Alaska Volcano Observatory, que apresentará a pesquisa no encontro da União Geofísica Americana (AGU). “Não prevemos algo perigoso com isso.”

Em busca do grande vulcão

Os cientistas não procuraram evidências da forte explosão a primeira vez que navegaram para as Ilhas das Quatro Montanhas em 2014. Em vez disso, focaram na arqueologia da região. Um segundo grupo fez uma expedição nos dois anos seguintes para observar as placas tectônicas dos vulcões.

Os pesquisadores analisaram a geologia local e empregaram diversas tecnologias para estudar a região, incluindo sismômetros para detectar leves tremores e análises químicas para compreender a composição de gases que saem do solo. No entanto, conforme estudavam os dados, observaram características intrigantes que, só recentemente, perceberam que poderiam estar relacionadas a uma enorme e antiga erupção.

O primeiro fator foi o curioso formato de meia-lua do conjunto de vulcões das Ilhas das Quatro Montanhas. Uma explicação poderia ser uma caldeira.

Caldeiras são formadas quando um grande reservatório de magma esvazia de repente e o solo sobrejacente desmorona, criando uma vasta depressão na superfície da Terra com cerca de um a 50 quilômetros. A formação de uma caldeira produz uma série de fraturas pelas quais o magma pode se infiltrar e chegar à superfície, de modo que conjuntos vulcânicos são comuns em torno de suas bordas ou centros.

Nesse caso, os pesquisadores suspeitaram que os vulcões das Ilhas das Quatro Montanhas possam representar uma série de estruturas geológicas conectadas em torno de uma possível caldeira de 20 quilômetros de extensão, que acreditam estar centenas de metros abaixo da superfície das águas geladas do Pacífico.

“Isso seria um problema simples se fosse em terra”, diz Diana Roman, vulcanóloga do Carnegie Institution for Science e uma das principais investigadoras do projeto. “Mas está debaixo d’água, o que torna tudo muito mais difícil.”

Outro fator foi a descoberta de rochas conhecidas como ignimbritos soldados. Esses materiais se formam quando uma grande erupção gera cinzas vulcânicas escaldantes tão espessas que os grãos se fundem em rocha sólida, explica Pete Stelling, que participou da temporada de pesquisas de 2015, mas não participou da nova análise.

Estimulada por esses dados intrigantes, a equipe começou a “aprofundar as pesquisas”, como diz Roman, para encontrar outras informações que ajudariam a explicar o fenômeno. Eles coletaram uma série de evidências, incluindo anomalias gravimétricas de dados de satélite e levantamentos batimétricos que foram conduzidos na área logo após a Segunda Guerra Mundial. Embora não seja de alta resolução, o mapeamento do fundo do mar indica vários cumes arredondados e uma depressão com mais de 121 metros de profundidade que poderia ser parte de uma caldeira.

Se as suspeitas forem confirmadas, a equipe acredita que a possível bacia subaquática pode ter sido formada por uma explosão vulcânica que poderia ser chamada de “supererupção”.

“Qualquer uma dessas evidências é questionável”, diz Power. “Porém, à medida que mais evidências se alinham, temos um argumento mais forte.”

Grande explosão, mas não a maior

A equipe adverte que ainda existem muitas incógnitas sobre a estrutura. Por um lado, eles ainda não têm certeza sobre o tamanho da caldeira e não sabem se ela foi formada por uma grande explosão ou por diversas erupções menores.

Mesmo se formada por um único evento, teria sido uma explosão média em comparação a outras ao redor do mundo de acordo com a história geológica, observa Roman. Por exemplo, um cálculo aproximado definiria a explosão das Ilhas das Quatro Montanhas com cerca de um décimo do tamanho daquela que abalou o Yellowstone cerca de 640 mil anos atrás, diz Adam Kent, vulcanólogo da Universidade do Estado do Oregon que não integrou a equipe do estudo. “Possivelmente seria uma mudança global”, diz ele. “Mas não o fim do mundo.”

Ainda assim, a pesquisa preliminar fornece algumas pistas fascinantes para ajudar os cientistas a compreender melhor os potenciais riscos atuais e futuros nessa região.

“Essa pesquisa merece futuras investigações”, diz  Jackie Caplan-Auerbach, vulcanóloga e sismóloga da Universidade Western Washington, que não participou da pesquisa.

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