Tigres-siberianos estão sendo caçados à noite para venda de partes de seus corpos

Com apenas centenas de indivíduos restantes na natureza, uma nova pesquisa revela como os caçadores os matam e enviam seus ossos à China.

Por Dina Fine Maron
Publicado 26 de jan. de 2022 07:00 BRT
Emmanuel Rondeau - 1

A maioria dos tigres-siberianos, algumas vezes chamados de tigres-de-amur, vivem no Extremo Oriente da Rússia. A expansão de estradas para exploração madeireira facilita a identificação e a caça dos felinos protegidos. Partes de seus corpos possuem alto valor na medicina tradicional chinesa.

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O tigre já estava morto quando o avistaram, alegaram os caçadores — um monte peludo e ocre contra o fundo nevado de Primorye, região extensa a oito fusos horários de Moscou, no Extremo Oriente da Rússia.

Os sete homens tiraram uma foto com o enorme tigre-siberiano, com os braços casualmente sobre os ombros uns dos outros e as alças dos rifles da era soviética penduradas de lado. O calor da carcaça já começara a derreter a neve.

Quatro dos homens sorriram ao posar para a foto. Mas quando Allison Skidmore, pesquisadora de crimes contra a fauna silvestre e Exploradora da National Geographic se inclinou e perguntou se poderia fotografar o tigre de que tanto se orgulhavam, os homens recusaram. É proibido matar tigres no país há quase 75 anos, responderam, e não queriam que ninguém pensasse que haviam cometido um crime.

Mas como explicar a carcaça crivada de balas?

“A caça ilegal ora ocorre de forma mais intensa ora menos, pois depende da probabilidade de se encontrar tigres na natureza”, afirma Roman Kozhichev, guarda florestal que trabalha no norte de Primorye. Mas longe de ser acidental, explica Skidmore, os “encontros” geralmente são de caçadores em busca de tigres.

Os tigres-siberianos, algumas vezes chamados de tigres-de-amur, são os únicos encontrados em climas do norte. Eles podem pesar mais de 270 quilos e alcançam mais de três metros do focinho à ponta da cauda, provavelmente tornando-os a maior das seis subespécies de tigres sobreviventes (alguns especialistas afirmam que os tigres-de-bengala possuem aproximadamente o mesmo tamanho). Esses animais consomem até cerca de 27 quilos de carne em uma única noite.

Há um século, tigres-siberianos raramente eram observados na natureza: a caça havia reduzido sua população estimada para apenas 30 indivíduos. Iniciativas de conservação nas últimas décadas aumentaram sua população para cerca de 600 tigres-siberianos, quase todos na Rússia, e ao menos dois terços deles vivem em Primorye.

Mas Skidmore ainda está preocupada. Ultimamente, encontrar — e matar — esses tigres está cada vez mais fácil à medida que o desmatamento ilegal acelera e seu habitat é reduzido. 

“Uma malha rodoviária em constante crescimento aumenta drasticamente a oportunidade e a facilidade da caça ilegal”, observa ela em seu estudo. Agora, cerca de 52% da taiga de Primorye, a floresta boreal que abriga os tigres, está acessível a caçadores, segundo cálculos publicados por ela em junho de 2021 no periódico Crime Science.

Para investigar a situação dos tigres-siberianos na Rússia, Skidmore fez duas expedições a Primorye, em 2019 e 2020, totalizando cinco meses. Ela entrevistou mais de cem caçadores e 12 compradores de partes de tigres. As conversas incluíram bate-papos de meia hora e “conversas informais durante diversos dias” conduzidas enquanto pescavam no gelo, caçavam, bebiam ou folheavam álbuns de fotos, conta ela. Muitas vezes, caçadores ilegais a apresentaram a outros caçadores ilegais ou compradores de partes de tigres.

Um tigre baleado à noite na estrada geralmente não morre instantaneamente. Os caçadores ilegais podem seguir o rastro de sangue do animal ferido mata adentro. Esse tigre na região de Primorye provavelmente foi baleado por esporte — não por suas partes do corpo — porque sua carcaça está intacta.

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Mais de um terço das pessoas com quem Skidmore conversou — todos homens admitiram participar do comércio ilegal de tigres. Descreveram os motivos de sua caça ilegal, seus métodos e como ocorre o contrabando de partes de tigres para a China. Os resultados foram publicados em sua tese de doutorado na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, Estados Unidos no segundo trimestre de 2021, e posteriormente em artigos revisados por pares.

Os caçadores ilegais disseram a Skidmore que dirigem pelas estradas à noite armados e com óculos infravermelhos para identificar os tigres. Atiram em tigres de seus veículos ou vendem a outros caçadores ilegais as coordenadas de GPS dos animais. Eles também revelaram suas técnicas de contrabando, como subornar oficiais da alfândega ao passar na fronteira, esconder partes de corpos de tigres em carregamentos de madeira e triturar ossos de tigre e ocultar o pó em bolsas femininas.

Com base nas informações obtidas por Skidmore a partir de doze compradores de partes de tigres entrevistados por ela, ela estima em sua tese que entre 49 e 73 tigres-siberianos são caçados todos os anos em Primorye. “É entre três e quatro vezes mais do que a notificação oficial do governo russo” em todo o país, afirma ela.

Ela obteve os números ainda não publicados a partir de registros de vendas obtidos de compradores de partes de tigres durante cinco anos. “Os compradores sabem quais são as regiões de origem dos tigres cujas partes adquirem”, informa ela, acrescentando que seus dados cobrem uma grande extensão do habitat do tigre-siberiano. A frequência dessas mortes é devastadora, ressalta. “Ainda que fosse considerada uma estimativa conservadora”, prossegue ela, “em algum momento haverá um colapso populacional”. Os tigres-siberianos, explica, demoram a atingir a maturidade sexual e a repor suas perdas populacionais.

A contagem oficial da Rússia de tigres mortos por caçadores ilegais é feita pelo Amur Tiger Center, centro sem fins lucrativos russo fundado por ordem do presidente Vladimir Putin e encarregado da pesquisa e preservação de tigres no país. O centro afirma que entre 10 e 15 tigres foram caçados em toda a Rússia em 2020, estimativa obtida em parte pela contagem de todos os crimes informados referentes a tigres juntamente com denúncias policiais e de cidadãos a respeito de remessas suspeitas ou atividades de caça.

Sergei Aramilev, diretor geral do Amur Tiger Center, declarou à National Geographic que a pesquisa publicada por Skidmore sobre tigres é “uma grande ficção”, baseada em “fatos equivocados”.

Em Primorye, a exploradora da National Geographic Allison Skidmore fotografou os restos mortais de um tigre com partes do corpo removidas por caçadores. Ela utilizou seu celular para tirar uma foto da tela de sua câmera e carregá-la na nuvem por precaução, caso as autoridades russas apreendessem sua câmera e celular, o que mais tarde de fato ocorreu.

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O biólogo Marshall Jones, consultor sênior de conservação do Instituto Smithsoniano, discorda. Ele afirma que as descobertas de Skidmore fornecem as “melhores informações recentes” sobre a caça ilegal de tigres e seus métodos na Rússia. Se seus números de caça ilegal estiverem corretos, seria uma péssima notícia para os tigres, explica Jones, que já encaminhou doações para pesquisa e conservação de tigres no Serviço de Pesca e Fauna Silvestre dos Estados Unidos e ajudou a orientar iniciativas globais para treinar guardas florestais de áreas com tigres e gestores de habitats. “Depois da Índia, essa é a segunda maior população de tigres.”

A caça ilegal de tigres é difícil de estudar, e relatos dos próprios caçadores e compradores ilegais são bastante raros, de acordo com Masha Vorontsova, diretora da filial russa da organização sem fins lucrativos International Fund for Animal Welfare entre 1994 e 2018. “Acredito que seja importante trazer visibilidade a essa questão”, informou ela em um telefonema de Moscou, acrescentando que admira a coragem de Skidmore — é arriscado investigar a caça ilegal de tigres — e seus resultados “fantásticos”.

Ossos de tigre são geralmente utilizados para a produção de vinho ou pasta medicinal na China. Os caninos às vezes são transformados em joias.

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Contando grandes felinos

A caça de tigres e a perda de habitat são os maiores responsáveis pelo declínio global de tigres na natureza dos cerca de 100 mil há um século para os atuais cinco mil estimados. Além dos tigres-siberianos, todas as demais cinco subespécies sobreviventes são encontradas em florestas tropicais, manguezais e savanas.

No último censo oficial de tigres-siberianos na Rússia em 2015, sua população foi estimada em 532 — 67 indivíduos a mais do que na década anterior. Existem cerca de 50 felinos no extremo norte da China, perto da fronteira com a Rússia, e um pequeno número desconhecido pode estar vagando pela Coreia do Norte ou não ter sido detectado em outros países asiáticos.

Estimar populações de tigres não é uma ciência exata. Os métodos mais confiáveis, como levantamentos aéreos e monitoramento por armadilhas fotográficas, são dispendiosos demais. Em vez desses métodos, as equipes russas, de acordo com o censo oficial de tigres da Rússia, basicamente contam pegadas de tigres na neve e comparam seus tamanhos, obtendo resultados localizados, possivelmente incorretos ou incompletos.

Em 1947, a União Soviética tornou-se a primeira jurisdição a tornar crime federal matar tigres. Em 2013, a Rússia criminalizou a posse de partes de tigre, e atualmente, as áreas remanescentes de habitats de tigres, incluindo cerca de 57 mil quilômetros quadrados em todo o país (mais de 41 mil quilômetros quadrados em Primorye), são consideradas reservas de proteção, de acordo com o Amur Tiger Center.

Essas medidas contribuíram para a recuperação dos tigres-siberianos, apesar do desaparecimento de tigres em outros locais. O Cazaquistão, por exemplo, onde os tigres-do-cáspio foram observados pela última vez em 1948, espera introduzir tigres-siberianos em 2025 para substituir seus tigres extintos.

Mas a recuperação dos tigres-siberianos em Primorye é precária. Os cervos e javalis que lhes servem de alimento estão ficando mais difíceis de encontrar à medida que o desmatamento destrói as florestas de pinheiros, e menos árvores significam menos pinhões, alimento básico desses animais. Além disso, um surto global de peste suína africana, que primeiro devastou suínos na África subsaariana, depois se alastrou para o Sudeste Asiático, Mongólia, Europa e outros locais, destruiu ao menos metade dos javalis na região, segundo a divisão russa da organização ambientalista WWF. Como consequência, tigres famintos algumas vezes passaram a entrar em comunidades e atacar o gado e os cães de suas populações.

Muito raramente tigres matam pessoas. A maioria desses ataques, segundo o Amur Tiger Center, ocorre em Khabarovsk Krai, ao norte de Primorye, a região mais ao norte do habitat dos tigres na Rússia. Um incidente fatal ocorreu na região em agosto de 2021, quando um madeireiro foi atacado ao sair de seu trailer. Seu corpo foi arrastado para a floresta e parcialmente comido. Antes disso, em janeiro de 2021, outro homem em Khabarovsk Krai foi morto e devorado, segundo o centro. Guardas florestais localizaram e atiraram em ambos os tigres.

Guardas florestais inspecionam pegadas de tigres em estrada na Reserva Natural de Ussurisky, em Primorye.

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‘Os insetos podem esperar!’

Horas após Allison Skidmore ver a foto do tigre morto na neve, sentou-se com os caçadores perto de uma fogueira em uma de suas casas. Conforme esvaziavam as garrafas de vodca, conta ela, começaram a falar mais e a versão deles da história começou a mudar.

Um dos homens revelou que eles mesmos haviam atirado no tigre, dividindo por sete os US$ 4,5 mil obtidos com a venda.

Encontrar um comprador não foi difícil, comentou ele. Na vizinha China, há uma demanda por ossos, pênis e outras partes do corpo de tigre para sua medicina tradicional. Outros no grupo entraram na conversa, confirmando essa versão dos fatos, informou Skidmore. Os homens “tentaram se defender, alegando que não entraram na taiga em busca de tigres”. Ela afirma que lhe disseram que “qualquer um atiraria em um tigre se o visse. Era apenas uma questão de oportunidade.”

Skidmore acredita que os caçadores russos foram francos com ela devido a sua habilidade em manejar uma arma, juntamente com seu entusiasmo pela pesca no gelo sob temperaturas negativas de 28 graus Celsius. Ela acredita que, por ser norte-americana, foi considerada exótica e por isso ficaram mais dispostos a falar livremente sobre suas experiências, inclusive compartilhando nomes de outros caçadores e compradores.

Skidmore iniciou sua carreira em biologia da conservação há mais de uma década ao estudar cupins no Zimbábue. Uma noite, em uma barraca com colegas, ouviu tiros. No dia seguinte, guiados por abutres circulando no alto, os pesquisadores encontraram três elefantes mortos com as presas removidas. Skidmore conta que o episódio despertou sua convicção em combater crimes contra a fauna silvestre. “Percebi que havia problemas maiores — os insetos podiam esperar!”, lembra ela.

Ela se mudou para a África do Sul para trabalhar como guarda florestal no Parque Nacional Kruger e seus interesses acabaram se voltando aos tigres. Seu desejo era obter “as primeiras evidências empíricas sobre a caça ilegal de tigres na Rússia”.

A maioria dos caçadores de tigres que ela conheceu alegou matar tigres por necessidade. Com a redução na demanda internacional por peles, as zibelinas caçadas legalmente por eles — animais semelhantes a furões caçados por sua pelagem sedosa — não pagavam mais as contas, então se voltaram à caça ilegal de tigres. Um número menor alegou matar tigres que atacavam seu gado ou cães, ou por diversão.

Em meio a refeições, vodca e conversas com caçadores em Primorye, Allison Skidmore reuniu informações sobre a caça ilegal de tigres.

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Como Skidmore descreve em um futuro artigo acadêmico compartilhado com a National Geographic, um homem lhe contou que havia matado dez tigres. “Tenho dois filhos no FSB (o Serviço Federal de Segurança da Rússia), então, quem vai me impedir?” vangloriou-se, referindo-se à poderosa agência secreta de segurança da Rússia.

Skidmore também revela que alguns caçadores ilegais e compradores lhe disseram que suas transações só eram possíveis porque oficiais do governo aceitavam subornos. “O alto escalão está ganhando dinheiro com isso. Sem a permissão do governo, eu não poderia ser um comprador”, disse um deles.

Ao longo da fronteira da Rússia com a China, cinco pontos, incluindo diversos em Primorye, são as principais rotas de contrabando, segundo Skidmore. Os compradores disseram que alguns oficiais da alfândega aceitam pequenos subornos, entre US$ 50 e US$ 60, para cada remessa de contrabando de tigres.

“Acredito que as autoridades russas tenham ao menos uma noção informal do que está ocorrendo”, afirma Jones, do Instituto Smithsoniano, “mas podem discordar de Allison”.

Uma noite, durante a conversa em meio a bebedeira que Skidmore teve com quatro dos caçadores da fotografia do tigre, já passava da meia-noite quando um deles chamou seu intérprete e perguntou se ela gostaria de conhecer seu comprador, que morava nas proximidades. Sim, por favor, respondeu o intérprete, e o caçador fez um rápido telefonema.

O comprador, ao que parece, ficou feliz em dirigir até lá e falar sobre seus negócios — com a condição de que Skidmore não informasse seu nome. As relações próximas mantidas por ele com as autoridades locais e a polícia, declarou ele, permitem seu trabalho ilegal.

Outro comprador em Primorye concordou em falar com a National Geographic por telefone em junho de 2021, também sob condição de anonimato. Ele parecia nervoso, repetindo que o FSB poderia estar ouvindo a conversa. Em pequenas comunidades como a dele, explicou ele, caçadores sabem que ele compra tigres, além de mercadorias legais, e sabem como encontrá-lo. Normalmente, prosseguiu ele, os compradores vendem tigres ou suas partes a um receptador que os atravessa à fronteira da China.

Ele contou que foi preso há cinco anos por vender partes de tigre, e uma carcaça que levava foi confiscada (ele suspeita que um comprador concorrente o denunciou). Na época, temia ser sentenciado a um ano de prisão ou a uma multa pesada, mas informou que ainda não havia sido marcada a data do julgamento. “Fiquei preocupado nos primeiros 10 dias”, observou ele. “Mas agora não me preocupo mais com isso” (Masha Vorontsova, ex-diretora do International Fund for Animal Welfare, revela que são comuns longas demoras na justiça).

Política de conservação de tigres

As descobertas de Skidmore chegam em um momento especial. Na metade de 2022, a Rússia sediará o segundo Fórum Internacional de Tigres, cúpula global de proteção de tigres. Putin, simpático aos tigres, fez um discurso fervoroso no último fórum do gênero, em São Petersburgo em 2015, quando endossou planos para reprimir a caça ilegal e prometeu ajudar a dobrar o número de tigres nos 13 países de sua área de distribuição.

A reação oficial da Rússia às descobertas de Skidmore foi fria. Aramilev, diretora geral do Amur Tiger Center, declarou que suas constatações estão incorretas e que vivem mais tigres-siberianos em áreas protegidas no Extremo Oriente russo (20%) do que o número revisado por pares entre 3% e 4%, citado por ela em seu estudo publicado.

Em março de 2020, enquanto Skidmore conduzia pesquisas em Primorye com um visto de intercâmbio científico, sua viagem foi interrompida. Ela soube pelos caçadores que havia conhecido que agentes do FSB a seguiam e haviam aparecido nas casas deles fazendo perguntas sobre ela. “Sabia que restava pouco tempo”, recorda ela.

As autoridades russas finalmente a confrontaram no aeroporto de Vladivostok em 18 de março. Ela planejava pegar um voo doméstico para Khabarovsk, a cerca de 800 quilômetros de distância, no sudeste da Rússia. “Fiquei apavorada”, lembra ela. “Não sabia se seria presa.” Ela revela que seu computador, celular e outros pertences foram apreendidos. “Levaram tudo”.

Mas não encontraram as anotações manuscritas de entrevistas com caçadores e compradores. Ela as destruía todas as noites após enviar as informações e suas fotos para a nuvem — uma medida de precaução porque temia que “algo pudesse dar errado”.

As autoridades detiveram Skidmore por horas, depois a levaram a um voo comercial sem informar seu destino nem devolver o que lhe havia sido levado. Após o avião pousar — em Tóquio — ela correu para um telefone público e pediu aos pais que lhe comprassem uma passagem para casa.

“Sabia que não seria fácil”, admite ela.

Pouco depois de voltar para casa, comentários racistas e violentos sobre o povo chinês foram publicados em seu nome nas redes sociais. Ela conta que suas contas foram invadidas e acredita que as publicações pretendiam desacreditar a ela e seu estudo, fazendo-a parecer uma “racista genocida”.

Os caçadores revelaram a Skidmore técnicas de contrabando, como subornar oficiais da alfândega ao atravessar a fronteira para a China, esconder partes de corpos de tigres em carregamentos de madeira e triturar ossos de tigre e ocultar o pó em bolsas femininas. “Acredito que seja importante trazer visibilidade a essa questão”, afirma Masha Vorontsova, ex-diretora da filial russa do International Fund for Animal Welfare.

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‘Um trabalho muito extenso, árduo e perigoso’

Pavel Fomenko, especialista em tigres-siberianos do programa de Conservação de Espécies Raras da filial da WWF em Amur, na Rússia, elogia Skidmore por seu “trabalho extenso, árduo e perigoso” e afirma que sua análise sobre o modo de operação dos envolvidos na caça ilegal de tigres está correta. Ele conta que compartilhou as conclusões delas revisadas por pares com autoridades regionais russas de manejo da fauna silvestre, mas não obteve resposta.

Para ajudar a combater o tráfico de tigres, Skidmore sugere aumentar o salário dos oficiais da alfândega e fazer um rodízio da equipe para reduzir a chance de que um oficial corrupto esteja trabalhando no dia em que o contrabandista que o tenha subornado atravessar para a China.

Ela sugere ainda aumentar a fiscalização de armas e importações de óculos de visão noturna e afirma que um controle melhor das licenças gerais de caça reduziria o número de caçadores com “oportunidades” ilegais no habitat dos tigres.

Skidmore também recomenda linhas telefônicas de denúncias anônimas que ofereçam recompensas por informações úteis sobre crimes com tigres. Ela propõe ao governo russo o pagamento a caçadores para reflorestar estradas antigas de exploração madeireira e defende o uso de armadilhas fotográficas que forneçam provas datadas da presença de tigres. O Amur Tiger Center alega que já existem linhas telefônicas de denúncias anônimas que fornecem recompensas “se a informação for confiável” e que é rápida a recuperação natural de árvores ao longo de estradas de exploração madeireira abandonadas.

Embora a pandemia de coronavírus tenha desacelerado as viagens internacionais, não eliminou o comércio transfronteiriço de tigres-siberianos, segundo o comprador que conversou com a National Geographic. Caçadores contaram a ele que haviam matado recentemente “cinco ou seis tigres”, revelou ele, e provavelmente os venderiam em breve.

Sem a venda de tigres, afirmou o comprador, não conseguiria sustentar a família. Durante anos tentou outro trabalho e agora havia sido contratado como eletricista, mas o salário é de apenas US$ 300 por mês. “É possível encontrar um emprego de baixa remuneração — há empregos assim disponíveis — mas é difícil comprar alimentos”, lamentou ele. É muito difícil recusar o dinheiro dos tigres.

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