A inteligência artificial ainda vai dominar humanos?

Um levantamento da opinião de 995 pesquisadores da área da área mostra que a verdadeira inteligência artificial está longe, mas nem tanto.

Publicado 5 de mai. de 2021 12:00 BRT
Um levantamento da opinião de 995 pesquisadores da área mostra que a verdadeira inteligência artificial está longe, ...

Um levantamento da opinião de 995 pesquisadores da área mostra que a verdadeira inteligência artificial está longe, mas nem tanto.

Foto de Ilustração de Keryma Lourenço

Um dos cenários preferidos de ficções científicas distópicas pode até vir a se tornar realidade, mas esse dia parece distante, muito distante. “Hoje, com a tecnologia que a gente tem, é difícil afirmar que vamos chegar na singularidade”, diz Diogo Cortiz, cientista cognitivo e professor no programa de Tecnologias de Inteligência e Design Digital na PUC de São Paulo. “Porém, também não temos evidências de que nunca chegaremos lá.”

O termo singularidade, quando se discute inteligência artificial, diz respeito a uma espécie de fronteira tecnológica a partir do qual surgiria uma inteligência artificial (IA) verdadeiramente inteligente, capaz de compreender o mundo de uma forma diversa e complexa. (Se a partir daí, essa IA decidir que a melhor opção é dar um fim na humanidade, essa é uma outra história).

Hoje, as inteligências artificiais disponíveis estão muito longe disso. “O que a gente tem são IAs específicas, chamadas de narrow IA”, explica Diogo. “Ela é boa, mas para fazer uma única coisa para a qual ela é treinada.” Um programa desenvolvido para jogar xadrez pode ganhar dos melhores enxadristas do mundo, mas tem zero chances de identificar um objeto numa imagem.

O tradutor do Google, por sua vez, é ótimo para traduções, mas perderia de um papagaio bem treinado no xadrez. “E, mesmo na tradução, ele não tem entendimento da linguagem, é algo probabilístico”, diz o professor da PUC.

É bom explicar que há uma grande variedade de modelos de inteligência artificial. No geral, todos ‘aprendem’ após serem alimentados com um volume gigantesco de dados. Algoritmos que criam textos, por exemplo, analisam uma infinidade de outros textos para entender a lógica, padrões e trejeitos de determinada linguagem.

Recentemente, um desses algoritmos de escrita causou barulho, o GPT-3. O jornal britânico The Guardian chegou a publicar um artigo escrito pela IA. Mas, na verdade, a coisa não era tão mágica assim. “É só um modelo de linguagem que consegue escolher bem as palavras, mas que não tem nenhum entendimento do mundo”, afirmou Diogo Cortiz em seu blog. O artigo do Guardian, por exemplo, foi editado por humanos a partir de vários conteúdos distintos gerados pelo GPT-3.

Ainda assim, vale ficar de olho. Se a realidade ainda é das IAs específicas, Diogo conta que a próxima fronteira na inteligência artificial é criar programas um pouco mais generalistas. “Que sejam capazes de processar imagens ligadas a um texto e avancem um pouco no entendimento da realidade.”

Mesmo nesse caso, ainda não seria a tal singularidade. Mas o AI Multiple, um repositório de ferramentas de IA voltadas para negócios, fez um levantamento interessante da opinião de 995 pesquisadores da área. Para a maior parte deles, a singularidade chega antes de 2060.

No Brasil, a gente tem preocupações mais urgentes.

#PossoExplicar é o primeiro talk show de ciência do Brasil, apresentado por Miá Mello. Assista todas as quartas, às 21h, no National Geographic.
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