Qual é a origem do mosquito transmissor da dengue?

Embora atualmente seja encontrado em quase todos os países da América Latina, este pequeno inseto não é nativo. Ele chegou há séculos, vindo de outro continente.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 29 de jan. de 2024, 12:33 BRT
As fêmeas do Aedes aegypti preferem picar pela manhã e ao entardecer.

As fêmeas do Aedes aegypti preferem picar pela manhã e ao entardecer.

Foto de Rayelen Baridon CONICET, La Plata

O Aedes aegypti é o famoso mosquito transmissor da dengue, e também de doenças como a chikungunya e a febre amarela, entre outras doenças. De acordo com dados fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ele está atualmente distribuído nas Américas. No entanto, esse pequeno mosquito não é nativo do continente americano.

O mosquito é, especificamente, originário da África e teve que passar por um importante processo de adaptação para coexistir com os seres humanos no ambiente doméstico, explica Sylvia Fischer, doutora em Ciências Biológicas e pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) na Argentina.

Como o Aedes aegypti chegou às Américas

Para chegar ao continente norte-americano, o mosquito responsável pela transmissão da dengue fez uma extensa viagem nos navios que aportaram neste território séculos atrás, explica a especialista, que também é diretora do Grupo de Estudos de Mosquitos da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires (UBA).

No passado, o mosquito vivia na África subsaariana, onde usava troncos ocos de árvores como seu habitat larval e se alimentava do sangue de animais (e não de humanos), observa Fischer, de acordo com um artigo que analisa o inseto em profundidade.

O trabalho, publicado em 2013 na revista acadêmica” Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”, aponta que é possível que o Aedes aegypti tenha sido introduzido nas Américas logo após a chegada dos europeus.

Larvas de Aedes aegypti em uma amostra de água.

Larvas de Aedes aegypti em uma amostra de água.

Foto de Carola Soria CONICET

Um fato que comprova isso é quefebre amarela já era conhecida na África subsaariana muito antes de 1400, mas não nas Américas. Neste território, relata o jornal, o primeiro surto confirmado da doença ocorreu em Yucatan, em 1648, embora casos possam ter sido registrados no Haiti já em 1495.

Naquela época, navios de Portugal e da Espanha navegavam para a África Ocidental para fazer o comércio de pessoas escravizadas e levá-las para as Américas, onde adquiriam mercadorias para serem levadas de volta a Portugal e à Espanha.

"Esses navios levavam várias semanas para atravessar o Atlântico, por isso, era necessário estocar alimentos e água para a viagem", diz Fischer. Assim, continua o especialista, eram enchidos barris com água, nos quais as larvas eram transportadas.

Em suma, o mosquito que atualmente está colocando a população latino-americana em alerta não é local, mas chegou ao continente por meio de transporte intercontinental.

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