Caçadores de ETs detectam estranho sinal vindo de estrela vizinha

É muito pouco provável que se trate de uma mensagem alienígena. No entanto, as ondas que parecem se originar nos arredores da anã-vermelha Proxima Centauri ajudarão astrônomos a refinar suas técnicas de busca.

Publicado 18 de dez de 2020 23:30 BRST
O rádio telescópio Parkes, na Austrália, recentemente detectou um ainda inexplicado sinal de rádio vindo da ...

O rádio telescópio Parkes, na Austrália, recentemente detectou um ainda inexplicado sinal de rádio vindo da direção de Proxima Centauri, a estrela mais perto do Sol.

Foto de A. Cherney, CSIRO

Astrônomos em busca de sinais de vida fora da Terra encontraram algo estranho. Um sinal de rádio ainda não compreendido que parece vir da direção da estrela mais próxima do Sol – uma pequena anã-vermelha a cerca de 4,2 anos-luz de distância chamada Proxima Centauri. Para deixar a detecção ainda mais empolgante, pelo menos dois planetas orbitam o astro, um dos quais pode ser temperado e rochoso como a Terra.

Breakthrough Listen, um programa que busca emissões alienígenas provenientes das um milhão de estrelas mais próximas, estudava a Proxima Centauri através do Observatório Parkes, na Austrália, quando a equipe detectou o curioso sinal, ao qual batizaram BLC-1. As ondas de rádio foram registradas em observações feitas entre abril e maio de 2019.

“É bem esperado que, de vez em quando, você veja algo estranho, mas isto é interessante porque é algo estranho sobre o qual estamos tendo que pensar”, disse Sofia Sheikh, estudante de pós-graduação da Universidade Estadual da Pensilvânia e membro que liderou a equipe do Breathrough na análise do sinal.

Apesar de Sheikh e outros pesquisadores suspeitarem fortemente de que a origem do sinal é humana, BLC-1 é a detecção do Breakthrough mais tentadora na busca por inteligência extraterrestre. A equipe prepara dois artigos – a descrição do sinal e uma análise posterior que ainda está em andamento. (A detecção foi vazada ao jornal The Guardian antes de estar pronta para publicação.)

Enquanto os pesquisadores seguem analisando o sinal – e especialistas avisam que quase com certeza existe uma explicação ordinária e terrena para ele –, uma pista da existência de vida fora da Terra, por mais remota que seja, deixa as pessoas empolgadas.

“Há muita conversa sobre sensacionalismo na busca por inteligência extraterrestre”, diz Andrew Siemion, pesquisador principal do Breakthrough Listen. “O motivo de estarmos tão empolgados com a busca por inteligência extraterrestre, e o porquê de dedicarmos nossas carreiras a isso, é a mesma razão pela qual o público fica tão empolgado. São alienígenas! É incrível!”

Seis décadas de buscas extraterrestres

Cientistas fazem varreduras no céu a procura de sinais de rádio potencialmente artificiais há 60 anos – o pioneiro foi o projeto Ozma, uma busca liderada em 1960 por meu pai, Frank Drake.

Diferente de ondas de rádio produzidas naturalmente pelo cosmos, espera-se que esses sussurros extraterrestres se pareçam bastante com as transmissões que humanos usam para se comunicar. Sinais como esses perpassam um âmbito muito restrito de frequências de rádio. Eles também carregam um tipo de movimento muito característico, que indica que a origem em uma fonte que está se movendo em direção a Terra ou para longe dela – um indício de que a fonte provém de um objeto cósmico distante, como um planeta orbitando uma estrela.

Nossa vizinha, Proxima Centauri, como vista pelo telescópio espacial Hubble.

Foto de ESA/Hubble e NASA

“Apenas a tecnologia humana parece produzir sinais assim”, diz Sheikh. “Nosso wifi, nossas torres de celular, nosso GPS, nosso rádio por satélite – tudo isso parece exatamente com os sinais que estamos procurando, o que dificulta muito saber se algo está vindo do espaço ou de tecnologias humanas.”

Ao longo das décadas, astrônomos detectaram muitos sinais curiosos. Descobriu-se que alguns vinham de fontes astronômicas antes desconhecidas, como os pulsares –restos de estrelas mortas que giram em altíssima velocidade lançando sinais de rádio pelo cosmos. A primeira rajada rápida de rádio conhecida – sinais que ainda são razoavelmente misteriosos – aparentavam, em princípio, artificiais. Sinais chamados perytons, rajadas menos energéticas de emissão de rádio, também levantaram suspeitas até cientistas determinarem sua origem: um forno micro-ondas.

BLC-1 pode estar vindo de um satélite ainda não identificado, um avião, um transmissor no solo próximo à mira do telescópio ou talvez algo ainda mais mundano, como eletroeletrônicos danificados em um carro ou prédio vizinho.

“Todos nossos experimentos em busca de inteligência extraterrestre são conduzidos em um mar de interferências. São toneladas de sinais”, diz Siemieon. “No fim das contas, o trabalho é conseguir diferenciar um distante tecnomarcador da nossa própria tecnologia.”

E então há os sinais que astrônomos ainda não conseguiram atribuir definitivamente a fontes naturais, como o famoso sinal WOW!, detectado pelo Observatório de Rádio da Universidade Estadual de Ohio, coloquialmente conhecido como Big Ear, em 1977. Esse estranhamente brilhante bombardeio de ondas de rádio inicialmente pareceu uma observação de inteligência extraterrestre legítima, mas ninguém nunca conseguiu verificar ou detectar o sinal novamente.

Estranho signo

Em 2015, Breakthrough Listen lançou uma busca de uma década patrocinada pelo investidor do Vale do Silício Yuiri Milner. Mas, até agora, a equipe não encontrou nada definitivo em suas varreduras do céu.

A partir de abril de 2019, o programa mirou o telescópio Parkes na Proxima Centauri – mas não necessariamente porque os cientistas buscavam por alienígenas, mas para entender melhor as gigantescas chamas que estrelas anãs-vermelhas como Proxima frequentemente emitem. Enquanto processavam as observações neste verão, Shane Smith, estudante de graduação do Hillside College e estagiário do Breakthrough, percebeu o BLC-1 aparentemente radiando desde a estrela.

Apesar do sinal ser fraco, BLC-1 passou todos os testes que a equipe do Breakthrough utiliza para filtrar os milhões de sinais gerados por humanos: tinha largura de banda estreita, a frequência parecia se movimentar e ele desaparecia quando o telescópio mudava a mira da Proxima para outro objeto. Nos dias seguintes, quatro sinais semelhantes apareceram, mas alguns foram descartados como interferências.

“Nosso algoritmo é muito otimista sobre o que a tecnologia alienígena pode ser”, diz Sheikh. “Mas isto é muito empolgante porque nunca chegamos ao ponto de o algoritmo encontrar alguma coisa de fato interessante.”

Se o BLC-1 vir a ser, contra todas as probabilidades, uma mensagem de um sistema solar vizinho, então, estatisticamente falando, a Via Láctea está absolutamente repleta de civilizações que se comunicam, disse Seth Shostak, do Instituto de Busca por Inteligência Extraterrestre (Instituto Seti). “Nesse caso, haveria mais de meio bilhão de sociedades na nossa própria galáxia – isso parece bastante.”

Próximos passos

Desde a detecção, a equipe observou Proxima Centauri novamente – mas não achou nada. Cientistas do Breakthrough também analisaram o sinal e determinaram que o movimento da frequência não confere com o que seria esperado de um planeta orbitando a estrela. Mas eles também não conseguiram atribuir a transmissão a nenhum satélite orbitando a Terra, uma investigação que ainda está em andamento, segundo Sheikh. A equipe trabalha para desenvolver novos teste que podem determinar com exatidão a origem do sinal, incluindo novas observações da Proxima Centauri pelo telescópio Parkes.

“Se você quer fazer declarações científicas, você vai precisar rever e replicar o fenômeno”, diz Sheikh. “É assim que o método científico funciona.”

Siemion diz que a própria análise do BLC-1 já ensinou muitas coisas sobre como testar dados. As próximas observações da Proxima Centauri serão valiosas para entender como estrelas desse tipo se comportam – assim como para alcançar uma busca compreensiva de inteligência extraterrestre em um sistema solar vizinho, com planetas em órbita, mesmo que eles não sejam habitados por alienígenas ligados em tecnologia.

“No fim, eu acho que poderemos nos convencer de que [BLC-1] é uma interferência”, diz Siemion. “Mas o resultado final certamente será que os nossos experimentos ficarão mais poderosos no futuro.”

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