Como a "dubaização" transforma as cidades do Golfo Pérsico

Idiossincrasias tomam conta de nações ricas em recursos mas pobres em tradições arquitetônicas.

Fotos de Roger Grasas, Zoom Agency
Publicado 2 de fev. de 2018 18:38 BRST, Atualizado 5 de nov. de 2020 03:22 BRT
Esta reportagem está na edição de fevereiro de 2018 da revista National Geographic Brasil.

Gigantescos shopping centers e hotéis em arranha-céus redesenharam o perfil de cidades como Dubai, Doha e Abu Dhabi. No meio do deserto, pistas de esqui internas recebem flocos de neve e jardins florescem. “Estão construindo um mundo artificial que não tem nada a ver com a natureza”, diz o espanhol Roger Grasas, cujo projeto Min Turab – expressão em árabe que significa “da terra” – tem como proposta fotografar os improváveis cenários surgidos com o surto desenvolvimentista do Golfo Pérsico.

Essas cidades “rejeitaram o passado”, diz Grasas. “Antes do petróleo, eram nações pobres. Agora associam tudo o que é novo a uma vida melhor.”

O desenvolvimento acelerado, sem consideração pela história ou pelo ambiente, foi chamado de “dubaização” por Yasser Elsheshtawy, ex-professor de arquitetura da Universidade dos Emirados Árabes Unidos. Espigões de manutenção dispendiosa e alto consumo energético “fomentam a segregação”, ao mesmo tempo que ameaçam os bairros históricos. Um motivo de esperança, porém, é que esse progresso também leva à melhoria das vias e dos transportes públicos – algo que beneficia a todos.

Os esforços para se preservar um “forte, palácio ou mercado” têm em vista o turismo, diz Elsheshtawy. Mas, nos últimos tempos, diante do fim da arquitetura tradicional, ele nota um impulso renovado para salvar “o que restou”.

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