Fotografia

Refugiados e migrantes presos em fronteira na Grécia

Mais de 12 mil pessoas ficaram em um campo improvisado em Idomeni por conta do aumento do controle migratório na Europa.

Por Eve Conant
Fotos de Davide Monteleone

O nome dado à cidade é Idomeni - mas para as pessoas cada vez mais desesperadas encalhadas lá, é limbo.

Aninhada ao longo da fronteira norte da Grécia com a Macedônia, a pequena cidade tornou-se uma parada típica para os refugiados que escapam das crises em seus países de origem e tentam alcançar países como a Áustria e a Alemanha na chamada "Rota dos Balcãs".

Mas o que antes era um ponto de trânsito relativamente rápido é agora um gargalo, diz o fotógrafo Davide Monteleone (em inglês). Ele visitou Idomeni pela primeira vez em fevereiro de 2016 e retornou de lá no início de março do mesmo ano.

Em fevereiro, "os refugiados esperavam talvez 1 ou 2 dias antes de cruzar a fronteira com a Macedônia", diz Monteleone. Durante esta visita mais recente, "foi muito mais lotado; é lamacento e as condições são horríveis."

Suas fotografias de Idomeni fazem parte de um projeto maior que ele chamou de "Paisagem da Migração Contemporânea". Ele o criou para servir como um "atlas visual" da violenta alteração da paisagem e da vida humana no Mediterrâneo". 

O refugiado Qusay Loubani, 29 anos, fugiu da Síria com sua esposa e esteve em Idomeni por quase 3 semanas. Ao chegar ao acampamento terça-feira à tarde, ele descreveu como "há homens tentando queimar-se em frente à fronteira. Eles fizeram isso esta manhã." Fazendo-se ouvir sobre um barulho de vozes e bebês chorando, Loubani acrescentou que as lutas tinham começado lá no início do dia. Segundo algumas estimativas, até 14 mil refugiados estão presos, como Loubani, no campo de Idomeni.

O fluxo de refugiados pelos Balcãs foi paralisado com o aperto das fronteiras, bem como um acordo controverso alcançado no início deste mês entre a União Europeia e o governo turco. Nos termos do acordo, a maioria dos migrantes que tentarem entrar na Europa através do Mar Egeu será reenviada para a Turquia se não solicitarem asilo ou se os seus pedidos forem rejeitados (em inglês).

No ano passado, mais de 1 milhão de pessoas fugiram da violência e da pobreza em seus países de origem e rumaram para a Europa, de acordo com a Organização Internacional para Migrações (IOM), com sede em Genebra. Isso é mais do que quatro vezes mais imigrantes que a organização relatou no ano anterior.

Apenas nos primeiros meses de 2016, mais de 160 mil fizeram a jornada traiçoeira pelo Mediterrâneo, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) (em inglês).

O porta-voz do UNHCR, Babar Baloch, que chegou a Atenas depois de deixar o campo de Idomeni no início da semana, diz que o UNHCR "se opõe à detenção obrigatória de requerentes de asilo e refugiados, bem como ao seu retorno forçado". Ele descreve as condições dos refugiados no campo como “terríveis".

Pelo menos 12 mil pessoas estão no acampamento, e a maioria são famílias com crianças, diz Baloch. "As pessoas estão passando frio, pegando chuva, e em condições anti-higiênicas. Eles estão dormindo em trilhos de trem e em campos abertos, não há abrigo."

Fotos do acampamento, diz Baloch, "revelarão que esse local informal de fronteira se tornou uma exposição de miséria de refugiados na Europa".

Publicado em 25 de março de 2016.

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