Morcegos-vampiros vivem só de sangue – agora sabemos como

Viver de sangue não é fácil, mas esses mamíferos tropicais desenvolveram adaptações inteligentes para tornar isso possível, diz um novo estudo.

Published 26 de fev de 2018 11:06 BRT, Updated 5 de nov de 2020 04:22 BRST
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Morcegos-vampiros nascem com sensores de veia que os permitem encontrar presas com facilidade.
Foto de Brock Fenton

O morcego-vampiro pode degustar a melhor safra de sangue A+ graças a uma pequena ajuda de seus amigos digestivos.

Em um novo estudo, pesquisadores analisaram o DNA e o micro bioma de três espécies de morcegos-vampiros, os únicos mamíferos que se alimentam de sangue (ou hematófagos) no mundo. O estudo revelou que as bactérias intestinais são a chave que permite que os morcegos sobrevivam do líquido vermelho vital.

“Aparentemente, essas criaturas intestinais evoluíram para ajudar os morcegos a viver de refeições de sangue”, diz a líder do estudo, Marie Lisandra Zepeda Mendoza, geneticista da Universidade de Copenhague. “O estudo "holístico", que examinou tanto a microbiota como o DNA do morcego, está entre os primeiros de seu tipo a investigar como morcegos-vampiros digerem sangue”, disse Mendoza por e-mail.

Caçando sob a cobertura da escuridão da noite dos trópicos americanos, esses morcegos correm, como cavalos, ao longo do solo, aproximando-se de suas presas sobre as quatro patas. Os dentes afiados penetram a veia da vítima, e o morcego bebe o sangue que escorre da presa com a língua.

Mas viver estritamente de sangue não é fácil. Os morcegos-vampiros precisam de nervos faciais especiais capazes de sentir o calor das veias das vítimas, bem como de dentes afiados para perfurar a pele com danos mínimos à vítima. Além disso, os morcegos precisam de uma enzima anticoagulante em sua saliva para evitar que o sangue da vítima coagule enquanto eles se alimentam. (Essa proteína, chamada Draculin, está agora sendo estudada como um possível tratamento para pacientes com AVC).

Além de tudo isso, sangue é aproximadamente 80% água, e dos poucos nutrientes que contém, 93% são proteínas – difícil para os rins metabolizarem. Por fim, a hematofagia expõe os morcegos a uma grande variedade de agentes patogênicos e os deixa perigosamente deficientes em nutrientes e vitaminas. 

Sede de Sangue

Ciente desses contratempos do estilo de vida hematófago, Mendoza se perguntou se os micróbios intestinais dos morcegos fornecem esses nutrientes faltantes aos seus anfitriões em troca de um lugar seguro e acolhedor para viver.

Ao compreender o micro bioma intestinal de morcegos-vampiros, ela criou a hipótese que viria a ser a chave para entender essa dieta única. (Assista a um vídeo raro de morcegos-vampiros se alimentando de pinguins.)

Então, Mendoza e seus colegas compararam o DNA e os micróbios intestinais das três espécies de morcegos-vampiros com uma variedade de morcegos que se alimentam de insetos, frutas e carne. O morcego-vampiro tem várias adaptações que facilitam o consumo de sangue, de acordo com o estudo publicado na última semana na revista Nature Ecology and Evolution.

Em primeiro lugar, os micróbios intestinais do morcego-vampiro desempenham uma enorme variedade de funções diferentes daquelas que vivem em outros morcegos e fornecem uma ajuda essencial na digestão e metabolização das proteínas do sangue ingerido pelos vampiros.

Os morcegos-vampiros também têm um alto nível de resistência a um grupo de vírus transmitidos pelo sangue conhecidos como retrovírus endógenos, que inserem cópias do seu material genético no genoma do hospedeiro.

E o DNA dos morcegos-vampiros contém ajustes na função renal que permitem aos mamíferos lidar com sua dieta rica em proteínas.

Apesar desses benefícios integrados, os morcegos-vampiros, como os vampiros dos filmes, precisam de um suprimento constante de sangue: se um vampiro perder duas refeições noturnas seguidas, ele morre de fome.

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