O que pode ser feito com segurança após tomar a vacina contra a covid-19?

À medida que um maior número de pessoas recebe a vacina integralmente, certas atividades se tornarão menos arriscadas, mas especialistas ainda recomendam manter as precauções no futuro próximo.

Publicado 18 de fev de 2021 11:48 BRST
Conforme mais pessoas são vacinadas, saber como retomar à vida em sociedade com segurança se torna ...

Conforme mais pessoas são vacinadas, saber como retomar à vida em sociedade com segurança se torna uma questão importante.

Cerca de um ano após o início da pandemia global de covid-19, com o número de mortos em todo o mundo ultrapassando a marca assustadora de 2,3 milhões de pessoas — quase meio milhão apenas nos Estados Unidos — a esperança chegou na forma de diferentes vacinas, criadas em tempo recorde, e têm apresentado sucesso impressionante na prevenção da covid-19.

“Todas as vacinas têm sido altamente eficazes contra estágios graves da doença, internações e óbitos”, comemorou William Moss, diretor executivo do Centro Internacional de Acesso a Vacinas da Faculdade de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg. Essa, diz ele, é a história de sucesso mais importante das vacinas contra covid-19, que ajudarão a controlar essa pandemia avassaladora.

Com o número de pessoas vacinadas crescendo diariamente, muitos se perguntam: quais atividades antes consideradas arriscadas, como encontrar amigos em casa ou sair para fazer compras sem máscara, são agora mais seguras com as vacinas? Veja o que dizem os especialistas sobre como calcular os riscos de algumas atividades comuns depois de receber a vacina.

Quanto tempo depois da vacinação a imunidade ‘total’ é alcançada?

As duas vacinas de mRNA atualmente aprovadas para uso nos Estados Unidos, da Moderna e Pfizer-BioNTech, possuem um regime de duas doses com intervalos de três ou quatro semanas. É necessário de uma a duas semanas após a segunda injeção para atingir o nível máximo de proteção contra a covid-19. Em ensaios clínicos, cada uma dessas vacinas apresentou cerca de 95% de eficácia na prevenção de casos de covid-19.

Até o momento, não se sabe quanto tempo durará a imunidade após uma pessoa receber todas as doses de uma vacina, e somente o tempo nos trará essa resposta. A vacina contra a covid-19 talvez precise ser administrada anualmente, assim como a vacina contra a gripe, e seus benefícios podem durar menos ou mais tempo.

Pessoas vacinadas podem não apresentar sintomas e mesmo assim transmitir o vírus para as não vacinadas?

Essa questão é fundamental, mas ainda não foi estudada em detalhes. Os dados disponíveis até o momento indicam que a vacinação diminui significativamente a infecção por covid-19 em pessoas que não apresentam sintomas. No ensaio clínico de fase três da vacina da Moderna, um teste diagnóstico antes da segunda dose da vacina demonstrou que 89,6% dos casos sintomáticos e assintomáticos foram evitados já com a primeira dose.

Os resultados preliminares dos ensaios de fase três da vacina Oxford-AstraZeneca constataram uma redução de 67% nos testes de esfregaço positivos após a uma dose da vacina.

Esses resultados são “realmente encorajadores”, afirma John Swartzberg, professor clínico emérito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Califórnia em Berkeley. “Isso me fará sentir, por ser um cidadão responsável, que posso ficar perto de outras pessoas com mais segurança.”

É seguro para as pessoas vacinadas se reunirem?

A decisão de as pessoas vacinadas se reunirem envolve “cálculos” mentais, explica Swartzberg, pois se deve levar em conta a probabilidade de alguém ser exposto ao Sars-CoV-2, estando vacinado ou não, considerando que ainda há uma pequena probabilidade de até mesmo uma pessoa vacinada contrair o vírus.

Conforme o tempo passa e mais pessoas são vacinadas, o número de infecções continuará caindo, dessa forma, Moss alega que um encontro entre pessoas vacinadas “será seguro” e essa segurança aumentará cada vez mais.

“Por precaução”, comenta Cynthia Leifer, professora associada de imunologia da Universidade Cornell, “ainda devemos praticar medidas de distanciamento o máximo possível no curto prazo, até que haja uma distribuição mais ampla da vacina”. Ela recomenda que as pessoas continuem seguindo as diretrizes de evitar reuniões em grandes grupos, utilizar máscara e manter pelo menos dois metros de distância.

Também existem fatores desconhecidos sobre a eficácia das vacinas contra novas variantes que não foram descobertas.

“Quanto mais o Sars-CoV-2 circular daqui para frente, haverá mais probabilidade de outras variantes surgirem”, esclarece Leifer. “Nós não conseguimos prever quando uma nova variante pode surgir, e há chances de que as vacinas não sejam eficazes nesses casos.”

A vacina da Novavax, que ainda não foi liberada para uso, teve uma queda considerável em sua eficácia — de 89,3% para 49,4% — contra uma variante que surgiu na África do Sul e que já se espalhou globalmente. A Pfizer e a Moderna ainda estão testando a eficácia de suas vacinas contra uma variante mais contagiosa descoberta pela primeira vez no Reino Unido.

Pessoas vacinadas ainda devem utilizar máscara em locais públicos?

Especialistas estão de acordo: todos devem seguir utilizando máscara, pelo menos por enquanto. Além de não ter como saber quem já recebeu doses da vacina e quem ainda não, o que poderia levar a situações desconfortáveis e confusas, cada pessoa pode apresentar uma reação imunológica diferente a uma vacina.

“Entre 100 pessoas vacinadas, cada uma apresentará níveis variados de resposta a essa vacina, estabelecendo um nível de proteção que pode não ser forte o suficiente para protegê-las”, reitera Leifer. De fato, não há nenhuma maneira de saber que tipo de resposta nosso organismo terá à vacina, e é por essa razão que utilizar máscara é uma medida de proteção adicional. Além disso, ainda não se sabe qual o número de pessoas que, mesmo vacinadas, poderão transmitir Sars-CoV-2.

“Eu interpreto a vacina como uma proteção abrangente, mas existem outras medidas que podemos utilizar para nos protegermos”, afirma Swartzberg. “A vacina é, provavelmente, a maior delas.” Outra medida de proteção são as máscaras e, segundo ele, ninguém deveria parar de utilizá-las.

É seguro viajar depois de ser vacinado?

Para muitos, já se passaram meses ou anos sem poder encontrar com a família e amigos pessoalmente, mas receber a vacina não significa, automaticamente, que se torne totalmente seguro viajar.

“Acho que se trata do que as pessoas se sentem confortáveis para fazer, mas elas precisam estar cientes de que, neste momento, não podemos prever quando nem onde novas variantes surgirão e se estaremos protegidos contra elas”, acrescenta Leifer. “Ao tomar a vacina não ganhamos um escudo de super-herói para nos proteger.”

Swartzberg diz que em breve se sentirá seguro para socializar em pequenos grupos com outras pessoas vacinadas, mas que as viagens aéreas são uma outra questão: “não há como saber quem estará nos aeroportos, no avião... então vai levar um bom tempo até eu ter certeza de que não haverá uma grande quantidade de pessoas não vacinadas em um avião ou aeroporto.”

Quanto tempo levará até que um número suficiente de pessoas sejam vacinadas para ‘voltarmos ao normal’?

A realidade tranquila de 2019 pode agora ser uma lembrança distante, mas com a liberação das vacinas em andamento, uma sensação cautelosa de normalidade — comer em um restaurante, ir à escola, aproveitar uma noite de karaokê com amigos — não parece mais tão distante.

Até agora, mais de 107 milhões de pessoas foram vacinadas em todo o mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 3% da população foi totalmente vacinada. As estimativas sugerem que 70% da população dos Estados Unidos será pelo menos parcialmente vacinada até meados de setembro no ritmo atual; pesquisadores dizem que entre 75% e 80% da população precisará ser vacinada antes que o país alcance a imunidade de rebanho.

Quando a imunidade de rebanho estiver próxima, haverá sinais de um retorno à normalidade. Swartzberg comenta que se sentirá melhor à medida que o número de novos casos diminuir, reduzindo a probabilidade de exposição ao novo coronavírus.

“Eu penso que será uma fase de transição de volta aos tempos pré-pandêmicos”, relata Moss. O primeiro passo é reduzir casos, internações e mortes por meio da vacinação para que o rastreamento completo dos contatos físicos possa ser implementado de maneira eficaz. “Embora o rastreamento tenha sido considerado, o número de casos era tão alto nos Estados Unidos que sobrecarregou o sistema”, explica ele.

Leifer tem esperança de que a liberação das vacinas possa ser acelerada com planos criativos de distribuição e fabricação. “O ideal seria atingir as metas de vacinação até metade deste ano para que os alunos possam voltar às aulas”, reitera ela.

A vacina não é um passe livre, mas fornece às pessoas uma maneira de reduzir o risco e rever seus familiares e amigos antes do esperado.

“Já faz 10 meses que não abraço meus netos e filhos”, lamenta Swartzberger, “não vejo a hora de poder fazer isso”.

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