Fotografia

Fotos surreais da arquitetura pós-soviética

Este fotógrafo viajou aos confins da antiga União Soviética para documentar uma nova era do design. Terça-feira, 22 Maio

Por Christine Blau
Fotos de Frank Herfort

Na década de 1950, o líder do estado soviético, Joseph Stalin, transformou o céu de Moscou ao construir sete arranha-céus que preencheram o horizonte como bolos de casamento da era soviética. Os pináculos se estendiam sobre exteriores ornamentados que lembravam catedrais góticas e antigas igrejas russas seculares. Apesar do país haver acabado de sair de uma guerra, a liderança priorizava os enormes custos das construções das torres, que abrigavam uma universidade, ministérios do governo, um hotel e outros, visando reforçar a força crescente do novo poder centralizado. A cidade se tornou uma tela onde eram expressadas as novas aspirações da nação.

Após o colapso da União Soviética em 1991 e o fim de sua influência sobre seus estados satélite, os países do antigo bloco oriental precisavam traçar seus próprios caminhos. Em 2008, o fotógrafo alemão Frank Herfort iniciou sua jornada pela região de Moscou à Astana e à Sibéria em um Volga (um automóvel da era soviética) para documentar em sua série, Imperial Pomp, as contradições da arquitetura que emergiram dentro daquele período de duas décadas.

“Se você visitar qualquer cidade na Rússia, todas se parecem iguais. De Moscou a São Petersburgo e Novgorod, todas têm o mesmo tipo de edifícios”, explica Herfort sobre os blocos de apartamentos construídos para uma sociedade sem classes de trabalhadores. As fachadas descaracterizadas simbolizam como deveria ser o cidadão comunista ideal, uma engrenagem na máquina do regime. As Sete Irmãs, construídas por Stalin, eram as únicas exceções à regra, até que muitas outras torres, algumas entre os maiores arranha-céus da Europa, surgiram na última década, simbolizando uma nova era.

Entretanto, nem todos os edifícios pós-soviéticos romperam com o passado. Concluído em 2006, o Palácio do Triunfo é o mais alto edifício residencial da cidade e ganhou o apelido de “Oitava Irmã” devido ao seu estilo stalinista do Classicismo soviético e às suas colunas clássicas que remetem aos edifícios de mais de meio século atrás. A força do passado é admirada, mas a cidade aspira superar a antiga grandeza. “Eles sempre tentam ser melhores do que eles mesmos”, disse Herfort.

Outras adições arquitetônicas à região refletem a busca por uma nova identidade. Estruturas com estilo futurístico e torres douradas mudaram o aspecto da cidade de Astana, no Cazaquistão, após o fim do regime soviético.

Apesar da história em comum que compartilham, o desenvolvimento da região pós independência tem sido irregular, explica Kasia Ploskonka, historiadora de arte especializada na arte da Ásia Central pós-soviética. Apesar das construções terem sido iniciadas durante o regime da União Soviética, cada país precisava disseminar sua nova identidade. “A eliminação e reconstrução total da identidade ainda não aconteceu, havendo, na verdade, um esquecimento e privilegiamento seletivos das novas elites na tentativa de solidificarem a importância de seu lugar no cenário internacional.”

Mas os projetos dos edifícios da elite, como podem ser vistos nas imagens de Herfort, parecem não mostrar consideração às reais necessidades da população, diferente dos blocos residenciais comunistas. Poucas pessoas são retratadas nas fotografias. Alguns dos novos edifícios permanecem vazios.

Hoje, centros regionais retornam aos prédios mais organizados e práticos, superando os passados dias de glória das construções pós-soviéticas, que marcaram as duas décadas após a queda da União Soviética. Mas vestígios do passado permanecem de pé, e o ciclo do passado sendo substituído e, depois, glorificado permanece.

Frank Herfort é documentarista e fotógrafo de arquitetura residente na Alemanha. Siga ele no Instagram.

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