Animais

Após a morte do último macho, o rinoceronte-branco-do-norte está condenado?

Duas fêmeas da subespécie continuam protegidas no Quênia. Terça-feira, 20 Março

Por Sarah Gibbens

Os conservacionistas já previam a morte de Sudan, o último dos machos dos rinocerontes-brancos do norte. A notícia de seu falecimento na noite de ontem, 19, deixou o mundo consternado.

O rinoceronte macho de 45 anos vivia sob guarda armada na conservação Ol Pejeta, no Quênia. No início deste mês, Sudan desenvolveu uma infecção na parte posterior da perna direita. Ele já sofria de complicações relacionadas à idade, e a infecção piorou sua condição.

Agora, apenas duas fêmeas de rinocerontes-brancos do norte permanecem na conservação – as últimas da subespécie na Terra.

A esperança acabou?

A morte do Sudan é amplamente vista como a peça final do mandado de morte da espécie.

Houve um grande fomento para ajudar Sudan a produzir sua prole. Em um último esforço para arrecadar dinheiro para o cuidado dos rinocerontes, foi criado um perfil no Tinder para o rinoceronte.

Documentar Sudan e o declínio da espécie foi um grande projeto da fotógrafa da National Geographic Ami Vitale.

"Hoje, testemunhamos a extinção de uma espécie que havia sobrevivido por milhões de anos, mas não pôde sobreviver à humanidade", escreveu Vitale em seu Instagram, compartilhando a notícia.

Vitale esteve com Sudan quando ele foi transferido de um zoológico na República Checa à reserva do Quênia em 2009. Pensava-se que o clima africano seria mais adequado para estimular a cria.

Como ele e as duas fêmeas remanescentes passaram pela idade reprodutiva, os cientistas estavam tentando criar um novo rinoceronte em um laboratório.

As células sexuais foram coletadas dos rinocerontes-brancos do norte vivos, e os cientistas esperam usar fertilização in vitro para engravidar as substitutas do rinoceronte-branco do sul. Com estimativas conservadoras, a tecnologia para viabilizar isso necessita ainda de mais ou menos dez anos de ser aperfeiçoada.

"Não há garantias de que [a fertilização in vitro] vai funcionar, disse Philip Muruthi, vice-presidente de proteções de espécies na Fundação de Vida Selvagem Africana (AWF, na sigla em inglês). Ele acrescenta que o processo é muito caro – poderia custar mais de R$ 30 milhões.

"Essa é uma lição amarga de conservação de espécies", disse Muruthi. Ele aponta que "os custos de recuperação são ainda mais altos".

Rinocerontes na África

Em 2014, restavam sete indivíduos da subespécie no planeta – todos em zoológicos. No verão de 2015, o número já tinha caído para quatro; poucos meses depois, apenas três.

Mas quando a população de rinoceronte-branco do norte começou a cair, a queda foi muito rápida.

Nos últimos dias de Sudan, guardas da OI Pejeta mantiveram os três rinocerontes sob segurança armada 24 horas por dia. Apesar da precária situação de conservação da espécie, os animais ainda sofrem forte ameaça de caçadores furtivos.

Como elefantes, rinocerontes na África são caçados agressivamente por seus lucrativos chifres e pela pele.

“A morte de Sudan é um trágico exemplo de como a África está perdendo seu legado. Como chegamos a este ponto? Como vamos explicar isso a próxima geração de africanos?”, disse Kaddu Sebunya, presidente da Fundação de Vida Selvagem da África em comunicado.

Em 2013, outra subespécie de rinoceronte, o rinoceronte-negro do oeste, foi declarado extinta. O rinoceronte-negro do leste, cuja população é de cerca de mil indivíduos, pode ser a próxima espécie a enfrentar a extinção.

Conservacionistas estão focados na salvação dessa espécie e do rinoceronte-branco do sul, cujos números giram em torno de 20 mil.   

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