Espaço

Hubble mostra detalhes da misteriosa mancha vermelha de Júpiter

O telescópio começa uma nova missão, produzindo mapas meteorológicos dos planetas externos do sistema solar.

Por Andrew Fazekas

O Telescópio Espacial Hubble foi recrutado para uma missão de meteorologia cósmica, a fim de fornecer à NASA detalhes inéditos sobre as chuvas turbulentas em Júpiter.

Usando uma série de fotografias extremamente detalhadas feitas pela Câmera de Campo Largo do telescópio, cientistas geraram dois enormes mapas globais do planeta gasosopor um período de 10 horas.

"Cada vez que olhamos para Júpiter, temos evidências de que algo muito emocionante está acontecendo", disse Amy Simon, cientista planetária do Goddard Space Flight Center da NASA, em declaração para a imprensa. E essa não foi uma exceção.

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter, um furacão gigante com ao menos duas vezes o tamanho da Terra, nunca falha em provocar os observadores. O ciclone cósmico parece estar tomando uma forma mais redonda, tendo diminuído em 240 quilômetro somente em 2014. E conforme a chuva gigante continua a cair, a mancha planetária mais famosa do sistema solar está mudando de cor; do vermelho para o laranja.

Porém, a observação mais surpreendente é um longo e fino filamento que se estende por praticamente toda a largura do vórtex. Os cientistas ainda precisam identificar o objeto, mas sabem que ele gira junto dos ventosd de mais de 150 metros por segundo.

Logo teremos relatórios meteorológicos regulares sobre outros gigantes de gás, já que os cientistas planejam usar o Hubble para produzir imagens similares de Urano e Netuno anualmente. É parte de um programa que a NASA chamou de Legado das Atmosfera dos Planetas Externos.

"A coleção dos mapas que serão produzidos ao longo do tempo não só ajudará os cientistas a compreender melhor as atmosferas dos planetas gigantes, mas também as atmosferas dos planetas descobertos na órbita de outras estrelas e a atmosfera e os oceanos da Terra," diz Michael H. Wong, do Departamento de Astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Veja você mesmo

Observadores do céu também podem ver Júpiter e sua Grande Mancha Vermelha.

Encontrar o maior planeta do sistema solar com seus próprios olhos é fácil porque ele é muito brilhante.

Apenas procure pela segunda estrela mais brilhante nascendo durante o amanhecer.

Como um bônus, Júpiter estará logo abaixo de Vênus, que é o objeto parecido com uma estrela mais brilhante no céu da manhã.

Também bem perto de Júpiter está Marte, aparecendo como uma estrela vermelha mais fraca, logo acima dele. Na verdade, os dois planetas estarão mais próximos até 2018, separados por menos de um grau, igual à largura do polegar no comprimento do braço. Enquanto a olho nu Júpiter, a 918 milhões de quilômetros de distância, parece uma estrela amarela brilhante, um par de binóculos segurado bem firme revelará suas quatro luas, descobertas por Galileu. Elas aparecerão alinhadas como uma fileira de patos ao lado do disco planetário.

Ainda melhor para observar é um pequeno telescópio, que pode mostrar os diversos festões, nós, gavinhas e pontos turbulentos na parte mais alta da nuvem do planeta, dentro das regiões polares e dos cinturões equatoriais de cor marrom. Com maior ampliação, se você estiver no tempo certo de observação, será capaz até de ver a famosa Grande Mancha Vermelha (laranja?).

É incrível pensar que essa tempestade pode estar acontecendo desde o tempo de Galileu e que você pode vê-la a noite de seu jardim.

Céus claros!

Siga Andrew Fazekas no Twitter.

Publicado em 16 de outubro de 2015.

Continuar a Ler