
Solstício: 4 fatos sobre o Trópico de Capricórnio, a linha que marca o início do verão no Hemisfério Sul
O satélite GOES-13, da NOAA, capturou esta imagem da Terra durante o solstício de dezembro de 2011. No registro, é possível observar como o Sol se encontra diretamente sobre o Trópico de Capricórnio nesta época do ano e a luz solar incide principalmente sobre o Hemisfério Sul.
Todos os anos, por volta de 21 de dezembro, ocorre o solstício de verão no Hemisfério Sul (e, portanto, o solstício de inverno no Hemisfério Norte). Nesta data, “o Sol se posiciona diretamente sobre o Trópico de Capricórnio e a luz solar se espalha por uma maior parte deste hemisfério”, explica a Nasa (a agência espacial estadunidense) em seu site oficial.
Os solstícios ocorrem duas vezes por ano – em junho e dezembro – e apresentam as horas de luz mais curtas e mais longas do ano, dependendo do hemisfério. Em dezembro, o Sol encontra-se na sua posição mais meridional (ou seja, mais ao sul) em relação ao equador da Terra, logo acima do Trópico de Capricórnio.
Coincidindo com o solstício de dezembro de 2025, a National Geographic selecionou alguns dados curiosos sobre essa linha imaginária que ganha destaque e serve de base para os analistas do céu e das estações.
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Mapa-mundi com o Trópico de Capricórnio marcado em vermelho.
1. Este trópico recebeu seu nome da constelação de Capricórnio
Este trópico está localizado no sul do planeta e marca a latitude mais meridional onde o Sol pode aparecer diretamente sobre a Terra ao meio-dia. Seu nome faz referência à constelação de Capricórnio, explica a Encyclopedia Britannica (prestigiosa plataforma de conhecimento do Reino Unido).
Conforme detalha a fonte, isso se deve ao fato de que, no passado, durante o solstício de dezembro, o Sol se situava dentro dos limites da constelação de Capricórnio. No entanto, é importante esclarecer que, devido à mudança gradual do eixo de rotação da Terra, atualmente o solstício ocorre dentro da constelação de Sagitário.
De fato, de acordo com as estimativas dos astrônomos, “o Sol voltará a aparecer na constelação de Capricórnio em aproximadamente 24 mil anos”, acrescenta a Britannica. Apesar dessa mudança, o nome “trópico de Capricórnio” permanece.

Marco do Trópico de Capricórnio em Antofagasta, Chile. “É composto pelo arco de Capricórnio, com 10,4 metros de altura, além das portas do Sol, que correspondem a duas paredes de 12,4 metros de altura; e mais o caminho do Sol orientado de sul a norte perpendicularmente ao trópico; e o círculo do mundo, que é um caminho de 30 metros de diâmetro que emoldura o conjunto”, como descreve o Serviço Nacional do Patrimônio Cultural do Chile.
2. O Trópico de Capricórnio atravessa três continentes
Essa linha imaginária atravessa 13 em toda a sua extensão, além dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, detalha um artigo da National Geographic Espanha.
Esses países são: Chile, Argentina, Paraguai e Brasil na América do Sul; Namíbia, Botsuana, África do Sul, Moçambique e Madagascar na África; e Austrália, Polinésia Francesa, Tonga e Ilhas do Mar de Coral na Oceania.
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3. Apenas quatro países estão completamente ao sul do Trópico de Capricórnio
Um dado interessante é que, abaixo deste trópico, encontram-se apenas quatro países (ou seja, territórios que não são atravessados por esta linha ficando abaixo dela. São eles: Uruguai, na América do Sul; Lesoto e Esuatini, na África, além de Nova Zelândia, na Oceania.
Em contrapartida, acima do Trópico de Câncer (a linha imaginária que marca o limite mais ao norte onde o sol pode brilhar ao meio-dia) encontram-se muitos mais países, incluindo os Estados Unidos, o Canadá, nações africanas como Marrocos e Tunísia, além da Rússia e um grande número de estados europeus.


Relógio solar do trópico de Capricórnio em Huacalera, Jujuy, Argentina. Construído sobre a zona que atravessa o paralelo, este monólito não deveria projetar sombra durante o solstício, mas erros no projeto e na localização impedem que isso aconteça.
O Monumento ao Trópico de Capricórnio no Museu Florestal Octávio Vecchi, em São Paulo, Brasil, é composto por blocos quadrados na base e um bloco cilíndrico na parte superior. Na frente, uma placa metálica indica: “O Trópico de Capricórnio passa por aqui”.
4. Na América do Sul, existem vários monumentos sobre o Trópico de Capricórnio
Ao longo do trópico, foram erguidos vários monumentos que marcam a linha por onde passa este paralelo geográfico.
No Chile, por exemplo, encontra-se o Marco Monumental do Trópico de Capricórnio, uma construção inaugurada em 21 de dezembro de 2000, coincidindo com o último solstício do século 20. Ele está localizado ao norte da cidade de Antofagasta, em frente ao aeroporto Andrés Sabella, conforme descreve um artigo publicado pelo Serviço Nacional do Patrimônio Cultural chileno.
Por sua vez, na cidade de Huacalera, na província argentina de Jujuy, há um relógio solar que marca o ponto onde passa esse paralelo. Durante o solstício de verão, esse monólito não deveria projetar sombra, mas “erros em seu projeto e localização impedem que isso aconteça”, reconhece o Manual de guias turísticos qualificados do Governo de Jujuy.
Da mesma forma, no Paraguai, um monólito comemorativo marca o ponto exato onde cruza o Trópico de Capricórnio. Ele está localizado em Belém, uma pacata cidade conhecida como “a cidade do trópico”, no nordeste do país.
No Brasil, várias placas nas estradas marcam os pontos dos caminhos que cruzam essa linha divisória global. Da mesma forma, existem construções comemorativas do trópico, como o Monumento ao Trópico de Capricórnio, uma obra criada em 1930, feita de concreto, com base circular e degraus, que se ergue no Museu Florestal Octávio Vecchi, em São Paulo.