Dia Mundial do Cérebro: 6 hábitos que beneficiam o sistema nervoso

O cérebro é um órgão essencial para a vida humana, mas você sabe como ele funciona? Descubra mais sobre seu funcionamento e aprenda como mantê-lo mais saudável. 

Uma aula de ioga realizada em uma praia para a Marinha em Serviço.

Foto de Robert Andrew Richter
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 22 de jul. de 2022 12:20 BRT

O cérebro é um órgão vital, o único no corpo humano que não pode ser substituído. Por isso, as doenças e condições que o afetam são as que mais deixam pessoas com deficiências, aponta a Federação Mundial de Neurologia (FMN).

Com a chegada do 22 de julho, data que marca o Dia Mundial do Cérebro, conheça mais de suas funções no organismo, descubra algumas das principais doenças que prejudicam a função cerebral e veja recomendações para manter saudável esse órgão tão essencial à vida.

Por que é comemorado o Dia Mundial do Cérebro?

O Dia Mundial do Cérebro foi instituído pela FMN para o dia 22 de julho, data que marca o surgimento da fundação, em 1957. Apenas em 2014, porém, o marco passou a ser celebrado com o objetivo de conscientizar e promover a saúde do cérebro.

Em 2022, o lema da conscientização é “Saúde do cérebro para todos”. A FMN chama especial atenção para a data este ano porque considera que “nosso cérebro continua sendo desafiado por pandemias, guerras, alterações climáticas e muitos outros fatores que têm impactado o ser humano a nível global”.

Para isso, a campanha estará focada em cinco pontos-chave: conscientização de que a saúde do cérebro é vital para o bem-estar mental, social e físico; prevenção, uma vez que muitas doenças cerebrais podem ser evitadas; apoio, porque são necessários esforços globais para se conquistar uma saúde cerebral ideal; educação, a fim de popularizar o que se sabe sobre o tema; e acesso equitativo a recursos, tratamento e reabilitação.

[Você pode se interessar: Como o Covid-19 afeta o cérebro?]

Qual é a importância do cérebro

A FMN chama ainda a atenção para o fato de que o cérebro é o “órgão mais surpreendente e complexo do corpo humano”. Segundo a entidade, existem cerca de 10 bilhões de conexões entre neurônios, que nos ajudam a ler, escrever, observar, aprender, planejar, pensar, sentir, movimentar-nos e resolver problemas diariamente.

Andrés Barboza, neurologista, mestre em neuroimunologia e presidente da Sociedade Neurológica Argentina, explica que o cérebro é "o ícone" para entender o sistema nervoso, presente em todo o corpo.

“Esse órgão é como uma central elétrica que está conectada através de seus nervos periféricos com todas as partes do corpo. Ela controla e regula todas as funções corporais. Entendemos o sistema nervoso como um todo em funcionamento”, disse Barboza em entrevista à reportagem. O cérebro funciona e existe graças às suas conexões com todo o corpo e é o único órgão que não pode ser substituído.

“O cérebro é a sede da consciência e da nossa percepção. É a base biológica do nosso ser: o que somos, o que pensamos e o que sentimos, tudo passa por ele", diz Barboza. "Independentemente da nossa percepção filosófica, a sede biológica física continua sendo o cérebro através do sistema nervoso."

Sobre as funções cerebrais, o neurologista explica que o sistema nervoso recebe informações externas e internas permanentemente. E que, de acordo com os dados recebidos, gera comportamentos simples ou complexos: “O cérebro é a nossa principal fonte de adaptação como seres vivos ao ambiente ”, diz ele.

As varreduras do cérebro comparam a atividade de um acupunturista e de um paciente em máquinas de ressonância magnética separadas.

Foto de Robert Clark

Principais doenças que afetam o cérebro

De acordo com as informações divulgadas pela FMN no seu site oficial, as doenças que afetam o cérebro são a principal causa de deficiências no mundo.

Barboza reforça a necessidade das pessoas terem acesso a cuidados, tratamento, prevenção e reabilitação das condições neurológicas. Entre as condições mais frequentes que causam dano cerebral, ele destaca o acidente vascular cerebral (AVC), a epilepsia, o traumatismo craniano e espinhal; e a enxaqueca. Esta última é uma das principais causas de absenteísmo no trabalho entre os jovens. 

Já entre as doenças menos frequentes, Barboza cita a esclerose múltipla, a esclerose lateral amiotrófica e as encefalopatias crônicas não progressivas (anteriormente conhecidas como paralisia cerebral).

6 dicas para manter o cérebro saudável

Para quem quer manter a saúde cerebral sempre em dia, Barboza faz algumas recomendações relacionadas, principalmente, a hábitos de vida ​​e controle médico.

Para ele, o primeiro passo é evitar os fatores de risco cardiovasculares. Por isso a importância de se realizar exames médicos regulares e monitorar os níveis de pressão arterial, glicemia, colesterol e triglicérides.

Não fumar também é fundamental na manutenção da boa saúde cerebral, já que o tabagismo afeta particularmente o sistema nervoso, ainda que tenha efeitos no corpo de maneira geral. O fumo causa danos significativos às artérias cerebrais e compromete o sistema de irrigação, explica o especialista. 

O ato de fumar ainda aumenta o risco de outras doenças que podem afetar o sistema nervoso, e as pessoas que fumam "geralmente têm pior prognóstico porque o tabaco afeta, gradualmente, as artérias e provoca danos irreversíveis", afirma ele.

Além disso, é aconselhável moderar o consumo de álcool: o ideal é não ultrapassar a ingestão de meia taça de vinho por dia, pois "o alto consumo de álcool está associado a inúmeras doenças, e o sistema nervoso não é exceção”, diz Barboza. 

Outro hábito fundamental para manter o cérebro saudável é a prática regular de exercícios físicos. “Quando você sai para caminhar, está fazendo uma atividade física boa, que não coloca em risco suas articulações ou seu coração”, diz Barboza, que recomenda uma frequência mínima de exercícios aeróbicos de duas vezes por semana por aproximadamente 40 minutos.

Combater o sedentarismo evita dores de cabeça e nas costas, duas causas de consultas frequentes nos consultórios. Além disso, a atividade física tem um efeito positivo em doenças neurológicas. Para aqueles que desejam praticar atividades mais intensas, Barboza aconselha realizar previamente uma consulta médica para saber se seu sistema cardiovascular está em condições e também realizar as atividades com treinadores qualificados para evitar lesões.

As pessoas aproveitam o equipamento ao ar livre na praia de Santa Monica (EUA) para desfrutar de mais atividades acrobáticas enquanto ouvem as ondas quebrando na praia.

Foto de David Guttenfelder Nat Geo Image Collection

[Artigo relacionado: Como o exercício físico beneficia o cérebro?]

Manter hábitos alimentares saudáveis ​​é outro aspecto que faz a diferença na saúde cerebral – ainda que “não exista uma dieta específica para o cérebro, a alimentação contribui para a saúde do sistema nervoso”, afirma Barboza. Ele acrescenta que a alimentação deve ser variada, a fim de diminuir o risco de doenças causadas por deficiências.

“A deficiência do complexo B é muito ruim para o sistema nervoso. Dentro do complexo de vitaminas B, as mais relacionadas ao cérebro são as B1, B6 e B12", explica Barboza. "Podemos encontrar essas vitaminas em carnes (de vaca ou de porco), no peixe, no pão integral, no leite e seus derivados, em leguminosas, ovos ou ervilhas."

Alimentos ultraprocessados, já considerados maléficos para a saúde como um todo por diversas entidades médicas e pela Organização Mundial da Saúde, devem ser consumidos com moderação ou eliminados do dia a dia, bem como açúcares refinados e o excesso de farinha de trigo. 

Finalmente, o neurologista recomenda o treinamento cognitivo para deixar o cérebro em boa forma. Isso consiste em desafiar as próprias habilidades cognitivas como a memória ou a atenção. Estudar ou incorporar novos aprendizados estimula essas habilidades.

“Sabemos que, na medida em que estimulamos nosso sistema nervoso, geramos redes, conexões mais sólidas”, diz Barboza. Pessoas com maior treinamento cognitivo, ao longo da vida, estariam em "melhores condições" para enfrentar distúrbios de memória relacionados à idade ou a patologias como a doença de Alzheimer

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