História

Por que arqueólogos estão tão animados com um pente viking

O objeto de 1000 anos de idade contém apenas uma inscrição com a palavra "pente", mas pode dar pistas sobre as origens da Era Viking.quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Por Sarah Gibbens
Um entusiasta da era viking se veste a caráter em festival na Polônia.

Talvez ninguém tenha ficado tão animado por ver um pente como o arqueólogo dinamarquês Søren Sindbæk.

Ele e uma equipe de arqueólogos da Universidade de Aarhus recentemente descobriram um na histórica cidade viking de Ribe, na Dinamarca.

Ainda mais emocionante, diz ele, é que a palavra "pente" está inscrita em um dos lados. No outro, pode se ler o equivalente do verbo "pentear".

Para quem não é arqueólogo de carreira ou entusiasta da história viking, o achado pode parecer trivial, mas poderia contar aos historiadores sobre o nascimento de um alfabeto viking e, assim, revelar como a Era Viking se tornou proeminente.

Para entender por que o pente é importante, você deve voltar ao final do século 8, um momento crítico para os vikings. Era o alvorecer da Era Viking, que começou pouco antes dos anos 800 a.C., e a língua na região tinha passado por centenas de anos de evolução.

Então, de repente, o alfabeto mudou. As runas – letras usadas por grupos anteriores – tornaram-se mais uniformes e modernas para se adaptar a maneira evoluída de falar.

Altas e verticais, as novas linhas eram fáceis de esculpir em madeira ou pedra, diz Sindbæk.

"Nós não sabemos por que ou quando isso aconteceu", diz ele sobre o novo alfabeto que começou a ser usado. "Não parece ser gradual".

Isso significa que o novo alfabeto provavelmente foi criado por uma pessoa ou uma instituição e depois divulgado. Mas por que, quando e por quem? Os arqueólogos não têm certeza.

ESPALHANDO A PALAVRA

Uma vez que o novo sistema de runas foi adotado, as regiões europeias sob controle viking adotaram um método uniforme de comunicação escrita. O comércio teria se tornado mais simples.

Que o pente receba o próprio nome, indica uma adoção precoce do alfabeto, diz Sindbæk.

"Existe uma espécie de redundância", diz ele sobre os sinais de adotar o novo alfabeto rúnico. "Você adiciona ele às coisas óbvias".

Henrik Williams, da Universidade Uppsala, na Suécia, também estudou muito as runas. Suas teorias do por que o pente pode ter sido inscrito com seu próprio nome diferem das de Sindbæk. A primeira é que poderia ter ajudado pessoas com doenças cognitivas, como demência, ou crianças aprendendo o idioma.

"Não havia escolas, então ensinar uma criança a ler e escrever runas pode ser realizado escrevendo palavras nos itens domésticos", diz ele.Outra teoria é que as runas podem ter sido inventadas para transmitir um propósito especial ou até mesmo propriedades mágicas. Apenas depois que o novo alfabeto se tornou mais amplamente adotado que os arqueólogos acharam evidência de que ele era usado para formas comuns de comunicação, como o envio de notas.

Em última análise, diz Williams: "Ambas as explicações são apenas hipóteses, mas todas as novas descobertas desse item constituem uma peça nova do quebra-cabeça".

ARTEFATOS ADICIONAIS

Além do pente, a equipe da Universidade de Aarhus encontrou uma placa feita de algum tipo de marfim ou chifre. Contém algum tipo de palavra em runas, mas o objeto estava muito fragmentado para se ter certeza. Os escavadores especulam que pode ser um nome viking comum – Tobi. O material e o corte indicam que teria sido anexado a uma caixa ou caixão de forma cerimonial.

Ambos os antigos artefatos rúnicos estão entre muitos encontrados em Ribe, a cidade mais antiga da Escandinávia e, portanto, o primeiro assentamento viking conhecido.

Dois outros objetos rúnicos antigos foram encontrados no ano passado. Uma simples ferramenta de engomar e uma caveira inscrita com uma frase para convocar o deus viking Oden, diz Sindbæk.

Os moldes de fundição encontrados no local no ano passado são compatíveis com itens metalúrgicos encontrados em toda a Europa. Para Sindbæk, isso sugere que Ribe desempenhou um papel central no início da era viking.

As escavações estão em andamento e fazem parte de um projeto de um ano para aprender mais sobre a cidade antiga.

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