O satélite GOES-13, da NOAA, capturou esta imagem da Terra durante o solstício de dezembro de ...

Solstício: 4 fatos sobre o Trópico de Capricórnio, a linha que marca o início do verão no Hemisfério Sul

O mês de dezembro marca o início do solstício de verão na parte sul do planeta. A data está conectada ao Trópico de Capricórnio, uma linha imaginária associada à mudança de estação.

O satélite GOES-13, da NOAA, capturou esta imagem da Terra durante o solstício de dezembro de 2011. No registro, é possível observar como o Sol se encontra diretamente sobre o Trópico de Capricórnio nesta época do ano e a luz solar incide principalmente sobre o Hemisfério Sul.

Foto de NOAA/NASA GOES Project
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 19 de dez. de 2025, 11:58 BRT

Todos os anos, por volta de 21 de dezembroocorre o solstício de verão no Hemisfério Sul (e, portanto, o solstício de inverno no Hemisfério Norte). Nesta data, “o Sol se posiciona diretamente sobre o Trópico de Capricórnioa luz solar se espalha por uma maior parte deste hemisfério”, explica a Nasa (a agência espacial estadunidense) em seu site oficial.

Os solstícios ocorrem duas vezes por ano – em junho e dezembro – e apresentam as horas de luz mais curtas e mais longas do ano, dependendo do hemisfério. Em dezembro, o Sol encontra-se na sua posição mais meridional (ou seja, mais ao sulem relação ao equador da Terra, logo acima do Trópico de Capricórnio.

Coincidindo com o solstício de dezembro de 2025, a National Geographic selecionou alguns dados curiosos sobre essa linha imaginária que ganha destaque e serve de base para os analistas do céu e das estações.

Mapa-mundi com o Trópico de Capricórnio marcado em vermelho.

Mapa-mundi com o Trópico de Capricórnio marcado em vermelho.

Foto de Thesevenseas (CC BY-SA 3.0)

1. Este trópico recebeu seu nome da constelação de Capricórnio

Este trópico está localizado no sul do planetamarca a latitude mais meridional onde o Sol pode aparecer diretamente sobre a Terra ao meio-dia. Seu nome faz referência à constelação de Capricórnio, explica a Encyclopedia Britannica (prestigiosa plataforma de conhecimento do Reino Unido).

Conforme detalha a fonte, isso se deve ao fato de que, no passado, durante o solstício de dezembro, o Sol se situava dentro dos limites da constelação de Capricórnio. No entanto, é importante esclarecer que, devido à mudança gradual do eixo de rotação da Terraatualmente o solstício ocorre dentro da constelação de Sagitário

De fato, de acordo com as estimativas dos astrônomos, “o Sol voltará a aparecer na constelação de Capricórnio em aproximadamente 24 mil anos”, acrescenta a Britannica. Apesar dessa mudança, o nome “trópico de Capricórnio” permanece.

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      Marco do Trópico de Capricórnio em Antofagasta, Chile. “É composto pelo arco de Capricórnio, com 10,4 metros de altura, além das portas do Sol, que correspondem a duas paredes de 12,4 metros de altura; e mais o caminho do Sol orientado de sul a norte perpendicularmente ao trópico; e o círculo do mundo, que é um caminho de 30 metros de diâmetro que emoldura o conjunto”, como descreve o Serviço Nacional do Patrimônio Cultural do Chile.

      Foto de Marcos Escalier/Antofagasta/Chile (CC BY-SA 2.0)

      2. O Trópico de Capricórnio atravessa três continentes

      Essa linha imaginária atravessa 13 em toda a sua extensão, além dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, detalha um artigo da National Geographic Espanha. 

      Esses países são: Chile, Argentina, Paraguai e Brasil na América do Sul; Namíbia, Botsuana, África do Sul, Moçambique e Madagascar na África; e Austrália, Polinésia Francesa, Tonga e Ilhas do Mar de Coral na Oceania.

      (Conteúdo relacionado: O fenômeno do solstício explicado: duração extrema do dia e sombra “zero” em partes do mundo)

      3. Apenas quatro países estão completamente ao sul do Trópico de Capricórnio

      Um dado interessante é que, abaixo deste trópico, encontram-se apenas quatro países (ou seja, territórios que não são atravessados por esta linha ficando abaixo dela. São eles: Uruguai, na América do Sul; Lesoto e Esuatini, na África, além de Nova Zelândia, na Oceania.

      Em contrapartida, acima do Trópico de Câncer (a linha imaginária que marca o limite mais ao norte onde o sol pode brilhar ao meio-diaencontram-se muitos mais países, incluindo os Estados Unidos, o Canadá, nações africanas como Marrocos e Tunísia, além da Rússia e um grande número de estados europeus.

      Relógio solar do trópico de Capricórnio em Huacalera, Jujuy, Argentina. Construído sobre a zona que atravessa ...
      O Monumento ao Trópico de Capricórnio no Museu Florestal Octávio Vecchi, em São Paulo, Brasil, é ...
      À esquerda: No alto:

      Relógio solar do trópico de Capricórnio em Huacalera, Jujuy, Argentina. Construído sobre a zona que atravessa o paralelo, este monólito não deveria projetar sombra durante o solstício, mas erros no projeto e na localização impedem que isso aconteça.

      Foto de Sjacques (CC BY-SA 3.0)
      À direita: Acima:

      O Monumento ao Trópico de Capricórnio no Museu Florestal Octávio Vecchi, em São Paulo, Brasil, é composto por blocos quadrados na base e um bloco cilíndrico na parte superior. Na frente, uma placa metálica indica: “O Trópico de Capricórnio passa por aqui”.

      Foto de Juliasantin (CC BY-SA 4.0)

      4. Na América do Sul, existem vários monumentos sobre o Trópico de Capricórnio

      Ao longo do trópico, foram erguidos vários monumentos que marcam a linha por onde passa este paralelo geográfico.

      No Chile, por exemplo, encontra-se o Marco Monumental do Trópico de Capricórnio, uma construção inaugurada em 21 de dezembro de 2000, coincidindo com o último solstício do século 20. Ele está localizado ao norte da cidade de Antofagasta, em frente ao aeroporto Andrés Sabella, conforme descreve um artigo publicado pelo Serviço Nacional do Patrimônio Cultural chileno.

      Por sua vez, na cidade de Huacalera, na província argentina de Jujuyhá um relógio solar que marca o ponto onde passa esse paralelo. Durante o solstício de verão, esse monólito não deveria projetar sombra, mas “erros em seu projeto e localização impedem que isso aconteça”, reconhece o Manual de guias turísticos qualificados do Governo de Jujuy.

      Da mesma forma, no Paraguaium monólito comemorativo marca o ponto exato onde cruza o Trópico de Capricórnio. Ele está localizado em Belém, uma pacata cidade conhecida como “a cidade do trópico”, no nordeste do país.

      No Brasilvárias placas nas estradas marcam os pontos dos caminhos que cruzam essa linha divisória global. Da mesma forma, existem construções comemorativas do trópico, como o Monumento ao Trópico de Capricórnio, uma obra criada em 1930, feita de concreto, com base circular e degraus, que se ergue no Museu Florestal Octávio Vecchi, em São Paulo.

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